Mostrando postagens com marcador Eclesiologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eclesiologia. Mostrar todas as postagens

16 maio 2025

Calvino sobre a unidade catequética

Os reformadores protestantes têm sido frequentemente vistos como figuras divisivas, responsáveis ​​pela multiplicidade de denominações e pela fragmentação da igreja ocorrida nos últimos 500 anos. No entanto, vários estudiosos têm questionado essa visão, optando por ver os reformadores (pelo menos os magisteriais) mais preocupados com a reforma e renovação da igreja do que com a formação de uma nova igreja. O objetivo deles não era uma nova igreja, mas uma igreja católica reformada.

Observando o Prefácio de Calvino ao seu Catecismo de Genebra (1545),[1] vemos exatamente esse tipo de imperativo ecumênico. A sua visão de unidade é completamente paulina:

"Visto que nos convém esforçar-nos por todos os meios para que a unidade da fé, tão altamente recomendada por Paulo, resplandeça entre nós, a esse fim deve principalmente referir-se a profissão formal de fé que acompanha o nosso batismo comum. Portanto, seria desejável não apenas que um consenso perpétuo na doutrina da piedade surgisse entre todos, mas também que um único Catecismo fosse comum a todas as igrejas."

A sua esperança é que a igreja alcançasse uma unidade de fé, ou, como ele mesmo afirma: "consenso perpétuo na doutrina da piedade". Idealmente, isso significaria que haveria apenas um catecismo entre todos os cristãos.

Mas isso, "por muitas razões", provavelmente não vai acontecer, e isso não parece incomodar muito Calvino. Tudo bem que cada igreja tenha seu próprio catecismo, desde que "a variedade no modo de ensino seja tal que todos sejamos direcionados a um só Cristo, em cuja verdade, unidos, cresçamos em um só corpo e um só espírito, e com a mesma boca proclamemos também tudo o que pertence à soma da fé".

Essa visão cristocêntrica de uma igreja unida é frequentemente esquecida entre os protestantes, mas vale a pena recuperá-la se nosso objetivo for uma igreja completamente reformada.

Ele é particularmente severo com aqueles que, em seus escritos de catecismos, pretendem qualquer coisa além da edificação da unidade da igreja. Um escândalo contra a confissão de fé é um escândalo contra o batismo — isto é, sem uma só fé, como pode haver um só batismo?

"Os catequistas que não visam esse fim, além de prejudicarem fatalmente a igreja, semeando os elementos da dissensão na religião, também introduzem uma profanação ímpia do batismo. Pois onde pode ainda haver utilidade no batismo, a menos que este permaneça como seu fundamento — que todos concordemos em uma só fé?"

Você tem a impressão (ou pelo menos espera) de que Calvino aponta um dedo para outros escritores e três para si mesmo quando escreve:

"Portanto, aqueles que publicam catecismos sejam ainda mais cautelosos, pois, ao produzirem algo precipitadamente, podem, não apenas para o presente, mas também para a posteridade, causar grave dano à piedade e infligir uma ferida mortal à igreja."

Calvino está preocupado que escrever catecismos não se torne um meio de divisão, mas um meio de unidade. E aqueles que desejam escrever novos catecismos devem pensar não apenas na geração atual, mas também nas gerações futuras.

Este imperativo de unidade também fundamenta a sua decisão de escrever uma segunda edição do catecismo em latim. Ele havia escrito originalmente em francês vernáculo, mas depois decidiu traduzi-lo para o latim. Uma das razões pelas quais ele faz isso (a outra é para que as pessoas não deixem de usar seu catecismo anterior) é promover a causa de uma confissão unificada de Cristo, para que igrejas divididas no espaço e no tempo se reconheçam em Cristo. O latim ainda é a língua da igreja ocidental no momento.

"Neste estado confuso e dividido da cristandade, julgo útil que haja testemunhos públicos, por meio dos quais igrejas que, embora amplamente separadas pelo espaço, concordam na doutrina de Cristo, possam se reconhecer mutuamente. Pois, além de que isso tende muito à confirmação mútua, o que é mais desejável do que felicitações mútuas entre elas e que se recomendem devotamente ao Senhor?"

A visão de Calvino sobre a unidade catequética pode ser um tanto ingênua — e, claro, ele não poderia prever o futuro do protestantismo. Mas ele é, sem dúvida, sincero em seus esforços para construir a unidade da igreja. Não podemos duvidar de que os reformadores visavam não o sectarismo, mas sim uma igreja una, santa, católica e apostólica.

Especialmente considerando que os catecismos posteriores, às vezes, degeneraram em ferramentas para afirmar o particularismo denominacional — como armas polêmicas direcionadas a denominações concorrentes —, é ainda mais importante resgatar esse objetivo reformador da catequese ecumênica.

A catequese, antes de tudo, concentra-se em fundamentar os fiéis nos fundamentos da fé, aquilo que a igreja "sempre, em todos os lugares e em todos os tempos" sustentou. É por isso que a catequese está intimamente ligada à fé batismal. Uma fé, um batismo — portanto, um catecismo. Mas, se não, vamos ao menos reerguer a unidade da fé como objetivo da catequese.

Extraído de Artigo do Catechisis Institute acessado em 16/05/2025.

Nota:

[1] O Catecismo de Genebra [1542/1545] estará disponível em breve com introdução, tradução e notas no livro Ewerton B. Tokashiki, Instruindo o rebanho de Deus: Os catecismos e confissões da Igreja de Genebra (Belo Horizonte, Editora Credo Reformado, 2025).

18 fevereiro 2025

5 coisas que não precisariam ser afirmadas sobre presbiterianos & reformados

5 coisas que não precisariam ser afirmadas, mas declaro-as pois a inaptidão cognitiva cria espantalhos e perpetua erros:

 1. Protestantes não adoram, cultuam ou idolatram os reformadores. Logo, Lutero e Calvino, eram apenas Lutero e Calvino, e nunca foram são Lutero ou são Calvino.

2. Os reformados não creem que seus documentos confessionais sejam divinamente inspirados. Mas, a subscrição exige honestidade e honradez dos membros e dos oficiais que os adotam. Os votos de admissão e ordenação DEVEM ser declarados com sinceridade, senso de obediência e sem reserva mental. É uma questão de entender, aceitar, comprometer, praticar e propagar a doutrina com coerência e veracidade.

3. As igrejas presbiterianas/reformadas não são governadas por bispos ou papas. O nosso governo eclesiástico é conciliar. A autoridade do concílio é declaratória, bíblica, confessional e legal. As decisões conciliares podem ser revisadas e corrigidas se forem nulas de direito, negando a constituição da igreja, a confessionalidade ou um claro ensino bíblico. Concílios podem errar, mas maior erro comete o sujeito que não segue o processo conciliar para recorrer e propor melhoria.

4. A autoridade de pastor não depende do título acadêmico, fama ou no tamanho da igreja que pastoreia. A integridade moral, fidelidade bíblica e honestidade confessional, exemplo da sua família e bom testemunho público é o que dá peso e respeitabilidade ao ministro do evangelho. Todos os pastores têm o mesmo poder de voto e oportunidade em concílio a partir do momento que ele "toma assento". A sua autoridade, persuasão e influência DEVERIA repousar sobre a fundamentação bíblica, confessional e legal e não no título de "doutor", presidente ou seja o cargo que se ocupe.

5. Não estamos vivendo uma crise de identidade denominacional. As igrejas presbiterianas/reformadas têm a sua identidade doutrinária, litúrgica, eclesiástica e ética definida por seus documentos oficiais. Se quer saber o que significa e o que crê uma igreja presbiteriana, veja seus documentos. A crise é ética, pois presbitérios DEVERIAM corrigir pastores, conselhos e igrejas que desviam-se doutrinária e/ou liturgicamente, que negam a confessionalidade da igreja e que têm problemas imorais ou ilegais. A crise não é de identidade, mas moral.

 Se membros e oficiais de igrejas presbiterianas e reformadas fossem devidamente instruídos e coerentemente honestos com a identidade confessional de suas denominações, não existiriam essas confusões e desordens, nem precisaria de um texto como este ser escrito.

17 fevereiro 2025

Paulo recebia salário por pregar o evangelho?

"Será que cometi algum pecado pelo fato de viver humildemente, para que vocês fossem exaltados, visto que lhes anunciei o evangelho de Deus sem cobrar nada? Tirei de outras igrejas, recebendo salário, para poder servir a vocês. E, estando entre vocês, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me faltava. Em tudo, me guardei e me guardarei de ser pesado a vocês. Pela verdade de Cristo que está em mim, garanto que esta glória não me será tirada nas regiões da Acaia." [2Co 11.7-10]

 "A verdade, como vocês sabem, é que nunca usamos de linguagem de bajulação, nem de pretextos gananciosos. Deus é testemunha disso. Também jamais andamos buscando elogios das pessoas, nem de vocês, nem de outros. Embora, como apóstolos de Cristo, pudéssemos ter feito exigências, preferimos ser carinhosos quando estivemos aí com vocês, assim como uma mãe que acaricia os próprios filhos." [1Ts 2.5-7]

 "No entanto, vocês fizeram bem, associando-se comigo nas aflições. E como vocês, filipenses, sabem muito bem, no início da pregação do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo nessa questão de dar e receber, exceto vocês, somente. Porque até quando eu estava em Tessalônica, por mais de uma vez vocês mandaram o bastante para as minhas necessidades." [Fp 4.14-16]

"Devem ser considerados merecedores de pagamento em dobro os presbíteros que presidem bem, especialmente os que se esforçam na pregação da palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: 'Não amordace o boi quando ele pisa o trigo.' E, ainda: 'O trabalhador é digno do seu salário.'" [1Tm 5.17-18]

 Concluindo:

1. Paulo recebia salário para dedicar-se tempo integral para a pregação do evangelho.

2. Ele via o salário como um privilégio da igreja ao participar da implantação de novas igrejas.

3. Por motivos de estratégia missionária, como em Corinto e Tessalônica, ele absteve-se de receber salário dessas igrejas. O apóstolo não quis ser confundido com os sofistas que exploravam seus ouvintes e incautos.

