Apresento de modo sistemático uma declaração da cosmovisão reformada. Este é um resumo de como interpretamos o mundo a partir de uma perspectiva calvinista, os acontecimentos e como a vida está sob o governo e relacionada com o soberano Deus, e como todos os valores se organizam a partir dele.
1. Cremos que Deus é um Ser em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. O nosso Deus é infinito, eterno, perfeito, autossuficiente e imutável em seu Ser. Ele em tudo manifesta a sua bondade, conhecimento, sabedoria, poder, e a justiça segundo o seu soberano propósito eterno. Ele é o criador de tudo o que existe, pela Palavra do seu poder. Ele realiza, em tudo e todos, a sua sábia providência, de modo que, não existe acaso, nem fatalismo nos acontecimentos que vivenciamos, mas o absoluto controle em cada situação é a realização da sua perfeita vontade. Tudo o que ele realiza é reflexo daquilo que ele é. As nossas vidas e nossas famílias estão seguras em suas misericordiosas mãos.
2. Cremos que o nosso Deus é pessoal. Ele se revelou através de homens escolhidos, de eventos em diversos momentos e finalmente em seu Filho, e tudo o que é proveitoso para desvendar o seu Ser e a sua vontade, ele inspirou de modo escrito, para evitar a corrupção e o engano. Ele fez que se registrasse a sua Palavra progressivamente, para que se tornasse o livro de mediação e revelação das suas obras e do seu propósito conosco. Hoje, Deus fala verbalmente conosco somente na sua inspirada Palavra, pois, cessaram os agentes revelacionais [apóstolos e profetas], as modalidades revelacionais e a entrega de novas revelações. Por isso, submetemo-nos somente à autoridade da Escritura Sagrada como sendo a única fonte e regra de fé e prática. Somente ela é a inerrante, clara e suficiente Palavra de Deus. Em sua Palavra, Deus o padrão absoluto da verdade, bem como explica a origem do universo, da vida e das espécies, quem somos, qual o propósito da nossa vida, indicando a finalidade de toda a existência que é glorificá-lo e desfrutar dos benefícios da sua comunhão.
3. Cremos que o ser humano é criado à imagem de Deus. Deus criou a humanidade: homem e mulher, e ambos de igual modo refletem com dignidade espiritual os atributos que Deus lhes comunicou e, também representam o Senhor como administradores responsáveis de preservar e usufruir da criação. Tanto o homem como a mulher, são iguais em capacidade e responsabilidades; mas o homem deve exercer a sua autoridade como cabeça sobre a mulher, e esta liderança masculina deve ser sem opressão, nem omissão, pois, embora tendo diferentes papéis, exercem funções complementares. O casamento faz parte do projeto pactual de Deus conosco, por isso, a união entre Cristo e a Igreja é o paradigma do casamento. O casamento, entre um homem e uma mulher adultos, é um valor ético que devemos nutrir e defender contra toda ideologia de gênero e os intentos pós-modernos de reconfigurar a família.
4. Cremos que Deus fez uma aliança de vida com Adão. Como o nosso primeiro pai, ele foi o nosso representante nesta aliança. Todavia, sendo Adão tentado por Satanás, ele violou este pacto ao desobedecer um claro comando de Deus, perdendo a comunhão espiritual e todos os seus benefícios prometidos. Toda criação que era “muito boa” tornou-se corrompida em seu sistema ecológico. Sobre toda a humanidade foi creditada esta maldição, o pecado é a herança natural que todos recebem de Adão. Por causa deste mal moral todos perderam a santidade, a justiça e o conhecimento perfeito de Deus. O pecado produz inimizade, perda de significado, e por fim, a vergonhosa morte. Embora corrompidos, ainda somos portadores da imagem de Deus.
5. Cremos que Satanás e seus demônios, agentes do mal, conspiram contra tudo o que procede de Deus. Ele tentou os nossos primeiros pais, e os induziu a rebelião contra Deus, e nos confronta tentando seduzir-nos, despertando a nossa cobiça e aguçando o nosso orgulho. Ele é soberbo, assassino, acusador, e inimigo de Deus. Satanás não é co-igual a Deus, pelo contrário, ele é uma criatura submissa ao controle soberano do Senhor. O nosso acusador está condenado, e haverá de ser banido ao sofrimento eterno sob a justa ira no juízo de Deus.
6. Cremos que o mal é tão real quanto indesejável o sofrimento por ele produzido em toda a criação. Entretanto, o mal físico é parte da consequente maldição do pecado herdado dos nossos primeiros pais. O pecado gera desordem e destruição no indivíduo e sociedade. Todavia, não acreditamos que Deus seja mero espectador da presença do pecado na história da humanidade, mas de modo misterioso participante de tudo o que acontece, sem ser o culpado do pecado, e sem anular a responsabilidade do pecador. Cremos que todas as coisas, em especial aquelas que parecem escombros depois da destruição do pecado, são matéria-prima que Deus está usando para transformar a nossa vida, conforme à imagem de Cristo, em seu louvor e glória.
7. Cremos que o nascimento de Jesus Cristo teve o propósito de reconciliar pecadores escolhidos com o santo Deus. Sendo o Filho de Deus uma Pessoa que subsiste em duas naturezas, divina e humana, é o completo e final revelador entre Deus e os homens. O sofrimento, obediência, morte e ressurreição de Cristo obtiveram a justiça necessária para merecer-nos a aceitação de Deus, bem como a suficiente satisfação da sua ira, realizando a anulação da condenação pelos nossos pecados. Somos perdoados pela justiça e amor de Cristo Jesus, o nosso mediador. Ele eficazmente intercederá por nós até a Sua segunda vinda. A obra de Cristo é o fundamento para a renovação de toda a criação pela presença espiritual e transformadora do Seu reino, que foi inaugurado.
8. Cremos que o Espírito Santo inicia a obra da salvação em nós, regenerando e concedendo-nos entendimento espiritual para crermos em Cristo como o nosso salvador. Recebemos no poder do Espírito, e pela aplicação da Palavra de Deus em nós, o dom da fé salvadora e arrependimento necessário para a nossa conversão. Em Cristo a justificação é declarada e creditada a nós. Através da adoção somos feitos participantes da família de Deus. A santificação estimulada pelo Espírito e, exercida em nossos pensamentos, emoções e ações confirmam a nossa eleição e filiação divina. Somos preservados em graça, pelo poder de Deus, para sermos continuamente salvos até o fim. Deus tem uma graciosa Aliança da graça conosco e os nossos filhos, tendo o Senhor Jesus como o nosso único mediador.
9. Cremos que o Espírito Santo está presente em nós num relacionamento pactual conosco, habitados por ele, somos batizados no Corpo de Cristo. Ele continua a pairar acima do caos causado pelo pecado, todavia, sem estar alienado ao mal que há no mundo, mas convence-nos da justiça e do juízo, e concede forma à nova criação e fazendo-nos novas criaturas pela regeneração. O Espírito nos une como Igreja, capacitando-nos com dons para o serviço e edificação pela prática da comunhão mútua. Ele testemunha internamente, pela iluminação da Palavra de Deus, e somos continuamente santificados sob a sua poderosa influência. Toda a sua obra tem a finalidade de glorificar a Cristo.
10. Cremos que a Igreja é responsável de ser testemunha da verdade e do amor de Deus neste mundo afetado pelo pecado. Somos o povo escolhido para proclamarmos a mensagem de reconciliação e perdão, convidando pecadores ao arrependimento, para confiarem na suficiência de Cristo para a sua salvação. Temos o compromisso de ouvir, viver e ensinar a Palavra de Deus. A salvação não é somente da nossa alma, mas da nossa mente, cultura e sociedade, apresentando o evangelho integral para o homem em todas as suas necessidades. Cuidamos uns dos outros no amor de Deus, vivendo uma comunhão de reciprocidade e compromisso, proporcionando um ambiente de fraternidade e santidade. A Igreja visível é a comunhão daqueles que professam Cristo como o Senhor, reunidos para a celebração, a adoração, a comunhão, edificação e serviço. Buscamos intimidade com Deus através da Palavra, oração e dos sacramentos e, confirmamos a nova aliança com Deus simbolizada pelo do batismo e ceia do Senhor. A imagem de Deus é vivida na mutualidade dos relacionamentos.
11. Cremos que o objetivo histórico da obra de Cristo foi a inauguração do seu reino sobre a terra. Isto inclui a salvação de indivíduos, bem como uma nova ordem na sociedade. Todavia, cremos que somente com os valores do reino de Deus, num discipulado integral, em que os cristãos se envolvem produtivamente em todas as áreas da vida, podendo participar pelo processo de restauração, transformação e desenvolvimento, reconhecendo Cristo como o Senhor em todas as esferas da nossa existência.
12. Cremos que este mundo experimenta a deterioração dos valores que Deus estabeleceu para preservá-lo. A falta de sentido e propósito também produz a desesperança. A sociedade busca a sua redenção na tecnologia, cultura, política, economia e no sexo, todavia, estes meios são ineficazes de transformá-la construtivamente. Reconhecemos que várias formas de idolatria são fabricadas pela cultura pós-moderna. Mas, infelizmente, a sociedade inclina-se a não reconhecer a verdade como absoluta, ridicularizando a concepção e a ação de Deus no mundo. Estamos chegando ao fim da história humana não em direção ao desespero e caos, mas à consumação do propósito eterno de Deus. Cristo Jesus julgará toda a humanidade de todas as épocas e culturas, a uns dará a salvação segundo a sua misericórdia, e a outros segundo a sua justiça concederá a merecida condenação dos seus pecados.
13. Cremos que o nosso mundo pertence a Deus. Apesar de toda miséria e dor, todas as coisas estão sob o seu absoluto controle. A nossa esperança de uma nova terra não está presa ao que os homens podem fazer, porque cremos que após o dia do Juízo, todo desafio ao governo de Deus, e toda resistência a sua vontade será anulada, o seu reino, que é inaugurado entre nós, se manifestará em sua plenitude, e o nosso Senhor Jesus governará para sempre com o seu povo. Assim “Deus enxugará dos olhos toda lágrima”, Ele abolirá as nossas enfermidades, findará os nossos conflitos, e implantará a Sua perfeita justiça sobre a terra.
A cosmovisão cristã deve ser implantada pela influência da Igreja em todas as esferas da sociedade. O verdadeiro cristianismo propõe que crer e também pensar. Em tudo dependemos de Deus, para ele vivemos e a ele pertencemos, e isso só é possível se a nossa mente for dominada com a verdade (Rm 11:33). A mentira de que a fé não precisa da razão deve ser desprezada, e afirmado que a razão sem a fé se torna em loucura (Rm 1:22-23). James Orr acertadamente disse que “uma religião divorciada do pensamento rigoroso e elevado pode ser vista no curso inteiro da história da Igreja, e por isso, ela sempre tendeu a ser débil, árida e pouco saudável; bem como o intelecto privado de seus direitos dentro da religião, buscou a sua satisfação fora dela, e se transformou num racionalismo secular”. Este é um erro que não podemos repetir. Cada membro de nossa igreja precisa se convencer de que uma fé vigorosa somente glorifica a Deus se ela estiver comprometida com toda a verdade. A finalidade da nossa vida é glorificar a Deus, e a nossa mente não pode ser desprezada no desemprenho deste dever, porque como disse: crer é também pensar!
O labor teológico de quem se preocupa em oferecer a sistematização e aplicabilidade das Escrituras para a proclamação do Reino de Deus
07 abril 2016
05 abril 2016
Cremos na Teologia do Pacto
A Teologia Pacto é desconhecida por muitos dos atuais presbiterianos. Aplica-se a advertência de Hugh Martin de que “acontece, assim tememos, que a teologia federal está no presente sofrendo uma grande medida de negligência a ponto de ninguém considerá-la entre nós num futuro imediato da Igreja”.[1] De fato, esta antiga declaração também se aplica aos presbiterianos brasileiros. Percebemos uma negligência no ensino desta doutrina que é essencial para a nossa identidade reformada. A nossa hermenêutica, a organização sistemática, bem como a nossa prática eclesiástica e a nossa ética dependem do nosso entendimento da teologia do pacto.
O modo como entendemos toda a história da salvação estrutura-se no pacto de Deus conosco. Segue abaixo um resumo da Teologia do Pacto:[2]
1. A teologia do pacto estrutura a totalidade da revelação bíblica. De Gênesis a Apocalipse há uma unidade pactual. Por isso, cremos que há uma unidade contínua em toda a Escritura e que a Igreja é a soma dos eleitos do Antigo e Novo Testamento, tendo apenas uma aliança, reino e um modo de salvação.
2. A teologia reformada clássica ensina três pactos: o pacto de redenção, o pacto da graça e pacto das obras. Eles são desdobramentos da mesma obra de Deus no decreto, criação, providência, redenção e consumação.
3. O pacto da redenção é o eterno decreto da Trindade em que tudo foi decidido antes da criação do mundo. Louis Berkhof observa que “Essa aliança eterna [da redenção] é o fundamento firme da aliança da graça. Se não houvesse conselho eterno de paz entre o Pai e o Filho, não poderia ter havido acordo entre Deus e o pecador. A aliança da redenção torna possível a aliança da graça”.[3]
4. O pacto das obras é a perfeita lei de Deus imposta ao homem para uma obediente resposta aos mandatos espiritual, cultural e social. Esta lei que originalmente foi declarada antes da Queda e escrita no coração do homem, ela é posteriormente registrada em tábuas de pedra.
5. Na história da salvação o pacto da redenção significa obras para Cristo e graça para nós. O Filho deveria obedecer satisfatoriamente todas exigências da lei de Deus.
6. Cristo cumpriu as obrigações legais do pacto da redenção em sua obediência ativa e passiva como o representante dos eleitos. Ele pode conceder redenção ao seu povo escolhido.
7. O pacto da graça é a administração progressiva da lei/evangelho na história da redenção do Antigo e Novo Testamento. Deus redime revelando graça aos eleitos, que pela fé, recebem do Mediador as promessas do pacto da graça. Assim, toda a comunidade do pacto será, em Cristo, redimida para a sua glória. O pacto é um vínculo de amor do Pai, merecido pelo Filho e concedido pelo Espírito Santo aos seus eleitos.
8. Jesus Cristo é o mediador do pacto. Nele recebemos aceitação e perdão do Pai, a nossa condenação é satisfeita, e a sua justiça é imputada em nosso favor nos adotando como filhos de Deus. A salvação é um vínculo pactual entre os eleitos, pela mediação de Cristo, com o Pai.
9. Deus tem apenas um povo. Israel e a Igreja formam uma única comunidade pactual, universal e local, no decorrer da antiga e nova aliança confessando o senhorio de Jesus Cristo.
10. Todos os cristãos são ordenados a unirem-se, a fim de formar parte de uma verdadeira comunidade pactual governada pela Escritura Sagrada. Deus instituiu oficiais extraordinários e ordinários para o governo de sua Igreja. Os oficiais extraordinários como os reis, profetas e sacerdotes no Antigo Testamento, bem como os apóstolos e profetas do Novo Testamento foram transitórios. No novo pacto os oficiais permanentes são os presbíteros e diáconos.
11. Na antiga aliança os sinais sacramentais eram a circuncisão e páscoa que na nova aliança foram substituídos pelo batismo e ceia do Senhor. Os sinais de uma verdadeira comunidade pactual que confessa a Cristo são a fiel pregação do Evangelho (o pacto da graça), a correta administração dos sinais e selos pactuais (os sacramentos: batismo e a ceia do Senhor) e a zelosa aplicação da disciplina. O batismo infantil somente é compreendido estruturalmente a partir da doutrina do pacto.
