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11 março 2026

A mentira dos arminianos para obter apoio dos nobres ingleses

 Carta de Festus Hommius para William Ames

 

Septimanio mittam, quae operati fuerint. Hic novi nihil est, nisi nova arma pro trecentis novis multibus conscribendis nudius tertius hic importata. Ex comitiis vestris, qua nunc habentur, apud vos, multi, novi aliquid expectant & boni, ego vero parum aut nihil. Narrant Remonstrantes hic D. Caronium ex Anglia scripsisse ad Vander Mylium Eposcopos [sic] Anglicanos examinasse Articulos Remonstranticos, & quatuor priores approbare, de quinto autem judicium suspendere. Sed narrationem esse Remonstranticam, id est, mendacem, plane confidimus. Si quid inaudiveris certi, velim significos.

Vale Vir praestantissime, & meo nomine plurimum salutem dic uxori & D. Doreslario.

Raptim Lugd. Bat. xiv Dec. 1617.

Tuus omni officiis,

Festus Hommius

 

[Enviarei a Septimanium o que eles fizeram. Não há nada de novo por aqui, exceto novas armas para os trezentos recrutas importados anteontem. Das eleições que estão sendo realizadas agora, muitos entre vocês esperam algo novo e bom, mas eu, quanto a mim, pouco ou nada almejo. Os remonstrantes aqui relatam que o Sr. Caronius escreveu da Inglaterra para Vander Myl dizendo que os bispos anglicanos examinaram os Artigos Remonstrantes e aprovaram os quatro primeiros, mas suspenderam o julgamento sobre o quinto. Mas, estamos bastante confiantes de que a narrativa é remonstrante, isto é, falsa. Se você ouviu algo com certeza, gostaria que mencione.

Adeus, excelente homem, e em meu nome, dê meus melhores cumprimentos à sua esposa e ao sr. Doreslarius.

Raptim Lugd. Bast. 14 dezembro de 1617.

Seu em todos os seus deveres,

Festus Hommius.]

 

Nota: Hommius relata que os remonstrantes afirmaram que Caron, o embaixador holandês na Inglaterra, escreveu a Vander van der Myle dizendo que os bispos ingleses examinaram os artigos dos remonstrantes e aprovaram os quatro primeiros, embora seu julgamento sobre o quinto ainda não estivesse certo. Hommius, no entanto, está convicto de que esse relato é simplesmente uma mentira dos remonstrantes.


Extraído de Anthony Milton, ed., The British Delegation and the Synod of Dort, 1618-1619 (Rochester, Boydell Press, 2005), p. 61

Tradução: Ewerton B. Tokashiki

06 junho 2014

Os Três Pontos da Graça Comum conforme a Christian Reformed Church

A resolução da Christian Reformed Church acerca da Graça Comum


Numa reunião Sinodal da Christian Reformed Church (CRC), que começou em 18 de junho de 1924, em Kalamazoo, no Michigan, após uma longa controvérsia, a CRC adotou o que veio a ser conhecida como os "Três Pontos da Graça Comum." Porque alguns ministros dentro da CRC se recusaram a assinar os "Três Pontos", eles (com a maioria de seus consistórios) foram suspensos ou deposto dos seus cargos. Este foi o início das Protestant Reformed Church na América. Estes ministros, e outros depois deles, escreveram respostas à decisão que foi tomada. Naquela época, e desde então, a Protestant Reformed Church tem alertado que estes "Três Pontos" eram não somente contrário à Escritura e as Confissões Reformadas, mas também serviu como uma ponte para o mundo e daria a desculpa para introduzir o mundanismo na igreja.

Citamos literalmente os três pontos:

I. O Primeiro Ponto:
"Em relação ao primeiro ponto, que diz respeito à atitude favorável de Deus para com a humanidade em geral e não apenas para os eleitos, o Sínodo declara que é possível afirmar de acordo com a Escritura e as Confissões que, além da graça salvadora de Deus apresentado apenas àqueles que são eleitos para a vida eterna, há também certo favor ou graça de Deus que Ele mostra às Suas criaturas em geral. Isto é evidente a partir das passagens bíblicas citadas e dos Cânones de Dordrecht II: 5 e III- IV: 8,9, que tratam da oferta geral do Evangelho, ao mesmo tempo que também aparece as citações feitas a partir de escritores reformados do período mais florescente da Teologia Reformada que nossos escritores reformados do passado favoreceram este ponto de vista. (Prova bíblica: Salmo 145:9; Mt 5:44, 45; Lc 6:35-36; At 14:16-17; 1 Tm 4:10; Rm 2:4 ; Ezequiel 33:11 ; Ezequiel 18:23)”

II. O Segundo Ponto:
"Em relação ao segundo ponto no que diz respeito à restrição do pecado na vida do homem individual e na comunidade, o Sínodo declara que há tal restrição do pecado, segundo as Escrituras e a Confissão. Isto é evidente a partir das citações das Escrituras e da Confissão dos Países Baixos, Art. 13 e 36, que ensinam que Deus pelas operações gerais do Seu Espírito, sem renovar o coração do homem, restringe os efeitos do pecado, de modo que a vida humana na sociedade continua a ser possível; e quanto a isto também é evidente a partir das citações de escritores reformados do período mais florescente da Teologia Reformada, que desde os tempos antigos nossos pais reformados eram da mesma opinião. (Prova bíblica: Sl 81:11-12 ; Gn 6:3; At 7:42; Rm 1:24; Rm 1:26, 28; 2 Ts 2:6-7).”

III. O Terceiro Ponto:
"Em relação ao terceiro ponto, no que diz respeito à questão da justiça civil realizada pelo não-regenerado, o Sínodo declara que de acordo com a Escritura e as Confissões o não-regenerado, embora seja incapaz de fazer qualquer coisa dita boa, pode fazer o bem civil. Isto é evidente das citações das Escrituras e dos Cânones de Dordrecht, III- IV: 4, e da Confissão dos Países Baixos, Art. 36, que ensinam que Deus, sem renovar o coração, ainda assim influencia o homem de modo que ele seja capaz de realizar o bem civil; ao mesmo tempo que isto é evidente das citações de escritores reformados do período mais florescente da Teologia Reformada que nossos pais reformados desde os tempos antigos eram da mesma opinião. (Prova bíblica: 2 Rs 10:29-30; 2 Rs 12:2; 14:3 ; Lc 6:33; Rm 2:14).”


Extraído http://www.prca.org/resources/categories/articles/item/291-the-three-points-of-common-grace de 8 de Março de 2014.
Traduzido por Ewerton B. Tokashiki.

Para acesso aos documentos do sínodo da Christian Reformed Church - ACESSE AQUI

19 janeiro 2013

Arminianos presentes no Sínodo de Dort

Os arminianos não participaram do Sínodo de Dort como delegados, e sim, como acusados. Por fim, após insistente inquirição, os remonstrantes entregaram aos conciliares um documento que resumidamente representava o seu pensamento. Este texto doutrinário, escrito de modo tão breve quanto possível, indicou em cinco artigos o que seria a essência do seu sistema defendido. Este documento preservava uma linguagem teológica aparentemente bíblica e com terminologia ortodoxa, entretanto, faltando a coragem de expressão presente nos escritos de Arminius. Os cinco pontos dos Arminianos evidenciam serem incompletas as suas declarações em cada tópico, indicando dissimulação de seu crasso semipelagianismo. Os conciliares rejeitaram os cinco pontos disputados, e condenaram resolutamente a doutrina arminiana.

