20 setembro 2013

Para estudar o Catecismo de Heidelberg

A minha primeira leitura do Catecismo de Heidelberg foi quase fortuita. Eu era um calouro no Seminário Teológico Presbiteriano JMC e havia recebido alguns livros do Editorial FeLiRe, dentre eles veio uma cópia do CH[1] em espanhol. Desde a primeira leitura fiquei fascinado pela simplicidade da linguagem e profundidade teológica contida numa estrutura tão bem elaborada. Recordo que no decorrer dos cinco anos de estudos teológicos, por motivo devocional, li o texto pelo menos dez vezes. E desde então, continuo estudando e sendo confortado e instruído por ele. O meu interesse em usá-lo com certa assiduidade aumentou, apesar de não ser um documento confessional exigido pela IPB.

O que desejo fazer neste breve artigo, que melhor seria nomeado de nota sugestiva, é indicar alguns recursos literários para o estudo continuado e tirar melhor proveito do Catecismo de Heidelberg. Há pouca produção literária no Brasil acerca do CH. Embora a Editora Cultura Cristã e a Editora Os Puritanos tenham publicado boas traduções e tornado acessível ao público comum para o uso litúrgico [em especial como diretório para pregação], ou discipulado e preparo de novos membros e, ou ainda como estudo continuado para treinamento de líderes das igrejas locais, há muito o que se estudar acerca do Catecismo de Heidelberg, bem como do seu conteúdo. Comemorando hoje os 450 anos do CH, deixo esta introdução como um desafio aos novos estudantes de teologia do século XXI.

TEXTOS DO CATECISMO DE HEIDELBERG DE DIFERENTES TRADUÇÕES
1. Claúdio A. Marra, ed., Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2005). Tradução pela comissão da Missão Reformada no Brasil a partir do texto francês.

2. Heraldo F. de Almeida, ed., As Três Formas de Unidade – Confissão Belga, Catecismo de Heidelberg e Cânones de Dort (Recife, CLIRE, 2ª ed., 2009). Tradução pelo Marcos Vasconcelos a partir do texto inglês.

3. Philip Schaff, “The Heidelberg Catechism” in: The Creeds of Christendom – with a History and Critical Notes (Grand Rapids, Baker Books, 6ª ed., 2007), vol. 3, pp. 307-355. Tradução feita em 1859 pela comissão da Igreja Reformada Alemã dos EUA [GRCUS] a partir do texto alemão.

4. El Catecismo de Heidelberg – Enseñanza de la Doctrina Cristiana (Barcelona, FeLiRe, 1993). Traduzido por Juan T. Sanz a partir do francês e latim.

5. James T. Dennison, Jr., org., “The Heidelberg Catechism (1563)” in: Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English Translation – 1552-1566 (Grand Rapids, Reformed Heritage Books, 2008), vol. 2, pp. 769-799. Tradução feita em 1978 pela comissão da Igreja Reformada dos EUA [RCUS] a partir do texto alemão.

Recentemente foram publicadas outras traduções comemorativas dos 450 anos do CH. Estas foram vertidas para o inglês moderno com breves notas históricas. Embora existam versões inglesas preparadas por comissões denominacionais que exprimem a pesquisa crítica de variantes e a comparação de traduções antigas como o alemão, latim e francês, as traduções recentes propõe apresentar o texto numa linguagem contemporâneo com qualidade acadêmica. Estas novas traduções podem ser compradas em alguns sites.


RECURSOS DIGITAIS PARA O ESTUDO DO CH:
1. Uma tradução livre do texto do catecismo – [ clique aqui ]

2. Um artigo introdutório da histórica - [ clique aqui ]

3. Site com subsídios para estudo do CH - [ clique aqui ]


RECURSO PARA A PESQUISA HISTÓRICA
1. Lyle D. Bierma, org., A Firm Foundation – An Aid to Interpreting the Heidelberg Catechism – Capar Olevianus (Carlisle, Paternoster Press & Grand Rapids, Baker Books, 1995). O texto é uma tradução do comentário de Caspar Olevianus, escrito em 1567 sobre parte do CH. Este comentário é feito a partir da seção da “Nossa Libertação” – Domingos 7 e 8 - abrangendo as perguntas 20 a 25 que é o Credo Apostólico. O título original “Um firme fundamento, que são os artigos da antiga, verdadeira e indubitável fé cristã” revela a importância do Credo Apostólico para Olevianus.

