Este esboço foi preparado para facilitar a pesquisa e esclarecer a dúvida numa seqüência simples e lógica de proposições.
A DOUTRINA DA ESCRITURA SAGRADA
1. É a Palavra de Deus
2. É a especial revelação de Deus
3. É uma revelação histórico-progressiva
4. É cessada a transmissão desta revelação especial em outros modos
5. É inspirada verbal, plenária e organicamente pelo Espírito Santo
6. É dada através de homens escolhidos e capacitados
7. É inerrante em cada uma das suas declarações
8. É claramente inteligível a todos
9. É iluminada pelo Espírito para o nosso entendimento espiritual
10. É completo o seu conteúdo
11. É suficiente para a nossa salvação
12. É pública, ou seja, todos têm direito ao livre exame
13. É necessário traduzi-la em língua vernáculo
14. É autoridade final em toda discussão e resolução
15. É a nossa única fonte e regra de fé e prática
A DOUTRINA DE DEUS
1. É um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo
2. É perfeito, imutável, independente, infinito, eterno
3. É pessoal em toda relação com a sua criação
4. É santo, bondoso, sábio, justo, verdadeiro em seu Ser
5. É possível conhecê-lo suficientemente
6. É impossível compreendê-lo exaustivamente
7. É criador de todas as coisas em seu estado de perfeição
8. É providente em todas as suas obras
9. É seu o completo controle de cada detalhe e tudo o que acontece no universo
10. É absolutamente soberano sobre tudo e todos
11. É verdadeiro galardoador daqueles que o buscam
A DOUTRINA DO HOMEM
1. É criado à imagem de Deus
2. É constituído corpo e alma
3. É ordenado formar uma família: homem e mulher
4. É decaído em pecado
5. É escravo do pecado e perdeu o seu livre-arbítrio
6. É imputado o seu pecado sobre toda a sua descendência
7. É sofredor das conseqüências do seu pecado
8. É incapaz de se salvar, ou de preparar-se para isso
9. É maldito e condenado por causa do seu pecado
10. É uma única família em várias raças
11. É ordenado viver os mandatos social, cultural e espiritual
A DOUTRINA DA PESSOA E OBRA DE CRISTO
1. É Deus-homem
2. É verdadeiro Deus em todos os seus atributos
3. É verdadeiro homem em toda a sua constituição
4. É o revelador do Pai e da sua vontade eterna
5. É encarnado da virgem Maria por obra sobrenatural do Espírito
6. É impecável, todavia, pode realmente ser tentado
7. É nosso único representante diante de Deus
8. É nosso Mediador na nova Aliança
9. É o prometido Profeta que nos traz a Palavra do Pai
10. É o perfeito Sacerdote que intercede por nós
11. É o soberano Rei que inaugura o Reino de Deus sobre nós
12. É nosso suficiente, satisfatório e definitivo sacrifício diante do Pai
13. É limitada a expiação em seu propósito de salvar somente os eleitos
14. É intercessor eficaz à destra do Pai
15. É seu cada dom concedido pelo Espírito Santo aos salvos
16. É gracioso doador dos seus méritos ao seu povo
17. É a nossa justiça, santidade e sabedoria
18. É Senhor sobre tudo o que existe
19. É esperado o seu retorno físico num futuro não revelado
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO
1. É planejada na eternidade
2. É garantida pela graciosa e livre eleição de Deus
3. É fundamentada na obra expiatória de Cristo
4. É exercida na Aliança com o Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo
5. É aplicada em nós pelo Espírito Santo
6. É iniciada em nós na regeneração
7. É proclamada pelo chamado universal do evangelho
8. É evidenciada pela fé e arrependimento
9. É declarada na justificação
10. É familiarizada na adoção
11. É comprovada pela santificação
12. É continuada até o fim pela preservação na poderosa graça
13. É consumada na glorificação, após o juízo final
A DOUTRINA DO ESPIRITO SANTO
1. É verdadeiro Deus em todos os seus atributos
2. É a terceira Pessoa da Trindade
3. É o consolador prometido procedente do Pai e do Filho
4. É quem inspirou a toda a Escritura Sagrada
5. É quem nos batiza no Corpo de Cristo
6. É o regenerador e vivificador dos eleitos de Deus
7. É quem nos ilumina para o correto entendimento da Palavra de Deus
8. É testemunha da obra de Cristo em nosso favor
9. É aquele que internaliza em nós a obra da salvação
10. É quem nos convence do pecado, da justiça e do juízo
11. É quem testifica em nosso coração a filiação de Deus
12. É o penhor e selo da nossa salvação
13. É quem frutifica as virtudes de Cristo para a santificação
14. É o comunicador dos dons de Cristo
15. É agente que torna real a nossa comunhão com toda a Igreja de Cristo
A DOUTRINA DA IGREJA
1. É o glorioso corpo de Cristo
2. É composta de todos os eleitos de Deus
3. É visível pela confissão pública de fé em Cristo
4. É una, santa e universal
5. É pura pela fiel pregação da Palavra de Deus
6. É confirmada pura pelo correto exercício dos Sacramentos
7. É selado na Aliança pelo batismo o crente e a sua descendência
8. É na Ceia do Senhor celebrada a comunhão da presença espiritual de Cristo
9. É purificada pela justa e amorosa aplicação da Disciplina
10. É testemunha da glória de Deus
11. É comunicadora do evangelho da salvação em Cristo Jesus
12. É educadora em treinar discípulos para servir inteligentemente
16. É um instrumento de influência para preservar e transformar a sociedade
13. É serva num mundo corrompido pelo pecado
14. É adoradora do soberano Deus Trino
15. É governada pela pluralidade de presbíteros numa igreja local
16. É cooperadora em toda obra do Reino de Deus
A DOUTRINA DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS
1. É inaugurado, mas não consumado (já-ainda-não) o Reino de Deus
2. É pessoal na sua realização
3. É universal em sua extensão
4. É esperado o retorno físico de Cristo Jesus
5. É verdadeira a promessa da ressurreição final
6. É absolutamente certa a vitória sobre o mal e seus agentes
7. É inevitável o julgamento de todos os homens
8. É real o lugar de punição eterna que os condenados sofrerão
9. É ansiada a restauração de toda a criação
10. É a consumação final de toda obra da providência
11. É gracioso o galardão que os salvos receberão
12. É eterna a habitação de Deus com o seu povo escolhido
Revisado em 16 de Fevereiro de 2012.
O labor teológico de quem se preocupa em oferecer a sistematização e aplicabilidade das Escrituras para a proclamação do Reino de Deus
16 fevereiro 2012
15 fevereiro 2012
A crítica da forma – o método de Bultmann
Escrito por Harvie M. Conn
No mesmo ano[1] em que Karl Barth publicou o seu comentário aos Romanos, também apareceram dois livros também na área dos temas neotestamentários que anunciavam uma nova mudança nos estudos críticos. Um dos livros era Die Formgeschichte des Evangeliums[2] saído da pluma de Martin Dibelius (1883-1947), que deu origem ao nome Crítica da Forma. O outro livro era de Karl L. Schmidt com o título de Der Rahmen der Geschichte Jesu[3] (1919) de onde veio o golpe de misericórdia dos círculos liberais contra a confiabilidade do que até esse movimento havia comumente aceito como o marco histórico do Evangelho de Marcos.
Além destes dois homens, o cerne desta nova mudança nos estudos do Novo Testamento veio associar-se com o nome de um homem. O homem era Rudolf Bultmann (1884), e o livro que transformou estes estudos foi History of the Synoptic Tradition (1921). A influência de Bultmann expandiu-se mais do que a de Dibelius. Em especial o que se adotou tão amplamente quanto a sua mensagem (e às vezes, mais do que ela) foi o método de Bultmann. Assim, muitos como Oscar Cullmann e Joachim Jeremias, ainda que tenham criticado as conclusões dos estudos de Bultmann, chegam as suas próprias conclusões por meio de uma adaptação dos métodos dos quais Bultmann foi pioneiro. Entretanto, na Inglaterra e nos Estados Unidos, os especialistas, ainda que “cautelosos quanto a disciplina que se associou de forma quase exclusiva com o nome de Bultmann” ainda sim subtraem as limitações da crítica da forma como tal, contudo, chegam “lenta e cautelosamente a aceitar o pressuposto básico da crítica da forma.”[4]
Esta aceitação não se limitou ao mundo ocidental. No Japão estão concedendo renovada atenção ao método de Bultmann. Um jovem professor de teologia deste país, comentou recentemente que “uma das contribuições de Bultmann é que criticou o conteúdo do Novo Testamento. E provavelmente não mais aceitamos o que declara o Novo Testamento somente por o diz. Vamos refletir de forma crítica acerca do que o Novo Testamento diz e se é historicamente verdadeiro, ou falso.”[5] Na Coréia do Sul durante os últimos dez anos aumentou a influência das técnicas de Bultmann.[6] A metodologia da crítica da forma foi acolhida com entusiasmo e é utilizada com distinta intensidade por estudiosos do Novo Testamento, tais como o Dr. Chun Kyung-yun do Seminário Teológico Hankuk e, mais recentemente, o professor Pak Chang-kwan do Seminário Teológico Presbiteriano de Seoul.
1. O pressuposto da crítica da forma é que não se pode confiar na Bíblia como relato fidedigno da vida e ensino de Cristo e dos apóstolos. Nas palavras de um cultivado contemporâneo da crítica da forma se lê que “o labor do crítico da forma é mostrar que a mensagem de Jesus, tal como chegou-nos nos Sinóticos, não é em grande parte autêntico, senão que recebeu o retoque da fé da comunidade cristã primitiva em suas várias etapas.” Para Bultmann a Bíblia não é a Palavra inspirada por Deus em nenhum sentido objetivo. Se bem que Deus fala aos homens por meio da Bíblia “objetivamente a Bíblia é um produto das antigas influências históricas e religiosas e deve ser avaliada exatamente como qualquer outra obra literária religiosa antiga.”[7]
2. A premissa fundamental da crítica da forma é que os Evangelhos são primordialmente produtos do labor compilador da igreja primitiva. Os autores dos Evangelhos trataram de unir várias tradições orais independentes e contraditórias que existiam na igreja antes mesmo que se escrevesse o Novo Testamento. Estas tradições orais também são por si mesmas totalmente dignas de confiança. Consistiam basicamente em ditos e relatos individuais referentes a Jesus e a seus apóstolos. A igreja os utilizou e juntou-os em forma narrativa, inventando lugares, tempos, e enlaces para unir as tradições independentes. Frases como as dos Evangelhos, “em um barco”, “imediatamente”, “no dia seguinte”, “numa viagem” – não são mais do que meros recursos literários que utilizaram os compiladores dos Evangelhos para unir todos os ditos e histórias independentes acerca de Jesus. Como K. L. Schmidt, um dos pioneiros deste método, declarou que “não possuímos a história de Jesus, temos apenas histórias acerca de Jesus.”[8]
3. O propósito do método da crítica da forma é analisar a história da tradição oral subjacente nos Evangelhos escritos. Os Evangelhos servem somente como matéria prima de nosso estudo para achar “o evangelho prévio aos evangelhos.”[9] Como a premissa é que a igreja primitiva organizou de forma artificial, de acordo com os seus próprios propósitos apologéticos e evangelísticos, os materiais dos Evangelhos num relato harmônico, o crítico da forma deve destruir essa harmonia artificial, tratar de descobrir as formas originais da tradição oral incorporada nos escritos, e em seguida reconstruir a tradição mais antiga, ou que melhor que seja possível.[10]
4. O primeiro passo para esta técnica é admitir que qualquer indicação que se encontre nos Evangelhos quanto à seqüência, tempo, lugar, etc., nem mesmo a história é confiável. Devemos recordar o marco da história para encontrar a estrutura do começo, as narrativas e ensinos separados que a igreja primitiva reuniu artificialmente.
5. Feito isto, as passagens específicas são classificadas em grupos como relatos de milagres, declarações controvertidas, aforismos e profecias. Cada um destes grupos tem uma forma fixa. Assim, pois, se ao encontrar certa tradição específica, mais ou menos semelhante a esta forma fixa, pode-se julgar se ela pertence a uma tradição primária ou secundária, a uma fonte inicial ou tardia, a uma tradição mais, ou menos confiável. Como um autor descreveu que “a crítica da forma determina a idade das histórias e ditos dos evangelhos examinando a sua forma da mesma maneira que um criador de cavalos sabe a idade do animal examinando os dentes.”[11] Quanto mais antigo for o relato, tanto mais confiável ele o é enquanto fonte histórica.
6. Os resultados desta classe de metodologia são sumamente cépticos, para dizê-lo com moderação. Para Bultmann o resíduo histórico se encontra acima de tudo nos ensinos de Jesus, não no relato de seus atos, e ainda menos no retrato de sua pessoa. Não há dúvidas de que Jesus viveu e muito realizou das obras que lhe são atribuídas na tradição estudada. Mas ele se mostra céptico quanto a todas as demais coisas. Bultmann escreve que “creio realmente que agora não podemos saber quase nada acerca da vida e personalidade de Jesus, sendo que as fontes cristãs primitivas não se interessam por isto e, além do mais, são fragmentárias e legendárias; e, não existem outras fontes acerca de Jesus.”[12]
Para o cristão ortodoxo há pontos de contato formais entre si e alguns dos pensamentos básicos de Bultmann. (1) A crítica da forma recorda-nos que o evangelho de fato conservou-se durante uma geração em forma oral, antes de adquirir forma escrita no Novo Testamento. (2) A crítica da forma também nos lembra que os Evangelhos não são relatos “neutros, imparciais”, mas testemunhas da fé do que creram os cristãos. (3) A crítica da forma não acertou ao descobrir um Jesus não sobrenatural. Todos os documentos do Novo Testamento, não importando a forma em que a crítica da forma os classifique, seguem refletindo a um Jesus sobrenatural, o Filho de Deus. (4) A crítica da forma nos recorda a índole ocasional dos Evangelhos. Foram escritos com uma ideia da ocasião e situação históricas específicas – Mateus para os judeus, Marcos e Lucas para os gentios. E como tais, expressam uma preocupação pela situação vital em que foram escritos e pela que se preocupavam. (5) A crítica da forma nos recorda que os Evangelhos não se interessam por detalhes geográficos ou cronológicos como a comunidade ortodoxa pensou anteriormente.
Mas todos estes pontos de contato com as ideias cristãs ortodoxas do evangelho resultam em última instância superficiais. Como Barth, o método de Bultmann é básico e essencialmente injusto com a natureza do Novo Testamento.
1. Se bem que é verdade que os Evangelhos nem sempre ofereceram uma narrativa contínua, mas isto não significa dizer, como argumenta a crítica da forma, que não exista um esquema histórico confiável sobre a vida de Cristo. Dentro dos limites de um esquema histórico amplo, cada evangelista distribuiu o seu material de acordo com os seus propósitos. É uma débil crítica a que exige dos escritores dos Evangelhos o que não pretenderam fazer. E resulta pobre a crítica que insiste que o empenho deles não é nem histórico, nem confiável. O prólogo de Lucas (Lc 1:1-4) é um claro indício da preocupação dos escritores dos Evangelhos por basear o seu relato na história. Os Evangelhos continuam sendo boas novas.[13]
2. A crítica da forma mostra-se injusta com os escritores dos relatos evangélicos. Reduz Mateus, Marcos e Lucas a meros compiladores de documentos e, aos Evangelhos a relatos que se contradizem. Tudo isto viola injustamente a unidade do relato evangélico. Os Evangelhos possuem uma unidade básica como testemunhos confiáveis de Cristo. Na realidade os diferentes Evangelhos não apresentam versões divergentes da vida de Jesus. Pelo contrário, cada Evangelho é uma testemunha de certos aspectos do único marco histórico da vida de Cristo que não foi completamente conservado. A crítica da forma não reconhece a diversidade da transmissão oral dentro da unidade dos relatos evangélicos.[14]
3. A crítica da forma separa o Cristianismo de Cristo. A grande premissa deste método de estudo é que a comunidade cristã, e não Cristo, exerceu o papel criador mais importante na produção dos Evangelhos. Todavia, a mensagem do Novo Testamento concentra-se, não na comunidade, mas em Cristo (2 Co 4:5). A igreja, do mesmo que Paulo e seus companheiros apóstolos, ela foi testemunha, e não uma criadora (1 Co 4:1-2). A sua maior responsabilidade não foi a criação de novas tradições, e sim a preservação e proclamação das antigas.