Vieram arminianos representando as seguintes regiões e igrejas:[1]

Da Gelderland
Henricus Leonem – ministro de Bommel
Bernecus Vezekius – ministro de Echteld
Henricus Hollingerus – ministro de Grave

Do Sul da Holanda
Simon Episcopius – professor de Leiden
Johannes Arnoldi Corvinus – ministro de Leiden
Bernardus Dwinglo – ministro de Leiden
Eduardus Poppius – ministro de Gouda
Nicolas Grevinckhoven – ministro de Rotterdam
Theophilus Rijckewaert – ministro de Brielle

Do Norte da Holanda
Johannes Geesteranus – ministro de Alkmaar
Dominicus Sapma – ministro de Hoorn

De Overijssel
Thomas Goswinus – ministro de Kampen
Assuerus Matthysius – ministro de Kampen

Das igrejas de Walloon
Carolus Niellius – ministro de Utrecht
Simon Goulart – ministro de Amsterdã


Condenados mais de duzentos ministros arminianos foram depostos de seus cargos e alguns deles exilados. Após o Sínodo de Dort, os arminianos desimpedidos de qualquer limitação confessional seguiram dando consistência ao seu sistema teológico. James Orr observa que “o lustre de seus nomes – Episcopius, Grocius, Curcellaeus, Limborch -, e a sua elaboração em tomos imponentes de material dogmático, não podem esconder o fato de que perderam a dimensão de todas as grandes doutrinas, nem as suas tendências crescentes em direção à Ário, Pelágio e Socino.”[2] O movimento originado por Jacobus Arminius continuou levando às implicações últimas do seu pensamento, através de seus discípulos que afastaram-se cada vez mais da teologia calvinista, e consequentemente da ortodoxia cristã. Assim, os remonstrantes embora tenham perpetuado o sistema de Arminius, eles o modificaram em doutrinas essenciais, como por exemplo, a teoria da obra expiatória de Cristo. Nesta importante doutrina Arminius cria como Calvino na teoria da satisfação penal, enquanto os seus discípulos alteraram para a teoria governamental. Ashby argumenta que em alguns pontos importantes Arminius estava mais próximo de Calvino do que dos arminianos.[3] Sabe-se que “na Holanda somente os arminianos aceitavam os socinianos em comunhão.”[4] Esta associação evidencia o crescente afastamento que os remonstrantes mantiveram do Calvinismo e até mesmo do próprio Jacobus Arminius.

NOTAS:
[1] Peter Y. De Jong, ed., Crisis in the Reformed Churches – Essays in Commemoration of the Great Synod of Dort 1618-1619 (Grandville, Reformed Fellowship, Inc., 2008), pp. 259-260.
[2] James Orr, El Progresso del Dogma (Barcelona, CLIE, 1988), p. 239.
[3] Stephen M. Ashby, “Um punto de vista arminiano reformado” in: La seguridad de la salvación – cuatro puntos de vista, J. Mathew Pinson, ed. (Barcelona, CLIE, 2006), pp. 148-153.
[4] Hugh Trevor-Roper, A crise do século XVII – religião, a reforma e a mudança social (Rio de Janeiro, TOPBOOKS Editora, 2007), p. 317.

18 janeiro 2013

Resumo cronológico do Sínodo de Dort

1517 – Lutero fixa as suas teses na porta de Wittenberg (31 de Outubro)
1519 – Conde Edzard inicia a Reforma na Frilândia Oriental
1520 – Carlos V torna o governador dos Países Baixos
1522 – A Bíblia de Lutero é publicada
1523 – Os primeiros mártires em Bruxelas, no sudeste dos Países Baixos
1525 – Os primeiros mártires em Hague, no noroeste dos Países Baixos
1526 – A Bíblia Liesveldt é publicada em Antuérpia
1527 – Inicia o movimento Anabatista nos Países Baixos
1534 – A revolta Anabatista em Münster (Westphalia), Alemanha
1536 – Calvino vai para Genebra
1544 – Pierre Bruly torna no primeiro pregador reformado nos Países Baixos
1550 – Refugiados reformados organizam uma congregação em Londres, Inglaterra
1555 – Ascensão de Felipe II ao soberano dos Países Baixos
1559 – Tratado de Cateau-Cambrésis, findando o conflito entre Espanha e França.
A edição final das Institutas de Calvino
Organização da Academia de Genebra
Criação de bispados nos Países Baixos
1561 – Confissão Belga aprovada
1563 – Catecismo de Heidelberg publicado
1566 – Dathenus publica a sua liturgia, saltério e tradução do Catecismo de Heidelberg
1567 – Duque de Alba vai para os Países Baixos
Guido de Brés e Grange são martirizados por causa de sua fé em Valenciennes
1568 – Interrupção da Guerra de Oito Anos
Convento de Wesel preparatório para a assembleia geral das igrejas holandesas
1571 – Reunião do Sínodo de Emden
1572 – Captura de Brielle, tornando o ponto de guerra do nordeste dos Países Baixos
1573 – Guillherme de Orange professa publicamente a fé reformada
1574 – Organiza a Universidade de Leiden
1576 – Pacificação de Ghent
1579 – União de Utrecht
1581 – Reunião do Sínodo de Middelbrug
Rejeição de Felipe II como soberano das províncias unidas do nordeste dos Países Baixos
Arminius nomeado como professor em Leiden
1584 – Guilherme de Orange assassinado por Balthazar Gerard
1585 – Leicester, como representante da Rainha Elizabete, torna-se governador geral dos Países Baixos
1586 – Reunião do Sínodo de Hague
1591 – Uytenbogaert torna-se pastor da congregação de Walloon em Hague
1594 – Gomarus indicado como professor em Leiden
1598 – Vitória naval da Holanda em Nieupoort
Primeiros esforços missionários pelos reformados
1602 – Os holandeses organizam a Companhia Oriental das Índias
Pestilência em Leiden
1607 – Escrito o Catecismo de Gouda
1609 – Tratado de Paz dos Doze Anos entre a Espanha e os Países Baixos
Arminius morre
1610 – A Remonstrância é redigida
1611 – Conferência em Hague
Contra-Remonstrância é redigida
1613 – Conferência de Delft
1614 – Grotius prepara a sua “Resolução para a Paz nas Igrejas”
1617 – “Resolução Severa” de Oldenbarnevelt entregue pelo Príncipe dos Estados Gerais Maurício que adere aos Reformados
1618 – Abertura do Sínodo de Dort (13 de Novembro)
1619 – Os Estados Gerais autoriza o Sínodo agir como um tribunal eclesiástico para resolver a controvérsia Arminiana (1 de Janeiro)
Demissão dos arminianos do Sínodo (14 de Janeiro)
Adoção dos Cânones (23 de Abril)
Sessão de encerramento do Sínodo (29 de Maio)


Extraído de Peter Y. De Jong, ed., Crisis in the Reformed Churches – Essays in Commemoration of the Great Synod of Dort 1618-1619 (Granville, Reformed Fellowship, Inc., 2008), pp. 233-234.

