1. A Primeira Confissão Helvética (1536)
18. A eleição dos ministros
Para esta função deve-se garantir que qualquer um que não esteja especializado na lei divina e de vida irrepreensível, e por um singular estudo do nome de Cristo, seja preparado e julgado um ministro da igreja; e por aqueles a quem a administração foi confiada pelo magistrado cristão em nome da igreja. Aquele que foi seguramente escolhido por Deus, no entanto, precisa apropriadamente aprovado pelo voto da igreja e pela imposição das mãos dos presbíteros (1 Tm 3; Lc 12; At 1; Tt 1).[1]
2. Confissão Londrina de John à Lasco (1551)
Entretanto, a profissão dos ministros da palavra consiste na obrigação da realização destes deveres: [...] 3. Que eles cuidem da Igreja, ao lado de seus presbíteros, em seu crescimento e edificação, por meio da admoestação, consolo, repreensão e o uso da disciplina eclesiástica de acordo com a palavra de Deus (2 Tm 4; 1 Co 5).[2]
3. Vallérandus Poullain: Confissão da Congregação Glastonbury(1551)
[no fim da confissão tem os nomes e ofícios subscrevendo o documento]
Subscrito pelo Pastor e Presbíteros da Igreja Francesa de Frankfort.
Valérand Poullain, Pastor da Igreja.
Jean Murellio, doutor.
Jacques Crucius.
Louis Castalio [Castellio]
Também subscrito pelos ingleses, exilados pela e da glória do Evangelho, em nome de toda a Igreja.
John MacBriar, Ministro.
John Stanton.
William Hammond.
John Bendal.
William Whittingham.[3]
4. Confissão da Igreja Italiana em Genebra (1558)
[o pastor da Igreja Italiana de Genebra era Lattanzio Ragnone, que pastoreou entre 1557 e 1559].
Quando há quatro anos atrás os presbíteros da Igreja Italiana que está entre nós, percebeu (pelo cheiro) que entre alguns do rebanho haviam perversas palavras sendo ditas contra o primeiro princípio da nossa fé acerca das três pessoas em uma essência de Deus, pareceu-lhes que não havia melhor remédio do que uma fórmula confessional esboçada para divulgar tanto quanto possível o veneno que estava escondido. Temos nisto inserido aqui vertido palavra por palavra em Latim, a qual poderá ser subscrita.[4]
Aprovamos, recebemos e confirmamos todas as estas coisas, com a condição de que aquele que dizer de outra forma será considerado um perjuro e infiel.
Joh. Sylvester Telius, aprovo a confissão escrita e detesto qualquer coisa repugnante a ela.
Fr. Porcellinus, recebo e aprovo tudo o que abrange na confissão escrita.
Jon. Valentinus Gentilis, aceito como está.
Hippolytus Pelerinus Carignanus, aceito como está.