4. A crítica da forma separa o Cristianismo dos apóstolos como custódios da precisa tradição a respeito de Jesus dentro da igreja primitiva. Os apóstolos eram uma fonte autorizada de informação acerca dos atos e doutrinas do Cristianismo e de Cristo. Em Atos 1:21-22 menciona este controle estratégico que os apóstolos exerciam sobre a difusão do evangelho nestes anos de transmissão oral. A sua presença tinha como finalidade impedir que ocorresse precisamente a situação que descreve a crítica da forma. Os apóstolos eram a garantia de Deus da continuidade e integridade da histórica fé cristã.
5. A crítica da forma parece esquecer o pequeno lapso temporal que separa os atos históricos dos documentos escritos. O Evangelho de Marcos foi escrito na década de 60, senão em 50. Paulo recebeu o seu relato da tradição em meados da década de 30 (Gl 1:18). Muitos dos apóstolos e testemunhas oculares de Jesus viveram durante todo o período em que foram escritos os Evangelhos. Onde está o tempo necessário para recolher, criar e circular as “sagas” e “mitos” desta comunidade? Os sucessos da vida de Jesus não estiveram ocultos ao povo (At 26:26). O povo foi testemunha tanto da sua defesa, como do ataque ao Cristianismo. O evangelho surgiu em meio de uma história bem documentada. A crítica da forma não pode explicar tudo isto.
NOTAS:
[1] Em 1919. Nota do tradutor.
[2] Tradução: A narrativa da forma dos Evangelhos. Nota do tradutor.
[3] Tradução: O contexto da narrativa de Jesus. Nota do tradutor.
[4] E.V. McKnight, What is Form Criticism (Philadelphia, Fortress Press, 1969), p. 56.
[5] Yoshio Noro, “Transcendence and Immanence in Contemporary Theology: A Report Article”, Northeast Asia Journal of Theology (Sept. 1969), p. 64.
[6] Kan Há-bae, “The New Quest for the Historical Jesus” – Themelios VI, 2, p. 36.
[7] Este pressuposto é minunciosamente analisado por Herman Ridderbos em seu livro Bultmann (Philadelphia, Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1950), pp. 10-14.
[8] K. L. Schmidt, Der Rahmen der Geschichte Jesu (Berlin, Trowizsh, 1919), p. 317.
[9] Título de uma das primeiras obras produzidas por um crítico da forma norte americano, B.S. Easton, que trata da técnica (New York, Scribners, 1923).
[10] McKnight, op.cit., pp. 17ss
[11] Comparar com Kan Há-bae, “The New Quest for the Historical Jesus” – Themelios VI, 2, pp. 25-40.
[12] Rudolf Bultmann, Jesus and the Word (New York, Scribners, 1958), p. 8.
[13] B. Van Elderen, “The Teaching of Jesus and the Gospel Records” in Carl F.H. Henry, ed., Jesus of Nazareth: Saviour and Lord (Grand Rapids, Eerdmans Publishing Co., 1966), pp. 111-119.
[14] Ned B. Stonehouse, Paul Before the Areopagus (Grand Rapids, Eerdmans Publishing Co., 1957), pp. 123ss
Extraído de Harvie M. Conn, Teología Contemporánea en el Mundo (Grand Rapids, Libros Desafío, 1992), pp. 32-37.
Tradução e notas por Rev. Ewerton B. Tokashiki
15 de Fevereiro de 2012.
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14 fevereiro 2012
UMA BREVE E SIMPLES DECLARAÇÃO DA FÉ REFORMADA
Escrito por Benjamin B. Warfield (1851-1921)
1. Creio que meu único propósito tanto na vida como na morte deve ser glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre; e que Deus me ensina como glorificá-lo em sua santa Palavra, ou seja, a Bíblia, a qual ele deu por inspiração infalível de seu Espírito Santo a fim de que eu possa conhecer o que devo crer acerca dele e, os deveres que ele requer de mim.
2. Creio que Deus é Espírito, infinito, eterno e incomparável em tudo o que ele é; único Deus, mas em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, meu Criador, meu Redentor e meu Santificador; em cujo poder e sabedoria, justiça, bondade e verdade com segurança eu posso por a minha confiança.
3. Creio que os céus e a terra, e tudo o que neles há, são obra das mãos de Deus; e que tudo o que ele fez também dirige e governa em todas as suas ações; de tal maneira que elas cumprem o fim para o qual foram criadas, e que confio nele não serei envergonhado, pelo contrário, poderei com segurança descansar na proteção de seu todo-poderoso amor.
4. Creio que Deus criou o homem a sua imagem, em conhecimento, justiça e santidade, e entrou num pacto de vida com ele sobre a única condição de obediência como dever do homem; de modo que ao pecar deliberadamente contra Deus esse homem caiu em pecado e miséria, no qual eu nasci.
5. Creio que estando caído em Adão, o meu primeiro pai, sou por natureza um filho de ira, sob a condenação de Deus e estou corrompido no corpo e alma, inclinado ao mal e merecedor da morte eterna; e deste espantoso estado não posso ser salvo, senão, através da graça imerecida de Deus, o meu Salvador.
6. Creio que Deus não deixou o mundo perecer em seu pecado, senão por um grande amor com que amou, desde toda a eternidade, graciosamente escolheu para si uma multidão que nenhum homem é capaz de contar, para libertá-los de seus pecados e misérias, e destes [eleitos] edificar novamente no mundo o seu reino de justiça: cujo reino eu posso estar certo que terei parte, se confiar em Cristo o Senhor.
7. Creio que Deus redimiu um povo para si através de Jesus Cristo, o nosso Senhor; assim, ele que foi e para sempre será o eterno Filho de Deus, entretanto, nasceu de uma mulher, nascido sob a lei, para que redimisse aos que estão sob a lei: creio que ele levou a penalidade devida pelos meus pecados, em seu próprio corpo sobre o madeiro, e cumpriu em sua própria pessoa a obediência que eu deveria à justiça de Deus, e agora me apresenta a seu Pai como sua possessão adquirida, para o louvor da glória de sua graça para sempre; na qual renuncio a todos os meus méritos, colocando toda a minha confiança somente no sangue e justiça de Cristo Jesus, o meu redentor.
8. Creio que Jesus Cristo, meu redentor, que morreu por minhas ofensas ressuscitou para a minha justificação, e ascendeu aos céus, onde está assentado à destra de Pai Todo-poderoso, intercedendo continuamente pelo seu povo, e governando todo o mundo como a cabeça sobre todas as coisas para a sua Igreja; de modo que, não necessito temer nenhum mal e posso com segurança saber que nada pode me arrebatar das suas mãos e nada pode me separar de seu amor.
9. Creio que a redenção obtida pelo Senhor Jesus Cristo é eficazmente aplicada a todo o seu povo pelo Espírito Santo, que em mim opera a fé em mim, e desse modo me une a Cristo, renovando-me à inteira imagem de Deus, e me capacita mais e mais mortificando para o pecado e vivificando para a justiça; assim, quando esta graciosa obra for completada em mim, serei recebido em glória; em cuja grande esperança permaneço, tendo sempre que lutar pela perfeita santidade no temor de Deus.
10. Creio que Deus requer de mim, sob o evangelho, antes de tudo, que por uma verdadeira percepção do meu pecado e miséria e uma compreensão de sua misericórdia em Cristo, devo separar-me com dor e ódio do pecado e, receber e descansar somente em Jesus Cristo para salvação; de tal maneira, que unido com ele, eu possa receber o perdão por todos os meus pecados e ser aceito como justo ante os olhos de Deus somente pela justiça de Cristo imputada a mim e recebida pela fé somente: e unicamente desta maneira e nada mais, eu creio que sou recebido dentro do número e tenho o direito a todos os privilégios dos filhos de Deus.
11. Creio que, sendo perdoado e aceito em nome de Cristo, se requer de mim também que caminhe no Espírito que ele adquiriu para mim, e por quem o amor é derramado amplamente em meu coração; cumprindo a obediência que devo a Cristo o meu Rei; fielmente cumprindo todos os deveres postos sobre mim pela santa lei de Deus, meu Pai celestial; e sempre refletindo em minha vida e conduta, o exemplo perfeito que foi estabelecido para mim, por Jesus Cristo meu Líder, aquele por mim morreu e me concedeu o seu Santo Espírito, para que eu possa fazer as boas obras que Deus preparou de antemão para que andasse nelas.
12. Creio que Deus estabeleceu a sua Igreja no mundo e a dotou com o ministério da Palavra e as santas ordenanças do Batismo, a Ceia do Senhor e a Oração; a fim que através destes meios, as riquezas da sua graça no evangelho se tornassem conhecidas no mundo, e, pela benção de Cristo e a obra de seu Espírito neles, pela fé as recebem, e os benefícios da redenção sejam comunicados ao seu povo; pelo qual também se requer de mim que atenda a estes meios de graça com diligência, preparação e oração, de tal maneira, que através deles, eu seja instruído e fortalecido na fé, na santidade de vida e no amor; e que eu use de meus melhores esforços para levar este evangelho e comunicar estes meios de graça a todo o mundo.
13. Creio que assim como Jesus Cristo veio uma vez em graça, assim também virá pela segunda vez em glória, para julgar ao mundo em justiça e conceder a cada um a sua recompensa eterna; e creio que se eu morri em Cristo, minha alma será na morte aperfeiçoada em santidade e irá para o lar com o Senhor; e quando ele retornar em sua majestade, serei ressuscitado em glória e perfeitamente abençoado na plena satisfação de Deus por toda a eternidade; consolado por tal bendita esperança se requer de mim, que voluntariamente sofra as privações aqui como bom soldado de Cristo Jesus, sendo assegurado que se eu morrer com ele também viverei com ele, se permanecer, também reinarei com ele.
E a ele, o meu Redentor, junto com o Pai, e o Espírito Santo, Três Pessoas, único Deus, seja a glória para sempre, até o fim do mundo, Amém e Amém.
Extraído de John E. Meeter, ed., Benjamin B. Warfield – selected shorter writings (Phillipsburg, P&R Publishing, 2001), vol. 1, pp. 407-410.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
13 de Fevereiro de 2012.
1. Creio que meu único propósito tanto na vida como na morte deve ser glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre; e que Deus me ensina como glorificá-lo em sua santa Palavra, ou seja, a Bíblia, a qual ele deu por inspiração infalível de seu Espírito Santo a fim de que eu possa conhecer o que devo crer acerca dele e, os deveres que ele requer de mim.
2. Creio que Deus é Espírito, infinito, eterno e incomparável em tudo o que ele é; único Deus, mas em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, meu Criador, meu Redentor e meu Santificador; em cujo poder e sabedoria, justiça, bondade e verdade com segurança eu posso por a minha confiança.
3. Creio que os céus e a terra, e tudo o que neles há, são obra das mãos de Deus; e que tudo o que ele fez também dirige e governa em todas as suas ações; de tal maneira que elas cumprem o fim para o qual foram criadas, e que confio nele não serei envergonhado, pelo contrário, poderei com segurança descansar na proteção de seu todo-poderoso amor.
4. Creio que Deus criou o homem a sua imagem, em conhecimento, justiça e santidade, e entrou num pacto de vida com ele sobre a única condição de obediência como dever do homem; de modo que ao pecar deliberadamente contra Deus esse homem caiu em pecado e miséria, no qual eu nasci.
5. Creio que estando caído em Adão, o meu primeiro pai, sou por natureza um filho de ira, sob a condenação de Deus e estou corrompido no corpo e alma, inclinado ao mal e merecedor da morte eterna; e deste espantoso estado não posso ser salvo, senão, através da graça imerecida de Deus, o meu Salvador.
6. Creio que Deus não deixou o mundo perecer em seu pecado, senão por um grande amor com que amou, desde toda a eternidade, graciosamente escolheu para si uma multidão que nenhum homem é capaz de contar, para libertá-los de seus pecados e misérias, e destes [eleitos] edificar novamente no mundo o seu reino de justiça: cujo reino eu posso estar certo que terei parte, se confiar em Cristo o Senhor.
7. Creio que Deus redimiu um povo para si através de Jesus Cristo, o nosso Senhor; assim, ele que foi e para sempre será o eterno Filho de Deus, entretanto, nasceu de uma mulher, nascido sob a lei, para que redimisse aos que estão sob a lei: creio que ele levou a penalidade devida pelos meus pecados, em seu próprio corpo sobre o madeiro, e cumpriu em sua própria pessoa a obediência que eu deveria à justiça de Deus, e agora me apresenta a seu Pai como sua possessão adquirida, para o louvor da glória de sua graça para sempre; na qual renuncio a todos os meus méritos, colocando toda a minha confiança somente no sangue e justiça de Cristo Jesus, o meu redentor.
8. Creio que Jesus Cristo, meu redentor, que morreu por minhas ofensas ressuscitou para a minha justificação, e ascendeu aos céus, onde está assentado à destra de Pai Todo-poderoso, intercedendo continuamente pelo seu povo, e governando todo o mundo como a cabeça sobre todas as coisas para a sua Igreja; de modo que, não necessito temer nenhum mal e posso com segurança saber que nada pode me arrebatar das suas mãos e nada pode me separar de seu amor.
9. Creio que a redenção obtida pelo Senhor Jesus Cristo é eficazmente aplicada a todo o seu povo pelo Espírito Santo, que em mim opera a fé em mim, e desse modo me une a Cristo, renovando-me à inteira imagem de Deus, e me capacita mais e mais mortificando para o pecado e vivificando para a justiça; assim, quando esta graciosa obra for completada em mim, serei recebido em glória; em cuja grande esperança permaneço, tendo sempre que lutar pela perfeita santidade no temor de Deus.
10. Creio que Deus requer de mim, sob o evangelho, antes de tudo, que por uma verdadeira percepção do meu pecado e miséria e uma compreensão de sua misericórdia em Cristo, devo separar-me com dor e ódio do pecado e, receber e descansar somente em Jesus Cristo para salvação; de tal maneira, que unido com ele, eu possa receber o perdão por todos os meus pecados e ser aceito como justo ante os olhos de Deus somente pela justiça de Cristo imputada a mim e recebida pela fé somente: e unicamente desta maneira e nada mais, eu creio que sou recebido dentro do número e tenho o direito a todos os privilégios dos filhos de Deus.
11. Creio que, sendo perdoado e aceito em nome de Cristo, se requer de mim também que caminhe no Espírito que ele adquiriu para mim, e por quem o amor é derramado amplamente em meu coração; cumprindo a obediência que devo a Cristo o meu Rei; fielmente cumprindo todos os deveres postos sobre mim pela santa lei de Deus, meu Pai celestial; e sempre refletindo em minha vida e conduta, o exemplo perfeito que foi estabelecido para mim, por Jesus Cristo meu Líder, aquele por mim morreu e me concedeu o seu Santo Espírito, para que eu possa fazer as boas obras que Deus preparou de antemão para que andasse nelas.
12. Creio que Deus estabeleceu a sua Igreja no mundo e a dotou com o ministério da Palavra e as santas ordenanças do Batismo, a Ceia do Senhor e a Oração; a fim que através destes meios, as riquezas da sua graça no evangelho se tornassem conhecidas no mundo, e, pela benção de Cristo e a obra de seu Espírito neles, pela fé as recebem, e os benefícios da redenção sejam comunicados ao seu povo; pelo qual também se requer de mim que atenda a estes meios de graça com diligência, preparação e oração, de tal maneira, que através deles, eu seja instruído e fortalecido na fé, na santidade de vida e no amor; e que eu use de meus melhores esforços para levar este evangelho e comunicar estes meios de graça a todo o mundo.
