Mostrando postagens com marcador Satanás. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Satanás. Mostrar todas as postagens

06 outubro 2018

Remédios preciosos contra as artimanhas do Diabo - Capítulo 10

Existe outro método do diabo para impedir o serviço dos crentes, consiste em leva-los a pensar que há um pequeno número de pessoas que servem a Cristo e que essas pessoas são os menos importantes, os de menos influência e os mais pobres de todos. Satanás lhes dirá: “Garanto que não querem desperdiçar a sua vida no meio de um povo como este, sem poder, sem influência, ignorantes e pobres. Não vale a pena obedecer a Deus se seu povo é assim”. Como os crentes devem reagir quando o diabo lhes fala desta maneira?

Primeiro, devem recordar que ainda que Satanás chame aos seguidores de Cristo de pobres, e ainda que sejam pobres quanto aos bens do mundo, na realidade são os mais ricos. Não são ricos quanto ao dinheiro, ou quanto aos bens, mas ricos nas bençãos de Deus. Tiago falando deste assunto escreveu: “Meus amados irmãos ouçam: Não escolheu Deus aos pobres deste mundo, para que sejam ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que lhe amam?” (Tg 2.5). Estes poucos, pobres e insignificantes cristãos como Satanás lhes chamaria, na verdade são os mais ricos e poderosos do mundo. Ainda que tenham pouco em suas mãos, possuem muito em suas esperanças. Ainda que quase não tenham nada no tempo presente, são os herdeiros do glorioso reino de Deus.

Os crentes também devem recordar que ao longo da história humana, alguns dos crentes são ricos e famosos. Por exemplo Abraão e Jó são dois casos de crentes que eram ricos em bens materiais. Então, Satanás não tem razão em dizer que todos os crentes sempre foram pobres. Alguns crentes são ricos em bens deste mundo e todos são ricos em bençãos espirituais.

As bênçãos espirituais são maiores que todas as riquezas terrenas de todos os inconversos no mundo. O crente mais pobre com bênçãos espirituais, possui mais do que a pessoa mais rica da terra sem elas. As bençãos espirituais satisfazem quando as bênçãos materiais não podem fazê-lo. Jesus falou das bênçãos espirituais como água viva: “O que beber da água que eu lhe darei, jamais terá sede; mas a água que eu lhe darei será uma fonte de água viva para a vida eterna” (Jo 4.14). Os crentes têm bênçãos perduráveis que nunca poderão ser tiradas deles. As bênçãos dos crentes lhes acompanham em todo o tempo: na prisão, no tempo da enfermidade, na hora da morte e na eternidade. Nenhuma das riquezas terrenas podem fazer isto. Quem é realmente pobre? O que crente é chamado de “pobre”, ou o inconverso mais rico da terra?

Satanás está ocultando parte da verdade quando diz que somente há crentes pobres no mundo. Ainda que pareça que seja assim, a realidade é outra. O número total de crentes no mundo é enorme. E o número de crentes que existe no decorrer da história também é expressivo. Apocalipse 7.9 diz que o apóstolo João viu “uma grande multidão a qual ninguém poderia contar, de todas as nações, tribos e povos e línguas, que estavam diante do trono e da presença do Cordeiro”. Ainda que seja possível que muitos crentes vivam em lugares onde existam poucos cristãos e muitos deles sejam pobres e humildes, nem sempre é assim. Em breve virá o dia em que estes crentes pobres e humildes brilharão como o sol. Paulo escreveu acerca de como Deus levantou aos crentes e os fez assentar nos lugares celestiais (Ef 2.6). Haverá um dia em que Deus mostrará ao mundo o quão bendito é o seu povo. Então os ricos da terra invejarão aos crentes, que antes julgaram como pobres.

26 setembro 2018

Remédios preciosos contra as artimanhas do Diabo - Capítulo 9

Continuemos pensando em outras duas maneiras em que o diabo procura afastar os crentes de seu serviço a Deus. Primeiro, lhes fará pensar que tão difícil é seguir a Cristo. Ele lhes dirá que é difícil orar, é difícil pensar constantemente nas coisas espirituais, que é difícil ter comunhão com os outros crentes, difícil de obedecer, etc.

O primeiro remédio contra tal maquinação é o pensar mais na necessidade de servir a Cristo, que nas dificuldades que terão ao servi-lo. Os crentes devem servir a Cristo para mostrar-lhe o seu agradecimento. Os crentes necessitam crescer em santidade para que possam vencer o pecado. Necessitam ser obedientes a Deus para que possam cumprir a sua obra neste mundo. Os crentes necessitam seguir a Cristo para que o propósito de Deus seja cumprido em suas vidas. Não há dúvida que os crentes enfrentarão problemas e dificuldades ao seguir a Cristo, mas os crentes verdadeiros assumem esta responsabilidade, mesmo cientes dos problemas que possam sobrevir-lhes.

