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17 dezembro 2025

O peso de glória do ministério pastoral

 Considere estas pressões envolvidas no pastorado:


1. O pastor envolve-se com o humanamente impossível — lida com o pecado na vida das pessoas.

2. O pastor cumpre um papel que nunca se completa — resolve problemas que vão se multiplicando.

3. O pastor serve sob uma credibilidade cada vez mais questionada aos olhos da sociedade.

4. O pastor permanece a postos 168 horas por semana.

5. Espera-se que o pastor tenha um desempenho excelente em uma ampla gama de habilidades — sendo, a qualquer hora, erudito, visionário, comunicador, administrador, consolador, líder, financista, diplomata, exemplo de perfeição, conselheiro e apaziguador.

6. Espera-se que o pastor produza mensagens fascinantes, que transformem vidas, pelo menos duas vezes por semana, 52 domingos por ano.

7. A brigada de combate do pastor é, em geral, uma força voluntária, não uma ajuda remunerada.

8. O pastor e sua família parecem viver em um aquário que todos podem observar.

9. O pastor muitas vezes é mal remunerado, não muito valorizado, pouco reciclado e sobrecarregado.

10. Como figura pública, o pastor pode receber as mais duras críticas tanto da comunidade como da congregação.


John MacArthur, Jr., Redescobrindo o Ministério Pastoral (Rio de Janeiro, CPAD, 1998), p. 176.

25 abril 2020

"A Companhia de Pastores de Calvino" - resenha por Michael Horton

Com muitos outros, tenho antecipado a publicação de Calvin’s Company of Pastors: Pastoral Care and the Emerging Reformed Church, 1536–1609 de Scott Manetsch. Não é bem o que eu esperava, ou seja, uma atualização mais completa para The Register of the Company of Pastors of Geneva in the Time of Calvin (1966) de Phillip Hugues. Nós precisávamos de algo assim, que fosse uma publicação de nicho que pareceria muito com uma avaliação para uma audiência geral. No entanto, o livro de Manetsch é isso e muito mais.

Repleta de novos estudos (incluindo a análise de registros nunca examinados de perto), Calvin’s Company of Pastors é uma leitura fascinante. Enquanto muitos estudos se inclinam para a história intelectual, Manetsch segue o rastro de historiadores sociais mais recentes (e obscuros). A sua análise engloba fatores sociais mais amplos, e ele tira conclusões com base em fontes frequentemente omitidas de outros relatos. Como um bom sermão, o enorme peso da pesquisa em primeira mão está por trás, e não a frente da história.

Respaldado com as notas de rodapé e tabelas é uma narrativa vívida que nos esboça um notável ministério de uma equipe de pastores, presbíteros e diáconos. Apesar do título, Manetsch, professor de história da igreja e da história do pensamento cristão na Trinity Evangelical Divinity School, nas proximidades de Chicago, mostra que Calvino era apenas o moderador de uma Companhia de Pastores que resistia a qualquer culto à personalidade.

Definindo o Contexto

Manetsch define o contexto observando que a reforma inicial da igreja genebrina reduziu os clérigos da cidade (incluindo monges e freiras) de 500 para 15, transformando o convento e dois mosteiros em um hospital público e escola. Ele observa que as Ordenanças Eclesiásticas, elaboradas por Calvino em 1541, estabeleceram uma rotatividade de ministros em todas as igrejas para evitar a impressão de que os ministros eram pregadores, não pastores.

Após seu retorno de Estrasburgo em 1541, Calvino pregou rotineiramente em St. Pierre aos Domingos e no templo da Madeleine durante a semana de trabalho. Essa prática de rotação foi projetada por Calvino para garantir que o povo de Genebra fosse edificado por uma variedade de pregadores; também afirmava a natureza colegial do ministério pastoral na cidade, e desencorajava os ministros de verem seus postos de pregação como feudos pessoais.

Poucas figuras históricas sofreram mais em termos de rumores do que por fatos. Há muito é observado por especialistas (católicos romanos e protestantes) que Calvino estava longe do aiatolá que normalmente encontra no parágrafo dedicado a ele nos livros didáticos do ensino médio. Manetsch dissipa esses rumores com muita atenção às fontes primárias.

Nesse sentido, Manetsch também avalia os registros da igreja (ou registro) em detalhes notáveis. O exame de casos disciplinares por si só torna este livro útil para qualquer pessoa interessada num retrato preciso de uma prática muito mal compreendida.

Ao contrário das caricaturas de um regime repressivo, os registros mostram uma preocupação primariamente “em educar os ignorantes, defender os fracos e intermediar conflitos interpessoais”. Calvino e outros repetidamente afirmaram que o consistório não podia administrar punições legais ou temporais (isto é, aqueles que não têm “a espada espiritual da Palavra de Deus” e que “as correções nada mais são do que remédios para trazer os pecadores de volta ao nosso Senhor.” Calvino advertiu contra a disciplina que se degenera em “carnificina espiritual”, e foi especialmente crítico do rigor indevido tanto pelos católicos romanos como da disciplina anabatista.

Muitas das questões envolviam assegurar que os paroquianos conhecessem a fé cristã o suficiente para receber a Comunhão. Não se pode receber o sacramento enquanto se crê em crenças e práticas católicas romanas ou anabatistas; a maioria dos casos, entretanto, estava na categoria de aconselhamento, admoestação e instrução, em vez de censura séria (muito menos excomunhão). Dentro destes parâmetros, a excomunhão seria rara. Além disso, essas questões tinham que permanecer privadas; a maledicência também poderia provocar uma carta do consistório.

Deve-se notar que nenhum ministro ou presbítero - nem mesmo Calvino - poderia exercer disciplina individualmente. Todas as ações eram as do Consistório - ministros e presbíteros - como um corpo em comum consenso. Manetsch até relaciona casos de ministros sendo examinados e removidos do cargo. E apesar do estereótipo, ele relata que os pecados sexuais foram responsáveis por “apenas cerca de 13% de todas as suspensões” da Comunhão. Em alguns casos, o Consistório solicitou ao Pequeno Conselho que fornecesse emprego remunerado para as jovens mulheres e “defendia a causa de órfãos desamparados, trabalhadores pobres, prisioneiros maltratados, refugiados desprezados e desajustados sociais”.

O mesmo rigor em sua pesquisa é evidente ao relacionar o desenvolvimento da academia (que Lambert Daneau chamou de “um dos mercados mais ricos para o comércio intelectual do mundo”) e a composição de pastores, professores e estudantes atraídos para Genebra. Embora tirada principalmente das “classes urbanas da Europa francófona, assim como da nobreza francesa”, muitos outros vieram da Itália, Espanha, Inglaterra, Polônia e além. Ele também aponta o notável foco e energia da Companhia de Pastores para missões - incluindo a primeira missão protestante para o Novo Mundo (no Brasil).

Explorando o ministério da Palavra e Sacramentos em Genebra, Manetsch revela a relativa ausência de pregação na cidade antes da Reforma. Como na maioria dos lugares, os sermões eram raros, exceto pela aparição ocasional de um pregador itinerante.

Ao contrário da impressão geral, Calvino não era o único pastor da igreja de St. Pierre, a principal paróquia da cidade, mas compartilhava da rotação com os outros. Os sermões eram frequentes (vários no Domingo e outros no decorrer da semana; Calvino pregava de 18 a 20 vezes por mês). No entanto, Calvino e a Companhia limitaram os cultos a não mais do que uma hora. Além dos cultos de oração de Quarta-feira, havia estudos semanais sobre passagens bíblicas, em que os paroquianos tinham um papel ativo nas discussões.