12. A revelação é progressiva no decorrer de toda a história da salvação alcançando a sua plenitude ao completar o fundamento apostólico. Ao completar o registro da revelação com o fechamento do cânon, os antigos modos cessaram, e não há mais comunicação de novas revelações, o retorno das antigas modalidades, nem o ressurgimento dos agentes revelacionais. Somente a Escritura Sagrada é a Palavra de Deus na plena transição da nova aliança.
13. Uma vida cristã integral não pode ser vivida saudavelmente fora de uma verdadeira comunidade pactual que confesse o senhorio de Cristo.
A teologia do pacto é tão essencial à teologia reformada que modificar a teologia do pacto é distorcer a substância da teologia reformada.
J.I. Packer resume bem a relação pactual de Deus conosco, ao escrever que
Todo o nosso relacionamento com Deus somente é possível porque Cristo perfeitamente cumpriu satisfatoriamente todo o pacto. Este pacto que foi estabelecido entre o Pai e o Filho, na eternidade e, realizado na história. Consumada a sua obra o Senhor Jesus nos recebe como seus pelo pacto da graça, e por ter cumprido o pacto das obras Ele nos torna misericordiosamente aceitáveis diante do Pai, concedendo-nos todos os benefícios de seus méritos.
NOTAS:
[1] Citado em John L. Giardeau, The Federal Theology: its import and its regulative influence (Greenville, Reformed Academic Press, 1994), p. 5.
[2] Alguns teólogos e tradutores preferem o termo “pacto” enquanto outros usam “aliança”, mas isto em nada afeta o seu significado bíblico. Os termos Teologia Federal, Teologia do Pacto ou da Aliança são sinônimos.
[3] Louis Berkhof, Manual de doutrina cristã (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2012), p. 115.
[] J.I. Packer, Teologia Concisa (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2004), pp. 82-83.
O modo como entendemos toda a história da salvação estrutura-se no pacto de Deus conosco. Segue abaixo um resumo da Teologia do Pacto:[2]
1. A teologia do pacto estrutura a totalidade da revelação bíblica. De Gênesis a Apocalipse há uma unidade pactual. Por isso, cremos que há uma unidade contínua em toda a Escritura e que a Igreja é a soma dos eleitos do Antigo e Novo Testamento, tendo apenas uma aliança, reino e um modo de salvação.
2. A teologia reformada clássica ensina três pactos: o pacto de redenção, o pacto da graça e pacto das obras. Eles são desdobramentos da mesma obra de Deus no decreto, criação, providência, redenção e consumação.
3. O pacto da redenção é o eterno decreto da Trindade em que tudo foi decidido antes da criação do mundo. Louis Berkhof observa que “Essa aliança eterna [da redenção] é o fundamento firme da aliança da graça. Se não houvesse conselho eterno de paz entre o Pai e o Filho, não poderia ter havido acordo entre Deus e o pecador. A aliança da redenção torna possível a aliança da graça”.[3]
4. O pacto das obras é a perfeita lei de Deus imposta ao homem para uma obediente resposta aos mandatos espiritual, cultural e social. Esta lei que originalmente foi declarada antes da Queda e escrita no coração do homem, ela é posteriormente registrada em tábuas de pedra.
5. Na história da salvação o pacto da redenção significa obras para Cristo e graça para nós. O Filho deveria obedecer satisfatoriamente todas exigências da lei de Deus.
6. Cristo cumpriu as obrigações legais do pacto da redenção em sua obediência ativa e passiva como o representante dos eleitos. Ele pode conceder redenção ao seu povo escolhido.
7. O pacto da graça é a administração progressiva da lei/evangelho na história da redenção do Antigo e Novo Testamento. Deus redime revelando graça aos eleitos, que pela fé, recebem do Mediador as promessas do pacto da graça. Assim, toda a comunidade do pacto será, em Cristo, redimida para a sua glória. O pacto é um vínculo de amor do Pai, merecido pelo Filho e concedido pelo Espírito Santo aos seus eleitos.
8. Jesus Cristo é o mediador do pacto. Nele recebemos aceitação e perdão do Pai, a nossa condenação é satisfeita, e a sua justiça é imputada em nosso favor nos adotando como filhos de Deus. A salvação é um vínculo pactual entre os eleitos, pela mediação de Cristo, com o Pai.
9. Deus tem apenas um povo. Israel e a Igreja formam uma única comunidade pactual, universal e local, no decorrer da antiga e nova aliança confessando o senhorio de Jesus Cristo.
10. Todos os cristãos são ordenados a unirem-se, a fim de formar parte de uma verdadeira comunidade pactual governada pela Escritura Sagrada. Deus instituiu oficiais extraordinários e ordinários para o governo de sua Igreja. Os oficiais extraordinários como os reis, profetas e sacerdotes no Antigo Testamento, bem como os apóstolos e profetas do Novo Testamento foram transitórios. No novo pacto os oficiais permanentes são os presbíteros e diáconos.
11. Na antiga aliança os sinais sacramentais eram a circuncisão e páscoa que na nova aliança foram substituídos pelo batismo e ceia do Senhor. Os sinais de uma verdadeira comunidade pactual que confessa a Cristo são a fiel pregação do Evangelho (o pacto da graça), a correta administração dos sinais e selos pactuais (os sacramentos: batismo e a ceia do Senhor) e a zelosa aplicação da disciplina. O batismo infantil somente é compreendido estruturalmente a partir da doutrina do pacto.
12. A revelação é progressiva no decorrer de toda a história da salvação alcançando a sua plenitude ao completar o fundamento apostólico. Ao completar o registro da revelação com o fechamento do cânon, os antigos modos cessaram, e não há mais comunicação de novas revelações, o retorno das antigas modalidades, nem o ressurgimento dos agentes revelacionais. Somente a Escritura Sagrada é a Palavra de Deus na plena transição da nova aliança.
13. Uma vida cristã integral não pode ser vivida saudavelmente fora de uma verdadeira comunidade pactual que confesse o senhorio de Cristo.
A teologia do pacto é tão essencial à teologia reformada que modificar a teologia do pacto é distorcer a substância da teologia reformada.
J.I. Packer resume bem a relação pactual de Deus conosco, ao escrever que
a estrutura da aliança compreende a inteira administração da graça soberana de Deus. O ministério celestial de Cristo continua a ser o de Mediador de uma nova aliança (Hb 12:24). A Salvação é a salvação da aliança; a justificação, a adoção, a regeneração e a santificação são as misericórdias da aliança; a eleição foi a escolha que Deus fez dos futuros membros da comunidade de sua aliança, a Igreja; o batismo e a Ceia do Senhor, correspondendo à circuncisão e à Páscoa, são ordenanças da aliança; a lei de Deus é a lei da aliança, e sua observância é a expressão mais verdadeira de gratidão pela aliança da graça e de lealdade ao nosso Deus da aliança. Pactuar com Deus em resposta à sua aliança conosco deve constituir um exercício devocional regular para todos os crentes, seja na privacidade ou na Mesa do Senhor. Uma compreensão da aliança da graça guia-nos do começo ao fim e ajuda-nos a apreciar as maravilhas do amor salvífico de Deus.[3]
Todo o nosso relacionamento com Deus somente é possível porque Cristo perfeitamente cumpriu satisfatoriamente todo o pacto. Este pacto que foi estabelecido entre o Pai e o Filho, na eternidade e, realizado na história. Consumada a sua obra o Senhor Jesus nos recebe como seus pelo pacto da graça, e por ter cumprido o pacto das obras Ele nos torna misericordiosamente aceitáveis diante do Pai, concedendo-nos todos os benefícios de seus méritos.
NOTAS:
[1] Citado em John L. Giardeau, The Federal Theology: its import and its regulative influence (Greenville, Reformed Academic Press, 1994), p. 5.
[2] Alguns teólogos e tradutores preferem o termo “pacto” enquanto outros usam “aliança”, mas isto em nada afeta o seu significado bíblico. Os termos Teologia Federal, Teologia do Pacto ou da Aliança são sinônimos.
[3] Louis Berkhof, Manual de doutrina cristã (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2012), p. 115.
[] J.I. Packer, Teologia Concisa (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2004), pp. 82-83.
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26 março 2016
Sobre a divisão da Teologia - William Ames
O PRIMEIRO LIVRO DE TEOLOGIA
Capítulo 2 - Sobre a divisão ou partes da Teologia
1. Há dois elementos na teologia: fé e prática. 2 Tm 1:13 retém a forma das sãs palavras na fé e amor que é em Cristo Jesus. 1 Tm 1:19 mantendo a fé e boa consciência. At 24:14-16 crendo em todas as coisas escritas, tendo esperança em Deus, procuro ter sempre uma consciência sem ofensa. Estes eram os mesmos elementos na teologia de Abraão. Gn 15:6 Abraham creu em Jehová; Gn 17:1 anda diante de mim e sê perfeito. Cristo requer o mesmo de seus discípulos, quando através da fé exige que eles guardem todas as coisas que lhes ordenou, Mt 28:20. Paulo maneja este mesmo assunto na Epístola aos Romanos, na qual está manifesta o que contêm a suma de teologia. Finalmente, deve-se ensinar em todas as igrejas todas estas coisas. Tt 3:8, estas coisas quero que insista com firmeza, para que os que creem em Deus procurem se ocupar na prática das boas obras.
2. Uma propriedade desta distribuição (a qual é requerida numa distribuição genuína em cada arte) é que flui da natureza do objeto. Vendo que no princípio e o primeiro ato da vida espiritual (que é o objeto apropriado da Teologia) é a fé e o segundo ato, ou operação que flui deste princípio (a fé) é a prática e necessariamente se declara que estes dois são as partes genuínas da Teologia, portanto, não há nenhuma outra que devamos buscar além delas.
3. No Antigo Testamento (apropriado para esse estado legal e servil), às vezes, a Teologia parece ser dividida no temor de Deus e guardar os seus Mandamentos, como declara Eclesiastes 12:13: O fim de tudo o que se têm ouvido é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o fim todo homem. Mas, por uma metonímia, a fé é incluída na primeira parte como aparece em Pv 3:5-7: Confia em Jehová de todo o teu coração: Teme a Jehová e aparte-se do mal.
4. Estas duas partes (fé e obras) no uso, fato e prática, estão sempre juntas. Todavia, são distintas em sua natureza e aspecto.
5. Também são distintas em sua ordem de natureza que a fé detém o primeiro lugar e que a obediência espiritual vem despois; porque não pode realizar ações piedosas a menos que exista um princípio de vida de previamente iniciado internamente.
Extraído de William Ames, The Marrow of Theology (Grand Rapids, Baker Books, 1997), pp. 79-80.
Tradução: Rev Ewerton B. Tokashiki
26/03/2016.
Capítulo 2 - Sobre a divisão ou partes da Teologia
1. Há dois elementos na teologia: fé e prática. 2 Tm 1:13 retém a forma das sãs palavras na fé e amor que é em Cristo Jesus. 1 Tm 1:19 mantendo a fé e boa consciência. At 24:14-16 crendo em todas as coisas escritas, tendo esperança em Deus, procuro ter sempre uma consciência sem ofensa. Estes eram os mesmos elementos na teologia de Abraão. Gn 15:6 Abraham creu em Jehová; Gn 17:1 anda diante de mim e sê perfeito. Cristo requer o mesmo de seus discípulos, quando através da fé exige que eles guardem todas as coisas que lhes ordenou, Mt 28:20. Paulo maneja este mesmo assunto na Epístola aos Romanos, na qual está manifesta o que contêm a suma de teologia. Finalmente, deve-se ensinar em todas as igrejas todas estas coisas. Tt 3:8, estas coisas quero que insista com firmeza, para que os que creem em Deus procurem se ocupar na prática das boas obras.
2. Uma propriedade desta distribuição (a qual é requerida numa distribuição genuína em cada arte) é que flui da natureza do objeto. Vendo que no princípio e o primeiro ato da vida espiritual (que é o objeto apropriado da Teologia) é a fé e o segundo ato, ou operação que flui deste princípio (a fé) é a prática e necessariamente se declara que estes dois são as partes genuínas da Teologia, portanto, não há nenhuma outra que devamos buscar além delas.
3. No Antigo Testamento (apropriado para esse estado legal e servil), às vezes, a Teologia parece ser dividida no temor de Deus e guardar os seus Mandamentos, como declara Eclesiastes 12:13: O fim de tudo o que se têm ouvido é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o fim todo homem. Mas, por uma metonímia, a fé é incluída na primeira parte como aparece em Pv 3:5-7: Confia em Jehová de todo o teu coração: Teme a Jehová e aparte-se do mal.
4. Estas duas partes (fé e obras) no uso, fato e prática, estão sempre juntas. Todavia, são distintas em sua natureza e aspecto.
5. Também são distintas em sua ordem de natureza que a fé detém o primeiro lugar e que a obediência espiritual vem despois; porque não pode realizar ações piedosas a menos que exista um princípio de vida de previamente iniciado internamente.
Extraído de William Ames, The Marrow of Theology (Grand Rapids, Baker Books, 1997), pp. 79-80.
Tradução: Rev Ewerton B. Tokashiki
26/03/2016.
26 fevereiro 2016
A relação do Estado e da Igreja
Escrito por Charles Hodge
Nota do editor
Nas últimas três décadas tanto políticos conservadores como liberais escreveram uma grande quantidade de perigosas besteiras sobre a igreja e o estado. Esta estupidez está começando a afetar a política de governo e os gastos das rendas de impostos. Recentemente William Bennett, secretário da Educação, defendeu o suporte financeiro governamental para escolas católicas romanas, e os conservadores defenderam programas de fiação para canalizar fundos governamentais para escolas religiosas. Este escritor esteve presente em uma conferência nacional de diretores de escolas cristãs em Washington, D.C., no início deste ano e ouviu um orador (que não era um cristão nem um diretor de escola) opor a legislação ante o Congresso baseando-se em que os subsídios federais sob a legislação não poderiam ser canalizados para creches religiosas. Dentro dos últimos meses, William F. Buckley, Jr. foi convidado para se dirigir em uma grande convenção do Conselho Internacional de Inerrância Bíblica quanto ao assunto da impossibilidade de separar a igreja do estado. E por último, mas não menos importante, a agenda de pelo menos alguns dos “cristãos reconstrucionistas” pareciam incluir o uso da autoridade civil para manter a ortodoxia entre a população.
No meio desta confusão contemporânea nós apresentamos Charles Hodge, que foi chamado de “o príncipe dos teólogos americanos”. Hodge talvez foi o mais influente teólogo presbiteriano do século dezenove, docente no Princeton Theological Seminary por décadas, e autor de muitos livros, incluindo seus três volumes de Systematic Theology. Os seus ensaios apareceram originalmente na Princeton Review em 1863. São agora tomados de um livro recentemente relançado de ensaios por uma variedade de autores e editado por Iain Murray, The Reformation of the Church.
Este é um assunto sumamente complicado e difícil. Existem três aspectos sob os quais ele pode ser visto.
I. A real relação que em diferentes momentos e em diferentes países tem subsistido entre as duas instituições.
II. A teoria desenvolvida para justificar ou determinar os limites de tal relação de existência.
III. A relação normal, tal como deveria existir de acordo com a vontade revelada de Deus, e a natureza do Estado e da Igreja.
Constantino
Antes da conversão de Constantino, a igreja era, é claro, tão independente do estado que ela determinava sua própria fé, regulava seu culto, escolhia seus oficiais, e exercia sua disciplina sem qualquer interferência das autoridades civis. Os seus membros eram considerados como cidadãos do estado, dos quais as opiniões religiosas e práticas eram, exceto em tempos de perseguição, considerados como questões indiferentes. É provável que muita da mesma liberdade era concedida aos cristãos primitivos como era dada pelos romanos para os judeus, que não eram somente permitidos, em casos ordinários, a conduzir seus cultos na sinagoga como desejassem, mas decidir assuntos de disputa entre eles, de acordo com suas próprias leis. Também é declarado que igrejas eram permitidas a posse de propriedades imobiliárias antes da profissão de Cristianismo pelo imperador.