Segundo, os crentes devem recordar, que se realmente querem servir a Cristo, Ele lhes ajudará tanto que não lhes será difícil. Talvez, no início não lhes pareça fácil, mas enquanto forem cumprindo a vontade de Deus, descobrirão que experimentam grande gozo ao realiza-la. Enquanto serve a Deus, encontra de modo pessoal que Deus lhe está apoiando, fortalecendo, animando e guiando através do caminho mais difícil. Podemos ver na Bíblia como as pessoas zombavam de Neemias e dos demais judeus que pretendiam levantar novamente os muros de Jerusalém. Todavia, Neemias contava com a fortaleza de Deus como sua ajuda. Neemias 2.20 disse: “O Deus dos céus, Ele nos prosperará, e como seus servos nos levantaremos e edificaremos...”. Igualmente Isaías disse a respeito de Deus: “Saíste ao encontro de quem com alegria para a justiça, dos que acordavam de ti em teus caminhos...” (Is 64.5).

Também os crentes necessitam pensar muito acerca das dificuldades que o próprio Cristo sofreu, de como Ele nunca fugiu do sofrimento. Suportou os piores sofrimentos em corpo e alma para o nosso bem-estar espiritual e para o nosso bem eterno. Em Isaías 50.6 Cristo disse: “Dei meu corpo aos algozes, e minhas bochechas aos que me arrancavam a barba, não escondi o meu rosto das injúrias e dos escarros.” Cristo suportou a ira do Pai, a carga dos nossos pecados, a malícia de Satanás e o ódio do mundo. Porque Cristo sofreu tanto pelos nossos, devemos obedecer-lhe e viver para Ele, ainda que isto signifique que tenhamos que sofrer de alguma forma.

Os crentes devem perceber que servir a Cristo é difícil somente para o seu velho homem, os remanescentes de sua natureza caída. Todos os crentes estão obrigados a despojar-se do velho homem e a passada maneira de viver e a vestir-se do novo homem (Ef 4.22-23). O novo homem tem prazer em seguir a Cristo, é a sua natureza pecaminosa quem não gosta de servir a Deus. Em Romanos 7.22 o apóstolo Paulo disse: “Segundo o homem interior (o novo homem) me deleito na lei de Deus”. Para a nova criatura o jugo de Cristo é fácil e sua carga é leve (Mt 11.30). Para o novo homem os mandamentos de Deus não são pesados, mas sim causa de gozo. Todos os crentes sabem que esta é a verdade, e há algo em seu interior que lhes faz desfrutá-la agradando a Deus.

Finalmente, há grandes recompensas para aqueles que apesar de suas dificuldades seguem a Cristo fielmente. Há galardões no futuro. O céu recompensará tudo. No livro de Hebreus lemos acerca da fé de Moisés que teve por maiores riquezas o vitupério de Cristo que os tesouros dos egípcios, porque contemplava o galardão (Hb 11.26). Além disso, há recompensas nesta vida para aqueles que seguem a Cristo apesar das dificuldades. O Salmo 19.11 disse que ao guardar os mandamentos há grande recompensa. Quão néscios são os crentes que permitem que Satanás lhes roube este grande galardão.

Satanás pode usar outro método para conseguir que os crentes não sirvam à Deus. Pode tratar que pensem equivocadamente acerca do que Cristo fez em favor deles. Ele lhes sugerirá que por ter Cristo realizado tudo pelo seu povo, tendo lhes perdoado, justificado e garantido a sua chegada ao céu, então não há nada que fazer, a não ser contentar e satisfazer-se. Satanás deseja que pensem que pelo fato de Cristo ter sido castigado como seu substituto e que Cristo está no céu preparando um lugar para eles, então, não há necessidade de orar, arrepender-se, de estudar a Palavra, de reunir-se com outros crentes. Enfim, porque Cristo nos salvou, não há necessidade de que lhe sirvamos.

Ao fazer estas sugestões, Satanás está tomando uma parte da verdade e converte-a numa mentira. É certo que se não fosse pela obra salvadora de Cristo, não haveria nenhum crente. Todavia, ser um cristão incluí mais do que o mero receber o que Cristo fez. A Bíblia disse: “Não sois de vós mesmos, porque fostes comprados por preço; glorificai, pois, a Deus em vosso corpo e vosso espírito aos quais são de Deus” (1Co 6.19-20). Os crentes pertencem a Cristo. Eles lhe pertencem a fim de que façam sua vontade motivados por gratidão e amor a Ele. Então Satanás mente quando sugere que uma vez que somos salvos por Cristo, não é necessário servir-lhe.

A verdade é que o que Cristo fez e continua realizando pelos crentes constitui o motivo mais forte para servir-lhe. Cristo lhes livrou do poder dominante do pecado, da ira de Deus, da amargura da morte, dos sofrimentos do inferno. Portanto, eles devem servir com alegria e com muita gratidão. Paulo disse a Tito que “Cristo Jesus entregou-se por nós, para redimir-nos de toda iniquidade e purificar para si um povo zeloso de boas obras” (Tt 2.14). O fato de que Cristo se entregou pelos crentes deve estimulá-los a serem zelosos para fazerem o bem. Esta é a razão do porque os verdadeiros crentes sempre são muito ativos no serviço de Cristo. Por outra parte, se não quiserem servir a Deus devem questionar-se se verdadeiramente são crentes. O apóstolo João escreveu: “O que disse que lhe conhece, mas não guarda seus mandamentos, este é mentiroso, e a verdade não está nele” (1Jo 2.4). Uma vez mais temos que observar o equívoco de Satanás: A pessoa salva não é negligente no serviço do seu Salvador. O verdadeiro crente deseja servir a Cristo de todo coração, custe o que custar, porque Cristo sofreu muito para salvar a cada crente.