13. Creio que assim como Jesus Cristo veio uma vez em graça, assim também virá pela segunda vez em glória, para julgar ao mundo em justiça e conceder a cada um a sua recompensa eterna; e creio que se eu morri em Cristo, minha alma será na morte aperfeiçoada em santidade e irá para o lar com o Senhor; e quando ele retornar em sua majestade, serei ressuscitado em glória e perfeitamente abençoado na plena satisfação de Deus por toda a eternidade; consolado por tal bendita esperança se requer de mim, que voluntariamente sofra as privações aqui como bom soldado de Cristo Jesus, sendo assegurado que se eu morrer com ele também viverei com ele, se permanecer, também reinarei com ele.
E a ele, o meu Redentor, junto com o Pai, e o Espírito Santo, Três Pessoas, único Deus, seja a glória para sempre, até o fim do mundo, Amém e Amém.
Extraído de John E. Meeter, ed., Benjamin B. Warfield – selected shorter writings (Phillipsburg, P&R Publishing, 2001), vol. 1, pp. 407-410.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
13 de Fevereiro de 2012.
13 fevereiro 2012
Um sumário de acordo com a Escritura Sagrada acerca do Sacramento da Ceia do Senhor
por John Knox
Aqui está brevemente declarado, em resumo, conforme as Escrituras, a opinião que como cristãos temos da Ceia do Senhor, chamada o Sacramento do corpo o do sangue de nosso Salvador Jesus Cristo.
Primeiro, confessamos que é um ato santo, ordenado por Deus, no qual o Senhor Jesus, mediante coisas terrenas e visíveis colocadas diante de nós, nos eleva até as coisas celestiais e invisíveis. E, que quando preparou o seu banquete espiritual, testificou que Ele era o pão vivo, com o qual as nossas almas seriam alimentadas para vida eterna.
E, portanto, ao dispor pão e vinho para comer e beber, nos confirma e sela a sua promessa e comunhão, (isto é, que seremos partícipes com ele em seu reino); e que nos representa e adapta aos nossos sentidos os seus dons celestiais; e também nos dá a si mesmo, para ser recebido pela fé, não com a boca, nem ainda pela transformação da substância; senão que, mediante a virtude do Espírito Santo, e que nós sendo alimentados com a sua carne, e restaurados com o seu sangue, sejamos renovados tanto para a verdadeira piedade e como para a imortalidade.
E, também confessamos que aqui o Senhor Jesus nos reúne num único corpo visível, de modo que sejamos membros uns dos outros e todos participantes do mesmo corpo, do qual Jesus Cristo é a única Cabeça. E, finalmente, que por este sacramento, o Senhor nos chama a recordar a sua morte e paixão, para estimular em nossos corações o louvor ao seu santíssimo nome.
Ainda, reconhecemos que deste Sacramento se deve aproximar reverentemente, considerando que nele exibe e se concede o testemunho da maravilhosa união e entrelaçamento do Senhor Jesus com os que o recebem; e também, que ali está incluso e contido neste sacramento [um testemunho] de que ele preservará a sua igreja. Pois aqui somos ordenados anunciar a morte do Senhor até que ele venha.
Também cremos que ela é uma confissão, mediante a qual manifestamos que espécie de doutrina professamos; e a que congregação aderimos; e deste modo, que ela é um vínculo de amor mútuo entre nós. E finalmente, cremos que todos os que se aproximam desta santa Ceia devem trazer consigo a sua conversão ao Senhor, mediante um não fingido arrependimento em fé; e, neste sacramento receber os selos da confirmação da sua fé; sendo que não devem pensar de forma alguma que em virtude desta obra seus pecados são perdoados.
E a respeito destas palavras Hoc est corpus meum, ou seja, “Este é meu corpo”, das quais os papistas tanto dependem, dizendo que necessitamos crer que o pão e o vinho são transubstanciados no corpo e sangue de Cristo; reconhecemos que esta doutrina não é um artigo de fé pelo qual possamos ser salvos, nem que estejamos obrigados a crer sob pena de condenação eterna. Porque se crermos que seu próprio corpo natural, carne e sangue, estão naturalmente no pão e no vinho, isso não nos salvaria, percebemos que muitos deles crêem nisso, e o recebem para a sua própria condenação. Porque não é a sua presença no pão o que pode salvar-nos, senão que a sua presença em nossos corações, mediante a fé em seu sangue, o que lavou nossos pecados e pacificou a ira de seu Pai em relação a nós. E ainda, se não crermos em sua presença corporal no pão e no vinho, isso não nos condenará, mas sim a sua ausência de nossos corações pela incredulidade.
Agora, se objetassem aqui, e ainda que fosse verdade, que a ausência do pão não pudesse condenar-nos, ainda assim estamos obrigados a crer porque a Palavra de Deus que diz, “Este é meu corpo”, e quem não crer, não somente mente como também faz a Deus mentiroso; e, portanto, por termos uma mente obstinada não cremos na sua Palavra, nos tornamos passíveis de condenação. Quanto a isto respondemos que cremos na Palavra de Deus, e confessamos que é verdadeira, mas ela não deve ser entendida como os papistas grosseiramente afirmam. Pois no sacramento recebemos espiritualmente a Jesus Cristo, como fizeram os pais do Antigo Testamento, conforme o que disse S. Paulo. E se os homens pudessem como Cristo, ordenando este santo sacramento de seu corpo e seu sangue, que falou estas palavras sacramentalmente, sem dúvidas nunca as entenderiam tão absurda e tolamente, em oposição a toda Escritura e à exposição de S. Agostinho, S. Jerônimo, Fulgêncio, Vigílio, Orígenes e muitos outros escritores piedosos.
NOTAS:
[1]Esta breve declaração é encontrada como um apêndice no livro Vindication of the Doctrine that the Sacrifice of the Mass is Idolatry escrito por John Knox em 1550. Não se sabe quando ele escreveu este sumário sobre a Ceia do Senhor. Nota do tradutor.
Extraído de Kevin Reed, ed., Selected writings of John Knox – public epistles, treatises and expositions to 1559 (Dallas, Presbyterian Heritage Publications, 1995), pp. 66-69.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
12 de Fevereiro de 2012.
09 fevereiro 2012
O que é discipulado?
A Igreja necessita resgatar o discipulado. Tanto um conceito, como uma prática correta de discipulado evidenciará a saúde espiritual da igreja. Creio que sem um discipulado intencional, organizado e direcionado a igreja local estará sujeita a diversas enfermidades. Quando pessoas não são levadas a pensar conforme as Escrituras elas pensam como o mundo. O pastor luterano Dietrich Bonhoeffer com tristeza notou que
O discipulado não é um programa. Nem mesmo deveria ser confundido com uma série de estudo de lições bíblicas. Não é um curso de iniciação doutrinária que ocorre em encontros semanais. Como também não é um novo sistema de culto nos lares. Embora o discipulado recorra a organização de um programa, o estudo seqüenciado de lições doutrinárias, e aconteça em encontros semanais ele é um princípio de formação.
Ser discípulo é muito mais do que ser um mero aprendiz temporário. M. Bernouilli observa que “o discípulo tem em comum com o aluno o fato de receber um ensino, mas o primeiro compromete-se com a doutrina do mestre.”[2] Mas ser discípulo não se resume ao exercício intelectual “é importante reconhecer que a chamada para ser discípulo sempre inclui a chamada para o serviço.”[3] Percebe-se que duas palavras-chave estão presentes na ideia de discipulado: compromisso e serviço.
John Sittema nos lembra que discipular é “reproduzir a si mesmo e sua fé na vida de outros.”[4] Evidentemente não podemos confundir algo simples, mas essencial: o Senhor Jesus exige que façamos discípulos dele e não nossos. Novamente podemos citar Sittema observando que “esse processo requer o desenvolvimento de um relacionamento de confiança, de exemplo, de revelação do nosso coração e da nossa fé ao discípulo que, por sua vez deve imitar o padrão de fé do seu mestre.”[5]
A definição usada por David Kornfield é limitada. Ele afirma que “discipulado é uma relação comprometida e pessoal, onde um discípulo mais maduro ajuda outros discípulos de Jesus Cristo a aproximarem-se mais dEle e assim reproduzirem.”[6] Embora ela seja proveitosa para nos lembrar da relação de compromisso que se estabelece entre as pessoas envolvidas no discipulado, ela coloca a multiplicação como a sua finalidade. A motivação e finalidade do discipulado é a glória de Deus, e é por causa dele, obediência a ele, para que seja conhecido é que discipulamos.
O discipulador não é simplesmente um professor. Ele é alguém que além de informar também coopera na formação espiritual do seu aprendiz, tornando-se referência para o discípulo. Mas, devemos sempre lembrar que nenhum discipulador é modelo de perfeição, mas sim, um modelo de transformação, mostrando que assim como o discípulo, ele também está num processo, que a cada dia subirá um degrau na absorção do caráter de Cristo. Com este sincero objetivo ele poderá identificar-se com o discípulo, seguindo o exemplo de Paulo: “...não que o tenha já recebido, ou tenha obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fp 3.12, ARA).
Discipulado é formar servos com uma cosmovisão cristã. Permita-me dizer que a fidelidade e a relevância do Cristianismo estão na aplicabilidade de todo o evangelho ao ser humano em todas as suas necessidades para a glória de Deus. Pensando na sua relevância, Nancy Pearcey declara que
Assim, a relevância do discipulado é que nele apresentamos o evangelho refletido e aplicado ao ser humano em todas as esferas da vida.
Se a dúvida é entender o que é cosmovisão comecemos com definições do assunto. A palavra em si não diz muita coisa, apenas indica que todos têm uma concepção de mundo, ou da realidade, e que a partir de como entendemos, ou interpretamos o que existe assim viveremos, tomaremos decisões, escolheremos, planejaremos, organizaremos os nossos valores éticos, nos relacionaremos com as pessoas, e até mesmo enfrentaremos a expectativa da morte. No entanto, cosmovisão é mais do que exercício mental de sistematizar conceitos e valores, é submeter tudo ao domínio do Senhor Jesus.
Aos que estão iniciando no estudo do assunto, ofereço algumas definições que somam em esclarecer o assunto:
NOTAS:
[1] Dietrich Bonhoeffer, Discipulado (São Leopoldo, Editora Sinodal, 1995), p. 18. Bonhoeffer (1906-1945) foi um jovem pastor luterano que durante a 2a Guerra Mundial protestou contra o regime Nazista. Foi preso e morto aos 39 anos, num campo de concentração alemão. Durante a sua prisão escreveu várias cartas e livros na área de Teologia Pastoral que foram preservados e, alguns se encontram traduzidos para o português.
[2] J.J. Von Allmen, ed., Vocabulário Bíblico (São Paulo, ASTE, 1972), pp. 108-109.
[3] Colin Brown, ed., Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1981), vol. 1, p. 666.
[4] John Sittema, Coração de Pastor (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2004), p. 173.
[5] John Sittema, Coração de Pastor, p. 173.
[6] David Kornfield, Série Grupos de Discipulado (São Paulo, Editora SEPAL, 1994), vol. 1, p. 6.
[7] Charles Colson & Nancy Pearcey, E agora como viveremos? (Rio de Janeiro, CPAD, 2000), p. 33
em tudo que segue, queremos falar em nome de todos aqueles que estão perturbados e para os quais a palavra da graça se tornou assustadoramente vazia. Por amor a verdade, essa palavra tem que ser pronunciada em nome daqueles de entre nós que reconhecem que, devido à graça barata, perderam o discipulado de Cristo, e, com o discipulado de Cristo, a compreensão da graça preciosa. Simplesmente por não querermos negar que já não estamos no verdadeiro discipulado de Cristo, que somos, é certo, membros de uma igreja ortodoxamente crente na doutrina da graça pura, mas não membros de uma graça do discipulado, há que se fazer a tentativa de compreender de novo a graça e o discipulado em sua verdadeira relação mútua. Já não ousamos mais fugir ao problema. Cada vez se torna mais evidente que o problema da Igreja se cifra nisso: como viver hoje uma vida cristã.[1]
O discipulado não é um programa. Nem mesmo deveria ser confundido com uma série de estudo de lições bíblicas. Não é um curso de iniciação doutrinária que ocorre em encontros semanais. Como também não é um novo sistema de culto nos lares. Embora o discipulado recorra a organização de um programa, o estudo seqüenciado de lições doutrinárias, e aconteça em encontros semanais ele é um princípio de formação.
Ser discípulo é muito mais do que ser um mero aprendiz temporário. M. Bernouilli observa que “o discípulo tem em comum com o aluno o fato de receber um ensino, mas o primeiro compromete-se com a doutrina do mestre.”[2] Mas ser discípulo não se resume ao exercício intelectual “é importante reconhecer que a chamada para ser discípulo sempre inclui a chamada para o serviço.”[3] Percebe-se que duas palavras-chave estão presentes na ideia de discipulado: compromisso e serviço.
John Sittema nos lembra que discipular é “reproduzir a si mesmo e sua fé na vida de outros.”[4] Evidentemente não podemos confundir algo simples, mas essencial: o Senhor Jesus exige que façamos discípulos dele e não nossos. Novamente podemos citar Sittema observando que “esse processo requer o desenvolvimento de um relacionamento de confiança, de exemplo, de revelação do nosso coração e da nossa fé ao discípulo que, por sua vez deve imitar o padrão de fé do seu mestre.”[5]
A definição usada por David Kornfield é limitada. Ele afirma que “discipulado é uma relação comprometida e pessoal, onde um discípulo mais maduro ajuda outros discípulos de Jesus Cristo a aproximarem-se mais dEle e assim reproduzirem.”[6] Embora ela seja proveitosa para nos lembrar da relação de compromisso que se estabelece entre as pessoas envolvidas no discipulado, ela coloca a multiplicação como a sua finalidade. A motivação e finalidade do discipulado é a glória de Deus, e é por causa dele, obediência a ele, para que seja conhecido é que discipulamos.
O discipulador não é simplesmente um professor. Ele é alguém que além de informar também coopera na formação espiritual do seu aprendiz, tornando-se referência para o discípulo. Mas, devemos sempre lembrar que nenhum discipulador é modelo de perfeição, mas sim, um modelo de transformação, mostrando que assim como o discípulo, ele também está num processo, que a cada dia subirá um degrau na absorção do caráter de Cristo. Com este sincero objetivo ele poderá identificar-se com o discípulo, seguindo o exemplo de Paulo: “...não que o tenha já recebido, ou tenha obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fp 3.12, ARA).
Discipulado é formar servos com uma cosmovisão cristã. Permita-me dizer que a fidelidade e a relevância do Cristianismo estão na aplicabilidade de todo o evangelho ao ser humano em todas as suas necessidades para a glória de Deus. Pensando na sua relevância, Nancy Pearcey declara que
o Cristianismo genuíno é mais do que relacionamento com Jesus, tanto quanto se expressa em piedade pessoal, freqüência à igreja, estudo da Bíblia e obras de caridade. É mais do que discipulado, mais do que acreditar em um sistema de doutrinas sobre Deus. O Cristianismo genuíno é uma maneira de ver e compreender toda a realidade. É uma cosmovisão, uma visão de mundo.[7]
Assim, a relevância do discipulado é que nele apresentamos o evangelho refletido e aplicado ao ser humano em todas as esferas da vida.
Se a dúvida é entender o que é cosmovisão comecemos com definições do assunto. A palavra em si não diz muita coisa, apenas indica que todos têm uma concepção de mundo, ou da realidade, e que a partir de como entendemos, ou interpretamos o que existe assim viveremos, tomaremos decisões, escolheremos, planejaremos, organizaremos os nossos valores éticos, nos relacionaremos com as pessoas, e até mesmo enfrentaremos a expectativa da morte. No entanto, cosmovisão é mais do que exercício mental de sistematizar conceitos e valores, é submeter tudo ao domínio do Senhor Jesus.