4. As igrejas de Corinto e Tessalônica não quiseram gratificar o trabalho do apóstolo. Ele não impôs, mas deixa claro que ele tinha o direito de recebê-lo.

5. A igreja de Filipos foi a única comunidade que participou no sustento financeiro de Paulo na evangelização da Macedônia e Acaia.

6. Paulo instrui à Timóteo que os líderes da igreja que presidem bem e dedicação devem receber o seu salário.

13 fevereiro 2025

Por que Jesus instituiu a Ceia do Senhor na Páscoa?

 

Por Keith Mathison

 

Quando o livro de Êxodo começa, Israel está no Egito há mais de quatrocentos anos (cf. Êx 12.40). Eles estão em cativeiro sob um faraó opressor. Os primeiros capítulos de Êxodo descrevem o chamado de Moisés para ser o líder do povo de Deus para tirá-los da escravidão no Egito. Ele vem diante do faraó exigindo que Israel tenha permissão para ir e adorar o Senhor, mas o faraó se recusa. Deus então envia uma série de pragas cada vez mais severas sobre o Egito. A teimosia do faraó diante das nove primeiras pragas resulta no pronunciamento de Deus de uma praga final que resultará na redenção de Israel da escravidão. Deus avisa que Ele entrará no meio do Egito e que todo primogênito na terra, morrerá. É no contexto do aviso desta praga final que encontramos as instruções de Deus sobre a Páscoa em Êxodo 12.

 Deus começa com uma declaração indicando que a Páscoa e o Êxodo marcarão um novo começo para a nação de Israel. O mês de Abib (final de março e início de abril) deve ser o primeiro mês do ano para o povo de Deus. Isso enfatiza o fato de que o êxodo do Egito é um evento-chave, um ponto de virada, na história redentora. Tão central é o evento que, deste ponto em diante, Deus é frequentemente descrito em referência ao êxodo (por exemplo, Êx. 20.2; Lv 11.45; Nm 15.41; Dt 5.6; Js 24.17; Jz 6.8; 1Sm 10.18; 2Rs 17.36; Sl 81.10; Jr 11.4; Dn 9.15; Os 11.1; Am 2.10). Ele é identificado como Aquele que redimiu o seu povo da escravidão.

 Em anos posteriores, a observância da Páscoa envolveria o sacerdócio (Dt 16.5–7), mas na noite da Páscoa original, a responsabilidade por esta cerimônia recai sobre o chefe de cada família. O chefe de cada família é ordenado a pegar um cordeiro macho de um ano de idade e sem nenhuma mancha. Este cordeiro substitutivo deve ser um símbolo de perfeição. Como tal, ele prenuncia o verdadeiro Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, que era unicamente sem mácula (1Pe 1.19). Ao anoitecer, o cordeiro de cada família deve ser morto.

 O Senhor revela o que os israelitas fariam com os cordeiros mortos e por que deveriam fazê-lo. Cada chefe de família deve pegar o sangue do cordeiro e colocá-lo nas ombreiras e na verga da porta de sua casa. Deus explica que o sangue será um sinal. Quando Ele vir o sangue na porta, Ele passará por aquela casa, e os primogênitos nela serão poupados do juízo vindouro que cairá sobre o Egito. Depois que os cordeiros forem mortos pelo chefe da família, eles seriam assados ​​e comidos com as pessoas vestidas e preparadas para sair em um momento de aviso. Como a Páscoa é um “sacrifício” (Êx 12.27; 34.25; Dt 16.2), comer o cordeiro é uma refeição sacrificial como aquela associada à oferta de paz descrita em Lv 3 e 7. Em tais refeições, a carne do cordeiro sacrificado é oferecida aos crentes para comerem após o sacrifício ser feito (Lv 7.15).

 Em Êx 12.14–20, Deus revela o modo como as futuras gerações de israelitas deveriam observar a Páscoa. O êxodo do Egito seria comemorado na Festa dos Pães Asmos de sete dias, que iniciaria com a observância da Páscoa. O povo sempre se lembraria de sua escravidão no Egito e do ato de redenção de Deus ao libertá-los dessa escravidão. A Páscoa, portanto, seria observada ao longo de suas gerações. Jesus instituiu a Ceia do Senhor nesta noite para significar que este novo êxodo estava prestes a começar. Este ato indicou que o tempo da redenção havia chegado.

O texto de Êx 12.21–28 contém as instruções de Moisés ao povo sobre a Páscoa e a resposta do povo. Moisés instrui o povo a marcar as portas usando hissopo, uma planta que mais tarde será usada em conexão com vários rituais de purificação (Lv 14.49–52; Nm 19.18–19). Embora alguns estudiosos tenham negado que a Páscoa seja um sacrifício, Moisés refere-se especificamente a ela como tal em Êx 12.27. Embora nenhum pecado específico seja mencionado, o sangue do cordeiro afasta a ira de Deus. Aqui novamente a Páscoa prenuncia a obra redentora de Cristo (1Co 5.7). A décima e última praga veio sobre o Egito assim como Deus advertiu por meio de Moisés e Arão, e os primogênitos em toda a terra foram mortos. Somente aqueles cobertos pelo sangue do cordeiro foram poupados. Como resultado dessa praga final, o Faraó finalmente cedeu e ordenou que Moisés e os israelitas saíssem. O início do êxodo em si é descrito em Êx 12.33–42. A razão para as instruções de Deus ao povo para estar preparado e sair às pressas, agora, se torna clara. Os egípcios querem que os israelitas saiam imediatamente e os incitam a partir. Os israelitas recebem dos egípcios a prata e ouro deles e, após 430 anos, eles começam a jornada para fora do Egito em direção à terra prometida.

 A nossa breve pesquisa de Êx 12 revela vários fatos importantes sobre a Páscoa. O sangue do cordeiro da Páscoa distinguia o povo de Deus dos egípcios descrentes, e a observância da Páscoa era um sinal de fé em Deus. A Páscoa também marcava a redenção de Israel da escravidão no Egito. Comemorava seu nascimento como nação. Ao longo de todas as gerações de Israel, a Páscoa seria um memorial do grande ato redentor de Deus. Também seria uma oportunidade de ensino para os pais israelitas, que deveriam explicar seu significado aos seus filhos.

 Nos livros proféticos posteriores do Antigo Testamento, o êxodo seria visto como o ato paradigmático de redenção. Quando os profetas olhavam para a futura obra de redenção de Deus, eles a comparavam ao êxodo original e falavam dela em termos de um êxodo novo e maior. Vemos tal linguagem, por exemplo, em Is 52.11–12, onde Deus ordenou que Israel partisse da Babilônia usando uma linguagem que lembrava aquela usada em conexão com o êxodo original do Egito. No final do Antigo Testamento, os israelitas estavam ansiosos por um novo e maior êxodo.

 Quando os Evangelhos abrem, não é coincidência que vários paralelos sejam vistos entre Jesus e Moisés e entre Jesus e Israel. Jesus foi até levado para o Egito apenas para retornar após a morte de Herodes. Diz-se que isso ocorreu “para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: ‘Do Egito chamei meu filho’” (Mt 2.15). O decreto de Herodes de matar todas as crianças do sexo masculino em Belém é um eco horrível do decreto do Faraó de matar todas as crianças do sexo masculino dos israelitas (Mt 2.16 e Êx 1.15–22). Os comentaristas discutem ainda mais paralelos, mas o objetivo dos paralelos é comunicar ao leitor que o tão esperado tempo de redenção estava próximo. O novo êxodo profetizado estava próximo.

 Por que, então, Jesus instituiu a Ceia do Senhor na Páscoa, na noite anterior à sua crucificação? Em primeiro lugar, é porque Ele é o cumprimento de tudo o que foi prenunciado pelo cordeiro da Páscoa. O seu sangue, o sangue da nova aliança, evita a ira de Deus para aqueles que depositam sua fé Nele. Em segundo lugar, é porque a última Ceia foi à véspera do profetizado ato maior de redenção da nova aliança — o ato prometido de redenção que os profetas descreveram em termos de um novo êxodo — e, assim, como o primeiro êxodo foi precedido pela instituição da Páscoa, o novo êxodo maior foi precedido pela instituição da Ceia do Senhor. Jesus instituiu a Ceia do Senhor nesta noite para significar que este novo êxodo estava prestes a começar. Este ato indicou que o tempo da redenção havia chegado.

 

Extraído de Keith Mathison DAQUI

30 maio 2024

As duas novidades na doutrina da eucaristia segundo a Igreja Católica Romana

           A novidade da transubstanciação

A Igreja Católica Romana crê na doutrina eucarística da transubstanciação. Isso significa que a hóstia após o ato da consagração se transforma verdadeira, real e substancialmente no corpo e sangue de Cristo. Os papistas definiram a sua doutrina no Concílio de Trento (1545-1563). Esse concílio declarou que

disse Jesus Cristo nosso Redentor, que era verdadeiramente seu corpo que o oferecia sob a espécie do pão, a igreja de Deus acreditou perpetuamente e, também, declara novamente o santo concílio que pela consagração do pão e do vinho, são convertidas: a substância total do pão no corpo de nosso Senhor, e a substância total do vinho no sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, e essa transformação é oportuna e propriamente chamada de transubstanciação pela igreja católica.[1]

Quanto à doutrina da presença real de Jesus Cristo nosso Senhor na eucaristia, o concílio decretou que

claramente, e sinceramente confessa que depois da consagração do pão e do vinho, fica contido no saudável sacramento da santa eucaristia, verdadeira, real e substancialmente nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e homem, sob as espécies daqueles materiais sensíveis, pois não existe com efeito, incompatibilidade que o mesmo Cristo nosso salvador esteja sempre sentado, no céu, à direita do Pai, segundo o modo natural de existir e que ao mesmo tempo nos assista sacramentalmente com Sua presença, e em sua própria substância em outros lugares, com existência que ainda que apenas o possamos expressar com palavras, poderemos, não obstante, alcançar com nosso pensamento ilustrado pela fé, que é possível a Deus, e devemos firmemente acreditar. Assim pois, professaram clarissimamente todos os nossos antepassados que viveram a verdadeira Igreja de Cristo, e trataram deste santíssimo e admirável sacramento, a saber: que nosso Redentor o instituiu na última ceia, quando depois de ter benzido o pão e o vinho, atestou a seus apóstolos, com claras e enérgicas palavras que lhes dava seu próprio corpo e seu próprio sangue. E sendo fato consumado que as ditas palavras mencionadas pelos mesmos santos evangelistas e repetidas depois pelo apóstolo são Paulo, incluem em si mesmas aquele próprio e patentíssimo significado, segundo as entenderam os santos pais, é sem dúvida execrável a maldade com que certos homens pretensiosos e corruptos as distorcem, violentam e tentam explicar em sentido figurado, fictício ou imaginário, negando a realidade da carne e sangue de Jesus Cristo contra a inteligência unânime da Igreja, que sendo coluna e apoio da verdade, sempre detestou por serem diabólicas estas ficções expressas por homens ímpios e sempre conservou indelével a memória e gratidão deste tão sobressalente benefício que nos fez Jesus Cristo.[2]