Joh. Nicolas Gallus, aceito como está.[5]
5. Confissão Francesa (1559)
Artigo XXIX – Oficiais da Igreja
Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada por aquela disciplina que o nosso Senhor Jesus estabeleceu, de modo que existiria na igreja, pastores, presbíteros e diáconos, que a pura doutrina possa ter o seu curso, e os vícios serem reformados e suprimidos, que o pobre e outras pessoas aflitas sejam socorridas em suas necessidades, e que em nome de Deus possa existir santas assembleias em que tanto grandes como pequenos sejam edificados.[6]
Artigo XXXI – Oficiais eleitos
Cremos que não é legítimo para qualquer homem que pela sua própria autoridade tome para si o governo da igreja, mas que todo aquele que for admitido, o seja por meio de legítima eleição, se é possível realiza-la, que o Senhor a permita. Temos expressamente adicionado a exceção, porque, durante algum tempo (como ela está caído em nossos dias), o estado da igreja esteve interrompido, Deus levantou algumas pessoas, duma maneira extraordinária, para reparar as ruínas da igreja decaída. Mas independente de como acontecer, cremos que esta norma sempre continuará, que todos os pastores, presbíteros e diáconos terão um testemunho de seu chamado aos seus respectivos ofícios.[7]
6. A Confissão Valdense (1560)
A política da Igreja verdadeira
Cremos a respeito da verdadeira igreja, que ela deve ser governada de acordo com a ordem e política estabelecida pelo nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, que precisa ser por ministros, presbíteros e diáconos, de modo que a pureza da doutrina possa obter plena realização e vícios sejam rejeitados e punidos, os pobres auxiliados em suas necessidades, e as pessoas reúnam-se em congregações em nome de Deus, onde grandes e pequenos sejam edificados.[8]
A eleição de pastores
Cremos que ninguém realizará o governo da igreja pela sua própria autoridade; antes, se fará uma eleição tanto for possível conforme a permissão de Deus. Adicionamos a isto a seguinte exceção: às vezes, é necessário, particularmente em nossos tempos, que Deus levante algumas pessoas de um modo extraordinário, de modo a edificar as igrejas novamente, que foram destruídas e arruinadas. Cremos que, em geral, podemos contar sempre com esta regra: que todos os ministros, presbíteros e diáconos têm testemunho de serem chamados aos seus ofícios.[9]
7. A Confissão de Theodore Beza (1560)
27. Do ofício do pastor e mestre
O cargo e ofício daqueles, a saber dos pastores, é que sejam diligentes e ocupem-se da sua doutrina (sob a qual também temos compreendido os sacramentos) e da oração (At 6:4), sob a qual também entendemos a benção dos casamentos dos crentes de acordo com o antigo costume da igreja.[10]
32. O terceiro grau dos ofícios eclesiásticos é a jurisdição e o ofício de presbíteros
O terceiro estado do ofício eclesiástico reside na jurisdição espiritual que foi ordenada àqueles que foram particularmente chamados nos escritos dos apóstolos e antigos escritores (tanto em concílios como em decisões canônicas) presbíteros, isto é, seniores ou anciões; os quais também, às vezes, são chamados de governos por são Paulo (1 Co 12:28), e foram escolhidos não pelo clero, mas pelo todo o corpo da igreja.[11]
8. Confissão Belga (1561)
Artigo XXX
Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada conforme a ordem espiritual, que nosso Senhor nos ensinou na sua Palavra. Deve haver ministros ou pastores para pregarem a Palavra de Deus e administrarem os sacramentos; deve haver também presbíteros e diáconos para formarem, com os pastores, o conselho da igreja. Assim, eles devem manter a verdadeira religião e fazer com que a verdadeira doutrina seja propagada, que os transgressores sejam castigados e contidos, de forma espiritual, e que os pobres e os aflitos recebam ajuda e consolação, conforme necessitam.
Desta maneira, tudo procederá, na igreja, em boa ordem, quando forem eleitas pessoas fiéis, conforme a regra do apóstolo Paulo na carta a Timóteo.[12]
Artigo XXXI