Aos que estão iniciando no estudo do assunto, ofereço algumas definições que somam em esclarecer o assunto:
“... cosmovisão é primeiro uma explicação e interpretação do mundo, e em segundo lugar, uma aplicação dessa concepção à vida.” W. Gary Phillips
“... é a estrutura de entendimento que usamos para que o mundo faça sentido. A nossa cosmovisão é aquilo que pressupomos. Ela é o modo como olhamos a vida, nossa interpretação do universo, a orientação da nossa alma.” Philip G. Ryken
“... é um conjunto de pressuposições (hipóteses que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas) que sustentamos (consciente ou inconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a formação básica do nosso mundo.” James W. Sire
“A visão de mundo enxerga e compreende a Deus, o Criador, e a Sua criação – ou seja, o homem e o mundo – primeiramente através das lentes da revelação especial de Deus, as Santas Escrituras, e depois, por intermédio da revelação natural de Deus na criação, interpretada pela razão humana e reconciliada pela e com a Escritura, para que creiamos e vivamos de acordo com a vontade de Deus, glorificando-O, dessa forma, de mente e coração, desde agora e por toda a eternidade.” John MacArthur Jr.
“... cosmovisão é um modelo conceitual por meio do qual, consciente ou inconscientemente, afirmamos ou adaptamos tudo o que cremos, e através do qual podemos interpretar e avaliar a realidade.” Ronald H. NashAssim, entendemos que fazer discípulos não é apenas levar pessoas para a igreja. Não basta conduzir indivíduos ao evangelho, mas é necessário ensinar como todo o evangelho é necessário para aplicação em todas as esferas da vida. Discipular é ensinar um discípulo a viver - pensar, decidir, interpretar, entreter, construir, agir, relacionar, produzir - com uma mente cristã.
NOTAS:
[1] Dietrich Bonhoeffer, Discipulado (São Leopoldo, Editora Sinodal, 1995), p. 18. Bonhoeffer (1906-1945) foi um jovem pastor luterano que durante a 2a Guerra Mundial protestou contra o regime Nazista. Foi preso e morto aos 39 anos, num campo de concentração alemão. Durante a sua prisão escreveu várias cartas e livros na área de Teologia Pastoral que foram preservados e, alguns se encontram traduzidos para o português.
[2] J.J. Von Allmen, ed., Vocabulário Bíblico (São Paulo, ASTE, 1972), pp. 108-109.
[3] Colin Brown, ed., Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1981), vol. 1, p. 666.
[4] John Sittema, Coração de Pastor (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2004), p. 173.
[5] John Sittema, Coração de Pastor, p. 173.
[6] David Kornfield, Série Grupos de Discipulado (São Paulo, Editora SEPAL, 1994), vol. 1, p. 6.
[7] Charles Colson & Nancy Pearcey, E agora como viveremos? (Rio de Janeiro, CPAD, 2000), p. 33
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07 fevereiro 2012
Compromisso de discipulador
1. Em obediência a grande comissão ordenada por nosso Senhor Jesus, comprometo-me em fazer discípulos tendo Cristo como mestre (Mt 28:18-20).
2. Comprometo-me em estudar as Escrituras a fim de estar preparado a dar razão da nossa fé.
3. Disponho-me ensinar a Palavra de Deus com integridade de vida e fidelidade à verdade.
4. Quando não souber a resposta de qualquer questão que seja, não tentarei inventar uma, mas com humildade buscarei aprender para ensinar somente a verdade, pois, também sou discípulo e estou no processo do saber em amor e temor do Senhor.
5. Creio que ao discipular apresento o evangelho da salvação aos eleitos de Deus proporcionando a oportunidade para que o Espírito Santo aplique a graça irresistível. Evangelizar é compartilhar Jesus, no poder do Espírito, deixando os resultados para Deus, visando uma reeducação para uma vida transformada.
6. Comprometo-me ser exemplo de transformação de vida para os meus discípulos.
7. Assumo a responsabilidade de comunicar-lhes a visão de discipulado: um discípulo formando discípulos para Cristo Jesus.
8. Acredito que cada vida a mim confiada é importante para Deus. Meu objetivo não é aumentar o número de membros da minha igreja, mas, conduzir o discípulo a aumentar o seu amor por Cristo como o seu Salvador.
9. No que estiver ao meu alcance tentarei instruir e aconselharei o meu discípulo em suas dúvidas e problemas, guardando sigilo e preservando a sua dignidade. Entretanto, o que não souber resolver encaminharei ao pastor para um acompanhamento adequado.
10. Submeto-me às autoridades de nossa igreja, enquanto elas permanecerem fiéis à Escritura Sagrada, reconhecendo serem instituídas por Deus para o meu bem e de todo o Corpo de Cristo sob os seus cuidados.
2. Comprometo-me em estudar as Escrituras a fim de estar preparado a dar razão da nossa fé.
3. Disponho-me ensinar a Palavra de Deus com integridade de vida e fidelidade à verdade.
4. Quando não souber a resposta de qualquer questão que seja, não tentarei inventar uma, mas com humildade buscarei aprender para ensinar somente a verdade, pois, também sou discípulo e estou no processo do saber em amor e temor do Senhor.
5. Creio que ao discipular apresento o evangelho da salvação aos eleitos de Deus proporcionando a oportunidade para que o Espírito Santo aplique a graça irresistível. Evangelizar é compartilhar Jesus, no poder do Espírito, deixando os resultados para Deus, visando uma reeducação para uma vida transformada.
6. Comprometo-me ser exemplo de transformação de vida para os meus discípulos.
7. Assumo a responsabilidade de comunicar-lhes a visão de discipulado: um discípulo formando discípulos para Cristo Jesus.
8. Acredito que cada vida a mim confiada é importante para Deus. Meu objetivo não é aumentar o número de membros da minha igreja, mas, conduzir o discípulo a aumentar o seu amor por Cristo como o seu Salvador.
9. No que estiver ao meu alcance tentarei instruir e aconselharei o meu discípulo em suas dúvidas e problemas, guardando sigilo e preservando a sua dignidade. Entretanto, o que não souber resolver encaminharei ao pastor para um acompanhamento adequado.
10. Submeto-me às autoridades de nossa igreja, enquanto elas permanecerem fiéis à Escritura Sagrada, reconhecendo serem instituídas por Deus para o meu bem e de todo o Corpo de Cristo sob os seus cuidados.
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01 fevereiro 2012
Como se relacionam as Pessoas da Trindade?
A Escritura apresenta uma sensível avaliação entre as diferenças entre as pessoas da Trindade e o Seu mútuo envolvimento, e eu necessito dizer mais a respeito deste último assunto. As palavras circumincessio, circumcessio, circumssion, perichoresis, e coinherence são termos técnicos para a mútua relação das Pessoas: o Pai no Filho, e o Filho nEle (Jo 10:38; 14:10-11, 20; 17:21); e ambos no Espírito, e o Espírito neles (Rm 8:9). Ver Jesus é ver o Pai (Jo 14:9), porque Ele e o Pai são um (10:30). Após Jesus deixar a terra, ele "viria" no Espírito para estar com o Seu povo (14:18). Todas as três pessoas estão envolvidas em todas as obras de Deus da Criação. Como temos observado o Pai (Gn 1), o Filho (Jo 1:3; Cl 1:16), e o Espírito (Gn 1:2; Sl 104:30) estão envolvidos na obra da criação. O mesmo é verdade quanto à providência, e, do mesmo modo a redenção o juízo final. Isto não significa que as três pessoas atuam da mesma forma nestes eventos. O Pai, e não o Filho, enviou Jesus ao mundo para redimir o Seu povo; o Filho, e não o Pai, ou o Espírito, encarnou para morrer sobre a cruz pelos nossos pecados. De fato, no momento da morte, Ele estava, do mesmo modo misterioso, desamparado pelo Seu Pai (Mc 15:34). O Espírito, e não o Pai nem o Filho, veio sobre a Igreja com poder no dia de Pentecostes (enviado pelo Pai e pelo Filho [Jo 14:15-21]), apesar do Filho vir à nós pelo Espírito. De acordo com 1 Pe 1:1-2, o Pai é o único que predetermina, o Filho é o único que asperge o sangue, e o Espírito é o único que santifica. Esta é uma generalização acerca das diferentes tarefas das Pessoas da Divindade: o Pai planeja, o Filho executa e o Espírito aplica. Mas, de acordo com Pedro não existe aqui a descrição de uma precisa divisão da obra. Ele reconhece que todos os eventos exigem a concorrência de todas as três pessoas.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de John M. Frame, The Doctrine of God, págs. 693-694.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de John M. Frame, The Doctrine of God, págs. 693-694.
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31 janeiro 2012
Por que evangelizo?
Creio que devemos pregar o evangelho a todos, e chamá-los ao genuíno arrependimento dos seus pecados, mas nunca dizer que Deus tem sinceramente a intenção de salvar a todos. É dever de todo ser humano se arrepender dos seus pecados, porque Deus é santo e perfeito, e nos criou para manifestar a Sua glória. Por isso, devo anunciar o senhorio de Cristo Jesus sobre todos, e ordená-los que se voltem para Ele, porque estão separados de Deus pelo pecado. Uma definição do que é evangelizar nesta introdução seria útil, assim creio que evangelizar é apresentar o Senhor Jesus [pessoa e obra], no poder do Espírito Santo, deixando os resultados para Deus o Pai.
Prego o evangelho por alguns motivos:
1. Por amor à glória de Deus. Anunciar a sua majestade, soberania, os seus feitos como Criador, Provedor e Redentor. O próprio B.B. Warfield comentou certa vez que "Deus não é retratado na Escritura como perdoando o pecado porque Ele realmente se importe com o pecado. Nem porque Ele seja tão exclusivo ou predominantemente o Deus de amor, como se os outros atributos diminuissem pelo desuso na presença de Sua infinita bondade. Pelo contrário, Ele é retratado como libertando o pecador de sua culpa e corrupção porque Ele se compadece das criaturas da sua mão, envoltas em pecado, com uma intensidade que nasce da veemência da sua santa ira contra o pecado e sua justa determinação de visitá-lo com uma intolerante retribuição; de modo que conduz por uma completa satisfação pela a sua infinita justiça e santidade, como pelo seu ilimitado amor por Si mesmo."[1] O evangelho não é pregado por causa da criatura caída, mas por causa da glória de Deus. O evangelho fala dos atributos de Deus, dos poderosos feitos do Senhor revelados em Cristo que reconcilia, pelo Seu gracioso perdão pecadores arrependidos e atraídos pelo Espírito Santo.
2. Porque Cristo é o mediador da nova aliança. E sob a administração do Seu senhorio, Ele exige que o Seu reino seja anunciado como inaugurado entre as nações. Ele veio para assumir o Seu reino e manifestar as riquezas da sua graça àqueles que o Pai Lhe deu. A proclamação do evangelho a todas as nações indica a abrangência do reino de Cristo que alcança os seus súditos de diferentes etnias.
3. Por crer, segundo as Escrituras, que é o meio ordinário que Deus usa para chamar eficazmente os seus eleitos aplicando a graça salvadora por obra do Espírito Santo. Deus determinou antes da fundação do mundo quem e como seriam salvos aqueles que Ele escolheu. A pregação do evangelho é indispensável no chamando universal dos eleitos de Deus.
4. Porque o Espírito Santo implanta em mim um amor de treinar pelo discipulado, e assim descobrir os eleitos, alegrando-me em sua transformação pela maravilhosa graça salvadora. O Senhor Jesus ordena que devo ser testemunha da Sua misericórdia.
Por isso em minha prática de evangelização:
1. Ordeno ao pecador, sob a autoridade do evangelho de Cristo, que ele se arrependa e despreze os seus pecados porque são infinitamente ofensivos a santidade de Deus, e a justiça divina sentencia o pecado com condenação eterna!
2. Apresento Cristo que é a única, suficiente e perfeita satisfação substitutiva que Deus proveu para Si mesmo, que ofereceu a Si mesmo como sacrifício ao Pai, e sobre Si recebeu a ira, sofrendo as agonias do inferno sobre a cruz, a nossa condenação.
3. Exorto ao ouvinte que creia, receba e submeta-se a Cristo como o seu Senhor, encontrando nEle o perdão dos seus pecados, a reconciliação com o Pai, a satisfação e o propósito de sua vida que é glorificá-Lo.
Não recorro a paradoxos lógicos nem ao que alguns chamam de antinomia para explicar o dever de pregar o evangelho a todos os homens. Aos que pensam que Deus está oferecendo o seu amor indistintamente a todos os pecadores, recomendo a leitura do esclarecedor artigo do Pb Solano Portela. Se o evangelho que prego diz que Deus ama a todos e sinceramente desejando salvar sem exceção a todos, posso concluir que:
1. Ele não seria soberano, porque muitos se perderão, e o seu propósito de salvar seria frustrado.
2. O Seu amor seria frouxo e não passaria de sentimentalismo ineficaz limitado pela dureza e rebeldia do pecador contumaz.
3. A autoridade absoluta do evangelho deveria ser questionada por ter promessas de salvação feitas e não cumpridas.
4. A relação de Deus com o pecador seria no mínima confusa, por amá-lo e odiá-lo simultaneamente.
Não faço apelos, nem apelações em meus sermões, nem na prática de evangelização pessoal. Não lhes digo, por consciência, que Deus os ama a ponto de sinceramente ter a intenção de salvá-los, mas lhes advirto com solene seriedade que a ira de Deus permanece sobre eles, enquanto não se arrependerem e não se voltarem para Cristo (Jo 3:36; Ef 2:3). Não concordo com John Murray e Ned B. Stonehouse quando declaram que "há em Deus uma benevolente amabilidade pelo arrependimento e salvação daqueles que Ele não decretou salvar. Este beneplácito, vontade, desejo é expresso no chamado universal para o arrependimento... A plena e livre oferta do evangelho é uma graça entregue sobre todos. Tal graça é necessariamente uma manifestação de amor ou amabilidade no coração de Deus, e esta amabilidade é revelada para ser cárater ou gênero que corresponde a graça entregue. A graça oferecida não é menos do que a salvação em sua riqueza e plenitude. O amor ou amabilidade que repousa desta oferta não é menos; ele é a vontade para a salvação. Em outras palavras, é Cristo em toda a glória de sua Pessoa e na perfeição de sua completa obra a quem Deus oferece no evangelho. O amor e a vontade benevolente que é a fonte daquela oferta e que fundamenta a sua veracidade e realidade é a vontade para possessão de Cristo e a alegria da salvação que reside nele.”[2] Não posso dizer para um possível réprobo que Deus tem a intenção sincera de salvá-lo! Neste caso, eu estaria dizendo toda a verdade? A minha pregação ou testemunho do evangelho deve ser feito sem criar falsa esperança em quem nunca se converterá. A promessa de perdão é aos que crerem em Cristo Jesus, e somente eles, experimentarão o amor de Deus.
NOTAS:
[1] Benjamin B. Warfield, "God" in: Works of B.B. Warfield, vol.9, pág. 112.
[2] John Murray e Ned B. Stonehouse, The Free Offer of the Gospel, p. 27.
Prego o evangelho por alguns motivos:
1. Por amor à glória de Deus. Anunciar a sua majestade, soberania, os seus feitos como Criador, Provedor e Redentor. O próprio B.B. Warfield comentou certa vez que "Deus não é retratado na Escritura como perdoando o pecado porque Ele realmente se importe com o pecado. Nem porque Ele seja tão exclusivo ou predominantemente o Deus de amor, como se os outros atributos diminuissem pelo desuso na presença de Sua infinita bondade. Pelo contrário, Ele é retratado como libertando o pecador de sua culpa e corrupção porque Ele se compadece das criaturas da sua mão, envoltas em pecado, com uma intensidade que nasce da veemência da sua santa ira contra o pecado e sua justa determinação de visitá-lo com uma intolerante retribuição; de modo que conduz por uma completa satisfação pela a sua infinita justiça e santidade, como pelo seu ilimitado amor por Si mesmo."[1] O evangelho não é pregado por causa da criatura caída, mas por causa da glória de Deus. O evangelho fala dos atributos de Deus, dos poderosos feitos do Senhor revelados em Cristo que reconcilia, pelo Seu gracioso perdão pecadores arrependidos e atraídos pelo Espírito Santo.
2. Porque Cristo é o mediador da nova aliança. E sob a administração do Seu senhorio, Ele exige que o Seu reino seja anunciado como inaugurado entre as nações. Ele veio para assumir o Seu reino e manifestar as riquezas da sua graça àqueles que o Pai Lhe deu. A proclamação do evangelho a todas as nações indica a abrangência do reino de Cristo que alcança os seus súditos de diferentes etnias.