Traduzido por Rev Ewerton B. Tokashiki

17 janeiro 2013

Os delegados no Sínodo de Dort

As seguintes credenciais foram apresentadas na segunda sessão do Sínodo, durante a manhã da Quarta-feira, em 14 de novembro de 1618:

Da Gelderland
Wilhelmus Stephani – ministro de Arnheim e doutor em teologia
Eilhardus van Mehen – ministro de Harderwyk
Sebastianuas Dammannus – ministro de Zutphen
Johannes Boulietus – ministro de Warnsveld
Jacobus Verheyden – presbítero de Nijmegen e reitor da escola
Henricus van Hel – presbítero de Zutphen e prefeito da cidade

Do Sul da Holanda
Balthazar Lydius – ministro de Dordrecht
Henricus Arnoldi – ministros de Delft
Festus Hommius – ministro de Leiden
Gisbertus Voetius – ministro de Heusden
Arnoldus Muys van Holij – presbítero de Dordrecht
Johannes Latius – presbítero de Leiden

Do Norte da Holanda
Jacobus Rolandus – ministro de Amsterdã
Jacobus Triglandius – ministro de Amsterdã
Abrahamus van Doreslaer – ministro de Enkhuizen
Samuel Bartholdus – ministro de Monnikendam
Theodorus Heyngius – presbítero de Amsterdã
Dominicus van Heemskerc – presbítero de Amsterdã e doutor em direito

Da Zelândia
Hermannus Faukelius – ministro de Middelburg
Godefridus Udemans – ministro de Zierikzee
Cornelius Regius – ministro de Goes
Lambertus de Rijcke – ministro de Bergen-op-Zoom
Josias Vosbergen – presbítero de Middelburg e doutor em direito
Adrianus Hofferus – presbítero de Zierikzee e membro do concílio municipal

De Utrecht
(delegados pelas igrejas que eram da posição Contra-remonstrância)
Johannes Ibbetzius – ministro de Dordrecht, mas delegado pelo Sínodo da Província Utrecht
Arnoldus Ooercampius – ministro de Amersfoort
Lambertus Canterus – presbítero de Utrecht e membro do concílio municipal
(delegados pelas igrejas que eram da posição Remonstrante)
Isaacus Frederici – ministro de Utrecht
Samuel Naeranus – ministro de Amersfoort
Stephanus van Helsdingen – presbítero de Utrecht, doutor em direito e membro do Tribunal da Província

Da Frilândia
Johannes Bogermannus – ministro de Leeuwarden
Florentius Ioannis – ministro de Sneek
Philippus Dannielis F. Eilshemius – ministro de Halingem
Meinardus ab Idzerda – presbítero de Leeuwarden e membro dos Estados da Frilândia
Kempo van Harinxma van Donia – presbítero de Leeuwarden e membro do Tribunal da Província
Johannes vander Sande – presbítero de Leeuwarden, doutor em direito e membro do Tribunal da Província

De Overijssel
Casparus Sibelius – ministro de Deventer
Hermannus Wiferdingius – ministro de Zwolle
Hieronymus Vogelius – ministro de Hasselt, servindo interinamente na igreja de Kampen
Johannes Langius – ministro de Vollenhove
Guilielmus van Broeckhuyzen – presbítero de Zwolle
Johannes van Lauwick – presbítero de Kampen e prefeito da cidade

De Groningen
Cornelius Hillenius – ministro de Groningen
Georgius Placius – ministro de Appingedam
Wolfgangus Agricola – ministro de Bedun
Johannes Lolingius – ministro de Noordbroek
Egbertus Halbes – presbítero de Groningen
Johannes Ruffelaert – presbítero de Stedum

De Drenthe
Themo van Asscheburge – ministro de Meppel
Patroclus Rommelingius – ministro de Ruinen

Das igrejas de Walloon
Daniel Colonius – ministro de Leiden e regente da Faculdade da cidade de Walloon
Johannes de la Croix, ministro de Haarlem
Johannes Doucher – ministro de Vlissinger
Jeremias de Pours – ministro de Middelburg
Everardus Becker – presbítero de Middelburg
Petrus du Pont – presbítero de Amsterdã

Professores de Teologia
Johannes Polyander – doutor em teologia, professor de Leiden e delegado pelos Estados da Holanda e Frilândia
Franciscus Gomarus – doutor em teologia, professor em Groningen e delegado pelos Estados de Groningen e Ommelanden
Anthonius thysius – professor em Harderwyk, delegado pelos Estados de Gelderland e Zutphen
Antonius Walaeus – ministro de Middelburg, professor na academia municipal e delegado pelo Estado da Zelândia

As credenciais seguintes foram apresentadas na terceira sessão do Sínodo, durante a Quarta-feira pela manhã, de 14 de Novembro de 1618.

Delegados como representantes da igreja na Grã Bretanha enviados por James I
George Carleton – bispo de Llandaff
Josephus Hall – doutor em teologia e deão de Winchester
Johannes Davenantius – doutor em teologia e professor em Cambridge
Samuel Wardus – doutor em teologia, arquideão de Taunton e regente da Faculdade de Sidney em Cambridge

Delegados enviados pelo Eleitor do Palatinado
Abrahamus Scultetus – doutor em teologia, professor em Heidelberg e pregador da Corte
Paulus Tossanus – doutor em teologia e membro do Consistório do Baixo Palatinado
Henricus Altingius – doutor em teologia, professor em Heidelberg e regente da Collegia Sapientiae

Delegados enviados pelo Landgrave de Hesse
Georgius Cruciger – doutor em teologia, professor e reitor da Academia de Marburg
Paulus Steinius – pregador da Corte e professor de teologia na Faculdade dos Irmãos em Cassel
Daniel Angelocrator – ministro de Marburg e superintendente das igrejas ao longo dos rios Laen e Eder
Rudolphus Goclenus o Ancião – deão e professor de filosofia na Academia de Marburg

Delegados enviados pelas quatro repúblicas reformadas da Suíça
Johannes Jacobus Breytingerus – ministro de Zurique
Marcus Rutimeyerus – ministro de Berne e doutor de teologia
Sebastianus Beckius – doutor em teologia, professor de Novo Testamento e deão da Faculdade de Teologia de Basel
Wolfgangus Meyerus – ministro de Basel e doutor em teologia
Johannes Conradus Kochius – ministro de Schaffhausen

Delegados enviados pela república e igrejas de Genebra
Johannes Deodatus – ministro de Genebra e professor de teologia
Theodorus Trochinus – ministro de Genebra e professor de teologia

Delegados enviados pela república e igrejas de Bremen
Matthias Martinius – reitor e professor da Escola Illustrious
Henricus Isselburgius – ministro da igreja da Virgem Maria, doutor em teologia e professor de Novo Testamento
Ludovicus Crocius – ministro da igreja de Santo Martin, doutor em teologia e professor de Antigo Testamento e filosofia

Delegados enviados pela república e igreja de Emden
Daniel Barnhardus Eilshemius – o mais antigo ministro de Emden
Ritzius Lucas Grimershemius – ministro de Emden

O Sínodo das Igrejas Reformadas da França, reunido em Cevennes, delegou os seguintes nomes para serem seus representantes no Sínodo de Dort:
Pierre Dumolin – ministro de Paris
Andre Rivet – ministro de Thouars
Jean Chauve – ministro de Sommieres
Daniel Chamier

Em 2 de Outubro de 1618 foi notificado que o rei recusou conceder a permissão àqueles homens para que fossem conduzidos ao país. Falharam as tentativas para persuadi-lo. Então, não houve delegação da França.

As seguintes credenciais foram apresentadas no trigésima quarta sessão do Sínodo, apresentadas na Segunda-feira pela manhã, em 17 de Dezembro de 1618.

