por Tim Challies
Jerry Bridges deu muitos presentes à igreja, dos quais o menos importante foi seu livro Respectable Sins, [Pecados respeitáveis] publicado em 2007. Neste livro ele cunhou um termo que descreve toda uma categoria de pecados que, de outra forma nos passariam desapercebidos. “Respectable Sins” são comportamentos que os cristãos (individual e, às vezes, corporativamente) são considerados aceitáveis, embora a Bíblia os descreva como pecaminosos. Eles são tão sutis ou refinados, de modo que podemos até vesti-los para que se tornem num tipo de virtude. Bridges oferece muitos exemplos: ansiedade, frustração, descontentamento, ingratidão, impaciência, irritabilidade, mundanismo e assim por diante.
Um aspecto complicado desta lista de pecados respeitáveis é que seu conteúdo pode mudar com o tempo. O que era respeitável em uma época pode ser escandaloso em outra, antes de voltar à respeitabilidade. Hoje gostaria de oferecer algumas sugestões de pecados que consideramos respeitáveis em 2020, com um foco especial naqueles que são promovidos e disseminados online.
Pecado da suspeita
Esta é uma era polarizada agravada pelos meios de comunicação e pelas redes sociais que prosperam em elogiar os informantes enquanto desacreditam os desinformados. O ideal de objetividade foi substituído pelo vício da suspeita. Embora a Bíblia elogie a sabedoria e o discernimento, rejeita a suspeita, especialmente em relação aos nossos irmãos. Não temos o direito de duvidar dos outros por negligência ou de desconfiar deles por cautela, como se fossem culpados até que se prove inocente. Não podemos nos permitir suspeitar das ações, motivos ou da salvação dos irmãos e irmãs no Senhor. Afinal, o amor é mostrado não apenas em nossas ações, mas também em nossas atitudes, pois “o amor suporta todas as coisas, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13.7). Enquanto sempre precisamos estar alerta contra falsos ensinos e falsos mestres dentro da igreja, precisamos igualmente estar alerta contra suspeitas em nossos corações. Não há nada de respeitável nisso.
Pecado da fofoca
Os nossos onipresentes dispositivos digitais e as mídias sociais sempre ativas nos deram a capacidade de nos comunicar com velocidade e abrangência incomparáveis. Mas com esse grande poder vem uma responsabilidade preocupante, pois a Bíblia geralmente adverte sobre o poder das nossas palavras e nossa tendência a usá-las mal. Tanto a vida quanto a morte estão no poder da língua (Pv 18.21). Somos responsáveis não apenas por falar a verdade sobre os outros, mas também por nos afastar daqueles que não falam. Afinal, são necessárias duas pessoas para fofocar e, assim como é pecado falar mal dos outros, é pecado ouvir sem discernimento. No entanto, o mundo cristão e, talvez, em especial, o mundo cristão reformado, é absolutamente repleto de fofocas. Do púlpito ao banco, do auditório da conferência à transmissão ao vivo da conferência, as fofocas são desenfreadas. É sussurrado em nome de informações importantes e blogado em nome de discernimento - as duas maneiras de vesti-las com roupas respeitáveis. Mas se não é verdade, não é edificante e não é necessário, é fofoca. Verdadeiramente, as fofocas podem ser o pecado assolador deste movimento e um dos principais contribuintes para o seu colapso atual ou iminente.
Pecado da calúnia
Intimamente ligada à fofoca está a calúnia. Quando caluniamos outra pessoa, proferimos declarações falsas destinadas a prejudicar a sua reputação. A maneira como podemos tornar esse pecado respeitável é insistirmos que estamos alertando os outros para que se afastem de um falso mestre e que estamos protegendo ovelhas ingênuas e desamparadas. Estamos apenas prejudicando a reputação dessa pessoa porque temos tanto amor e preocupação pelos outros! O que tendemos a fazer, então, é transmitir informações que ouvimos através dos canais de fofocas, mas não verificamos, nem analisamos a sua validade. E assim, seguimos o exemplo de pessoas que fabricam informações para os motivos mais feios e as espalhamos como se fossem verdade. Embora nossos motivos possam ser bons (ou, pelo menos, não totalmente depravados), as nossas ações ainda são pecaminosas. Esteja avisado: “Digo a vocês que, no Dia do Juízo, as pessoas darão conta de toda palavra inútil que proferirem” (Mt 12.36).
Pecado da intromissão
Neil Postman certa vez fez esta pergunta: “Quantas vezes ocorre que as informações fornecidas no rádio ou no noticiário da manhã ou no jornal da manhã fazem com que você altere os seus planos para o dia, ou adote alguma ação que, de outra forma, não seria a opção? Ou dão informações sobre algum problema que você precisa resolver?” Na maioria dos casos, a resposta é “não com muita frequência”. Pode-se pedir o mesmo das informações que obtemos das mídias sociais ou de outras fontes de notícias e informações cristãs. Quantas vezes fazemos algo sobre isso? E, talvez ainda melhor, com que frequência é realmente nossa responsabilidade fazer algo sobre isso? Postman lamentou o ciclo impotente no qual “as notícias suscitam de você uma variedade de opiniões sobre as quais você nada pode fazer, exceto para oferecê-las como mais notícias, acerca das quais você não faz nada”. Estou convencido de que experimentamos algo semelhante hoje em que recebemos notícias sobre as quais nada podemos fazer; portanto, o que fazemos é transmiti-las, transmitindo a nossa opinião, alegria ou indignação. Mas repassar a informação adiante não é um ato neutro. De fato, pode ser um ato de intromissão, isto é, a ação de um intrometido. Difundir opiniões sobre situações que ocorreram muito distantes de nós, que não nos interessam, sobre as quais nada podemos fazer e acerca das quais pouco sabemos, parece corresponder à própria definição de intromissão.
Pecado da ociosidade
Toda nova tecnologia traz benefícios e desvantagens, e a mídia social não é exceção. As pessoas podem usar as mídias sociais para serem tremendamente produtivas - para liberar seus dons, talentos, tempo, energia e entusiasmo pelo bem dos outros e para a glória de Deus. Mas as pessoas também podem usar as mídias sociais para serem tremendamente improdutivas. O uso das mídias sociais pode refletir a ociosidade e a indolência. Podemos dar uma aparência ao nosso uso das mídias sociais como plataforma de construção ou expressão de discernimento ou incentivo. Mas se formos honestos conosco mesmos, para muitos de nós, é um meio de escapar do mundo real e das nossas vidas reais. É preguiça, não produtividade, e a Bíblia tem repetidas e preocupantes advertências sobre aqueles que são preguiçosos (por exemplo, Ec 10.18, Pv 19.15 e 1Ts 5.14). Ironicamente, as pessoas que são mais ativas nas mídias sociais, igualmente, podem ser as mais inativas.
Pecado da impugnação
Impugnar é questionar a verdade, validade ou honestidade dos motivos de outra pessoa. Intimamente ligado à contestação dos motivos da outra pessoa, está a sugestão de que você sabe a verdade por trás deles. Hoje em dia, existe muito disso no mundo cristã e gera tão pouca desaprovação, que é algo classificado como respeitável. No entanto, uma simples introspecção guiada pela Bíblia nos revela que, muitas vezes, nem conhecemos nossos próprios motivos e, se não conhecemos nossas intenções, como poderíamos conhecer de outras pessoas? O texto de Tg 3.17–18 nos desafia que “a sabedoria do alto é primeiro pura, depois pacífica, gentil, aberta à razão, cheia de misericórdia e bons frutos, imparcial e sincera”. E, 1Co 4.5 adverte que “não devemos pronunciar juízo antes do tempo, antes que o Senhor venha, porque trará à luz as coisas que estão ocultas nas trevas e revelará os propósitos do coração”. Se quisermos pressupor algum sentimento sobre os motivos de outra pessoa, devemos assumir o melhor, não o pior. Quando se trata de um irmão ou irmã em Cristo, é pecado assumir más motivações; é pecaminoso deixar de nutrir bons motivos.
Cada um de nós é um santo, mas cada um de nós ainda é um pecador. Como tal, continuamos atraídos por certos pecados e propensos a revesti-los com roupas respeitáveis. Por isso, é uma boa e necessária disciplina a prática do autoexame, a fim de ponderarmos se evitamos apenas os pecados que consideramos mais feios, mas também aqueles que consideramos mais bonitos. Façamos isso sabendo que mesmo o mais “respeitável” dos nossos pecados é odioso a Deus e, por esse motivo, deve ser igualmente odioso para o seu povo.
Acesse o artigo original AQUI acessado em 15 de Julho de 2020.
Traduzido por Ewerton B. Tokashiki
O labor teológico de quem se preocupa em oferecer a sistematização e aplicabilidade das Escrituras para a proclamação do Reino de Deus
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15 julho 2020
Respeitáveis pecados do mundo reformado
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25 abril 2020
"A Companhia de Pastores de Calvino" - resenha por Michael Horton
Com muitos outros, tenho antecipado a publicação de Calvin’s Company of Pastors: Pastoral Care and the Emerging Reformed Church, 1536–1609 de Scott Manetsch. Não é bem o que eu esperava, ou seja, uma atualização mais completa para The Register of the Company of Pastors of Geneva in the Time of Calvin (1966) de Phillip Hugues. Nós precisávamos de algo assim, que fosse uma publicação de nicho que pareceria muito com uma avaliação para uma audiência geral. No entanto, o livro de Manetsch é isso e muito mais.
Repleta de novos estudos (incluindo a análise de registros nunca examinados de perto), Calvin’s Company of Pastors é uma leitura fascinante. Enquanto muitos estudos se inclinam para a história intelectual, Manetsch segue o rastro de historiadores sociais mais recentes (e obscuros). A sua análise engloba fatores sociais mais amplos, e ele tira conclusões com base em fontes frequentemente omitidas de outros relatos. Como um bom sermão, o enorme peso da pesquisa em primeira mão está por trás, e não a frente da história.
Respaldado com as notas de rodapé e tabelas é uma narrativa vívida que nos esboça um notável ministério de uma equipe de pastores, presbíteros e diáconos. Apesar do título, Manetsch, professor de história da igreja e da história do pensamento cristão na Trinity Evangelical Divinity School, nas proximidades de Chicago, mostra que Calvino era apenas o moderador de uma Companhia de Pastores que resistia a qualquer culto à personalidade.