3. Por crer, segundo as Escrituras, que é o meio ordinário que Deus usa para chamar eficazmente os seus eleitos aplicando a graça salvadora por obra do Espírito Santo. Deus determinou antes da fundação do mundo quem e como seriam salvos aqueles que Ele escolheu. A pregação do evangelho é indispensável no chamando universal dos eleitos de Deus.
4. Porque o Espírito Santo implanta em mim um amor de treinar pelo discipulado, e assim descobrir os eleitos, alegrando-me em sua transformação pela maravilhosa graça salvadora. O Senhor Jesus ordena que devo ser testemunha da Sua misericórdia.
Por isso em minha prática de evangelização:
1. Ordeno ao pecador, sob a autoridade do evangelho de Cristo, que ele se arrependa e despreze os seus pecados porque são infinitamente ofensivos a santidade de Deus, e a justiça divina sentencia o pecado com condenação eterna!
2. Apresento Cristo que é a única, suficiente e perfeita satisfação substitutiva que Deus proveu para Si mesmo, que ofereceu a Si mesmo como sacrifício ao Pai, e sobre Si recebeu a ira, sofrendo as agonias do inferno sobre a cruz, a nossa condenação.
3. Exorto ao ouvinte que creia, receba e submeta-se a Cristo como o seu Senhor, encontrando nEle o perdão dos seus pecados, a reconciliação com o Pai, a satisfação e o propósito de sua vida que é glorificá-Lo.
Não recorro a paradoxos lógicos nem ao que alguns chamam de antinomia para explicar o dever de pregar o evangelho a todos os homens. Aos que pensam que Deus está oferecendo o seu amor indistintamente a todos os pecadores, recomendo a leitura do esclarecedor artigo do Pb Solano Portela. Se o evangelho que prego diz que Deus ama a todos e sinceramente desejando salvar sem exceção a todos, posso concluir que:
1. Ele não seria soberano, porque muitos se perderão, e o seu propósito de salvar seria frustrado.
2. O Seu amor seria frouxo e não passaria de sentimentalismo ineficaz limitado pela dureza e rebeldia do pecador contumaz.
3. A autoridade absoluta do evangelho deveria ser questionada por ter promessas de salvação feitas e não cumpridas.
4. A relação de Deus com o pecador seria no mínima confusa, por amá-lo e odiá-lo simultaneamente.
Não faço apelos, nem apelações em meus sermões, nem na prática de evangelização pessoal. Não lhes digo, por consciência, que Deus os ama a ponto de sinceramente ter a intenção de salvá-los, mas lhes advirto com solene seriedade que a ira de Deus permanece sobre eles, enquanto não se arrependerem e não se voltarem para Cristo (Jo 3:36; Ef 2:3). Não concordo com John Murray e Ned B. Stonehouse quando declaram que "há em Deus uma benevolente amabilidade pelo arrependimento e salvação daqueles que Ele não decretou salvar. Este beneplácito, vontade, desejo é expresso no chamado universal para o arrependimento... A plena e livre oferta do evangelho é uma graça entregue sobre todos. Tal graça é necessariamente uma manifestação de amor ou amabilidade no coração de Deus, e esta amabilidade é revelada para ser cárater ou gênero que corresponde a graça entregue. A graça oferecida não é menos do que a salvação em sua riqueza e plenitude. O amor ou amabilidade que repousa desta oferta não é menos; ele é a vontade para a salvação. Em outras palavras, é Cristo em toda a glória de sua Pessoa e na perfeição de sua completa obra a quem Deus oferece no evangelho. O amor e a vontade benevolente que é a fonte daquela oferta e que fundamenta a sua veracidade e realidade é a vontade para possessão de Cristo e a alegria da salvação que reside nele.”[2] Não posso dizer para um possível réprobo que Deus tem a intenção sincera de salvá-lo! Neste caso, eu estaria dizendo toda a verdade? A minha pregação ou testemunho do evangelho deve ser feito sem criar falsa esperança em quem nunca se converterá. A promessa de perdão é aos que crerem em Cristo Jesus, e somente eles, experimentarão o amor de Deus.
NOTAS:
[1] Benjamin B. Warfield, "God" in: Works of B.B. Warfield, vol.9, pág. 112.
[2] John Murray e Ned B. Stonehouse, The Free Offer of the Gospel, p. 27.
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13 janeiro 2012
A Teologia da Esperança: Jürgen Moltmann
Escrito por Paul P. Enns
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
Jürgen Moltmann (1926 - ) tornou-se famoso na década de 1960. Moltmann conheceu o filósofo marxista Ernst Bloch na Universidade de Tubinga e, este muito influenciou a teologia de Moltmann. Naqueles anos houve diálogo entre cristãos e marxistas em Tubinga que afetou a alguns jovens. Foi a raiz desta interação com os marxistas que Moltmann escreveu a sua Teologia da Esperança.[1] O livro é produto de um estudo bíblico que focaliza na esperança cristã do futuro. Tais teses continuaram o seu desenvolvimento em Religion, Revolution and the Future.
David Scaer observa que “para Moltmann o princípio hermenêutico é a escatologia e, a esperança é o tema principal na Bíblia.”[2] Mas, para Moltmann a igreja dá forma ao futuro e proporciona esperança por meio da interação social, particularmente a favor dos pobres.
AFIRMAÇÕES DOUTRINÁRIAS DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
A teologia de Moltmann pode ser resumida da seguinte maneira.[3] Deus é parte do processo do tempo, em direção ao futuro. Portanto, não é absoluto, está a caminho do futuro, onde se cumprirão as suas promessas. O futuro é a natureza essencial de Deus. A ressurreição de Jesus Cristo enquanto um evento histórico não tem nenhuma importância. A importância na ressurreição de Cristo é escatológica e deve ser vista na perspectiva do futuro, porque dá a esperança de uma ressurreição geral. Em lugar de olhar a partir duma tumba vazia em direção ao futuro, Moltmann sugere olhar o futuro porque este legitima a ressurreição de Cristo. O homem também deve perceber-se na perspectiva do futuro. Ele diz que “o homem somente pode entender-se com referência à história continuamente em desenvolvimento em relação com o futuro de Deus.[4] A solução para o homem é associar-se com Deus que “se apresenta sempre que a humanidade se despreza ou brutaliza.” Moltmann o chama de teologia da cruz. O homem participa nesta teologia da cruz aceitando que os desafios da vida são momentos futuros que se rompem no presente.”[5] O homem deve participar ativamente na sociedade para transformá-la. Devem eliminar as diferenças de “raças, classes, status e igrejas nacionais.”[6] A igreja tem a capacidade de moldar o futuro e deve pregar para transformar a sociedade.[7] A igreja deve ver além da salvação “pessoal” para desafiar todas as barreiras e estruturas entre diferentes pessoas.[8] A igreja é o instrumento de Deus para a mudança, para reconciliar aos ricos com os pobres, as raças e as estruturas artificiais. A revolução pode ser um dos meios para que a igreja introduza mudanças.
AVALIAÇÃO DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
Jürgen Moltmann nega a compreensão normal da história por causa da sua ênfase no futuro. Rejeita o significado da historicidade da ressurreição de Cristo. Dada a sua alienação da história com a escatologia, nega o verdadeiro significado da história e dos eventos históricos. Moltmann nega a imutabilidade de Deus (Ml 3:6), e sugere que Deus não é absoluto, senão que “se move para o futuro”.
A influência do Marxismo e do “Marxismo cristão” de Ernst Bloch é evidente em seu conceito de mudar a sociedade. Sem dúvida alguma, grande parte da Teologia da Libertação tem as suas raízes na teologia da revolução e da mudança social de Moltmann. Tal transformação não se alcançará pela salvação individual, a não ser que a igreja confronte a sociedade com estas injustiças.
A esperança futura de Moltmann também está ligada ao humanismo otimista e com a filosofia hegeliana: vê o caos no passado (tese), esperança no futuro (antítese) e a necessidade de que os atos presentes efetuem mudanças (síntese). Em resumo, Moltmann deve muito mais a Karl Marx do que às Escrituras.
NOTAS:
[1] Publicado no Brasil como Jürgen Moltmann, Teologia da Esperança (). Nota do tradutor.
[2] David Scaer, “Theology of Hope” in Stanley N. Gundry & Alan F. Johnson, eds., Tensions in Contemporary Theology (Chicago, Moody, 1976), p. 210.
[3] Para um resumo da teologia de Moltmann veja Scaer, “Theology of Hope”, pp. 212-218 e Harvie M. Conn, Contemporary World Theology (Nutley, Presbyterian & Reformed, 1974), pp. 59-65.
[4] Scaer, “Theology of Hope”, p. 212.
[5] Ibidem, p. 213.
[6] Jürgen Moltmann, The Experiment Hope (Philadelphia, Fortpress, 1975), p. 117.
[7] Conn, Contemporary World Theology, p. 62.
[8] S.M. Smith, “Hope, Theology of”, in Walter A. Elwell, ed., Evangelical Dictionary of Theology (Grand Rapids, Baker, 1984), p. 533.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de Paul P. Enns, Compendio Portavoz de Teología (Grand Rapids, Portavoz, 2010), pp. 617-618.
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
Jürgen Moltmann (1926 - ) tornou-se famoso na década de 1960. Moltmann conheceu o filósofo marxista Ernst Bloch na Universidade de Tubinga e, este muito influenciou a teologia de Moltmann. Naqueles anos houve diálogo entre cristãos e marxistas em Tubinga que afetou a alguns jovens. Foi a raiz desta interação com os marxistas que Moltmann escreveu a sua Teologia da Esperança.[1] O livro é produto de um estudo bíblico que focaliza na esperança cristã do futuro. Tais teses continuaram o seu desenvolvimento em Religion, Revolution and the Future.
David Scaer observa que “para Moltmann o princípio hermenêutico é a escatologia e, a esperança é o tema principal na Bíblia.”[2] Mas, para Moltmann a igreja dá forma ao futuro e proporciona esperança por meio da interação social, particularmente a favor dos pobres.
AFIRMAÇÕES DOUTRINÁRIAS DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
A teologia de Moltmann pode ser resumida da seguinte maneira.[3] Deus é parte do processo do tempo, em direção ao futuro. Portanto, não é absoluto, está a caminho do futuro, onde se cumprirão as suas promessas. O futuro é a natureza essencial de Deus. A ressurreição de Jesus Cristo enquanto um evento histórico não tem nenhuma importância. A importância na ressurreição de Cristo é escatológica e deve ser vista na perspectiva do futuro, porque dá a esperança de uma ressurreição geral. Em lugar de olhar a partir duma tumba vazia em direção ao futuro, Moltmann sugere olhar o futuro porque este legitima a ressurreição de Cristo. O homem também deve perceber-se na perspectiva do futuro. Ele diz que “o homem somente pode entender-se com referência à história continuamente em desenvolvimento em relação com o futuro de Deus.[4] A solução para o homem é associar-se com Deus que “se apresenta sempre que a humanidade se despreza ou brutaliza.” Moltmann o chama de teologia da cruz. O homem participa nesta teologia da cruz aceitando que os desafios da vida são momentos futuros que se rompem no presente.”[5] O homem deve participar ativamente na sociedade para transformá-la. Devem eliminar as diferenças de “raças, classes, status e igrejas nacionais.”[6] A igreja tem a capacidade de moldar o futuro e deve pregar para transformar a sociedade.[7] A igreja deve ver além da salvação “pessoal” para desafiar todas as barreiras e estruturas entre diferentes pessoas.[8] A igreja é o instrumento de Deus para a mudança, para reconciliar aos ricos com os pobres, as raças e as estruturas artificiais. A revolução pode ser um dos meios para que a igreja introduza mudanças.
AVALIAÇÃO DA TEOLOGIA DE MOLTMANN
Jürgen Moltmann nega a compreensão normal da história por causa da sua ênfase no futuro. Rejeita o significado da historicidade da ressurreição de Cristo. Dada a sua alienação da história com a escatologia, nega o verdadeiro significado da história e dos eventos históricos. Moltmann nega a imutabilidade de Deus (Ml 3:6), e sugere que Deus não é absoluto, senão que “se move para o futuro”.
A influência do Marxismo e do “Marxismo cristão” de Ernst Bloch é evidente em seu conceito de mudar a sociedade. Sem dúvida alguma, grande parte da Teologia da Libertação tem as suas raízes na teologia da revolução e da mudança social de Moltmann. Tal transformação não se alcançará pela salvação individual, a não ser que a igreja confronte a sociedade com estas injustiças.
A esperança futura de Moltmann também está ligada ao humanismo otimista e com a filosofia hegeliana: vê o caos no passado (tese), esperança no futuro (antítese) e a necessidade de que os atos presentes efetuem mudanças (síntese). Em resumo, Moltmann deve muito mais a Karl Marx do que às Escrituras.
NOTAS:
[1] Publicado no Brasil como Jürgen Moltmann, Teologia da Esperança (). Nota do tradutor.
[2] David Scaer, “Theology of Hope” in Stanley N. Gundry & Alan F. Johnson, eds., Tensions in Contemporary Theology (Chicago, Moody, 1976), p. 210.
[3] Para um resumo da teologia de Moltmann veja Scaer, “Theology of Hope”, pp. 212-218 e Harvie M. Conn, Contemporary World Theology (Nutley, Presbyterian & Reformed, 1974), pp. 59-65.
[4] Scaer, “Theology of Hope”, p. 212.
[5] Ibidem, p. 213.
[6] Jürgen Moltmann, The Experiment Hope (Philadelphia, Fortpress, 1975), p. 117.
[7] Conn, Contemporary World Theology, p. 62.
[8] S.M. Smith, “Hope, Theology of”, in Walter A. Elwell, ed., Evangelical Dictionary of Theology (Grand Rapids, Baker, 1984), p. 533.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de Paul P. Enns, Compendio Portavoz de Teología (Grand Rapids, Portavoz, 2010), pp. 617-618.
12 janeiro 2012
Desmitologização - A mensagem de Rudolf Bultmann
Escrito por Harvie M. Conn
Uma das palavras-chave para entender a teologia do século XX é “desmitologização”. Rudolf Bultmann tornou este termo famoso quando o introduziu num ensaio em 1941.[1]
O impacto deste conceito na Europa foi enorme. E, se bem que em alguns aspectos a atualmente a Alemanha não demonstra interesse por este conceito como antes, o interesse está aumentando nos EUA e na Ásia.[2] A ideia recebeu novo estímulo quando o bispo John Robinson da Inglaterra a popularizou em seu livro Honest to God (1963).[3]
Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bultmann nesta palavra. No capítulo anterior tratamos de indicar outra parte muito importante da atual influência de Bultmann.[4] Todavia, o programa de desmitologização é sem dúvida uma parte importante da teologia deste professor e, a parte que continua ainda hoje a mais controvertida.
1. O centro do programa de desmitologização é a afirmação de Bultmann de que no NT se encontram duas coisas: 1) o evangelho cristão; e, 2) a cosmogonia do século I de índole mitológica. A essência do evangelho, que era o que Bultmann chama de kerygma (transliteração da palavra grega que significa “o conteúdo do que se prega”), é a entranha irredutível que devemos apresentar aos nossos contemporâneos e o que devemos crer. Todavia, o homem moderno não pode aceitar a moldura mítica que envolve a essência do evangelho. Por isso, “a teologia deve empreender a tarefa de despojar o kerygma da casca mitológica a envolve.[5] Segundo Bultmann esta “casca mitológica” não é cristã de modo algum.
2. O “mito” para Bultmann é a racionalização indiferenciada de uma época pré-científica.[6] o propósito do mito é expressar o modo como o homem se vê, não apresentar um quadro objetivo do mundo. O mito emprega imagens e termos emprestados deste mundo para expressar estas convicções da cosmovisão que o homem tem de si mesmo. Deste modo, no século I, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. No século I se cria que o universo tinha três níveis, acima estava o céu, no meio a terra, e embaixo o inferno. Bultmann afirma que esta é a cosmovisão que se encontra na Bíblia. A ordem natural que se vê perturbado por intervenções sobrenaturais.