08 setembro 2018

Remédios preciosos contra as artimanhas do Diabo - Capítulo 8

Trataremos neste capítulo com dois métodos usados pelo enganador para desabilitar e diminuir a eficácia do testemunho dos crentes.

Primeiro, Satanás tratará de promover que este mundo pareça tão atrativo para os crentes que comecem a esquecerem do propósito de Deus para as suas vidas.

Segundo, Satanás dirá aos crentes que viver a vida cristã apenas lhes trará perigos, sofrimentos e perdas. Muitos foram afetados pelo primeiro método mencionado. Por um tempo foram fiéis seguidores de Cristo, até que Satanás conseguiu que o mundo lhes resultasse mais atrativo que Cristo Jesus. Paulatinamente foram atraídos, cada vez mais, para o mundo, tornando-se frios, indiferentes e incapacitados para as coisas espirituais. Aqueles que se sentem tentados desta maneira devem se fixar nos seguintes remédios.

Primeiro, nada do que este mundo nos oferece tem poder para proteger-nos do mal, ou para garantir-nos o sumo bem. Por exemplo, todo o dinheiro do mundo não pode curar a ninguém de uma enfermidade. O poder e a fama não podem garantir a felicidade de uma pessoa. O poder, a influência e o dinheiro não podem ajudar nos tempos de necessidade espiritual. Devemos pensar muito acerca da debilidade e a impotência de todas as coisas terrenas. Porque permitirão os crentes que tais coisas lhes roubem as bençãos espirituais?

Segundo, tudo o que há neste mundo é vazio e sem valor em si mesmo. O livro de Eclesiastes começa declarando este fato: “Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho com que se afana debaixo do sol?” (Ec 1.3). A resposta é clara: a pessoa não ganha nada de valor permanente neste mundo.

Terceiro, todas as coisas nesta vida são incertas, inconstantes e sujeitas a mudança. Por exemplo as riquezas são inseguras. Paulo disse: “Aos ricos deste século manda que não sejam altivos, nem colocam a esperança na incerteza das riquezas, senão no Deus vivo” (1Tm 6.17).

Quarto, todas as coisas que parecem tão atraentes neste mundo na realidade são daninhas e perigosas para a nossa própria corrupção. O Salmo 30.6 disse: “E disse eu em minha prosperidade: Não serei jamais abalado.” Cristo disse que o engano das riquezas despreza a Palavra e a torna infrutífera. Quando os israelitas gozavam de prosperidade, se rebelavam contra Deus. Há um perigo enorme na prosperidade: o perigo de contentar-nos com o mundo presente, o perigo de aceitar o que o mundo nos oferece para mudança de nossas almas.

Quinto, todos os prazeres deste mundo estão mesclados com problemas e preocupações. Não há êxito neste mundo que esteja separado da ansiedade e a preocupação. A tristeza acompanha o prazer mundano, o perigo acompanha a segurança mundana, as perdas acompanham os valores do mundo e as lágrimas acompanham os ídolos mundanos.

Sexto, a Bíblia ensina que os crentes devem apegar-se firmemente às coisas eternas e imutáveis, em vez das coisas passageiras deste mundo. Os crentes do Antigo Testamento têm uma fé em Deus que lhes fez ansiar por uma pátria melhor, a celestial (Hb 11.16). Aqueles crentes queriam o melhor. Buscavam a vida celestial e deixaram tudo o que em outro tempo lhes parecia tão atrativo desta vida terrena. Assim, os crentes devem agir, viver mais à luz da glória vindoura e assim ter mais satisfação nesta vida, paz na hora da morte, e uma coroa de justiça quando Cristo se manifestar.

Sétimo, a verdadeira felicidade não se encontra no desfrute das coisas desta vida. A verdadeira felicidade é tão grande e gloriosa que se pode encontrar somente em Deus. Ainda que os homens desfrutem de muitas coisas no presente, sem Deus serão miseráveis para sempre. A felicidade não se encontra nas coisas que não satisfazem a alma. Somente o conhecimento de Deus pode satisfazer-nos.

Oitavo, a alma do homem possuí mais valor do que todo o mundo. Os homens foram criados para algo muito maior do que tudo o que existe neste mundo. Foram criados para conhecer a Deus, conhecer a Cristo, e gozar da presença de Deus para toda a eternidade. Os crentes não devem permitir que se desviem do serviço a Deus pelas artimanhas do diabo. Não devem crer quando lhes dizem que a felicidade neste mundo é a experiência mais importante. Satanás trata de impedir que os crentes sirvam a Cristo dizendo-lhes que a vida cristã apenas conduz a perdas, tristezas e sofrimento. Satanás trata de instigar que temam os problemas que surgirão como resultado de seguirem a Cristo. Quando Satanás tenta aos crentes deste modo, devem pensar que nenhum problema que sobrevier por seguir a Cristo lhes causará dano em forma permanente. Nada lhes poderá retirar a presença e o favor de Deus, ou perdão dos pecados, o gozo do Espírito Santo e a paz de Deus em suas consciências. Os crentes tentados desta forma devem pensar nos perigos que lhes sobrevirão nesta vida, bem como nos perigos espirituais e eternos, se não seguem a Cristo. “Como escaparemos se pouco considerarmos uma tão grande salvação?” (Hb 2.3). Os crentes sofrerão muito mais se descuidarem dos mandamentos de Deus, que devem obedecer ao que Deus lhes ordena. Sempre considerar que os crentes sofrerão mais por desobedecer aos mandamentos de Deus, do que possam sofrer obedecendo.