A novidade de dar apenas a hóstia

O rito papista prescreve que somente a hóstia seja dada aos participantes.[3]  O Concílio de Trento, na sessão XXI, realizada sob o papado de Pio IV, em 16 de julho de 1562, ratificou a decisão do Concílio de Constança, declarando que

tendo presente o sacrossanto, ecumênico e geral Concílio de Trento, reunido legitimamente no Espírito Santo e presidido pelos mesmos legados da Sé Apostólica, os vários e monstruosos erros que pelos malignos artifícios do demônio aparecem em diversos lugares acerca do imenso e santíssimo sacramento da eucaristia, pelos quais, parece que em algumas províncias, muitos se apartaram da fé e obediência à Igreja Católica, teve por bem expor agora a doutrina respectiva da comunhão em ambas as espécies e a comunhão das crianças. [...] Em continuidade, o mesmo Santo concílio, ensinado pelo Espírito Santo, que é o Espírito de sabedoria, inteligência, conselho e piedade, e seguindo o ditame do costume da Igreja, declara e ensina que os leigos e os clérigos que não celebram a missa, não estão obrigados, por preceito divino algum, a receber o sacramento da eucaristia sob as duas espécies, e que não cabe, absolutamente, dúvida nenhuma, sem faltar à fé, que lhes basta, para conseguir a salvação, a comunhão de apenas uma das espécies. Pois, ainda que Cristo, nosso Senhor, tenha instituído na última ceia este venerável sacramento nas espécies do pão e do vinho, e o tenha dado a seus apóstolos, sem dúvida, não tem por finalidade aquela instituição e comunhão estabelecer a obrigação de que todos os fiéis cristãos devam receber devido a esse estabelecimento de Jesus Cristo, uma e outra espécie. [...] Portanto, reconhecendo a santa mãe igreja essa autoridade que tem na administração dos sacramentos, mesmo tendo sido frequente o uso de comungar sob as duas espécies, desde o princípio da religião cristã, porém verificando, em muitos lugares, com o passar do tempo, a mudança nesse costume, aprovou, movida por muitas graves e justas causas, a comunhão sob uma só espécie, decretando que isso fosse observado como lei, a qual não é permitido mudar ou reprovar arbitrariamente sem a autorização expressa da igreja. [...] Declara o santo concílio depois disto, que ainda que nosso Redentor, como já disse antes, instituiu na última ceia este Sacramento nas duas espécies, e o deu a seus apóstolos, se deve confessar, porém, que também se recebe em cada uma única espécie a Cristo todo e inteiro e verdadeiro sacramento. E, que, por conseguinte, as pessoas que recebem uma única espécie, não ficam prejudicadas a respeito do fruto de nenhuma graça necessária para conseguir a salvação.[4]

 A igreja romana ratificou em seus concílios posteriores a sua compreensão dogmática acerca da eucaristia. Nenhuma mudança significativa ocorreu nos concílios Vaticano e Vaticano II que mereça referência.

         Todos os reformadores rejeitaram a doutrina papista. Eles foram unânimes em reprovar o ensino da Igreja Romana, pois não encontraram nela fundamento bíblico, nem respaldo na própria tradição da igreja e ainda porque ela resulta em superstição. O dogma eucarístico nem sempre foi ensinado pelo critério adotado pelos próprios papistas, pois segundo a regra proposta por Vicent de Lérins[5] um dogma é estabelecido se teneamus quod ubique, quod semper, quod ab omnibus creditum est,[6] não consegue ser provada no caso desta doutrina. O tríplice critério universitatem, antiquitatem, consensionem reprova a transubstanciação, porque antes do Concílio de Trento não havia universalidade, antiguidade nem consenso quanto ao ensino desta doutrina no cristianismo ocidental até o século XII e continuou sendo questionada até o século XVI.[7] Assim, a Igreja Romana ensina e pratica uma novidade eucaristica que não era aceita universalmente no final da Idade Média e que somente foi dogmatizada num concílio de Contrarreforma.

 

Notas:

[1] Canones et Decretal Dogmatica Concilii Tridentini in: Philip Schaff, ed., The Creeds Christendom – with a history and critical notes, vol. 2, p. 130. Thomas A. Baima comenta que “os teólogos católicos explicam a conversão por meio de um tecnicismo chamado adução. Adução significa que Cristo vem ao sacramento sem deixar o céu, e sua presença se faz efetiva em milhares de lugares. Esta explicação responde a um número de objeções à doutrina da transubstanciação. Isso é muito importante para a compreensão católica do sacramento. Um sacramento é um sinal que dá lugar ao que significa. Isso significa que os acidentes não são acidentais. O sinal de comer e beber – sinais de alimentação – e a unidade dos elementos com nossos corpos dá lugar ao significado: o alimento espiritual e a unidade com Cristo”. Thomas A. Baima, “El punto de vista católico romano” in: John H. Armstrong, ed., Cuatro puntos de vista sobre la santa cena, p. 129.

[2] Canones et Decretal Dogmatica Concilii Tridentini in: Philip Schaff, ed., The Creeds Christendom – with a history and critical notes, vol. 2, pp. 126-127. Ludwig Ott observa que “as três expressões veré, realiter, substantialiter são dirigidas especialmente contra as teorias de Zwingli, Oecolampadio e Calvino, e excluem todas as interpretações metafóricas que pudessem ser dadas às palavras da instituição.” Ludwig Ott, Manual de Teología Dogmática, p. 555.

[3] A decisão ocorreu no Concílio de Constança, que é o 16º ecumênico, de 5 novembro de 1414 a 22 abril de 1418, na sessão 13ª, de 15 junho de 1415, no Decreto Cum in nonnullis, confirmado pelo Papa Martinho V, em 1 setembro de 1425. Este decreto é repetido nas constituições de In eminentis de 1 setembro de 1425 (BarAE, ao ano de 1425, n. 18 / Theiner 28,27) e Apostolicae sedis praecellens de 25 de janeiro de 1426, declarando que “em algumas partes do mundo, alguns ousam temerariamente afirmar que o povo cristão deve receber o santo sacramento da Eucaristia sob as duas espécies do pão e do vinho e fazem comungar em geral a assembleia dos leigos não só com a espécie do pão, mas também com a do vinho, inclusive depois da refeição ou doutro modo sem jejum. Eles sustentam obstinadamente que este é o modo de se comungar, opondo-se ao louvável costume da Igreja, justificado também racionalmente, que de modo condenável procuram reprovar como sacrílego: por isso, este Concílio … declara, decreta e define que, se bem que Cristo tenha instituído e administrado depois da refeição aos apóstolos este venerando sacramento sob ambas as espécies do pão do vinho, não obstante isso, a admirável autoridade dos sagrados cânones e o autorizado costume da Igreja têm declarado e declaram que este sacramento não deve ser administrado depois da refeição nem a fiéis que não estão em jejum, salvo no caso de doença ou de outra necessidade, concedido ou admitido pelo direito ou pela Igreja. E como este costume foi introduzido, com razão, para evitar perigos e escândalos, com análoga ou maior razão foi introduzido e observado este outro: se bem que na Igreja primitiva este sacramento era recebido pelos fiéis sob ambas as espécies, mais tarde, porém, era recebido pelos consagrantes sob ambas as espécies, mas pelos leigos somente sob a espécie do pão, pois é preciso crer com toda a firmeza e sem sombra de dúvida que o corpo e o sangue de Cristo estão verdadeiramente contidos, na sua integridade, tanto sob a espécie do pão, como sob a do vinho. Portanto, visto que foi introduzido com boa razão pela Igreja e pelos santos Padres e observada durante muitíssimo tempo, este costume deve ser considerado como uma lei que não pode ser reprovada nem modificada arbitrariamente, sem o consentimento da Igreja. É errôneo sustentar que a observância deste costume ou lei é sacrílega ou ilícita; e os que se obstinam em sustentar o contrário devem ser tratados como hereges ...”. Heinrich Denzinger & Petrus Hünermann, Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, pp. 347-348. A igreja oriental, em distinção da igreja romana, distribui ambos os elementos a todos os participantes na realização da eucaristia. Veja E.H. Klotsche, Christian Symbolic, p. 47.

[4] Canones et Decretal Dogmatica Concilii Tridentini in: Philip Schaff, The Creeds of Christendom - with a history and critical notes, vol. 2, pp. 170-176.

[5] Ele faleceu em 445 d.C..

[6] Ou seja: asseguremos que seja crido em outros locais, sempre e por todos. Reginald Stewart Moxon, ed., The Commonitorium of Vincentius of Lerins, p. xxxii.

[7] O teólogo romano Ludwig Ott explica que “a palavra transsubstantiatio, resp. transsubstantiare, foi criada pela teologia do século XII (Mestre Rolando [que mais tarde foi papa com o nome de Alexandre III] até 1150, Estevan de Tournai até 1160, Pedro Comestor 1160-1170), e é usada oficialmente pela vez primeira em um decreto (1202) de Inocêncio III e no Caput Firmiter do Concílio IV de Latrão.” Ludwig Ott, Manual de Teología Dogmática, p. 562. A transubstanciação somente foi aprovada definitivamente no Concílio de Trento, na sessão XIII, realizada sob o papado de Júlio III, em 11 de outubro de 1551. Bem como é recente o rito em que ambos os elementos, pão e vinho, são comidos pelo clero, enquanto o fiel católico comum recebe apenas a hóstia. Esta prática é estranha ao cristianismo oriental e outros grupos cristãos no mundo, tendo iniciado pela igreja ocidental no século XV, e sendo rejeitada pelos pré-reformadores e reformadores.