3. Segundo Bultmann, esta transformação mítica do mundo também foi utilizada para transformar a mensagem acerca de Jesus. A pessoa histórica de Jesus se converteu muito cedo, num mito no Cristianismo primitivo e, por isso, “Bultmann argumenta que o conhecimento histórico acerca de Jesus não tem importância para a fé cristã.”[7] É este mito que é apresentado no quadro do NT acerca de Jesus. Afirma-se que os fatos históricos a respeito de Jesus foram transformados numa história mítica de um ser divino preexistente que se encarnou e expiou com o seu sangue os pecados dos homens, ressuscitou dentre os mortos, ascendeu ao céu e, segundo se cria, regressaria em breve para julgar ao mundo e iniciar a nova era. Esta história central se estabeleceu, segundo disse, também com históricas miraculosas, acerca de vozes do céu, triunfos sobre demônios, e etc.. Devemos recordar que Bultmann afirma que toda esta apresentação de Jesus no NT não é história, senão mitos, ou seja, as formas de pensar das pessoas que criaram estes mitos intencionavam entender a si mesmas. São mitos que não tem validade para o homem do século XX, que crê em hospitais e não em milagres, em penicilina e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o NT do mito e colocar em descoberto o propósito original que está oculto por trás do mito. O processo de descobrimento é a “desmitologização”.
4. Este processo não significa negar a mitologia, segundo Bultmann. Significa interpretá-la existencialmente, ou seja, em função da compreensão do homem e de sua própria existência, e em termos que o homem atual possa entender. Bultmann o faz com a utilização dos conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889-).[8] Assim, por exemplo, o suposto mito do nascimento virginal de Cristo afirma-se que é um intento de expressar o significado de Jesus para a fé. William Hordern Observa que “tais mitos dizem que Cristo nos veio como uma ação de Deus”[9]. A cruz de Cristo não significa a respeito da carga vicária de nossos pecados por Jesus. Tem significado somente como um símbolo de que o homem assume uma nova existência, renunciando a toda segurança material por uma nova vida que se vive apoiada no transcendente.[10]
5. Em último lugar, Bultmann disse que as características básicas da mitologia do NT se concentram em duas classes de auto-compreensão. Uma é a vida fora da fé e a outra é a vida da fé. Os termos pecado, carne, temor e morte são explicações míticas desta vida fora da fé. Em termos existenciais, se diz que significam vida em escravidão a realidades tangíveis, visíveis que perecem. A vida da fé, por outro lado, significa abandonar esta adesão às realidades tangíveis e visíveis. Significa libertação do próprio passado e abertura para o futuro de Deus. Segundo Bultmann, este é o único significado real da escatologia. A implicação é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão e obediência.
Bultmann nos ajuda a recordar a necessidade de entender ao homem moderno quando lhe pregamos. E, nos lembra também da necessidade de assegurarmos de que não somente proclamaremos o evangelho com simplicidade, senão que também o apliquemos. Acerca disto, é interessante que estudioso coreanos como o professor Ryu Tong-shik e o Dr Yun Sung-bum utilizam muito a ênfase hermenêutica de Bultmann para apresentar a chamada “indigenização da teologia.”[11] Reconhecem que Bultmann luta com problemas bem semelhantes.
Mas, por várias razões, o nosso juízo da desmitologização deve ser negativo.
1. A “desmitologização” tanto como a neo-ortodoxia, deve muito a uma escola filosófica, o Existencialismo, que está em desarmonia com o NT. O enfoque do primeiro está centralizado no homem, enquanto que o outro centraliza-se profundamente em Deus. Ao intentar adaptar essas categorias centradas no homem, no empenho de fazer o NT nos dizer algo a respeito da existência humana, Bultmann não somente se mostra injusto com o caráter teocêntrico do Cristianismo, como também perde o único centro com o qual se pode entender adequadamente o homem em sua essência. O propósito verdadeiro do NT é proclamar que o Deus soberano veio, e que a sua vinda em Cristo foi para restaurar a verdadeira natureza do homem como imagem de Deus. O coração do NT continua sendo não o homem, mas Deus.
2. A “desmitologização” destrói o fundamento do Cristianismo na história. A religião da Bíblia se converte numa religião baseada em mitos. Herman Ridderbos nota que, segundo Bultmann, Jesus “não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nascido da virgem Maria. Embora tenha sofrido sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, mas não desceu ao inferno. Não ressuscitou ao terceiro dia dentre os mortos; nem ascendeu aos céus. Não está assentado à direita de Deus Pai, e não retornará para julgar aos vivos e mortos.”[12] De acordo com Bultmann, estas palavras estão desprovidas de todo significado literal. São mitológicas e, não indicam nenhuma realidade histórica objetiva. Assim é também no caso da Trindade, a expiação substitutiva e a obra do Espírito Santo.
3. O Cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e obra de Cristo. Nenhuma outra explicação pode justificar o nascimento da Igreja e da sua teologia. Mas Bultmann reduz a influência de Jesus à zero. Presume que praticamente todos os registros confiáveis acerca de Jesus caíram destruídos ou suprimidos no breve período que transcorreu entre a sua vida terrena e a pregação do evangelho. Um ceticismo tal é insustentável. Deve-se recordar que Jesus o Mestre, eram maior que a comunidade-discípulo a que ensinou.
4. A “desmitologização” do mesmo modo que o liberalismo clássico, conduz a um ceticismo radical acerca do caráter sobrenatural do NT. E, por esta mesma razão, chamam-no de “neo-liberalismo”.[13] O programa de Bultmann exige nada menos do que um repúdio radical do sobrenaturalismo do Cristianismo clássico. Todas as doutrinas às que Bultmann chama de mitos, o NT as chama de fatos. Todo isto está bem de acordo com a ênfase antropocêntrica de Bultmann. Mas se opõe radicalmente ao caráter teocêntrico do NT.
5. A premissa de Bultmann de que a relevância do evangelho será vista claramente pelo homem moderno, ignora a depravação do coração humano. Não é a “desmitologização”, senão que o Espírito Santo, quem poderá dissipar as trevas da incredulidade e capacitar que o pecador veja o evangelho. Apesar de todos os esforços que se faça para aplicar o evangelho, o “homem natural não percebe as coisas que são do Espírito de Deus, porque para ele é loucura” (1 Co 2:14).
NOTAS:
[1] Rudolf Bultmann, “New Testament and Mythology” in Kerygma and Myth (London, The Tyndale Press, 1956).
[2] O interesse no Brasil é provocado pela EST de São Leopoldo, instituição teológica da Igreja Luterana de Confissão Luterana, e pela Editora Sinodal que tem publicado em português alguns dos livros de Bultmann. Nota do tradutor.
[3] O autor se refere ao livro de John Robinson, Honest to God (Philadelphia, Westminster & John Knox Press, 1963). Nota do tradutor.
[4] O autor se refere ao capítulo IV “Crítica da Forma” – O método de Bultmann, pp. 32-37. Nota do tradutor.
[5] Ibidem, p. 3.
[6] Há uma excelente exposição crítica do conceito de mito de Bultmann no livro de Philip E. Hughes, Scripture and Myth (London, The Tyndale Press, 1956).
[7] William Hordern, A Layman’s Guide to Protestant Theology (New York, The Macmillan Co., 1968), p. 201.
[8] A apresentação mais complete da relação entre Heidegger e Bultmann pode-se encontrar em: John Macquarrie, An Existencialist Theology (London, SCM Press, 1955). Uma crítica reformada desta dependência se encontra em Robert D. Knudsen, “Bultmann” in Philip E. Hugues, ed., Creative Minds in Contemporary Theology (Grand Rapids, Eerdmans, 1966), pp. 131ss.
[9] William Hordern, A Layman’s Guide to Protestant Theology, p. 205.
[10] Ridderbos, pp. 23-36.
[11] Kan Ha-bae, pp. 41-42.
[12] Ridderbos, pp. 26-46.
[13] Esta designação forma parte do léxico reformado (conf. Klaas Runia, loc. cit., exemplos de tal uso). O perigo é ocorra de se distinguir demasiadamente os pressupostos de Bultmann dos de Barth.
Tradução de Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de Harvie M. Conn, Teología Contemporánea en el Mundo (Grand Rapids, Libros Desafío, 1992), pp. 38-42.
Uma das palavras-chave para entender a teologia do século XX é “desmitologização”. Rudolf Bultmann tornou este termo famoso quando o introduziu num ensaio em 1941.[1]
O impacto deste conceito na Europa foi enorme. E, se bem que em alguns aspectos a atualmente a Alemanha não demonstra interesse por este conceito como antes, o interesse está aumentando nos EUA e na Ásia.[2] A ideia recebeu novo estímulo quando o bispo John Robinson da Inglaterra a popularizou em seu livro Honest to God (1963).[3]
Não é possível sintetizar todo o pensamento de Bultmann nesta palavra. No capítulo anterior tratamos de indicar outra parte muito importante da atual influência de Bultmann.[4] Todavia, o programa de desmitologização é sem dúvida uma parte importante da teologia deste professor e, a parte que continua ainda hoje a mais controvertida.
1. O centro do programa de desmitologização é a afirmação de Bultmann de que no NT se encontram duas coisas: 1) o evangelho cristão; e, 2) a cosmogonia do século I de índole mitológica. A essência do evangelho, que era o que Bultmann chama de kerygma (transliteração da palavra grega que significa “o conteúdo do que se prega”), é a entranha irredutível que devemos apresentar aos nossos contemporâneos e o que devemos crer. Todavia, o homem moderno não pode aceitar a moldura mítica que envolve a essência do evangelho. Por isso, “a teologia deve empreender a tarefa de despojar o kerygma da casca mitológica a envolve.[5] Segundo Bultmann esta “casca mitológica” não é cristã de modo algum.
2. O “mito” para Bultmann é a racionalização indiferenciada de uma época pré-científica.[6] o propósito do mito é expressar o modo como o homem se vê, não apresentar um quadro objetivo do mundo. O mito emprega imagens e termos emprestados deste mundo para expressar estas convicções da cosmovisão que o homem tem de si mesmo. Deste modo, no século I, o judeu entendia o seu mundo como um sistema aberto a Deus e aos poderes sobrenaturais. No século I se cria que o universo tinha três níveis, acima estava o céu, no meio a terra, e embaixo o inferno. Bultmann afirma que esta é a cosmovisão que se encontra na Bíblia. A ordem natural que se vê perturbado por intervenções sobrenaturais.
3. Segundo Bultmann, esta transformação mítica do mundo também foi utilizada para transformar a mensagem acerca de Jesus. A pessoa histórica de Jesus se converteu muito cedo, num mito no Cristianismo primitivo e, por isso, “Bultmann argumenta que o conhecimento histórico acerca de Jesus não tem importância para a fé cristã.”[7] É este mito que é apresentado no quadro do NT acerca de Jesus. Afirma-se que os fatos históricos a respeito de Jesus foram transformados numa história mítica de um ser divino preexistente que se encarnou e expiou com o seu sangue os pecados dos homens, ressuscitou dentre os mortos, ascendeu ao céu e, segundo se cria, regressaria em breve para julgar ao mundo e iniciar a nova era. Esta história central se estabeleceu, segundo disse, também com históricas miraculosas, acerca de vozes do céu, triunfos sobre demônios, e etc.. Devemos recordar que Bultmann afirma que toda esta apresentação de Jesus no NT não é história, senão mitos, ou seja, as formas de pensar das pessoas que criaram estes mitos intencionavam entender a si mesmas. São mitos que não tem validade para o homem do século XX, que crê em hospitais e não em milagres, em penicilina e não em orações. Para transmitir com eficácia o evangelho ao homem moderno, devemos despojar o NT do mito e colocar em descoberto o propósito original que está oculto por trás do mito. O processo de descobrimento é a “desmitologização”.
4. Este processo não significa negar a mitologia, segundo Bultmann. Significa interpretá-la existencialmente, ou seja, em função da compreensão do homem e de sua própria existência, e em termos que o homem atual possa entender. Bultmann o faz com a utilização dos conceitos do filósofo existencialista alemão Martin Heidegger (1889-).[8] Assim, por exemplo, o suposto mito do nascimento virginal de Cristo afirma-se que é um intento de expressar o significado de Jesus para a fé. William Hordern Observa que “tais mitos dizem que Cristo nos veio como uma ação de Deus”[9]. A cruz de Cristo não significa a respeito da carga vicária de nossos pecados por Jesus. Tem significado somente como um símbolo de que o homem assume uma nova existência, renunciando a toda segurança material por uma nova vida que se vive apoiada no transcendente.[10]
5. Em último lugar, Bultmann disse que as características básicas da mitologia do NT se concentram em duas classes de auto-compreensão. Uma é a vida fora da fé e a outra é a vida da fé. Os termos pecado, carne, temor e morte são explicações míticas desta vida fora da fé. Em termos existenciais, se diz que significam vida em escravidão a realidades tangíveis, visíveis que perecem. A vida da fé, por outro lado, significa abandonar esta adesão às realidades tangíveis e visíveis. Significa libertação do próprio passado e abertura para o futuro de Deus. Segundo Bultmann, este é o único significado real da escatologia. A implicação é que o viver escatológico genuíno é viver em constante renovação através da decisão e obediência.
Bultmann nos ajuda a recordar a necessidade de entender ao homem moderno quando lhe pregamos. E, nos lembra também da necessidade de assegurarmos de que não somente proclamaremos o evangelho com simplicidade, senão que também o apliquemos. Acerca disto, é interessante que estudioso coreanos como o professor Ryu Tong-shik e o Dr Yun Sung-bum utilizam muito a ênfase hermenêutica de Bultmann para apresentar a chamada “indigenização da teologia.”[11] Reconhecem que Bultmann luta com problemas bem semelhantes.
Mas, por várias razões, o nosso juízo da desmitologização deve ser negativo.
1. A “desmitologização” tanto como a neo-ortodoxia, deve muito a uma escola filosófica, o Existencialismo, que está em desarmonia com o NT. O enfoque do primeiro está centralizado no homem, enquanto que o outro centraliza-se profundamente em Deus. Ao intentar adaptar essas categorias centradas no homem, no empenho de fazer o NT nos dizer algo a respeito da existência humana, Bultmann não somente se mostra injusto com o caráter teocêntrico do Cristianismo, como também perde o único centro com o qual se pode entender adequadamente o homem em sua essência. O propósito verdadeiro do NT é proclamar que o Deus soberano veio, e que a sua vinda em Cristo foi para restaurar a verdadeira natureza do homem como imagem de Deus. O coração do NT continua sendo não o homem, mas Deus.
2. A “desmitologização” destrói o fundamento do Cristianismo na história. A religião da Bíblia se converte numa religião baseada em mitos. Herman Ridderbos nota que, segundo Bultmann, Jesus “não foi concebido pelo Espírito Santo, nem nascido da virgem Maria. Embora tenha sofrido sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, mas não desceu ao inferno. Não ressuscitou ao terceiro dia dentre os mortos; nem ascendeu aos céus. Não está assentado à direita de Deus Pai, e não retornará para julgar aos vivos e mortos.”[12] De acordo com Bultmann, estas palavras estão desprovidas de todo significado literal. São mitológicas e, não indicam nenhuma realidade histórica objetiva. Assim é também no caso da Trindade, a expiação substitutiva e a obra do Espírito Santo.
3. O Cristianismo primitivo está marcado pelo impacto da pessoa e obra de Cristo. Nenhuma outra explicação pode justificar o nascimento da Igreja e da sua teologia. Mas Bultmann reduz a influência de Jesus à zero. Presume que praticamente todos os registros confiáveis acerca de Jesus caíram destruídos ou suprimidos no breve período que transcorreu entre a sua vida terrena e a pregação do evangelho. Um ceticismo tal é insustentável. Deve-se recordar que Jesus o Mestre, eram maior que a comunidade-discípulo a que ensinou.
4. A “desmitologização” do mesmo modo que o liberalismo clássico, conduz a um ceticismo radical acerca do caráter sobrenatural do NT. E, por esta mesma razão, chamam-no de “neo-liberalismo”.[13] O programa de Bultmann exige nada menos do que um repúdio radical do sobrenaturalismo do Cristianismo clássico. Todas as doutrinas às que Bultmann chama de mitos, o NT as chama de fatos. Todo isto está bem de acordo com a ênfase antropocêntrica de Bultmann. Mas se opõe radicalmente ao caráter teocêntrico do NT.