Pontos Marcantes

Um dos pontos marcantes de Manetsch, particularmente em vista da prática contemporânea, diz respeito à redefinição do ministério pastoral. Primeiro, houve um esforço determinado para evitar um culto à personalidade: “Calvino, o pregador, quase nunca fala de seus assuntos pessoais”. É o ministério de Cristo, não o próprio ministro, que deve estar à frente e no centro do povo de Deus. Segundo, Manetsch observa: “O pregador não era o proprietário de um púlpito ou o comandante de sua congregação: foi Cristo quem presidiu a sua igreja por meio da Palavra”.

A Companhia de Pastores foi edificada, como instituição, com base no princípio básico de que todos os ministros cristãos possuíam igual autoridade sob a Palavra para proclamar o evangelho e administrar os sacramentos. Por isso, Calvino e seus colegas rejeitaram qualquer noção de preeminência ou hierarquia de autoridade dentro da companhia pastoral. Pelo menos em teoria, os ministros do evangelho cristão eram intercambiáveis.

De fato, cada um se submeteria à decisão da maioria. Manetsch aponta a comparação de Calvino acerca dos ministros aos “amigos do noivo” que têm o privilégio de “exercer autoridade sobre a igreja para representar a pessoa do Filho de Deus”. No entanto, eles devem observar a diferença entre “eles mesmos e o que pertence ao Esposo” e não “ficar no caminho de Cristo tendo somente o domínio em sua igreja ou governando-o somente por sua Palavra.” Calvino continuou: “Aqueles que ganham a igreja para si mesmos, em vez de para Cristo, violam a casamento que eles deveriam honrar”.

O caráter fraterno dos ministros torna-se uma característica recorrente no estudo de Manetsch. “Quanto menos discussões de doutrina tivermos juntos, maior o perigo de opiniões perniciosas”, observou Calvino. “A solidão leva a um grande abuso.” Consequentemente, havia amplas oportunidades de avaliação pelos pares a portas fechadas entre os pastores, variando de avaliações de sermões a discussões doutrinárias e ao manejo dos assuntos da igreja.

Existem alguns problemas com a Companhia de Pastores de Calvino que poderiam ser levantados. Manetsch apresenta uma pesquisa útil sobre o culto de adoração em Genebra, mas alguns elementos da liturgia que Calvino elaborou não estão inclusos. Os leitores também podem achar um tanto confuso que “Reformado” seja “reformado” (em minúsculas), mesmo que as referências às tradições católicas romana, luteranas e anabatistas sejam todas em maiúsculas. Embora provavelmente não intencional, isso pode minar o ponto abundantemente apoiado em todo o trabalho de que Calvino era membro e contribuiu para uma tradição maior do que ele. No entanto, isso não diminui a utilidade de um estudo que reúna essa amplitude de pesquisa em um único volume.


Artigo extraído de https://www.thegospelcoalition.org/reviews/calvins-company-pastors/ artigo publicado em 25 de Fevereiro de 2013. Acessado em 24 de Maio de 2019. Traduzido por Ewerton B. Tokashiki.

21 março 2020

Não deixem que a ansiedade os domine!

O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos da igreja de Filipos “Alegrem-se sempre no Senhor; outra vez digo: alegrem-se! Que a moderação de vocês seja conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Fp 4.4-7 NAA). Ele prescreve que as mentes dos cristãos não fossem dominadas pelo medo de sofrerem algum mal. Esse medo pode produzir uma nociva ansiedade que tiraria a alegria em Cristo Jesus.

Como evitar a ansiedade e o medo excessivo? A maioria dos motivos das nossas ansiedades e temores, talvez, nunca acontecerão. Mas estas emoções são reais e furtam a nossa alegria, paz, vigor e produtividade. Atualmente temos um contexto de pandemia do COVID-19 [coronavírus] que oferece riscos à nossa saúde e vida. Sabemos que há pessoas que exageram e causam um pânico desnecessário, mas não ignoramos que toda prevenção é salutar para combater a proliferação e contágio desse vírus. Sei que o assunto do coronavírus é massificado na mídia, redes sociais e nas conversas pessoais, mas, apesar de cansativo ele é necessário. Contudo, pensar nele o tempo todo nos leva a uma condição de ansiedade ininterrupta, cansaço emocional e desgaste mental. É sobre isso que Paulo nos adverte.

A Palavra de Deus no texto de Fp 4.4-7, sem nos alienar dos problemas, orienta a pensar nalgumas verdadeiras ideias que produzirão vigor físico e espiritual. Primeiro, ele nos lembra da alegria no Senhor [veja o verso 4]. A alegria no Senhor e não qualquer entretenimento, é a nossa fonte de revigoramento. Neemias vendo o desânimo dos judeus lhe orientou que: “Vão para casa, comam e bebam o que tiverem de melhor. E mandem porções aos que não têm nada preparado para si. Porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Portanto, não fiquem tristes, porque a alegria do Senhor é a força de vocês” (Ne 8.10, NAA). Paulo declarou duplamente que devemos nos alegrar no Senhor. Entendendo essa verdade Johannes Sebastian Bach compôs uma famosa música sob o título de “Jesus é a alegria dos homens” [disponível no Youtube].

Em segundo lugar, Paulo nos adverte que a nossa moderação deve influenciar aos que estão ao nosso redor. Em qualquer situação, seja diversão, festividade, dor, perda por falecimento, ou o contexto de pandemia que vivemos, não devemos tirar os freios das nossas emoções. Não podemos nos entregar ao desespero de modo que contribuamos para o pânico. Jó vendo a perda de seus bens e filhos não saiu gritando, xingando, blasfemando, ou agredindo os outros, pelo contrário, ele se levantou em meio à sua tristeza e louvou ao Senhor com uma das mais confortadoras declarações da Bíblia (Jó 1.20-21). Se, porventura, não sentirmos o consolo de Deus, se não entendermos o motivo do que está acontecendo, ainda assim, somos exortados a pensar que “perto está o Senhor”. Ele nos basta, porque a sua suficiência é maior do que tudo.

Em terceiro lugar, o apóstolo nos repreende a não andarmos ansiosos. A ansiedade em si não é pecado, porque ela, em geral, revela a maturidade e responsabilidade de quem sabe o que é sofrer, dos danos e consequências de enfermidades, dívidas, escassez, pobreza, ameaças e sofrimentos que vão além do nosso controle. Então, a ansiedade foi um desses sentimentos que Deus colocou no homem ao cria-lo, assim como a ira, o amor, a alegria e o medo são legítimos se exercidos com o propósito que Deus lhes deu, isto é, nos santificar e afastar do pecado e promover a nossa devoção à Deus. Por isso, não devemos “andar” ansiosos, ou seja, uma ansiedade incessante que domina todo o nosso comportamento, causando malefícios como descontrole, perturbação e insônia. A recomendação da Palavra de Deus é que coloquemos diante de Deus, por meio da oração, tudo o que nos rouba a paz e alegria em Cristo. Mas não é somente pedir. O texto bíblico [Fp 4.6b] nos orienta a orar “com ações de graças”. Isso significa agradecer a Deus, mesmo que o nosso coração lute usando armas de mortal amargura contra a viva esperança que vem do alto. É o SENHOR Deus quem define o valor do que temos na vida e, por isso, a importância do que fazemos é medido pelo quão gratos somos a Ele quando nos dá ou tira algo de nós. Deus nos ordena a sermos sempre agradecidos por tudo o que Ele faz conosco, porque tudo é para nosso bem e para a sua glória (1Ts 5.18). A gratidão cura o egoísmo e a amargura.