Quando Constantino se declarou como cristão, ele expressou a relação que deveria subsistir doravante entre a igreja e o estado, dizendo a certos bispos, “Deus vos fez os bispos dos assuntos internos da igreja, e a mim o bispo de seus assuntos externos”. Desde então, este pronunciamento se tornou por toda uma grande porção da Cristandade, a fórmula permanente para expressar a relação do magistrado civil com o reino de Cristo.
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Nota do editor
Nas últimas três décadas tanto políticos conservadores como liberais escreveram uma grande quantidade de perigosas besteiras sobre a igreja e o estado. Esta estupidez está começando a afetar a política de governo e os gastos das rendas de impostos. Recentemente William Bennett, secretário da Educação, defendeu o suporte financeiro governamental para escolas católicas romanas, e os conservadores defenderam programas de fiação para canalizar fundos governamentais para escolas religiosas. Este escritor esteve presente em uma conferência nacional de diretores de escolas cristãs em Washington, D.C., no início deste ano e ouviu um orador (que não era um cristão nem um diretor de escola) opor a legislação ante o Congresso baseando-se em que os subsídios federais sob a legislação não poderiam ser canalizados para creches religiosas. Dentro dos últimos meses, William F. Buckley, Jr. foi convidado para se dirigir em uma grande convenção do Conselho Internacional de Inerrância Bíblica quanto ao assunto da impossibilidade de separar a igreja do estado. E por último, mas não menos importante, a agenda de pelo menos alguns dos “cristãos reconstrucionistas” pareciam incluir o uso da autoridade civil para manter a ortodoxia entre a população.
No meio desta confusão contemporânea nós apresentamos Charles Hodge, que foi chamado de “o príncipe dos teólogos americanos”. Hodge talvez foi o mais influente teólogo presbiteriano do século dezenove, docente no Princeton Theological Seminary por décadas, e autor de muitos livros, incluindo seus três volumes de Systematic Theology. Os seus ensaios apareceram originalmente na Princeton Review em 1863. São agora tomados de um livro recentemente relançado de ensaios por uma variedade de autores e editado por Iain Murray, The Reformation of the Church.
Este é um assunto sumamente complicado e difícil. Existem três aspectos sob os quais ele pode ser visto.
I. A real relação que em diferentes momentos e em diferentes países tem subsistido entre as duas instituições.
II. A teoria desenvolvida para justificar ou determinar os limites de tal relação de existência.
III. A relação normal, tal como deveria existir de acordo com a vontade revelada de Deus, e a natureza do Estado e da Igreja.
Constantino
Antes da conversão de Constantino, a igreja era, é claro, tão independente do estado que ela determinava sua própria fé, regulava seu culto, escolhia seus oficiais, e exercia sua disciplina sem qualquer interferência das autoridades civis. Os seus membros eram considerados como cidadãos do estado, dos quais as opiniões religiosas e práticas eram, exceto em tempos de perseguição, considerados como questões indiferentes. É provável que muita da mesma liberdade era concedida aos cristãos primitivos como era dada pelos romanos para os judeus, que não eram somente permitidos, em casos ordinários, a conduzir seus cultos na sinagoga como desejassem, mas decidir assuntos de disputa entre eles, de acordo com suas próprias leis. Também é declarado que igrejas eram permitidas a posse de propriedades imobiliárias antes da profissão de Cristianismo pelo imperador.
Quando Constantino se declarou como cristão, ele expressou a relação que deveria subsistir doravante entre a igreja e o estado, dizendo a certos bispos, “Deus vos fez os bispos dos assuntos internos da igreja, e a mim o bispo de seus assuntos externos”. Desde então, este pronunciamento se tornou por toda uma grande porção da Cristandade, a fórmula permanente para expressar a relação do magistrado civil com o reino de Cristo.
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17 fevereiro 2016
Oração em favor da Assembleia Legislativa
Oração de James Henley Thornwell
"Todo-Poderoso e Eterno Deus, o Pai, o Filho e o Santo Espírito, o Criador dos céus e da terra, nós O adoramos como o único vivo e verdadeiro Deus. Tu somente és o Senhor. Tu governas sobre tudo, fazendo o que Te comprazes entre os exércitos do céu e os habitantes da terra; e ninguém pode impedir a Tua mão, ou questionar-Te sobre o que fazes. Teu reino é um reino eterno e o Teu domínio se estende através das gerações. Tu mereces reinar; pois, somente Tu és sábio, bom e santo. Também Tu és misericordioso e gracioso. Especialmente damos-Te graças pelo Teu indizível amor na redenção de pecadores por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Em Teu nome nos apresentamos agora diante de Ti, e, para o Teu louvor, nós humildemente imploramos o Teu favor e benção. Confessamos a nossa indignidade ao receber o mínimo das Tuas misericórdias; pois temos pecado, e pecamos gravemente contra Ti. Oh Deus! Não entre em juízo conosco, mas garanta-nos o verdadeiro arrependimento. Concede-nos graça ao buscar-Te de todo o nosso coração, e preserve-nos na obediência dos Teus mandamentos.
Nós adoramos a Ti como o Rei das nações. Reconhecemos a suprema autoridade de Tua lei; e suplicamos para que sejas o nosso Deus, e o Deus de nossos filhos, através de todas as gerações. Especialmente, oh Deus, fazemos súplicas para que conduzas pela Tua sabedoria em todas as deliberações desta Assembleia Legislativa. Vão é o auxílio do homem. Devemos confiar-nos, bem como os interesses de nosso país em Tuas mãos; e, suplicar-Te que transmita à esta Assembleia a inspiração do Santo Espírito, dando a cada membro uma boa compreensão, motivos puros, e uma clara percepção do que é correto e do que deve ser feito. Livra-nos do erro, do orgulho e das paixões profanas. Reveste-nos com uma verdadeira humildade. Ensina-nos a Tua vontade, e dá-nos forças para realiza-la.
Oh Deus! Sê consistente com a Tua vontade e repreende todos os elementos problemáticos; fale a paz aos tumultos do povo; restaure a verdade, a justiça e o amor fraternal. Reúna os Estados desta Confederação ajuntando-os pelos laços da justiça e da paz. Mas, qualquer que seja a questão, garanta a paz e a prosperidade desta nação e de todos os Estados que têm comum interesse conosco. Una-os, reunindo em harmonia e amor, e dá-lhes um nome e um lugar de honra entre as nações da terra. Oh! Garanta-nos que possamos tê-Lo como o nosso Deus, e proteja-nos do poder de toda adversidade. Em Tuas mãos nós recomendamos a nossa causa; e tudo o que buscamos é a Tua paternal direção e benção."
Extraído de B.M. Palmer, The life and letters of James Henley Thornwell (Edinburgh, The Banner of Truth Trust, 1986), pp. 511-512.
Tradução livre
Rev. Ewerton B. Tokashiki
17 de Fevereiro de 2016.
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26 dezembro 2015
Johannes Wollebius começa a falar português!
DA IMPORTÂNCIA
O teólogo reformado Johannes Wollebius ainda é desconhecido pela maioria dos leitores brasileiros. Numa busca rápida na internet pode-se perceber que são poucos os textos encontrados em português, quer artigos publicados ou traduzidos acerca deste reformador.[1] O fato é que o período dos séculos XVI e XVII ainda é uma área de pesquisa, em geral, pouco explorada entre os teólogos de nosso país. O Dr Heber C. Campos Jr, dentre os reformados brasileiros, é um pioneiro no desbravamento da produção acadêmica do protestantismo escolástico, inclusive atraindo outros pesquisadores para este amplo campo de estudo. Apesar de ter em minha biblioteca o Compendium Theolociae Christianae[2] de Wollebius desde 2009, foi no módulo “Puritanismo e Protestantismo Escolástico” realizado em 2013 no CPAJ, que interessei em conhecê-lo a fim de produzir um artigo como exigência daquela disciplina. Confesso que fiquei motivado a traduzi-lo após descobrir a sua relevância para entendermos o cenário teológico antecedente a Assembleia de Westminster.
Por que ler Wollebius? John W. Beardslee III oferece em sua introdução uma breve descrição da importância da obra
Nesta breve nota introdutória algumas informações foram omitidas por Beardslee III que precisam ser acrescidas à importância deste manual de dogmática.[4] Após a sua primeira publicação, em 1626, em Basiléia, ela se tornou em várias universidades reformadas da Europa o livro-texto tanto para dogmática como para o ensino de ética. Assim, o seu Compendium foi um dos mais influentes manuais de dogmática na formação de teólogos no século XVII.
Os teólogos reformados necessitam conhece-lo, em especial, por causa da sua influência sobre os divines da Assembleia de Westminster. Wollebius oferece de modo preciso, conciso e perspicaz várias definições que permanecem na linguagem dos Padrões de Westminster. É fato, que a precisão nas definições e maturidade teológica dos teólogos da Assembleia de Westminster muitíssimo supera a Wollebius, mas, é evidente a sua dívida a ele.
O período do protestantismo escolástico padece de um preconceito negativo que precisa ser revisado. Infelizmente repousa sobre os teólogos do século XVII o estigma de serem áridos e apegados a sutilezas conceituais. Entretanto, uma leitura nos seus escritos, mesmo que superficial, revela algo surpreendente. Em especial porque neste período os puritanos eram homens de marcante piedade, zelosos pela pregação expositiva e a observância da santidade aplicada a todas as esferas da vida e sociedade. Este manual de teologia de Wollebius desmitifica essa deformada caricatura. A sua linguagem é cheia de citações das Escrituras, e por vezes, oferecendo a sua própria tradução dos originais, demonstrando boa exegese, e uma linguagem piedosa na construção de seus argumentos. Há ainda uma preocupação na área da teologia prática, tanto no conteúdo dogmático, como na parte em que ele interpreta e aplica o decálogo. É um excelente sumário da teologia reformada do período do protestantismo escolástico, e isto justificou a sua adoção em várias universidades na Europa no século XVII.
O retorno aos textos clássicos é uma necessidade nestes tempos de reiterado interesse pelo Calvinismo. Diante do perigo de descuidadas redefinições, que por vezes são confusas e imprecisas, torna-se urgente um retorno aos autores clássicos. Termos como Neocalvinismo, Novo Calvinismo, Calvinismo Moderado, dentre outros, representam versões revisionistas, subdivisões ou desvios do tronco principal. Em muitos casos há o real risco de afastamentos, como o Amiraldianismo e Arminianismo, que em seu surgimento alegavam serem intérpretes fiéis da teologia calvinista. É neste aspecto que ler os clássicos é ter acesso aos passos de maturidade que a Igreja Reformada deu em sua imponente jornada na história da teologia, e assim, evitando se perder nestas ramificações distorcidas.
DA TRADUÇÃO
A primeira tradução para a língua inglesa apareceu em 1650. Alexander Ross publicou o Compendium sob o título de Abridgement of Christian Divinitie, em Londres.[5]
A tradução de Beardslee III surgiu em 1965. Ela obteve várias publicações, inclusive por diferentes editoras, todavia, está esgotada. Beardslee III baseou a sua tradução no texto latino, holandês e na versão de Alexander Ross. Esta tradução preserva algumas palavras ou expressões latinas, e obviamente alguns termos tem uso técnico e precisam ser entendidos segundo o uso original.[6] O mesmo ocorre quando Wollebius cita alguma palavra hebraica ou grega. A tradução de Beardslee III é melhor que a de Ross, por ser num inglês moderno, e por oferecer notas explicativas, bem como a sua diagramação torna mais clara a apresentação do conteúdo.
A minha tradução foi realizada a partir do texto de Beardslee III. Todavia, simultaneamente comparei com o texto de Ross, a fim revisar e, quando necessário, acrescentar notas explicativas onde estes tradutores divergiam. Nas poucas vezes em que me deparei com uma aparente discrepância entre ambos, recorri ao texto latino para conferir a exatidão das traduções.[7] Acusei nalgumas notas quais foram as diferentes nuanças na tradução de um ou do outro, bem como outras notas foram adicionadas para explicar personagens ou movimentos da história da teologia. Quando o autor cita a Escritura Sagrada, normalmente uso a versão Almeida Revista e Atualizada [ARA da SBB], a não ser quando o versículo em questão é tradução de Wollebius, ou possuí uma explicação de Beardslee III em algum aspecto gramatical original. Assim, nestes casos para distinguir não uso a sigla ARA a fim de preservar a tradução original em inglês.
Tenho esperança de que o texto se torne acessível ao maior número possível de leitores. Até agora Wollebius é desconhecido pela maioria de nós, e a sua importância igualmente ignorada. Creio que a sua influência outrora sobre os teólogos puritanos do século XVII pode contribuir para um refinamento no pensamento cristão do século XXI. Por isso decidi torná-lo acessível aos que apreciam a teologia reformada em sua fonte, mas que por causa da limitação do idioma, ou acesso ao texto original, são impossibilitados de lê-lo. Sirvamo-nos deste rico legado da teologia reformada.
A minha oração é que o Senhor Deus com a sua rica graça novamente use este precioso livro para fortalecer a fé do seu povo.
NOTAS:
[1] Em inglês também há escassez de pesquisa e produção de artigos sobre a sua pessoa ou obra, sendo R.S. Clark uma das exceções.
[2] O título completo em latim é Compendium Theologiae Christianae Accurata Methodo Sic Adornatum. Doravante apenas Compendium e a indicação da página. A edição mencionada é a publicada pela Baker Book House de 1977.
[3] Veja o prefácio de John W. Beardslee III, Reformed Dogmatics, pp. 10-11.
[4] W. Hadorn, “Wolleb, Johannes” in: Samuel M. Jackson, ed., The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (Grand Rapids, Baker Book House, 1950), p. 407.
[5] Esta versão se encontra disponível na internet.
[6] Recomendo Richard Muller, Dictionary for Latin and Greek Theological Terms (Baker Books).
[7] Uso o texto latino publicado em Amsterdã, de 1655, disponibilizado digitalmente pela Bayer Staatsbibliothek [Biblioteca Estatal de Bayer].
O teólogo reformado Johannes Wollebius ainda é desconhecido pela maioria dos leitores brasileiros. Numa busca rápida na internet pode-se perceber que são poucos os textos encontrados em português, quer artigos publicados ou traduzidos acerca deste reformador.[1] O fato é que o período dos séculos XVI e XVII ainda é uma área de pesquisa, em geral, pouco explorada entre os teólogos de nosso país. O Dr Heber C. Campos Jr, dentre os reformados brasileiros, é um pioneiro no desbravamento da produção acadêmica do protestantismo escolástico, inclusive atraindo outros pesquisadores para este amplo campo de estudo. Apesar de ter em minha biblioteca o Compendium Theolociae Christianae[2] de Wollebius desde 2009, foi no módulo “Puritanismo e Protestantismo Escolástico” realizado em 2013 no CPAJ, que interessei em conhecê-lo a fim de produzir um artigo como exigência daquela disciplina. Confesso que fiquei motivado a traduzi-lo após descobrir a sua relevância para entendermos o cenário teológico antecedente a Assembleia de Westminster.