5. A premissa de Bultmann de que a relevância do evangelho será vista claramente pelo homem moderno, ignora a depravação do coração humano. Não é a “desmitologização”, senão que o Espírito Santo, quem poderá dissipar as trevas da incredulidade e capacitar que o pecador veja o evangelho. Apesar de todos os esforços que se faça para aplicar o evangelho, o “homem natural não percebe as coisas que são do Espírito de Deus, porque para ele é loucura” (1 Co 2:14).
NOTAS:
[1] Rudolf Bultmann, “New Testament and Mythology” in Kerygma and Myth (London, The Tyndale Press, 1956).
[2] O interesse no Brasil é provocado pela EST de São Leopoldo, instituição teológica da Igreja Luterana de Confissão Luterana, e pela Editora Sinodal que tem publicado em português alguns dos livros de Bultmann. Nota do tradutor.
[3] O autor se refere ao livro de John Robinson, Honest to God (Philadelphia, Westminster & John Knox Press, 1963). Nota do tradutor.
[4] O autor se refere ao capítulo IV “Crítica da Forma” – O método de Bultmann, pp. 32-37. Nota do tradutor.
[5] Ibidem, p. 3.
[6] Há uma excelente exposição crítica do conceito de mito de Bultmann no livro de Philip E. Hughes, Scripture and Myth (London, The Tyndale Press, 1956).
[7] William Hordern, A Layman’s Guide to Protestant Theology (New York, The Macmillan Co., 1968), p. 201.
[8] A apresentação mais complete da relação entre Heidegger e Bultmann pode-se encontrar em: John Macquarrie, An Existencialist Theology (London, SCM Press, 1955). Uma crítica reformada desta dependência se encontra em Robert D. Knudsen, “Bultmann” in Philip E. Hugues, ed., Creative Minds in Contemporary Theology (Grand Rapids, Eerdmans, 1966), pp. 131ss.
[9] William Hordern, A Layman’s Guide to Protestant Theology, p. 205.
[10] Ridderbos, pp. 23-36.
[11] Kan Ha-bae, pp. 41-42.
[12] Ridderbos, pp. 26-46.
[13] Esta designação forma parte do léxico reformado (conf. Klaas Runia, loc. cit., exemplos de tal uso). O perigo é ocorra de se distinguir demasiadamente os pressupostos de Bultmann dos de Barth.
Tradução de Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de Harvie M. Conn, Teología Contemporánea en el Mundo (Grand Rapids, Libros Desafío, 1992), pp. 38-42.
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11 janeiro 2012
A incompatilidade pastoral com a teologia de Rudolf Bultmann
Escritor por R.C. Roberts
Rudolf Bultmann (1884-1976) catedrático de teologia na Universidade de Marburg, Alemanha. Exerceu grande influência durante toda a sua vida como exegeta, teólogo e crítico historiador do Novo Testamento.
A TEOLOGIA DE BULTMANN
Associado intensamente com a filosofia nascente e existencialista de Martin Heidegger (1889-1976), Bultmann foi especialmente famoso por sua proposta de que os teólogos “desmistificaram” o Novo Testamento. Em sua obra esta desmistificação consistia em entender que os documentos do NT continham, por uma parte, um paradigma antiquado sobre o mundo de qual deveríamos nos libertar se nós, da geração moderna, se quisermos entendê-lo; e, por outro lado, uma mensagem que necessitamos desesperadamente se queremos ser autênticos seres humanos. Assim, considerava a desmistificação como uma atividade profundamente prática e importante a partir do ponto de vista pastoral.
Segundo esta interpretação os documentos do NT poderiam falar às pessoas contemporâneas que não crêem numa divisão tripartida do universo, ou na intervenção miraculosa divina em processos naturais, ou na invasão da personalidade (por espíritos celestiais, ou não). Uma vez que se retire o tom mitológico, a mensagem essencial de salvação do NT (o “kerygma”) poderia chegar as pessoas de hoje, incentivando-as a tomar uma decisão e permitindo-lhes “abrirem-se para o futuro”. Segundo a teologia de Bultmann, esta abertura é o que o NT denomina como fé.
Poderíamos dizer que a “teologia” de Bultmann é pouco mais que uma análise racional hermenêutica para detectar no NT a antiga filosofia de Heidegger. Essa filosofia é basicamente uma teoria da natureza humana e, diz que todos somos, em essência, necessitados de tomar decisões. Deste modo, é óbvio dizer que tomamos decisões, pois é evidente, que se tem em mente o pensamento de Heidegger na obra de Bultmann e, isto torna o caso mais problemático: se tomamos decisões, nos traímos até o ponto em que nos identificamos com qualquer coisa fixa, aceita, passada, estabelecida, permanente ou objetiva. Por exemplo, se pensamos em Deus como um ser que realmente existe, que escuta nossas orações e que tem um plano para nós, nos identificamos com esse Deus (por exemplo, considerando-nos seus filhos), e isto, não é “autêntico”. Ou, se nos identificamos em termos da biografia objetiva de Jesus Cristo, acentuando o personagem histórico como nosso salvador, então, estamos traindo a nossa verdadeira natureza como tomadores de decisões. Ou, ainda, sejam as que foram nossas virtudes permanentes (paciência, compaixão, coragem, fé, esperança, ou amor), estas não podem constituir o nosso verdadeiro eu; não existimos em nossas disposições, senão que somente em nossos atos e, conseqüentemente, no “momento”.
Assim, é uma característica endêmica dos humanos que violemos nossa natureza ao pensar em nós mesmos em termos do que está fixo, o que perdura e o passado; isto é o que o NT chama de pecado. Ser autentico consiste em estar radicalmente aberto para o “futuro”, entendido no contexto da pura “possibilidade”, de onde não há nada aceito, estabelecido, fixo, etc., de onde nada é metafísico, nem histórico (no sentido padrão do passado) ou psicológico.
AS IMPLICAÇÕES ÉTICAS E PASTORAIS
Quais são as implicações se colocada em prática a teologia de Bultmann na prática ética e espiritual de uma igreja local? Um pastor ao estilo de Bultmann não faria nada para estimular nos membros de sua igreja as marcas da personalidade de Cristo, nem intentaria exortar à congregação para que se dedicar a buscar uma mudança social. Tal como comenta Bultmann que “a exigência de Deus... não se dirige, nem à formação de um ‘caráter’ nem a conformação de uma sociedade humana” (Theology of the New Testament, vol. 1, p. 19).
O motivo disto se faz evidente partindo do que foi dito: a espiritualidade cristã, segundo Bultmann, supõe dissociar-se das características da personalidade própria ou de qualquer resultado objetivo que possam alcançar os nossos atos. Enraíza puramente na afirmação de que o sujeito é um tomador de decisões e, transcendente de todas essas “atualidades”. O pastor não tem como objetivo a transformação permanentemente das pessoas, senão que em lugar disto apresenta o “kerigma” momento após momento, para suscitar “decisões” que, no instante seguinte, devem refazer ou cair em falta de autenticidade. Bultmann nega diretamente, baseando-se nos princípios de sua teologia, o paradigma cristão clássico, que sustenta que a obra pastoral consiste em fomentar as virtudes cristãs nos membros da congregação.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Diccionário Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 283-285.
Rudolf Bultmann (1884-1976) catedrático de teologia na Universidade de Marburg, Alemanha. Exerceu grande influência durante toda a sua vida como exegeta, teólogo e crítico historiador do Novo Testamento.
A TEOLOGIA DE BULTMANN
Associado intensamente com a filosofia nascente e existencialista de Martin Heidegger (1889-1976), Bultmann foi especialmente famoso por sua proposta de que os teólogos “desmistificaram” o Novo Testamento. Em sua obra esta desmistificação consistia em entender que os documentos do NT continham, por uma parte, um paradigma antiquado sobre o mundo de qual deveríamos nos libertar se nós, da geração moderna, se quisermos entendê-lo; e, por outro lado, uma mensagem que necessitamos desesperadamente se queremos ser autênticos seres humanos. Assim, considerava a desmistificação como uma atividade profundamente prática e importante a partir do ponto de vista pastoral.
Segundo esta interpretação os documentos do NT poderiam falar às pessoas contemporâneas que não crêem numa divisão tripartida do universo, ou na intervenção miraculosa divina em processos naturais, ou na invasão da personalidade (por espíritos celestiais, ou não). Uma vez que se retire o tom mitológico, a mensagem essencial de salvação do NT (o “kerygma”) poderia chegar as pessoas de hoje, incentivando-as a tomar uma decisão e permitindo-lhes “abrirem-se para o futuro”. Segundo a teologia de Bultmann, esta abertura é o que o NT denomina como fé.
Poderíamos dizer que a “teologia” de Bultmann é pouco mais que uma análise racional hermenêutica para detectar no NT a antiga filosofia de Heidegger. Essa filosofia é basicamente uma teoria da natureza humana e, diz que todos somos, em essência, necessitados de tomar decisões. Deste modo, é óbvio dizer que tomamos decisões, pois é evidente, que se tem em mente o pensamento de Heidegger na obra de Bultmann e, isto torna o caso mais problemático: se tomamos decisões, nos traímos até o ponto em que nos identificamos com qualquer coisa fixa, aceita, passada, estabelecida, permanente ou objetiva. Por exemplo, se pensamos em Deus como um ser que realmente existe, que escuta nossas orações e que tem um plano para nós, nos identificamos com esse Deus (por exemplo, considerando-nos seus filhos), e isto, não é “autêntico”. Ou, se nos identificamos em termos da biografia objetiva de Jesus Cristo, acentuando o personagem histórico como nosso salvador, então, estamos traindo a nossa verdadeira natureza como tomadores de decisões. Ou, ainda, sejam as que foram nossas virtudes permanentes (paciência, compaixão, coragem, fé, esperança, ou amor), estas não podem constituir o nosso verdadeiro eu; não existimos em nossas disposições, senão que somente em nossos atos e, conseqüentemente, no “momento”.
Assim, é uma característica endêmica dos humanos que violemos nossa natureza ao pensar em nós mesmos em termos do que está fixo, o que perdura e o passado; isto é o que o NT chama de pecado. Ser autentico consiste em estar radicalmente aberto para o “futuro”, entendido no contexto da pura “possibilidade”, de onde não há nada aceito, estabelecido, fixo, etc., de onde nada é metafísico, nem histórico (no sentido padrão do passado) ou psicológico.
AS IMPLICAÇÕES ÉTICAS E PASTORAIS
Quais são as implicações se colocada em prática a teologia de Bultmann na prática ética e espiritual de uma igreja local? Um pastor ao estilo de Bultmann não faria nada para estimular nos membros de sua igreja as marcas da personalidade de Cristo, nem intentaria exortar à congregação para que se dedicar a buscar uma mudança social. Tal como comenta Bultmann que “a exigência de Deus... não se dirige, nem à formação de um ‘caráter’ nem a conformação de uma sociedade humana” (Theology of the New Testament, vol. 1, p. 19).
O motivo disto se faz evidente partindo do que foi dito: a espiritualidade cristã, segundo Bultmann, supõe dissociar-se das características da personalidade própria ou de qualquer resultado objetivo que possam alcançar os nossos atos. Enraíza puramente na afirmação de que o sujeito é um tomador de decisões e, transcendente de todas essas “atualidades”. O pastor não tem como objetivo a transformação permanentemente das pessoas, senão que em lugar disto apresenta o “kerigma” momento após momento, para suscitar “decisões” que, no instante seguinte, devem refazer ou cair em falta de autenticidade. Bultmann nega diretamente, baseando-se nos princípios de sua teologia, o paradigma cristão clássico, que sustenta que a obra pastoral consiste em fomentar as virtudes cristãs nos membros da congregação.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Diccionário Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 283-285.
10 janeiro 2012
A doutrina da expiação em Anselmo de Canterbury
Escrito por A.G. Vos
Anselmo (1033-1109) natural de Aosta, Itália, Anselmo estudou em Bec, Normandia, cidade onde mais tarde tornou-se bispo (1063), e abade (1078). Foi nomeado arcebispo de Canterbury em 1093.
O espírito que animava o pensamento de Anselmo era o objetivo agostiniano de que a fé está em busca do entendimento. Relaciona-se deste modo com Deus no primeiro capítulo de seu Proslogion: “Desejo compreender em certa medida a tua verdade, que o meu coração crê e ama. Porque não desejo compreender para crer, senão crer para compreender.” Talvez, Anselmo seja conhecido sobretudo pelo seu argumento a favor da existência de Deus, o assim chamado “argumento ontológico” do Proslogion, que passa do conceito de Deus para a sua realidade.
Dentro da teologia Anselmo fez uma importante contribuição para a doutrina da expiação em sua obra Cur Deus Homo (Por que Deus se fez homem?). Anselmo rejeitou o paradigma conhecido como a teoria do resgate, de que em virtude do pecado humano, o diabo teria “direitos legítimos de propriedade sobre o homem.” O pecado “não é mais do que não dar a Deus o que lhe é devido”, resultando em não lhe concedendo a honra. Não seria justo que Deus cancelasse o pecado sem retribuição pelo pecado; pelo contrário, o que peca deve sofrer um castigo pelo pecado. Sendo a humanidade foi criada por Deus, lhe somos deveremos de tudo, e somos incapazes de fazer expiação por nossos pecados. Somente Cristo assumindo, voluntariamente a natureza humana e morrendo, pode dar a honra que corresponde a Deus. Cristo oferecendo voluntariamente ao Pai o preço por aquilo que ele mesmo não devia, alcança a expiação pela humanidade.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Diccionário Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 227-228
Anselmo (1033-1109) natural de Aosta, Itália, Anselmo estudou em Bec, Normandia, cidade onde mais tarde tornou-se bispo (1063), e abade (1078). Foi nomeado arcebispo de Canterbury em 1093.
O espírito que animava o pensamento de Anselmo era o objetivo agostiniano de que a fé está em busca do entendimento. Relaciona-se deste modo com Deus no primeiro capítulo de seu Proslogion: “Desejo compreender em certa medida a tua verdade, que o meu coração crê e ama. Porque não desejo compreender para crer, senão crer para compreender.” Talvez, Anselmo seja conhecido sobretudo pelo seu argumento a favor da existência de Deus, o assim chamado “argumento ontológico” do Proslogion, que passa do conceito de Deus para a sua realidade.
Dentro da teologia Anselmo fez uma importante contribuição para a doutrina da expiação em sua obra Cur Deus Homo (Por que Deus se fez homem?). Anselmo rejeitou o paradigma conhecido como a teoria do resgate, de que em virtude do pecado humano, o diabo teria “direitos legítimos de propriedade sobre o homem.” O pecado “não é mais do que não dar a Deus o que lhe é devido”, resultando em não lhe concedendo a honra. Não seria justo que Deus cancelasse o pecado sem retribuição pelo pecado; pelo contrário, o que peca deve sofrer um castigo pelo pecado. Sendo a humanidade foi criada por Deus, lhe somos deveremos de tudo, e somos incapazes de fazer expiação por nossos pecados. Somente Cristo assumindo, voluntariamente a natureza humana e morrendo, pode dar a honra que corresponde a Deus. Cristo oferecendo voluntariamente ao Pai o preço por aquilo que ele mesmo não devia, alcança a expiação pela humanidade.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Diccionário Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 227-228
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08 janeiro 2012
O ministério pastoral de Richard Baxter
Escrito por J.I. Packer
Richard Baxter (1615-1691) foi clérigo puritano, autor de várias obras doutrinárias, apologéticas, evangelísticas, éticas, pastorais, eclesiásticas e devocionais. Após um notável ministério pastoral em Kidderminster, Worcestershire, em 1641-1641 e 1667-1671, junto com outras quase 2000 pessoas, Baxter recusou o juramento que comportava a Lei da Uniformidade de 1662, que exigia ao clero britânico que aceitasse e consentisse plenamente com todo o conteúdo do Livro de Oração Comum de 1559. Deste modo, retirou-se do serviço paroquial. Depois se dedicou a escrever incansavelmente, convertendo-se no teólogo britânico mais prolixo da história.