Delegados enviados pelo Duque John de Nassau pelas igrejas de Nassau-Wetteravia:
Johannes Bisterveldius – pregador da Corte e superintendente de Siegen
Johannes Alstedius – professor de teologia em Herborn

Margrave Georg Wilhelm também delegou dois homens para representarem as igrejas reformadas de Brandenburg, que foram impedidos de comparecerem por causa da intensa oposição luterana. Os dois indicados foram:
Johannes Bergius – professor em Frankfurt-on-the-Oder
Christoph Storch (também chamado por Pelargus)


Extraído de Peter Y. De Jong, ed., Crisis in the Reformed Churches – Essays in Commemoration of the Great Synod of Dort 1618-1619 (Grandville, Reformed Fellowship, Inc., 2008), pp. 253-257.

Traduzido por Rev Ewerton B. Tokashiki

29 dezembro 2012

Forma de subscrição do Sínodo de Dort

Nós, os ministros[1] que subscrevemos a divina Palavra, sob a jurisdição da Classe _____________________ [2] e, declaramos sinceramente e de boa consciência diante de Deus, sendo esta a nossa subscrição, que de coração entendemos e cremos que todos os artigos e particulares pontos de doutrina contidos nesta Confissão e Catecismo da Igreja Reformada Holandesa, juntos com a declaração de alguns pontos desta doutrina, produzidos no Sínodo Nacional realizado em Dordrecht em 1619, concordam em cada detalhe com a Palavra de Deus. Por isso, prometemos diligentemente ensinar e fielmente defender toda esta doutrina, seja pública ou privadamente, direta ou indiretamente ensinando ou escrevendo, contra qualquer coisa que seja oposta a esta doutrina. Não só rejeitamos todos os erros contrários a esta doutrina que foram condenados pelo Sínodo de Dort, mas, também, desejamos refutar e opor a todo esforço, de modo que, eles se mantenham afastados da igreja. E se em algum momento posterior acontecer de adotarmos alguma diferente consideração ou sentimento contra esta doutrina, prometemos que nem pública ou privadamente proporemos, ensinaremos, ou defenderemos semelhante concepção quer seja em pregação ou escrito, mas, primeiramente revelaremos esta opinião ao consistório,[3] a classe e ao sínodo, de modo que ela possa ser examinada. De imediato, nos submeteremos com espírito voluntário para o juízo do consistório, classe ou sínodo, sob pena de que se agirmos de modo contrário disso, estaremos de pronto suspensos de nossos ofícios. Mas se o consistório, classe ou sínodo ainda com sérias razões de suspeita, de modo a preservar a unidade e sinceridade da doutrina, queira indagar-nos que expliquemos mais plenamente a nossa opinião acerca de algum artigo desta Confissão, Catecismo ou das declarações do Sínodo, também prometemos nos dispor de imediato e voluntariamente responder a qualquer pergunta, sob a mesma pena declarada acima, todavia, reservando a nós mesmos o direito de apelar, se viermos a crer que fomos prejudicados pelo julgamento do consistório, classe ou sínodo, durante o apelo nos submeteremos ao julgamento e determinação do sínodo provincial.

NOTAS:
[1] Tornou-se obrigatório aos ministros da Palavra e demais oficiais a subscrição das "Três Formas de Unidade" das Igrejas Reformadas, ou seja, A Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dort.
[2] Classe ou presbitério. Aqui escreveria o nome da Classe que era membro.
[3] Consistório ou conselho.

Tradução livre:
Ewerton B. Tokashiki
Extraído de Daniel R. Hyde, With Heart and Mouth - An Exposition of the Belgic Confession (Grandville, Reformed Felloship, Inc., 2008), pp. 22-23.

04 junho 2012

Os 5 Artigos do Arminianismo - 1610

Introdução

O documento foi escrito pelo grupo dos remonstrantes, em 1610. O seu título holandês é De Remonstrantie en het Remonstrantisme [O protesto do protestantismo] e o latim trás Articuli Arminiani sive Remonstrantia [Os artigos arminianos com protesto]. Deve-se ter o cuidado de discernir que o termo “protestante” não é usado em seu significado comum. Diferente de como historicamente o termo “protestante” é usado, ou seja, uma reação contra a doutrina da Igreja Católica Romana, o partido arminiano protestava contra a posição teológica oficial do estado holandês, que era o Calvinismo.

Estou disponibilizando a tradução de Os 5 Artigos do Arminianismo para que estudantes de teologia tenham acesso ao conteúdo teológico essencial dos remonstrantes. Estou escrevendo um pequeno livro em que ofereço o contexto histórico e teológico da controvérsia que deu origem aos Arminianismo, se Deus quiser, pretendo publicá-lo. Aos que desejam ler a resposta calvinista que o Sínodo de Dort ofereceu aos remonstrantes acesse aqui.

Segue abaixo o texto dos arminianos traduzido na íntegra.[1]


Artigo 1
A eleição realizada com base na presciência
[2]

Que Deus, pelo propósito eterno e imutável em seu Filho Jesus Cristo, desde antes da fundação do mundo, Ele determinou a respeito da raça humana pecadora e caída, salvar em Cristo, pelo amor de Cristo e, através de Cristo, a quem, pela graça do Espírito Santo, crerão em seu Filho Jesus e perseverarão nesta fé e obediência da fé, por meio desta graça, até o final; e, por outra parte, deixar aos incorrigíveis e incrédulos no pecado e sob a ira, condená-los como alienados de Cristo, de acordo com a palavra no Evangelho de João 3:36: “O que crê no Filho tem a vida eterna; mas, o que se recusa a crer no Filho não verá a vida, senão que a ira de Deus permanece sobre ele”, e, também de acordo com outras passagens das Escrituras.


Artigo 2
A expiação ilimitada


Que, de acordo com isto, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que, por sua morte na cruz, obteve para todos eles a redenção e o perdão dos pecados; ainda que, ninguém que não seja crente na realidade desfruta deste perdão, de acordo com João 3:16: “porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha vida eterna.” E, em 1 João 2:2: “e, é a propiciação por nossos pecados; e, não somente pelos nossos, mas também pelos do mundo todo.”


Artigo 3
A incapacidade natural


Que o homem não tem a graça salvadora por si mesmo, nem pela energia do seu livre arbítrio, no entanto, como ele, em estado de apostasia e pecado, não é capaz dele e por ele mesmo pensar, desejar, nem mesmo fazer coisa alguma que seja realmente boa (tal como eminentemente é a fé salvadora); mas, que lhe é necessário nascer de novo de Deus em Cristo, por meio do Espírito Santo e, renovar o entendimento, inclinação ou vontade e todos os seus poderes, para que possa entender, pensar, desejar e efetuar corretamente o que é verdadeiramente bom, de acordo com a Palavra de Cristo em João 15:5: “separados de mim, nada podeis fazer.”


Artigo 4
A graça preveniente


Que esta graça de Deus é o princípio, continuidade e alcance de todo o bem, até o ponto em que o homem regenerado, sem a graça preveniente ou assistida, que desperta, continue e coopere, não pode pensar, desejar, nem fazer o bem e muito menos resistir as tentações do mal; de modo que, todas as obras e movimentos que se podem conceber são atribuídas à graça de Deus em Cristo. Mas, acerca do modo de como opera esta graça, não é irresistível, pois, está escrito acerca de muitos que resistiram ao Espírito Santo. Atos 7 e, também, em muitos outros lugares.