Por que ler Wollebius? John W. Beardslee III oferece em sua introdução uma breve descrição da importância da obra
Johannes Wollebius (1586-1629) nasceu e foi educado em Basiléia, onde se tornou pastor em 1611, e professor de Antigo Testamento e pregador da catedral em 1618. O Compendium Theologicae Christianae foi publicado em 1626, sendo várias vezes, reimpresso em Latim (Basiléia, 1634; Amsterdã, 1638; 1642; Oxford, 1657; Londres, 1760), e foi traduzido para o holandês e inglês. Ernst Bizer quem reeditou o original em nossa geração, poderia agora prevenir-nos contra superestimar a sua importância, concordando com diversos historiadores do século XIX, mas não seria possível negar que seu extenso uso durante o século XVII, a sua brevidade, clareza e fidelidade, não fosse uma positiva expressão característica dos teólogos reformados nos tempos do Sínodo de Dort e que poderia manter esta afirmação concedendo-lhe o título por considera-lo como uma avenida para uma completa descrição do entendimento “ortodoxo” aceito pela Fé Reformada – o “que comumente é ensinado com aceitação em nossas igrejas” e que pode ser encontrado em Voetius, Turretin e igualmente em outros.[3]
Nesta breve nota introdutória algumas informações foram omitidas por Beardslee III que precisam ser acrescidas à importância deste manual de dogmática.[4] Após a sua primeira publicação, em 1626, em Basiléia, ela se tornou em várias universidades reformadas da Europa o livro-texto tanto para dogmática como para o ensino de ética. Assim, o seu Compendium foi um dos mais influentes manuais de dogmática na formação de teólogos no século XVII.
Os teólogos reformados necessitam conhece-lo, em especial, por causa da sua influência sobre os divines da Assembleia de Westminster. Wollebius oferece de modo preciso, conciso e perspicaz várias definições que permanecem na linguagem dos Padrões de Westminster. É fato, que a precisão nas definições e maturidade teológica dos teólogos da Assembleia de Westminster muitíssimo supera a Wollebius, mas, é evidente a sua dívida a ele.
O período do protestantismo escolástico padece de um preconceito negativo que precisa ser revisado. Infelizmente repousa sobre os teólogos do século XVII o estigma de serem áridos e apegados a sutilezas conceituais. Entretanto, uma leitura nos seus escritos, mesmo que superficial, revela algo surpreendente. Em especial porque neste período os puritanos eram homens de marcante piedade, zelosos pela pregação expositiva e a observância da santidade aplicada a todas as esferas da vida e sociedade. Este manual de teologia de Wollebius desmitifica essa deformada caricatura. A sua linguagem é cheia de citações das Escrituras, e por vezes, oferecendo a sua própria tradução dos originais, demonstrando boa exegese, e uma linguagem piedosa na construção de seus argumentos. Há ainda uma preocupação na área da teologia prática, tanto no conteúdo dogmático, como na parte em que ele interpreta e aplica o decálogo. É um excelente sumário da teologia reformada do período do protestantismo escolástico, e isto justificou a sua adoção em várias universidades na Europa no século XVII.
O retorno aos textos clássicos é uma necessidade nestes tempos de reiterado interesse pelo Calvinismo. Diante do perigo de descuidadas redefinições, que por vezes são confusas e imprecisas, torna-se urgente um retorno aos autores clássicos. Termos como Neocalvinismo, Novo Calvinismo, Calvinismo Moderado, dentre outros, representam versões revisionistas, subdivisões ou desvios do tronco principal. Em muitos casos há o real risco de afastamentos, como o Amiraldianismo e Arminianismo, que em seu surgimento alegavam serem intérpretes fiéis da teologia calvinista. É neste aspecto que ler os clássicos é ter acesso aos passos de maturidade que a Igreja Reformada deu em sua imponente jornada na história da teologia, e assim, evitando se perder nestas ramificações distorcidas.
DA TRADUÇÃO
A primeira tradução para a língua inglesa apareceu em 1650. Alexander Ross publicou o Compendium sob o título de Abridgement of Christian Divinitie, em Londres.[5]
A tradução de Beardslee III surgiu em 1965. Ela obteve várias publicações, inclusive por diferentes editoras, todavia, está esgotada. Beardslee III baseou a sua tradução no texto latino, holandês e na versão de Alexander Ross. Esta tradução preserva algumas palavras ou expressões latinas, e obviamente alguns termos tem uso técnico e precisam ser entendidos segundo o uso original.[6] O mesmo ocorre quando Wollebius cita alguma palavra hebraica ou grega. A tradução de Beardslee III é melhor que a de Ross, por ser num inglês moderno, e por oferecer notas explicativas, bem como a sua diagramação torna mais clara a apresentação do conteúdo.
A minha tradução foi realizada a partir do texto de Beardslee III. Todavia, simultaneamente comparei com o texto de Ross, a fim revisar e, quando necessário, acrescentar notas explicativas onde estes tradutores divergiam. Nas poucas vezes em que me deparei com uma aparente discrepância entre ambos, recorri ao texto latino para conferir a exatidão das traduções.[7] Acusei nalgumas notas quais foram as diferentes nuanças na tradução de um ou do outro, bem como outras notas foram adicionadas para explicar personagens ou movimentos da história da teologia. Quando o autor cita a Escritura Sagrada, normalmente uso a versão Almeida Revista e Atualizada [ARA da SBB], a não ser quando o versículo em questão é tradução de Wollebius, ou possuí uma explicação de Beardslee III em algum aspecto gramatical original. Assim, nestes casos para distinguir não uso a sigla ARA a fim de preservar a tradução original em inglês.
Tenho esperança de que o texto se torne acessível ao maior número possível de leitores. Até agora Wollebius é desconhecido pela maioria de nós, e a sua importância igualmente ignorada. Creio que a sua influência outrora sobre os teólogos puritanos do século XVII pode contribuir para um refinamento no pensamento cristão do século XXI. Por isso decidi torná-lo acessível aos que apreciam a teologia reformada em sua fonte, mas que por causa da limitação do idioma, ou acesso ao texto original, são impossibilitados de lê-lo. Sirvamo-nos deste rico legado da teologia reformada.
A minha oração é que o Senhor Deus com a sua rica graça novamente use este precioso livro para fortalecer a fé do seu povo.
NOTAS:
[1] Em inglês também há escassez de pesquisa e produção de artigos sobre a sua pessoa ou obra, sendo R.S. Clark uma das exceções.
[2] O título completo em latim é Compendium Theologiae Christianae Accurata Methodo Sic Adornatum. Doravante apenas Compendium e a indicação da página. A edição mencionada é a publicada pela Baker Book House de 1977.
[3] Veja o prefácio de John W. Beardslee III, Reformed Dogmatics, pp. 10-11.
[4] W. Hadorn, “Wolleb, Johannes” in: Samuel M. Jackson, ed., The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (Grand Rapids, Baker Book House, 1950), p. 407.
[5] Esta versão se encontra disponível na internet.
[6] Recomendo Richard Muller, Dictionary for Latin and Greek Theological Terms (Baker Books).
[7] Uso o texto latino publicado em Amsterdã, de 1655, disponibilizado digitalmente pela Bayer Staatsbibliothek [Biblioteca Estatal de Bayer].
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15 dezembro 2015
Por que devemos ser zelosos no exame de candidatos a membros?
Rev. Ewerton B. Tokashiki
É esperado que a Igreja Visível cresça numericamente. Ela aumentará tanto pelas famílias da aliança e seus descendentes, como por conversões de pessoas que não têm convivência com a igreja local. Este desenvolvimento é resultado do testemunho da grande comissão de Jesus Cristo (Mt 28:18-20). A questão é: como devemos receber os novos membros da igreja? Devemos ser tão criteriosos quanto possível, ou, aceitar uma ampla afirmação de concordância como suficiente para a pública profissão de fé?
ONDE SURGE O PROBLEMA?
As pessoas com potencial de causar problemas, em geral, é resultado de má formação na recepção como membro. A prudência sempre é necessária, entretanto, nem sempre é assim. Não podemos negar que há alguns fatores que motivam o Conselho[1] no recebimento relapso de membros. A primeira causa é a pressa de integrá-los. Há situações em que novos convertidos, ou pessoas procedentes de outra comunidade evangélica desejam ser recebidas com poucos meses de frequência na igreja local. Este é um perigo, porque elas ainda não conhecem a identidade e estrutura da igreja, nem verdadeiramente podem responder as questões no exame público[2] que as vinculará à sua identidade confessional.
Segundo, a falta de um critério claro de recepção de membros. Infelizmente, há Conselhos que não tem um padrão muito definido no preparo e recebimento de novos membros. Essa falha criará um disparate na qualificação, bem como propiciará uma pluralidade doutrinária, e consequentemente resultará em infidelidade confessional. Por isso, a liderança deve planejar o treinamento dos novos membros para evitar possível confusão doutrinário entre os membros.
Terceiro, a falta de compromisso com a identidade confessional. A nossa igreja possuí uma identidade solidamente confessional.[3] Temos documentos que resumidamente expressam a nossa cosmovisão reformada. Entretanto, é possível que no exame a confessionalidade seja deixada de lado. Infelizmente isso pode acontecer nos seguintes casos. Primeiro, por subestimar que o novo membro seja capaz de assimilar o conteúdo da fé reformada. Segundo, por negligenciar a importância do calvinismo para toda a vida cristã. E por último, por desprezar a teologia reformada como parte de sua formação. Essas são perigosas falhas que um Conselho não pode cometer!
A descuidada admissão de membros aumenta a impureza da igreja local. A má formação bem como a recepção de membros heterodoxos fomenta danosos desvios doutrinários e éticos. A recepção de membros não convertidos, ou com falhas teológicas, ou desvios morais de conduta, é a porta para a corrupção de uma denominação inteira. Uma vez aceito como membro, ele tentará fazer com que as suas crenças e falhas morais sejam aceitas. É ele quem deve se modelar à identidade da Igreja de Cristo, e não o contrário.
A pureza doutrinária propicia a formação de pessoas piedosas. Os novos membros devem aprender a viver fielmente para Cristo. A vida cristã abrange uma inteligível obediência do evangelho coerentemente aplicado a todas as esferas da vida.
ALGUMAS PROPOSTAS PARA O EXERCÍCIO DE ZELO COM A PUREZA DA IGREJA
O Conselho da igreja deve adotar um programa para o recebimento de novos membros que envolva. Este treinamento e avaliação pode ser: 1) discipulado; 2) catecúmenos; 3) leituras extraclasse; 4) exame verbal pelo Conselho do candidato. É especificamente neste último ponto que este artigo se concentra. O exame verbal é parte do processo e ele precisa ser respondido satisfatoriamente. As questões devem ser calmamente respondidas com entendimento, sinceridade e verdade.
QUESTÕES DE CONVERSÃO
1. Você poderia explicar resumidamente o que é o evangelho?
2. Quando foi que você começou a entender o evangelho de Cristo Jesus?
3. Há algum momento específico que você fez um pacto/compromisso de seguir a Cristo como o seu Senhor?
4. Você tem certeza da sua salvação?
5. Quais são as evidências que você identifica de que é convertido a Cristo?
QUESTÕES DA VIDA CRISTÃ
1. Você sabe da necessidade de uma ininterrupta prática da oração?
2. Você sabe a oração do Senhor: o Pai nosso?
3. Você se compromete para preservar a verdade e a paz no meio do povo de Deus?
4. Você está convicto da necessidade de mortificar os seus pecados diariamente?
5. Você tem discernimento de como o sexo, dinheiro e poder podem se tornar ídolos em sua vida?
6. Deus usa o sofrimento em sua vida para manifestar o Seu divino amor?
7. Você se rebelaria contra Deus, diante da dor, enfermidades e até mesmo a morte de entes queridos?
8. Você sabe de cor os Dez Mandamentos? Consegue explica-los resumidamente?
9. A salvação é pelo seu esforço de obedecer perfeitamente a Lei de Deus?
10. Você acredita que os Dez Mandamentos são algo somente do Antigo Testamento, ou, nós cristãos devemos obedecê-los como nosso padrão ético?
11. Numa situação de contenda com algum irmão em Cristo, você se compromete em seguir os passos de Mt 18:15-20?
12. Você se compromete em denunciar ou, servir de testemunha, numa situação de disciplina eclesiástica?
13. Você se compromete em orar e apoiar a liderança da igreja local, enquanto ela permanecer fiel ao ensino da Escritura Sagrada?
14. Você entende a necessidade de respeitar a autoridade da liderança da igreja?
15. Você está comprometido em viver tudo para a glória de Deus?
16. Você anseia viver diante de Deus em tudo o que pensa, fala e faz?
17. Se você um dia se mudar para outra cidade procurará congregar noutra igreja reformada que seja comprometida com a centralidade da Escritura e submissa ao senhorio de Jesus Cristo?
18. Residindo numa localidade que não exista nenhuma igreja reformada, você se compromete de iniciar um grupo de reunião em sua residência?
QUESTÕES FAMILIARES
1. Você entende que o namoro e casamento devem ser no Senhor, isto é, somente com outra pessoa que vive no pacto com Deus? Você entende que namorar ou casar com uma pessoa não convertida é uma decisão pecaminosa?
2. Você entende a necessidade de evitar a lascívia, a fornicação e qualquer imoralidade sexual durante o período antecedente ao casamento?
3. Você entende que o divórcio é algo odioso a Deus e indesejável para um cristão?
4. Você entende o seu dever de discipular os seus filhos no puro e completo evangelho de Cristo, ajudando-os a formar uma cosmovisão cristã para todas as esferas da vida?
5. Você entende o seu dever de disciplinar os seus filhos conforme o ensino das Escrituras?
6. Você sabe do seu dever de proteger os seus filhos de predadores sexuais?
7. Você sabe do seu dever de advertir os seus filhos de más companhias?
8. Você sabe do seu dever de instruir os seus filhos a discernirem quanto ao que veem na TV, acessam na internet, redes sociais e mídia em geral?
QUESTÕES DE TESTEMUNHO PÚBLICO
1. O que a sua família pensa da sua decisão de tornar-se membro desta igreja?
2. Os seus amigos e conhecidos sabem que você é um cristão?
3. Você se compromete, se necessário, abrir as portas de sua casa para a implantação de uma nova congregação?
4. Você ora para que Deus te dê discernimento de que pessoas Ele quer que você evangelize?
5. Você está comprometido com a grande comissão de Cristo: fazer discípulos?
6. Você está decidido a viver o evangelho em suas conversações, pensamentos e atitudes?
7. Você está disposto a auxiliar os pobres e necessitados, com discernimento, quando for possível e realmente necessário?
8. Você sabe que deve usar com moderação e sem desperdício os bens e o sustento que Deus te dá, de modo a não se tornar inadimplente?
9. Você entende que a sua roupa não pode associá-lo ao desiquilíbrio, falta de modéstia, ou a sensualidade, de modo a provocar desejos lascivos, ou escandalizando o próximo?
QUESTÕES DE CULTO
1. Você está comprometido de fazer de toda a sua vida um culto a Deus?
2. Você está convencido de que diariamente deve separar um tempo para orar e meditar na Palavra de Deus?
3. Você está ciente da necessidade de realizar o culto doméstico com regularidade?
4. Você concorda com o princípio regulador do culto? Resumidamente explique.
5. Você crê ser necessário guardar diligentemente o Dia do Senhor?
6. Você se compromete em não deixar de congregar nas reuniões e nos cultos públicos?
7. Você aceita a Pastoral de Liturgia da IPB?
8. Você entende que o culto solene não deve ter danças, coreografias e teatro? Por que?
9. Você entende que é desprezível o uso de imagens, quer pinturas ou esculturas, no culto ao Senhor?
10. Você rejeita o culto ecumênico?
QUESTÕES DOUTRINÁRIAS
1. Você já leu toda a Bíblia?
2. Você se compromete em continuamente estudar a Escritura Sagrada?
3. Para o exame no Conselho você leu atentamente os Padrões de Westminster [Confissão de Fé e Catecismos de Westminster]?
4. Você recebe e subscreve integralmente os Padrões de Westminster como fiel sistematização do ensino das Escrituras?
5. Você crê que os dons revelacionais [línguas, profecias, curas e apostolado] cessaram, por terem cumprido a sua função na história da redenção, e que não são para hoje, porque somente a Escritura Sagrada é a Palavra de Deus?