03 agosto 2020

A compaixão deve ser sábia - uma abordagem no trabalho diaconal

por John Sittema


Não são somente os diáconos que demonstram misericórdia, mas toda a igreja é chamada para esta tarefa. Levar a misericórdia é missão de toda a igreja, e de cada crente. O serviço especial que realizam os diáconos é estimular e coordenar a prática da misericórdia pelos demais membros do corpo. Todavia, às vezes este assunto da misericórdia chega a complicar-se. Os diáconos de minha igreja pedem-me conselhos para resolver problemas em seu trabalho. Estes problemas podem ser o orgulho que alguns têm, que lhes impede receber a ajuda que necessitam, ou o contrário - uma atitude de querer receber tudo sem esforço pessoal, o que contribui para a preguiça e perda da autoestima. Se acrescentar o ciúme e a avareza, pronto se poderá perceber alguns dos problemas que enfrentam os diáconos.

Este artigo tem como propósito dar alguns conselhos para ajudar aos diáconos a realizarem o seu trabalho nestes tempos em que muitos estão caindo no consumismo e no materialismo. Serão citadas muitas passagens das Escrituras, e um estudo mais detalhado de cada passagem seria necessário para uma maior compreensão do ponto. Rogo a Deus que este artigo estimule a discussão entre os diáconos, e que ajude a esclarecer assuntos chaves nos desafios que enfrentam.

A misericórdia é mais do que uma esmola

A igreja guiada por seus diáconos é chamada a praticar a compaixão, o amor e o apoio para com aqueles que levam pesadas cargas em suas vidas. Esta ajuda pode ser monetária, ou “um vaso de água” (Mc 9.41), ou uma palavra de ânimo em nome de Jesus. Nalgumas ocasiões as pessoas enfrentam um inimigo mais demolidor - a perda da esperança: “O coração alegre constitui bom remédio; mas o espírito triste, seca os ossos” (Pv 17.22). Nestes casos, serão urgentes as visitas fiéis pelos diáconos (e também pelos presbíteros e pastores!), abrindo a Palavra de Deus com eles. Por outro lado, a tarefa dos diáconos com frequência inclui dar o alerta de advertência, ou prover uma admoestação – coisa que muitos não gostam. Todavia, esta tarefa em particular provê uma faceta importante a longo prazo.

Uma boa passagem é 1Ts 5.12-15, onde Paulo disse que “admoestem os insubmissos, consoleis os desanimados ...”

A igreja não é um partido político socialista

A igreja recebe ofertas do povo de Deus, e deve usá-las com benevolência. Mas recordemos que a meta não é a “redistribuição das riquezas”. Pelo contrário, a meta é o avanço do reino de Deus, tanto no sentido amplo, como também no sentido individual (veja At 6.1-7 e 2Co 8-9. Em ambos os casos o ministério diaconal ajudou que a igreja crescesse e que o reino de Deus se estendesse).

Certamente as Escrituras fazem um chamado aos ricos que sejam generosos com os necessitados (1Tm 6.18); mas, também chamam tanto aos ricos como aos pobres para o contentamento, e que não se queixem diante sua condição (1Tm 6.7-8). Hoje em dia o descontentamento está transbordando - embora eles tenham “sustento e abrigo” muitos não estão felizes. Este é um problema espiritual com consequências sérias: “Porque os que querem enriquecer caem em tentação e ciladas, e em muitas cobiças néscias e danosas, que afundam os homens em destruição e perdição” (1Tm 6.9). Recordemos que sempre teremos os pobres entre nós - em parte para provar o coração dos ricos, e também para assegurar que todos tenhamos nossa meta em Jesus, e não nas possessões materiais. Os diáconos devem focar nos corações, não em algum sentido humano da “repartição justa” dos bens.

Mantenhamos uma abordagem bíblica do sofrimento

O sofrimento dói, mas o sofrimento não prejudica. Esta distinção é crucial. Cristo nos chama a aceitar os sofrimentos como mestre da alma. Em muitas partes do Novo Testamento há o ensino que os sofrimentos humilham aos orgulhosos (algo que todos necessitamos!), nos instrui a paciência, produzem perseverança e despertam a esperança.

Quando o crente clama ao Senhor debaixo de sofrimento, outros cristãos apressam-se para ajudar. Mas quando alguns assumem uma atitude de amargura diante do sofrimento, e exigem que os diáconos removam a dor - na realidade estão desafiando a Deus. Apeguemo-nos ao Catecismo de Heidelberg e confessemos que “as riquezas e a pobreza vêm não como pelo azar, mas por seu conselho e vontade paternal” (#27). Os diáconos devem entender que sua missão não é aliviar o sofrimento. Antes, a sua tarefa é ajudar a interpretar o sofrimento e ajudar a passá-lo (não evitar), e a crescer por haver passado. Se apontamos mal neste assunto, cortaremos os bons propósitos do Senhor.

Seria como não deixar que o nosso filho aprenda as duras lições da vergonha e do castigo quando descoberto roubando algo duma loja. Seria como o pai ou mãe que não disciplina ao seu filho somente porque chora. Passagens importantes são Hb 12.7ss; Tg 1.2-12; 1Pe 4.12-19.

Não seja partícipe do néscio em sua insensatez

A insensatez tem consequências. Escolhas néscias para gastar o dinheiro, decisões néscias na criação dos filhos, e a conduta moral néscia - todos colhem muitos problemas. As Escrituras nos dizem que não sejamos partícipes com os néscios: “Nunca respondas ao néscio de acordo com a sua tolice, para que não sejas também como ele” (Pv 25.4). Imaginemos uma situação em que os diáconos recebem uma solicitação de assistência financeira de alguém que gastou milhares e milhares de reais com seu cartão de crédito, e tem sérios problemas em pagá-lo. Se a causa de seus problemas foi um furacão, um incêndio, ou uma dívida com gastos médicos - seria uma cosa. Mas outra coisa é o gasto desenfreado de dinheiro com as últimas modas, novos eletrodomésticos, equipamento eletrônico, etc. Não seria sábio oferecer ajuda financeira neste último caso. O que se deve prover é assistência diaconal em fixar prioridades e desenvolver a disciplina de manejar as prioridades. Passagens relevantes são: 2Ts 3.10; Gl 6.7ss; e Pv 16.25, 26; 17.15,16,18, 22; 18.6-7 e 19).

Mantenha a abordagem global de vista

A instrução de At 6.3 requer que os diáconos sejam homens “cheios do Espírito e sabedoria”. Em 1Tm 3 exige homens que tenham sua casa em ordem, por que como cuidarão da casa de Deus? Por que encontramos estes requisitos? Não necessitam coletar a oferta nos dias de culto, nem mesmo que se fixe em que a usarão. Estes requisitos não têm sentido se a única coisa que os diáconos fazem é aliviar o sofrimento através de ajudas econômicas. A resposta deve ser óbvia para todos - isto NÃO é o trabalho dos diáconos! Pelo contrário, seu chamado é ajudar as pessoas a serem bons mordomos de suas vidas e recursos, a motivá-las para a generosidade, a evitar a cobiça e descontentamento, e a utilizar todos os seus recursos com sabedoria para o avanço do reino de Deus. A compaixão deve servir estes propósitos.

07 abril 2020

Devemos transmitir a ceia do Senhor Online?

por Scott R. Swain


Durante a semana passada, estive envolvido em várias conversas sobre se as igrejas devem transmitir ao vivo a Ceia do Senhor.

Na maioria dos casos, as conversas não foram sobre se a transmissão ao vivo da Ceia do Senhor é válida em circunstâncias normais […]. A maioria das conversas em que participei foi entre ministros reformados e presbiterianos com um entendimento compartilhado da igreja, ministério pastoral e sacramentos. A questão nessas conversas foi se as circunstâncias extraordinárias da vida em quarentena permitem maneiras extraordinárias de administrar a Ceia do Senhor.

O The Gospel Coalition publicou duas perspectivas batistas sobre a questão de as igrejas fazerem online a Ceia do Senhor, uma contra e outra favorável. Além disso, a Christianity Today publicou um artigo, escrito do ponto de vista sacramental protestante, que argumenta que a Ceia do Senhor pode realmente cumprir sua função como um meio de graça, mesmo quando celebrada online.

Não creio que as igrejas devam transmitir a Ceia do Senhor por razões bastante reformadas. A razão mais fundamental tem a ver com a natureza do próprio sacramento.

Um sacramento, no nível mais básico, é uma ação simbólica ordenada por Jesus Cristo à qual ele anexou a promessa de sua presença e bênção (Êx 20:24; Mt 28:18-20; Lucas 22:19; 1 Co 10:1-4, 16; 11:24-25). O “sinal”, nesse entendimento, não são simplesmente os “elementos” da água, pão e vinho. O sinal é a totalidade da ação simbólica que, no caso da Ceia do Senhor, é uma refeição compartilhada (1Co 10:17). Além disso, quando se trata da Ceia do Senhor, a ação simbólica de uma refeição compartilhada tem um contexto específico e divinamente ordenado: “quando vocês se reúnem” (1Co 11:33). O “sinal” da Ceia do Senhor é uma refeição compartilhada, participada na assembleia da Aliança, do povo de Deus, ou seja, a igreja reunida. A esta ação simbólica, Cristo anexou a promessa de sua presença e bênção: “ali te darei meu amor” (Ct 7:12).

Quando se trata da Ceia do Senhor, então, nenhuma refeição compartilhada, nenhuma assembleia da aliança significa nenhum sacramento. (Nota: a situação é diferente no batismo, cuja ação simbólica envolve uma pessoa lavando a outra pessoa com água). Embora a ação de uma refeição compartilhada e o contexto da assembleia da aliança não sejam condições suficientes para celebrar a Ceia do Senhor, são condições necessárias. Sem eles, realmente não se pode celebrar a Ceia do Senhor.