Em quarto lugar, Paulo nos dá uma promessa. Algumas pessoas não sabem o que é ter paz há muito tempo, e algumas, talvez, nunca experimentaram “a paz de Deus que excede todo o entendimento”. Certamente que Paulo como israelita não se refere apenas à ausência de conflitos ou tormentos, mas é possível que esteja pensando em shalom, que é um conceito hebraico muito mais rico em significado. A ideia de shalom, por vezes traduzida por “paz”, refere-se a perfeita ordem e funcionamento de todas as coisas produzindo o pleno bem-estar e contentamento em Deus. É algo que transcende às boas ou más circunstâncias, está além do estado de espírito, ou qualquer outro subjetivismo. O profeta Habacuque sob a eminente invasão dos babilônios, em 605 a.C., faz uma confissão de fé: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na videira; ainda que a colheita da oliveira decepcione, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas desapareçam do aprisco, e nos currais não haja mais gado, mesmo assim eu me alegro no Senhor, e exulto no Deus da minha salvação” (Hq 3.17-18). É a esta alegria que Paulo se refere ao declarar que esta paz “excede todo o entendimento” não está afirmando que ela é irreal, ou um “salto no escuro”, mas que não se limita a inconstância das nossas emoções, porque ela tem a sua fonte em Cristo e o seu valor é de acordo com o perfeito propósito de Deus (Rm 8.28-29).

A ansiedade descontrolada tem o poder de destruir a nossa concentração. Ela dispersa os nossos pensamentos, levando-nos à tentação de resolver todos os possíveis problemas que atormentam a nossa mente. A mente é induzida a um excessivo e nocivo ativismo. O problema é que quando somos dominados pela ansiedade temos drenado todo o nosso vigor. Por isso, somos incapazes de nos proteger das nossas disfunções emocionais e de pensamentos conflitantes. É aqui que se aplica a promessa de Deus: Ele “guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”. Não são pensamentos de autoajuda, ou uma mente positiva, um espírito otimista, ou “alto astral” [usando uma linguagem pagã] que nos garantirá a saúde mental e espiritual. Somente Cristo é capaz de nos prover suficientemente em todas as nossas necessidades, dominar nossos conflitos, acalmar nossos temores e satisfazer os nossos reais anseios. Lembre-se: o Senhor Jesus, incessantemente, reina!

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre. Amém!” (Rm 11.36, NAA)

18 dezembro 2019

Dezoito coisas para orar por sua igreja

por Jonathan Leeman


Você lê a sua Bíblia e observa como Paulo faz orações tão ricas e saturadas pelo reino pelas igrejas?
1. Para a igreja em Tessalônica: “Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder” (2Ts 1.11; veja também 1Ts 1.9-13).
2. Para a igreja em Colossos: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1.9-10).
3. Para a igreja em Éfeso: “Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações; para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.16-17; veja também Ef 3.14-21).
4. Para a igreja em Roma (Rm 15.14-33) e à igreja em Filipos (Fp 1.9-11).

Levando a carga
Para nós, é relativamente fácil orarmos por nós mesmos, pelos nossos familiares e por nossos amigos. Mas como podemos aprender a orar com maior fervor e consistência pelas nossas igrejas locais?

Por um lado, devemos simplesmente começar orando – e incentivando os outros a fazer o mesmo.

Para ajudar, aqui estão dezoito coisas pelas quais você pode orar por sua igreja. Não há tanta riqueza nelas como nas orações de Paulo, porque eu queria mantê-las simples e adequadas ao Twitter (também por não estar muito inspirado). Ainda assim, talvez você possa imprimir este artigo e orar por dois ou três dos pontos abaixo na próxima semana – seja num momento de sossego seja na mesa de jantar com a família.

Além disso, considere copiar e colar suas orações preferidas no Twitter ou no Facebook, com o título “Ore por sua igreja: ...”. Não insira o link do artigo; você não tem espaço suficiente e o ponto da questão não é esse. O objetivo é usar sua rede social para incentivar outras pessoas a orarem por suas igrejas.

Em um dia de glória, possivelmente, veremos todo o bem realizado pelos crentes que foram mais determinados em orar por suas igrejas. Quem sabe?

Sobre o que orar
1) Que tenhamos unidade em meio à adversidade – amando aqueles com quem não temos nada em comum senão o evangelho.
2) Que se forme uma cultura de discipulado, na qual fazer discípulos é visto como uma parte comum da vida cristã.
3) Que os presbíteros fiéis usem as Escrituras para treinamento dos membros na obra do ministério.
4) Que uma fome de estudar o evangelho surja entre os membros, para que eles guiem e guardem nele uns aos outros.
5) Que relacionamentos transparentes e significativos se tornem normais e singulares.
6) A pregação da Palavra de Deus – que seja biblicamente cuidadosa e cheia do Espírito Santo.
7) Que os presbíteros permaneçam distantes da reprovação, preservados longe da tentação, complacência, ídolos e mundanismo.
8) Que as músicas da igreja ensinem os membros a confessar, lamentar e louvar biblicamente.
9) Que as orações sejam cheias pretensões bíblicas, honestidade e humildade.
10) Que os membros adultos trabalhem para discipular adolescentes, e não apenas os entretenham com as programações.
11) Que os professores de crianças cresçam em dedicação à Palavra de Deus, mesmo se ninguém os observar.
12) Que ela se torne distinta do mundo em amor e santidade, mesmo quando envolve pessoas de fora.
13) Que os membros compartilhem o evangelho essa semana – e que vejamos mais conversões.
14) Que os membros estejam preparados para a perseguição, lembrando-se de abençoar, e não amaldiçoar, seus perseguidores.
15) Que as esperanças de mudança política sejam estendidas pela esperança do céu.
16) Que o ato de dar seja fiel, além de alegre, consistente e sacrificial.
17) Que mais membros usem a sua carreira profissional pra levar o evangelho em locais onde ele nunca esteve.
18) Que os irmãos deem o seu melhor no trabalho durante essa semana.

Você pensou em algo que não foi incluso? Então, ore e compartilhe. Esta lista não é oficial, como as “dezoito coisas mais importantes a serem levadas em oração pela igreja”. Ela é simplesmente o que alguém pensou enquanto estava sentado na cadeira do escritório.

O ponto é que todos nós devemos intencionalmente orar mais por nossas igrejas e também incentivar os outros a fazer o mesmo.