6. Você se compromete de continuamente ler literatura da fé reformada para o seu amadurecimento cristão?
7. Você se compromete abandonar toda crença e prática que contrarie o claro ensino da Escritura Sagrada?
8. Quantos livros doutrinários você leu desde a sua conversão?
QUESTÕES DO GOVERNO DA IGREJA
1. Você aprendeu e entendeu como se organiza a nossa igreja?
2. Você entendeu que o nosso sistema de governo eclesiástico é conforme o ensino do Novo Testamento?
3. Você se compromete a submeter ao governo dos presbíteros e diáconos enquanto estes forem fiéis ao ensino da Sagrada Escritura?
4. Você se compromete em servir nos cargos e funções que o Conselho poderá designá-lo dentro da estrutura da nossa igreja?
5. Você se compromete de contribuir com seus dízimos e ofertas conforme o ensino da Escritura Sagrada para o sustento da igreja?
6. Caso seja necessário você se submeterá à disciplina e acompanhamento pastoral?
7. Você se compromete com os projetos de crescimento de nossa igreja?
NOTAS:
[1] Este artigo pressupõe um sistema de governo onde há a pluralidade de presbíteros. Entretanto, os problemas diagnosticados aqui são comumente encontrados na maioria das igrejas evangélicas brasileiras.
[2] Refiro às questões para a profissão de fé feitas pelo ministro durante o culto solene.
[3] A Igreja Presbiteriana do Brasil adota os Padrões de Westminster como documentos que representam a sua identidade doutrinária e fiel sistematização do ensino da Escritura Sagrada.
É esperado que a Igreja Visível cresça numericamente. Ela aumentará tanto pelas famílias da aliança e seus descendentes, como por conversões de pessoas que não têm convivência com a igreja local. Este desenvolvimento é resultado do testemunho da grande comissão de Jesus Cristo (Mt 28:18-20). A questão é: como devemos receber os novos membros da igreja? Devemos ser tão criteriosos quanto possível, ou, aceitar uma ampla afirmação de concordância como suficiente para a pública profissão de fé?
ONDE SURGE O PROBLEMA?
As pessoas com potencial de causar problemas, em geral, é resultado de má formação na recepção como membro. A prudência sempre é necessária, entretanto, nem sempre é assim. Não podemos negar que há alguns fatores que motivam o Conselho[1] no recebimento relapso de membros. A primeira causa é a pressa de integrá-los. Há situações em que novos convertidos, ou pessoas procedentes de outra comunidade evangélica desejam ser recebidas com poucos meses de frequência na igreja local. Este é um perigo, porque elas ainda não conhecem a identidade e estrutura da igreja, nem verdadeiramente podem responder as questões no exame público[2] que as vinculará à sua identidade confessional.
Segundo, a falta de um critério claro de recepção de membros. Infelizmente, há Conselhos que não tem um padrão muito definido no preparo e recebimento de novos membros. Essa falha criará um disparate na qualificação, bem como propiciará uma pluralidade doutrinária, e consequentemente resultará em infidelidade confessional. Por isso, a liderança deve planejar o treinamento dos novos membros para evitar possível confusão doutrinário entre os membros.
Terceiro, a falta de compromisso com a identidade confessional. A nossa igreja possuí uma identidade solidamente confessional.[3] Temos documentos que resumidamente expressam a nossa cosmovisão reformada. Entretanto, é possível que no exame a confessionalidade seja deixada de lado. Infelizmente isso pode acontecer nos seguintes casos. Primeiro, por subestimar que o novo membro seja capaz de assimilar o conteúdo da fé reformada. Segundo, por negligenciar a importância do calvinismo para toda a vida cristã. E por último, por desprezar a teologia reformada como parte de sua formação. Essas são perigosas falhas que um Conselho não pode cometer!
A descuidada admissão de membros aumenta a impureza da igreja local. A má formação bem como a recepção de membros heterodoxos fomenta danosos desvios doutrinários e éticos. A recepção de membros não convertidos, ou com falhas teológicas, ou desvios morais de conduta, é a porta para a corrupção de uma denominação inteira. Uma vez aceito como membro, ele tentará fazer com que as suas crenças e falhas morais sejam aceitas. É ele quem deve se modelar à identidade da Igreja de Cristo, e não o contrário.
A pureza doutrinária propicia a formação de pessoas piedosas. Os novos membros devem aprender a viver fielmente para Cristo. A vida cristã abrange uma inteligível obediência do evangelho coerentemente aplicado a todas as esferas da vida.
ALGUMAS PROPOSTAS PARA O EXERCÍCIO DE ZELO COM A PUREZA DA IGREJA
O Conselho da igreja deve adotar um programa para o recebimento de novos membros que envolva. Este treinamento e avaliação pode ser: 1) discipulado; 2) catecúmenos; 3) leituras extraclasse; 4) exame verbal pelo Conselho do candidato. É especificamente neste último ponto que este artigo se concentra. O exame verbal é parte do processo e ele precisa ser respondido satisfatoriamente. As questões devem ser calmamente respondidas com entendimento, sinceridade e verdade.
QUESTÕES DE CONVERSÃO
1. Você poderia explicar resumidamente o que é o evangelho?
2. Quando foi que você começou a entender o evangelho de Cristo Jesus?
3. Há algum momento específico que você fez um pacto/compromisso de seguir a Cristo como o seu Senhor?
4. Você tem certeza da sua salvação?
5. Quais são as evidências que você identifica de que é convertido a Cristo?
QUESTÕES DA VIDA CRISTÃ
1. Você sabe da necessidade de uma ininterrupta prática da oração?
2. Você sabe a oração do Senhor: o Pai nosso?
3. Você se compromete para preservar a verdade e a paz no meio do povo de Deus?
4. Você está convicto da necessidade de mortificar os seus pecados diariamente?
5. Você tem discernimento de como o sexo, dinheiro e poder podem se tornar ídolos em sua vida?
6. Deus usa o sofrimento em sua vida para manifestar o Seu divino amor?
7. Você se rebelaria contra Deus, diante da dor, enfermidades e até mesmo a morte de entes queridos?
8. Você sabe de cor os Dez Mandamentos? Consegue explica-los resumidamente?
9. A salvação é pelo seu esforço de obedecer perfeitamente a Lei de Deus?
10. Você acredita que os Dez Mandamentos são algo somente do Antigo Testamento, ou, nós cristãos devemos obedecê-los como nosso padrão ético?
11. Numa situação de contenda com algum irmão em Cristo, você se compromete em seguir os passos de Mt 18:15-20?
12. Você se compromete em denunciar ou, servir de testemunha, numa situação de disciplina eclesiástica?
13. Você se compromete em orar e apoiar a liderança da igreja local, enquanto ela permanecer fiel ao ensino da Escritura Sagrada?
14. Você entende a necessidade de respeitar a autoridade da liderança da igreja?
15. Você está comprometido em viver tudo para a glória de Deus?
16. Você anseia viver diante de Deus em tudo o que pensa, fala e faz?
17. Se você um dia se mudar para outra cidade procurará congregar noutra igreja reformada que seja comprometida com a centralidade da Escritura e submissa ao senhorio de Jesus Cristo?
18. Residindo numa localidade que não exista nenhuma igreja reformada, você se compromete de iniciar um grupo de reunião em sua residência?
QUESTÕES FAMILIARES
1. Você entende que o namoro e casamento devem ser no Senhor, isto é, somente com outra pessoa que vive no pacto com Deus? Você entende que namorar ou casar com uma pessoa não convertida é uma decisão pecaminosa?
2. Você entende a necessidade de evitar a lascívia, a fornicação e qualquer imoralidade sexual durante o período antecedente ao casamento?
3. Você entende que o divórcio é algo odioso a Deus e indesejável para um cristão?
4. Você entende o seu dever de discipular os seus filhos no puro e completo evangelho de Cristo, ajudando-os a formar uma cosmovisão cristã para todas as esferas da vida?
5. Você entende o seu dever de disciplinar os seus filhos conforme o ensino das Escrituras?
6. Você sabe do seu dever de proteger os seus filhos de predadores sexuais?
7. Você sabe do seu dever de advertir os seus filhos de más companhias?
8. Você sabe do seu dever de instruir os seus filhos a discernirem quanto ao que veem na TV, acessam na internet, redes sociais e mídia em geral?
QUESTÕES DE TESTEMUNHO PÚBLICO
1. O que a sua família pensa da sua decisão de tornar-se membro desta igreja?
2. Os seus amigos e conhecidos sabem que você é um cristão?
3. Você se compromete, se necessário, abrir as portas de sua casa para a implantação de uma nova congregação?
4. Você ora para que Deus te dê discernimento de que pessoas Ele quer que você evangelize?
5. Você está comprometido com a grande comissão de Cristo: fazer discípulos?
6. Você está decidido a viver o evangelho em suas conversações, pensamentos e atitudes?
7. Você está disposto a auxiliar os pobres e necessitados, com discernimento, quando for possível e realmente necessário?
8. Você sabe que deve usar com moderação e sem desperdício os bens e o sustento que Deus te dá, de modo a não se tornar inadimplente?
9. Você entende que a sua roupa não pode associá-lo ao desiquilíbrio, falta de modéstia, ou a sensualidade, de modo a provocar desejos lascivos, ou escandalizando o próximo?
QUESTÕES DE CULTO
1. Você está comprometido de fazer de toda a sua vida um culto a Deus?
2. Você está convencido de que diariamente deve separar um tempo para orar e meditar na Palavra de Deus?
3. Você está ciente da necessidade de realizar o culto doméstico com regularidade?
4. Você concorda com o princípio regulador do culto? Resumidamente explique.
5. Você crê ser necessário guardar diligentemente o Dia do Senhor?
6. Você se compromete em não deixar de congregar nas reuniões e nos cultos públicos?
7. Você aceita a Pastoral de Liturgia da IPB?
8. Você entende que o culto solene não deve ter danças, coreografias e teatro? Por que?
9. Você entende que é desprezível o uso de imagens, quer pinturas ou esculturas, no culto ao Senhor?
10. Você rejeita o culto ecumênico?
QUESTÕES DOUTRINÁRIAS
1. Você já leu toda a Bíblia?
2. Você se compromete em continuamente estudar a Escritura Sagrada?
3. Para o exame no Conselho você leu atentamente os Padrões de Westminster [Confissão de Fé e Catecismos de Westminster]?
4. Você recebe e subscreve integralmente os Padrões de Westminster como fiel sistematização do ensino das Escrituras?
5. Você crê que os dons revelacionais [línguas, profecias, curas e apostolado] cessaram, por terem cumprido a sua função na história da redenção, e que não são para hoje, porque somente a Escritura Sagrada é a Palavra de Deus?
6. Você se compromete de continuamente ler literatura da fé reformada para o seu amadurecimento cristão?
7. Você se compromete abandonar toda crença e prática que contrarie o claro ensino da Escritura Sagrada?
8. Quantos livros doutrinários você leu desde a sua conversão?
QUESTÕES DO GOVERNO DA IGREJA
1. Você aprendeu e entendeu como se organiza a nossa igreja?
2. Você entendeu que o nosso sistema de governo eclesiástico é conforme o ensino do Novo Testamento?
3. Você se compromete a submeter ao governo dos presbíteros e diáconos enquanto estes forem fiéis ao ensino da Sagrada Escritura?
4. Você se compromete em servir nos cargos e funções que o Conselho poderá designá-lo dentro da estrutura da nossa igreja?
5. Você se compromete de contribuir com seus dízimos e ofertas conforme o ensino da Escritura Sagrada para o sustento da igreja?
6. Caso seja necessário você se submeterá à disciplina e acompanhamento pastoral?
7. Você se compromete com os projetos de crescimento de nossa igreja?
NOTAS:
[1] Este artigo pressupõe um sistema de governo onde há a pluralidade de presbíteros. Entretanto, os problemas diagnosticados aqui são comumente encontrados na maioria das igrejas evangélicas brasileiras.
[2] Refiro às questões para a profissão de fé feitas pelo ministro durante o culto solene.
[3] A Igreja Presbiteriana do Brasil adota os Padrões de Westminster como documentos que representam a sua identidade doutrinária e fiel sistematização do ensino da Escritura Sagrada.
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03 dezembro 2015
Como começaram os rumores?
Breve história contra a má impressão sobre João Calvino
Ryan Glomsrud
Os mitos acerca de Calvino persistem nos textos didáticos das escolas, aulas da universidade e ainda nos institutos bíblicos. Apesar da muita informação crítica que hoje temos sobre Calvino, muitos desconhecem a sua verdadeira história. Com ironia Marilynne Robinson expressa o que muitos creem: “nós sabemos que o Calvinismo é uma importante tradição entre nós. Mas a única coisa que sabemos de João Calvino é que era um escocês do século XVIII, de perspectiva excessivamente estrita, como uma fivela em seu chapéu e, possivelmente queimou bruxas ...”. Assim, continuamos no mesmo ano de 500 anos do aniversário do seu nascimento. Para os que não saibam, Calvino foi um francês do século XVI, viveu no exílio de Genebra, Suíça. Os que usavam fivelas eram os puritanos e os de perspectiva excessivamente estrita eram os vitorianos.
Alguns pontuam a Calvino como o sicário da Reforma Protestante, o verdugo dos hereges, ou um pervertido sexual. Com maior frequência lhe atribuem o título de maior herege, alguém que talvez negava a doutrina da Trindade, e quem inventou a sua terrível doutrina da predestinação e reprovação.
Os eruditos recentes sobre Calvino têm mostrado que a grande maioria destes rumores maliciosos procedem de uma única fonte, um indivíduo particular. O seu nome era Jerônimo Bolsec, um refugiado leigo que passou um tempo em Genebra. Ao falhar em seu exame de ordenação nas Igrejas Reformadas em Paris, voltou para a Igreja Católica Romana, e chegou a ser o primeiro biógrafo católico de Calvino. Publicou a sua obra em 1577 e, as histórias que Bolsec narra têm uma larga trajetória na história.
A vida de Bolsec foi intrigante, e nos provê um excelente exemplo de como o gênero de biografias era usado para as polêmicas violentas do século XVI na Europa, utilizando toda forma possível, desde panfletos de papel até tábuas de madeira esculpidas. De acordo com um autor, Bolsec “queria destruir a imagem de Genebra (e Calvino) tão rápido e efetivamente quanto possível.” Então, incluía em sua biografia temas como os seguintes:
1. A influência destrutiva de Calvino sobre a França e seu papel na destruição da paz na Europa.
2. Calvino como “a encarnação de todas as heresias” antes conhecidas na Igreja.
3. Calvino como o sodomita (homossexual) acusado e julgado, quem deveria ser queimado, mas no último momento mudaram a sua sentença ao receber uma marca com um ferro quente no ombro.
4. Calvino como um tirano promíscuo que “se deitado com a maioria das mulheres em Genebra sob o pretexto de dar conselhos pastorais”.
5. Calvino como o único responsável pela execução de Serveto (um mito que tem longa duração). Bolsec não foi o único que “adornou” relatos sobre o caráter de pessoas importantes. Os protestantes encontravam ampla oportunidade para fazer o mesmo com os papas corruptos de sua época, e sem dúvida, nem tudo o que diziam era verdade. Mas parece que algumas das histórias absurdas sobre Calvino perduram mais tempo do que os mitos mitos protestantes sobre a corrupção católica, apesar de que há muitos intérpretes católicos, utilizando métodos críticos de investigação, em que questionam radicalmente A vida de Calvino escrito por Bolsec. Depois de investigar os relatos sobre Calvino, estes autores católicos rejeitam a maioria, senão todos, os mitos a respeito de Calvino, chegando à conclusão que Bolsec inventou suas fontes, e que estava pessoalmente cego por seu profundo ódio contra Calvino.
No caso de Calvino, é proveitoso conhecer a origem da grande maioria dos mitos sobre ele. Com tantas falsas lendas sobre Calvino, quase seria melhor pedir uma moratória das opiniões populares caso não se baseiem na verdade histórica.
