13 fevereiro 2026

Por que a IPB deveria usar imagens de Jesus?

 Considerando:

1)    Que os concílios da IPB ao tomar decisões ou conceder respostas devem agir de acordo com Escritura Sagrada e os Padrões de Westminster, conforme CI-IPB art. 1: “... adota como única regra de fé e prática as Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamento e como sistema expositivo de doutrina e prática a sua Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve”;

 2)    Que o 2º mandamento, conforme Êx 20.4-6, estabelece a proibição de fazer imagens (verso 4) e, também, condena adorá-las (verso 5). “O segundo mandamento proíbe fazer imagens (cf. 34.17). Esta é uma das diferenças entre os dois primeiros mandamentos. O primeiro fala de possuir (‘não terá’), enquanto o segundo fala de ‘produzir, fabricar’ (‘não farás’). Essa diferença sugere que a proscrição do primeiro mandamento seja mais ampla que a do segundo. [...] Pode-se admitir que o versículo 4 proíbe a representação do Senhor em imagens, pois a representação e a adoração de outras divindades já foram impedidas no primeiro mandamento.”[1] Por isso, tanto o uso didático como o uso para adoração de imagens para qualquer uma das Pessoas da Trindade são proibidos neste mandamento;

 3)    Que o princípio do 2º mandamento é que conheçamos a Deus somente pelos meios prescritos e revelados por Ele. É um grave pecado ensinar ou cultuar coagido por uma invenção humana, e isso é o que o uso de uma imagem de Cristo implica;

 4)    Que não há descrição física de Cristo no Novo Testamento. Então qualquer imagem usada para representá-lo não é verdadeira. Assim adverte o profeta “que aproveita o ídolo, visto que o seu artífice o esculpiu? E a imagem de fundição, mestra de mentiras, para que o artífice confie na obra, fazendo ídolos mudos?” (Hq 2.18). O uso didático de imagens induzirá à mentira por causa de uma falsa representação física de Cristo. Nenhuma representação de Jesus deve ser criada sem os dados próprios da revelação bíblica. Nenhuma figura artística de Jesus de sua humanidade pode abarcar a plenitude de sua natureza divina. Mesmo imagens bem-intencionados nascem da imaginação subjetiva e, em última análise, criam uma perspectiva distorcida de quem Cristo realmente é;

 5)    Que é real a influência exercida sobre a mente e o coração pelas imagens atribuídas à Deus. Por isso somos advertidos de que “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9); e de que, o coração é uma fábrica de ídolos, de modo que o uso de imagens poderá fomentar o erro e a falsidade;

 6)    Que o propósito de qualquer recurso didático deve ensinar a sã doutrina para uma fé bíblica. A fé não é produzida pelo que os olhos veem em imagens, mas pelo que os ouvidos recebem da “palavra de Cristo” (Rm 10.17);

 7)    Que a necessidade de ver imagens nega a verdadeira natureza da fé salvadora. Como o autor aos Hebreus declara que “a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1). Bem como Cristo repreende a Tomé, declarando: “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente.” E “disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20.27, 29);

 8)    Que ao apresentar imagens de Jesus incorre-se no risco da heresia do Nestorianismo. Pois retratar a humanidade de Cristo quando não conseguimos retratar a sua divindade é pecado, pois o reduzimos a meio-Cristo, separamos o que Deus uniu, deixamos de fora a principal coisa que o faz ser o Cristo (1Tm 2.5). Por isso, reafirmamos o Credo de Calcedônia (451 d.C.) que declara “ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma racional e de corpo; consubstancial ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da virgem Maria, mãe de Deus. Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, inseparáveis e indivisíveis; a distinção das naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor”;[2]

 9)    Que a Igreja nos primeiros quatro séculos condenava a produção e uso de imagens das Pessoas da Trindade. Conforme Orígenes, Contra Celsum 3.40 e 7.70 (trad. H. Chadwick, 1965), pp. 155,156 e 384,385; Tertuliano, Apology 12 (FC 10:41-42) e De Idolatria (org. J.H. Waszink e J.C.M. van Winden, 1987); Clemente de Alexandria, Exhortation to the Heathen (ANF 2:171-206); Laetâncio, Divine Institutes 2.1 (FC 49:94-97); Epifânio (cf. Jerônimo, Letter 51, “Epiphanius to John of Jerusalem” [NPNF2, 6:89]); Jerônimo, Letter 57, “To Pammachius” (NPNF2, 6:112-119); Agostinho, Ennaratio in Psalmum CXIIl (PL 37.1483). Do Concílio Elibertine (Concílio de Elvira), onde temos este decreto expresso sobre imagens ou gravuras das Pessoas da Trindade: “Não devem existir quadros nas igrejas, nem qualquer objeto de culto ou adoração pintado nas paredes” (cânone 36, cf. Mansi, 2:11);[3]

 10)  Que é histórica a posição cristã reformada contrária a produção e uso de imagens, pinturas e desenhos como representações de Cristo (cf. João Calvino, Institutas I.XI.1-16);[4]

 11)  Que a posição confessional reformada condena o uso de imagens das Pessoas da Trindade. O Catecismo de Heidelberg (1563) declara: “Pergunta 98. Mas as imagens não podem ser toleradas nas igrejas como livros para ignorantes?” R. Não, porque não devemos pretender ser mais sábios do que Deus, que não quer ensinar seu povo por meio de ídolos mudos, mas pela pregação viva de sua Palavra.” E a Segunda Confissão Helvética IV.4 (1566) declara “para instruir os homens na religião e relembrá-los das coisas divinas e da sua salvação, o Senhor ordenou que se pregasse o evangelho (Mc 16.15) – e não que se pintassem quadros para ensinar os leigos. Ele instituiu também os sacramentos, mas em nenhum lugar estabeleceu imagens”;[5]

 12)  Que inserir um Cristo “inventado” no lugar do verdadeiro Cristo revelado na Escritura é idolatria. Por isso, o Breve Catecismo de Westminster declara “o segundo mandamento exige que recebamos, observemos e guardemos puros e inteiros todo o culto e ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra”, conforme a pergunta 50;

 13)  Que o Catecismo Maior de Westminster ensina que é pecado “fazer qualquer imagem de Deus, de todas ou de qualquer das três Pessoas, quer interiormente no espírito, quer exteriormente em qualquer forma de imagem ou semelhança de alguma criatura”, conforme declara a Pergunta 109. Usar uma imagem de Cristo como um auxílio didático ou como um instrumento de culto é proibido pelo 2º mandamento tanto quanto o é proibido em relação ao Pai e ao Espírito;

 14)  Que o SC-E/IPB-2010 (Doc. LX) estabeleceu “que não pode haver na logomarca da IPB nenhuma representação das Pessoas da Trindade, de acordo com a pergunta 109 do Catecismo Maior de Westminster”, sendo necessária uma decisão coerente, igualmente, no que se refere ao uso de imagens da segunda Pessoa da Trindade. Caso contrário, cria-se insegurança jurídica e eclesiástica, bem como precedentes contraditórios.