Era um autodidata, mas bem conhecedor das obras medievais e patrísticas, assim como a literatura teológica dos séculos XVI e XVII, Baxter se considerava um puritano ortodoxo, e a maior parte de sua teologia o era. Todavia, ensinava que a redenção universal numa perspectiva amiraldiana era o fundamento para o convite universal do evangelho. Sustentava um ponto de vista sobre a justificação baseado em Armínio, entendo-a como uma anistia condicionada à constante obediência a uma nova lei (neonomianismo); e, também um paradigma implicitamente sociniano sobre a coerência do Cristianismo com a teologia natural, que após a sua morte conduziria ao racionalismo unitário.
Todavia, Baxter em relação ao Cristianismo prático não tem comparação. A sua extensa obra de 1673 pretende ensinar aos cristãos como empregar os seus conhecimentos e a sua fé. Em sua obra A Christian Directory divide em quatro partes: 1. Ética cristã (ou, dos Deveres Particulares); 2. Economia cristã (ou, dos Deveres Familiares); 3. Eclesiástico cristão (ou, dos Deveres da Igreja); 4. Política cristã (ou, dos Deveres Para Com os Governantes e Nosso Próximo). Além do mais, esta obra intenciona explicar como melhorar o grau de ajuda aos outros, e os meios para proporcioná-la cumprindo todos os deveres sociais; como superar as tentações e como escapar de (ou mortificar) todo pecado. Fundamentando-se nas ideias de William Perkins (1558-1602), William Ames (1576-1633), Robert Sanderson (1587-1663) e Jeremy Taylor, Baxter cumpre literalmente o que promete no título de seu livro.
Outros clássicos devocionais saíram da sua pena. Como por exemplo, The Saints’ Everlasting Rest escrito em 1650; The Life of Faith, edição ampliada em 1670; The Divine Life, escrito em 1664; e Self-Denial, escrito em 1659; estas obras ampliam alguns aspectos das análises contidas em seu compêndio citado, enquanto que The Reformed Pastor (1656) constitui uma exposição suprema, tremendamente enérgica e motivadora das exigências espirituais que carrega o ministério pastoral a uma congregação. Os leitores de Baxter, durante mais de três séculos e meio, reconheceram unanimemente a sua maestria como guia para a vida cristã.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Diccionário de Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 267-268.
Richard Baxter (1615-1691) foi clérigo puritano, autor de várias obras doutrinárias, apologéticas, evangelísticas, éticas, pastorais, eclesiásticas e devocionais. Após um notável ministério pastoral em Kidderminster, Worcestershire, em 1641-1641 e 1667-1671, junto com outras quase 2000 pessoas, Baxter recusou o juramento que comportava a Lei da Uniformidade de 1662, que exigia ao clero britânico que aceitasse e consentisse plenamente com todo o conteúdo do Livro de Oração Comum de 1559. Deste modo, retirou-se do serviço paroquial. Depois se dedicou a escrever incansavelmente, convertendo-se no teólogo britânico mais prolixo da história.
Era um autodidata, mas bem conhecedor das obras medievais e patrísticas, assim como a literatura teológica dos séculos XVI e XVII, Baxter se considerava um puritano ortodoxo, e a maior parte de sua teologia o era. Todavia, ensinava que a redenção universal numa perspectiva amiraldiana era o fundamento para o convite universal do evangelho. Sustentava um ponto de vista sobre a justificação baseado em Armínio, entendo-a como uma anistia condicionada à constante obediência a uma nova lei (neonomianismo); e, também um paradigma implicitamente sociniano sobre a coerência do Cristianismo com a teologia natural, que após a sua morte conduziria ao racionalismo unitário.
Todavia, Baxter em relação ao Cristianismo prático não tem comparação. A sua extensa obra de 1673 pretende ensinar aos cristãos como empregar os seus conhecimentos e a sua fé. Em sua obra A Christian Directory divide em quatro partes: 1. Ética cristã (ou, dos Deveres Particulares); 2. Economia cristã (ou, dos Deveres Familiares); 3. Eclesiástico cristão (ou, dos Deveres da Igreja); 4. Política cristã (ou, dos Deveres Para Com os Governantes e Nosso Próximo). Além do mais, esta obra intenciona explicar como melhorar o grau de ajuda aos outros, e os meios para proporcioná-la cumprindo todos os deveres sociais; como superar as tentações e como escapar de (ou mortificar) todo pecado. Fundamentando-se nas ideias de William Perkins (1558-1602), William Ames (1576-1633), Robert Sanderson (1587-1663) e Jeremy Taylor, Baxter cumpre literalmente o que promete no título de seu livro.
Outros clássicos devocionais saíram da sua pena. Como por exemplo, The Saints’ Everlasting Rest escrito em 1650; The Life of Faith, edição ampliada em 1670; The Divine Life, escrito em 1664; e Self-Denial, escrito em 1659; estas obras ampliam alguns aspectos das análises contidas em seu compêndio citado, enquanto que The Reformed Pastor (1656) constitui uma exposição suprema, tremendamente enérgica e motivadora das exigências espirituais que carrega o ministério pastoral a uma congregação. Os leitores de Baxter, durante mais de três séculos e meio, reconheceram unanimemente a sua maestria como guia para a vida cristã.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Diccionário de Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 267-268.
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07 janeiro 2012
A influência literária de John Bunyan
Escritor por B. Batson
John Bunyan (1628-1688) caldeireiro, pregador e escritor nasceu em Elstow, próximo de Bedford. Apesar de sua educação oficial ser escassa, possuía uma mente inquiridora e uma imaginação aguda. Durante os primeiros anos da década de 1650 padeceu de várias crises espirituais que mais tarde descreveria graficamente num dos clássicos da autobiografia dos puritanos, Grace Abounding for the Chied of Sinners (1666). Autor de mais de sessenta livros, Bunyan publicou em 1678 sua famosa alegoria O Peregrino, que durante gerações foi o livro, além da Bíblia, que mais se venera nos lares britânicos, e que ganhou um lugar único dentro da história literária inglesa. A alegoria também canalizou o espírito puritano para a corrente principal da tradição inglesa.
No campo da teologia, Bunyan respaldava essencialmente a tradição calvinista, mas também esteve em dívida com algumas ideias expressas nos escritos de Martinho Lutero, assim como com outras correntes precedentes da tradição separatista. Tem-se classificado Bunyan como um “batista particular da comunhão aberta”; ou seja, ele pensava que Cristo morreu somente pelos eleitos. Na linha de um dos grupos da tradição separatista, manteve uma mente aberta frente às diferentes formas de batismo e, estava disposto a admitir na membresia da igreja aquelas pessoas que se firmavam somente na confissão de fé (daí a sua qualificação de “comunhão aberta”). Bunyan afirmou numa clara exposição de sua teologia em The Doctrine of the Law and Grace Unfolded (1659).
Os seus trabalhos de prosa se centraram, sobretudo, na teologia, a doutrina, o governo da igreja e a adoração, mas manifestou também interesse pelas implicações do ensino bíblico para a vida espiritual. O livro Christian Behaviour (1663) que pertence a um grupo numeroso de manuais de conduta muito populares no século XVII, enfatizava a necessidade de que as famílias fossem sólidas, assim como o papel dos pais e sua relação com todos os membros da família, incluindo os empregados. Também defendia um ponto de vista sobre a economia que atacava a ideia de proveito próprio como objetivo principal.
Em outro livro The Life and Death of Mr Badman (1680) Bunyan expõe mais detalhadamente o que pensava de questões éticas. Sem debater os temas mais complexos, acentuava vários problemas: maltrato das mulheres, promiscuidade sexual, fraude nos projetos empresariais, moral baseada na cultura como estilo de vida, avareza, extorsão, parcialidade na distribuição dos bens, hipocrisia e compromisso, e os livros que “incendeiam a lascívia carnal”. Para Bunyan a origem de toda mudança social positiva radica na vida de santidade baseada numa sã teologia.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 285-286.
John Bunyan (1628-1688) caldeireiro, pregador e escritor nasceu em Elstow, próximo de Bedford. Apesar de sua educação oficial ser escassa, possuía uma mente inquiridora e uma imaginação aguda. Durante os primeiros anos da década de 1650 padeceu de várias crises espirituais que mais tarde descreveria graficamente num dos clássicos da autobiografia dos puritanos, Grace Abounding for the Chied of Sinners (1666). Autor de mais de sessenta livros, Bunyan publicou em 1678 sua famosa alegoria O Peregrino, que durante gerações foi o livro, além da Bíblia, que mais se venera nos lares britânicos, e que ganhou um lugar único dentro da história literária inglesa. A alegoria também canalizou o espírito puritano para a corrente principal da tradição inglesa.
No campo da teologia, Bunyan respaldava essencialmente a tradição calvinista, mas também esteve em dívida com algumas ideias expressas nos escritos de Martinho Lutero, assim como com outras correntes precedentes da tradição separatista. Tem-se classificado Bunyan como um “batista particular da comunhão aberta”; ou seja, ele pensava que Cristo morreu somente pelos eleitos. Na linha de um dos grupos da tradição separatista, manteve uma mente aberta frente às diferentes formas de batismo e, estava disposto a admitir na membresia da igreja aquelas pessoas que se firmavam somente na confissão de fé (daí a sua qualificação de “comunhão aberta”). Bunyan afirmou numa clara exposição de sua teologia em The Doctrine of the Law and Grace Unfolded (1659).
Os seus trabalhos de prosa se centraram, sobretudo, na teologia, a doutrina, o governo da igreja e a adoração, mas manifestou também interesse pelas implicações do ensino bíblico para a vida espiritual. O livro Christian Behaviour (1663) que pertence a um grupo numeroso de manuais de conduta muito populares no século XVII, enfatizava a necessidade de que as famílias fossem sólidas, assim como o papel dos pais e sua relação com todos os membros da família, incluindo os empregados. Também defendia um ponto de vista sobre a economia que atacava a ideia de proveito próprio como objetivo principal.
Em outro livro The Life and Death of Mr Badman (1680) Bunyan expõe mais detalhadamente o que pensava de questões éticas. Sem debater os temas mais complexos, acentuava vários problemas: maltrato das mulheres, promiscuidade sexual, fraude nos projetos empresariais, moral baseada na cultura como estilo de vida, avareza, extorsão, parcialidade na distribuição dos bens, hipocrisia e compromisso, e os livros que “incendeiam a lascívia carnal”. Para Bunyan a origem de toda mudança social positiva radica na vida de santidade baseada numa sã teologia.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Extraído de David J. Atkinson & David H. Field, eds., Ética Cristiana & Teología Pastoral (Barcelona, CLIE, 2004), pp. 285-286.
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O que é Heilsgeschichte?
Esta palavra alemã é traduzida como "história sagrada" ou "história da salvação". A ideia não era completamente nova para Hoffman de Erlangen (sendo anticipada por Bengel), ele é o teólogo que incluiu a ideia em seu uso sistemático e a fez parte da terminologia teológica (veja HCT, de Otto Piper, pp. 156-159; lB, de J. C. K. von Hoffman; CT; de O. Cullmann).
1. Heilsgeschichte é, antes que tudo, uma reação a antiga ortodoxia protestante que fez da Escritura o fundamento final da religião cristã. De acordo com este ponto de vista, o fundamento final é história sagrada e o significado da Escritura é que ela é o registro desse fundamento. A Escritura é o testemunho deste fundamento e não a sua realidade.
2. Aqueles que sustentam a ideia de Heilsgeschichte, é permitido em certa medida algum tratamiento crítico da Biblia. É entendido ser falsa a antítesis entre crítica e teologia. As Escrituras podem estar sujeitas a uma medida da metodologia crítica, mas nunca a destrução da construção essencial da história sagrada.
3. Os teólogos de Heilsgeschichte tratam a Escritura como fundamentalmente o documento da história sagrada. Isto significa que há um limite para a historiografia científica. Deus atua na história e, portanto a história sagrada terá elementos que são indigestos ao historiador científico. Mas este é o caráter da história sagrada - ser evento histórico e ato de Deus ao mesmo tempo. Além disso, os momentos ou peças da historia bíblica deverão ser interpretados em virtude de seu lugar no panorama total da história sagrada. O intérprete deve encontrar como cada livro ou cada seção dentro de um livro, serve ao propósito da história sagrada.
4. Um intérprete conhece lado interno desta história somente enquanto se identifique a com ela. Isto ele o faz por medio da fé em Cristo, pela qual participa na regeneração. Assim, o princípio externo da hermenêutica é a historia sagrada e o principio interno é a identificação do intérprete com esta historia por medio da fé em Cristo.
Heilsgeschichte é usada num sentido lato e num sentido estrito. Num sentido estrito significa um quadro particular da interpretação da história sagrada, como no livro Christ and Time de Oscar Cullmann.[1] E num sentido lato, significa a prioridade do evento histórico sobre as Escrituras como o fundamento primário da fé bíblica. Neste último sentido, a noção de Heilsgeschichte é amplamente aceitada por eruditos tanto do Antigo como do Novo Testamento. Para uma tentativa recente de traçar em detalhe alguma interpretação de história sagrada, tanto del Antiguo Testamento como do Novo Testamento, veja o livro Salvation History de E. C. Rust.[2]
Traduzido por Rev Ewerton B. Tokashiki
Extraído de Bernard Ramm, A Handbook of Contemporary Theology (Grand Rapids, Eerdmans, 1966).
NOTAS:
[1] Oscar Culmann, Christ and Time (Philadelphia, The Westminster Press, 1951).
[2] Ernest C. Rust, Salvation History: A Biblical Interpretation (Richmond, John Knox Press, 1963).
1. Heilsgeschichte é, antes que tudo, uma reação a antiga ortodoxia protestante que fez da Escritura o fundamento final da religião cristã. De acordo com este ponto de vista, o fundamento final é história sagrada e o significado da Escritura é que ela é o registro desse fundamento. A Escritura é o testemunho deste fundamento e não a sua realidade.
2. Aqueles que sustentam a ideia de Heilsgeschichte, é permitido em certa medida algum tratamiento crítico da Biblia. É entendido ser falsa a antítesis entre crítica e teologia. As Escrituras podem estar sujeitas a uma medida da metodologia crítica, mas nunca a destrução da construção essencial da história sagrada.
3. Os teólogos de Heilsgeschichte tratam a Escritura como fundamentalmente o documento da história sagrada. Isto significa que há um limite para a historiografia científica. Deus atua na história e, portanto a história sagrada terá elementos que são indigestos ao historiador científico. Mas este é o caráter da história sagrada - ser evento histórico e ato de Deus ao mesmo tempo. Além disso, os momentos ou peças da historia bíblica deverão ser interpretados em virtude de seu lugar no panorama total da história sagrada. O intérprete deve encontrar como cada livro ou cada seção dentro de um livro, serve ao propósito da história sagrada.
4. Um intérprete conhece lado interno desta história somente enquanto se identifique a com ela. Isto ele o faz por medio da fé em Cristo, pela qual participa na regeneração. Assim, o princípio externo da hermenêutica é a historia sagrada e o principio interno é a identificação do intérprete com esta historia por medio da fé em Cristo.
Heilsgeschichte é usada num sentido lato e num sentido estrito. Num sentido estrito significa um quadro particular da interpretação da história sagrada, como no livro Christ and Time de Oscar Cullmann.[1] E num sentido lato, significa a prioridade do evento histórico sobre as Escrituras como o fundamento primário da fé bíblica. Neste último sentido, a noção de Heilsgeschichte é amplamente aceitada por eruditos tanto do Antigo como do Novo Testamento. Para uma tentativa recente de traçar em detalhe alguma interpretação de história sagrada, tanto del Antiguo Testamento como do Novo Testamento, veja o livro Salvation History de E. C. Rust.[2]
Traduzido por Rev Ewerton B. Tokashiki
Extraído de Bernard Ramm, A Handbook of Contemporary Theology (Grand Rapids, Eerdmans, 1966).
NOTAS:
[1] Oscar Culmann, Christ and Time (Philadelphia, The Westminster Press, 1951).
[2] Ernest C. Rust, Salvation History: A Biblical Interpretation (Richmond, John Knox Press, 1963).
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