Definindo o Contexto
Manetsch define o contexto observando que a reforma inicial da igreja genebrina reduziu os clérigos da cidade (incluindo monges e freiras) de 500 para 15, transformando o convento e dois mosteiros em um hospital público e escola. Ele observa que as Ordenanças Eclesiásticas, elaboradas por Calvino em 1541, estabeleceram uma rotatividade de ministros em todas as igrejas para evitar a impressão de que os ministros eram pregadores, não pastores.
Após seu retorno de Estrasburgo em 1541, Calvino pregou rotineiramente em St. Pierre aos Domingos e no templo da Madeleine durante a semana de trabalho. Essa prática de rotação foi projetada por Calvino para garantir que o povo de Genebra fosse edificado por uma variedade de pregadores; também afirmava a natureza colegial do ministério pastoral na cidade, e desencorajava os ministros de verem seus postos de pregação como feudos pessoais.
Poucas figuras históricas sofreram mais em termos de rumores do que por fatos. Há muito é observado por especialistas (católicos romanos e protestantes) que Calvino estava longe do aiatolá que normalmente encontra no parágrafo dedicado a ele nos livros didáticos do ensino médio. Manetsch dissipa esses rumores com muita atenção às fontes primárias.
Nesse sentido, Manetsch também avalia os registros da igreja (ou registro) em detalhes notáveis. O exame de casos disciplinares por si só torna este livro útil para qualquer pessoa interessada num retrato preciso de uma prática muito mal compreendida.
Ao contrário das caricaturas de um regime repressivo, os registros mostram uma preocupação primariamente “em educar os ignorantes, defender os fracos e intermediar conflitos interpessoais”. Calvino e outros repetidamente afirmaram que o consistório não podia administrar punições legais ou temporais (isto é, aqueles que não têm “a espada espiritual da Palavra de Deus” e que “as correções nada mais são do que remédios para trazer os pecadores de volta ao nosso Senhor.” Calvino advertiu contra a disciplina que se degenera em “carnificina espiritual”, e foi especialmente crítico do rigor indevido tanto pelos católicos romanos como da disciplina anabatista.
Muitas das questões envolviam assegurar que os paroquianos conhecessem a fé cristã o suficiente para receber a Comunhão. Não se pode receber o sacramento enquanto se crê em crenças e práticas católicas romanas ou anabatistas; a maioria dos casos, entretanto, estava na categoria de aconselhamento, admoestação e instrução, em vez de censura séria (muito menos excomunhão). Dentro destes parâmetros, a excomunhão seria rara. Além disso, essas questões tinham que permanecer privadas; a maledicência também poderia provocar uma carta do consistório.
Deve-se notar que nenhum ministro ou presbítero - nem mesmo Calvino - poderia exercer disciplina individualmente. Todas as ações eram as do Consistório - ministros e presbíteros - como um corpo em comum consenso. Manetsch até relaciona casos de ministros sendo examinados e removidos do cargo. E apesar do estereótipo, ele relata que os pecados sexuais foram responsáveis por “apenas cerca de 13% de todas as suspensões” da Comunhão. Em alguns casos, o Consistório solicitou ao Pequeno Conselho que fornecesse emprego remunerado para as jovens mulheres e “defendia a causa de órfãos desamparados, trabalhadores pobres, prisioneiros maltratados, refugiados desprezados e desajustados sociais”.
O mesmo rigor em sua pesquisa é evidente ao relacionar o desenvolvimento da academia (que Lambert Daneau chamou de “um dos mercados mais ricos para o comércio intelectual do mundo”) e a composição de pastores, professores e estudantes atraídos para Genebra. Embora tirada principalmente das “classes urbanas da Europa francófona, assim como da nobreza francesa”, muitos outros vieram da Itália, Espanha, Inglaterra, Polônia e além. Ele também aponta o notável foco e energia da Companhia de Pastores para missões - incluindo a primeira missão protestante para o Novo Mundo (no Brasil).
Explorando o ministério da Palavra e Sacramentos em Genebra, Manetsch revela a relativa ausência de pregação na cidade antes da Reforma. Como na maioria dos lugares, os sermões eram raros, exceto pela aparição ocasional de um pregador itinerante.
Ao contrário da impressão geral, Calvino não era o único pastor da igreja de St. Pierre, a principal paróquia da cidade, mas compartilhava da rotação com os outros. Os sermões eram frequentes (vários no Domingo e outros no decorrer da semana; Calvino pregava de 18 a 20 vezes por mês). No entanto, Calvino e a Companhia limitaram os cultos a não mais do que uma hora. Além dos cultos de oração de Quarta-feira, havia estudos semanais sobre passagens bíblicas, em que os paroquianos tinham um papel ativo nas discussões.
Pontos Marcantes
Um dos pontos marcantes de Manetsch, particularmente em vista da prática contemporânea, diz respeito à redefinição do ministério pastoral. Primeiro, houve um esforço determinado para evitar um culto à personalidade: “Calvino, o pregador, quase nunca fala de seus assuntos pessoais”. É o ministério de Cristo, não o próprio ministro, que deve estar à frente e no centro do povo de Deus. Segundo, Manetsch observa: “O pregador não era o proprietário de um púlpito ou o comandante de sua congregação: foi Cristo quem presidiu a sua igreja por meio da Palavra”.
A Companhia de Pastores foi edificada, como instituição, com base no princípio básico de que todos os ministros cristãos possuíam igual autoridade sob a Palavra para proclamar o evangelho e administrar os sacramentos. Por isso, Calvino e seus colegas rejeitaram qualquer noção de preeminência ou hierarquia de autoridade dentro da companhia pastoral. Pelo menos em teoria, os ministros do evangelho cristão eram intercambiáveis.
De fato, cada um se submeteria à decisão da maioria. Manetsch aponta a comparação de Calvino acerca dos ministros aos “amigos do noivo” que têm o privilégio de “exercer autoridade sobre a igreja para representar a pessoa do Filho de Deus”. No entanto, eles devem observar a diferença entre “eles mesmos e o que pertence ao Esposo” e não “ficar no caminho de Cristo tendo somente o domínio em sua igreja ou governando-o somente por sua Palavra.” Calvino continuou: “Aqueles que ganham a igreja para si mesmos, em vez de para Cristo, violam a casamento que eles deveriam honrar”.
O caráter fraterno dos ministros torna-se uma característica recorrente no estudo de Manetsch. “Quanto menos discussões de doutrina tivermos juntos, maior o perigo de opiniões perniciosas”, observou Calvino. “A solidão leva a um grande abuso.” Consequentemente, havia amplas oportunidades de avaliação pelos pares a portas fechadas entre os pastores, variando de avaliações de sermões a discussões doutrinárias e ao manejo dos assuntos da igreja.
Existem alguns problemas com a Companhia de Pastores de Calvino que poderiam ser levantados. Manetsch apresenta uma pesquisa útil sobre o culto de adoração em Genebra, mas alguns elementos da liturgia que Calvino elaborou não estão inclusos. Os leitores também podem achar um tanto confuso que “Reformado” seja “reformado” (em minúsculas), mesmo que as referências às tradições católicas romana, luteranas e anabatistas sejam todas em maiúsculas. Embora provavelmente não intencional, isso pode minar o ponto abundantemente apoiado em todo o trabalho de que Calvino era membro e contribuiu para uma tradição maior do que ele. No entanto, isso não diminui a utilidade de um estudo que reúna essa amplitude de pesquisa em um único volume.
Artigo extraído de https://www.thegospelcoalition.org/reviews/calvins-company-pastors/ artigo publicado em 25 de Fevereiro de 2013. Acessado em 24 de Maio de 2019. Traduzido por Ewerton B. Tokashiki.
Repleta de novos estudos (incluindo a análise de registros nunca examinados de perto), Calvin’s Company of Pastors é uma leitura fascinante. Enquanto muitos estudos se inclinam para a história intelectual, Manetsch segue o rastro de historiadores sociais mais recentes (e obscuros). A sua análise engloba fatores sociais mais amplos, e ele tira conclusões com base em fontes frequentemente omitidas de outros relatos. Como um bom sermão, o enorme peso da pesquisa em primeira mão está por trás, e não a frente da história.
Respaldado com as notas de rodapé e tabelas é uma narrativa vívida que nos esboça um notável ministério de uma equipe de pastores, presbíteros e diáconos. Apesar do título, Manetsch, professor de história da igreja e da história do pensamento cristão na Trinity Evangelical Divinity School, nas proximidades de Chicago, mostra que Calvino era apenas o moderador de uma Companhia de Pastores que resistia a qualquer culto à personalidade.
Definindo o Contexto
Manetsch define o contexto observando que a reforma inicial da igreja genebrina reduziu os clérigos da cidade (incluindo monges e freiras) de 500 para 15, transformando o convento e dois mosteiros em um hospital público e escola. Ele observa que as Ordenanças Eclesiásticas, elaboradas por Calvino em 1541, estabeleceram uma rotatividade de ministros em todas as igrejas para evitar a impressão de que os ministros eram pregadores, não pastores.
Após seu retorno de Estrasburgo em 1541, Calvino pregou rotineiramente em St. Pierre aos Domingos e no templo da Madeleine durante a semana de trabalho. Essa prática de rotação foi projetada por Calvino para garantir que o povo de Genebra fosse edificado por uma variedade de pregadores; também afirmava a natureza colegial do ministério pastoral na cidade, e desencorajava os ministros de verem seus postos de pregação como feudos pessoais.
Poucas figuras históricas sofreram mais em termos de rumores do que por fatos. Há muito é observado por especialistas (católicos romanos e protestantes) que Calvino estava longe do aiatolá que normalmente encontra no parágrafo dedicado a ele nos livros didáticos do ensino médio. Manetsch dissipa esses rumores com muita atenção às fontes primárias.
Nesse sentido, Manetsch também avalia os registros da igreja (ou registro) em detalhes notáveis. O exame de casos disciplinares por si só torna este livro útil para qualquer pessoa interessada num retrato preciso de uma prática muito mal compreendida.