Aqueles que mais se afastaram dessa linha de argumentação o fizeram porque valorizam profundamente a Ceia do Senhor como um meio de graça. Que grande perda, argumentam eles, sem os meios divinamente designados de dar e receber o corpo e o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, de fortalecer nossa fé e esperança, de receber e responder ao amor de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Contra esse sentimento, não tenho argumentos. É realmente uma grande perda, talvez a maior perda entre muitas outras perdas que se seguem à nossa incapacidade de nos reunirmos na presença de Deus como povo da aliança de Deus no Dia do Senhor.

Mas a resposta adequada a essa grande perda não é tentar transmitir ao vivo a Ceia do Senhor. Por enquanto, o caminho para participar da Ceia do Senhor está fechado para todos nós. Por enquanto, não somos chamados para festejar, mas para jejuar.

O que leva ao que acredito ser a resposta pastoral apropriada em nossa atual crise. Em situações de perda como essa, precisamos aprender a lamentar, e devemos ensinar o povo de Deus a lamentar, algo bastante difícil para aqueles (como eu) que estão acostumados à gratificação instantânea.

A Ceia do Senhor é uma das maiores bênçãos que Jesus Cristo deu à sua igreja. Nossa incapacidade de celebrar a Ceia do Senhor por um período só pode ser, deve ser, apenas causa de tristeza e lágrimas. Por enquanto, não podemos celebrar essa lembrança do Senhor “provando” e “vendo” sua bondade (Sl 34:8).

Mas isso não significa que somos enviados a um estado de completo esquecimento. Não. Existe um tipo de lembrança que acompanha o exílio da cidade de Deus (Sl 137:5-6), a lembrança que leva a lágrimas fiéis (Sl 137:1-2) e que cultiva o desejo de restauração (Sl 63:1; 143:6), a lembrança daqueles que já provaram e que, pela graça de Deus, sabem que mais uma vez provarão e verão a bondade do Senhor, seja na sua mesa na assembleia da aliança ou na ceia das bodas do Cordeiro (Ap 19:9). Este é o tipo de lembrança que somos chamados a cultivar em nós mesmos e em nossos rebanhos neste tempo.

Nosso presente jejum da Ceia do Senhor é necessário, mas lamentável. Nosso presente jejum também é uma oportunidade de cultivar um desejo sincero pelo Senhor e por seu povo que tornará nosso banquete à mesa do Senhor ainda mais alegre quando o tempo do nosso jejum chegar ao fim. Faremos um banquete na casa de Sião!


Scott R Swain é presidente e professor de Teologia Sistemática no Reformed Theological Seminary, em Orlando, Flórida, onde atua desde 2006. É ministro ordenado na Igreja Presbiteriana da América. Scott e sua esposa, Leigh, têm quatro filhos.
Tradução: Pr. Dilsilei Monteiro

Extraído de TGC - Coalizão Pelo Evangelho.

13 fevereiro 2020

Sobre a interpretação da IPB do CMW Perg. 158

A IPB fez uma reinterpretação da Pergunta 158 do Catecismo Maior de Westminster, em sua Reunião Ordinária do Supremo Concílio de 2018. A decisão ocorreu, hermeneuticamente, desprezando o sentido intencional dos autores do texto original, e oferecendo um significado estranho à Pergunta 158, mediante argumentos igualitaristas, sociológicos e pragmáticos para favorecer a pregação feminina.

Esse tipo de hermenêutica despreza a intencionalidade dos autores originais, fazendo com que o leitor atribua um significado de sua preferência no termo original office [ofício]. Creio que o significado correto se encontra na intencionalidade dos autores. Por isso, a única interpretação do significado de office está conforme os teólogos da Assembleia de Westminster determinaram nas Questões 158-159. Veja sobre a tradução - ACESSE AQUI. Corroborando com isso, temos Chad Van Dixhoorn que define office como “uma posição ou cargo na igreja, especialmente de caráter público, a certas tarefas a que estão obrigados; um cargo de confiança, autoridade ou serviço na igreja.” Chad Van Dixhoorn, “Glossary”: office, in: The Minutes and Papers of the Westminster Assembly 1643-1652 - Introduction (London, Oxford University Press, 2012), vol. 1, p. 237.

A decisão não se limitou a aprovar a pregação feminina. Outras mudanças nocivas estão implícitas nela:

1. O Catecismo Maior de Westminster [nas questões 158 e 159] não permite a prática da pregação, nem a ordenação feminina. Os mesmos argumentos que autorizam, oficialmente, a pregação feminina, servirão favoravelmente aos que advogam a ordenação feminina. Aprovou-se não somente a legitimidade do igualitarismo prático, mas se pavimentou o caminho para a ordenação feminina.
2. Negou-se a subscrição integral, incluindo um sentido discordante do sentido e contexto original dos Padrões de Westminster. Apesar dos casos extraordinários serem discutidos nas comissões da Assembleia de Westminster, o fato é que nunca os divines admitiriam a possibilidade de uma mulher ser uma pregadora. Eles criam que o pregador era o "Ministro da Palavra e dos Sacramentos", ele era o único responsável para ministração de ambos. Essa era sua prerrogativa.
3. Criou-se um critério de negação da identidade confessional. Apesar da CI-IPB art. 1 declarar que a nossa denominação adota como fiel interpretação das Escrituras, e exigir que seus membros subscrevam integralmente os Padrões de Westminster, com esta decisão tornou-se possível subscrever reinterpretando o sentido de frases ou partes indesejáveis. A reserva mental é oficialmente aprovada em nosso concílio maior como algo legítimo.

A minha oração é que reconheçamos que erramos com essa decisão de 2018, como o fizemos no caso da "unção com óleo". Que o SENHOR Deus conduza a nossa IPB ao arrependimento, e ocorra uma revisão dessa decisão, de modo que, nos submetamos e sejamos fiéis ao ensino das Escrituras, e conforme juramos em nossa subscrição aos Padrões de Westminster.

12 dezembro 2019

A compaixão deve ser sábia - Uma abordagem no trabalho diaconal

por John Sittema


Não são somente os diáconos que demonstram misericórdia, mas toda a igreja é chamada para esta tarefa. Levar a misericórdia é missão de toda a igreja, e de cada crente. O serviço especial que realizam os diáconos é estimular e coordenar a prática da misericórdia pelos demais membros do corpo. Todavia, às vezes este assunto da misericórdia chega a complicar-se. Os diáconos de minha igreja pedem-me conselhos para resolver problemas em seu trabalho. Estes problemas podem ser o orgulho que alguns têm, que lhes impede receber a ajuda que necessitam, ou o contrário - uma atitude de querer receber tudo sem esforço pessoal, o que contribui para a preguiça e perda da autoestima. Se acrescentar o ciúme e a avareza, pronto se poderá perceber alguns dos problemas que enfrentam os diáconos.

Este artigo tem como propósito dar alguns conselhos para ajudar aos diáconos a realizarem o seu trabalho nestes tempos em que muitos estão caindo no consumismo e no materialismo. Serão citadas muitas passagens das Escrituras, e um estudo mais detalhado de cada passagem seria necessário para uma maior compreensão do ponto. Rogo a Deus que este artigo estimule a discussão entre os diáconos, e que ajude a esclarecer assuntos chaves nos desafios que enfrentam.

A misericórdia é mais do que uma esmola

A igreja guiada por seus diáconos é chamada a praticar a compaixão, o amor e o apoio para com aqueles que levam pesadas cargas em suas vidas. Esta ajuda pode ser monetária, ou “um vaso de água” (Mc 9.41), ou uma palavra de ânimo em nome de Jesus. Nalgumas ocasiões as pessoas enfrentam um inimigo mais demolidor - a perda da esperança: “O coração alegre constitui bom remédio; mas o espírito triste, seca os ossos” (Pv 17.22). Nestes casos, serão urgentes as visitas fiéis pelos diáconos (e também pelos presbíteros e pastores!), abrindo a Palavra de Deus com eles. Por outro lado, a tarefa dos diáconos com frequência inclui dar o alerta de advertência, ou prover uma admoestação – coisa que muitos não gostam. Todavia, esta tarefa em particular provê uma faceta importante a longo prazo.

Uma boa passagem é 1Ts 5.12-15, onde Paulo disse que “admoestem os insubmissos, consoleis os desanimados ...”

A igreja não é um partido político socialista

A igreja recebe ofertas do povo de Deus, e deve usá-las com benevolência. Mas recordemos que a meta não é a “redistribuição das riquezas”. Pelo contrário, a meta é o avanço do reino de Deus, tanto no sentido amplo, como também no sentido individual (veja At 6.1-7 e 2Co 8-9. Em ambos os casos o ministério diaconal ajudou que a igreja crescesse e que o reino de Deus se estendesse).

Certamente as Escrituras fazem um chamado aos ricos que sejam generosos com os necessitados (1Tm 6.18); mas, também chamam tanto aos ricos como aos pobres para o contentamento, e que não se queixem diante sua condição (1Tm 6.7-8). Hoje em dia o descontentamento está transbordando - embora eles tenham “sustento e abrigo” muitos não estão felizes. Este é um problema espiritual com consequências sérias: “Porque os que querem enriquecer caem em tentação e ciladas, e em muitas cobiças néscias e danosas, que afundam os homens em destruição e perdição” (1Tm 6.9). Recordemos que sempre teremos os pobres entre nós - em parte para provar o coração dos ricos, e também para assegurar que todos tenhamos nossa meta em Jesus, e não nas possessões materiais. Os diáconos devem focar nos corações, não em algum sentido humano da “repartição justa” dos bens.

Mantenhamos uma abordagem bíblica do sofrimento

O sofrimento dói, mas o sofrimento não prejudica. Esta distinção é crucial. Cristo nos chama a aceitar os sofrimentos como mestre da alma. Em muitas partes do Novo Testamento há o ensino que os sofrimentos humilham aos orgulhosos (algo que todos necessitamos!), nos instrui a paciência, produzem perseverança e despertam a esperança.