Cremos que os ministros da palavra de Deus, os presbíteros e os diáconos devem ser escolhidos para seus ofícios mediante eleição legítima pela igreja, sob invocação do nome de Deus e em boa ordem, conforme a palavra de Deus ensina. Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos, mas deve esperar a hora em que é chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza de que sua vocação vem do Senhor. Quanto aos ministros da Palavra, eles têm, onde quer que estejam, igual poder e autoridade, porque todos são servos de Jesus Cristo, o único Bispo universal e o único Cabeça da igreja. Além disto, a santa ordem de Deus não pode ser violada ou desprezada. Dizemos, portanto, que cada um deve ter respeito especial pelos ministros da Palavra e presbíteros da igreja, em razão do trabalho que realizam. Cada um deve viver em paz com eles, tanto quanto possível, sem murmuração, contenda ou discórdia.[13]
9. A Confessio Catholica Húngara (1562)
Finalmente, estabelecendo todo o ministério, a suma destas doutrinas. Este teste é conduzido publicamente na presença da igreja por pastores treinados e instruídos e outras pessoas, enquanto dois ou três presbíteros ou dois pastores próximos se reúnem. Não estamos obrigados a esta ordenação com o tribunal romano (curia), aos bispos e cardeais, ou a qualquer lugar ou pessoa; mas permitimos que ela aconteça livremente em cada igreja de Cristo.[14]
10. Confissão de Tarcal (1562) e Torda (1563)
Artigo XIV. Concernente ao ofício de pastor e doutor
Os ofícios de pastor e doutor têm em comum que eles estão engajados na proclamação da Palavra e na realização das orações, e incluímos a administração dos sacramentos, a benção matrimonial, a visitação e consolação aos doentes e todos os demais trabalhos como é costume na igreja (At 6:4; 1 Tm 4:13).[15]
Artigo XX. Concernente a espécie de ofícios na igreja que estão envolvidos no governo para o louvor e honra da Igreja
Vejamos agora a espécie de ofícios eclesiásticos que para o louvor e honra da igreja, lidam com o governo. Isto é confiado aos presbíteros (conselheiros ou anciãos, como se diz), aqueles a quem os apóstolos nomeiam nalguns lugares de “governos” e são particularmente assim chamados (1 Co 12:28; Rm 12:8); e a assembleia a quem Cristo chama de igreja (Mt 16:18), assim eles têm a honra do governo da igreja, de modo poderia suficientemente agradável para ser completamente cortado da organização da igreja em Israel. Presbíteros eram escolhidos pelo voto ou meramente pela aprovação de toda a assembleia, como é claramente percebido nos escritos de Ambrósio e Cipriano, que queixam de que alguns se aproveitam da autoridade deles.[16]
Artigo XXI. Concernente à ordem das coisas a serem realizadas no concílio ou assembleia de presbíteros
Apesar da honra do presbítero ser a mesma do pastor, como o seu ofício é um e o mesmo, mesmo assim, é necessário que todos os seus concílios sejam governados por uma certa ordem. Por esta razão, vemos que na assembleia apostólica em Jerusalém, o apóstolo Pedro foi o primeiro entre os demais (At 1:15; 2:14; 15:7).[17]
11. A Segunda Confissão Helvética (1566)
Artigo XVIII. Dos ministros da igreja, a sua instituição e ofícios
Além disso, os ministros do novo povo são designados por diversos nomes. São chamados apóstolos, Profetas, evangelistas, bispos, presbíteros, pastores e mestres (1 Co 12:28; Ef 4:11). Os apóstolos não permaneciam num lugar determinado, mas por todo o mundo iam congregando diversas igrejas. Uma vez estas estabelecidos, deixou de haver apóstolos, e, em seu lugar, apareceram pastores, cada um em sua igreja. Nos primeiros tempos eram videntes, conhecendo o futuro; mas também interpretavam as Escrituras. Tais homens são encontrados também hoje. Os escritores da história evangélica eram chamados Evangelistas; mas eram também arautos do Evangelho de Cristo; como o apóstolo São Paulo ordena a Timóteo: “Faze o trabalho de evangelista” (2 Tm 4.5). Bispos são os supervisores e vigias da Igreja, que administram o alimento e outras necessidades da vida da Igreja. Os presbíteros são os anciãos e, por assim dizer, os senadores e pais da Igreja, governando-a com sadio conselho. Os pastores não só guardam o rebanho do Senhor, como também providenciam as coisas necessárias a ele. Os mestres instruem e ensinam a verdadeira fé e piedade. Portanto, os ministros da Igreja podem, agora, serem chamados de bispos, presbíteros, pastores e mestres.[18]