Ao contrário das caricaturas de um regime repressivo, os registros mostram uma preocupação primariamente “em educar os ignorantes, defender os fracos e intermediar conflitos interpessoais”. Calvino e outros repetidamente afirmaram que o consistório não podia administrar punições legais ou temporais (isto é, aqueles que não têm “a espada espiritual da Palavra de Deus” e que “as correções nada mais são do que remédios para trazer os pecadores de volta ao nosso Senhor.” Calvino advertiu contra a disciplina que se degenera em “carnificina espiritual”, e foi especialmente crítico do rigor indevido tanto pelos católicos romanos como da disciplina anabatista.
Muitas das questões envolviam assegurar que os paroquianos conhecessem a fé cristã o suficiente para receber a Comunhão. Não se pode receber o sacramento enquanto se crê em crenças e práticas católicas romanas ou anabatistas; a maioria dos casos, entretanto, estava na categoria de aconselhamento, admoestação e instrução, em vez de censura séria (muito menos excomunhão). Dentro destes parâmetros, a excomunhão seria rara. Além disso, essas questões tinham que permanecer privadas; a maledicência também poderia provocar uma carta do consistório.
Deve-se notar que nenhum ministro ou presbítero - nem mesmo Calvino - poderia exercer disciplina individualmente. Todas as ações eram as do Consistório - ministros e presbíteros - como um corpo em comum consenso. Manetsch até relaciona casos de ministros sendo examinados e removidos do cargo. E apesar do estereótipo, ele relata que os pecados sexuais foram responsáveis por “apenas cerca de 13% de todas as suspensões” da Comunhão. Em alguns casos, o Consistório solicitou ao Pequeno Conselho que fornecesse emprego remunerado para as jovens mulheres e “defendia a causa de órfãos desamparados, trabalhadores pobres, prisioneiros maltratados, refugiados desprezados e desajustados sociais”.
O mesmo rigor em sua pesquisa é evidente ao relacionar o desenvolvimento da academia (que Lambert Daneau chamou de “um dos mercados mais ricos para o comércio intelectual do mundo”) e a composição de pastores, professores e estudantes atraídos para Genebra. Embora tirada principalmente das “classes urbanas da Europa francófona, assim como da nobreza francesa”, muitos outros vieram da Itália, Espanha, Inglaterra, Polônia e além. Ele também aponta o notável foco e energia da Companhia de Pastores para missões - incluindo a primeira missão protestante para o Novo Mundo (no Brasil).
Explorando o ministério da Palavra e Sacramentos em Genebra, Manetsch revela a relativa ausência de pregação na cidade antes da Reforma. Como na maioria dos lugares, os sermões eram raros, exceto pela aparição ocasional de um pregador itinerante.
Ao contrário da impressão geral, Calvino não era o único pastor da igreja de St. Pierre, a principal paróquia da cidade, mas compartilhava da rotação com os outros. Os sermões eram frequentes (vários no Domingo e outros no decorrer da semana; Calvino pregava de 18 a 20 vezes por mês). No entanto, Calvino e a Companhia limitaram os cultos a não mais do que uma hora. Além dos cultos de oração de Quarta-feira, havia estudos semanais sobre passagens bíblicas, em que os paroquianos tinham um papel ativo nas discussões.
Pontos Marcantes
Um dos pontos marcantes de Manetsch, particularmente em vista da prática contemporânea, diz respeito à redefinição do ministério pastoral. Primeiro, houve um esforço determinado para evitar um culto à personalidade: “Calvino, o pregador, quase nunca fala de seus assuntos pessoais”. É o ministério de Cristo, não o próprio ministro, que deve estar à frente e no centro do povo de Deus. Segundo, Manetsch observa: “O pregador não era o proprietário de um púlpito ou o comandante de sua congregação: foi Cristo quem presidiu a sua igreja por meio da Palavra”.
A Companhia de Pastores foi edificada, como instituição, com base no princípio básico de que todos os ministros cristãos possuíam igual autoridade sob a Palavra para proclamar o evangelho e administrar os sacramentos. Por isso, Calvino e seus colegas rejeitaram qualquer noção de preeminência ou hierarquia de autoridade dentro da companhia pastoral. Pelo menos em teoria, os ministros do evangelho cristão eram intercambiáveis.
De fato, cada um se submeteria à decisão da maioria. Manetsch aponta a comparação de Calvino acerca dos ministros aos “amigos do noivo” que têm o privilégio de “exercer autoridade sobre a igreja para representar a pessoa do Filho de Deus”. No entanto, eles devem observar a diferença entre “eles mesmos e o que pertence ao Esposo” e não “ficar no caminho de Cristo tendo somente o domínio em sua igreja ou governando-o somente por sua Palavra.” Calvino continuou: “Aqueles que ganham a igreja para si mesmos, em vez de para Cristo, violam a casamento que eles deveriam honrar”.
O caráter fraterno dos ministros torna-se uma característica recorrente no estudo de Manetsch. “Quanto menos discussões de doutrina tivermos juntos, maior o perigo de opiniões perniciosas”, observou Calvino. “A solidão leva a um grande abuso.” Consequentemente, havia amplas oportunidades de avaliação pelos pares a portas fechadas entre os pastores, variando de avaliações de sermões a discussões doutrinárias e ao manejo dos assuntos da igreja.
Existem alguns problemas com a Companhia de Pastores de Calvino que poderiam ser levantados. Manetsch apresenta uma pesquisa útil sobre o culto de adoração em Genebra, mas alguns elementos da liturgia que Calvino elaborou não estão inclusos. Os leitores também podem achar um tanto confuso que “Reformado” seja “reformado” (em minúsculas), mesmo que as referências às tradições católicas romana, luteranas e anabatistas sejam todas em maiúsculas. Embora provavelmente não intencional, isso pode minar o ponto abundantemente apoiado em todo o trabalho de que Calvino era membro e contribuiu para uma tradição maior do que ele. No entanto, isso não diminui a utilidade de um estudo que reúna essa amplitude de pesquisa em um único volume.
Artigo extraído de https://www.thegospelcoalition.org/reviews/calvins-company-pastors/ artigo publicado em 25 de Fevereiro de 2013. Acessado em 24 de Maio de 2019. Traduzido por Ewerton B. Tokashiki.
18 dezembro 2019
Dezoito coisas para orar por sua igreja
por Jonathan Leeman
Você lê a sua Bíblia e observa como Paulo faz orações tão ricas e saturadas pelo reino pelas igrejas?
1. Para a igreja em Tessalônica: “Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder” (2Ts 1.11; veja também 1Ts 1.9-13).
2. Para a igreja em Colossos: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1.9-10).
3. Para a igreja em Éfeso: “Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações; para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.16-17; veja também Ef 3.14-21).
4. Para a igreja em Roma (Rm 15.14-33) e à igreja em Filipos (Fp 1.9-11).
Levando a carga
Para nós, é relativamente fácil orarmos por nós mesmos, pelos nossos familiares e por nossos amigos. Mas como podemos aprender a orar com maior fervor e consistência pelas nossas igrejas locais?
Por um lado, devemos simplesmente começar orando – e incentivando os outros a fazer o mesmo.
Para ajudar, aqui estão dezoito coisas pelas quais você pode orar por sua igreja. Não há tanta riqueza nelas como nas orações de Paulo, porque eu queria mantê-las simples e adequadas ao Twitter (também por não estar muito inspirado). Ainda assim, talvez você possa imprimir este artigo e orar por dois ou três dos pontos abaixo na próxima semana – seja num momento de sossego seja na mesa de jantar com a família.
Além disso, considere copiar e colar suas orações preferidas no Twitter ou no Facebook, com o título “Ore por sua igreja: ...”. Não insira o link do artigo; você não tem espaço suficiente e o ponto da questão não é esse. O objetivo é usar sua rede social para incentivar outras pessoas a orarem por suas igrejas.
Em um dia de glória, possivelmente, veremos todo o bem realizado pelos crentes que foram mais determinados em orar por suas igrejas. Quem sabe?
Sobre o que orar
1) Que tenhamos unidade em meio à adversidade – amando aqueles com quem não temos nada em comum senão o evangelho.
2) Que se forme uma cultura de discipulado, na qual fazer discípulos é visto como uma parte comum da vida cristã.
3) Que os presbíteros fiéis usem as Escrituras para treinamento dos membros na obra do ministério.
4) Que uma fome de estudar o evangelho surja entre os membros, para que eles guiem e guardem nele uns aos outros.
5) Que relacionamentos transparentes e significativos se tornem normais e singulares.
6) A pregação da Palavra de Deus – que seja biblicamente cuidadosa e cheia do Espírito Santo.
7) Que os presbíteros permaneçam distantes da reprovação, preservados longe da tentação, complacência, ídolos e mundanismo.
8) Que as músicas da igreja ensinem os membros a confessar, lamentar e louvar biblicamente.
9) Que as orações sejam cheias pretensões bíblicas, honestidade e humildade.
10) Que os membros adultos trabalhem para discipular adolescentes, e não apenas os entretenham com as programações.
11) Que os professores de crianças cresçam em dedicação à Palavra de Deus, mesmo se ninguém os observar.
12) Que ela se torne distinta do mundo em amor e santidade, mesmo quando envolve pessoas de fora.
13) Que os membros compartilhem o evangelho essa semana – e que vejamos mais conversões.
14) Que os membros estejam preparados para a perseguição, lembrando-se de abençoar, e não amaldiçoar, seus perseguidores.
15) Que as esperanças de mudança política sejam estendidas pela esperança do céu.
16) Que o ato de dar seja fiel, além de alegre, consistente e sacrificial.
17) Que mais membros usem a sua carreira profissional pra levar o evangelho em locais onde ele nunca esteve.
18) Que os irmãos deem o seu melhor no trabalho durante essa semana.
Você pensou em algo que não foi incluso? Então, ore e compartilhe. Esta lista não é oficial, como as “dezoito coisas mais importantes a serem levadas em oração pela igreja”. Ela é simplesmente o que alguém pensou enquanto estava sentado na cadeira do escritório.
O ponto é que todos nós devemos intencionalmente orar mais por nossas igrejas e também incentivar os outros a fazer o mesmo.