2. Karin Maag, ed., Melanchthon in Europe – His Work and Influence beyond Wittenberg (Carlisle, Paternoster Press & Grand Rapids, Baker Books, 1999). O livro pesquisa o contexto histórico, o desenvolvimento e a influência teologia de Philip Melanchthon na Europa. O Dr. Lyle D. Bierma, no capítulo 5, dedica-se a resolver a problematização de como o preceptor da Alemanha teria influenciado na teologia do CH. Como o assunto é tema de debate, Bierma levanta a questão com o provocador título “What hath Wittenberg to do with Heidelberg? Philip Melanchthon and the Heidelberg Catechism” [Qual a relação de Wittenberg com Heidelberg? Philip Melanchthon e o Catecismo de Heidelberg]. O artigo aponta e examina os argumentos da vasta literatura que sugere a dependência direta, temática e estrutural. Entretanto, apesar de encontrar similaridades, e de Zacharias Ursinus ter se formado sob a tutela de Melanchthon, Bierma questiona a relação de ambos a partir de desenvolvimentos contextuais temáticos comuns a possibilidade de dependência indireta, bem indica outras possíveis fontes literárias para a formação do CH. No fim de seu artigo ele conclui que “a dificuldade de demonstrar a influência é agravada pelo fato de que conhecemos tão pouco da verdadeira preparação do catecismo e do que Frederick III estava buscando com um consenso confessional entre os partidos protestantes de Heidelberg.”[2] Assim, se houve uma influência de Melanchthon sobre a teologia do CH esta foi indireta, pela formação de Ursinus e por desenvolvimento dos temas que concorriam no contexto reformado alemão, tanto luterano como calvinista.

3. Lyle D. Bierma, ed., Introdução ao Catecismo de Heidelberg – fonte, história – teologia (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2010). O livro é resultado de um desafio proposto pelo Dr. Fred H. Klooster ao Dr. Bierma para a produção de artigos acadêmicos sobre o CH. O livro é dividido em 2 partes: na primeira parte [pp. 15-151], os autores oferecem uma introdução histórica abrangendo a Reforma no Palatinado, bem como as origens, autoria, fontes e a orientação teológica do CH. A Dra. Karin Y. Maag prepara o capítulo 4 indica as primeiras edições e traduções do CH. E, para quem deseja continuar os estudos nesta área, o capítulo 5 apresenta uma vasta bibliografia de pesquisa sobre o CH desde 1900. Na segunda parte [pp. 155-239], Bierma trás uma tradução revisada dos Catecismos de Zacharias Ursinus, acrescida uma introdução histórica. A importância destes dois documentos confessionais é que eles constituem em fonte para o CH, e possibilidade um estudo comparativo do que seria a posição teológica exclusiva de Ursinus.

4. Lyle D. Bierma, The Theology of the Heidelberg Catechism: A Reformation Synthesis – Columbia Series in Reformed Theology (Louisville, Westminster John Konx Press, 2013).

5. Jon D. Payne & Sebastian Heck, org., A Faith Worth Teaching: The Heidelberg’s Enduring Heritage (Grand Rapids, Reformed Heritage Books, 2013).


COMENTÁRIOS DO CATECISMO:
1. Fred H. Klooster, Our only comfort: a comprehensive commentary on the Heidelberg Catechism (Grand Rapids, CRC Publications, 2001), 2 volumes.

2. J.C. Janse, La confesión de la iglesia – comentario al Catecismo de Heidelberg (Barcelona, FeLiRe, 2000).

3. Herman Hofman, El Catecismo de Heidelberg – uma explicación (Moral de Calatrava, Editorial Peregrino, 2010).

4. G.H. Kersten, The Heidelberg Catechism in Fifty-two Sermons (Sioux Center, Netherlands Reformed Book and Publishing, 1992).

5. Herman Hoeksema, Triple Knowledge – An exposition of the Heidelberg Catechism (Grand Rapids, Reformed Free Publishing Association., 1990), 3 volumes.

6. George W. Bethune, Guilt, Grace and Gratitude: Lectures on Heidelberg Catechism (Edinbrugh, The Banner of Truth, 2001), 2 volumes.

7. G.I. Williamson, The Heidelberg Catechism: A Study Guide (Philladelphia, P&R Publishing Company, 1993).

8. Otto Thelemann, An aid to the Heidelberg Catechism (Grand Rapids, Douma Publications, 1959).

9. Zacharias Ursinus, The Commentary of Dr. Zacharias Ursinus on the Heidelberg Catechism (Phillipsburg, P&R Publishing Company, s./d.).


NOTAS:
[1] Doravante usarei a sigla CH para Catecismo de Heidelberg.
[2] Lyle D. Bierma, “What hath Wittenberg to do with Heidelberg? Philip Melanchthon and the Heidelberg Catechism” in: Melanchthon in Europe – His work and influence beyond Wittenberg, p. 120.

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