Se o 2o. mandamento (Êx 20.4-6) condena, se devemos conhecer e adorar a Deus somente pelos meios que Ele determina, se não há nenhuma descrição física de Cristo no NT, se as imagens criam uma dependência viciosa na mente e pode induzir à corrupção do coração, se a fé vem pelo ouvir a Palavra e não ver imagens de Cristo, se a igreja primitiva rejeitou o uso de imagens das Pessoas da Trindade, se os reformadores condenaram o uso didático e litúrgico de imagens, se a tradição confessional proíbe o fazer, o usar e adorar a Deus por meio delas, se o próprio SC-IPB em assembleia tem decisão condenando o uso de imagem do Espírito Santo, por que a IPB deveia usar imagens de Jesus com fins didáticos e litúrgicos?


NOTAS:

[1] Victor P. Hamilton, Comentário do Antigo Testamento: Êxodo (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2017), p. 486, 487.

[2] J. Stevenson, ed., Creeds, Councils, and Controversies: Documents illustrative of the history of the Church A.D. 337-461 (London, SPCK, 1966), p. 337.

[3]  François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2011), vol. 2, pp. 83-84.

[4] Carlos M.N. Eire, War against the idols: the reformation of worship from Erasmus to Calvin (Cambridge, Cambridge University Press, 1989).

[5] Joel R. Beeke & Sinclair B. Ferguson, Harmonia das Confissões Reformadas (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2006), p. 136.

17 dezembro 2025

O peso de glória do ministério pastoral

 Considere estas pressões envolvidas no pastorado:


1. O pastor envolve-se com o humanamente impossível — lida com o pecado na vida das pessoas.

2. O pastor cumpre um papel que nunca se completa — resolve problemas que vão se multiplicando.

3. O pastor serve sob uma credibilidade cada vez mais questionada aos olhos da sociedade.

4. O pastor permanece a postos 168 horas por semana.

5. Espera-se que o pastor tenha um desempenho excelente em uma ampla gama de habilidades — sendo, a qualquer hora, erudito, visionário, comunicador, administrador, consolador, líder, financista, diplomata, exemplo de perfeição, conselheiro e apaziguador.

6. Espera-se que o pastor produza mensagens fascinantes, que transformem vidas, pelo menos duas vezes por semana, 52 domingos por ano.

7. A brigada de combate do pastor é, em geral, uma força voluntária, não uma ajuda remunerada.

8. O pastor e sua família parecem viver em um aquário que todos podem observar.

9. O pastor muitas vezes é mal remunerado, não muito valorizado, pouco reciclado e sobrecarregado.

10. Como figura pública, o pastor pode receber as mais duras críticas tanto da comunidade como da congregação.


John MacArthur, Jr., Redescobrindo o Ministério Pastoral (Rio de Janeiro, CPAD, 1998), p. 176.

04 dezembro 2025

A Árvore de Natal: uma prática cristã ou pagã?

Rev. Paulo Anglada

 

Uma das instituições mais características das comemorações natalinas é a árvore de Natal: um pinheiro decorado com bolas de vidros e outros objetos, de preferência religiosos, iluminado com pequenas luzes coloridas.

O uso religioso de pinheiros remonta aos tempos antigos. No Egito, na China e em outras nações antigas, o pinheiro, por permanecer verde no inverno, era tido como símbolo da vida eterna. Durante a idade média, a adoração às árvores era muito comum entre povos pagãos nos países do norte da Europa, especialmente na Escandinávia e na Alemanha. A Enciclopédia Britânica admite a ligação entre a adoração pagã às árvores e a prática natalina, como segue:

A adoração a árvores, comum entre os pagãos europeus, sobreviveu após a conversão deles ao Cristianismo, no costume escandinavo de decorar a casa e o celeiro com pinheiros no final do ano, para afugentar o diabo... sobreviveu ainda no costume observado na Alemanha de colocar uma Yule tree na entrada ou dentro da casa nos dias santos do meio do inverno.[1]

A moderna árvore de Natal, originou-se diretamente do costume alemão medieval, de decorar árvores com maçãs, o que deu origem a um popular drama sobre Adão e Eva. Esta prática foi absorvida pelas celebrações natalinas, de modo que, por volta do século XVI, os alemães passaram a preparar nas suas casas, no dia 24 de dezembro, a assim chamada árvore do paraíso, decorando-a com wafers (simbolizando a eucaristia), doces, velas e outros objetos decorativos. No século XVIII, a tradição já estava bem estabelecida na Alemanha, sendo praticada também por colônias alemãs radicadas na América do Norte desde o século XVII. Mas foi apenas no século XIX que a tradição se espalhou. Na Inglaterra, o costume foi introduzido em 1841, pelo Príncipe Albert, marido alemão da Rainha Vitória. Na França, foi iniciado pela princesa Hélène de Mecklembourg, que trouxe uma árvore de Natal para Paris em 1837. Neste mesmo século, o costume se espalhou pela Europa, sendo muito popular na Áustria, Suíça, Polônia e Holanda. Na China moderna e no Japão, o costume foi introduzido por missionários ocidentais no século passado e neste século.[2]

No Brasil, segundo a Enciclopédia Delta Larousse, a tradição natalina da árvore de Natal só começou a se estabelecer no início do século XX.[3]

Os demais apetrechos de decoração natalina, se desenvolveram à partir da tradição de origem nórdica pagã de decorar a árvore de Natal. Até a segunda guerra, a Alemanha foi a maior produtora mundial de ornamentos natalinos. Os primeiros ornamentos natalinos industrializados foram um tipo de bola de vidro, lembrando as maçãs que decoravam a árvore do paraíso, que tinha o propósito de proteger a casa contra maus espíritos. Estes ornamentos, os kugels, foram produzidos em Lauscha, na Alemanha, por volta de 1830.[4]

Da árvore de Natal para o resto da casa (portas, janelas, paredes, mesas, estantes), e para as ruas foi um passo. O processo de industrialização, a mídia, a publicidade, a globalização, as novas tecnologias eletrônicas e o consumismo moderno se encarregaram de produzir, divulgar e estabelecer uma infinidade de novos costumes e aparatos de decoração e enfeites natalinos que rapidamente se estabeleceram como tradição.

Notas:

[1]  “Christmas Tree,” in Encyclopedia Britannica.

[2] Cf. “Christmas Tree,” in Grolier Multimedia Encyclopedia (Novato, California: Grolier Electronic Publishing, 1996).

[3] “Árvore de Natal,” em Enciclopédia Delta Larousse, vol. 2.

[4]  “Decorating the Tree,” in Christian Traditions in France and Canada Home Page; Internet, http://www.culture.fr/culture/noel/angl/saporne.htm; assessed in 12.23.98.

06 outubro 2025

Três benefícios das confissões

 Por David W. Hall

 

Embora não seja particularmente popular, seja em nosso atual meio secular, seja em nossa atual amnésia eclesiológica, continuo a crer que ter, manter e exigir uma confissão é bom para nós. Em suma, uma confissão é boa para a nossa saúde, mesmo que, às vezes, exija remédios que não tenham um gosto bom à primeira vista. Os tratamentos alternativos frequentemente geram caos, culto à vontade, autopromoção de celebridades de seitas, confusão, a idolatria de metodologia ou fluxo contínuo.