Quando o crente clama ao Senhor debaixo de sofrimento, outros cristãos apressam-se para ajudar. Mas quando alguns assumem uma atitude de amargura diante do sofrimento, e exigem que os diáconos removam a dor - na realidade estão desafiando a Deus. Apegamos e confessamos ao Catecismo de Heidelberg que “as riquezas e a pobreza vêm não como pelo azar, mas por seu conselho e vontade paternal” (#27). Os diáconos devem entender que sua missão não é aliviar o sofrimento. Antes, a sua tarefa é ajudar a interpretar o sofrimento e ajudar a passa-lo (não evitar), e a crescer por haver passado. Se apontamos mal neste assunto, cortaremos os bons propósitos do Senhor.

Seria como não deixar que o nosso filho aprenda as duras lições da vergonha e do castigo quando descoberto roubando algo duma loja. Seria como o pai ou mãe que não disciplina ao seu filho somente porque chora. Passagens importantes são Hb 12.7ss; Tg 1.2-12; 1Pe 4.12-19.

Não seja partícipe do néscio em sua insensatez

A insensatez tem consequências. Escolhas néscias para gastar o dinheiro, decisões néscias na criação dos filhos, e a conduta moral néscia - todos colhem muitos problemas. As Escrituras nos dizem que não sejamos partícipes com os néscios: “Nunca respondas ao néscio de acordo com a sua tolice, para que não sejas também como ele” (Pv 25.4). Imaginemos uma situação em que os diáconos recebem uma solicitação de assistência financeira de alguém que gastou milhares e milhares de reais com seu cartão de crédito, e tem sérios problemas em pagá-lo. Se a causa de seus problemas foi um furacão, um incêndio, ou uma dívida com gastos médicos - seria uma cosa. Mas outra coisa é o gasto desenfreado de dinheiro com as últimas modas, novos eletrodomésticos, equipamento eletrônico, etc. Não seria sábio oferecer ajuda financeira neste último caso. O que se deve prover é assistência diaconal em fixar prioridades e desenvolver a disciplina de manejar as prioridades. Passagens relevantes são: 2Ts 3.10; Gl 6.7ss; e Pv 16.25, 26; 17.15,16,18, 22; 18.6-7 e 19).

Mantenha a percepção de abordagem global

A instrução de At 6.3 requer que os diáconos sejam homens “cheios do Espírito e sabedoria”. Em 1Tm 3 exige homens que tenham sua casa em ordem, porque como cuidarão da casa de Deus? Por que encontramos estes requisitos? Não necessitam coletar a oferta nos dias de culto, nem mesmo que se fixe em que a usarão. Estes requisitos não têm sentido se a única coisa que os diáconos fazem é aliviar o sofrimento através de ajudas econômicas. A resposta deve ser óbvia para todos - isto NÃO é o trabalho dos diáconos! Pelo contrário, seu chamado é ajudar as pessoas a serem bons mordomos de suas vidas e recursos, a motivá-las para a generosidade, a evitar a cobiça e descontentamento, e a utilizar todos os seus recursos com sabedoria para o avanço do reino de Deus. A compaixão deve servir estes propósitos.

Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki

24 novembro 2019

Pastores e Presbíteros nas Confissões Reformadas

1. A Primeira Confissão Helvética (1536)
18. A eleição dos ministros
Para esta função deve-se garantir que qualquer um que não esteja especializado na lei divina e de vida irrepreensível, e por um singular estudo do nome de Cristo, seja preparado e julgado um ministro da igreja; e por aqueles a quem a administração foi confiada pelo magistrado cristão em nome da igreja. Aquele que foi seguramente escolhido por Deus, no entanto, precisa apropriadamente aprovado pelo voto da igreja e pela imposição das mãos dos presbíteros (1 Tm 3; Lc 12; At 1; Tt 1).[1]


2. Confissão Londrina de John à Lasco (1551)
Entretanto, a profissão dos ministros da palavra consiste na obrigação da realização destes deveres: [...] 3. Que eles cuidem da Igreja, ao lado de seus presbíteros, em seu crescimento e edificação, por meio da admoestação, consolo, repreensão e o uso da disciplina eclesiástica de acordo com a palavra de Deus (2 Tm 4; 1 Co 5).[2]


3. Vallérandus Poullain: Confissão da Congregação Glastonbury(1551)
[no fim da confissão tem os nomes e ofícios subscrevendo o documento]
Subscrito pelo Pastor e Presbíteros da Igreja Francesa de Frankfort.
Valérand Poullain, Pastor da Igreja.
Jean Murellio, doutor.
Jacques Crucius.
Louis Castalio [Castellio]
Também subscrito pelos ingleses, exilados pela e da glória do Evangelho, em nome de toda a Igreja.
John MacBriar, Ministro.
John Stanton.
William Hammond.
John Bendal.
William Whittingham.[3]


4. Confissão da Igreja Italiana em Genebra (1558)
[o pastor da Igreja Italiana de Genebra era Lattanzio Ragnone, que pastoreou entre 1557 e 1559].
Quando há quatro anos atrás os presbíteros da Igreja Italiana que está entre nós, percebeu (pelo cheiro) que entre alguns do rebanho haviam perversas palavras sendo ditas contra o primeiro princípio da nossa fé acerca das três pessoas em uma essência de Deus, pareceu-lhes que não havia melhor remédio do que uma fórmula confessional esboçada para divulgar tanto quanto possível o veneno que estava escondido. Temos nisto inserido aqui vertido palavra por palavra em Latim, a qual poderá ser subscrita.[4]

Aprovamos, recebemos e confirmamos todas as estas coisas, com a condição de que aquele que dizer de outra forma será considerado um perjuro e infiel.
Joh. Sylvester Telius, aprovo a confissão escrita e detesto qualquer coisa repugnante a ela.
Fr. Porcellinus, recebo e aprovo tudo o que abrange na confissão escrita.
Jon. Valentinus Gentilis, aceito como está.
Hippolytus Pelerinus Carignanus, aceito como está.
Joh. Nicolas Gallus, aceito como está.[5]


5. Confissão Francesa (1559)
Artigo XXIX – Oficiais da Igreja
Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada por aquela disciplina que o nosso Senhor Jesus estabeleceu, de modo que existiria na igreja, pastores, presbíteros e diáconos, que a pura doutrina possa ter o seu curso, e os vícios serem reformados e suprimidos, que o pobre e outras pessoas aflitas sejam socorridas em suas necessidades, e que em nome de Deus possa existir santas assembleias em que tanto grandes como pequenos sejam edificados.[6]

Artigo XXXI – Oficiais eleitos
Cremos que não é legítimo para qualquer homem que pela sua própria autoridade tome para si o governo da igreja, mas que todo aquele que for admitido, o seja por meio de legítima eleição, se é possível realiza-la, que o Senhor a permita. Temos expressamente adicionado a exceção, porque, durante algum tempo (como ela está caído em nossos dias), o estado da igreja esteve interrompido, Deus levantou algumas pessoas, duma maneira extraordinária, para reparar as ruínas da igreja decaída. Mas independente de como acontecer, cremos que esta norma sempre continuará, que todos os pastores, presbíteros e diáconos terão um testemunho de seu chamado aos seus respectivos ofícios.[7]


6. A Confissão Valdense (1560)
A política da Igreja verdadeira
Cremos a respeito da verdadeira igreja, que ela deve ser governada de acordo com a ordem e política estabelecida pelo nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, que precisa ser por ministros, presbíteros e diáconos, de modo que a pureza da doutrina possa obter plena realização e vícios sejam rejeitados e punidos, os pobres auxiliados em suas necessidades, e as pessoas reúnam-se em congregações em nome de Deus, onde grandes e pequenos sejam edificados.[8]

A eleição de pastores
Cremos que ninguém realizará o governo da igreja pela sua própria autoridade; antes, se fará uma eleição tanto for possível conforme a permissão de Deus. Adicionamos a isto a seguinte exceção: às vezes, é necessário, particularmente em nossos tempos, que Deus levante algumas pessoas de um modo extraordinário, de modo a edificar as igrejas novamente, que foram destruídas e arruinadas. Cremos que, em geral, podemos contar sempre com esta regra: que todos os ministros, presbíteros e diáconos têm testemunho de serem chamados aos seus ofícios.[9]


7. A Confissão de Theodore Beza (1560)
27. Do ofício do pastor e mestre
O cargo e ofício daqueles, a saber dos pastores, é que sejam diligentes e ocupem-se da sua doutrina (sob a qual também temos compreendido os sacramentos) e da oração (At 6:4), sob a qual também entendemos a benção dos casamentos dos crentes de acordo com o antigo costume da igreja.[10]

32. O terceiro grau dos ofícios eclesiásticos é a jurisdição e o ofício de presbíteros
O terceiro estado do ofício eclesiástico reside na jurisdição espiritual que foi ordenada àqueles que foram particularmente chamados nos escritos dos apóstolos e antigos escritores (tanto em concílios como em decisões canônicas) presbíteros, isto é, seniores ou anciões; os quais também, às vezes, são chamados de governos por são Paulo (1 Co 12:28), e foram escolhidos não pelo clero, mas pelo todo o corpo da igreja.[11]


8. Confissão Belga (1561)
Artigo XXX
Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada conforme a ordem espiritual, que nosso Senhor nos ensinou na sua Palavra. Deve haver ministros ou pastores para pregarem a Palavra de Deus e administrarem os sacramentos; deve haver também presbíteros e diáconos para formarem, com os pastores, o conselho da igreja. Assim, eles devem manter a verdadeira religião e fazer com que a verdadeira doutrina seja propagada, que os transgressores sejam castigados e contidos, de forma espiritual, e que os pobres e os aflitos recebam ajuda e consolação, conforme necessitam.
Desta maneira, tudo procederá, na igreja, em boa ordem, quando forem eleitas pessoas fiéis, conforme a regra do apóstolo Paulo na carta a Timóteo.[12]