Traduzido por Daniel Tanure
Revisado por Rev. Ewerton B. Tokashiki

24 novembro 2019

Pastores e Presbíteros nas Confissões Reformadas

1. A Primeira Confissão Helvética (1536)
18. A eleição dos ministros
Para esta função deve-se garantir que qualquer um que não esteja especializado na lei divina e de vida irrepreensível, e por um singular estudo do nome de Cristo, seja preparado e julgado um ministro da igreja; e por aqueles a quem a administração foi confiada pelo magistrado cristão em nome da igreja. Aquele que foi seguramente escolhido por Deus, no entanto, precisa apropriadamente aprovado pelo voto da igreja e pela imposição das mãos dos presbíteros (1 Tm 3; Lc 12; At 1; Tt 1).[1]


2. Confissão Londrina de John à Lasco (1551)
Entretanto, a profissão dos ministros da palavra consiste na obrigação da realização destes deveres: [...] 3. Que eles cuidem da Igreja, ao lado de seus presbíteros, em seu crescimento e edificação, por meio da admoestação, consolo, repreensão e o uso da disciplina eclesiástica de acordo com a palavra de Deus (2 Tm 4; 1 Co 5).[2]


3. Vallérandus Poullain: Confissão da Congregação Glastonbury(1551)
[no fim da confissão tem os nomes e ofícios subscrevendo o documento]
Subscrito pelo Pastor e Presbíteros da Igreja Francesa de Frankfort.
Valérand Poullain, Pastor da Igreja.
Jean Murellio, doutor.
Jacques Crucius.
Louis Castalio [Castellio]
Também subscrito pelos ingleses, exilados pela e da glória do Evangelho, em nome de toda a Igreja.
John MacBriar, Ministro.
John Stanton.
William Hammond.
John Bendal.
William Whittingham.[3]


4. Confissão da Igreja Italiana em Genebra (1558)
[o pastor da Igreja Italiana de Genebra era Lattanzio Ragnone, que pastoreou entre 1557 e 1559].
Quando há quatro anos atrás os presbíteros da Igreja Italiana que está entre nós, percebeu (pelo cheiro) que entre alguns do rebanho haviam perversas palavras sendo ditas contra o primeiro princípio da nossa fé acerca das três pessoas em uma essência de Deus, pareceu-lhes que não havia melhor remédio do que uma fórmula confessional esboçada para divulgar tanto quanto possível o veneno que estava escondido. Temos nisto inserido aqui vertido palavra por palavra em Latim, a qual poderá ser subscrita.[4]

Aprovamos, recebemos e confirmamos todas as estas coisas, com a condição de que aquele que dizer de outra forma será considerado um perjuro e infiel.
Joh. Sylvester Telius, aprovo a confissão escrita e detesto qualquer coisa repugnante a ela.
Fr. Porcellinus, recebo e aprovo tudo o que abrange na confissão escrita.
Jon. Valentinus Gentilis, aceito como está.
Hippolytus Pelerinus Carignanus, aceito como está.
Joh. Nicolas Gallus, aceito como está.[5]


5. Confissão Francesa (1559)
Artigo XXIX – Oficiais da Igreja
Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada por aquela disciplina que o nosso Senhor Jesus estabeleceu, de modo que existiria na igreja, pastores, presbíteros e diáconos, que a pura doutrina possa ter o seu curso, e os vícios serem reformados e suprimidos, que o pobre e outras pessoas aflitas sejam socorridas em suas necessidades, e que em nome de Deus possa existir santas assembleias em que tanto grandes como pequenos sejam edificados.[6]

Artigo XXXI – Oficiais eleitos
Cremos que não é legítimo para qualquer homem que pela sua própria autoridade tome para si o governo da igreja, mas que todo aquele que for admitido, o seja por meio de legítima eleição, se é possível realiza-la, que o Senhor a permita. Temos expressamente adicionado a exceção, porque, durante algum tempo (como ela está caído em nossos dias), o estado da igreja esteve interrompido, Deus levantou algumas pessoas, duma maneira extraordinária, para reparar as ruínas da igreja decaída. Mas independente de como acontecer, cremos que esta norma sempre continuará, que todos os pastores, presbíteros e diáconos terão um testemunho de seu chamado aos seus respectivos ofícios.[7]


6. A Confissão Valdense (1560)
A política da Igreja verdadeira
Cremos a respeito da verdadeira igreja, que ela deve ser governada de acordo com a ordem e política estabelecida pelo nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, que precisa ser por ministros, presbíteros e diáconos, de modo que a pureza da doutrina possa obter plena realização e vícios sejam rejeitados e punidos, os pobres auxiliados em suas necessidades, e as pessoas reúnam-se em congregações em nome de Deus, onde grandes e pequenos sejam edificados.[8]

A eleição de pastores
Cremos que ninguém realizará o governo da igreja pela sua própria autoridade; antes, se fará uma eleição tanto for possível conforme a permissão de Deus. Adicionamos a isto a seguinte exceção: às vezes, é necessário, particularmente em nossos tempos, que Deus levante algumas pessoas de um modo extraordinário, de modo a edificar as igrejas novamente, que foram destruídas e arruinadas. Cremos que, em geral, podemos contar sempre com esta regra: que todos os ministros, presbíteros e diáconos têm testemunho de serem chamados aos seus ofícios.[9]


7. A Confissão de Theodore Beza (1560)
27. Do ofício do pastor e mestre
O cargo e ofício daqueles, a saber dos pastores, é que sejam diligentes e ocupem-se da sua doutrina (sob a qual também temos compreendido os sacramentos) e da oração (At 6:4), sob a qual também entendemos a benção dos casamentos dos crentes de acordo com o antigo costume da igreja.[10]

32. O terceiro grau dos ofícios eclesiásticos é a jurisdição e o ofício de presbíteros
O terceiro estado do ofício eclesiástico reside na jurisdição espiritual que foi ordenada àqueles que foram particularmente chamados nos escritos dos apóstolos e antigos escritores (tanto em concílios como em decisões canônicas) presbíteros, isto é, seniores ou anciões; os quais também, às vezes, são chamados de governos por são Paulo (1 Co 12:28), e foram escolhidos não pelo clero, mas pelo todo o corpo da igreja.[11]


8. Confissão Belga (1561)
Artigo XXX
Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada conforme a ordem espiritual, que nosso Senhor nos ensinou na sua Palavra. Deve haver ministros ou pastores para pregarem a Palavra de Deus e administrarem os sacramentos; deve haver também presbíteros e diáconos para formarem, com os pastores, o conselho da igreja. Assim, eles devem manter a verdadeira religião e fazer com que a verdadeira doutrina seja propagada, que os transgressores sejam castigados e contidos, de forma espiritual, e que os pobres e os aflitos recebam ajuda e consolação, conforme necessitam.
Desta maneira, tudo procederá, na igreja, em boa ordem, quando forem eleitas pessoas fiéis, conforme a regra do apóstolo Paulo na carta a Timóteo.[12]

Artigo XXXI
Cremos que os ministros da palavra de Deus, os presbíteros e os diáconos devem ser escolhidos para seus ofícios mediante eleição legítima pela igreja, sob invocação do nome de Deus e em boa ordem, conforme a palavra de Deus ensina. Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos, mas deve esperar a hora em que é chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza de que sua vocação vem do Senhor. Quanto aos ministros da Palavra, eles têm, onde quer que estejam, igual poder e autoridade, porque todos são servos de Jesus Cristo, o único Bispo universal e o único Cabeça da igreja. Além disto, a santa ordem de Deus não pode ser violada ou desprezada. Dizemos, portanto, que cada um deve ter respeito especial pelos ministros da Palavra e presbíteros da igreja, em razão do trabalho que realizam. Cada um deve viver em paz com eles, tanto quanto possível, sem murmuração, contenda ou discórdia.[13]


9. A Confessio Catholica Húngara (1562)
Finalmente, estabelecendo todo o ministério, a suma destas doutrinas. Este teste é conduzido publicamente na presença da igreja por pastores treinados e instruídos e outras pessoas, enquanto dois ou três presbíteros ou dois pastores próximos se reúnem. Não estamos obrigados a esta ordenação com o tribunal romano (curia), aos bispos e cardeais, ou a qualquer lugar ou pessoa; mas permitimos que ela aconteça livremente em cada igreja de Cristo.[14]


10. Confissão de Tarcal (1562) e Torda (1563)
Artigo XIV. Concernente ao ofício de pastor e doutor
Os ofícios de pastor e doutor têm em comum que eles estão engajados na proclamação da Palavra e na realização das orações, e incluímos a administração dos sacramentos, a benção matrimonial, a visitação e consolação aos doentes e todos os demais trabalhos como é costume na igreja (At 6:4; 1 Tm 4:13).[15]