Artigo 5
A perseverança condicional

Aqueles que são incorporados em Cristo pela fé verdadeira e com ela se fizeram partícipes de seu Espírito doador da vida, tem por essa razão pode completo para lutar contra Satanás, o pecado, o mundo e sua própria carne e, obter a vitória; entende-se bem que isto é sempre através da graça da assistência do Espírito Santo; e, que Jesus Cristo sempre os assiste em todas as suas tentações por meio de seu Espírito, estendendo-lhes a sua mão, e, se estão preparados para o conflito e, desejam o seu auxílio, e não estão inativos, [Cristo] os guarda de cair, de modo que, nem pela artimanha ou poder de Satanás, eles não se desviem, nem sejam arrebatados das mãos de Cristo, de acordo com a sua Palavra em João 10:28: “ninguém as arrebata de minha mão.” Mas, se eles são capazes por causa de sua negligência de esquecer dos começos de sua vida em Cristo, de retornar a este presente mundo mal, de apostar-se da sã doutrina que os libertou, de perder a boa consciência, de cair desprovidos da graça, e isto pode-se determinar mais particularmente pelas Santas Escrituras, antes do que ensinemos com a persuasão completa de nossas mentes.

Estes artigos que, afirmam e ensinam, os Remonstrantes considerando estar de acordo com a Palavra de Deus, idôneos para edificar, e apreciando este argumento como suficiente para a salvação, de modo que, eles não são necessários ou edificante para um ascensão mais alta, ou mais inferior.


NOTAS:
[1] Para a tradução dos 5 Artigos Arminianos recorri à tradução inglesa de Philip Schaff, The Creeds of Christendom (Grand Rapids, Baker Books, 2007), vol. 3, pp. 545-549. Schaff registra em colunas paralelas o texto holandês a partir da primeira edição de 1612, o texto latino da edição de 1616, e numa terceira coluna a sua tradução em inglês. Também revisei a partir de outra tradução de inglês moderno por Peter Y. De Jong, ed., Crisis in the Reformed Churches – Essays in Commemoration of the Great Synod of Dort 1618-1619 (Granville, Reformed Fellowship, Inc., 2008), pp. 243-245. Homer Hoeksema oferece uma tradução do holandês em seu livro The voice of our fathers – an exposition of the Canons of Dordrecht (Grand Rapids, Reformed Free Publishing Association, 1980), pp. 10-14.
[2] Os títulos de cada artigo não fazem parte do texto original, apenas os acrescentei para indicar o seu conteúdo.

08 janeiro 2012

O ministério pastoral de Richard Baxter

Escrito por J.I. Packer

Richard Baxter (1615-1691) foi clérigo puritano, autor de várias obras doutrinárias, apologéticas, evangelísticas, éticas, pastorais, eclesiásticas e devocionais. Após um notável ministério pastoral em Kidderminster, Worcestershire, em 1641-1641 e 1667-1671, junto com outras quase 2000 pessoas, Baxter recusou o juramento que comportava a Lei da Uniformidade de 1662, que exigia ao clero britânico que aceitasse e consentisse plenamente com todo o conteúdo do Livro de Oração Comum de 1559. Deste modo, retirou-se do serviço paroquial. Depois se dedicou a escrever incansavelmente, convertendo-se no teólogo britânico mais prolixo da história.

Era um autodidata, mas bem conhecedor das obras medievais e patrísticas, assim como a literatura teológica dos séculos XVI e XVII, Baxter se considerava um puritano ortodoxo, e a maior parte de sua teologia o era. Todavia, ensinava que a redenção universal numa perspectiva amiraldiana era o fundamento para o convite universal do evangelho. Sustentava um ponto de vista sobre a justificação baseado em Armínio, entendo-a como uma anistia condicionada à constante obediência a uma nova lei (neonomianismo); e, também um paradigma implicitamente sociniano sobre a coerência do Cristianismo com a teologia natural, que após a sua morte conduziria ao racionalismo unitário.

Todavia, Baxter em relação ao Cristianismo prático não tem comparação. A sua extensa obra de 1673 pretende ensinar aos cristãos como empregar os seus conhecimentos e a sua fé. Em sua obra A Christian Directory divide em quatro partes: 1. Ética cristã (ou, dos Deveres Particulares); 2. Economia cristã (ou, dos Deveres Familiares); 3. Eclesiástico cristão (ou, dos Deveres da Igreja); 4. Política cristã (ou, dos Deveres Para Com os Governantes e Nosso Próximo). Além do mais, esta obra intenciona explicar como melhorar o grau de ajuda aos outros, e os meios para proporcioná-la cumprindo todos os deveres sociais; como superar as tentações e como escapar de (ou mortificar) todo pecado. Fundamentando-se nas ideias de William Perkins (1558-1602), William Ames (1576-1633), Robert Sanderson (1587-1663) e Jeremy Taylor, Baxter cumpre literalmente o que promete no título de seu livro.

Outros clássicos devocionais saíram da sua pena. Como por exemplo, The Saints’ Everlasting Rest escrito em 1650; The Life of Faith, edição ampliada em 1670; The Divine Life, escrito em 1664; e Self-Denial, escrito em 1659; estas obras ampliam alguns aspectos das análises contidas em seu compêndio citado, enquanto que The Reformed Pastor (1656) constitui uma exposição suprema, tremendamente enérgica e motivadora das exigências espirituais que carrega o ministério pastoral a uma congregação. Os leitores de Baxter, durante mais de três séculos e meio, reconheceram unanimemente a sua maestria como guia para a vida cristã.

Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Diccionário de Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 267-268.

16 dezembro 2010

Amiraldianismo

Este vocábulo procede do nome do teólogo francês Moisés Amyraut. O sistema que é conhecido este nome foi proposto e defendido por Amyraut e seus colegas da Academia de Saumur no século XVII. Distingue-se, tanto do Calvinismo tradicional como do Arminianismo, especialmente nas doutrinas da graça, da predestinação e da extensão da redenção. Amyraut insistia em que a doutrina chave da teologia cristã não é a predestinação, senão a justificação pela fé. Cristo não veio buscar aos eleitos, senão pecadores. Amyraut não pensou que encabeçava um novo sistema teológico, mas que suas opiniões refletiam o verdadeiro sentido da doutrina de João Calvino.[1]

Remetendo os meus leitores à Parte 1ª de meu livro Curso Prático de Teologia Bíblica [2] me limitarei a expor o ponto decisivo em que Amyraut, seus colegas e seguidores se afastaram das decisões tomadas no Sínodo de Dort (1618-1619). As suas críticas se centraram especialmente no 3º ponto de Dort, segundo o qual a redenção levada a cabo por Cristo no Calvário teve uma extensão limitada, ou seja, Cristo não morreu por todos, senão somente pelos eleitos. Os amiraldianos responderam que a redenção tem um caráter universal, ainda que a salvação esteja limitada aos que crêem; portanto, a todos Deus provê os meios para a salvação, mas somente serão salvos pessoalmente quem pela fé receber a aplicação da redenção em virtude da obra do Espírito Santo.

Entre os teólogos reformados posteriores, alguns como John Owen, Charles Hodge, W.G.T. Shedd e B.B. Warfield rejeitaram a proposta do Amiraldianismo por entenderem que este é um grave desvio do Calvinismo, enquanto outros como Richard Baxter, A.H. Strong e Lewis Sperry Chafer sustentam que o Armiraldianismo representa um autêntico retorno ao verdadeiro sentido das Escrituras a respeito das doutrinas da graça e da natureza da predestinação divina.