Além do mais, os crentes devem recordar que os problemas que lhes são enviados por Deus, são uma forma de guarda-los de maiores problemas. Frequentemente os problemas que sofreram lhes serviu como proteção para evitar perigos maiores: por exemplo, o orgulho, a frieza espiritual, a indiferença, a negligência, a amargura, o amor do mundo, etc. Outra coisa que é necessário recordar é que ao viver uma vida santa e servir a Deus, os crentes ganharão muito mais do que possam perder. O apóstolo Paulo disse a Timóteo que a piedade com contentamento é grande lucro (1Tm 6.6). Há gozo, paz e contentamento em servir a Deus, os quais não podem ser encontrados de nenhuma outra maneira. Portanto, os crentes não devem permitir que os problemas que surgem lhes impeçam de servir a Deus, ou seguir a Cristo. Uma vida piedosa tem maior valor permanente de benção que qualquer outra coisa.

04 setembro 2018

Remédios preciosos contra as artimanhas do Diabo - Capítulo 7

Neste capítulo trataremos de outras duas maneiras de como Satanás tenta aos crentes a pecarem. Satanás lhes fará fixar em outras pessoas que são piores pecadores do que eles e que, portanto, não estejam em perigo. Segundo, Satanás lhes fará pensar que o Cristianismo tem erros e que a Bíblia está equivocada nalgumas coisas. Trataremos destes dois métodos usados pelo Diabo.

Primeiro, Satanás quer que os crentes pensem como aquele fariseu que orava e dizia: “Deus te dou graças porque não sou como os demais homens, ladrões, injustos, adúlteros ...” (Lc 18.11). Esta atitude não é honesta, e é uma prova de que é um hipócrita. Os crentes devem examinar suas próprias vidas em primeiro lugar para ver que pecados existem, antes de ver os pecados de outros (Mt 7.3-4). Os crentes não devem se comparar com outras pessoas, mas devem comparar-se com a Bíblia, com as normas divinas para a sua vida. Os crentes sempre devem recordar que todos os que não se arrependem do pecado sofrerão no inferno. Os mais graves pecados receberão maior castigo do que os menores no inferno. Como ajudará aos perdidos o fato de saber que os sofrimentos de uns, serão maiores que os de outros? A triste realidade é que os castigos do inferno ainda que sejam maiores ou menores, durarão para sempre. Então, ninguém deve crer em Satanás quando diz que os seus pecados não são tão graves, nem tão graves como os de outros e que, portanto, não deve se preocupar.

Segundo, Satanás trata de persuadir aos crentes a não levar à sério o Cristianismo. Ele lhes dirá que a Bíblia está cheia de erros, que as narrativas da Bíblia servem apenas para nos dar uma ideia do que sucedeu e nada mais. Satanás lhes dirá que podem fazer o que sua própria natureza lhes indique, sem preocupar-se acerca do que a Bíblia diz do pecado. Dirá a eles que agora não estão sob nenhuma lei, senão a do Espírito e a liberdade. Estes erros e muitos outros serão usados pelo diabo para confundir, distrair e desorientar aos crentes.

A meta do diabo em tudo isto não é a de ajudar aos crentes a pensar melhor, senão é a de confundir e induzi-los que pequem. Satanás lhes sugerirá que se estão se tornando muito sábios e avançados em sua maneira de pensar, quando na realidade sua meta é induzir que caiam no pecado. O propósito de Deus é bem diferente: Deus se opõe não somente que façamos o mal, senão também a que pensemos nele. Romanos 1.28 disse: “Como eles não aprovaram ter em conta a Deus, Deus os entregou a uma mente reprovada para fazer coisas que não convém.” Muitas pessoas pensam equivocadamente e terminam fazendo coisas que não convém. Este texto nos fala do juízo de Deus que veio sobre os povos gentios da antiguidade. Creio que na atualidade Deus está castigando a muitos ao entrega-los a erros que arruinaram as suas almas.

Portanto, os crentes devem recordar que a verdade da Palavra de Deus deve ser incorporada em cada aspecto de suas vidas. Não basta receber a verdade somente na mente; é necessário amá-la e aplica-la a tudo ao que dizemos e fazemos. Somente assim poderemos pensar corretamente, tomar decisões sábias e livrar-nos dos caminhos néscios e vãos, que tanto nos fazem cair. Todo erro significará o desperdício somente perdido para os crentes. Somente os que recebem e amam a verdade em seus corações usufruirão de um são juízo e um pensamento claro. Os que resistem a verdade de Deus estão em perigo de ser entregues ao erro. “Por quanto não receberam o amor pela verdade ... por isso Deus lhes envia um poder enganoso para que creiam a mentira” (2Ts 2.10-11).

As ideias equivocadas ou errôneas que Satanás deseja que os crentes creiam, somente lhes causarão prejuízo. Paulo disse aos crentes que Deus lhes deu o fundamento verdadeiro para uma correta maneira de viver e de pensar. O fundamento é o próprio Cristo (1Co 3.11-15). Edificam ou constroem-se sobre este fundamento coisas equivocadas, ideias errôneas, ao final tudo isto será queimado. Somente a verdade de Deus durará para sempre. Quão néscio é o mau uso do tempo crendo, ou sustentando ideias errôneas apenas para encontrar que no final de tudo foi um esforço infrutífero.