Traduzido por Daniel Tanure
Revisado por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Você lê a sua Bíblia e observa como Paulo faz orações tão ricas e saturadas pelo reino pelas igrejas?
1. Para a igreja em Tessalônica: “Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder” (2Ts 1.11; veja também 1Ts 1.9-13).
2. Para a igreja em Colossos: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1.9-10).
3. Para a igreja em Éfeso: “Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações; para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação” (Ef 1.16-17; veja também Ef 3.14-21).
4. Para a igreja em Roma (Rm 15.14-33) e à igreja em Filipos (Fp 1.9-11).
Levando a carga
Para nós, é relativamente fácil orarmos por nós mesmos, pelos nossos familiares e por nossos amigos. Mas como podemos aprender a orar com maior fervor e consistência pelas nossas igrejas locais?
Por um lado, devemos simplesmente começar orando – e incentivando os outros a fazer o mesmo.
Para ajudar, aqui estão dezoito coisas pelas quais você pode orar por sua igreja. Não há tanta riqueza nelas como nas orações de Paulo, porque eu queria mantê-las simples e adequadas ao Twitter (também por não estar muito inspirado). Ainda assim, talvez você possa imprimir este artigo e orar por dois ou três dos pontos abaixo na próxima semana – seja num momento de sossego seja na mesa de jantar com a família.
Além disso, considere copiar e colar suas orações preferidas no Twitter ou no Facebook, com o título “Ore por sua igreja: ...”. Não insira o link do artigo; você não tem espaço suficiente e o ponto da questão não é esse. O objetivo é usar sua rede social para incentivar outras pessoas a orarem por suas igrejas.
Em um dia de glória, possivelmente, veremos todo o bem realizado pelos crentes que foram mais determinados em orar por suas igrejas. Quem sabe?
Sobre o que orar
1) Que tenhamos unidade em meio à adversidade – amando aqueles com quem não temos nada em comum senão o evangelho.
2) Que se forme uma cultura de discipulado, na qual fazer discípulos é visto como uma parte comum da vida cristã.
3) Que os presbíteros fiéis usem as Escrituras para treinamento dos membros na obra do ministério.
4) Que uma fome de estudar o evangelho surja entre os membros, para que eles guiem e guardem nele uns aos outros.
5) Que relacionamentos transparentes e significativos se tornem normais e singulares.
6) A pregação da Palavra de Deus – que seja biblicamente cuidadosa e cheia do Espírito Santo.
7) Que os presbíteros permaneçam distantes da reprovação, preservados longe da tentação, complacência, ídolos e mundanismo.
8) Que as músicas da igreja ensinem os membros a confessar, lamentar e louvar biblicamente.
9) Que as orações sejam cheias pretensões bíblicas, honestidade e humildade.
10) Que os membros adultos trabalhem para discipular adolescentes, e não apenas os entretenham com as programações.
11) Que os professores de crianças cresçam em dedicação à Palavra de Deus, mesmo se ninguém os observar.
12) Que ela se torne distinta do mundo em amor e santidade, mesmo quando envolve pessoas de fora.
13) Que os membros compartilhem o evangelho essa semana – e que vejamos mais conversões.
14) Que os membros estejam preparados para a perseguição, lembrando-se de abençoar, e não amaldiçoar, seus perseguidores.
15) Que as esperanças de mudança política sejam estendidas pela esperança do céu.
16) Que o ato de dar seja fiel, além de alegre, consistente e sacrificial.
17) Que mais membros usem a sua carreira profissional pra levar o evangelho em locais onde ele nunca esteve.
18) Que os irmãos deem o seu melhor no trabalho durante essa semana.
Você pensou em algo que não foi incluso? Então, ore e compartilhe. Esta lista não é oficial, como as “dezoito coisas mais importantes a serem levadas em oração pela igreja”. Ela é simplesmente o que alguém pensou enquanto estava sentado na cadeira do escritório.
O ponto é que todos nós devemos intencionalmente orar mais por nossas igrejas e também incentivar os outros a fazer o mesmo.
Traduzido por Daniel Tanure
Revisado por Rev. Ewerton B. Tokashiki
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09 dezembro 2019
A subscrição confessional integral
A "prática da subscrição confessional" é exigida nas denominações de linhagem reformada. A Igreja Presbiteriana do Brasil em sua tradição e constituição reconhece o uso da subscrição confessional como essencial à sua identidade denominacional. Entretanto, o tema "prática da subscrição confessional" é ignorado, mau compreendido, ou simplesmente desprezado por oficiais e concílios da nossa denominação. Obviamente isso acarreta enorme prejuízo em vários aspectos.
Este breve texto não objetiva esclarecer a natureza e implicações da subscrição integral. Apresento aqui apenas o que a nossa CI-IPB declara sobre o assunto e a interpretação do SC-IPB/2014.
Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, art. 1 declara que a IPB
Ainda no art. 119, parágrafo único, diz
SC-2014 Doc. XL: Quanto ao documento 193 - Consulta para que se envide esforços para melhor definição sobre confessionalidade em nossa Igreja.:
Este texto esclarece o assunto aos que alegam ignorância, bem como adverte àqueles que menosprezam a sua importância. Que o Senhor Deus nos abençoe fazendo-nos homens honrados, de uma palavra firme, coerente e fiel ao que prometemos sob juramento a Ele.
Este breve texto não objetiva esclarecer a natureza e implicações da subscrição integral. Apresento aqui apenas o que a nossa CI-IPB declara sobre o assunto e a interpretação do SC-IPB/2014.
Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, art. 1 declara que a IPB
“é uma federação de igrejas locais, que adota como única regra de fé e prática as Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamentos e como sistema expositivo de doutrina e prática a sua Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve”.
Ainda no art. 119, parágrafo único, diz
“poderá o presbitério dispensar o candidato do exame das matérias do curso teológico; não o dispensará nunca do relativo à experiência religiosa, opiniões teológicas e conhecimento dos Símbolos de Fé, exigindo a aceitação integral dos últimos”.
SC-2014 Doc. XL: Quanto ao documento 193 - Consulta para que se envide esforços para melhor definição sobre confessionalidade em nossa Igreja.:
Considerando: 1) Que definições apresentadas nos dicionários de língua portuguesa, apontam que as palavras lealdade e fidelidade são sinônimas, conforme abaixo: “O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa [Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 1a. ed., 2009, p. 1163; 2]: lealdade s.f. (s XIII) 1. respeito aos princípios e regras que norteiam a honra e probidade; 2. fidelidade aos compromissos assumidos; 3. caráter do que é inspirado por este respeito ou fidelidade [...]. Fidelidade s.f. (s XIII) 1. característica do que é fiel, do que demonstra zelo, respeito por alguém ou algo; lealdade (f. ao rei) (f. religiosa). 2) Que a CI/IPB e os Princípios de Liturgia não apresentam diferenciação entre tais termos; 3) Que para o cumprimento da lealdade aos Símbolos de Fé, se requer fidelidade dentro de si e, consequentemente, não é possível ser leal sem ser fiel. O SC/IPB 2014 RESOLVE: 1. Quanto à pergunta “Há diferença nos termos lealdade e fidelidade, como alguns argumentam?”, responder que não há diferença; 2. Quanto à pergunta “O juramento de lealdade aos Símbolos de Fé adotados pela IPB, feito pelos oficiais, se refere a cada capítulo e seção, ao sistema geral, como um todo, tal qual apresentados por eles?”, responder que a reafirmação no momento da ordenação implica na aceitação integral, em todos os seus termos, dos Símbolos de Fé, conforme CI-IPB Artigo 119, parágrafo único; 3. Quanto à pergunta “Qual é o exato significado da expressão ‘fiel exposição do sistema de doutrina’ contido no juramento prestado por todos os oficiais presbiterianos no momento de sua ordenação?”, responder que o significado da expressão “fiel exposição do sistema de doutrina”, significa uma correta interpretação das Escrituras Sagradas, Antigo e Novo Testamento, com uma apresentação sistematizada.
Este texto esclarece o assunto aos que alegam ignorância, bem como adverte àqueles que menosprezam a sua importância. Que o Senhor Deus nos abençoe fazendo-nos homens honrados, de uma palavra firme, coerente e fiel ao que prometemos sob juramento a Ele.
"Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno." (Mateus 5.37)
08 agosto 2019
Como se preparar espiritualmente para o exame de ordenação
Por Dr. Ryan M. McGraw[1]
Participar de um exame ministerial ou de ordenação deve ser um ato de piedade. Apegar-se a este pensamento é o melhor meio de se aproximar de um exame sem temer os homens que o examinarão. Em muitos aspectos a preparação para licenciamento e ordenação pode ser um dos melhores meios para se preparar para o pastorado. Se somos servos de Jesus Cristo, então não deveríamos nos preocupar em agradar aos homens (Gl 1.10). Ser examinado para o ministério é o primeiro ato entre muitos no ministério onde um homem enfrenta o conflito entre falar o que a sua consciência crê pela Palavra de Deus, ou dizer aos examinadores o que acha que eles desejam ouvir. A maneira como você encara os seus exames, geralmente, indica como você exercerá o seu ministério. Você deve, em espírito de oração, portar-se em seu exame de uma maneira que seja digna do ofício para o qual deseja entrar. Isso significa que você estará preparado para confessar a sua fé em Cristo e seu desejo de obedecê-lo com humildade, submissão e sinceridade, mas com ousadia.
Um exame ministerial é, acima de tudo, um teste do coração. Os seus examinadores podem discernir o que você lhes apresenta externamente, mas somente você pode sondar o seu coração e realizar seu exame como um ato de adoração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Em todas as suas laboriosas preparações para o ministério, assegure-se de guardar o seu coração diligentemente, pois são as fontes da vida (Pv 4.23). Pela bênção do Deus trino as considerações a seguir o ajudarão abordar ao seu exame como um ato de piedade.