Artigo XX. Concernente a espécie de ofícios na igreja que estão envolvidos no governo para o louvor e honra da Igreja
Vejamos agora a espécie de ofícios eclesiásticos que para o louvor e honra da igreja, lidam com o governo. Isto é confiado aos presbíteros (conselheiros ou anciãos, como se diz), aqueles a quem os apóstolos nomeiam nalguns lugares de “governos” e são particularmente assim chamados (1 Co 12:28; Rm 12:8); e a assembleia a quem Cristo chama de igreja (Mt 16:18), assim eles têm a honra do governo da igreja, de modo poderia suficientemente agradável para ser completamente cortado da organização da igreja em Israel. Presbíteros eram escolhidos pelo voto ou meramente pela aprovação de toda a assembleia, como é claramente percebido nos escritos de Ambrósio e Cipriano, que queixam de que alguns se aproveitam da autoridade deles.[16]

Artigo XXI. Concernente à ordem das coisas a serem realizadas no concílio ou assembleia de presbíteros
Apesar da honra do presbítero ser a mesma do pastor, como o seu ofício é um e o mesmo, mesmo assim, é necessário que todos os seus concílios sejam governados por uma certa ordem. Por esta razão, vemos que na assembleia apostólica em Jerusalém, o apóstolo Pedro foi o primeiro entre os demais (At 1:15; 2:14; 15:7).[17]


11. A Segunda Confissão Helvética (1566)
Artigo XVIII. Dos ministros da igreja, a sua instituição e ofícios
Além disso, os ministros do novo povo são designados por diversos nomes. São chamados apóstolos, Profetas, evangelistas, bispos, presbíteros, pastores e mestres (1 Co 12:28; Ef 4:11). Os apóstolos não permaneciam num lugar determinado, mas por todo o mundo iam congregando diversas igrejas. Uma vez estas estabelecidos, deixou de haver apóstolos, e, em seu lugar, apareceram pastores, cada um em sua igreja. Nos primeiros tempos eram videntes, conhecendo o futuro; mas também interpretavam as Escrituras. Tais homens são encontrados também hoje. Os escritores da história evangélica eram chamados Evangelistas; mas eram também arautos do Evangelho de Cristo; como o apóstolo São Paulo ordena a Timóteo: “Faze o trabalho de evangelista” (2 Tm 4.5). Bispos são os supervisores e vigias da Igreja, que administram o alimento e outras necessidades da vida da Igreja. Os presbíteros são os anciãos e, por assim dizer, os senadores e pais da Igreja, governando-a com sadio conselho. Os pastores não só guardam o rebanho do Senhor, como também providenciam as coisas necessárias a ele. Os mestres instruem e ensinam a verdadeira fé e piedade. Portanto, os ministros da Igreja podem, agora, serem chamados de bispos, presbíteros, pastores e mestres.[18]

Ora, o mesmo e igual poder ou função é concedido a todos os ministros na Igreja. Certamente, no princípio os bispos ou presbíteros governavam a Igreja em comum; nenhum homem se elevava acima de qualquer outro, ninguém usurpava maior poder ou autoridade sobre seus companheiros bispos. Lembrados das palavras do Senhor “aquele que dirige seja como o que serve” (Lc 22:26) conservavam-se em humildade, e pelo serviço mútuo ajudavam-se no governo e na preservação da Igreja.[19]


12. A Confissão de Antuérpia (1566)
Creio que a igreja tem um duplo governo, aquele que concerne o serviço à Deus, sendo governado por uma determinada ordem que é ordenada aos ministros, presbíteros e supervisores, diáconos, guardiões da comum ordem e disciplina; o segundo dos magistrados ordenados por Deus para a lei civil executar e administrar, a quem rendemos honra, amor e obediência em todas as coisas que não são contrárias à Deus e à salvação de nossas almas (Rm 13:1; Tt 3:1; 1 Pe 2:13; Lc 19:11; Mt 1:6ss).[20]


13. O Sínodo de Gönc (1566)
3. E, como subscrevemos nos dois sínodos a confissão da igreja de Genebra, que foi diligentemente elaborada por Theodore Beza, o ministro daquela igreja, eles deveriam ser zelosos ao comparar, ler e entender aquela confissão. Não porque ela foi escrita por Beza, mas por ela estar em concordância com a Escritura Sagrada. Também nos familiarizamos com o Catecismo de Calvino, que foi recebido pelo sínodo anterior com geral aprovação.[21]

22. Os ministros da igreja não deveriam ousar faltar às reuniões dos sínodos. Àqueles que não estiverem presentes deveria exigir que oferecessem a verdadeira razão da sua ausência aos seus presbíteros.[22]


14. Documentos do Sínodo de Debrecen (1567)
XX. Os presbíteros precisam ser líderes não somente na igreja, mas também do clero. Desejamos não somente fazer dos pastores a liderança da igreja, mas também, de acordo com a Palavra de Deus, fazer dos supervisores e presbíteros a liderança do clero e presidir na assembleia de pastores. Deixem que os pastores guiem na verdadeira e sólida doutrina, convencendo os adversários e replicando aos oponentes (1 Tm 1; Tt 1).[23]

XXVII. Que todas as pessoas se submetam e obedeçam aos seus bispos, presbíteros e prelados devotamente no Senhor; que os presbíteros, entretanto, não governem sobre a ordem eclesiástica da maneira dos soldados e tiranos, como no reino do Anticristo. Como está escrito: “nem como dominadores da herança do Senhor” (1 Pe 5:3), mas “sejam submissos para com eles que vão adiante de vocês” (Hb 13:17).[24]


15. Consensus Sandomierz (1570)
Há também bispos ou pastores que não somente governam e os sacramentos para a igreja de Deus, mas também diligentemente cuidam das necessidades de todas as suas congregações. Presbíteros ou anciãos foram escolhidos entre os irmãos, de modo que eles podem servir aos mais jovens com os seus conselhos vigiar a sua prática e comportamento.[25]


16. A Confissão de La Rochelle (1571)
Cremos, quanto à verdadeira igreja, que ela deveria ser governada de acordo com a ordem estabelecida pelo nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, sendo por pastores, supervisores, diáconos, de modo que a pureza da doutrina seja preservada, que os pecados sejam corrigidos e restringidos, que o pobre e todos os aflitos encontrem auxílio para as suas necessidades, que as assembleias sejam sustentadas em nome de Deus, e que os adultos reunidos com as crianças sejam edificados.[26]


17. Catecismo de Craig (1581)
Q. E se estivermos bem instruídos pelos nossos pastores?
R. Precisaremos continuamente desta instrução até o fim.

Q. Por que se somos suficientemente instruídos?
R. Deus estabeleceu esta ordem em sua igreja para que continuamente a nossa necessidade seja instruída.

Q. O que concluímos disso?
R. Que os ministros ou pastores são-nos necessários.[27]

[...]

Q. Quem administrará os sacramentos?
R. Somente o ministro da Palavra de Deus.[28]

[...]

Q. Por qual motivo alguns homens poderiam ser excluídos do sacramento? (Mt 18:17)
R. Pelo julgamento dos presbíteros da igreja.

Q. Por quem e quando poderiam tais pessoas serem admitidas? (1 Co 1:7).
R. Pelos presbíteros, após examinarem o seu arrependimento.