Extraído de Francisco Lacueva, Diccionario Teológico llustrado (Barcelona, CLIE, 2001), pág. 45.

Tradução livre:
Rev. Ewerton B. Tokashiki
16 de Dezembro de 2010.

NOTAS:
[1] O articulista se refere ao livro Francisco Lacueva, Curso Prático de Teología Bíblica (Barcelona, CLIE, 1998).
[2] Dr Hermisten M.P. da Costa escreveu um excelente artigo sobre Amiraldianismo que merece ser lido – acesse aqui .

19 maio 2009

Implicações do Livre Arbítrio

De acordo com e esquema do livre-arbítrio, o Senhor tem boas intenções, mas precisa aguardar como um servo, a iniciativa de sua criatura, para saber qual é a intenção dela. Deus quer o bem e o faria, mas não pode, por causa de um homem indisposto, o qual não deseja que sejam realizadas as boas coisas de Deus.

O que os senhores fazem, senão destronar o Eterno e colocar em seu lugar a criatura caída, o homem? Pois, de acordo com essa teoria, o homem aprova, e o que ele aprova torna-se destino. Tem de existir um destino em algum lugar; ou é Deus ou é o homem quem decide. Se for Deus Quem decide, então Jeová se assenta soberano em seu trono de glória, e todas as hostes Lhe obedecem, e o mundo está seguro. Em caso contrário, os senhores colocam o homem em posição de dizer: “eu quero” ou “eu não quero”. “Se eu quiser, entro no céu; se eu quiser, desprezarei a graça de Deus. Se quiser, conquistarei o Espírito Santo, pois sou mais sou mais forte do que Deus e mais forte que a onipotência. Se eu decidir, tornarei ineficaz o sangue de Cristo, pois sou mais poderoso que o sangue, o sangue do próprio filho de Deus. Embora Deus estipule seu propósito, me rirei desse propósito; será o meu propósito que fará o dEle realizar-se ou não” Senhores, se isso não é ateísmo é idolatria; é colocar o homem onde Deus deveria estar.

Eu me retraio, com solene temor e horror diante dessa doutrina que faz a maior das obras de Deus – a salvação do homem - depender da vontade da criatura, para que se realize ou não. Posso e hei de me gloria neste texto da palavra, em seu mais amplo sentido: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia”(Rm 9.16).

Charles H. Spurgeon

17 abril 2007

A explosão das seitas marginais do Protestantismo

Desde a Reforma do século XVI, muitos movimentos têm surgido em redor do mundo. Há, por parte dos cristãos, várias atitudes em relação a isso. Mas, uma dessas atitudes é a que vemos no texto de Atos 5.33-39, a atitude de Gamaliel: “...dai de mão a estes homens, deixai-os...” (v.38). Analisemos rapidamente o texto de Atos. Os novos crentes estavam sendo perseguidos e ameaçados de morte. Levanta-se Gamaliel e faz alusão dos dois líderes de religiões ou seitas daqueles dias. Haviam juntado grande número de seguidores, porém, quando morreram, os grupos desapareceram. Depois desta referência ele faz uma recomendação aos perseguidores acerca da Igreja Cristã: “se esta obra vem de homens perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los...”.

Ao olharmos ao nosso redor e repararmos o crescimento vertiginoso das seitas em nossos dias, uma grande questão ficará sobre as nossas cabeças: “Será que o mesmo raciocínio de Gamaliel poderia ser aplicado às seitas atuais?” Obviamente que não! A própria Bíblia nos alerta de que “...haverá tempos em que não suportarão a sã doutrina...” (2Tm.4.3,4). Isto foi dito pelo apóstolo Paulo que, outrora, possivelmente, fizera parte do grupo que queria apedrejar os cristãos.
Se alguém possui o mesmo raciocínio de Gamaliel em nossos dias e não procura analisar os ensinamentos das seitas sob o padrão de nossa fé – a Bíblia, será tido como um ignorante em assuntos relativos à fé cristã. A fé evangélica pode e deve ser estudada, examinada, etc. Isto irá gerar o que chamamos crescimento espiritual. John Stott deu um título muito sugestivo a um de seus livros: “Crer é também pensar”.

Judas, em sua carta, versículo três, exorta “...a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”, pois nesta batalha não há lugar para alienação.

HISTÓRICO
Nesta parte do artigo iremos analisar historicamente a maneira que surgiram os vários grupos que constituem as seitas marginais do protestantismo nos nossos dias.

Seitas Proféticas
Seitas proféticas são aquelas seitas cujos líderes se acham investidos de uma “missão” e precisam proclamá-la, por acreditarem que o próprio Deus os comissionou para isso. Geralmente se baseiam em um sonho, uma revelação ou em uma interpretação descontextualizada das Escrituras Sagradas.

Ao longo da história do cristianismo encontramos exemplos de homens que, movidos por um sentimento puramente humano, tentam estabelecer novos preceitos que se chocam com a Palavra de Deus. Exemplo disso pode ser visto em Márciom[1], no ano 144 e, mais tarde, Ário[2], dentre outros.

Geralmente as seitas surgiam em um contexto de insatisfação com a religião dominante. Muitas dessas seitas proféticas, como por exemplo, Adventistas, Mormonismo, Testemunhas de Jeová, surgiram no final do século XIX, num contexto de grande desenvolvimento teológico, cultural, científico, etc. A maioria dessas seitas tinha uma perspectiva negativa da situação da humanidade e, em muitas delas, davam-se datas para a volta de Cristo e a destruição da humanidade. Já outros grupos surgiram em um contexto de guerra e pós-guerra, como a 1ª e a 2ª Guerras Mundial, tanto na Europa como nos Estados Unidos.

Com o fim da guerra, cresceu o interesse pela religião, principalmente pelas religiões orientais. Era o movimento hippie que surgia pregando a paz e o amor. Foi nessa época que surgiu a seita “Meninos de Deus”, apregoando uma revolução para Jesus.

No Brasil, vários movimentos encontraram boa acolhida, pelo caráter sincretista do próprio povo brasileiro. Muitos grupos usaram as próprias religiões estabelecidas (como é o caso da Congregação Cristã no Brasil que começaram seus trabalhos graças a uma cisão da Igreja Presbiteriana do Brás)[3]. Mas, veremos no decorrer do artigo, que as seitas que tiveram mais êxito entre o povo brasileiro são as de cunho pentecostal e neopentecostal.

Seitas Neopentecostais
Apesar das seitas proféticas terem, em algumas delas, aspectos pentecostais, é diferenciado do movimento pentecostal como veremos adiante. Iremos abordar o movimento pentecostal mais demoradamente por uma questão de prioridade no que diz respeito ao objetivo do artigoo, pois o mesmo não poderia abordar todos os movimentos religiosos, sendo, portanto, este movimento de maior expressão em nosso contexto brasileiro.

O neopentecostalismo tem suas raízes no pentecostalismo que, por sua vez, é devedor ao inglês John Wesley e seu movimento de santificação. Wesley estabeleceu uma distinção entre os crentes comuns e os santificados, ou seja, aqueles que foram batizados pelo Espírito Santo e aqueles que não foram.

Passaremos a abordar o surgimento do movimento pentecostal que, posteriormente, deu origem ao neopentecostalismo.