Artigo XXXI
Cremos que os ministros da palavra de Deus, os presbíteros e os diáconos devem ser escolhidos para seus ofícios mediante eleição legítima pela igreja, sob invocação do nome de Deus e em boa ordem, conforme a palavra de Deus ensina. Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos, mas deve esperar a hora em que é chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza de que sua vocação vem do Senhor. Quanto aos ministros da Palavra, eles têm, onde quer que estejam, igual poder e autoridade, porque todos são servos de Jesus Cristo, o único Bispo universal e o único Cabeça da igreja. Além disto, a santa ordem de Deus não pode ser violada ou desprezada. Dizemos, portanto, que cada um deve ter respeito especial pelos ministros da Palavra e presbíteros da igreja, em razão do trabalho que realizam. Cada um deve viver em paz com eles, tanto quanto possível, sem murmuração, contenda ou discórdia.[13]


9. A Confessio Catholica Húngara (1562)
Finalmente, estabelecendo todo o ministério, a suma destas doutrinas. Este teste é conduzido publicamente na presença da igreja por pastores treinados e instruídos e outras pessoas, enquanto dois ou três presbíteros ou dois pastores próximos se reúnem. Não estamos obrigados a esta ordenação com o tribunal romano (curia), aos bispos e cardeais, ou a qualquer lugar ou pessoa; mas permitimos que ela aconteça livremente em cada igreja de Cristo.[14]


10. Confissão de Tarcal (1562) e Torda (1563)
Artigo XIV. Concernente ao ofício de pastor e doutor
Os ofícios de pastor e doutor têm em comum que eles estão engajados na proclamação da Palavra e na realização das orações, e incluímos a administração dos sacramentos, a benção matrimonial, a visitação e consolação aos doentes e todos os demais trabalhos como é costume na igreja (At 6:4; 1 Tm 4:13).[15]

Artigo XX. Concernente a espécie de ofícios na igreja que estão envolvidos no governo para o louvor e honra da Igreja
Vejamos agora a espécie de ofícios eclesiásticos que para o louvor e honra da igreja, lidam com o governo. Isto é confiado aos presbíteros (conselheiros ou anciãos, como se diz), aqueles a quem os apóstolos nomeiam nalguns lugares de “governos” e são particularmente assim chamados (1 Co 12:28; Rm 12:8); e a assembleia a quem Cristo chama de igreja (Mt 16:18), assim eles têm a honra do governo da igreja, de modo poderia suficientemente agradável para ser completamente cortado da organização da igreja em Israel. Presbíteros eram escolhidos pelo voto ou meramente pela aprovação de toda a assembleia, como é claramente percebido nos escritos de Ambrósio e Cipriano, que queixam de que alguns se aproveitam da autoridade deles.[16]

Artigo XXI. Concernente à ordem das coisas a serem realizadas no concílio ou assembleia de presbíteros
Apesar da honra do presbítero ser a mesma do pastor, como o seu ofício é um e o mesmo, mesmo assim, é necessário que todos os seus concílios sejam governados por uma certa ordem. Por esta razão, vemos que na assembleia apostólica em Jerusalém, o apóstolo Pedro foi o primeiro entre os demais (At 1:15; 2:14; 15:7).[17]


11. A Segunda Confissão Helvética (1566)
Artigo XVIII. Dos ministros da igreja, a sua instituição e ofícios
Além disso, os ministros do novo povo são designados por diversos nomes. São chamados apóstolos, Profetas, evangelistas, bispos, presbíteros, pastores e mestres (1 Co 12:28; Ef 4:11). Os apóstolos não permaneciam num lugar determinado, mas por todo o mundo iam congregando diversas igrejas. Uma vez estas estabelecidos, deixou de haver apóstolos, e, em seu lugar, apareceram pastores, cada um em sua igreja. Nos primeiros tempos eram videntes, conhecendo o futuro; mas também interpretavam as Escrituras. Tais homens são encontrados também hoje. Os escritores da história evangélica eram chamados Evangelistas; mas eram também arautos do Evangelho de Cristo; como o apóstolo São Paulo ordena a Timóteo: “Faze o trabalho de evangelista” (2 Tm 4.5). Bispos são os supervisores e vigias da Igreja, que administram o alimento e outras necessidades da vida da Igreja. Os presbíteros são os anciãos e, por assim dizer, os senadores e pais da Igreja, governando-a com sadio conselho. Os pastores não só guardam o rebanho do Senhor, como também providenciam as coisas necessárias a ele. Os mestres instruem e ensinam a verdadeira fé e piedade. Portanto, os ministros da Igreja podem, agora, serem chamados de bispos, presbíteros, pastores e mestres.[18]

Ora, o mesmo e igual poder ou função é concedido a todos os ministros na Igreja. Certamente, no princípio os bispos ou presbíteros governavam a Igreja em comum; nenhum homem se elevava acima de qualquer outro, ninguém usurpava maior poder ou autoridade sobre seus companheiros bispos. Lembrados das palavras do Senhor “aquele que dirige seja como o que serve” (Lc 22:26) conservavam-se em humildade, e pelo serviço mútuo ajudavam-se no governo e na preservação da Igreja.[19]


12. A Confissão de Antuérpia (1566)
Creio que a igreja tem um duplo governo, aquele que concerne o serviço à Deus, sendo governado por uma determinada ordem que é ordenada aos ministros, presbíteros e supervisores, diáconos, guardiões da comum ordem e disciplina; o segundo dos magistrados ordenados por Deus para a lei civil executar e administrar, a quem rendemos honra, amor e obediência em todas as coisas que não são contrárias à Deus e à salvação de nossas almas (Rm 13:1; Tt 3:1; 1 Pe 2:13; Lc 19:11; Mt 1:6ss).[20]


13. O Sínodo de Gönc (1566)
3. E, como subscrevemos nos dois sínodos a confissão da igreja de Genebra, que foi diligentemente elaborada por Theodore Beza, o ministro daquela igreja, eles deveriam ser zelosos ao comparar, ler e entender aquela confissão. Não porque ela foi escrita por Beza, mas por ela estar em concordância com a Escritura Sagrada. Também nos familiarizamos com o Catecismo de Calvino, que foi recebido pelo sínodo anterior com geral aprovação.[21]

22. Os ministros da igreja não deveriam ousar faltar às reuniões dos sínodos. Àqueles que não estiverem presentes deveria exigir que oferecessem a verdadeira razão da sua ausência aos seus presbíteros.[22]


14. Documentos do Sínodo de Debrecen (1567)
XX. Os presbíteros precisam ser líderes não somente na igreja, mas também do clero. Desejamos não somente fazer dos pastores a liderança da igreja, mas também, de acordo com a Palavra de Deus, fazer dos supervisores e presbíteros a liderança do clero e presidir na assembleia de pastores. Deixem que os pastores guiem na verdadeira e sólida doutrina, convencendo os adversários e replicando aos oponentes (1 Tm 1; Tt 1).[23]

XXVII. Que todas as pessoas se submetam e obedeçam aos seus bispos, presbíteros e prelados devotamente no Senhor; que os presbíteros, entretanto, não governem sobre a ordem eclesiástica da maneira dos soldados e tiranos, como no reino do Anticristo. Como está escrito: “nem como dominadores da herança do Senhor” (1 Pe 5:3), mas “sejam submissos para com eles que vão adiante de vocês” (Hb 13:17).[24]


15. Consensus Sandomierz (1570)
Há também bispos ou pastores que não somente governam e os sacramentos para a igreja de Deus, mas também diligentemente cuidam das necessidades de todas as suas congregações. Presbíteros ou anciãos foram escolhidos entre os irmãos, de modo que eles podem servir aos mais jovens com os seus conselhos vigiar a sua prática e comportamento.[25]


16. A Confissão de La Rochelle (1571)
Cremos, quanto à verdadeira igreja, que ela deveria ser governada de acordo com a ordem estabelecida pelo nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, sendo por pastores, supervisores, diáconos, de modo que a pureza da doutrina seja preservada, que os pecados sejam corrigidos e restringidos, que o pobre e todos os aflitos encontrem auxílio para as suas necessidades, que as assembleias sejam sustentadas em nome de Deus, e que os adultos reunidos com as crianças sejam edificados.[26]


17. Catecismo de Craig (1581)
Q. E se estivermos bem instruídos pelos nossos pastores?
R. Precisaremos continuamente desta instrução até o fim.

Q. Por que se somos suficientemente instruídos?
R. Deus estabeleceu esta ordem em sua igreja para que continuamente a nossa necessidade seja instruída.

Q. O que concluímos disso?
R. Que os ministros ou pastores são-nos necessários.[27]

[...]

Q. Quem administrará os sacramentos?
R. Somente o ministro da Palavra de Deus.[28]

[...]

Q. Por qual motivo alguns homens poderiam ser excluídos do sacramento? (Mt 18:17)
R. Pelo julgamento dos presbíteros da igreja.

Q. Por quem e quando poderiam tais pessoas serem admitidas? (1 Co 1:7).
R. Pelos presbíteros, após examinarem o seu arrependimento.