Q. O que é o ofício deste presbiterato?
R. Eles devem supervisionar os costumes dos homens e o exercício disciplinar.[29]


18. Sínodo Geral de Herborn (1586)
Primeira sessão das 6 às 10h
7. De modo que o ofício da pregação e o ofício regente, tanto quanto possível, como é exigido, sejam promovidos por meio de admoestações e consolação.[30]

Segunda sessão das 15 às 18h
1. Quanto ao artigo dos ofícios, que são tanto: (1) os ministros [pregadores]; (2) os professores (doutores); (3) os presbíteros [seniores]; (4) os diáconos.
2. Ninguém ensinará na igreja sem um legítimo chamado.
3. Ninguém ensinará em outra congregação sem a concordância do consistório local.
4. O chamado ocorre por meio da decisão da classe [presbitério] e de uma pluralidade de presbíteros, à qual o chamado pertence: (1) a eleição; (2) o exame; (3) a aprovação; (4) a confirmação do ofício ou ordenação.[31]
[...]
9. Prevalecerá igualmente na distribuição das responsabilidades entre ministros, presbíteros e membros do diaconato em concordância com recomendação da classe.[32]
[...]
16. O ofício dos anciãos ou presbíteros, além do que eles têm em comum com os ministros, consiste em observar se os ministros fazem a obra diligentemente e apresentando um bom exemplo ao rebanho.[33]
[...]
58. Os ministros da Palavra, diante da celebração da Ceia do Senhor, com os presbíteros, diáconos podem sofrer uma censura da doutrina e conduta entre eles.[34]


NOTAS:
[1] James T. Dennison, Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1523-1552. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 1, p. 348.
[2] Vol. 1, p. 575.
[3] Vol. 1, p. 662.
[4] James T. Dennison, Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1552-1566. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 2, p. 114.
[5] Vol. 2, 116.
[6] Vol. 2, p. 150.
[7] Vol. 2, p. 151.
[8] Vol. 2, p. 226.
[9] Vol. 2, p. 227.
[10] Vol. 2, p. 316.
[11] Vol. 2, p. 322.
[12] Vol. 2, pp. 442-443.
[13] Vol. 2, p. 443.
[14] Vol. 2, p. 609.
[15] Vol. 2, p. 731.
[16] Vol. 2, p. 737.
[17] Vol. 2, p. 737.
[18] Vol. 2, pp. 852-853.
[19] Vol. 2, p. 856.
[20] Vol. 2, p. 885.
[21] Vol. 2, p. 896. Veja a Confissão de Theodore Beza (1560).
[22] Vol. 2, p. 898.
[23] James T. Dennison Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1567-1599. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 3, p. 112.
[24] Vol. 3, p. 114-115.
[25] Vol. 3, p. 225.
[26] Vol. 3, pp. 318-319.
[27] Vol. 3, p. 589.
[28] Vol. 3, p. 592.
[29] Vol. 3, p. 600.
[30] Vol. 3, p. 620.
[31] Vol. 3, p. 621.
[32] Vol. 3, p. 621.
[33] Vol. 3, p. 622.
[34] Vol. 3, p. 628.

08 agosto 2019

Como se preparar espiritualmente para o exame de ordenação

Por Dr. Ryan M. McGraw[1]


Participar de um exame ministerial ou de ordenação deve ser um ato de piedade. Apegar-se a este pensamento é o melhor meio de se aproximar de um exame sem temer os homens que o examinarão. Em muitos aspectos a preparação para licenciamento e ordenação pode ser um dos melhores meios para se preparar para o pastorado. Se somos servos de Jesus Cristo, então não deveríamos nos preocupar em agradar aos homens (Gl 1.10). Ser examinado para o ministério é o primeiro ato entre muitos no ministério onde um homem enfrenta o conflito entre falar o que a sua consciência crê pela Palavra de Deus, ou dizer aos examinadores o que acha que eles desejam ouvir. A maneira como você encara os seus exames, geralmente, indica como você exercerá o seu ministério. Você deve, em espírito de oração, portar-se em seu exame de uma maneira que seja digna do ofício para o qual deseja entrar. Isso significa que você estará preparado para confessar a sua fé em Cristo e seu desejo de obedecê-lo com humildade, submissão e sinceridade, mas com ousadia.

Um exame ministerial é, acima de tudo, um teste do coração. Os seus examinadores podem discernir o que você lhes apresenta externamente, mas somente você pode sondar o seu coração e realizar seu exame como um ato de adoração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Em todas as suas laboriosas preparações para o ministério, assegure-se de guardar o seu coração diligentemente, pois são as fontes da vida (Pv 4.23). Pela bênção do Deus trino as considerações a seguir o ajudarão abordar ao seu exame como um ato de piedade.

1. Considere o seu exame como um testemunho público ao Senhor Jesus Cristo e às verdades da sua Palavra. Você deve através dele confessar com a sua boca o que crê em seu coração (Rm 10.9). Isso deve tornar seu exame um ato de adoração. Isso é verdade sempre que você fala em nome do Senhor Jesus Cristo. Se o confessar diante dos homens, então ele o confessará diante de seu Pai que está no céu, mas se você o negar diante dos homens, então ele o negará diante de seu Pai no céu (Mt 10.32-33). Se você está confiante de que Cristo está satisfeito com suas respostas, então o presbitério também estará.

2. Submeta-se ao seu exame em oração e fé. O texto de Fp 4.6–7 afirma: “Não andeis ansiosos de cousa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”[2] Houve momentos em meu ministério em que orei fervorosamente por essa passagem diariamente a fim de perseverar. Este texto fornece os meios bíblicos para lidar com a ansiedade na qualidade de uma ordenança e uma promessa. Orem através de todos os seus preparativos para assegurar que seus estudos sejam conduzidos ao seu coração e vida pela obra do Espírito Santo, e não negligenciem a gratidão! Quando damos graças ao Senhor por meio das e durante as circunstâncias que nos tentam para a ansiedade, então colocamos a nossa confiança nele e confessamos a sua soberana sabedoria.

3. Avalie a causa dos seus temores. Frequentemente, precisamos refletir acerca dos nossos medos. Por que tememos um exame mais do que o fato de que podemos potencialmente fracassar no ministério, além das demais consequências desse fracasso? Isso destaca um grande perigo no ministério. Uma vez que você foi ordenado e o medo de passar ou reprovar num exame seja removido, a tentação de se tornar negligente no ofício que você recebeu de Cristo se torna mais forte. Se você negligenciar o seu conhecimento da Palavra de Deus e deixar de crescer em seu estudo de teologia, então você não “falhará” num exame, mas você deve responder a Cristo pelas magras ovelhas enfraquecidas que estão sob seus cuidados, que são incapazes de enfrentar os ataques do maligno. O medo antes de um exame é “natural”, mas lembre-se: “Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no SENHOR está seguro” (Pv 29.25). “O Senhor é meu auxílio, não temerei; o que o homem pode fazer comigo?” (Hb 13.6; Sl 118.6). O Senhor advertiu Isaías que é audácia contra Deus um dos seus mensageiros temer aos homens: “Eu sou eu mesmo aquele vos consola. Quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva” (Is 51.12).

4. Seja honesto e preserve uma consciência limpa diante de Deus e dos homens. Se você não sabe a resposta para uma pergunta, então seja honesto e diga-o. Você realmente gostaria de ficar diante de uma congregação e dizer: “assim diz o Senhor”, quando não tem certeza se ele realmente disse isso, ou não? Se assim for, então por que você desejaria fazê-lo diante de homens ordenados que estão examinando-o para o ministério? Além disso, dar uma resposta quando se está incerto ou inseguro quase sempre lhe causará problemas - especialmente num exame oral.