ESTADOS UNIDOS – (1906) Em Topeka, Kansas, na escola bíblica dirigida por Charles Parham, foi reconhecido o Dom de línguas como sinal de identificação do batismo do Espírito Santo. Dali se espalhou pelos Estados Unidos. O movimento pentecostal em Los Angeles teve início num velho templo metodista, em Azusa Street. Essa missão – Azusa Street Mission – pode ser considerada como o ponto de partida do movimento pentecostal mundial. O próprio Emílio Conde, que traçou as origens das Assembléias de Deus no Brasil, considerava o avivamento espiritual ocorrido em Azusa Street como o ponto de partida do movimento pentecostal no Brasil.

EUROPA – Expandiu-se pela Finlândia, Noruega, Suécia, Alemanha, Suíça, Grã-Bretanha, a partir de uma visita de B. Barrat, pregador metodista, aos Estados Unidos, para angariar fundos. Durante a viagem, escreveu cartas à Noruega, narrando sobre o avivamento que havia nos Estados Unidos. Quando voltou, foram realizadas grandes reuniões em Oslo (Noruega). A partir daí, se espalha por vários países da Europa.

BRASIL – Em muitos países da América Latina o pentecostalismo é o grupo evangélico mais importante. No Brasil, o movimento pentecostal é o mais importante, numericamente falando. O início, em 1910, das Assembléia de Deus no Pará, por Daniel Berg e Gunnar Vingren e da Congregação Cristã, por Luigi Francescon, pela mesma época, no Paraná e São Paulo, foi o ponto de partida para o movimento se espalhar para o restante do Brasil.

Os anos 60 foram decisivos para a religião. Devido à secularização e o modernismo os estudiosos apostavam na extinção da religião. Duas décadas mais tarde o que se observa é uma explosão de novas seitas. Surgem os neopentecostais, também chamado de pentecostalismo de terceira onda ou pentecostalismo autônomo (p. e., Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Sara a Nossa Terra, Igreja Renascer em Cristo, Igreja Nacional Palavra da Fé, entre outras).

De uma maneira geral, esse neopentecostalismo enfatiza o exorcismo, cura divina, dons espirituais, continuidade da revelação divina através de líderes carismáticos, etc. Esse neopentecostalismo ganhou força no mundo religioso norte-americano nos anos 70, período em que também começou a penetrar na América Latina, provocando o surgimento de novas igrejas, seitas e denominações, assim como cisões nas principais denominações protestantes brasileiras, entre elas Metodistas, Batistas, Presbiterianas, Congregacionais, etc.

DOUTRINA MAIS COMUM E SUA REFUTAÇÃO

Doutrinas
O neopentecostalismo é caracterizado como um grupo com mentalidade pentecostal, mas que se consideram adeptos de uma “renovação espiritual”.
Consideramos que existem hoje várias Igrejas com características neopentecostais, que podem ser classificadas como pentecostalismo clássico ou neopentecostalismo, depende do critério adotado pelo analista. Nós iremos considerar as Igrejas: Universal do Reino de Deus; Internacional da Graça de Deus; Comunidade Sara Nossa Terra; Renascer em Cristo e Igreja Nacional Palavra da Fé.
O movimento neopentecostal enfatiza, de uma forma geral, o exorcismo, cura divina, dons espirituais, continuidade da revelação divina através dos líderes carismáticos, e uma parte deste movimento aceita a “teologia da prosperidade”. Analisemos o seu conceito sobre possessão demoníaca.

Exorcismo
O exorcismo exerce a função de extirpar o medo e o caos. Todos os males recebem um nome, uma origem: o demônio. O ministro ou pastor, dotado de força de Deus, expulsa o maligno e resolve o problema pela raiz.

A visão neopentecostal é tripartida. Separam o Cosmo em três dimensões: Céu, morada de Deus e de seus anjos; Terra, uma criação divina entregue aos seres humanos; Inferno, regiões inferiores destinadas a acolher as almas dos mortos e demônios. O mundo é a arena, onde se dá a luta entre Deus, satanás e seus anjos, essas disputas são conhecidas como batalhas espirituais.
Acreditam que o mal está personificado nos demônios. O que é notado nos hábitos de “amarração de demônios”, que se baseia na premissa de que os demônios estão soltos e podem entrar em animais, objetos, pessoas, principalmente no momento do culto. Esta é uma atividade constante nos movimentos neopentecostais, porque estão sempre escapando dos laços do exorcista. Por isso é preciso constantemente “colocar os demônios sob os pés”, “pisá-los com energia”, demonstrando-se assim o poderio do Senhor Jesus Cristo sobre as forças do mal. Em alguns templos da Comunidade Sara Nossa Terra, durante a celebração da eucaristia, as pessoas pisoteiam os copos plásticos que foram utilizados, para declararem publicamente a derrota dos demônios, que com este gesto são publicamente pisados e humilhados. Algum tempo atrás no templo da Comunidade Sara Nossa Terra em Passos, o pastor após o sermão e celebração da Eucaristia, e com uma bacia com água e um corante vermelho, orou e depois chamou os fiéis até altar para limpá-los com o sangue de Cristo.

Na visão neopentecostal os demônios são espíritos revoltados, porque na criação dos seres humanos, Deus teria deixado de dar a eles – espíritos puros – a predominância original que eles tinham; por isso os demônios se apoderam das pessoas, movidos de inveja, em uma feroz luta, com o objetivo de destruí-los de todas as maneiras possíveis. Uma das maneiras, comum entre IURD[4] e Comunidade Sara Nossa Terra, é através da hereditariedade, pois, há casos de demônios que perseguem várias gerações. Uma outra maneira, é que há pessoas que se tornam possessas ao participarem, diretamente ou não, de rituais espíritas, ou por terem sido alvo de trabalhos, despachos e bruxarias, ou até mesmo por passarem perto, de carro ou a pé, dos lugares que foram utilizados para este tipo de trabalho, ou macumba. Se a pessoa que passou perto deste local, não tem o Espírito Santo na sua vida, fatalmente terá maléficos resultados.

Há também uma corrente que disputa o tempo todo no momento de culto, com os poderes das trevas. E existem ainda, como é freqüente nos templos da IURD, os cultos de guerra cósmica ou batalha espiritual; são conhecidas como “correntes de fé” ou “campanhas”. Dessa maneira, cada milagre, conversão e exorcismo são pequenas amostras de decisivas vitórias de Deus contra as forças diabólicas.

As Igrejas neopentecostais se diferenciam das pentecostais nos rituais de exorcismo, porque os pastores neopentecostais fazem um tipo de entrevista com as entidades diabólicas. A eficiência do exorcismo depende da legitimidade de quem pratica o ato e da instituição ao qual está vinculado o exorcista, o que a IURD atribui para si a autenticidade do exorcismo.

Um outro objetivo do diabo é tornar seres humanos seus prisioneiros, e a ação da Igreja é oferecer tratamento espiritual, atuando como um pronto socorro espiritual. O ritual de exorcismo na IURD deve ser dirigido por pastores e obreiros cuja vida espiritual é supostamente exemplar, exigindo-se por isso mesmo, um longo preparo através de períodos longos de oração e jejum. As pessoas no auditório podem também participar através das suas orações, com declarações (queima Jesus; queima Jesus), com cânticos (sai, sai, sai, em nome de Jesus; ou, tá na hora, tá na hora do diabo ir embora) ou com ações que incluem o bater dos pés no chão, expressando que o diabo esta sendo pisado.