Apêndice: John Erskine (1721–1803)
Sobre a importância do exame de ordenação
Em 1750, John Erskine pregou um sermão intitulado “Sobre as Qualificações Necessárias para os Professores do Cristianismo”. Erskine foi um influente ministro escocês que ajudou a preparar para a publicação o livro A História da Obra da Redenção de Jonathan Edwards. Ele concluiu este sermão com uma exortação aos presbitérios sobre o seu envolvimento na ordenação de homens para o ministério do Evangelho. O material de Erskine reforça o que está escrito acima, observando os exames ministeriais do ponto de vista do corpo examinador. Dividi os enormes parágrafos originais em partes menores para facilitar a leitura.[4]
NOTAS:
[1] Ryan M. McGraw é um ministro da Presbyterian Church in America, em Conway, Carolina do Sul. Ele é graduado no Greenville Presbyterian Theological Seminary e na Universidade do Estado Livre, Bloemfontein, África do Sul. Este artigo foi originalmente publicado na revista Servo Ordenado Online, em Fevereiro de 2012. http://opc.org/os.html?article_id=294&issue_id=72 .
[2] As citações bíblicas são Almeida Revista e Atualizada. O Dr Ryan usou a New King James Version.
[3] Veja o “Apêndice” abaixo.
[4] Retirado de John Brown (de Edimburgo), ed., The Christian Pastor’s Manual: A Selection of Tracts on the Duties, Difficulties, and Encouragements of the Christian Ministry (orig. pub., Edinburgh, 1826, reprint, Ligonier, PA: Soli Deo Gloria Publications, 1991), 136–140. Infelizmente este excelente volume está esgotado. No entanto, pode ser baixado na íntegra de http://www.archive.org/details/christianpastor00brow .
Participar de um exame ministerial ou de ordenação deve ser um ato de piedade. Apegar-se a este pensamento é o melhor meio de se aproximar de um exame sem temer os homens que o examinarão. Em muitos aspectos a preparação para licenciamento e ordenação pode ser um dos melhores meios para se preparar para o pastorado. Se somos servos de Jesus Cristo, então não deveríamos nos preocupar em agradar aos homens (Gl 1.10). Ser examinado para o ministério é o primeiro ato entre muitos no ministério onde um homem enfrenta o conflito entre falar o que a sua consciência crê pela Palavra de Deus, ou dizer aos examinadores o que acha que eles desejam ouvir. A maneira como você encara os seus exames, geralmente, indica como você exercerá o seu ministério. Você deve, em espírito de oração, portar-se em seu exame de uma maneira que seja digna do ofício para o qual deseja entrar. Isso significa que você estará preparado para confessar a sua fé em Cristo e seu desejo de obedecê-lo com humildade, submissão e sinceridade, mas com ousadia.
Um exame ministerial é, acima de tudo, um teste do coração. Os seus examinadores podem discernir o que você lhes apresenta externamente, mas somente você pode sondar o seu coração e realizar seu exame como um ato de adoração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Em todas as suas laboriosas preparações para o ministério, assegure-se de guardar o seu coração diligentemente, pois são as fontes da vida (Pv 4.23). Pela bênção do Deus trino as considerações a seguir o ajudarão abordar ao seu exame como um ato de piedade.
1. Considere o seu exame como um testemunho público ao Senhor Jesus Cristo e às verdades da sua Palavra. Você deve através dele confessar com a sua boca o que crê em seu coração (Rm 10.9). Isso deve tornar seu exame um ato de adoração. Isso é verdade sempre que você fala em nome do Senhor Jesus Cristo. Se o confessar diante dos homens, então ele o confessará diante de seu Pai que está no céu, mas se você o negar diante dos homens, então ele o negará diante de seu Pai no céu (Mt 10.32-33). Se você está confiante de que Cristo está satisfeito com suas respostas, então o presbitério também estará.
2. Submeta-se ao seu exame em oração e fé. O texto de Fp 4.6–7 afirma: “Não andeis ansiosos de cousa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”[2] Houve momentos em meu ministério em que orei fervorosamente por essa passagem diariamente a fim de perseverar. Este texto fornece os meios bíblicos para lidar com a ansiedade na qualidade de uma ordenança e uma promessa. Orem através de todos os seus preparativos para assegurar que seus estudos sejam conduzidos ao seu coração e vida pela obra do Espírito Santo, e não negligenciem a gratidão! Quando damos graças ao Senhor por meio das e durante as circunstâncias que nos tentam para a ansiedade, então colocamos a nossa confiança nele e confessamos a sua soberana sabedoria.
3. Avalie a causa dos seus temores. Frequentemente, precisamos refletir acerca dos nossos medos. Por que tememos um exame mais do que o fato de que podemos potencialmente fracassar no ministério, além das demais consequências desse fracasso? Isso destaca um grande perigo no ministério. Uma vez que você foi ordenado e o medo de passar ou reprovar num exame seja removido, a tentação de se tornar negligente no ofício que você recebeu de Cristo se torna mais forte. Se você negligenciar o seu conhecimento da Palavra de Deus e deixar de crescer em seu estudo de teologia, então você não “falhará” num exame, mas você deve responder a Cristo pelas magras ovelhas enfraquecidas que estão sob seus cuidados, que são incapazes de enfrentar os ataques do maligno. O medo antes de um exame é “natural”, mas lembre-se: “Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no SENHOR está seguro” (Pv 29.25). “O Senhor é meu auxílio, não temerei; o que o homem pode fazer comigo?” (Hb 13.6; Sl 118.6). O Senhor advertiu Isaías que é audácia contra Deus um dos seus mensageiros temer aos homens: “Eu sou eu mesmo aquele vos consola. Quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva” (Is 51.12).
4. Seja honesto e preserve uma consciência limpa diante de Deus e dos homens. Se você não sabe a resposta para uma pergunta, então seja honesto e diga-o. Você realmente gostaria de ficar diante de uma congregação e dizer: “assim diz o Senhor”, quando não tem certeza se ele realmente disse isso, ou não? Se assim for, então por que você desejaria fazê-lo diante de homens ordenados que estão examinando-o para o ministério? Além disso, dar uma resposta quando se está incerto ou inseguro quase sempre lhe causará problemas - especialmente num exame oral.
5. Lembre-se que o ministério é ousado. Alguns candidatos ao ministério objetam que eles não saem tão bem em exames orais como em testes escritos. Se for esse o caso, então o seu exame oral será ainda mais proveitoso para ajudar a preparar-se para o ministério. A maior parte do trabalho público de um ministro na igreja local é verbal e não escrito. Se você pretende falar em nome de Cristo no púlpito, então é bom que você aprenda a falar sem se envergonhar diante de um presbitério, ou diante duma comissão de exame. Embora muitas vezes intimidante, um presbitério (ou comissão de ordenação similar) é um ambiente relativamente amigável, enquanto que um mundo incrédulo e, às vezes, uma congregação, não o é. Imitemos os apóstolos orando por ousadia (At 4.29; Fp 1.19-20).
6. Lembre-se de que aqueles que estarão examinando você para o ministério, receberam uma incumbência sagrada do Senhor. Eles são mordomos dos mistérios de Deus (1Co 4.1). Quando eles admitem alguém em seu número através da imposição de mãos (1Tm 4.14, etc), devem ser cuidadosos para que não imponham as mãos sobre qualquer um apressadamente, para que não compartilhem dos pecados daqueles que provam serem desqualificados para o ofício (1Tm 5.22).[3] Seja humilde e respeite o encargo solene que recaiu sobre tais homens e que, se o Senhor quiser, você um dia compartilhará com eles. Seria do seu agrado que os seus examinadores ordenassem você ao ministério de maneira descuidada ou errada, por mais que eles pudessem desejar isso?
7. Olhe para o exame minucioso de ordenação como uma confirmação do seu chamado ao ministério. Lembre-se de que o Deus trino usa a sua Igreja para separar os homens para o ministério evangélico. Quando um homem tem um senso pessoal de chamado para o ofício da Igreja, e este chamado é confirmado tanto pela eleição de uma congregação local, como por um grupo de presbíteros previamente ordenados, então, e somente então, aquele homem saberá com confiança que o Espírito Santo fez dele um supervisor (At 20.28). O seu motivo para o ministério deve ser o amor ao Deus que primeiro o amou em Cristo (1Jo 4.19). O seu objetivo no ministério deve ser proclamar o amor do Pai, como é manifesto através da graça de Jesus Cristo, por meio da comunhão e consolo do Espírito Santo (Ef 2.18; 2Co 13.14). No entanto, o seu chamado para o ministério nunca será um desejo interno ou uma mera decisão individual. Facilmente nos enganamos. Os homens podem ter um invencível “senso de chamado” para o ministério em seus corações, mas a menos que a Igreja concorde que este é o caso, tanto no nível local, quanto no presbitério, a verdade é que tais homens não foram realmente "chamados" para o ministério. A simples razão para isto é que a Igreja ainda não lhe deu um chamado para trabalhar como um de seus ministros! Conheço homens que creem que são chamados para o ministério e, no entanto, praticamente ninguém na Igreja parece concordar com eles. Que você nunca se esqueça: "O que confia no seu próprio coração é insensato" (Pv 28.26). O seu exame não é formal nem supérfluo. Não há exemplo de um oficial ordinário no Novo Testamento que não foi eleito pelo povo e ordenado pela imposição das mãos de um presbitério. Um chamado para o ministério é sempre um assunto da Igreja. Se Cristo está chamando você para o ministério, então seu exame é parte de como ele está fazendo isso.
8. Lembre-se de que os seus examinadores são, em potencial, seus futuros colegas no ministério. Se eles foram devidamente chamados ao seu ofício, então o desejo deles é o bem da Igreja. Isso inclui o bem da sua alma. Você deve evitar ver esses homens como “inimigos”, mas olhe para eles como soldados companheiros no Senhor Jesus Cristo. Alguns deles são experientes veteranos de quem você muito tem a aprender. Quantas vezes os rapazes zombaram das críticas que descobriram mais tarde serem “palavras de sabedoria e instrução” (Pv 1.2)?
9. Considere que o exame de ordenação como um excelente exercício de autonegação. Quer você seja aprovado ou fracasse, o Senhor atua tanto em você quanto na Igreja por meio desse processo. Submeta-se à sua providência humildemente e, se for possível, com alegria. Um bom teste para saber se estamos nos negando é considerar se nos encontramos reclamando do processo. Alunos de teologia que se queixam de uma carga horária pesada, tornam-se candidatos que se queixam dos seus exames. Candidatos que se queixam dos seus exames, por sua vez, tornam-se ministros que se queixam das suas igrejas e presbíteros. Ministros fiéis e trabalhadores percebem rapidamente que o curso mais rigoroso de treinamento no seminário não pode ser comparado às dificuldades do pastorado. Se você se encontrar desenvolvendo um padrão pecaminoso nesta área, então negue-se, ore para que esteja contente em toda e qualquer situação em que você estiver (Fp 4.11), leia Nm 11 e continue regularmente!