5. Lembre-se que o ministério é ousado. Alguns candidatos ao ministério objetam que eles não saem tão bem em exames orais como em testes escritos. Se for esse o caso, então o seu exame oral será ainda mais proveitoso para ajudar a preparar-se para o ministério. A maior parte do trabalho público de um ministro na igreja local é verbal e não escrito. Se você pretende falar em nome de Cristo no púlpito, então é bom que você aprenda a falar sem se envergonhar diante de um presbitério, ou diante duma comissão de exame. Embora muitas vezes intimidante, um presbitério (ou comissão de ordenação similar) é um ambiente relativamente amigável, enquanto que um mundo incrédulo e, às vezes, uma congregação, não o é. Imitemos os apóstolos orando por ousadia (At 4.29; Fp 1.19-20).

6. Lembre-se de que aqueles que estarão examinando você para o ministério, receberam uma incumbência sagrada do Senhor. Eles são mordomos dos mistérios de Deus (1Co 4.1). Quando eles admitem alguém em seu número através da imposição de mãos (1Tm 4.14, etc), devem ser cuidadosos para que não imponham as mãos sobre qualquer um apressadamente, para que não compartilhem dos pecados daqueles que provam serem desqualificados para o ofício (1Tm 5.22).[3] Seja humilde e respeite o encargo solene que recaiu sobre tais homens e que, se o Senhor quiser, você um dia compartilhará com eles. Seria do seu agrado que os seus examinadores ordenassem você ao ministério de maneira descuidada ou errada, por mais que eles pudessem desejar isso?

7. Olhe para o exame minucioso de ordenação como uma confirmação do seu chamado ao ministério. Lembre-se de que o Deus trino usa a sua Igreja para separar os homens para o ministério evangélico. Quando um homem tem um senso pessoal de chamado para o ofício da Igreja, e este chamado é confirmado tanto pela eleição de uma congregação local, como por um grupo de presbíteros previamente ordenados, então, e somente então, aquele homem saberá com confiança que o Espírito Santo fez dele um supervisor (At 20.28). O seu motivo para o ministério deve ser o amor ao Deus que primeiro o amou em Cristo (1Jo 4.19). O seu objetivo no ministério deve ser proclamar o amor do Pai, como é manifesto através da graça de Jesus Cristo, por meio da comunhão e consolo do Espírito Santo (Ef 2.18; 2Co 13.14). No entanto, o seu chamado para o ministério nunca será um desejo interno ou uma mera decisão individual. Facilmente nos enganamos. Os homens podem ter um invencível “senso de chamado” para o ministério em seus corações, mas a menos que a Igreja concorde que este é o caso, tanto no nível local, quanto no presbitério, a verdade é que tais homens não foram realmente "chamados" para o ministério. A simples razão para isto é que a Igreja ainda não lhe deu um chamado para trabalhar como um de seus ministros! Conheço homens que creem que são chamados para o ministério e, no entanto, praticamente ninguém na Igreja parece concordar com eles. Que você nunca se esqueça: "O que confia no seu próprio coração é insensato" (Pv 28.26). O seu exame não é formal nem supérfluo. Não há exemplo de um oficial ordinário no Novo Testamento que não foi eleito pelo povo e ordenado pela imposição das mãos de um presbitério. Um chamado para o ministério é sempre um assunto da Igreja. Se Cristo está chamando você para o ministério, então seu exame é parte de como ele está fazendo isso.

8. Lembre-se de que os seus examinadores são, em potencial, seus futuros colegas no ministério. Se eles foram devidamente chamados ao seu ofício, então o desejo deles é o bem da Igreja. Isso inclui o bem da sua alma. Você deve evitar ver esses homens como “inimigos”, mas olhe para eles como soldados companheiros no Senhor Jesus Cristo. Alguns deles são experientes veteranos de quem você muito tem a aprender. Quantas vezes os rapazes zombaram das críticas que descobriram mais tarde serem “palavras de sabedoria e instrução” (Pv 1.2)?

9. Considere que o exame de ordenação como um excelente exercício de autonegação. Quer você seja aprovado ou fracasse, o Senhor atua tanto em você quanto na Igreja por meio desse processo. Submeta-se à sua providência humildemente e, se for possível, com alegria. Um bom teste para saber se estamos nos negando é considerar se nos encontramos reclamando do processo. Alunos de teologia que se queixam de uma carga horária pesada, tornam-se candidatos que se queixam dos seus exames. Candidatos que se queixam dos seus exames, por sua vez, tornam-se ministros que se queixam das suas igrejas e presbíteros. Ministros fiéis e trabalhadores percebem rapidamente que o curso mais rigoroso de treinamento no seminário não pode ser comparado às dificuldades do pastorado. Se você se encontrar desenvolvendo um padrão pecaminoso nesta área, então negue-se, ore para que esteja contente em toda e qualquer situação em que você estiver (Fp 4.11), leia Nm 11 e continue regularmente!

10. Preparar-se para que o seu exame forneça uma base mais forte para o conhecimento bíblico e a piedade pessoal. Devemos evitar fazer uma distinção nítida entre conhecimento e piedade. Precisamos saber o que praticamos e devemos praticar o que sabemos. A verdade, como é revelada nas Escrituras, é de acordo com a piedade (Tt 1.1). Toda verdade da Escritura, incluindo - entre muitas outras - as duas naturezas de Cristo, o pacto das obras, a eficácia dos sacramentos, a lei de Deus e a Trindade, são ridicularizadas como "sutilezas" teológicas. Todavia, cada uma destas áreas tem implicações pastorais significativas. Se não vemos como a verdadeira teologia é “proveitosa para a doutrina, para a repreensão, para a correção, para a instrução na justiça” (2Tm 3.16), então, a culpa invariavelmente está mais em nós do que na Palavra do Deus trino. Pois, toda verdade teológica deve aumentar nossa comunhão pessoal com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para passar num exame da OAB, um futuro advogado deve conhecer as leis e como aplicá-las. Os mesmos padrões se aplicam à medicina e a outras disciplinas. Deveríamos esperar menos diligência e menor rigor em relação aos futuros ministros do evangelho? Estudar para um exame, frequentemente, força os homens a se unirem de forma mais abrangente do que aprenderam no seminário. Os candidatos devem usar essa rara oportunidade para orar essas verdades de maneira mais completa em seus corações e vidas. Preparar-se para o seu exame obriga-os a rever o seu conhecimento, mas deixe-o servir como uma ocasião para casar o seu conhecimento com a sua piedade. Se você buscar o seu exame para o ministério como um ato de piedade, então você nunca achará a experiência estéril ou infrutífera.