Refutação
Entendemos que estes rituais e atividades desenvolvidas nas Igrejas Neopentecostais são modismos e falta de ensinamento bíblico adequado. A respeito do exorcismo respondemos que, ao invés da pessoa buscar em métodos e rituais uma forma de libertação, ele primeiramente deveria buscar a Deus, todas as vezes que lhe ocorreram pensamentos, atos e atitudes contrárias à vontade Dele. No movimento neopentecostal há pouco, ou nenhum, espaço para os métodos antigos, como arrependimento, confissão e admissão da própria culpa, e uma vida em santificação. Tiago orienta ao crente resistir ao diabo (Tg 4.7). Não se resolve culpa pessoal com exorcismo, nem se substitui a responsabilidade individual por demonização. Estes movimentos privam o cristão de participar da única e verdadeira libertação do domínio do pecado em sua vida. O apóstolo Paulo sugere a mortificação da natureza pecaminosa como um exercício diário (Rm 6, 6; 8,13), e a solução para as obras da carne não é a expulsão de espíritos que supostamente escravizam os cristãos e incita-os a praticar estes pecados, mas é viver uma vida no Espírito (Gl 5, 16-26).

Pode um cristão ter demônios habitando seu corpo, o qual é igualmente habitado pelo Espírito Santo? A questão é realmente aguda, pois a Escritura ensina que o cristão está assentado com Cristo nos lugares celestiais, acima de todos os principados e potestades (Ef 1, 21-22). O cristão está em Cristo, e Cristo nada tem a ver com o maligno (Jo 14,30). E, naturalmente, o diabo não toca os que são de Cristo (1 Jo 5,18), pois o que está no cristão (Espírito Santo) é maior que os espíritos malignos que habitam este mundo (1 Jo 4,4).

O NT não diz absolutamente nada a respeito de cristãos que foram possuídos, e apenas descreve o encontro de Jesus e dos apóstolos com pessoas endemoninhadas, mas em nenhum caso revela como o endemoninhamento aconteceu, se foi causa de pecados pessoais, pelos pecados dos outros, por maldições hereditárias, ou qualquer outro dos motivos alegados pelos proponentes do movimento neopentecostal. Não devemos tentar satisfazer as nossas curiosidades baseadas em especulações e experiências pessoais. Cremos que é possível hoje um descrente ser de tal forma, oprimido e atacado por Satanás o ponto de ocorrer a possessão.
A pergunta 26 do Catecismo Menor diz:
Como exerce Cristo as funções de Rei?
Cristo exerce as funções de Rei sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo-nos, contendo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos.

BIBLIOGRAFIA
1. CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, Templo e Mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópolis, R.J.: Vozes; São Paulo: Simpósio Editora e Universidade Metodista de São Paulo, 1997.
2. GONZALEZ, Justo L., A Era dos Novos Horizontes. São Paulo: Vida Nova, 1989.
3. _______________, A Era Inconclusa. São Paulo: Vida Nova, 1995.
4. LEITE FILHO, Tácito da Gama, Seitas Proféticas. Rio de Janeiro: Juerp, 1987.
5. ______________________, Seitas Neopentecostais. Rio de Janeiro: Juerp, 1991.
6. STOTT, John R. W. Crer é também pensar. São Paulo: ABU, 1994.
Notas:
[1] González, Vol.1, p.99. Márciom acreditava que o presente mundo era mau e, portanto, fora criado por um deus igualmente mau. Então, ele fez uma distinção entre o deus do A.T. (Jeová) e o Pai de Jesus Cristo do N.T. (Deus Supremo) superior a Jeová.
[2] González, vol.2, p.90, 91. Segundo Ário, Jesus havia sido criado por Deus, sendo, portanto, uma criatura. Mesmo sendo, no dizer de Ário, a principal criatura de Deus. o que estava em jogo era a divindade de Jesus.
[3] Tácito, Seitas Neopentecostais, p.31.
[4] Igreja Universal do Reino de Deus.

Rev Baltazar L. Fernandes

12 dezembro 2006

Chuta que é macumba

Há muitos anos atrás me envolvi com o movimento Batalha Espiritual. Lembro quando o primeiro livro Este Mundo Tenebroso de Frank Peretti foi lançado, foi uma loucura! Implantou-se entre os evangélicos uma percepção da realidade totalmente demonizada! Deus deixou de ser o centro das atenções e a preocupação teve como prioridade "amarrar Satanás". Hoje, graças à Deus, coloquei as idéias no lugar, e estou estudando um pouco mais a Bíblia, e descobri que bem pouco de fidelidade à Escritura existe neste movimento. Num precisa dizer que abandonei este troço!?

O problema central do movimento Batalha Espiritual é que ele é demonologocêntrico (desculpem-me o neologismo), ou seja, tudo é causado pelo demônio! Bom já seria ruim se fosse só isso. Mas, toda cosmovisão tem implicações intensas. Olhando o mundo à partir das lentes do movimento Batalha Espiritual, se vê demônio em tudo. Tem capeta prá tudo que é gosto, lugar e função.

Mesmo enquanto adotava a mentalidade deste movimento, fiquei horrorizado quando, certa feita fui num culto, numa dessas igrejas que você num sabe o que está, nem o que vai acontecer! Pois é, de repente, o pastor [?] gritou: "manifeste-se! Eu sei que você está aqui!" E, olha que aquilo não foi a introdução do sermão, mas uma pausa para pararmos de focalizar a nossa adoração e pensamentos em Cristo, para bater um papo com o Tinhoso. Como nada aconteceu, nenhuma manifestação demoníaca, o tal pastor continuou e teve a coragem de dar a esfarrapa desculpa de que o "Espírito Santo havia lhe revelado que haviam pessoas naquele momento que estavam dando lugar ao diabo". Bom, esse negócio do Espírito Santo ficar falando toda hora, trazendo revelações fresquinhas que não estão na Escritura, é outro negócio muito complicado. Mas, dizer que crentes estavam dando lugar ao diabo, é no mínimo uma frase sem sentido.

Os caras que estão envolvidos no movimento crêem que para evangelizar é necessário antes fazer demarcação territorial para saber quais e quantos demônios mandam naquele pedaço. A maioria das suas orações têm uma boa porcentagem de conversa com o demônio. O culto de adoração inclui na liturgia um momento de exorcismo [no estilo "xô Satanás"]. Simplesmente, porque Deus deixou de ser o soberano Senhor e regente do universo, e os demônios entraram na S/A (sócios anônimos) de toda a propriedade que Deus criou. Não me perguntem como se explica isto, num encontrei este ensino em lugar nenhum da Bíblia!

Tem um pastor por aí que diz que foi expulsar o demônio de uma pessoa e ela vomitou uma cobra! Cada bizarrice que choca o mais crédulo dos evangélicos. Fico muito preocupado, porque em nosso meio se deixa de viver o antigo e puro evangelho de Cristo, e estamos presenciando a prática de uma verdadeira macumbaria evangélica! Se você acha que estou sendo exagerado, ligue a TV e veja alguns canais que apresentam "cultos evangélicos" onde tem pastor até vestindo roupa branca na sexta-feira, parecendo uns "pais-de-santo".

Chego a pensar que a síndrome de Adão não ficou lá no Jardim do Éden. Ainda hoje continuamos com a mania de querer transferir para o Diabo a causa da nossa desobediência [embora, não nego que Satanás tenha a sua significativa parcela de culpa], mas, vamos pôr menos culpa no infeliz do "Coisa ruim", e assumir a nossa responsabilidade diante de Deus, com as pessoas, vivendo o nosso chamado de obediência à Palavra de Deus. Soli Deo Gloria!

Rev Ewerton B Tokashiki