10. Preparar-se para que o seu exame forneça uma base mais forte para o conhecimento bíblico e a piedade pessoal. Devemos evitar fazer uma distinção nítida entre conhecimento e piedade. Precisamos saber o que praticamos e devemos praticar o que sabemos. A verdade, como é revelada nas Escrituras, é de acordo com a piedade (Tt 1.1). Toda verdade da Escritura, incluindo - entre muitas outras - as duas naturezas de Cristo, o pacto das obras, a eficácia dos sacramentos, a lei de Deus e a Trindade, são ridicularizadas como "sutilezas" teológicas. Todavia, cada uma destas áreas tem implicações pastorais significativas. Se não vemos como a verdadeira teologia é “proveitosa para a doutrina, para a repreensão, para a correção, para a instrução na justiça” (2Tm 3.16), então, a culpa invariavelmente está mais em nós do que na Palavra do Deus trino. Pois, toda verdade teológica deve aumentar nossa comunhão pessoal com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para passar num exame da OAB, um futuro advogado deve conhecer as leis e como aplicá-las. Os mesmos padrões se aplicam à medicina e a outras disciplinas. Deveríamos esperar menos diligência e menor rigor em relação aos futuros ministros do evangelho? Estudar para um exame, frequentemente, força os homens a se unirem de forma mais abrangente do que aprenderam no seminário. Os candidatos devem usar essa rara oportunidade para orar essas verdades de maneira mais completa em seus corações e vidas. Preparar-se para o seu exame obriga-os a rever o seu conhecimento, mas deixe-o servir como uma ocasião para casar o seu conhecimento com a sua piedade. Se você buscar o seu exame para o ministério como um ato de piedade, então você nunca achará a experiência estéril ou infrutífera.
Apêndice: John Erskine (1721–1803)
Sobre a importância do exame de ordenação
Em 1750, John Erskine pregou um sermão intitulado “Sobre as Qualificações Necessárias para os Professores do Cristianismo”. Erskine foi um influente ministro escocês que ajudou a preparar para a publicação o livro A História da Obra da Redenção de Jonathan Edwards. Ele concluiu este sermão com uma exortação aos presbitérios sobre o seu envolvimento na ordenação de homens para o ministério do Evangelho. O material de Erskine reforça o que está escrito acima, observando os exames ministeriais do ponto de vista do corpo examinador. Dividi os enormes parágrafos originais em partes menores para facilitar a leitura.[4]
Quão terrível é a advertência de Paulo a Timóteo a todos os que estão preocupados em ordenar alguém ao ofício pastoral! Não imponha as mãos apressadamente sobre ninguém, nem participe dos pecados de outros homens: mantenha-se puro. Como se ele tivesse dito, embora você não tenha nenhuma razão particular para suspeitar da desqualificação de um candidato para o ministério, não seja por isso que avaliará de modo leviano e superficial as qualificações dele, mas examine, com o máximo cuidado e exatidão o seu caráter moral e aptidão para ensinar; pois, por indolência e descuido você deixará de fazer essas questionamentos, por meio dos quais poderia descobrir o que está errado; ou se, através de uma ternura excessiva pelos candidatos, através de temor de homens, que em si é uma armadilha, ou através de algum outro motivo indigno, você até agora for conivente com seus vícios ou defeitos conhecidos, de modo a conceder-lhe a ordenação, por essa conduta, você participa com ele, não apenas nos pecados que ele cometeu, mas também naqueles que posteriormente cometerá, enquanto ensina ou vive malignamente; e, portanto, você responderá por todas as consequências perniciosas da sua ordenação, arruinando a sua própria alma e as almas do seu rebanho. Caso outros ministros sejam imprudentemente precipitados neste assunto, e exortem-no a concordar com eles, não retroceda com o pedido ou autoridade deles, proceda contrário ao próprio julgamento, para que você não seja condenado com a culpa deles.
No verso que antecede essa advertência, os ministros são cobrados a não preferirem um antes do outro, e a nada fazerem por parcialidade, ou seja, não decidirem uma causa a favor ou contra uma pessoa, até ouvirem o que pode ser declarado de ambos os lados; não preferirem um antes do outro, onde não parece haver razão suficiente para tal preferência; e não serem influenciados pela amizade ou preconceito, sendo favorável a um e mais severo com outro do que deveríamos ser. E, no final do capítulo, encorajando essa diligência, o apóstolo nos informa que, se prosseguirmos com a devida deliberação, não perderemos nosso esforço, mas, ordinariamente poderemos formar um juízo sobre os candidatos. Os pecados de alguns homens são antecipadamente revelados, indo adiante deles para julgamento; no entanto, há alguns homens que seus pecados só se manifestam depois. Da mesma forma, também, as boas obras de alguns são manifestas de antemão; e, por exemplo as suas boas obras, que de outro modo, não podem ser escondidas. O significado é que os pecados de alguns homens são tão hediondos e notórios que antecedem o julgamento, pouco ou nenhum discernimento é necessário para descobri-los. E os pecados de outros os seguem para o julgamento; porque, embora menos notados, eles também podem, na maioria dos casos, pela devida investigação, serem trazidos à luz. Da mesma forma, as boas obras de alguns, e sua aptidão para a ordenação, são facilmente discernidas, mesmo antes de passarem por um julgamento formal; e aquelas boas obras que não são manifestas de antemão, mas que, pela modéstia ou pela obscura situação de quem as pratica, são pouco observadas, podendo muitas vezes, por uma busca diligente serem descobertas.
Desta notável passagem ... Grotius observa, que não devemos apenas perguntar se um candidato à ordenação é inocente de crimes atrozes, mas se a sua conduta é muito boa, vendo que as ações piedosas do eminente piedoso, raramente, são escondidas. E, de acordo com isso, Paulo exige, não apenas que um bispo seja irrepreensível, mas que tenha um bom testemunho dos de fora, para que ele não caia no opróbrio; de modo que o livramento de escândalos grosseiros, sem evidências positivas de uma disposição piedosa, não é garantia suficiente para que ordenemos alguém. É criminoso impor as mãos sobre um candidato, se não tivermos base positiva para esperar que ele pregue com proveito; e é igualmente criminoso fazê-lo, se não tivermos base positiva para esperar que seja um exemplo para os outros em palavra, conversação, caridade, espírito, fé e em pureza; pois a última qualificação é realmente uma parte do dever do ministro, e realmente um meio de ser usado para salvar almas, como o primeiro. As coisas, diz Paulo a Timóteo, de que ouviste de mim entre muitas testemunhas, o mesmo comprometa-se com os homens fiéis, que também ensinarão aos outros. Devemos ter provas verificáveis de sua fidelidade, bem como da sua capacidade de ensinar. Até mesmo os diáconos são primeiramente provados e somente depois, autorizados a ocuparem o ofício de diácono. É óbvio, então, que os ministros, cujo ofício é muito mais honroso e importante, não sejam autorizados a exercê-lo, até que a sua aptidão para isso seja devidamente provada.
Se alguém alegar que não haveria um número suficiente de ministros para todas as nossas igrejas, caso ordenássemos com tamanha cautela, eu respondo, é melhor arriscar nesse inconveniente do que quebrar uma lei expressa de Cristo, fazendo-nos menos exigentes na ordenação. Vamos nos importar com nosso dever e deixar os eventos para a providência. A rigidez nas admissões pode, de fato, desencorajar os que preferem morrer de fome ou envenenamento, do que alimentar as almas de seus rebanhos. Mas desencorajar tal coisa é altamente louvável: e um pequeno número de pastores capazes e fiéis, é mais desejável que uma multidão de inexperientes, ignorantes, noviços iletrados, incapazes de explicar ou defender a religião de Jesus; ou de educados que se apostatam do evangelho para a filosofia, que consideram o seu tempo mais útil e agradavelmente gasto no estudo de livros de ciência, do que em estudar as suas Bíblias; ou de mercenários contratados, de uma disposição tão mesquinha e sórdida quanto aquele que, conforme lemos em 1Sm 2.36, se subordinou para ser um sumo-sacerdote por um pedaço de prata e uma porção de pão, dizendo: “Põe-me, peço-te, como um dos ofícios dos sacerdotes, para que eu coma um pedaço de pão”.
Que Deus, em sua misericórdia, impeça que homens tão baixos e infelizes entrem na função sagrada! Que um ministério fiel, capaz e bem-sucedido seja a bênção da nossa terra! Que o glorioso cabeça da Igreja designe todas as moradas do monte Sião, e todas as suas igrejas, pastores segundo o seu próprio coração, para alimentar o seu povo com conhecimento e entendimento! E que ele, cujas palavras são operantes, diga à toda nossa igreja, e em particular a esta região: “Este é meu descanso para sempre; aqui habitarei; porque eu desejei isto. Abençoarei abundantemente a sua provisão; satisfarei com pão aos seus pobres. Também vestirei os seus sacerdotes com justiça, e os seus santos gritarão de alegria. Eu ordenei uma lâmpada para o meu ungido. Revestirei com vergonha os seus inimigos; mas sobre si a sua coroa florescerá.”
NOTAS:
[1] Ryan M. McGraw é um ministro da Presbyterian Church in America, em Conway, Carolina do Sul. Ele é graduado no Greenville Presbyterian Theological Seminary e na Universidade do Estado Livre, Bloemfontein, África do Sul. Este artigo foi originalmente publicado na revista Servo Ordenado Online, em Fevereiro de 2012. http://opc.org/os.html?article_id=294&issue_id=72 .
[2] As citações bíblicas são Almeida Revista e Atualizada. O Dr Ryan usou a New King James Version.
[3] Veja o “Apêndice” abaixo.