Todos os ensinos que conduzem a uma vida pecaminosa devem ser rejeitados. Paulo disse que os pastores das igrejas devem ser possuidores fiéis da mensagem da verdade a fim de poderem ajudar aos que estão equivocados e convencê-los de seus erros (Tt 1.9). Deus deu a sua verdade ao seu povo, a fim de que possam ser guiados, protegidos e guardados do erro. Portanto, os crentes devem receber a verdade com mansidão. Deus concede a sua graça aos humildes, ou seja, àqueles que deixam aparte de suas próprias ideias para ser cheios da verdade divina. Quanto mais a graça de Deus enche aos crentes, menos suscetíveis serão a ser afetados por ideias errôneas e crenças falsas.

26 junho 2018

Remédios preciosos contra as artimanhas do Diabo - Capítulo 5

Por Thomas Brooks
Originalmente publicado em 1652 na Inglaterra

Outra tática do Diabo é a de dizer ao crente que pode aproximar-se do pecado sem cair nele. Ele insistirá com o crente que pode achegar-se a pessoas com vidas pecaminosas, ou que pode estar em lugares onde se cometem atos pecaminosos, sem que nada lhe aconteça. Dirá que pode conviver com os beberrões sem embriagar-se, que pode acompanhar as pessoas imorais sem participar de suas imoralidades. Dirá que pode aproximar-se da porta da prostituta, desde que não suba em sua cama, que pode olhar a beleza de Jezabel, mas não cometer pecado com ela, que pode por as suas mãos na joia de ouro de Acã sempre, mas desde não a roube. Em outras palavras, que pode acercar-se do pecado sem ser afetado por ele. Todavia, com frequência sucede que ao aproximar-se do pecado, de imediato, este o conduz a pecar.

A Bíblia adverte aos crentes a respeito dos lugares e das pessoas que lhes incentivam a pecar. O texto de 1Ts 5.22 lhes manda apartar-se de toda classe de mal. E Pv 4.14-15 diz: “Não entres pela vereda dos ímpios, não siga pelo caminho dos maus. Deixa-o, não passes por ele; afaste-se dele”. Há que evitar tudo o que não é bom, saudável e santo. Não faça nada que pareça mau, ou que tenha a aparência de pecado. Se não quiser ser queimado, deverá afastar-se do fogo. Se não quiser pecar, deverá alongar-se de qualquer coisa que lhe conduziria a pecar; se não o faz, não poderá ter vitória sobre o pecado.

A Bíblia nos fala daqueles que foram vitoriosos sobre o pecado. Se afastaram de tudo o que lhes poderia conduzir a pecar, ainda que somente fosse uma aparência. O Diabo considera como meia vitória, como quase uma conquista, o fato de que não se aparte daquilo que pode conduzi-lo a pecar. O caso de José, é uma ilustração de alguém que se afastou da tentação do pecado. Ainda que a esposa de Potifar lhe provocasse a cometer o adultério, José não a escutava, nem aceitava estar na presença dela. (Gn 39.10). Se você quer usufruir das bençãos de Deus, tem que afastar-se de tudo o que lhe conduz a pecar.

O fato de evitar a aparência do pecado é uma evidência da graça de Deus que lhe eleva acima dos homens que pertencem ao mundo. Desta maneira Abraão viveu uma vida piedosa em meio a um povo imundo. Daniel permaneceu fiel num país onde se adorava a falsos deuses. Timóteo viveu uma vida controlada pelo Espírito de Deus em meio a um povo pagão em Éfeso. Os crentes não devem escutar ao Diabo quando lhes diz que podem acercar-se do pecado, todavia, sem pecar. O ensino da Bíblia é claro acerca disto, afaste-se de qualquer coisa que lhe conduza a pecar.

Outra artimanha usada por Satanás para conduzir aos crentes ao pecado é dizer-lhes que os não arrependidos gozam de uma vida prazerosa e sem problemas. “Veja essas pessoas como pecam e estão felizes, cheias de boas coisas. Não têm preocupações. Una-se a elas e vá se divertir”. Às vezes, Deus é bondoso e abençoa nesta vida aos mesmos que estão destinados à condenação. A maneira que Deus trata uma pessoa nesta vida nem sempre indica o que Deus pensa acerca dessa pessoa. Da mesma maneira Deus, às vezes, envia coisas difíceis às pessoas que são objeto de seu amor. O sol brilha sobre os espinhos e sobre as árvores frutíferas. A boa dádiva de Deus é outorgada aos bons e aos maus. Tanto os bons como os maus gozam de boa saúde, recebem riqueza e abundância; ainda assim, sofrem indistintamente perdas e enfermidades.

o primeiro remédio contra esta tática é despertar-nos de que Deus é contra os que usam as suas bençãos como um pretexto para pecar. O desprezo de Deus é muito forte contra os que, desta maneira, abusam de sua bondade. Os crentes nunca devem pensar que a ternura de Deus lhes dá liberdade para pecar; pelo contrário, sua benignidade deveria conduzi-los para o arrependimento.