Originalmente publicado em Modern Reformation, Jun/Jul, 2009.
Extraído de Nicolás G. Lammé, ed., Reforma Siglo 21 – Boletín teológico de la Confraternidad Latinoamericano de Iglesias Reformadas (Guadalupe, CLIR, Outubro de 2009), pp. 64-66.
Traduzido por Ewerton B. Tokashiki em 3 de Dezembro de 2015.
Ryan Glomsrud
Os mitos acerca de Calvino persistem nos textos didáticos das escolas, aulas da universidade e ainda nos institutos bíblicos. Apesar da muita informação crítica que hoje temos sobre Calvino, muitos desconhecem a sua verdadeira história. Com ironia Marilynne Robinson expressa o que muitos creem: “nós sabemos que o Calvinismo é uma importante tradição entre nós. Mas a única coisa que sabemos de João Calvino é que era um escocês do século XVIII, de perspectiva excessivamente estrita, como uma fivela em seu chapéu e, possivelmente queimou bruxas ...”. Assim, continuamos no mesmo ano de 500 anos do aniversário do seu nascimento. Para os que não saibam, Calvino foi um francês do século XVI, viveu no exílio de Genebra, Suíça. Os que usavam fivelas eram os puritanos e os de perspectiva excessivamente estrita eram os vitorianos.
Alguns pontuam a Calvino como o sicário da Reforma Protestante, o verdugo dos hereges, ou um pervertido sexual. Com maior frequência lhe atribuem o título de maior herege, alguém que talvez negava a doutrina da Trindade, e quem inventou a sua terrível doutrina da predestinação e reprovação.
Os eruditos recentes sobre Calvino têm mostrado que a grande maioria destes rumores maliciosos procedem de uma única fonte, um indivíduo particular. O seu nome era Jerônimo Bolsec, um refugiado leigo que passou um tempo em Genebra. Ao falhar em seu exame de ordenação nas Igrejas Reformadas em Paris, voltou para a Igreja Católica Romana, e chegou a ser o primeiro biógrafo católico de Calvino. Publicou a sua obra em 1577 e, as histórias que Bolsec narra têm uma larga trajetória na história.
A vida de Bolsec foi intrigante, e nos provê um excelente exemplo de como o gênero de biografias era usado para as polêmicas violentas do século XVI na Europa, utilizando toda forma possível, desde panfletos de papel até tábuas de madeira esculpidas. De acordo com um autor, Bolsec “queria destruir a imagem de Genebra (e Calvino) tão rápido e efetivamente quanto possível.” Então, incluía em sua biografia temas como os seguintes:
1. A influência destrutiva de Calvino sobre a França e seu papel na destruição da paz na Europa.
2. Calvino como “a encarnação de todas as heresias” antes conhecidas na Igreja.
3. Calvino como o sodomita (homossexual) acusado e julgado, quem deveria ser queimado, mas no último momento mudaram a sua sentença ao receber uma marca com um ferro quente no ombro.
4. Calvino como um tirano promíscuo que “se deitado com a maioria das mulheres em Genebra sob o pretexto de dar conselhos pastorais”.
5. Calvino como o único responsável pela execução de Serveto (um mito que tem longa duração). Bolsec não foi o único que “adornou” relatos sobre o caráter de pessoas importantes. Os protestantes encontravam ampla oportunidade para fazer o mesmo com os papas corruptos de sua época, e sem dúvida, nem tudo o que diziam era verdade. Mas parece que algumas das histórias absurdas sobre Calvino perduram mais tempo do que os mitos mitos protestantes sobre a corrupção católica, apesar de que há muitos intérpretes católicos, utilizando métodos críticos de investigação, em que questionam radicalmente A vida de Calvino escrito por Bolsec. Depois de investigar os relatos sobre Calvino, estes autores católicos rejeitam a maioria, senão todos, os mitos a respeito de Calvino, chegando à conclusão que Bolsec inventou suas fontes, e que estava pessoalmente cego por seu profundo ódio contra Calvino.
No caso de Calvino, é proveitoso conhecer a origem da grande maioria dos mitos sobre ele. Com tantas falsas lendas sobre Calvino, quase seria melhor pedir uma moratória das opiniões populares caso não se baseiem na verdade histórica.
Originalmente publicado em Modern Reformation, Jun/Jul, 2009.
Extraído de Nicolás G. Lammé, ed., Reforma Siglo 21 – Boletín teológico de la Confraternidad Latinoamericano de Iglesias Reformadas (Guadalupe, CLIR, Outubro de 2009), pp. 64-66.
Traduzido por Ewerton B. Tokashiki em 3 de Dezembro de 2015.
22 novembro 2015
Breve relato da vida e obra de Matthew Henry
Escrito por Allan M. Harman
Dificilmente há um homem tão conhecido entre os comentaristas bíblicos como Matthew Henry. Desde a publicação de seu primeiro volume (o Pentateuco) em 1706 até o presente, o comentário de Henry foi repetidamente reimpresso, traduzido a outros idiomas, combinado com o comentário de Thomas Scott para formar o comentário de Henry e Scott, ou impresso em formato resumido. Ele tem exercido uma grande influência na formação espiritual de uma multidão de leitores que dele utilizam para devocionais pessoais, ou para preparar-se para o ensino, ou pregação. Destacados líderes cristãos como George Whitefield e William Carey testemunharam da influência que receberam dele.
Para mencionar o caso de Whitefield, que pouco depois de sua conversão, adotou a prática de levantar às cinco da manhã. Ajoelhado ele lia a Bíblia, em seguida o seu Novo Testamento grego e finalmente consultava o comentário de Matthew Henry acerca daquela passagem. Posteriormente, a sua pregação esteve intensamente influenciada pela exposição de Henry. Arnold Dallimore chega ao ponto de dizer que “de tal modo bebeu dos mananciais da exposição bíblica de Matthew Henry que muita de sua expressão pública era pouco mais do que o pensamento do grande comentarista; pensamento que havia chegado a assimilar em sua própria mente e alma, e que se derramava espontaneamente tanto quanto preparava como quando pregava os seus sermões”. Era capaz de recordar citações de Henry, e sua lista de regras para o seu Instituto em Bethesda na Georgia incluía, entre os livros sobre teologia, o comentário de Matthew Henry. Quando escreveu a sua famosa carta a João Wesley sobre o tema da redenção universal, não deu a sua própria explicação de algumas passagens bíblicas, mas remeteu Wesley que lesse aos comentaristas como Ridgely, Edwards e Henry. O seu desejo era que estes tratados pudessem levar Wesley a reconhecer o seu erro.
Mas para a imensa maioria dos leitores a vida de Matthew Henry é algo desconhecido, e há uma falta de valorização crítica de sua obra e ministério. Ao apresentar alguns de seus sermões até agora inéditos, é necessário oferecer um breve relato de sua vida e ministério, junto com uma avaliação dele como pregador assim como comentarista.
Acesse o texto completo [CLIQUE AQUI]
Dificilmente há um homem tão conhecido entre os comentaristas bíblicos como Matthew Henry. Desde a publicação de seu primeiro volume (o Pentateuco) em 1706 até o presente, o comentário de Henry foi repetidamente reimpresso, traduzido a outros idiomas, combinado com o comentário de Thomas Scott para formar o comentário de Henry e Scott, ou impresso em formato resumido. Ele tem exercido uma grande influência na formação espiritual de uma multidão de leitores que dele utilizam para devocionais pessoais, ou para preparar-se para o ensino, ou pregação. Destacados líderes cristãos como George Whitefield e William Carey testemunharam da influência que receberam dele.
Para mencionar o caso de Whitefield, que pouco depois de sua conversão, adotou a prática de levantar às cinco da manhã. Ajoelhado ele lia a Bíblia, em seguida o seu Novo Testamento grego e finalmente consultava o comentário de Matthew Henry acerca daquela passagem. Posteriormente, a sua pregação esteve intensamente influenciada pela exposição de Henry. Arnold Dallimore chega ao ponto de dizer que “de tal modo bebeu dos mananciais da exposição bíblica de Matthew Henry que muita de sua expressão pública era pouco mais do que o pensamento do grande comentarista; pensamento que havia chegado a assimilar em sua própria mente e alma, e que se derramava espontaneamente tanto quanto preparava como quando pregava os seus sermões”. Era capaz de recordar citações de Henry, e sua lista de regras para o seu Instituto em Bethesda na Georgia incluía, entre os livros sobre teologia, o comentário de Matthew Henry. Quando escreveu a sua famosa carta a João Wesley sobre o tema da redenção universal, não deu a sua própria explicação de algumas passagens bíblicas, mas remeteu Wesley que lesse aos comentaristas como Ridgely, Edwards e Henry. O seu desejo era que estes tratados pudessem levar Wesley a reconhecer o seu erro.
Mas para a imensa maioria dos leitores a vida de Matthew Henry é algo desconhecido, e há uma falta de valorização crítica de sua obra e ministério. Ao apresentar alguns de seus sermões até agora inéditos, é necessário oferecer um breve relato de sua vida e ministério, junto com uma avaliação dele como pregador assim como comentarista.
Acesse o texto completo [CLIQUE AQUI]
08 outubro 2015
Por que as igrejas deveriam repensar o salário do pregador?
A relação entre o trabalho que um pregador realiza e o dinheiro que ele leva para casa parece ser muito clara para a maioria dos membros de igrejas: “nosso pregador ‘ministra’ à esta igreja – ele visita os doentes, ela aconselha, ele evangeliza, ele prega, ele ensina, ele faz o boletim e tudo o mais que pedirmos a ele – e nós o pagamos para que ele faça estas coisas.” Esta é a forma como a maioria dos cristãos pensam sobre seus pregadores e o “salário” que pagam para ele. Mas será que esta é de fato a forma como deveríamos pensar sobre isto? Pessoalmente, eu creio que não. Aqui estão algumas coisas para considerarmos…
1. Pare de pensar que o Pregador faz o que faz pelo pagamento.
A maioria dos membros de igrejas pensam que os seus pregadores fazem o que fazem porque eles o pagam para fazê-lo. Eu creio que esta é uma forma invertida de se pensar sobre a situação. É muito mais saudável pensar da seguinte forma: “O pregador comprometeu sua vida à proclamação do evangelho e nós o apoiamos financeiramente neste esforço.” Ele não faz o que faz porque vocês dão dinheiro a ele, vocês dão dinheiro a ele porque ele faz o que ele faz.
O Apóstolo Paulo abriu mão do seu direito de coletar apoio financeiro da maioria das igrejas nas quais ele trabalhou, mas ela afirmou que as igrejas deveriam apoiar aqueles que trabalhavam espalhando o evangelho (1 Coríntios 9). A igreja deve sustentar tantos quantos pregadores, professores, evangelistas e missionários ela for capaz. Quando homens querem devotar a vida deles à proclamação do evangelho, nós devemos considerar como nosso privilégio e alegria sustentar estes homens.
2. Pare de pensar que seu pregador faz o que ele faz em seu lugar.
Muitos membros de igrejas pensam em seus pregadores como os ministros (servos) da igreja. Eles consideram como tarefa do ministro fazer o aconselhamento, a visitação, o evangelismo e o ensino da igreja. E quer admitamos ou não muito deste pensamento vem do fato de que nós não queremos fazer este trabalho, pensamos que não temos tempo, então contratamos alguém que faça por nós.
Dizemos coisas do tipo: “Eu não sei como fazer e não tenho tempo para ir no hospital e visitar as pessoas que estão doentes, nem para fazer estudos bíblicos com incrédulos; é para isso que pagamos o pastor.” Mas não poderíamos estar mais errados por esta forma de pensarmos.
Não existe nenhum precedente bíblico para se contratar alguém para fazer a obra que nós deveríamos estar fazendo. De fato, uma das tarefas do pastor é “equipar” os membros da igreja para que eles façam a “obra do ministério” (Efésios 4.11-12). Você não sustenta um pastor para que você possa ser aliviado do trabalho, você sustenta um pastor, em parte, para que ele ajude a te equipar e motivar para a obra que você deve estar fazendo.
É óbvio que ele ajuda a equipar a igreja sendo um bom exemplo de serviço, mas se ele começar a fazer o trabalho por você, ele estará te mimando e não te equipando. Muitos pastores precisam parar de mimar a igreja e começar a equipar a igreja.
3. Pare de pensar que seu pregador pertence a você
Quando uma igreja pensa em seu pregador como empregado dela, ela entendeu errado a situação. O pastor não trabalha para a igreja. Ele não trabalha para os presbíteros. Ele trabalha para o Senhor. Paulo chama os pregadores de “servos do Senhor” (2 Timóteo 2.24), e é isto o que o pregador é, o servo do Senhor. Não o nosso servo.
É claro que o pregador e seu trabalho estão sob a supervisão dos presbíteros da igreja. Os presbíteros pastoreiam o pregador, ajudando-o a balancear o trabalho que ele realiza especificamente para a igreja local e o trabalho que ele realiza pelo Reino. Um pregador pode decidir junto com seus presbíteros que seu trabalho precisa focar primariamente – ou até mesmo exclusivamente – na obra local; enquanto outro pregador e seus presbíteros podem decidir focar as habilidades do pregador mais em espalhar o evangelho ao redor do mundo.
Mas é vergonhoso quando uma igreja acredita que o pregador pertence a eles e se ressentem pelo tempo que ele investe pregando e ensinando em outros lugares.
4. Deixe seu pregador ser um membro de sua igreja
Quando as igrejas pensam que seus pastores são empregados que pertencem a eles, elas com frequência falham ao não tratá-los como co-membros de igreja. Nossos pregadores precisam ser capazes de ter comunhão, aprender, confessar seus pecados e dificuldades, serem encorajados, aconselhados e ter todos os benefícios que desfrutamos como membros de uma família da fé. Mas muitas vezes nós negamos estas bençãos a eles porque os tratamos como nossos empregados.
Considere algumas destas questões:
O pregador está sempre ensinando na Escola Bíblica Dominical, ou vocês deixam que ele seja o aluno algumas vezes?
Você espera que seu pregador seja sempre quem estará ensinando, aconselhando e encorajando você, ou algumas vezes você oferece a ele os seus ouvidos?
O seu pregador se sente como um membro da sua igreja ou como um empregado da sua igreja?
Conclusão
O ponto central é este, temos que parar de pensar que o dinheiro que damos ao nosso pregador faz com que ele tenha uma dívida com a gente. Ao invés disto, devemos considerar nosso privilégio podermos sustentar homens que fiel e diligentemente proclamam a mensagem do evangelho em nossa igreja ou ao redor do mundo. Devemos encoraja-los de todas as formas que pudermos na obra que eles realizam.
Wes McAdams
Extraído do Blog REVIVE.
1. Pare de pensar que o Pregador faz o que faz pelo pagamento.
A maioria dos membros de igrejas pensam que os seus pregadores fazem o que fazem porque eles o pagam para fazê-lo. Eu creio que esta é uma forma invertida de se pensar sobre a situação. É muito mais saudável pensar da seguinte forma: “O pregador comprometeu sua vida à proclamação do evangelho e nós o apoiamos financeiramente neste esforço.” Ele não faz o que faz porque vocês dão dinheiro a ele, vocês dão dinheiro a ele porque ele faz o que ele faz.
O Apóstolo Paulo abriu mão do seu direito de coletar apoio financeiro da maioria das igrejas nas quais ele trabalhou, mas ela afirmou que as igrejas deveriam apoiar aqueles que trabalhavam espalhando o evangelho (1 Coríntios 9). A igreja deve sustentar tantos quantos pregadores, professores, evangelistas e missionários ela for capaz. Quando homens querem devotar a vida deles à proclamação do evangelho, nós devemos considerar como nosso privilégio e alegria sustentar estes homens.