[4] Retirado de John Brown (de Edimburgo), ed., The Christian Pastor’s Manual: A Selection of Tracts on the Duties, Difficulties, and Encouragements of the Christian Ministry (orig. pub., Edinburgh, 1826, reprint, Ligonier, PA: Soli Deo Gloria Publications, 1991), 136–140. Infelizmente este excelente volume está esgotado. No entanto, pode ser baixado na íntegra de http://www.archive.org/details/christianpastor00brow .
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03 outubro 2018
A igreja em tempo de eleição política
Por Kevin DeYoung
Eu sempre me interessei por política. Estudei religião e ciência política na faculdade. E continuo a ler consistentemente em economia, sociologia, política e eventos atuais. Como pastor, espero que os membros da minha igreja estejam bem informados e engajados no processo político. Como cristãos, devemos levar a sério nossa responsabilidade de ser sal e luz num mundo que é frequentemente podre e escuro.
No entanto, acredito que os pastores devem ter muito cuidado com a forma como lideram suas igrejas em nossa cultura politicamente polarizada. Sei que existem bons irmãos e irmãs que podem discordar desses princípios e suas implicações práticas. Mas, no mínimo, os pastores devem discipular seus líderes e suas congregações ao pensar sobre esses assuntos com sabedoria e teologicamente.
Deixe-me mencionar duas coisas que faço e três coisas que não faço como pastor.
Como pastor, eu oro publicamente por líderes e por questões controversas. Somos ordenados a orar pelas autoridades governamentais, quer concordemos com elas, gostemos delas ou confiamos nelas, ou não (1Tm 2.1-2). Da mesma forma, acho apropriado incluir alguns eventos atuais na oração pastoral semanal. Ao longo dos últimos anos, incluí itens relacionados a Ferguson, Charlottesville, tiroteios policiais em Dallas, a eleição presidencial, casamento gay, Roe v. Wade, o aniversário do assassinato de MLK, e dezenas de eventos que poderiam ser interpretados como “políticos”. No entanto, confio que as orações não eram políticas no pior sentido da palavra. Eu me esforço para ter certeza de que tudo pelo que eu oro tenha amparo bíblico. Durante uma temporada eleitoral, os pastores devem orar para que Deus opere no processo político para nos dar líderes piedosos que são marcados pela habilidade, prudência, honestidade, coragem, humildade e compaixão.
Como pastor, falo de questões controversas, conforme elas surgem do texto das Escrituras. Ao pregar em Êxodo 21, falei sobre a história da escravidão e os males dela em nosso país. Mais adiante, no capítulo, falei sobre o mal do aborto. No capítulo 22, falei sobre a definição bíblica de justiça. Eu também falei sobre o entendimento bíblico do viajante e como cristãos devem amar o estrangeiro e o imigrante (e como isso não se traduz automaticamente em uma determinada política de imigração). Todos estes sermões tocaram em tópicos políticos. Eu não mencionei um candidato, um partido político ou defendo qualquer política ou legislação específica. Eu simplesmente falei sobre questões que estavam manifestamente no texto. Não podemos ensinar todo o conselho de Deus sem nos aventurarmos, de vez em quando, entrar em território difícil, que pode ser impopular em nosso contexto cultural.
Como pastor, não forneço guias eleitorais para a congregação. Eu sei que existem outros pastores que defendem a prática, mas na minha experiência, mesmo os guias eleitorais não-partidários nunca são completamente apartidários. Em 2016, vi um guia de eleitor não-apartidário do Conselho de Pesquisa da Família e outro da Sojourners. Ambos os guias foram projetados para informar os cristãos sobre as questões importantes que enfrentamos na eleição e como pensar sobre essas questões do ponto de vista cristão. Não surpreendentemente, os dois guias falaram sobre questões muito diferentes e apresentaram a visão cristã de maneiras muito diferentes. Apenas um republicano obstinado poderia pensar que o guia do FRC não era partidário. Apenas um democrata rígido podia pensar que o guia dos Sojourners era apartidário.
Admitido isso, reconhecemos que existem outros guias que são menos didáticos e mais informativos. Muitos guias não-partidários fazem uma série de perguntas aos candidatos e registram onde estão as questões-chave. Mas mesmo aqui, os guias que vi ao longo dos anos têm um ângulo definido. Se você tem apenas doze perguntas para fazer aos candidatos, o que você pergunta diz muito sobre as questões que você considera importantes, e a redação de cada pergunta, geralmente, reflete certas prioridades. Em suma, não acredito que os guias eleitorais não-partidários sejam realmente apartidários.
Há também a questão prática de como visitantes e "estrangeiros" tendem a ver esses guias. Para jovens maduros e minorias, a “importância” das guias eleitorais, geralmente, sinalizam “esta é uma igreja para os republicanos.” Podemos dizer que não é a intenção, e acredito que a maioria dos cristãos apaixonados por essas guias são motivados por um desejo sincero de informar as pessoas sobre as questões, mas o fato é que a maioria das igrejas evangélicas brancas já é esmagadoramente republicana. Não vamos dar aos visitantes mais motivos para pensar que essa é uma igreja, principalmente para os conservadores do Partido Republicano (ou vice-versa, se você é conhecido como uma igreja progressista).
Isso significa que alguns candidatos e algumas posições não são melhores que os outros? Claro que não. Eleições é algo realmente importante. Isso tudo significa que eu não me importo com aborto, casamento ou liberdade religiosa (ou reforma da imigração ou reforma da justiça criminal)? Não, eu escrevi sobre todas essas coisas. Eu oro sobre esses assuntos a partir do púlpito, quando apropriado, e eu falo sobre eles no púlpito quando eles aparecem na Bíblia. Eu quero que meu povo seja informado sobre política, assim como espero que eles estejam informados sobre muitas outras coisas. Mas eu não acredito que seja o chamado da igreja, como igreja, fornecer perfis de candidatos, especialmente quando os canais normais para fornecer essas informações nunca são inteiramente objetivos.
Como pastor, eu não encorajo as campanhas de registro de eleitores no saguão da igreja. [2] Eu acredito que votar é uma coisa boa. Quando me mudei de Michigan para Iowa para a minha primeira igreja, fiz questão de votar no primeiro turno de Agosto, no início da manhã, antes de dirigir 12 horas para minha nova casa. Eu acredito que os cristãos fariam bem em se informar e votar. E, no entanto, estou muito pressionado para encontrar autorização escriturística para pensar que os cristãos devem votar como uma questão de obediência a Cristo. Ao conduzir o registro de eleitores na igreja, estamos nos comunicando: “Isto é o que os cristãos devem fazer”. Votar geralmente é uma coisa boa, mas eu não tenho autoridade bíblica para dizer que um cristão deve votar (exercitaríamos a disciplina da igreja em alguém que não o fizesse?), nem penso que votar é uma expressão tão necessária do fruto do Espírito que é responsabilidade da igreja fazer com que as pessoas sejam registradas.
Os puritanos foram sábios em estabelecer o Princípio Regulador para o culto. A igreja não tem autoridade para ligar a consciência ou emitir ordens exceto por explícita garantia bíblica, ou quando deduzida por boa e necessária consequência. Grande parte da polarização política na igreja poderia ser muito ajudada se o Princípio Regulador fosse aplicado a questões culturais, bem como ao culto. O objetivo do Princípio Regulador não é fazer com que todos sejam tendenciosos teologicamente (embora isso também possa ser bom). O objetivo é proteger a liberdade cristã e preservar a unidade dos cristãos, os quais são, em última instância, a manutenção de um testemunho fiel do evangelho em nosso mundo.
Um último pensamento sobre o assunto. Tanto quanto eu espero que os cristãos de mentalidade bíblica votem, devemos ter cuidado para não equacionarmos “sal e luz” com vitórias políticas. O engajamento político é apenas uma maneira de amar o próximo e tentar ser uma presença fiel na cultura. Da mesma forma, não devemos supor que todas as boas causas devem entrar no orçamento da igreja, no boletim da igreja ou no lobby da igreja. Há milhares de maneiras pelas quais os cristãos individuais viverão suas vocações, usarão seus dons e exercerão suas paixões - e a grande maioria dessas maneiras não envolverá anúncios do púlpito ou de atividades patrocinadas pela igreja.
Como pastor, eu não dou projeção pública aos candidatos em nossa igreja (ou à candidatos que visitam nossa igreja), especialmente, durante uma temporada eleitoral. Mesmo com a melhor das intenções, a apresentação de um candidato injeta uma nota de política no culto. É claro que damos boas-vindas a todos os candidatos políticos que venham adorar conosco ou simplesmente para conhecer a nossa igreja, mas pedir (ou convidar) uma apresentação ou reconhecimento durante o culto de adoração, apropria-se indevidamente do propósito da reunião do Dia do Senhor. Eu não quero que haja alguma confusão sobre se a igreja está endossando um candidato, ao observar a sua presença conosco. Também não quero dar ao candidato a oportunidade de ser visto e reconhecido no culto público. Ele (ou ela) deve estar no culto para adorar, não para ser visto como alguém que adora. E se o objetivo é simplesmente atender aos constituintes, esse propósito pode ser melhor realizado em outro local, em outro momento.
Eu entendo que esses três “não” são práticas comuns em igrejas de muitas tradições diferentes. Igrejas republicanas, que apoiam ao Trump, fazem essas coisas. Igrejas democratas, que opõem-se ao Trump, fazem essas coisas. Mas por mais comuns que sejam essas coisas, não acredito que sejam sábias. Eles presumem para a igreja uma autoridade que ela não possui, e eles apresentam um obstáculo à comunhão que não precisa estar presente.
A realidade é que essas práticas são comuns em muitas igrejas, porque muitas delas são politicamente uniformes. Os guias de eleitores ocorrem porque quase todos já concordam com eles. O candidato é reconhecido porque quase todos já votam nesse partido. A inscrição no eleitor acontece porque supomos que as pessoas em nossa igreja vão votar nas pessoas que votamos. Meu receio é que, juntas, essas medidas sejam mais eficazes para limitar o número de pessoas que se sentem à vontade em nossa igreja do que para aumentar o número de pessoas que votam “do modo certo”.
Para ter certeza, os cristãos podem se esforçar em educar e mobilizar seus compatriotas cidadãos americanos, mas a única finalidade, propósito e garantia da igreja é educar e mobilizar nossos concidadãos do céu. Não devemos confundir uma missão com a outra.