Segundo, não há miséria maior nesta vida do que a ausência da correção e a disciplina de Deus. Aqueles cujas vidas sofrem destas marcas devem se preocupar. Se Deus nunca lhes envia problemas, se suas vidas sempre foram fáceis, então estão no pior estado possível. Quando Deus não se preocupa por corrigir e provar uma pessoa, essa pessoa está perdida. Os incrédulos podem se sentir felizes porque Deus não lhes corrige, mas é falso o seu sentimento de segurança. Longe de indicar que tudo está bem com eles, indica o contrário, que tudo está mal. A prosperidade é uma piedra na qual milhões de pessoas tropeçam; tropeçaram, caíram e fraturaram a cerviz de sua alma para sempre.

Terceiro, é certo que os pecadores usufruem de boas coisas nesta vida, mas as suas “bençãos” não são nada comparadas com o que não têm. Os pecadores podem gozar do dinheiro, poder, amigos, saúde, felicidade; mas não conhecem à Deus, nem à Cristo, nem ao Espírito de Deus. Não têm a paz com Deus, nem o perdão de seus pecados. Não são filhos de Deus e não são livres do poder dominante do pecado. Não são objeto da graça de Deus e muito menos têm a esperança de irem para o céu. De que servem todas as bençãos temporais desta vida se não têm o amor de Deus, o perdão de seus pecados, a presença de Cristo e a esperança de glória eterna?

Quarto, as coisas boas desta vida nem sempre são o que aparentam ser. As coisas “boas” sempre estão mescladas com coisas más. O poder e o dinheiro trazem temores, preocupações e não tão somente a felicidade. O Sl 92.7 diz que os ímpios brotam como a erva, que floresce os que praticam a iniquidade, mas que serão destruídos eternamente. Frequentemente, Deus castigará com juízos espirituais as mesmas pessoas que sofrem menos castigos nesta vida. Por juízos espirituais quero dizer que não estão dispostos a arrepender-se, que não se preocupam com suas almas, que suas consciências estão cauterizadas, seus corações endurecidos, estão cegos em relação à verdade de Deus. Juízos semelhantes a estes são piores que todos os sofrimentos e tristezas desta vida terrena.

Quinto, um dia os homens entenderão todas as bençãos que receberam durante a sua vida terrena. “Porque a todo que muito é dado, muito será cobrado” (Lc 12.48). O que dirão estas pessoas por tantas bênçãos que Deus lhes concedeu? Deus é paciente agora, mas a sua paciência e sua bondade deveriam nos guiar ao arrependimento, de outro modo, a sua bondade se converterá num motivo de maior juízo.

22 junho 2018

Remédios preciosos contra as artimanhas do Diabo - Capítulo 4

Por Thomas Brooks
Originalmente publicado em 1652 na Inglaterra

Neste capítulo poderemos observar outro método usado pelo Diabo para induzir aos crentes que caiam no pecado. Satanás lhes diz que é fácil arrepender-se, tão simples como confessálo ao sacerdote. Tudo o que se tem que dizer é: “Senhor tenha misericórdia de mim”, e ele o perdoará. Sussurrará em seu ouvido que o arrependimento é fácil.

Esta mentira do Diabo é muito perigosa. É uma mentira que é usada para enganar a muitos e coloca-los sob o controle e domínio do pecado. O arrependimento não é algo fácil de se obter; está além das forças humanas. Para arrepender-se é necessário o mesmo poder que levantou a Cristo dos mortos, ou seja, é necessário o poder de Deus.

O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo que os servos de Deus devem ensinar a verdade com a esperança que Deus conceda arrepentimiento aos ouvintes (2Tm 2:25). O arrependimento não é fácil; o arrependimento é um dom de Deus. O profeta Jeremias perguntou: “O etíope mudará a cor de sua pele, e o leopardo as suas manchas? Assim também, podereis fazer bem, estando habituados a fazer o mal?” (Jr 13:23). As pessoas não podem transformar a si mesmas; falta-lhes o poder de Deus para que possam experimentar essa mudança. O simples fato de dizer: “Senhor tem misericórdia de mim,” não é o arrependimento verdadeiro. Os que usam esta linguagem, sem uma mudança genuína em suas vidas, estão se enganando. Muitos agora estão no inferno porque se equivocaram quanto à natureza do arrependimento.

Há três elementos essenciais no arrependimento. O primeiro elemento é uma mudança substancial; é dar as costas para o pecado e voltar-se para Deus. O arrependimento é deixar as trevas e volver-se para a luz. Isaías disse: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o iníquo os seus pensamentos, e voltem-se para Deus” (Is 55:7). O arrependimento significa dar as costas a todo pecado, inclusive ao pecado mais amado. Significa também uma mudança de atitude para com Deus e em relação a tudo o que ele manda. Quando uma pessoa se arrepende verdadeiramente, sabe que não existe nada nela que agrade a Deus, e tudo o que ela possui é o seu pecado. Isto lhe faz voltar-se a Deus suplicando ajuda e perdão. O arrependimento não é fácil. Sempre é difícil e ocasiona dor e vergonha.

O segundo elemento no arrependimento verdadeiro é uma mudança completa de vida. O arrependimento significa uma mudança na vida interior, no que pensa e no que deseja. O arrependimento significa uma mudança tão poderosa na vida, que outros podem vê-la, uma transformação em sua maneira de viver, em seus hábitos, em sua perspectiva. Em Is 1:16 diz que “Lavai e limpai-vos; tirai a iniquidade de vossas obras diante de meus olhos; deixai de fazer o mal; aprendei a fazer bem”. Isto significa uma mudança externa e interna, uma alteração completa de vida.