 Digo isso com três ressalvas: (1) primeiro, se a confissão for completamente bíblica e, portanto, atemporal e não regionalista; (2) segundo, se a confissão for usada corretamente como um padrão subordinado, não como um padrão ordenado; e (3) terceiro, se a confissão for usada por homens com preocupação pastoral e piedosa para servir à unidade e à clareza.

 Quanto à primeira ressalva, nenhuma confissão merece respeito se não for completamente bíblica. Uma confissão, se for um eco fiel do que Deus diz, pode nos guiar e proteger das deficiências de uma época ou de uma circunstância. Confissões que repetem e amplificam levemente os sons das Escrituras perduram, ao mesmo tempo em que equipam a família de Deus com força e perspectiva para evitar as lacunas de toda moda passageira ou heresia. As confissões bíblicas, felizmente, nos salvam de reinventar tudo. Confissões que se apoiam nos ombros de exegetas santos anteriores são os cursos avançados que resolvem certas questões e proporcionam uma vantagem inicial — isto é, para aqueles que são humildes o suficiente para aprender com os outros.

 Quanto à segunda ressalva, um padrão subordinado, deve-se entender, é exatamente o que esse termo implica: subordinado (sempre às Escrituras) e ainda um padrão. Um padrão secundário ainda é um padrão, e muitas áreas usam padrões secundários para auxiliar seus praticantes no controle de qualidade. Uma confissão é projetada para isso. É simultaneamente taquigrafia e sabedoria comprovada; é ortodoxia e ortopraxia ao mesmo tempo. A menos que a vida seja infinita, quando oramos para que Deus “nos ensine a contar os nossos dias, de modo que possamos aplicar os nossos corações à sabedoria”, as confissões frequentemente nos ajudarão na administração do tempo, bem como nos protegerão de idiossincrasias incapacitantes. Um padrão subordinado pode ajudar a saúde.

 Quanto à terceira ressalva, o telos de uma confissão é servir à unidade e à clareza. Muitos de nós aprendemos da maneira mais difícil que as leis e os padrões mais condenatórios são aqueles não escritos. Os fariseus, antigos e modernos, são mestres em usar os padrões não escritos para levar os não iniciados ao coma. Uma confissão bíblica explícita, por outro lado, não sujeita a comunidade crente a essas leis secretas; em vez disso, ela nos liberta dos padrões próprios e, também, torna a igreja aberta a todos sob os mesmos padrões. Assim, uma confissão sólida purifica da doença e fortalece o sistema imunológico com uma unidade salutar.


Extraído AQUI

17 setembro 2025

O que é livre arbítrio na perspectiva reformada?

 O livre arbítrio é a capacidade de escolher contrário à sua natureza. Johann Heinrich Heidegger explica que

a companheira da justiça do primeiro homem é a liberdade ou livre-arbítrio, sendo a primeira uma faculdade da alma, pela qual ele livremente, voluntariamente e sem qualquer força externa, escolheu aquilo que percebeu, deliberou e decidiu o que escolheu. Isso não era indiferença em fazer o bem ou o mal, porque lhe era natural fazer o bem, enquanto fazer o mal era contrário à sua natureza. E a liberdade não era imutável. Pois, dessa forma, não haveria lugar para a tentação. Pois a imutabilidade da vontade não pertence à natureza, mas à graça e à glória. A liberdade também não era independente, porque em Deus Adão foi movido (At 17.28). Ele carecia da graça não para curar a corrupção, mas para preservar a integridade, a fim de vencer as tentações do diabo. Em vez disso, a liberdade, juntamente com a deliberação de fazer o bem, era mutável.[1] 

Os reformados concordam com a interpretação de Agostinho sobre os quatro estados da liberdade. Sabemos que

Agostinho ensinava os quatro estágios da libertas naturae [liberdade da natureza], conforme Muller explica que ele é ‘a liberdade que é própria de um ser dada a sua natureza particular’. Os quatro estados da libertas naturae são: 1) libertas Adami [liberdade de Adão]: ‘antes da queda - isto é a capacidade ou poder para não pecar’. 2) libertas peccatorum [liberdade de pecadores]: ‘uma liberdade que é própria e restrita aos limites da natureza caída e é, portanto, uma incapacidade absoluta de fazer o bem, ou para agir para o bem, sendo o pecador incapaz de não pecar’. 3) libertas fidelium [liberdade dos fiéis]: ‘a liberdade daqueles que são regenerados pelo Espírito Santo, que é próprio da natureza regenerada e, é caracterizada pela capacidade para o pecado e para fazer o bem’. 4) libertas gloriae [liberdade de glória]: ‘uma liberdade adequada à natureza redimida integralmente, que, como residentes do reino do céu estão agora caracterizados pela incapacidade para o pecado’. Em outras palavras, os quatro estados do homem em relação ao pecado enumerados por Agostinho de Hipona são: 1) no estado antes da queda, o homem era capaz de não pecar (posse non peccare); 2) após a queda, ele é incapaz de não pecar (non posse non peccare); 3) sendo regenerado ele se torna capaz de não pecar (non posse peccare); e, 4) no estado de glorificação ele será incapaz de pecar (peccare non posse).[2] 

Em suma, a tradição agostiniana/calvinista interpreta a doutrina do livre arbítrio dividindo em quatro modos, por causa dos quatro estados do homem. No primeiro estado a vontade do homem era livre para escolher entre o bem e o mal. No estado caído o homem é livre somente para o mal. O homem nascido de novo, ou o homem em estado de graça, é livre do mal e para o bem, pela graça de Deus somente, mas imperfeitamente. No estado de glória ele será perfeitamente livre do mal para o bem. As confissões reformadas consentem quanto a este assunto.[3] 


NOTAS:

[1] Johann Heinrich Heidegger, The Concise Marrow of Theology (Grand Rapids, Reformation Heritage Books, 2019), p. 46.

[2] Veja o verbete “libero arbitrium” in: Richard A. Muller, Dictionary of Latin and Greek Theological Terms: Drawn Principally From Protestant Scholastic Theology (Grand Rapids, Baker Academic, 1996).

[3] Veja, Joel R. Beeke & Sinclair B. Ferguson, Harmonia das Confissões Reformadas (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2006), pp. 56-57 e, também, Veja, Johannes Wollebius, Compêndio de Teologia Cristã (Eusébio, Editora Peregrino, 2020), p. 79.

11 setembro 2025

O Sínodo de Dordt acerca do Sabbath

By R. Scott Clark

 

Sessão 164, em 17 de maio de 1618.

 Regras sobre a observância do Sabbath, ou Dia do Senhor, com o acordo dos irmãos da Zelândia, os seguintes conceitos foram explicados e aprovados por professores doutores em Teologia.

