10 setembro 2026

João Calvino na opinião de Karl Barth

Karl Barth escrevendo uma carta, em 8 de junho de 1922, para seu amigo Eduard Thurneysen, afirmou que

a pequena porção de ‘teologia reformada’ que ensino não é nada em comparação com o toque de trombeta que precisa ser dado em nossos tempos de doença ... Calvino é uma catarata, uma floresta primordial, um poder demoníaco, algo que desce diretamente do Himalaia, absolutamente chinês, estranho, mitológico; faltam-me completamente os meios, as ventosas, sequer para assimilar esse fenômeno, quanto mais para apresentá-lo adequadamente. O que recebo é apenas um fio d'água e o que sou capaz de transmitir é apenas um extrato ainda mais tênue desse fio d'água. Eu poderia, com prazer e proveito, me dedicar e passar o resto da minha vida apenas com Calvino. Mas é assim para mim em cada ponto da história ... No próximo semestre, haverá os mesmos exercícios com Zwingli. Mas será sempre apenas um começo, sobre o qual devo lamentar ... Assim, o ‘ofício do ensino’ geme; não se podia falar em ‘esplendor’. Mais de uma vez, a aula que eu apresentaria às 7 da manhã só estaria pronta entre 3 e 5 da madrugada.

Karl Barth, Revolutionary theology in the making: Barth-Thurneysen Correspondence, 1914-1925 (Richmond, John Knox Press, 1964), p. 101.