O terceiro elemento do arrependimento é sua continuidade ao longo de toda a vida do crente. Arrepender-se significa sempre esforçar para guardar a lei de Deus de forma mais completa. Significa aproximar-se cada vez mais de Deus, ainda que ao mesmo tempo, saibamos que não podemos deixar de considerar-nos pecadores. A vida cristã consiste de um processo contínuo de mortificação do pecado. O apóstolo Paulo, que foi usado grandemente por Deus, disse: “Miserável homem que sou! Quem me livrará deste corpo de morte?” (Rm 7:24).

O arrependimento não é próprio da natureza humana. É necessário tanto do poder de Deus para arrepender-se, como para não pecar. “Vinde e voltemos a Jehová porque ele nos abateu e curará; nos feriu e tratará. Ele nos dará a vida depois de dois dias; no terceiro dia nos ressuscitará e viveremos diante dele” (Os 6:1-2). Convença-se que Deus é quem faz todas estas coisas a favor de seu povo. Ele os sara. Ele ata as suas feridas. Ele os vivifica e restaura. O poder e o amor de Deus estão atuando no arrependimento. Sem a misericórdia e o amor de Deus atuando, não é possível ocorrer o verdadeiro arrependimento.

É comum que Satanás diga que o arrependimento é fácil. Mas após ocorrer a queda no pecado, a sua mensagem mudará, pois dirá que o arrependimento é impossível. Uma vez que a pessoa se acostuma ao pecado, o Diabo dirá que o arrependimento é a coisa mais difícil que alguém poderá obter. Ele lhe dirá que é difícil abandonar aos pecados que fazem parte de sua vida. Dirá que não haverá a possibilidade de arrependimento, porque abusou da misericórdia de Deus e desprezou as advertências divinas. Satanás lhe falará de quantas vezes caiu e quão perversos são seus pecados. Ele lhe dirá: “É impossível arrepender-se.”

Os verdadeiros crentes buscarão o arrependimento enquanto há tempo, isto é, hoje! O arrependimento nunca é fácil, mas com a ajuda e com a misericórdia de Deus, é possível desprezar ao pecado e volver-se para Deus.

21 junho 2018

Remédios preciosos contra as artimanhas do Diabo - Capítulo 3

Por Thomas Brooks
Originalmente publicado em 1652 na Inglaterra

Neste capítulo trataremos com outras duas estratégias usadas pelo diabo para fazer com que os crentes caiam em pecado. Primeiro, Satanás lhes fala que os melhores crentes da Bíblia pecaram e, portanto, os crentes também podem pecar. Em segundo lugar, Satanás lhes dirá que não se preocupem com os seus pecados, que Deus é misericordioso para perdoá-los. Então, vejamos a forma de enfrentar estas artimanhas.

Primeiro, às vezes, Satanás diz aos crentes que, como todos aqueles acerca de quem lemos na Bíblia pecaram, então, o pecado não é tão grave. Davi foi um homem que amou a Deus e, todavia, cometeu o adultério. Satanás se apoia neste assunto para dizer-nos que o adultério não é algo tão mal. Noé foi um homem que achou graça diante os olhos de Deus (Gn 6:8), entretanto, em Gn 9:21 lemos que este homem embreagou-se. Satanás dirá aos crentes que tão pouco a embriaguez é um pecado tão grave diante de Deus. O texto de Mt 16:17 nos fala que Pedro foi abençoado pelo Senhor; mas em Mt 26:74 o mesmo apóstolo amaldiçoou e negou ao nosso Senhor Jesus Cristo. Com base nisto, Satanás diz aos crentes que tais pecados não são graves de modo algum.

Satanás tem razão? David, Noé, Pedro e outros filhos de Deus pecaram gravemente contra Deus. Isto significa que os crentes não devem se preocupar com os seus pecados?

Em primeiro lugar, Satanás somente está mencionando uma parte da história. Davi pecou, mas também Davi se arrependeu. O Salmo 51 nos fala de como Davi se sentiu e o que fez após cair no pecado. “Lava-me mais e mais de minha maldad, limpa-me de meu pecado.” (Sl 51:2) Estas não são as palavras de alguém que não se preocupava com o pecado, mas de alguém que estava arrependido, que odiou o seu pecado e pediu perdão à Deus. Da mesma maneira, depois que Pedro amaldiçoou e negou ao Senhor, saiu e chorou amargamente. (Mt 26:75) Por que Pedro chorava? Chorava porque estava consciente de seu pecado e arrependido do que fez. Quando alguém pensa que pode pecar porque os crentes da Bíblia o fizeram, este deve se perguntar se é capaz de arrepender-se como eles o fizeram. A verdade é que muitos pecam da mesma forma que estes homens, mas bem poucos se arrependem como eles. Em outras palavras, ainda que os crentes bíblicos caíram ocasionalmente no pecado, na realidade eles o odiavam. Do mesmo modo, os crentes devem odiar o pecado e desejar afastar-se dele.