  1. No quarto mandamento da lei divina, parte é cerimonial, parte é moral.
  2. O descanso do sétimo dia após a criação era cerimonial e sua rígida observância peculiarmente prescrita ao povo judeu.
  3. É moral, de fato, porque o dia fixo e duradouro do culto a Deus é designado, para todo o descanso necessário ao culto a Deus e à santa meditação nele.
  4. Com o Sabbath dos judeus tendo sido revogado, o Dia do Senhor é solenemente santificado pelos cristãos.
  5. Desde o tempo dos apóstolos, este dia sempre foi observado na antiga igreja católica.
  6. Este mesmo dia é, portanto, consagrado ao culto divino, para que nele se possa descansar de todas as obras servis (com exceção das que são obras de caridade e de necessidade crucial) e das recreações que impedem o culto a Deus.


Fonte: H.H. Kuyper, De Post-Acta of Nahandelingen van de nationale Synode van Dordrecht in 1618 en 1619 gehouden een Historische Studie (Amsterdam, 1899), 184–186. Traduzido do holandês por R. Scott Clark.


03 julho 2025

A consulta de Saul da médium de En-Dor (1Sm 28.1-25)

O texto diz que a médium viu Samuel, mas o relato foi feito por um dos que levaram Saul a ela. No entanto, à luz do ensino bíblico, não é possível que ela realmente tenha visto Samuel e que ele realmente estivesse ali conversando com Saul. As razões bíblicas para essa afirmação são as seguintes:

1. O Espírito do Senhor já tinha se retirado de Saul e um espírito maligno o atormentava;

2. O Senhor não lhe falava mais (1Sm 28.6);

3. A médium disse que via um ancião envolto em uma capa. Foi Saul quem entendeu que era Samuel;

4. Não podemos entender que Samuel, que, enquanto vivia, foi um homem piedoso, depois de morto se prestasse a obedecer a uma mulher abominável ao Senhor, para a realização de uma prática proibida por Deus (Lv 19.31; 20.27); sendo um homem temente a Deus, Samuel certamente estava com o Senhor;

5. Não é possível que Deus tenha proibido a feitiçaria e a consulta aos mortos e depois ele mesmo permitisse que a vidente trouxesse Samuel dos mortos para falar com Saul (Tg 1.17);

6. O texto de 1Cr 10.13 diz que “assim morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o SENHOR, por causa da palavra do SENHOR, que ele não guardara; e, também, porque interrogara e consultara uma necromante, e não ao Senhor, que, por isso, o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé”.

Saul obteve resposta da necromante, não do Senhor.

 

Fonte: Bíblia de Estudo Herança Reformada: 2ª edição revisada, pp. 408-409.

30 maio 2025

Batistas: A definição de reformado e a política de identidade

 Por R. Scott Clark

 

Se a evidência objetiva e histórica é tão clara quanto afirmo sobre a definição histórica da palavra reformado, por que esse debate existe? Novamente, as raízes desse debate encontram-se, em parte, na maneira como os batistas pensam sobre si mesmos e sobre os outros, particularmente nos EUA. Na minha experiência, escrevendo como ex-evangélico batista, o batista tem absoluta certeza de que sua posição está correta e que, portanto, praticamente todos na história da igreja, antes, digamos, de 1523 e da ascensão dos Irmãos Suíços, estavam errados. Isso efetivamente desbatiza, por assim dizer, praticamente toda a tradição cristã anterior a 1523 e todos aqueles que discordam das convicções batistas. Na minha experiência como pastor, escritor e professor de seminário, isso não incomoda a maioria dos leigos batistas. Afinal, da perspectiva batista, a posição batista é autoevidente para qualquer pessoa razoável. Ele se espanta que alguém se oponha a ser não batizado, por assim dizer. Para o batista, a resposta é simples: crer, fazer uma profissão de fé crível e ser batizado.

Para nós, que fazemos parte das igrejas reformadas (diferentemente dos batistas), a convicção batista implica logicamente que nós, que fomos batizados apenas quando crianças, estamos fora da igreja visível e, portanto, fora da salvação. No artigo 28 da Confissão Belga (CB), confessamos: “Cremos que, visto que esta santa assembleia e congregação é a reunião daqueles que são salvos e não há salvação fora dela, ninguém deve se retirar dela, contentando-se em estar sozinho, independentemente de seu status ou condição.”[1] Embora possam não ter essa intenção, da perspectiva reformada ou de uma perspectiva cipriota (a de toda a igreja anterior ao movimento batista), uma pessoa voluntariamente não batizada está em uma posição precária, para dizer o mínimo.

Como, para o batista, sua posição é tão evidentemente verdadeira, espera-se que aqueles de nós que não foram batizados, por assim dizer, não digam nada. Quando, no entanto, apresento o ponto histórico, clara e dolorosamente óbvio, de que as igrejas reformadas denunciaram explicitamente a visão anabatista do batismo (e, logicamente, a visão batista do batismo), é provável que os batistas fiquem muito irritados.

Como vários correspondentes apontaram-me ao longo dos anos, não estou dizendo que os batistas são não batizados. De fato, nas igrejas reformadas, sempre batizamos adultos convertidos não-batizados. Além disso, o artigo 29 do Catecismo Belga deixa bem claro que as congregações anabatistas, que a confissão caracteriza como "seitas", careciam de duas das três marcas da igreja verdadeira (isto é, a pregação pura do evangelho, a administração pura dos sacramentos e o uso da disciplina eclesiástica). Penso que as igrejas batistas carecem de uma das marcas da igreja verdadeira. É bastante claro que as igrejas reformadas nunca aceitaram o batismo somente de crentes e a rejeição batista do batismo infantil como a "administração pura dos sacramentos". No entanto, não considero congregações batistas particulares como seitas ou falsas igrejas (a outra categoria que confessamos em na capítulo 29 do Catecismo Belga. Em vez disso, caracterizo-as como “congregações irregulares”.[2] Pode-se argumentar que estou sendo mais gentil com os batistas do que eles comigo.

Hoje mesmo, enquanto escrevo, recebi um e-mail de um correspondente que se mostrou indignado com a comparação lógica (não moral) entre a autoidentificação batista como reformada e a autoidentificação de Bruce Jenner como mulher. Por que a indignação? Essa é uma pergunta interessante.

A minha teoria é que a maioria dos batistas dedicou pouco tempo à leitura da história, das confissões e dos teólogos reformados (corretamente definidos). Devido a uma certa ignorância, eles presumem um grau de concordância entre a teologia reformada e a batista que não existe. Essa suposição cria a pré-condição para a indignação. Além disso, muitos batistas nunca vivenciaram a vida real da igreja reformada. Eles não vivenciaram as diferenças. As diferenças das quais têm conhecimento são, na melhor das hipóteses, teóricas.

É bem possível ser batista nos EUA e nunca conhecer um reformado de verdade. Há cerca de 60 milhões de cristãos batistas nos EUA. Há aproximadamente 500.000 reformados. O mundo confessional de presbiterianos e reformados representa aproximadamente 0,0083% do mundo batista. Há uma bolha batista relativamente grande nos EUA e pessoas presbiterianas e reformados de verdade são relativamente raras — e, em alguns lugares, quase exóticas. Nessa bolha batista, há um número significativo de pessoas que se consideram reformadas. Devido a esse número (potencialmente o dobro de pessoas nas igrejas reformadas de verdade), parece improvável e até inacreditável para elas quando leem alguém de um pequeno grupo minoritário distinguindo entre reformados e batistas.