Ora, o mesmo e igual poder ou função é concedido a todos os ministros na Igreja. Certamente, no princípio os bispos ou presbíteros governavam a Igreja em comum; nenhum homem se elevava acima de qualquer outro, ninguém usurpava maior poder ou autoridade sobre seus companheiros bispos. Lembrados das palavras do Senhor “aquele que dirige seja como o que serve” (Lc 22:26) conservavam-se em humildade, e pelo serviço mútuo ajudavam-se no governo e na preservação da Igreja.[19]
12. A Confissão de Antuérpia (1566)
Creio que a igreja tem um duplo governo, aquele que concerne o serviço à Deus, sendo governado por uma determinada ordem que é ordenada aos ministros, presbíteros e supervisores, diáconos, guardiões da comum ordem e disciplina; o segundo dos magistrados ordenados por Deus para a lei civil executar e administrar, a quem rendemos honra, amor e obediência em todas as coisas que não são contrárias à Deus e à salvação de nossas almas (Rm 13:1; Tt 3:1; 1 Pe 2:13; Lc 19:11; Mt 1:6ss).[20]
13. O Sínodo de Gönc (1566)
3. E, como subscrevemos nos dois sínodos a confissão da igreja de Genebra, que foi diligentemente elaborada por Theodore Beza, o ministro daquela igreja, eles deveriam ser zelosos ao comparar, ler e entender aquela confissão. Não porque ela foi escrita por Beza, mas por ela estar em concordância com a Escritura Sagrada. Também nos familiarizamos com o Catecismo de Calvino, que foi recebido pelo sínodo anterior com geral aprovação.[21]
22. Os ministros da igreja não deveriam ousar faltar às reuniões dos sínodos. Àqueles que não estiverem presentes deveria exigir que oferecessem a verdadeira razão da sua ausência aos seus presbíteros.[22]
14. Documentos do Sínodo de Debrecen (1567)
XX. Os presbíteros precisam ser líderes não somente na igreja, mas também do clero. Desejamos não somente fazer dos pastores a liderança da igreja, mas também, de acordo com a Palavra de Deus, fazer dos supervisores e presbíteros a liderança do clero e presidir na assembleia de pastores. Deixem que os pastores guiem na verdadeira e sólida doutrina, convencendo os adversários e replicando aos oponentes (1 Tm 1; Tt 1).[23]
XXVII. Que todas as pessoas se submetam e obedeçam aos seus bispos, presbíteros e prelados devotamente no Senhor; que os presbíteros, entretanto, não governem sobre a ordem eclesiástica da maneira dos soldados e tiranos, como no reino do Anticristo. Como está escrito: “nem como dominadores da herança do Senhor” (1 Pe 5:3), mas “sejam submissos para com eles que vão adiante de vocês” (Hb 13:17).[24]
15. Consensus Sandomierz (1570)
Há também bispos ou pastores que não somente governam e os sacramentos para a igreja de Deus, mas também diligentemente cuidam das necessidades de todas as suas congregações. Presbíteros ou anciãos foram escolhidos entre os irmãos, de modo que eles podem servir aos mais jovens com os seus conselhos vigiar a sua prática e comportamento.[25]
16. A Confissão de La Rochelle (1571)
Cremos, quanto à verdadeira igreja, que ela deveria ser governada de acordo com a ordem estabelecida pelo nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, sendo por pastores, supervisores, diáconos, de modo que a pureza da doutrina seja preservada, que os pecados sejam corrigidos e restringidos, que o pobre e todos os aflitos encontrem auxílio para as suas necessidades, que as assembleias sejam sustentadas em nome de Deus, e que os adultos reunidos com as crianças sejam edificados.[26]
17. Catecismo de Craig (1581)
Q. E se estivermos bem instruídos pelos nossos pastores?
R. Precisaremos continuamente desta instrução até o fim.
Q. Por que se somos suficientemente instruídos?
R. Deus estabeleceu esta ordem em sua igreja para que continuamente a nossa necessidade seja instruída.
Q. O que concluímos disso?
R. Que os ministros ou pastores são-nos necessários.[27]
[...]
Q. Quem administrará os sacramentos?
R. Somente o ministro da Palavra de Deus.[28]
[...]