Q. O que é o ofício deste presbiterato?
R. Eles devem supervisionar os costumes dos homens e o exercício disciplinar.[29]


18. Sínodo Geral de Herborn (1586)
Primeira sessão das 6 às 10h
7. De modo que o ofício da pregação e o ofício regente, tanto quanto possível, como é exigido, sejam promovidos por meio de admoestações e consolação.[30]

Segunda sessão das 15 às 18h
1. Quanto ao artigo dos ofícios, que são tanto: (1) os ministros [pregadores]; (2) os professores (doutores); (3) os presbíteros [seniores]; (4) os diáconos.
2. Ninguém ensinará na igreja sem um legítimo chamado.
3. Ninguém ensinará em outra congregação sem a concordância do consistório local.
4. O chamado ocorre por meio da decisão da classe [presbitério] e de uma pluralidade de presbíteros, à qual o chamado pertence: (1) a eleição; (2) o exame; (3) a aprovação; (4) a confirmação do ofício ou ordenação.[31]
[...]
9. Prevalecerá igualmente na distribuição das responsabilidades entre ministros, presbíteros e membros do diaconato em concordância com recomendação da classe.[32]
[...]
16. O ofício dos anciãos ou presbíteros, além do que eles têm em comum com os ministros, consiste em observar se os ministros fazem a obra diligentemente e apresentando um bom exemplo ao rebanho.[33]
[...]
58. Os ministros da Palavra, diante da celebração da Ceia do Senhor, com os presbíteros, diáconos podem sofrer uma censura da doutrina e conduta entre eles.[34]


NOTAS:
[1] James T. Dennison, Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1523-1552. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 1, p. 348.
[2] Vol. 1, p. 575.
[3] Vol. 1, p. 662.
[4] James T. Dennison, Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1552-1566. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 2, p. 114.
[5] Vol. 2, 116.
[6] Vol. 2, p. 150.
[7] Vol. 2, p. 151.
[8] Vol. 2, p. 226.
[9] Vol. 2, p. 227.
[10] Vol. 2, p. 316.
[11] Vol. 2, p. 322.
[12] Vol. 2, pp. 442-443.
[13] Vol. 2, p. 443.
[14] Vol. 2, p. 609.
[15] Vol. 2, p. 731.
[16] Vol. 2, p. 737.
[17] Vol. 2, p. 737.
[18] Vol. 2, pp. 852-853.
[19] Vol. 2, p. 856.
[20] Vol. 2, p. 885.
[21] Vol. 2, p. 896. Veja a Confissão de Theodore Beza (1560).
[22] Vol. 2, p. 898.
[23] James T. Dennison Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1567-1599. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 3, p. 112.
[24] Vol. 3, p. 114-115.
[25] Vol. 3, p. 225.
[26] Vol. 3, pp. 318-319.
[27] Vol. 3, p. 589.
[28] Vol. 3, p. 592.
[29] Vol. 3, p. 600.
[30] Vol. 3, p. 620.
[31] Vol. 3, p. 621.
[32] Vol. 3, p. 621.
[33] Vol. 3, p. 622.
[34] Vol. 3, p. 628.

21 setembro 2019

PROGRAMA DE TREINAMENTO PARA OFICIAIS DA IGREJA - modelo 2

Por Rev. Ewerton B. Tokashiki

A escolha de oficiais ocorrerá:
1. O planejamento do cronograma
2. O conteúdo do estudo
3. O processo de treinamento
4. O exame do Conselho
5. A eleição da Assembleia Extraordinária
6. A ordenação dos oficiais


I. PROGRAMA DO TREINAMENTO
1. Definição quanto ao número de vagas
2. Agendamento das datas para o treinamento/leituras
3. Estudos na EBD – Classe Conjunta [sobre os ofícios]
4. Distribuir para a igreja textos sobre qualificações dos ofícios
5. Distribuir para a igreja “A indicação de candidatos a oficialato”
6. Limite de data para indicação de nomes [documento preenchido e assinado]
7. Realização dos cursos em formato de módulos.
a. Curso sobre Identidade Presbiteriana [1 aula]
b. Curso sobre os ofícios [3 aulas]
c. Curso sobre Padrões de Westminster [2 aulas]
d. Curso sobre Manual Presbiteriano [1 aula]
8. Os aspirantes deverão entregar ao Conselho:
a. Uma declaração de leitura dos textos exigidos.
b. Declaração de subscrição confessional.
9. Exame pelo Conselho dos aspirantes.
10. Realização da Assembleia Extraordinária para eleição de oficiais.
11. Participação da Reunião do Conselho para registro em ata e assinatura do “Livro de Registro de Eleição e Subscrição Confessional” [Obs.* fazer levantamento dos nomes de todos os presbíteros que serviram na IPB 1ª Teófilo Otoni].
12. Cada oficial eleito receberá um Manual Presbiteriano e os Padrões de Westminster [caso não os tenha].

II. TEXTOS DO TREINAMENTO
1. “A história do Presbiterianismo” por Alderi Matos
2. “Manual de treinamento de oficiais” por Ligon Duncan [traduzir]
3. “Como selecionar presbíteros e diáconos” por Ronald Barns
4. “A duas ordens de ofícios” por George Knight III
5. “Os deveres dos presbíteros” por Daniel R. Hyde [traduzir]
6. “Firme Fundamento - A Identidade Reformada” por Ewerton B. Tokashiki
7. “Estudo dirigido da Confissão de Fé e Catecismo Maior de Westminster” por Ewerton B. Tokashiki [John R. Hilbelink, Joseph Pipa Jr, Gary Crampton e Chad Van Dixhoorn].
8. “A subscrição confessional” por Morton H. Smith
9. “Votos quebrados” por G.I. Williamson
10. “Honestidade e honra denominacional” por William G.T. Shedd
11. “Diretrizes para as reuniões do Conselho” por Ewerton B. Tokashiki
12. “Por que deveríamos ser zelosos no exame de candidatos a membros?” por Ewerton B. Tokashiki
13. “Questionário de autoexame para os candidatos ao oficialato” por Ewerton B. Tokashiki

III. ROTEIRO DO TREINAMENTO
1. Os oficiais da Igreja de Cristo
2. As qualificações para o exercício dos ofícios
3. Os dons necessários para servir
4. A ação pastoral dos oficiais
a. A preservação das marcas de pureza da Igreja
b. A evangelização/discipulado
c. A supervisão do rebanho
d. O aconselhamento bíblico
e. A visitação dos lares
5. A ação administrativa dos oficiais
a. Os princípios de liderança
b. A reunião do Conselho e da Junta Diaconal
c. A confecção de documentos
6. A relação entre os oficiais
a. O cuidando das necessidades do pastor
b. A supervisão do seu ensino/pregação
c. A assistência da liderança pastoral
d. O trabalho coordenado dos presbíteros e diáconos
7. Tratando conflitos interno
a. Servos, não donos do rebanho
b. A prevenção pela orientação
c. A prática de Mt 18
d. A disciplina acompanhada

Nota: o curso poderá ser aberto para toda a igreja.

PROGRAMA DE TREINAMENTO PARA OFICIAIS DA IGREJA - modelo 1

Por Rev. Ewerton B. Tokashiki

Ementa: objetiva o treinamento de homens para ocuparem e exercerem os ofícios de presbíteros e diáconos da IPB. O curso terá duração de 1 ano, constituindo-se de instrução teórica e prática. Quanto à instrução teórica os aspirantes terão leituras direcionadas e participação em módulos. O treinamento prático do curso abrangerá o exercício de discipulado, docência na EBD, habilidade em pregação, acompanhamento em visitações e atividades pastorais.

Temas dos módulos:
Os módulos terão a periodicidade mensal. Eles serão oferecidos conforme a agenda da igreja local. Cada módulo será realizado com aulas expositivas, leitura de literatura selecionada, atividades extraclasses e avaliação final.
1. Curso de Discipulador
2. Curso de Identidade Reformada
3. Curso dos Padrões de Westminster
4. Curso de Hermenêutica
5. Curso de Homilética
6. Curso de Professores de EBD
7. Curso de Oficial Eclesiástico
8. Curso de Visitação e Cuidado Pastoral
9. Curso de Constituição da IPB

Público alvo: O curso visa instruir, treinar e capacitar para servir a igreja local. Por isso, qualquer membro [homens e mulheres] poderão participar do curso a fim de compreenderem, e melhor servirem nos diferentes ministérios da igreja local. Entretanto, os aspirantes ao oficialato deverão participar do curso como exigência para a ordenação.

1. MÓDULO DE DISCIPULADOR
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. O que é discipulado?
2. Princípios do discipulado bíblico.
3. Como discipular? [discipulado básico e avançado].
4. O que ensinar? [discipulado básico e avançado].
5. A prática do discipulado.

2. MÓDULO DE IDENTIDADE REFORMADA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. O sistema de governo presbiteriano.
2. A nossa herança confessional.
3. Calvinismo: Deus é soberano sobre tudo.
4. O cessacionismo: a única regra de fé e prática.
5. A teologia do pacto.
6. O princípio regulador do culto.

3. MÓDULO DOS PADRÕES DE WESTMINSTER
Ementa: o curso terá duração de 2 semanas.
P.S.* O Breve Catecismo de Westminster será usado com a finalidade de memorização das definições teológicas. Adotaremos em nosso curso o Catecismo Maior de Westminster, seguindo a proposta dos teólogos da Assembleia de Westminster, que visava o treinamento de oficiais e adultos.
Aulas:
1. A história da Assembleia de Westminster
2. A estrutura do Catecismo Maior de Westminster [e do BCW]
3. A teologia do Catecismo Maior de Westminster – aula 1
4. A teologia do Catecismo Maior de Westminster – aula 2
5. A ética do Catecismo Maior de Westminster
6. A estrutura da Confissão de Fé de Westminster
7. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 1
8. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 2
9. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 3
10. A prática da subscrição integral

4. MÓDULO DE HERMENÊUTICA BÁSICA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A história da interpretação da Bíblia.
2. Quem determina o significado?
3. O que significa este texto? – análise gramatical.
4. Descobrindo o contexto, cultura e HGAB.
5. Estudando com ferramentas exegéticas.

5. MÓDULO DE HOMILÉTICA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A autoridade do pregador.
2. A pregação expositiva
3. A escolha do texto / programa de pregação em série.
4. A estrutura do sermão.
5. A entrega do sermão.

6. MÓDULO DE PROFESSORES DE EBD
Ementa: o curso terá duração de 1 semana.
Aulas:
1. O que é educação cristã?
2. A autoridade do professor
3. O preparo das aulas.
4. O material de apoio para pesquisa.
5. A interação professor e alunos.

7. MÓDULO DE OFICIAL ECLESIÁSTICO
Ementa: duração de 2 semanas.
Aulas:
1. A origem e natureza dos presbíteros.
2. A função na igreja local dos presbíteros.
3. A função conciliar dos presbíteros.
4. A origem e natureza dos diáconos.
5. A função dos diáconos.
6. A qualificação dos oficiais.
7. Os perigos do oficialato.
8. A doutrina da ordenação.
9. O treinamento administrativo.
10. O treinamento de liderança.

8. MÓDULO DE VISITAÇÃO E CUIDADO PASTORAL
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A importância da visitação
2. Objetivo da visitação
3. O que fazer na visitação.
4. Tipos diferentes de visitação.
5. O cuidado pastoral.

9. MÓDULO DE CONSTITUIÇÃO DA IPB
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A Constituição da IPB.
2. O Código de Disciplina da IPB.
3. Os Princípios de Liturgia da IPB.
4. As decisões e recursos conciliares.
5. A confecção de documentos.