Muitas vezes, já foi-me afirmado ou insinuado que o grande número de batistas que se identificam como reformados significa que, seja lá o que a palavra reformado tenha significado em algum momento, ela significa agora o que eles dizem que significa. Logicamente, isso não passa de um apelo à multidão, aos números ou à força; mas é um apelo poderoso, psicológico e emocional. Ajuda a explicar a indignação. Quem é Clark, um sujeito no meio de um milhão de cristãos batistas predestinacionistas, para se opor?

Para complicar ainda mais as coisas, há muitos reformados que ficam mais do que felizes em chamar os batistas de reformados, se os batistas os reconhecerem como evangélicos. Esse acordo foi negociado no mundo pós-Segunda Guerra Mundial. Por que os reformados negociaram esse acordo, implicitamente concedendo uma redefinição significativa do adjetivo reformado? A resposta reside, em parte, no que aconteceu com os reformados após a batalha pela Bíblia com os liberais. O mundo confessional de presbiterianos e reformados ajudou a liderar o ataque contra os liberais teológicos e os críticos mais elevados no final do século XIX e início do século XX, mas, simultaneamente, eles estavam perdendo suas instituições e denominações. Estavam sendo exilados em microdenominações, na pobreza e na obscuridade. Em meados do século XX, as igrejas confessionais de presbiterianos e reformados estavam em péssimas condições institucionais e financeiras. A nossa enorme influência intelectual não refletia nossa condição institucional e financeira.

O acordo, no entanto, ganhou novas dimensões com a ascensão do movimento Jovens, Inquietos e Reformados (Young, Restless, and Reformed). Se observarmos o uso da expressão "batista reformado" no Google Ngram, vemos que ela atinge seu pico entre 1999 e 2000. Há um pico anterior, mas essas ocorrências não sinalizam "batista reformado". Embora as raízes modernas da concessão da identidade reformada aos batistas por alguns líderes no mundo de presbiterianos e reformados remontem a oitenta anos, a formação pública de uma identidade batista reformada é, de fato, um fenômeno muito novo.[3] A Associação de Igrejas Batistas Reformadas na América foi organizada em 1996. Ela reorganizou-se como Associação Batista Confessional em 2022.

A recente formação de uma identidade batista reformada e sua adoção por elementos do movimento Jovens, Inquietos e Reformados (Young, Restless, and Reformed [YRR]) no final da década de 1990 e início dos anos 2000 intensificou esse debate.[4] O movimento YRR e a apropriação da identidade reformada por cristãos batistas foram como um tsunami que ameaçou obliterar a identidade reformada propriamente dita. Representa um desafio que os primeiros e informais batistas que adotaram uma identidade reformada não representaram.

A ascensão da identidade batista reformada entre batistas confessionais, e de forma mais ampla no movimento YRR, no início do século XXI, também pareceu oferecer uma nova plataforma (por exemplo, a TGC) aos cristãos reformados propriamente ditos, que eles não tinham antes do movimento YRR. Isso desincentivou os membros confessionais de presbiterianos e reformados a se manifestarem sobre as diferenças. Chamar a atenção publicamente para as diferenças entre os reformados e os batistas (vários membros de igrejas reformadas e presbiterianas já falaram sobre as diferenças comigo em particular) corre o risco de alienar as plataformas e oportunidades muito maiores e influentes do YRR.

Certamente, existem líderes notáveis ​​no mundo da igreja reformada e presbiteriana que caracterizaram as igrejas batistas particulares como parte do movimento reformado. Outros abraçaram batistas ainda mais amplamente predestinacionistas (mas não confessionalmente batistas particulares) como reformados. Algumas dessas figuras são celebridades dentro da igreja reformada e presbiteriana, bem como no mundo evangélico em geral. Mas será que esses endossos e caracterizações mudam os fatos e a verdade? O capítulo 7 da Confissão Belga das igrejas reformadas declara:

Não devemos, portanto, considerar os escritos humanos — não importa quão santos seus autores tenham sido — iguais aos escritos divinos; nem podemos colocar o costume, nem a maioria, nem o período, nem a passagem do tempo ou das pessoas, nem concílios, decretos ou decisões oficiais acima da verdade de Deus, pois a verdade está acima de tudo. Pois todos os seres humanos são mentirosos por natureza e mais vaidosos do que a própria vaidade.

O que importa aqui não são personalidades, autoridades ou mesmo identidade subjetiva, mas a verdade objetiva. Talvez, eu esteja errado — se estiver, minha vida será muito mais simples. Mas, se devo ser persuadido de que estou errado, isso deve ser por fatos, evidências e razão, e não por qualquer outra coisa.


Notas:

[1] Esta é uma alusão ao ditado de Cipriano: Quia salus extra ecclesiam non est (porque fora da igreja não há salvação) em W. Hartel, ed., Cyprianus, Opera omnia, Corpus Scriptorium Ecclesiasticorum Latinorum (CSEL), vol. 3, livro. 2 (CSEL, 1871), Ep. 73.21. Obrigado a Harrison Perkins por ajudar-me a responder esta pergunta.

[2] Meu professor, caro amigo e colega Bob Godfrey argumentou em “The Belgic Confession and the True Church,” in Ronald S. Baines, Richard C. Barcellos, James P. Butler, ed. By Common Confession (Palmdale, CA: Reformed Baptist Academic Press, 2015), que “pelo menos algumas igrejas batistas são igrejas verdadeiras” [p. 275]. Ele argumenta que a Confissão Belga usa os termos “seitas” e “igreja falsa” como sinônimos. Essa interpretação, a meu ver, desafia a história do uso de “seita” pelos protestantes magistrais no século XVI. Na obra de Lutero e de Calvino, seita é sinônimo de vários radicais, incluindo os anabatistas. Não é usada como sinônimo da comunhão romana. Ele também argumenta que as igrejas batistas não descendem dos anabatistas e, portanto, são imunes às condenações impostas contra eles. Discordo. Devemos distinguir entre influências teológicas e história institucional. O movimento batista teve origem na Holanda, onde um grupo de refugiados congregacionais ingleses entrou em contato com anabatistas holandeses. Não é coincidência que os batistas usem a mesma linguagem e argumentos para defender suas concepções da história da redenção e do batismo que os anabatistas. Considerado institucionalmente, as pessoas que compunham o movimento batista vinham de diversos lugares (por exemplo, da Igreja da Inglaterra) e não eram descendentes dos anabatistas.

[3] O Institute for Reformed Baptist Studies estava apenas começando quando comecei a lecionar no seminário em 1997.

[4] Para mais informações sobre isso, consulte RSC, “Resources On The Young,Restless, And Reformed and New Calvinism Movements.”

O autor Dr. R. Scott Clark é presidente da Heidelberg Reformation Association, autor, editor e colaborador de diversos livros, além de autor de diversos artigos. Ele leciona história da igreja e teologia histórica desde 1997 no Westminster Seminary na Califórnia. Também lecionou no Wheaton College, no Reformed Theological Seminary e na Concordia University.

O artigo original está AQUI.