2. Pare de pensar que seu pregador faz o que ele faz em seu lugar.
Muitos membros de igrejas pensam em seus pregadores como os ministros (servos) da igreja. Eles consideram como tarefa do ministro fazer o aconselhamento, a visitação, o evangelismo e o ensino da igreja. E quer admitamos ou não muito deste pensamento vem do fato de que nós não queremos fazer este trabalho, pensamos que não temos tempo, então contratamos alguém que faça por nós.
Dizemos coisas do tipo: “Eu não sei como fazer e não tenho tempo para ir no hospital e visitar as pessoas que estão doentes, nem para fazer estudos bíblicos com incrédulos; é para isso que pagamos o pastor.” Mas não poderíamos estar mais errados por esta forma de pensarmos.
Não existe nenhum precedente bíblico para se contratar alguém para fazer a obra que nós deveríamos estar fazendo. De fato, uma das tarefas do pastor é “equipar” os membros da igreja para que eles façam a “obra do ministério” (Efésios 4.11-12). Você não sustenta um pastor para que você possa ser aliviado do trabalho, você sustenta um pastor, em parte, para que ele ajude a te equipar e motivar para a obra que você deve estar fazendo.
É óbvio que ele ajuda a equipar a igreja sendo um bom exemplo de serviço, mas se ele começar a fazer o trabalho por você, ele estará te mimando e não te equipando. Muitos pastores precisam parar de mimar a igreja e começar a equipar a igreja.
3. Pare de pensar que seu pregador pertence a você
Quando uma igreja pensa em seu pregador como empregado dela, ela entendeu errado a situação. O pastor não trabalha para a igreja. Ele não trabalha para os presbíteros. Ele trabalha para o Senhor. Paulo chama os pregadores de “servos do Senhor” (2 Timóteo 2.24), e é isto o que o pregador é, o servo do Senhor. Não o nosso servo.
É claro que o pregador e seu trabalho estão sob a supervisão dos presbíteros da igreja. Os presbíteros pastoreiam o pregador, ajudando-o a balancear o trabalho que ele realiza especificamente para a igreja local e o trabalho que ele realiza pelo Reino. Um pregador pode decidir junto com seus presbíteros que seu trabalho precisa focar primariamente – ou até mesmo exclusivamente – na obra local; enquanto outro pregador e seus presbíteros podem decidir focar as habilidades do pregador mais em espalhar o evangelho ao redor do mundo.
Mas é vergonhoso quando uma igreja acredita que o pregador pertence a eles e se ressentem pelo tempo que ele investe pregando e ensinando em outros lugares.
4. Deixe seu pregador ser um membro de sua igreja
Quando as igrejas pensam que seus pastores são empregados que pertencem a eles, elas com frequência falham ao não tratá-los como co-membros de igreja. Nossos pregadores precisam ser capazes de ter comunhão, aprender, confessar seus pecados e dificuldades, serem encorajados, aconselhados e ter todos os benefícios que desfrutamos como membros de uma família da fé. Mas muitas vezes nós negamos estas bençãos a eles porque os tratamos como nossos empregados.
Considere algumas destas questões:
O pregador está sempre ensinando na Escola Bíblica Dominical, ou vocês deixam que ele seja o aluno algumas vezes?
Você espera que seu pregador seja sempre quem estará ensinando, aconselhando e encorajando você, ou algumas vezes você oferece a ele os seus ouvidos?
O seu pregador se sente como um membro da sua igreja ou como um empregado da sua igreja?
Conclusão
O ponto central é este, temos que parar de pensar que o dinheiro que damos ao nosso pregador faz com que ele tenha uma dívida com a gente. Ao invés disto, devemos considerar nosso privilégio podermos sustentar homens que fiel e diligentemente proclamam a mensagem do evangelho em nossa igreja ou ao redor do mundo. Devemos encoraja-los de todas as formas que pudermos na obra que eles realizam.
Wes McAdams
Extraído do Blog REVIVE.
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27 setembro 2015
Intoxicação teológica e dúvidas sinceras
Após o almoço olhando as postagens nas redes sociais, aparece a seguinte conversa:[1]
Jovem teólogo:[2]
Boa tarde. Irmão, é que eu estou passando por um momento intelectualmente complicado.
Pode me ajudar?
Eu:
Se possível, sim
Jovem teólogo:
Sou cristão há 5 anos, tenho 19. Creio nas doutrinas da Graça, o calvinismo. Só que nos últimos muitos meses, eu tenho visto tanta contradição entre doutrinas, nas próprias igrejas... Li matérias de que a Bíblia que temos em mãos é cópia de cópia de cópia, por isso seria adulterada. Vi trechos e textos que firmam que YaHVeH pode ser uma mistura de deuses pagãos. E tenho me sentido inclinado ao agnosticismo... Estou confuso e cansado, irmão.
Eu:
Peço que considere algumas ideias. Primeiro, creio que você precisa ler a Escritura e confiar no testemunho interno do Espírito Santo, que testifica ser a Bíblia a Palavra de Deus. Você está fraco na fé. O alimento da fé é a Escritura, nutra-se dela. Segundo, as teorias críticas foram produzidas por estudiosos ímpios e refletem a sua incrédula rebeldia. São ideias altamente venenosas. Mas existe excelente antídoto para neutralizar os seus efeitos nocivos. Terceiro, estude autores que comprometidos com a verdade, produzem textos bem pesquisados, seriamente escritos para promover vigor e fortalecer uma cosmovisão coerentemente cristã. Quarto, a dúvida é saudável quando me desafia a conhecer a verdade. Se a dúvida induz à incredulidade ou ao agnosticismo, então, ela apenas está revelando uma reação pecaminosa do seu coração. Aconselho, no amor de Cristo, que se arrependa! Duvide de si mesmo, questione a sua sabedoria, pergunte-se seriamente se os pensamentos que estão te afastando do verdadeiro Deus, se, de fato, são verdadeiros. E, por último, tenha um mentor teológico que te oriente em suas leituras. De certa forma, ler é alimentar-se. A questão é se você está se nutrindo, ou se intoxicando. Oro para que este momento ruim passe. Se precisar de algo mais pode consultar-me. No amor e temor de Cristo, o nosso Redentor.
Jovem teólogo:
Certo, vou reler isto que o senhor me disse e refletir... Desde já eu agradeço, de verdade, me deu uma resposta diferente da maioria.
Deus abençoe. Certo, eu agradeço de verdade por sua ajuda.
Obrigado por estar disponível.
NOTAS:
[1] O texto é o resultado de uma conversa que tive com um jovem que leu teologia liberal.
[2] A sua identidade será preservada. Pessoalmente não o conheço.
Jovem teólogo:[2]
Boa tarde. Irmão, é que eu estou passando por um momento intelectualmente complicado.
Pode me ajudar?
Eu:
Se possível, sim
Jovem teólogo:
Sou cristão há 5 anos, tenho 19. Creio nas doutrinas da Graça, o calvinismo. Só que nos últimos muitos meses, eu tenho visto tanta contradição entre doutrinas, nas próprias igrejas... Li matérias de que a Bíblia que temos em mãos é cópia de cópia de cópia, por isso seria adulterada. Vi trechos e textos que firmam que YaHVeH pode ser uma mistura de deuses pagãos. E tenho me sentido inclinado ao agnosticismo... Estou confuso e cansado, irmão.
Eu:
Peço que considere algumas ideias. Primeiro, creio que você precisa ler a Escritura e confiar no testemunho interno do Espírito Santo, que testifica ser a Bíblia a Palavra de Deus. Você está fraco na fé. O alimento da fé é a Escritura, nutra-se dela. Segundo, as teorias críticas foram produzidas por estudiosos ímpios e refletem a sua incrédula rebeldia. São ideias altamente venenosas. Mas existe excelente antídoto para neutralizar os seus efeitos nocivos. Terceiro, estude autores que comprometidos com a verdade, produzem textos bem pesquisados, seriamente escritos para promover vigor e fortalecer uma cosmovisão coerentemente cristã. Quarto, a dúvida é saudável quando me desafia a conhecer a verdade. Se a dúvida induz à incredulidade ou ao agnosticismo, então, ela apenas está revelando uma reação pecaminosa do seu coração. Aconselho, no amor de Cristo, que se arrependa! Duvide de si mesmo, questione a sua sabedoria, pergunte-se seriamente se os pensamentos que estão te afastando do verdadeiro Deus, se, de fato, são verdadeiros. E, por último, tenha um mentor teológico que te oriente em suas leituras. De certa forma, ler é alimentar-se. A questão é se você está se nutrindo, ou se intoxicando. Oro para que este momento ruim passe. Se precisar de algo mais pode consultar-me. No amor e temor de Cristo, o nosso Redentor.
Jovem teólogo:
Certo, vou reler isto que o senhor me disse e refletir... Desde já eu agradeço, de verdade, me deu uma resposta diferente da maioria.
Deus abençoe. Certo, eu agradeço de verdade por sua ajuda.
Obrigado por estar disponível.
NOTAS:
[1] O texto é o resultado de uma conversa que tive com um jovem que leu teologia liberal.
[2] A sua identidade será preservada. Pessoalmente não o conheço.
02 junho 2015
O calvinismo, a política e a Bíblia - H. Henry Meeter
Começaremos o nosso estudo dos princípios do calvinismo quanto à esfera política fazendo uma breve introdução histórica. Afirmam, às vezes, que o calvinismo pode ser bom como sistema teológico, mas que aparte de certas verdades gerais sobre a soberania de Deus em todas as esferas da vida e ao que se acrescente a obediência os cidadãos a seu governo, o calvinismo não tem um programa político a oferecer. Mantém-se que o calvinismo nunca chegou a desenvolver um sistema político próprio. E, em casos em que se chega a admitir tal possibilidade, então, afirma-se que este sistema consiste em teorias meramente abstratas que nunca foram provadas no plano político, de maneira que, não se pode saber se realmente são funcionais.
RESUMO HISTÓRICO DA POSIÇÃO CALVINISTA EM RELAÇÃO À POLÍTICA
Àqueles que sustentam tais opiniões, o estudo da história política do calvinismo lhe reservará grandes surpresas. Assim, não somente o calvinismo desenvolveu princípios políticos próprios, senão que diversas foram as teorias políticas que se estruturaram sobre estes princípios, e igualmente aplicadas em diferentes países da história moderna. Quem se der ao trabalho de examinar, por exemplo, o índice do livro de história das teorias políticas do Dr W.A. Dunning, professor de história e filosofia política na Universidade de Columbia, e que leva o título: Uma História das Teorias Políticas, não tardará em perceber tão importante lugar que estas teorias políticas ocupam e que, em parte ou na sua totalidade, deve a sua origem ao calvinismo. Uma das causas pelas quais hoje em dia não se sabe muito dos pontos de vista calvinista sobre a política, há que busca-la no fato de que ultimamente o mundo inglês mostra pouca simpatia pelas perspectivas políticas que se baseiam na soberania de Deus e nos princípios da Escritura. Consequentemente, se estas perspectivas ocupassem de novo um primeiro plano, pesa sobre os calvinistas a missão de fazê-las conhecidas.
Continue a leitura do texto completo [ AQUI ]
Extraído de H. Henry Meeter, La Iglesia y el Estado (Grand Rapids, TELL, 1963), pp. 93-101. Este livro originalmente foi publicado sob o título de THE BASIC IDEAS OF CALVINISM.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
2 de Junho de 2015.
RESUMO HISTÓRICO DA POSIÇÃO CALVINISTA EM RELAÇÃO À POLÍTICA
Àqueles que sustentam tais opiniões, o estudo da história política do calvinismo lhe reservará grandes surpresas. Assim, não somente o calvinismo desenvolveu princípios políticos próprios, senão que diversas foram as teorias políticas que se estruturaram sobre estes princípios, e igualmente aplicadas em diferentes países da história moderna. Quem se der ao trabalho de examinar, por exemplo, o índice do livro de história das teorias políticas do Dr W.A. Dunning, professor de história e filosofia política na Universidade de Columbia, e que leva o título: Uma História das Teorias Políticas, não tardará em perceber tão importante lugar que estas teorias políticas ocupam e que, em parte ou na sua totalidade, deve a sua origem ao calvinismo. Uma das causas pelas quais hoje em dia não se sabe muito dos pontos de vista calvinista sobre a política, há que busca-la no fato de que ultimamente o mundo inglês mostra pouca simpatia pelas perspectivas políticas que se baseiam na soberania de Deus e nos princípios da Escritura. Consequentemente, se estas perspectivas ocupassem de novo um primeiro plano, pesa sobre os calvinistas a missão de fazê-las conhecidas.
Continue a leitura do texto completo [ AQUI ]
Extraído de H. Henry Meeter, La Iglesia y el Estado (Grand Rapids, TELL, 1963), pp. 93-101. Este livro originalmente foi publicado sob o título de THE BASIC IDEAS OF CALVINISM.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
2 de Junho de 2015.
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30 maio 2015
O calvinismo e a cultura - H. Henry Meeter
O dicionário define a palavra cultura como “o ato de cultivar, ou o resultado desta cultivação.” A continuação explica o que se entende por esta cultivação: implica educação, qualquer disciplina ou desenvolvimento que se traduza num melhoramento – seja nas plantas, nos animais ou nos seres humanos -. Dai que se pode falar da “cultura das plantas, das flores, das abelhas”, etc. Todavia, num sentido estrito o termo cultura se aplica à cultura humana, e em referência a “qualquer cultivo dentro da raça humana que resulte no melhoramento, esclarecimento e disciplina, e que se adquire pela educação moral e mental, pela civilização, por uma superação dos usos e costumes, etc.”
A palavra é de uma significação muito ampla. Nós a usarmos, na maioria dos casos, em sua significação restrita e referida somente aos seres humanos. Mas, ainda aqui a palavra é susceptível de diferentes significações. Para alguns a palavra não vem a significar mais do que um mero refinamento. Assim quando alguém começa a trabalhar num escritório, pelo contato com a sociedade que o rodeia, adquire certo grau de refinamento, aprende algumas expressões seletas, desenvolve modos agradáveis e se veste segundo a última moda. Esta pessoa será catalogada como culta.
LEIA O TEXTO COMPLETO [ AQUI ]
Extraído de H. Henry Meeter, La Iglesia y el Estado (Grand Rapids, TELL, 1963), pp. 75-91. Este livro originalmente foi publicado sob o título de THE BASIC IDEAS OF CALVINISM.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
30 de Maio de 2015.
A palavra é de uma significação muito ampla. Nós a usarmos, na maioria dos casos, em sua significação restrita e referida somente aos seres humanos. Mas, ainda aqui a palavra é susceptível de diferentes significações. Para alguns a palavra não vem a significar mais do que um mero refinamento. Assim quando alguém começa a trabalhar num escritório, pelo contato com a sociedade que o rodeia, adquire certo grau de refinamento, aprende algumas expressões seletas, desenvolve modos agradáveis e se veste segundo a última moda. Esta pessoa será catalogada como culta.
LEIA O TEXTO COMPLETO [ AQUI ]
Extraído de H. Henry Meeter, La Iglesia y el Estado (Grand Rapids, TELL, 1963), pp. 75-91. Este livro originalmente foi publicado sob o título de THE BASIC IDEAS OF CALVINISM.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki
30 de Maio de 2015.
