15 setembro 2009

Línguas e profecias hoje? - algumas proposições

É possível concluir lendo os textos bíblicos que cessou o dom de línguas conforme o ensino do Novo Testamento. Pensemos nos seguintes motivos:

1. Em todas as ocorrências são idiomas ou dialétos inteligíveis que eram falados por algum grupo étnico.

2. O seu caráter sempre era homilético-revelacional ao lado do dom de profecia.

3. A natureza SOBRENATURAL do dom aponta para o fato de que os que usufruiam dele não haviam APRENDIDO, nem sido CONDICIONADOS, nem mesmo SUGESTIONADOS por comportamento ou, qualquer outro motivo artificial.

4. Como qualquer outro dom, todos têm a finalidade de edificar o CORPO e não somente o indivíduo. Na Escritura a edificação ordinariamente ocorre pelo ENTENDIMENTO inteligível da Palavra de Deus, e não pelo estímulo sensorial.

5. Dentro da Igreja de Corinto [a mais problemática do NT] haviam crentes que realmente tinham recebido o dom de línguas, e outros que imitavam por motivo de orgulho. Paulo nos capítulos 12-14 orienta os verdadeiros, ironiza o falso, e organiza a bagunça que se encontrava naquela comunidade.


CONCLUINDO:
1. Há uma diferença copérnica entre o verdadeiro dom de línguas como ocorria no NT e estas estranhas [e quase bizarras] manifestações ininteligíveis e emocionalistas que ocorrem contemporaneamente.

2. O que temos hoje, e isto pode ser verificado por qualquer lingüista, é que não existe mais o "dom de línguas" como no NT. Qualquer um pode chegar a esta conclusão mesmo sem um conhecimento técnico ou teórico de linguística. A moderna prática de "línguas" nas igrejas é a emissão de sons inarticulados, ininteligíveis, grunidos, rosnados, cacarecos, zunidos e toda sorte de sonorização que são qualquer coisa, menos que uma comunicação proposicional que é composta por pronomes, substantivos, verbos, adjetivos, sujeito e predicado e, etc.. É possível categorizar estes sons ininteligíveis de qualquer coisa menos do que uma língua.

3. Estes estranhos sons nada comunicam à alma, porque nada passa pela mente. As palavras nada mais são do que idéias vestidas de símbolos sonoros. A mente perfeita e infinitamente sábia do Espírito não produziria tão desordenada ação visando a edificação pela confusão de sons desarticulados. A Palavra de Deus comunica através de palavras humanas, produzindo no homem uma disposição divina, e isto em momento algum dispensa o uso do entendimento.

4. Em toda a história da redenção sabemos que a revelação, comunicada e inspirada pelo Espírito Santo, é normativamente chamada de PALAVRA DE DEUS. O dom de línguas no NT era um meio revelacional, de modo que, a sua manifestação se dava pela comunicação de palavras reveladas (falavam das grandesas de Deus) aos ouvintes que entendiam em sua própria língua materna. As línguas do NT não eram sons inarticulados, de modo que somente os sentimentos, ou uma forma generalizada de sensações santas eram comunicadas à percepção do indivíduo, deixando-o decifrar qual era a "intenção" do Espírito. De fato, neste dom "a Palavra de Deus" era revelada num idioma não aprendido, mas sobrenaturalmente dotado.

9 comentários:

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Olá Ewerton, tudo bem?
Achei demais o seu blog. Tornei-me seu seguidor. E coloquei um link de seu blog no meu.
Gostaria de lhe convidar a visitar o
meu blog: http://www.ecclesiareformanda.blogspot.com/
Um abraço!
Que o Senhor lhe abençoe!