28 maio 2025

Por que a "Teologia Gay Celibatária" é um compromisso perigoso que a Igreja deve rejeitar

por Rosaria Butterfield

A teologia gay celibatária – que afirma defender uma visão bíblica tradicional da sexualidade – tornou-se o compromisso padrão em igrejas e ministérios paraeclesiásticos. Ela abraça a orientação e a identidade homossexuais, mas proíbe o sexo gay. Categoriza o desejo homossexual como uma tentação moralmente neutra. Desfigura o evangelho, substituindo arrependimento e fé por vitimismo e “quebrantamento”. Em vez de se arrepender do pecado, o cristão gay celibatário é chamado a administrar seus desejos pecaminosos de maneiras supostamente meritórias. E embora possa soar como uma maneira de defender os padrões bíblicos de ética sexual de uma forma que soe menos “maldosa” para o mundo em geral, ela fica perigosamente aquém tanto do que Deus requer daqueles que O seguem quanto da liberdade que Ele oferece aos pecadores em Cristo Jesus. Além disso, essa heresia grosseira tem inundado igrejas com cristãos desanimados que não sabem como lutar contra seu pecado sexual porque recusam-se a categorizá-lo como pecado.

 Construído com base na psicologia freudiana e na teoria crítica da identidade, o cristianismo gay celibatário, em vez disso, abraça o pecado e exige que outros também o façam. Wesley Hill, que se autodenomina um “cristão gay celibatário”, resume esse movimento da seguinte forma: “A experiência do desejo pelo mesmo sexo pode ser o caminho divinamente designado pelo qual cristãos gays celibatários descobrem o poder de Cristo aperfeiçoado em suas vidas” (Washed and Waiting: Reflections on Christian Faithfulness and Homosexuality [Lavado e Esperando: Reflexões sobre Fidelidade Cristã e Homossexualidade] (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2010, 201). Você entendeu? A homossexualidade, não mais um pecado da carne a ser mortificado, agora é uma graça divinamente designada.

 Em qual religião isso poderia ser verdade? Não na fé cristã.

 A teologia gay celibatária surgiu na década de 2000, com o desejo de mobilizar a igreja para apoiar e cuidar de pessoas com desejos homossexuais indesejados. Compartilho desse desejo. Como alguém que viveu como lésbica por uma década, beneficiei-me do cuidado amoroso de um pastor e de uma igreja para guiar-me no arrependimento e na fé em Cristo. Mas a diferença entre o que vivenciei na Igreja Presbiteriana Reformada de Syracuse em 1999 e o movimento cristão gay celibatário é profunda – e revela evangelhos conflitantes e religiões diferentes.

 Quando eu vivia como lésbica, um pastor fiel, Ken Smith, e a igreja que ele liderava conheceram-me como descrente e apresentaram-me o evangelho em jantares e reuniões informais. O pastor Ken conduziu-me a Jesus por meio do arrependimento e da fé, e guiou-me na busca pelos meios da graça de Deus para abandonar o pecado. Ele encorajou-me a fazer uma declaração de fé pessoal e, em seguida, uma pública profissão de fé, fazendo votos de aliança em uma igreja fiel. Quando minha vida ficou difícil, meu pastor e os presbíteros estavam lá para me ajudar. Logo após minha conversão, os presbíteros conduziram estudos bíblicos para amigos curiosos e alunos irritados na minha sala de estar. Quando uma aluna minha de pós-graduação sobreviveu a uma tentativa de suicídio, ela se recuperou na casa do meu pastor.

 A Igreja Presbiteriana Reformada de Syracuse foi um refúgio para mim e o lugar onde mais lutei contra o meu pecado de escolha. O chamado ao arrependimento e à fé foi um salva-vidas, mas, ao mesmo tempo, representou a morte da vida que eu amava. Aprendi que a liberdade de um cristão renascido incluía abandonar minha homossexualidade (e outros pecados) e lutar por uma santificação cada vez maior. Liberdade em Cristo significava liberdade para obedecer a Deus. Liberdade em Cristo também significava aprender a carregar a imagem de Deus como mulher. Tive que abandonar uma série de pecados para conseguir isso, começando pelo feminismo e pela androginia.

 Mas, não é isso que o cristão gay celibatário tem em mente quando pensa em fé. No cristianismo gay celibatário, é a igreja que é chamada a ter mudanças. Como exemplo, examine a lista de verificação da organização Celibat Gay Christian Living Out, sediada no Reino Unido, intitulada "Quão Biblicamente inclusiva é a sua igreja? 10 Declarações para ajudá-lo a auditar a sua igreja". O objetivo desta lista de verificação é mensurar quantas vezes a sua igreja consegue responder VERDADEIRO às seguintes perguntas:

1. As reuniões familiares da sua igreja incluem pessoas que podem ser rotuladas como LGBTQ+/que sentem atração por pessoas do mesmo sexo.

2. Linguagem depreciativa ou atitudes estereotipadas em relação a qualquer pessoa não seriam toleradas, nem na frente nem em conversas entre os membros da família da igreja.

3. Todos na sua igreja sabem que todos nós vivenciamos a fragilidade sexual e todos estão sendo encorajados a confessar seus próprios pecados sexuais.

4. Relacionamentos sexuais entre pessoas do mesmo sexo nunca são mencionados isoladamente de outros padrões pecaminosos de comportamento ou do perdão oferecido a todos pela fé em Cristo crucificado.

5. Todos na sua igreja estão ouvindo o mesmo chamado ao auto-sacrifício radical em resposta à entrega de Deus em Jesus.

6. Todos em sua igreja são encorajados a desenvolver uma identidade fundada, antes de tudo, em sua união com Jesus Cristo.

7. A orientação sexual de um cristão piedoso jamais o impedirá de exercer seus dons espirituais ou de servir na liderança de sua igreja.

8. Os dons divinos, seja o celibato ou o casamento, são igualmente promovidos, valorizados e apoiados na prática na vida da família de sua igreja.

9. Os membros da família da igreja compartilham instintivamente refeições, lares, feriados, festivais, dinheiro e vida familiar com outras pessoas de diferentes origens e situações de vida.

10. Ninguém seria pressionado a esperar ou buscar qualquer "cura" ou mudança que Deus não tenha prometido a nenhum de nós até a renovação de todas as coisas.

 Observe a questão 10, que se ofende com um evangelho que inclui cura e transformação. O cristianismo gay celibatário não tem lugar para Jo 8.31-32: “Se permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

 Embora a lista de verificação do Living Out contenha muitos problemas teológicos – parece votos que uma amante escreve para a noiva – o erro mais profundo de todos é que ela opõe a graça de Deus à lei da natureza. Em Gn 1.27-28, parte da ordenança da criação, captura a lei da natureza: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou. E Deus lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a.” A natureza mostra que esse padrão (masculino ou feminino) tem um propósito (procriação).

 É por isso que somente a heterossexualidade é vivificante. A homossexualidade é sempre estéril. Por quê? Porque é uma rebelião contra a ordem criada. A igreja convoca o pecador a se arrepender e crer, mas o cristianismo gay celibatário convoca a igreja a deixar homens e mulheres escravizados ao pecado.