06 maio 2015
O Princípio Regulador de Culto é o Princípio Fundamental do Protestantismo
“Então, aqui temos o princípio [de culto] tingido com o sangue de nossos antepassados puritanos - tanto os pactuantes [escoceses] como os huguenotes [franceses] - o que não é ordenado, explícito ou implicitamente nas Escrituras, é proibido para a Igreja. Ela não pode ditar nova doutrina, bem como lhe é permitido fazer novas leis, ou ordenar que hajam novas formas de governo, e nem pode inventar novos modelos de culto. Esta é apenas uma declaração de um princípio fundamental do Protestantismo para distingui-lo do Racionalismo de um lado e, por outro do Catolicismo Romano - que as Escrituras, como a palavra de Cristo, são a regra completa e final da nossa fé e dever. Elas são completas, uma vez que elas fornecem tão perfeitamente uma provisão tanto para o espiritual, assim como a natureza para o desenvolvimento físico do homem, e, portanto, exclui todas as outras regras como desnecessárias e supérfluas. Elas são final porque, sendo a Palavra de Deus, elas devem pronunciar infalível e supremamente sobre todas as questões relativas à fé e prática religiosa. O dever da Igreja, consequentemente, é conformar-se estritamente à palavra divina, e sua culpa e perigo é de apartar-se dela, e isto parece ter evidente clareza. Mas, os princípios mais claros, através da cegueira, falibilidade e da perversidade da mente humana, frequentemente provam-se inoperantes na experiência real; e, a história da Igreja fornece lamentáveis provas de que a verdade reguladora da integridade e supremacia das Escrituras não constitui exceção a esta observação.”
—John L. Girardeau (1825-1898) “The Discretionary Power of the Church”
Extraído de The Heidelblog acessado em 6 de Maio de 2015.
—John L. Girardeau (1825-1898) “The Discretionary Power of the Church”
Extraído de The Heidelblog acessado em 6 de Maio de 2015.
07 abril 2015
Por que não existem calvinistas pacifistas?
Thomas S. Kidd
Por que tão poucos cristãos reformados figuram entre os pacifistas? Uma leitura rápida dos ensinos de Jesus parece encorajar uma interpretação pacifista, ao menos no nível cristão mais individual. Tal como a conhecida declaração: “... não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra” (Mt 5.39). Ainda assim, a tradição pacifista tem muito maior influência nos anabatistas, e entre católicos e protestantes liberais, do que sobre os cristãos reformados.
Se a palavra de Deus é a autoridade máxima de fé e prática, é desejável que perguntemos a razão dos protestantes reformados serem inclinados a não serem pacifistas. Mesmo que minhas respostas sobre um assunto tão vasto não vá além das tentativas, eu arrisco duas razões principais: uma admirável e, outra problemática.
Abordagem bíblica
A primeira razão é que os cristãos reformados tradicionalmente são cautelosos em realçar qualquer passagem da Escritura isoladamente, e são inclinados a ler (mesmo de forma imperfeita) a Bíblia como um todo. Cristãos pacifistas são, às vezes, como eles mesmos confessam, leitores do tipo “ênfase em vermelho”, versões bíblicas que dão destaque aos ensinos de Jesus no campo da ética. Por vezes, isso implica, até involuntariamente, que outras passagens da Escritura – como a história das guerras dos israelitas contra os cananeus – não tenham necessariamente a mesma autoridade que os demais ensinos de Jesus.
Ao mesmo tempo que os cristãos reformados jamais aconselhariam negligenciar os ensinos de Jesus, rejeitam que algumas passagens da Escritura possuem certa precedência sobre outras, ou, que tais passagens sejam contraditórias. Portanto, por mais que seja difícil explicar, cristãos reformados já partem da premissa de que o ensino de Cristo sobre não retaliação de alguma forma está conectado aos israelitas passando ao fio da espada homens, mulheres e crianças. Dado que admitimos a perfeita inspiração das Escrituras, bem como a suficiência delas como guia nos caminhos de Deus, tal correta premissa é que de fato deve alicerçar nossa interpretação.
Igualmente, cristãos reformados tendem a ver certa continuidade entre Antigo e Novo Testamento. Mesmo que Israel e a Igreja sejam entidades distintas, eles sustentam que há semelhanças na forma como Deus se relacionava com Israel e a forma como Ele se relaciona com a Igreja. Portanto, se Deus por vezes ordenava que Israel fizesse manobras militares e conquistasse territórios, não é disparate pensar que a Igreja também seja convocada por Deus a atos semelhantes sob cujo governo civil ela eventualmente esteja.
Passado sombrio
É onde repousa o fator mais problemático para a ausência de uma tradição pacifista entre os reformados. Cristãos reformados se mostraram em várias ocasiões muito à vontade com a violência sob chancela estatal. Desde a reforma, muitos protestantes têm visto governos, tronos e exércitos como detentores de um importante papel no avanço do Reino. Se alguém acredita na providência, então a agenda das nações de alguma forma cumpre o plano de Deus para a humanidade. Porém, os cristãos reformados poderiam tomar emprestado um pouco do pessimismo de outros cristãos, como os anabatistas (menonitas e outros), ou de teólogos como Stanley Hauerwas, profundamente cético quanto às ações estatais e suas intenções militares.
Para citar apenas um episódio do atrelamento ao estado, considere a Nova Inglaterra após a Revolução Gloriosa (1688-1689). A deposição do rei católico romano James II do trono britânico provocou décadas de luta imperial entre os católicos romanos europeus e as forças protestantes. As colônias da Nova Inglaterra foram arrastadas para este conflito, sendo diretamente afetadas, especialmente em lutas cruéis com os vizinhos ao norte do Canadá.
Os anglo-americanos nos primeiros sessenta anos do séc. 18 atribuíram uma enorme importância religiosa ao sucesso do exército britânico bem como à proteção do trono inglês, e tudo em nome da causa protestante. Para eles, significava o trono permanente da Casa de Hanover, do rei protestante George (incluindo, inicialmente, o rei George III. Benjamim Colman, o principal pastor em Boston quando do Grande Avivamento, declarou uma vez que para os da Nova Inglaterra “a adesão à dinastia protestante da Casa de Hanover é a nossa fidelidade a Cristo e à sua santa religião”. Endossar o rei “é” nossa fidelidade a Cristo? Se esse tipo de pronunciamento cívico-religioso não lhe faz remexer na cadeira, você não está pensando claramente sobre as nossas prioridades como cristãos.
Claro que muitos calvinistas reprovaram as conseqüências da guerra e da agressão imperial britânica, mas estes ficaram muitas vezes às margens do poder estatal. Os batistas perseguidos na América colonial tardia ou os índios convertidos durante o Grande Avivamento tinham uma visão bem atenuada da causa patriótica quando da Revolução Americana. Eles haviam sofrido nas mãos dos mesmos homens que agora solicitavam que empunhassem armas contra os britânicos. Os principais pastores batistas Isaac Backus e James Manning não demonstraram zelo marcial quando as primeiras batalhas da Revolução Americana ocorreram. Em lugar disso, lamentaram que o conflito contribuísse para sufocar um avivamento recém-iniciado na Nova Inglaterra: “Oh horrenda batalha” lamentaram. “Como é contrária ao espírito de Cristo.”
O renomado pastor batista calvinista, Charles Spurgeon, registrou preocupações semelhantes para com a exploração colonial britânica no século XIX. Mas apesar da sonoridade pacifista de suas citações, Spurgeon parece não ter abraçado completamente a causa anti-imperial. Reagindo a uma rebelião na Índia em 1857, Spurgeon fez alguns comentários que retirados de seu contexto, permitiriam rotulá-lo como um pacifista. “há muito tempo vejo a guerra como um crime gigantesco”, diz ele, “desde muito tempo considero todas as batalhas apenas como assassinato em larga escala”. Ainda assim ele cita Rm 13, observando que a autoridade não traz a espada em vão. “Desta vez”, ele disse, “eu, como homem pacífico, seguidor do Salvador Pacífico, recomendo a guerra”. Ele via, nos rebeldes, assassinos criminosos que deveriam receber a justa punição do Estado.
Ceticismo moderado e apoio consternado
Sou um cristão reformado evangélico, e não sou pacifista. Não vejo nenhuma exigência pacifista consistente na Escritura, especialmente para com governos e mandatários. Mas os cristãos reformados poderiam usar de mais ceticismo a respeito da prudência e valor de uma guerra, e das reivindicações da nação onde vivem.
Devemos orar pela sabedoria dos líderes, e apoiar com certo pesar guerras quando estas atendem os padrões de uma causa justa (devem ser limitadas, contra-ataque, defesa, etc.) Em lugar disso, os cristãos reformados e evangélicos americanos em geral, algumas vezes se comportam mais como zelosos guerrilheiros, por crer que sua nação está perfeitamente levando a adiante os propósitos do Reino de Deus.
O articulista Thomas S. Kidd é professor de História na Baylor Universiy e autor de vários livros, entre eles Patrick Henry: First Among Patriots (Basic, 2011) e George Whitefield: America’s Spiritual Founding Father (Yale, 2014).
Extraído de The Gospel Coalition e acessado em 06/04/2015.
Traduzido por Lucas Paulo de Freitas
Revisado por Ewerton B. Tokashiki
Por que tão poucos cristãos reformados figuram entre os pacifistas? Uma leitura rápida dos ensinos de Jesus parece encorajar uma interpretação pacifista, ao menos no nível cristão mais individual. Tal como a conhecida declaração: “... não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra” (Mt 5.39). Ainda assim, a tradição pacifista tem muito maior influência nos anabatistas, e entre católicos e protestantes liberais, do que sobre os cristãos reformados.
Se a palavra de Deus é a autoridade máxima de fé e prática, é desejável que perguntemos a razão dos protestantes reformados serem inclinados a não serem pacifistas. Mesmo que minhas respostas sobre um assunto tão vasto não vá além das tentativas, eu arrisco duas razões principais: uma admirável e, outra problemática.
Abordagem bíblica
A primeira razão é que os cristãos reformados tradicionalmente são cautelosos em realçar qualquer passagem da Escritura isoladamente, e são inclinados a ler (mesmo de forma imperfeita) a Bíblia como um todo. Cristãos pacifistas são, às vezes, como eles mesmos confessam, leitores do tipo “ênfase em vermelho”, versões bíblicas que dão destaque aos ensinos de Jesus no campo da ética. Por vezes, isso implica, até involuntariamente, que outras passagens da Escritura – como a história das guerras dos israelitas contra os cananeus – não tenham necessariamente a mesma autoridade que os demais ensinos de Jesus.
Ao mesmo tempo que os cristãos reformados jamais aconselhariam negligenciar os ensinos de Jesus, rejeitam que algumas passagens da Escritura possuem certa precedência sobre outras, ou, que tais passagens sejam contraditórias. Portanto, por mais que seja difícil explicar, cristãos reformados já partem da premissa de que o ensino de Cristo sobre não retaliação de alguma forma está conectado aos israelitas passando ao fio da espada homens, mulheres e crianças. Dado que admitimos a perfeita inspiração das Escrituras, bem como a suficiência delas como guia nos caminhos de Deus, tal correta premissa é que de fato deve alicerçar nossa interpretação.
Igualmente, cristãos reformados tendem a ver certa continuidade entre Antigo e Novo Testamento. Mesmo que Israel e a Igreja sejam entidades distintas, eles sustentam que há semelhanças na forma como Deus se relacionava com Israel e a forma como Ele se relaciona com a Igreja. Portanto, se Deus por vezes ordenava que Israel fizesse manobras militares e conquistasse territórios, não é disparate pensar que a Igreja também seja convocada por Deus a atos semelhantes sob cujo governo civil ela eventualmente esteja.
Passado sombrio
É onde repousa o fator mais problemático para a ausência de uma tradição pacifista entre os reformados. Cristãos reformados se mostraram em várias ocasiões muito à vontade com a violência sob chancela estatal. Desde a reforma, muitos protestantes têm visto governos, tronos e exércitos como detentores de um importante papel no avanço do Reino. Se alguém acredita na providência, então a agenda das nações de alguma forma cumpre o plano de Deus para a humanidade. Porém, os cristãos reformados poderiam tomar emprestado um pouco do pessimismo de outros cristãos, como os anabatistas (menonitas e outros), ou de teólogos como Stanley Hauerwas, profundamente cético quanto às ações estatais e suas intenções militares.
Para citar apenas um episódio do atrelamento ao estado, considere a Nova Inglaterra após a Revolução Gloriosa (1688-1689). A deposição do rei católico romano James II do trono britânico provocou décadas de luta imperial entre os católicos romanos europeus e as forças protestantes. As colônias da Nova Inglaterra foram arrastadas para este conflito, sendo diretamente afetadas, especialmente em lutas cruéis com os vizinhos ao norte do Canadá.
Os anglo-americanos nos primeiros sessenta anos do séc. 18 atribuíram uma enorme importância religiosa ao sucesso do exército britânico bem como à proteção do trono inglês, e tudo em nome da causa protestante. Para eles, significava o trono permanente da Casa de Hanover, do rei protestante George (incluindo, inicialmente, o rei George III. Benjamim Colman, o principal pastor em Boston quando do Grande Avivamento, declarou uma vez que para os da Nova Inglaterra “a adesão à dinastia protestante da Casa de Hanover é a nossa fidelidade a Cristo e à sua santa religião”. Endossar o rei “é” nossa fidelidade a Cristo? Se esse tipo de pronunciamento cívico-religioso não lhe faz remexer na cadeira, você não está pensando claramente sobre as nossas prioridades como cristãos.
Claro que muitos calvinistas reprovaram as conseqüências da guerra e da agressão imperial britânica, mas estes ficaram muitas vezes às margens do poder estatal. Os batistas perseguidos na América colonial tardia ou os índios convertidos durante o Grande Avivamento tinham uma visão bem atenuada da causa patriótica quando da Revolução Americana. Eles haviam sofrido nas mãos dos mesmos homens que agora solicitavam que empunhassem armas contra os britânicos. Os principais pastores batistas Isaac Backus e James Manning não demonstraram zelo marcial quando as primeiras batalhas da Revolução Americana ocorreram. Em lugar disso, lamentaram que o conflito contribuísse para sufocar um avivamento recém-iniciado na Nova Inglaterra: “Oh horrenda batalha” lamentaram. “Como é contrária ao espírito de Cristo.”
O renomado pastor batista calvinista, Charles Spurgeon, registrou preocupações semelhantes para com a exploração colonial britânica no século XIX. Mas apesar da sonoridade pacifista de suas citações, Spurgeon parece não ter abraçado completamente a causa anti-imperial. Reagindo a uma rebelião na Índia em 1857, Spurgeon fez alguns comentários que retirados de seu contexto, permitiriam rotulá-lo como um pacifista. “há muito tempo vejo a guerra como um crime gigantesco”, diz ele, “desde muito tempo considero todas as batalhas apenas como assassinato em larga escala”. Ainda assim ele cita Rm 13, observando que a autoridade não traz a espada em vão. “Desta vez”, ele disse, “eu, como homem pacífico, seguidor do Salvador Pacífico, recomendo a guerra”. Ele via, nos rebeldes, assassinos criminosos que deveriam receber a justa punição do Estado.
Ceticismo moderado e apoio consternado
Sou um cristão reformado evangélico, e não sou pacifista. Não vejo nenhuma exigência pacifista consistente na Escritura, especialmente para com governos e mandatários. Mas os cristãos reformados poderiam usar de mais ceticismo a respeito da prudência e valor de uma guerra, e das reivindicações da nação onde vivem.
Devemos orar pela sabedoria dos líderes, e apoiar com certo pesar guerras quando estas atendem os padrões de uma causa justa (devem ser limitadas, contra-ataque, defesa, etc.) Em lugar disso, os cristãos reformados e evangélicos americanos em geral, algumas vezes se comportam mais como zelosos guerrilheiros, por crer que sua nação está perfeitamente levando a adiante os propósitos do Reino de Deus.
O articulista Thomas S. Kidd é professor de História na Baylor Universiy e autor de vários livros, entre eles Patrick Henry: First Among Patriots (Basic, 2011) e George Whitefield: America’s Spiritual Founding Father (Yale, 2014).
Extraído de The Gospel Coalition e acessado em 06/04/2015.
Traduzido por Lucas Paulo de Freitas
Revisado por Ewerton B. Tokashiki
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