Alberto M de Oliveira

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Obrigado pelas palavras pr ewerton.
Busco muito apoio, pois foi só no seminário que encontrei a doutrina da reforma e cresci do semipelagianismo para a teologia reformada. São 10 anos de crente, ouvindo lendo e estudando bobagens, e um ano e meio enfiado em Lutero, Calvino, Puritanos, e claro Agostinho.
Espero mesmo um dia ser como suas palavras disseram: um bom escritor reformado, bíblico.
Um abração.
Seu blog vai ser uma ótima fonte de pesquisa, e já adianto que devo publicar no meu alguns de seus textos, claro que com o devido crédito e fonte. Posso né?
Que o Senhor continue lhe abençoando.
Beto

Eduardo Medeiros disse...

Prezado Ewerton:

Bastante esclarecedor seu artigo. Mas se vc me permite, gostaria de expor algumas questões.

1- vc está corretíssimo em dizer que o que ocorre nos meios pentecostais em sua maioria é frenesi emocional.

2 - mas vc diz que "em todas as ocorrêcias são idiomas ou dialetos intelegíveis...". Realmente o foi em At 2. Mas em Éfeso (At 19.1-7), os doze homens citados no texto falaram em línguas e nada se diz ser língua conhecida, mesmo porque,pelo texto, não havia nenhum estrangeiro por perto que precisasse ouvir de Deus em sua própria língua.

3 - Em 1 Co 14.3-4 Paulo diz que "aquele que profetiza fala aos homens...aquele que fala em línguas edifica a si mesmo". Deixa claro que nem sempre as línguas faladas eram intelegíveis para alguém e que línguas edificava sim. A si próprio. Mais adiante diz: "Se oro em línguas, o meu espírito está em oração, mas minha inteligência nenhum fruto colhe"(14.14).

4 - Se as línguas faladas no meio pentecostal hoje parecem bizarras, também assim não foram as línguas em Atos? Houve quem sombasse dizendo que os apóstolos estavam bêbados.(At 2.13)

5 - As línguas comunicam sim ao espírito como citado acima. Pelo menos as línguas do tempo apostólico.

6 - vc diz que as línguas eram sempre para edificação de outros. Mas novamente cito 1 Co 14.4: "aquele que fala em línguas edifica a si mesmo".

7 - E as línguas de hoje? Como vc bem disse, as línguas estranhas de hoje são realmente bem estranhas. Isso sem falar que no meio pentecontal, o membro que não fala línguas é visto como de segunda categoria(pelo menos era na minha época de juventude quando fazia parte do meio pentecostal),cometendo assim o mesmo erro dos coríntios em dar muita importância a esse dom.

8 - e por fim, como já citei, fiz parte do meio pentecostal durante uns 20 anos e tive a experiência de "falar línguas"; hoje sou batista tradicional e as línguas não me fazem nenhuma falta. Mas eu acredito que o dom ainda ocorra hoje, visto que nada é dito por Paulo que esse dom seria extinto dali a tantos anos.

Fazendo uma crítica da experiência que eu tive, hoje creio que o falar em línguas acontece quando há uma expectativa no crente misturada com um profundo estado de êxtase espiritual que acaba por provocar um "curto-circuito" rss na mente consciente, e vc acaba enrolando a língua. E realmente não é nenhum tipo de linguagem articulada, são sons desconexos mesmo.

Mas acredito que o fenômeno seja o mesmo que ocorria em Coríntios, sendo bem disciplinado por Paulo que os levou a relativizar tal dom e estabelecer que o maior de todos os dons é o amor.(1 Co 13). Também é digno de citação 1 Sm 10 5-6 onde Samuel falando em nome de Deus disse a Saul que "o espírito de Iahweh virá sobre ti, e entrarás em delírio com eles e te transformarás em outro homem". É bem certo que os grandes profetas de Israel não deliravam desse jeito...rsss

Desculpe pelo tamanho do comentário Ewerton, mas queria apenas colocar essas questões e saber qual é o seu entendimento em relação a elas.

Um abraço,

Djalma de Jesus disse...