 O cristianismo gay celibatário é uma doutrina falsa, e não importa quão apaixonados sejam seus seguidores, seus ministérios paraeclesiásticos sejam abastados, suas celebridades sejam cativantes, o cristianismo gay celibatário continua sendo uma religião diferente da fé cristã genuína. Ele ensina:

1. Uma compreensão antibíblica da personalidade. A identidade homossexual é freudiana, não bíblica. Ela se rebela contra a ordenança da criação e a natureza (Gn 1.27-28).

2. Uma compreensão antibíblica da autoridade das Escrituras. Em Hb 4.12 nos diz: “A palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” A Palavra de Deus me conhece melhor do que eu mesmo. Meus sentimentos não determinam a verdade. A Palavra de Deus, sim.

3. Uma compreensão antibíblica do pecado: original, real e interior. O Sl 51 revela que todo pecado é um ataque contra Deus. Em Êx 20.17 mostra que mesmo aqueles desejos pecaminosos que não são postos em prática são, de fato, pecado. Por fim, Rm 7.15-24 mostra que até mesmo o pecado não escolhido é nosso para mortificar. A nossa tarefa não é orar para que a homossexualidade desapareça. É assumi-la como nossa e então mortificá-la. Devemos aprender a odiar o nosso pecado sem odiar a nós mesmos.

4. Uma compreensão antibíblica da cruz. O sangue de Cristo não se alia ao pecado, ele o esmaga na cruz.

5. Uma compreensão antibíblica da santificação. A Bíblia situa nossa santificação (crescimento em santidade por meio do arrependimento do pecado e da obediência fiel) em nossa justificação (o ato judicial de eleição de Deus que concede o perdão dos pecados por meio do sangue de Cristo e seu resgate). O movimento cristão celibatário gay nega a exigência evangélica do arrependimento. Em vez de arrepender-se do pecado dos desejos não naturais e profanos, o cristão celibatário gay compromete-se com o celibato por toda a vida. Quando Deus exige arrependimento, nossas obras de justiça escolhidas acrescentam pecado a pecado.

6. Uma compreensão antibíblica da santidade de Deus. A santidade de Deus não tolera o pecado.

 Aqueles que abraçam o cristianismo celibatário gay ou o promovem – Preston Sprinkle, Greg Coles, Andy Stanley, só para citar alguns – estão fanaticamente enganados ao se considerarem mais misericordiosos do que Deus. A orientação homossexual não oferece proteção para o pecado, nem desculpa e isenção para o arrependimento. Os defensores do cristianismo gay celibatário estão destruindo a paz e a pureza da igreja e desfigurando o evangelho ao negar a mais básica das verdades: A homossexualidade é encontrada na carne, proibida na lei de Deus e vencida no Salvador. O movimento cristão gay celibatário é comandado por bodes e lobos.

 

Três dias de palestrantes dinâmicos e relevantes e discussões significativas sobre os tópicos mais importantes. Junte-se a nós e seja desafiado, encorajado e fortalecido para defendermos a verdade juntos enquanto trazemos luz à escuridão. Organizado pela Clear Truth Media na Redemption Church, de 13 a 14 de março de 2025.

Acesse o artigo original AQUI


27 maio 2025

O que há de errado com o Cristianismo gay? Afinal, o que é Side A e Side B?

 Por Rosaria Butterfield

 

O Cristianismo gay nasceu do desespero. Pessoas como eu — pessoas que tiveram no passado ou que atualmente têm desejos sexuais profundos, duradouros e/ou duradouros por pessoas do mesmo sexo — não encontraram lugar em qualquer igreja evangélica. Em vez disso, essas igrejas costumam dizer que a homossexualidade é um comportamento a ser modificado por meio de ministérios paraeclesiásticos de ex-gays. A igreja condenava tais sentimentos como más escolhas e condenava as pessoas (como eu) que os vivenciavam como abominações, chamando falsamente os desejos homossexuais de uma escolha deliberada.

 Nunca conheci uma pessoa que tivesse escolhido a atração pelo mesmo sexo. No início dos anos 2000, pessoas com atração permanente e duradoura pelo mesmo sexo reuniam-se sob o termo "cristão gay". Eles são apoiados pela Gay Christian Network [Rede de Apoio Cristão Gay] ou Side A (que sanciona o casamento entre pessoas do mesmo sexo e acredita que a homossexualidade é apenas uma das muitas formas de sexualidade diversa que a igreja deveria acolher), e pela comunidade online da Spiritual Friendship [Amizade Espiritual] ou Side B (que crê que a homossexualidade não é uma questão moralmente culpável, embora seja uma consequência da ruína causada pela Queda; o Side B ensina contra a prática sexual homossexual, mas apenas em nome da tradição cristã). Embora o Side B busque defender os padrões sexuais bíblicos, pois considera a orientação sexual uma categoria precisa de personalidade (ou seja, existe algo como uma pessoa gay — que a homossexualidade descreve quem alguém essencialmente é), sua teologia não permite de forma alguma a compreensão de por que a homossexualidade, mesmo no nível do desejo, é pecaminosa e necessita da graça do arrependimento? Para o cristão do Side B, a homossexualidade é uma sexualidade — uma entre muitas.

 Ao longo dos anos, vimos muitos cristãos do Side B desertarem para o Side A, declarando que Deus sanciona uniões homossexuais. E prevejo que veremos muitos outros desertores, visto que a teologia por trás do Side B é biblicamente insustentável. Como podemos lutar contra um pecado que não odiamos? Odiar o nosso próprio pecado é um componente fundamental para combatê-lo. Ao mesmo tempo, precisamos nos separar do pecado que odiamos. Isso pode ser uma questão muito desafiadora para um cristão que vivencia a homossexualidade, uma questão que se torna extremamente mais desafiadora se a pessoa assume a identidade social de “cristão gay”.

 Devemos manter que nós, que nos arrependemos e cremos, nos vestimos de justiça como filhos e filhas amados de Deus, mesmo enquanto lutamos diariamente contra qualquer luxúria sexual e desejo antibíblico que reivindique nossas afeições. Não somos o nosso pecado e nunca devemos deixar que ele nos defina.

 Tanto o Side A quanto o Side B apoiam a ideia de que a orientação sexual é uma categoria precisa de personalidade e, portanto, ambos estão fora dos limites do ensino bíblico.


Para ler o artigo original acesse aqui.

O “Side B” é parte do Cristianismo bíblico?

 

Por Ken Ham


“E não sejam cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, tratem de reprová-las.” (Efésios 5.11)

A Bíblia nos ordena a “não sermos cúmplices das obras infrutíferas das trevas”, que, no contexto, incluem a imoralidade sexual — e, no entanto, muitos na igreja estão se esforçando ao máximo para encontrar maneiras criativas de acomodar a imoralidade sexual a fim de “reduzir a barreira de entrada” para descrentes ou as dificuldades do discipulado para crentes professos, especialmente aqueles que se identificam como LGBTQIA+. E um desses métodos “criativos” para contornar o ensino bíblico é o que é conhecido como “Cristianismo Side B”, que pode à primeira vista parecer compassivo e apenas mais uma maneira de encorajar os pecadores a “virem como são”, mas lembre-se de que Jesus convida todos a virem como são — mas, nunca os chama a permanecerem como estão.