NOTAS:
[1] Acessado em https://www.thegospelcoalition.org/blogs/kevin-deyoung/church-election-time/
[2] Nos EUA o voto é voluntário. N. do tradutor.
Eu sempre me interessei por política. Estudei religião e ciência política na faculdade. E continuo a ler consistentemente em economia, sociologia, política e eventos atuais. Como pastor, espero que os membros da minha igreja estejam bem informados e engajados no processo político. Como cristãos, devemos levar a sério nossa responsabilidade de ser sal e luz num mundo que é frequentemente podre e escuro.
No entanto, acredito que os pastores devem ter muito cuidado com a forma como lideram suas igrejas em nossa cultura politicamente polarizada. Sei que existem bons irmãos e irmãs que podem discordar desses princípios e suas implicações práticas. Mas, no mínimo, os pastores devem discipular seus líderes e suas congregações ao pensar sobre esses assuntos com sabedoria e teologicamente.
Deixe-me mencionar duas coisas que faço e três coisas que não faço como pastor.
Como pastor, eu oro publicamente por líderes e por questões controversas. Somos ordenados a orar pelas autoridades governamentais, quer concordemos com elas, gostemos delas ou confiamos nelas, ou não (1Tm 2.1-2). Da mesma forma, acho apropriado incluir alguns eventos atuais na oração pastoral semanal. Ao longo dos últimos anos, incluí itens relacionados a Ferguson, Charlottesville, tiroteios policiais em Dallas, a eleição presidencial, casamento gay, Roe v. Wade, o aniversário do assassinato de MLK, e dezenas de eventos que poderiam ser interpretados como “políticos”. No entanto, confio que as orações não eram políticas no pior sentido da palavra. Eu me esforço para ter certeza de que tudo pelo que eu oro tenha amparo bíblico. Durante uma temporada eleitoral, os pastores devem orar para que Deus opere no processo político para nos dar líderes piedosos que são marcados pela habilidade, prudência, honestidade, coragem, humildade e compaixão.
Como pastor, falo de questões controversas, conforme elas surgem do texto das Escrituras. Ao pregar em Êxodo 21, falei sobre a história da escravidão e os males dela em nosso país. Mais adiante, no capítulo, falei sobre o mal do aborto. No capítulo 22, falei sobre a definição bíblica de justiça. Eu também falei sobre o entendimento bíblico do viajante e como cristãos devem amar o estrangeiro e o imigrante (e como isso não se traduz automaticamente em uma determinada política de imigração). Todos estes sermões tocaram em tópicos políticos. Eu não mencionei um candidato, um partido político ou defendo qualquer política ou legislação específica. Eu simplesmente falei sobre questões que estavam manifestamente no texto. Não podemos ensinar todo o conselho de Deus sem nos aventurarmos, de vez em quando, entrar em território difícil, que pode ser impopular em nosso contexto cultural.
Como pastor, não forneço guias eleitorais para a congregação. Eu sei que existem outros pastores que defendem a prática, mas na minha experiência, mesmo os guias eleitorais não-partidários nunca são completamente apartidários. Em 2016, vi um guia de eleitor não-apartidário do Conselho de Pesquisa da Família e outro da Sojourners. Ambos os guias foram projetados para informar os cristãos sobre as questões importantes que enfrentamos na eleição e como pensar sobre essas questões do ponto de vista cristão. Não surpreendentemente, os dois guias falaram sobre questões muito diferentes e apresentaram a visão cristã de maneiras muito diferentes. Apenas um republicano obstinado poderia pensar que o guia do FRC não era partidário. Apenas um democrata rígido podia pensar que o guia dos Sojourners era apartidário.
Admitido isso, reconhecemos que existem outros guias que são menos didáticos e mais informativos. Muitos guias não-partidários fazem uma série de perguntas aos candidatos e registram onde estão as questões-chave. Mas mesmo aqui, os guias que vi ao longo dos anos têm um ângulo definido. Se você tem apenas doze perguntas para fazer aos candidatos, o que você pergunta diz muito sobre as questões que você considera importantes, e a redação de cada pergunta, geralmente, reflete certas prioridades. Em suma, não acredito que os guias eleitorais não-partidários sejam realmente apartidários.
Há também a questão prática de como visitantes e "estrangeiros" tendem a ver esses guias. Para jovens maduros e minorias, a “importância” das guias eleitorais, geralmente, sinalizam “esta é uma igreja para os republicanos.” Podemos dizer que não é a intenção, e acredito que a maioria dos cristãos apaixonados por essas guias são motivados por um desejo sincero de informar as pessoas sobre as questões, mas o fato é que a maioria das igrejas evangélicas brancas já é esmagadoramente republicana. Não vamos dar aos visitantes mais motivos para pensar que essa é uma igreja, principalmente para os conservadores do Partido Republicano (ou vice-versa, se você é conhecido como uma igreja progressista).
Isso significa que alguns candidatos e algumas posições não são melhores que os outros? Claro que não. Eleições é algo realmente importante. Isso tudo significa que eu não me importo com aborto, casamento ou liberdade religiosa (ou reforma da imigração ou reforma da justiça criminal)? Não, eu escrevi sobre todas essas coisas. Eu oro sobre esses assuntos a partir do púlpito, quando apropriado, e eu falo sobre eles no púlpito quando eles aparecem na Bíblia. Eu quero que meu povo seja informado sobre política, assim como espero que eles estejam informados sobre muitas outras coisas. Mas eu não acredito que seja o chamado da igreja, como igreja, fornecer perfis de candidatos, especialmente quando os canais normais para fornecer essas informações nunca são inteiramente objetivos.
Como pastor, eu não encorajo as campanhas de registro de eleitores no saguão da igreja. [2] Eu acredito que votar é uma coisa boa. Quando me mudei de Michigan para Iowa para a minha primeira igreja, fiz questão de votar no primeiro turno de Agosto, no início da manhã, antes de dirigir 12 horas para minha nova casa. Eu acredito que os cristãos fariam bem em se informar e votar. E, no entanto, estou muito pressionado para encontrar autorização escriturística para pensar que os cristãos devem votar como uma questão de obediência a Cristo. Ao conduzir o registro de eleitores na igreja, estamos nos comunicando: “Isto é o que os cristãos devem fazer”. Votar geralmente é uma coisa boa, mas eu não tenho autoridade bíblica para dizer que um cristão deve votar (exercitaríamos a disciplina da igreja em alguém que não o fizesse?), nem penso que votar é uma expressão tão necessária do fruto do Espírito que é responsabilidade da igreja fazer com que as pessoas sejam registradas.
Os puritanos foram sábios em estabelecer o Princípio Regulador para o culto. A igreja não tem autoridade para ligar a consciência ou emitir ordens exceto por explícita garantia bíblica, ou quando deduzida por boa e necessária consequência. Grande parte da polarização política na igreja poderia ser muito ajudada se o Princípio Regulador fosse aplicado a questões culturais, bem como ao culto. O objetivo do Princípio Regulador não é fazer com que todos sejam tendenciosos teologicamente (embora isso também possa ser bom). O objetivo é proteger a liberdade cristã e preservar a unidade dos cristãos, os quais são, em última instância, a manutenção de um testemunho fiel do evangelho em nosso mundo.
Um último pensamento sobre o assunto. Tanto quanto eu espero que os cristãos de mentalidade bíblica votem, devemos ter cuidado para não equacionarmos “sal e luz” com vitórias políticas. O engajamento político é apenas uma maneira de amar o próximo e tentar ser uma presença fiel na cultura. Da mesma forma, não devemos supor que todas as boas causas devem entrar no orçamento da igreja, no boletim da igreja ou no lobby da igreja. Há milhares de maneiras pelas quais os cristãos individuais viverão suas vocações, usarão seus dons e exercerão suas paixões - e a grande maioria dessas maneiras não envolverá anúncios do púlpito ou de atividades patrocinadas pela igreja.
Como pastor, eu não dou projeção pública aos candidatos em nossa igreja (ou à candidatos que visitam nossa igreja), especialmente, durante uma temporada eleitoral. Mesmo com a melhor das intenções, a apresentação de um candidato injeta uma nota de política no culto. É claro que damos boas-vindas a todos os candidatos políticos que venham adorar conosco ou simplesmente para conhecer a nossa igreja, mas pedir (ou convidar) uma apresentação ou reconhecimento durante o culto de adoração, apropria-se indevidamente do propósito da reunião do Dia do Senhor. Eu não quero que haja alguma confusão sobre se a igreja está endossando um candidato, ao observar a sua presença conosco. Também não quero dar ao candidato a oportunidade de ser visto e reconhecido no culto público. Ele (ou ela) deve estar no culto para adorar, não para ser visto como alguém que adora. E se o objetivo é simplesmente atender aos constituintes, esse propósito pode ser melhor realizado em outro local, em outro momento.
Eu entendo que esses três “não” são práticas comuns em igrejas de muitas tradições diferentes. Igrejas republicanas, que apoiam ao Trump, fazem essas coisas. Igrejas democratas, que opõem-se ao Trump, fazem essas coisas. Mas por mais comuns que sejam essas coisas, não acredito que sejam sábias. Eles presumem para a igreja uma autoridade que ela não possui, e eles apresentam um obstáculo à comunhão que não precisa estar presente.
A realidade é que essas práticas são comuns em muitas igrejas, porque muitas delas são politicamente uniformes. Os guias de eleitores ocorrem porque quase todos já concordam com eles. O candidato é reconhecido porque quase todos já votam nesse partido. A inscrição no eleitor acontece porque supomos que as pessoas em nossa igreja vão votar nas pessoas que votamos. Meu receio é que, juntas, essas medidas sejam mais eficazes para limitar o número de pessoas que se sentem à vontade em nossa igreja do que para aumentar o número de pessoas que votam “do modo certo”.
Para ter certeza, os cristãos podem se esforçar em educar e mobilizar seus compatriotas cidadãos americanos, mas a única finalidade, propósito e garantia da igreja é educar e mobilizar nossos concidadãos do céu. Não devemos confundir uma missão com a outra.
NOTAS:
[1] Acessado em https://www.thegospelcoalition.org/blogs/kevin-deyoung/church-election-time/
[2] Nos EUA o voto é voluntário. N. do tradutor.
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