Em segundo, note que estes crentes não permaneceram no pecado. Pecaram em ocasiões, mas não viviam no pecado. E ainda quando pecaram, não o fizeram de todo coração. Satanás deseja que os crentes pequem incessantemente, a fim de que se acostumem ao pecado, quer que se sintam a vontade pecando. Isto é muito diferente da forma em que caíram Davi e Pedro.

É necessário recordar que Davi e os demais crentes mencionados sofriam muito a consequência de seus pecados. No Salmo 51, Davi disse que lhe foi tão doloroso como a fratura de um osso. (Sl 51:8). E Deus lhe sentenciou, como consequência de sua falta, dizendo que sempre haveria violência em sua família, e assim aconteceu.

Os pecados de Davi e Pedro estão registrados na Bíblia como uma advertência aos crentes e também para o seu auxílio. Por um lado, Deus não quer que os crentes se desesperem quando pecam, e por esta razão nos mostra que os crentes mais fortes também pecaram. E, por outro lado, Deus adverte aos crentes a não descuidarem em sua luta contra o pecado. Devemos aprender com as quedas dos outros, ou seja, suas quedas podem nos ajudar a não cairmos. Não há nenhuma garantia em nossos anos como crentes, muito menos em nossa fidelidade no passado. Há graça e perdão para os que caíram, mas também há disciplina.

Satanás, além desta tática, trata de obter que os crentes não se preocupem com o pecado, dizendo-lhes que Deus é misericordioso e que sempre os perdoará. O Diabo lhes fala que Deus é um Deus de pura graça e que está disposto a conceder misericórdia, e que sempre estará mais propenso a perdoar que a castigar ao seu povo. Vejamos a continuação de cinco remédios preciosos contra esta tática.

Primeiro, sempre é um sinal de que Deus está contra nós, quando não nos preocupamos com o pecado. Quando vemos que alguém não está preocupado com os seus pecados, podemos ter certeza de que Deus está julgando esta pessoa. É uma coisa terrível quando Deus entrega alguém aos seus próprios pecados. Deus disse, numa ocasião, em relação aos israelitas: “Os deixei, portanto, para a dureza de seu coração; caminharam em seus próprios conselhos” (Sl 81:12). Noutro momento disse: “Efraim é entregue aos ídolos; deixe-o” (Os 4:17). Este foi o juízo de Deus contra eles. Quando Deus abandona a um povo, então, ele não se preocupa com seus pecados.

Segundo, Deus é tanto misericordioso como justo, a sua misericórdia não anula a sua justiça. Satanás oculta esta verdade quando diz que Deus será sempre e somente misericordioso. Quando Adão pecou, Deus em sua justiça expulsou-o para fora do paraíso. Quando o mundo antediluviano se corrompeu, Deus em sua justiça mandou o dilúvio. A menos que os pecadores se arrependam, Deus não lhes perdoará.

Terceiro, os pecados contra a misericórdia de Deus acarretam maior juízo. Quando os homens abusam da misericórdia de Deus, então, vem seu juízo. Esta é a ordem em que Deus atua: primeiro oferece a sua misericórdia, mas se os homens a desprezam, então são julgados. Deus mostrou grande misericórdia e ternura aos israelitas, todavia, eles se afastaram e esqueceram de Deus. Jesus lhes advertiu que não ficaria pedra sobre pedra de seu templo e assim sucedeu (Mc 13:2). Jerusalém e o templo foram destruídos. Muitos judeus foram mortos e outros levados cativos. Os que abusaram da misericórdia de Deus e lhe deram as costas às suas advertências, foram objetos de sua justiça. Por mais que alguém seja abençoado, mais severo será o seu juízo se esquecer-se de Deus. Cafarnaum que foi elevada ao céu, posteriormente foi posta na parte mais baixa do inferno (Mt 11:23).

Quarto, os crentes não devem pensar que tudo está bem devido ao desfrute de algumas bençãos de Deus. Todos de alguma maneira, ou de outra, constantemente recebem benefícios da bondade de Deus. Mas a misericórdia especial de Deus é somente para aqueles que o amam e lhe obedecem. “Todos os caminhos de Jehová são misericórdia e verdade para os que guardam o seu pacto e seus testemunhos” (Sl 25:10). “Os olhos de Jehová estão sobre os que o teme, sobre os que esperam a sua misericórdia.” (Sl 33:18). “Porque como é a altura dos céus sobre a terra, engrandeceu a sua misericórdia sobre os que lhe temem.” (Sl 103:11). Você teme a Deus? Se sim, então, não desejará pecar contra a sua misericórdia.

Quinto, a misericórdia de Deus é um fortíssimo motivo para não pecar. A bondade de Deus nunca deve se converter em pretexto para pecar. A Bíblia diz que devido à misericórdia de Deus, os crentes devem se entregar completamente a ele, seu corpo, sua mente e tudo o que são, a fim de que sejam usados em seu serviço (Rm 12:1). A misericórdia de Deus deve conduzir aos crentes a amá-lo e não a pecar contra ele. Os que têm a misericórdia de Deus como um pretexto para pecar, estão seguindo uma lógica satânica. Quando esta lógica predomina no pensamento de uma pessoa, há motivos para supor que tal pessoa está em perdição. Quando uma pessoa diz que a misericórdia de Deus significa que o pecado não importa, tal pessoa demostra que não está valorizando corretamente este atributo divino. Uma compreensão correta da misericórdia divina, traz como resultado uma atração em relação à Deus e um desprezo pelo pecado.