Um artigo de opinião recente no The Christian Post usa uma definição de "Side B" do falecido pastor Dr. Tim Keller (que certamente não interpretou Gênesis 1 literalmente como Answer in Genesis faz) em uma refutação dessa ideologia:

Pessoas atraídas pelo mesmo sexo, embora permaneçam celibatárias em obediência à Bíblia, ainda podem se chamar de "cristãos gays" e ver sua atração como parte de sua identidade, que deve ser reconhecida como sua raça ou nacionalidade.

 A Dra. Rosaria Butterfield (ex-ativista lésbica, agora cristã, que palestrará em nossa Conferência Answers for Women de 2026) descreveu a situação da seguinte forma:

 A teologia gay celibatária [Side B] — que afirma defender uma visão bíblica tradicional da sexualidade — tornou-se o compromisso padrão em igrejas e ministérios paraeclesiásticos. Ela abraça a orientação e a identidade homossexuais, mas proíbe o sexo gay. Ela categoriza o desejo homossexual como uma tentação moralmente neutra.

 Então, em vez de abraçar totalmente os estilos de vida LGBTQIA+ (como o "Side A" faz), os defensores do "Side B" reconhecem que atos homossexuais são pecaminosos, mas afirmam que a identidade não é. Que absurdo! Como qualquer cristão pode se identificar por uma tentação que o Senhor odeia e que seus corações regenerados deveriam igualmente odiar? Como disse a Dra. Butterfield:

Como qualquer um de nós pode lutar contra um pecado que não odiamos? Odiar o próprio pecado é um componente fundamental para combatê-lo. Ao mesmo tempo, precisamos nos separar do pecado que odiamos. Isso pode ser uma questão muito desafiadora para um cristão que tem experiências de SSA [same-sex attraction - atração pelo mesmo sexo], uma questão que torna-se extremamente mais desafiadora se alguém assume a identidade social de “cristão gay”.

Devemos afirmar que nós, que nos arrependemos e cremos, vestimos as vestes da justiça como filhos e filhas amados de Deus, mesmo enquanto lutamos diariamente contra toda e qualquer luxúria sexual e desejo antibíblico que reivindique nossas afeições. Não somos o nosso pecado e jamais devemos deixar que ele nos defina.

 A isso eu digo: "Amém!"

 Agora, voltando à definição de Keller, considere a comparação que ele faz: "orientação" sexual é o mesmo que "raça" ou nacionalidade. Ora, não existe "raça" — somos todos uma raça biológica — então usarei o termo etnia aqui.

 Etnia é algo definido, dado a você por Deus, que “de um só homem fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo determinado os tempos determinados e os limites da sua habitação” (Atos 17.26). Nacionalidade é algo com que você nasce ou algo que você adota ao imigrar. Não há moralidade ligada à etnia ou nacionalidade.

 Mas o desejo homossexual é uma tentação que deve ser mortificada pelo poder do Espírito Santo enquanto os crentes lutam contra o seu pecado. Não é uma identidade como as identidades dadas por Deus, masculino ou feminino (Gn 1.27). É uma tentação pela qual devemos orar para sermos libertados (Mt 6.13), que não é dada por Deus, mas vem do nosso próprio desejo e leva à morte (Tg 1.13-15), e que Deus nos dá o poder de vencer (1Co 10.13).

 Como afirma o artigo de opinião, “o Side B oferece um Evangelho truncado” que nega o poder da cruz. A cruz não liberta apenas aqueles que estão em Cristo de atos pecaminosos — ela nos liberta de nossas identidades pecaminosas, de nossos desejos pecaminosos e de sucumbir às nossas tentações (tanto em pensamento quanto em ação), porque não somos mais escravos do pecado, mas escravos da justiça (Rm 6.18). Ela nos redime e nos chama para sermos santos como o Pai é santo (1Pe 1.15-16) e declara que nossa identidade anterior no pecado é a que éramos antes (1Co 6.11):

Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. (1Co 6.9–11 NVI, ênfase adicionada)

 O “Side B” não é compassivo. É maligno porque dilui a cruz e convoca as pessoas ao celibato como resposta às suas lutas, em vez da liberdade para a qual Cristo nos chamou. Cristo oferece muito mais do que um sentimento apaziguador que diz: “Esse pecado é quem você é — simplesmente não o cometa!” Tal posição está a apenas um passo de abraçar totalmente a homossexualidade, para a qual prevejo que “Side B” em breve completará a decadência. Quando Cristo o liberta, você é verdadeiramente livre (Jo 8.36), uma nova criação em Cristo Jesus (2Co 5.17), criado para praticar boas obras (Ef 2.10) e andar em santidade (1Pe 1.15-16) em palavras, ações e pensamentos.

 Isso seria apenas mais uma versão de “é assim que Deus disse?” (Gn 3.1), vê-se que “Side B” é outro ataque insidioso à autoridade das Escrituras, e provavelmente está chegando a uma igreja perto de você. Eu o encorajo que você leia o artigo de opinião completo do The Christian Post, pois ele fez um bom trabalho destacando como essa teologia aparece até mesmo em igrejas conservadoras, por que ela não é bíblica e como precisamos opor-nos a ela.

 Também encorajo você (se for mulher) a comparecer à nossa Conferência Answers for Women de 2026, onde a Dra. Rosaria Butterfield abordará esse mesmo tema. Outros palestrantes, como eu, as Dras. Georgia Purdom e Avery Foley, da Answer in Genesis, Heidi St. John, Dra. Voddie Baucham, Megan Basham, Dr. Christopher Yuan e outros, abordarão uma série de outros temas relacionados à sexualidade. Encorajo você a se programar para comparecer com suas filhas e netas adolescentes, pois todos, especialmente os jovens, precisamos estar preparados para pensar biblicamente sobre esse tema!

 Encerrarei meu texto com o final do artigo oferecendo um conselho:


Para o crente confuso que está lutando, saiba disto: você não está sozinho em sua angústia. As suas tentações não o definem. Os seus desejos sexuais não são sua identidade. Você pode ser livre. Você pode ser transformado. Você não está além da redenção. Cristo morreu para torná-lo santo, não apenas celibatário. Você não precisa viver como um órfão espiritual, lutando por migalhas de cura e transformação. Você é um filho de Deus, e Ele não negará o bem àqueles que o buscam.

 O cristianismo gay de Side B é uma regressão e precisa ser totalmente rejeitado. Tem uma aparência de piedade, mas nega o poder de Deus para a salvação. É a sabedoria de homens vestidos com roupas religiosas. Os pastores não devem tratar com condescendência aqueles que clamam por liberdade com as promessas mudas e sem vida e os slogans terapêuticos do Side B.

 Pessoas que lutam contra a sexualidade, de todos os tipos, precisam do Evangelho — o verdadeiro e completo Evangelho — que santifica e liberta os cativos de todos os tipos de pecado.

 Sim, você pode ser verdadeiramente livre por meio de Cristo!