Apêndice: John Erskine (1721–1803)
Sobre a importância do exame de ordenação


Em 1750, John Erskine pregou um sermão intitulado “Sobre as Qualificações Necessárias para os Professores do Cristianismo”. Erskine foi um influente ministro escocês que ajudou a preparar para a publicação o livro A História da Obra da Redenção de Jonathan Edwards. Ele concluiu este sermão com uma exortação aos presbitérios sobre o seu envolvimento na ordenação de homens para o ministério do Evangelho. O material de Erskine reforça o que está escrito acima, observando os exames ministeriais do ponto de vista do corpo examinador. Dividi os enormes parágrafos originais em partes menores para facilitar a leitura.[4]

Quão terrível é a advertência de Paulo a Timóteo a todos os que estão preocupados em ordenar alguém ao ofício pastoral! Não imponha as mãos apressadamente sobre ninguém, nem participe dos pecados de outros homens: mantenha-se puro. Como se ele tivesse dito, embora você não tenha nenhuma razão particular para suspeitar da desqualificação de um candidato para o ministério, não seja por isso que avaliará de modo leviano e superficial as qualificações dele, mas examine, com o máximo cuidado e exatidão o seu caráter moral e aptidão para ensinar; pois, por indolência e descuido você deixará de fazer essas questionamentos, por meio dos quais poderia descobrir o que está errado; ou se, através de uma ternura excessiva pelos candidatos, através de temor de homens, que em si é uma armadilha, ou através de algum outro motivo indigno, você até agora for conivente com seus vícios ou defeitos conhecidos, de modo a conceder-lhe a ordenação, por essa conduta, você participa com ele, não apenas nos pecados que ele cometeu, mas também naqueles que posteriormente cometerá, enquanto ensina ou vive malignamente; e, portanto, você responderá por todas as consequências perniciosas da sua ordenação, arruinando a sua própria alma e as almas do seu rebanho. Caso outros ministros sejam imprudentemente precipitados neste assunto, e exortem-no a concordar com eles, não retroceda com o pedido ou autoridade deles, proceda contrário ao próprio julgamento, para que você não seja condenado com a culpa deles.

No verso que antecede essa advertência, os ministros são cobrados a não preferirem um antes do outro, e a nada fazerem por parcialidade, ou seja, não decidirem uma causa a favor ou contra uma pessoa, até ouvirem o que pode ser declarado de ambos os lados; não preferirem um antes do outro, onde não parece haver razão suficiente para tal preferência; e não serem influenciados pela amizade ou preconceito, sendo favorável a um e mais severo com outro do que deveríamos ser. E, no final do capítulo, encorajando essa diligência, o apóstolo nos informa que, se prosseguirmos com a devida deliberação, não perderemos nosso esforço, mas, ordinariamente poderemos formar um juízo sobre os candidatos. Os pecados de alguns homens são antecipadamente revelados, indo adiante deles para julgamento; no entanto, há alguns homens que seus pecados só se manifestam depois. Da mesma forma, também, as boas obras de alguns são manifestas de antemão; e, por exemplo as suas boas obras, que de outro modo, não podem ser escondidas. O significado é que os pecados de alguns homens são tão hediondos e notórios que antecedem o julgamento, pouco ou nenhum discernimento é necessário para descobri-los. E os pecados de outros os seguem para o julgamento; porque, embora menos notados, eles também podem, na maioria dos casos, pela devida investigação, serem trazidos à luz. Da mesma forma, as boas obras de alguns, e sua aptidão para a ordenação, são facilmente discernidas, mesmo antes de passarem por um julgamento formal; e aquelas boas obras que não são manifestas de antemão, mas que, pela modéstia ou pela obscura situação de quem as pratica, são pouco observadas, podendo muitas vezes, por uma busca diligente serem descobertas.

Desta notável passagem ... Grotius observa, que não devemos apenas perguntar se um candidato à ordenação é inocente de crimes atrozes, mas se a sua conduta é muito boa, vendo que as ações piedosas do eminente piedoso, raramente, são escondidas. E, de acordo com isso, Paulo exige, não apenas que um bispo seja irrepreensível, mas que tenha um bom testemunho dos de fora, para que ele não caia no opróbrio; de modo que o livramento de escândalos grosseiros, sem evidências positivas de uma disposição piedosa, não é garantia suficiente para que ordenemos alguém. É criminoso impor as mãos sobre um candidato, se não tivermos base positiva para esperar que ele pregue com proveito; e é igualmente criminoso fazê-lo, se não tivermos base positiva para esperar que seja um exemplo para os outros em palavra, conversação, caridade, espírito, fé e em pureza; pois a última qualificação é realmente uma parte do dever do ministro, e realmente um meio de ser usado para salvar almas, como o primeiro. As coisas, diz Paulo a Timóteo, de que ouviste de mim entre muitas testemunhas, o mesmo comprometa-se com os homens fiéis, que também ensinarão aos outros. Devemos ter provas verificáveis de sua fidelidade, bem como da sua capacidade de ensinar. Até mesmo os diáconos são primeiramente provados e somente depois, autorizados a ocuparem o ofício de diácono. É óbvio, então, que os ministros, cujo ofício é muito mais honroso e importante, não sejam autorizados a exercê-lo, até que a sua aptidão para isso seja devidamente provada.

Se alguém alegar que não haveria um número suficiente de ministros para todas as nossas igrejas, caso ordenássemos com tamanha cautela, eu respondo, é melhor arriscar nesse inconveniente do que quebrar uma lei expressa de Cristo, fazendo-nos menos exigentes na ordenação. Vamos nos importar com nosso dever e deixar os eventos para a providência. A rigidez nas admissões pode, de fato, desencorajar os que preferem morrer de fome ou envenenamento, do que alimentar as almas de seus rebanhos. Mas desencorajar tal coisa é altamente louvável: e um pequeno número de pastores capazes e fiéis, é mais desejável que uma multidão de inexperientes, ignorantes, noviços iletrados, incapazes de explicar ou defender a religião de Jesus; ou de educados que se apostatam do evangelho para a filosofia, que consideram o seu tempo mais útil e agradavelmente gasto no estudo de livros de ciência, do que em estudar as suas Bíblias; ou de mercenários contratados, de uma disposição tão mesquinha e sórdida quanto aquele que, conforme lemos em 1Sm 2.36, se subordinou para ser um sumo-sacerdote por um pedaço de prata e uma porção de pão, dizendo: “Põe-me, peço-te, como um dos ofícios dos sacerdotes, para que eu coma um pedaço de pão”.

Que Deus, em sua misericórdia, impeça que homens tão baixos e infelizes entrem na função sagrada! Que um ministério fiel, capaz e bem-sucedido seja a bênção da nossa terra! Que o glorioso cabeça da Igreja designe todas as moradas do monte Sião, e todas as suas igrejas, pastores segundo o seu próprio coração, para alimentar o seu povo com conhecimento e entendimento! E que ele, cujas palavras são operantes, diga à toda nossa igreja, e em particular a esta região: “Este é meu descanso para sempre; aqui habitarei; porque eu desejei isto. Abençoarei abundantemente a sua provisão; satisfarei com pão aos seus pobres. Também vestirei os seus sacerdotes com justiça, e os seus santos gritarão de alegria. Eu ordenei uma lâmpada para o meu ungido. Revestirei com vergonha os seus inimigos; mas sobre si a sua coroa florescerá.”

NOTAS:
[1] Ryan M. McGraw é um ministro da Presbyterian Church in America, em Conway, Carolina do Sul. Ele é graduado no Greenville Presbyterian Theological Seminary e na Universidade do Estado Livre, Bloemfontein, África do Sul. Este artigo foi originalmente publicado na revista Servo Ordenado Online, em Fevereiro de 2012. http://opc.org/os.html?article_id=294&issue_id=72 .
[2] As citações bíblicas são Almeida Revista e Atualizada. O Dr Ryan usou a New King James Version.
[3] Veja o “Apêndice” abaixo.
[4] Retirado de John Brown (de Edimburgo), ed., The Christian Pastor’s Manual: A Selection of Tracts on the Duties, Difficulties, and Encouragements of the Christian Ministry (orig. pub., Edinburgh, 1826, reprint, Ligonier, PA: Soli Deo Gloria Publications, 1991), 136–140. Infelizmente este excelente volume está esgotado. No entanto, pode ser baixado na íntegra de http://www.archive.org/details/christianpastor00brow .