01 agosto 2010

WILHELMUS À BRAKEL (1635-1711) - Série biografia 2

Escrito por Joel R. Beeke

Wilhelmus à Brakel[1] (um contemporâneo de eminentes teólogos da Segunda Reforma Holandesa, tais como Witsius, Voetius, Van Lodenstein, Koelman e Hellenbroek) nasceu em 2 de Janeiro de 1635, em Leeuwarden, nos Países Baixos. Ele foi o único filho de Dirck Gerrits van Brakel, posteriormente conhecido como Theodorus à Brakel.

Wilhelmus teve o inestimável privilégio de ser educado por dois pais mui piedosos, que foram gratos ao testemunhar que o seu filho temeu ao Senhor desde o início de seus dias. O seu pai foi um renomado ministro na província de Friesland, e um homem de extraordinária piedade. Os seus pais lutaram em oração para que o seu filho pudesse ser usado pelo Senhor como um poderoso instrumento em Seu serviço. E agradou ao Senhor responder as suas orações além da expectativa.[2]

à Brakel estudou teologia em Franeker e em Utrecht, e foi particularmente influenciado por seu mentor, Gisbertus Voetius. Com a idade de vinte e quatro anos ele foi ordenado um ministro do evangelho. Os seus sermões eram Cristocêntricos, ricos em conteúdo evangélico, experimentais e direcionados àqueles que estavam presentes.

à Brakel serviu quatro congregações em sua província nativa da Friesland: Exmorra (1662-1665), Stavoren (1665-1670), Harlingen (1670-1673) e em sua terra natal, a capital da Friesland, Leeuwarden (1673-1683). O jovem ministro começou o seu ministério em Exmorra - uma díficil congregação - com grande zelo. Um contemporâneo disse-lhe que ele deveria sepultar a si do mesmo modo como estava aquele vilarejo. O seu diligente esforço em Friesland foi ricamente abençoado pelo Senhor. O Espírito Santo evidenciou fluir a Si mesmo pela fiel pregação do evangelho do Senhor Jesus Cristo.

Todavia, o seu período em Friesland provou ser uma preparação para uma tarefa ainda maior que o Senhor tinha preparado para ele em Rotterdam - o seu final e mais longo pastorado (1683-1711). Durante este pastorado ele envolveu-se numa longa e frutífera batalha contra os Labadistas, empenhando-se por uma igreja pura aqui sobre a terra, corajosamente resistindo a tentativa do governo de intrometer-se nos negócios da igreja, e escreveu a sua magnum opus The Christians Reasonable Service - o maduro fruto de seu labor ministerial.

Após um frutífero ministério de quarenta e nove anos, agradou o Senhor receber o seu eminente teólogo - afetuosamente referido pelos piedosos como "o Pai Brakel" - tomando-o para Si em 1711, com a idade de setenta e seis anos, para receber a recompensa de um servo fiel.

Notas:
[1] Embora também seja um resumo, a biografia de à Brakel pode ser lida em Joel R. Beek & Randall J. Pederson, MEET the PURITANS (Reformation Heritage Books, 2006), págs. 745-752. Nota do tradutor.
[2] A providência de Deus o preparou para servir no ministério pastoral. Sabe-se que ele "nasceu em 2 de Janeiro de 1635, em Leeuwarden, sendo único filho de Margaretha Homma e Theodorus à Brakel, um pastor reformado de extraordinária piedade que tornou-se conhecido por seu De Trappen des Geestelycken Levens [Os Passos da Graça na Vida Espiritual]. Wilhelmus e suas cinco irmãs foram educados num lar caracterizado pelo temor de Deus. Wilhelmus foi convertido ainda garoto, provavelmente sob a pregação de seu pai e as orações e exortações de sua mãe. Ele freqüentou a Escola de Latim em Leeuwarden, e então entrou na Academia de Franeker com a idade de dezenove anos, em 1654. Ao completar os seus estudos em 1659, o presbitério de Leeuwarden o admitiu no ministério pastoral. Devido a necessidade de vagas naquele período, à Brakel continuou o seu treinamento teológico por mais alguns anos em Utrecht sob a orientação de Gisbertus Voetius e Andreas Essenius" in: J.R. Beek & R.J. Pederson, MEET the PURITANS, pág. 745. Nota do tradutor.

Extraído de Wilhelmus à Brakel, The Christian's Reasonable Service (Gran Rapids, Reformation Heritage Book, 1999), vol. 1, nota da sobrecapa.

Tradução livre: Rev. Ewerton B. Tokashiki

5 comentários:

Silas Roberto Nogueira disse...

Muito boa a sua iniciativa de fazer conhecida a vida e a obra desses grandes homens de Deus. Depois de à Brakel, li Lloyd-Jones. Muito edificante! Prossiga!

Pr. Silas R. Nogueira

Anônimo disse...

Parabéns pelo site, é muito bom conhecer alguns teólogos de linha conservadora. Depois de quatro anos de "esterilidade" estudando teólogos liberais como Friedrich Schleiermacher,Rudolf Bultman, Paul Tillich, neo-ortodoxos como Wolfhart Pannenberg e Karl Barth, teólogos da libertação como Gustavo Gutiérrez, Leonardo Boff, Clodovis Boff, Rubem Alves, é muito gratificante rever a teologia evangélica, sobretudo a teologia reformada. É uma pena que em muitas faculdades e seminários teológicos hoje em dia, não há mais espaço para a teologia reformada. Muitos colegas meus nunca ouviram falar em Louis Berkhoff,Charles Hodge, e pasme, ou mesmo Lloyd-Jones. Para muitos, esses autores são "fundamentalistas", radicais e insensíveis. É uma pena!
No mais, quanto amim, prefiro voltar a teologia reformada e evangélica. A teologia liberal não é teologia, é uma filosofia. Não tem nada com o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Abraços!
Ivan Fraga

Gunnar Vingren Lima Ferreira disse...

Pastor o senhor sabe wilhelmus à brakel foi um defensor da salmodia exclusiva?
há algo que posso ler sobre ele neste sentido?

Ewerton B. Tokashiki disse...

Querido Gunnar

Certamente que à Brakel nas congregações que ele pastoreou usasse o cânticos dos Salmos. Todavia, não encontrei nada que indique o uso exclusivo dos Salmos na liturgia. Parece-me que esta discussão se deu nem tanto na Holanda ou Bélgica, mas entre os puritanos no Reino Unido. A influência de se cantar os Salmos inicia com o próprio Calvino, no entanto, sabemos que nem ele adotava a Psalmodia Exclusiva.

Ricardo disse...

Obrigado pastor, muito edificante e maravilhoso é conhecer as nossas origens. Ainda mais quando se trata deste período "dourado" da história da igreja. Que o Senhor te abençoe e de graça para continuar este projeto maravilhoso.