1 Co 14.4: "aquele que fala em línguas edifica a si mesmo".

Caros irmãos, entendo o texto acima, não como uma autorização para a prática de um dom com finalidade individualista, e sim uma exortação ao correto uso do mesmo. conf. vs. 14-19

Gostei muito do texto e tomei a liberdade de posta-lo no meu blog
http://presbiterianoscalvinistas.blogspot.com/2009/10/linguas-e-profecias-hoje-algumas.html
Deus os agracie!

fabio chalela disse...

Saluto
me parece mt bom tais comentarios e gostaria apenas de fazer parte acrescendo ou apenas rebendo informações.
entendo ser precipitado dizer que seja um dom em (des)uso pois á que avaliar crentes, pentecostais ou não, de carater psicologico maduro, que experimentaram tal situação e convivem com ela com extrema lucides.
ao que me parece, qdo escrevemos ou pensamos sobre o tema somos levados pela nossa mente a ter os exteriótipos de "línguas" que nos causam risos e vergonha nas igrejas pentecostais, isto sim, entendo eu, é um problema, pois ao questionarmos ou tornamos publico um pensamento é necessário 3 coisas:
1- conhecimento do tema
2- experiencia do assunto
3 teste variados do assunto.
falo isto por que vejo q teologia como ciência e como tal precisa passar por este crivo.
Carissímos peçp que juntos possamos sim, em respeito as diferenças, buscar forças em pró de um mundo melhor e se possível for por meio de uma igreja impactada de dentro pra fora para ser mais que um grupo que se comunica de forma tribal e sim de forma interpessoal e humanizada.
se falas em linguas, amém e se não falas amém porém falando ou não precisamos ao menos amar o próximo com mais proximidade.
gostei mt do blog e dos comentaristas

Saluto
até breve, enquanto o breve for nosso futuro.
Chalela

www.umbichoevoluindo.blogspot.com

Ewerton B. Tokashiki disse...

Caro Chalela

Qto ao seu critério, que creio ser útil, mas, ainda sim não abrangente, penso que posso lhe responder o seguinte:
1- conhecimento do tema [já li, reli e conhece e tenho bibliografia em português, espanhol e inglês, tanto dos clássicos como os textos mais recentes de pentecostais como cessacionistas].
2- experiencia do assunto [entre 1992 a 1995 caminhei, cri e pratiquei o pentecostalismo, todavia, hoje convictamente, alicerçado somente nas Escrituras Sagradas nela permaneço].
3 teste variados do assunto [como pastor e professor de teologia me relaciono, dialogo e pesquiso o tema cuidadosamente].

No temor do Senhor,
Pr Ewerton

prcleilson disse...

Concordo com o irmão Eduardo Medeiros. Sou calvinista e pentecostal. Entretanto, o frenesi existe, embora não concorde com ele e na nossa igreja combatemos o mau uso desse dom (e outros revelacionais). Ensinamos o uso de cada dom debaixo da autoridade bíblica, nunca acima dela.

Alexandre Unruh disse...

Também concordo com o Irmão Eduardo Medeiros

Existe uma pentecostalismofobia desenfreada nos meios reformados que insiste em generalizar esse "frenesi emocional" e transformá-lo em regra entre os pentecostais.

Seus comentários foram absolutamente perfeitos. Alguns textos deveriam ser mais cuidadosos ao tratar desse tema delicado.

Algumas citações deliberam claramente a opinião do autor de que os pentecostais que falam em linguas estranhas são todos mentirosos e fingem as manifestações, ou mesmo que, estão sendo manipulados por forças "ocultas" que não são "de cima".

Mas é engraçado como a teologia, a lógica e a razao realmente sucumbem diante de uma experiência dessas propositalmente. Já presenciei muitos casos assim.

Muito enriquecedor esse blog. Já estou seguindo, um grande abraço.

dra. Angelica Mansano disse...

prcleison
o que é ser "calvinista e pentecostal"?
abraços, angelica.