Q. Por qual motivo alguns homens poderiam ser excluídos do sacramento? (Mt 18:17)
R. Pelo julgamento dos presbíteros da igreja.
Q. Por quem e quando poderiam tais pessoas serem admitidas? (1 Co 1:7).
R. Pelos presbíteros, após examinarem o seu arrependimento.
Q. O que é o ofício deste presbiterato?
R. Eles devem supervisionar os costumes dos homens e o exercício disciplinar.[29]
18. Sínodo Geral de Herborn (1586)
Primeira sessão das 6 às 10h
7. De modo que o ofício da pregação e o ofício regente, tanto quanto possível, como é exigido, sejam promovidos por meio de admoestações e consolação.[30]
Segunda sessão das 15 às 18h
1. Quanto ao artigo dos ofícios, que são tanto: (1) os ministros [pregadores]; (2) os professores (doutores); (3) os presbíteros [seniores]; (4) os diáconos.
2. Ninguém ensinará na igreja sem um legítimo chamado.
3. Ninguém ensinará em outra congregação sem a concordância do consistório local.
4. O chamado ocorre por meio da decisão da classe [presbitério] e de uma pluralidade de presbíteros, à qual o chamado pertence: (1) a eleição; (2) o exame; (3) a aprovação; (4) a confirmação do ofício ou ordenação.[31]
[...]
9. Prevalecerá igualmente na distribuição das responsabilidades entre ministros, presbíteros e membros do diaconato em concordância com recomendação da classe.[32]
[...]
16. O ofício dos anciãos ou presbíteros, além do que eles têm em comum com os ministros, consiste em observar se os ministros fazem a obra diligentemente e apresentando um bom exemplo ao rebanho.[33]
[...]
58. Os ministros da Palavra, diante da celebração da Ceia do Senhor, com os presbíteros, diáconos podem sofrer uma censura da doutrina e conduta entre eles.[34]
NOTAS:
[1] James T. Dennison, Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1523-1552. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 1, p. 348.
[2] Vol. 1, p. 575.
[3] Vol. 1, p. 662.
[4] James T. Dennison, Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1552-1566. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 2, p. 114.
[5] Vol. 2, 116.
[6] Vol. 2, p. 150.
[7] Vol. 2, p. 151.
[8] Vol. 2, p. 226.
[9] Vol. 2, p. 227.
[10] Vol. 2, p. 316.
[11] Vol. 2, p. 322.
[12] Vol. 2, pp. 442-443.
[13] Vol. 2, p. 443.
[14] Vol. 2, p. 609.
[15] Vol. 2, p. 731.
[16] Vol. 2, p. 737.
[17] Vol. 2, p. 737.
[18] Vol. 2, pp. 852-853.
[19] Vol. 2, p. 856.
[20] Vol. 2, p. 885.
[21] Vol. 2, p. 896. Veja a Confissão de Theodore Beza (1560).
[22] Vol. 2, p. 898.
[23] James T. Dennison Jr., org., Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English translation 1567-1599. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008, Vol. 3, p. 112.
[24] Vol. 3, p. 114-115.
[25] Vol. 3, p. 225.
[26] Vol. 3, pp. 318-319.
[27] Vol. 3, p. 589.
[28] Vol. 3, p. 592.
[29] Vol. 3, p. 600.
[30] Vol. 3, p. 620.
[31] Vol. 3, p. 621.
[32] Vol. 3, p. 621.
[33] Vol. 3, p. 622.
[34] Vol. 3, p. 628.
O labor teológico de quem se preocupa em oferecer a sistematização e aplicabilidade das Escrituras para a proclamação do Reino de Deus
24 novembro 2019
16 novembro 2019
A História do Saltério de Genebra - Parte 3
Dr. Pierre Pidoux
Bèza contratou Gervais de la Court para copiar (caligrafia) os salmos que ele rimava e Mestre Pierre para anotar as suas músicas, para que fossem enviadas a fim de serem julgadas. Quando Beza deixou Genebra em 17 de Agosto, para se preparar e participar de um debate teológico em Poissy, levou o manuscrito. No dia 30 de Agosto, ele escreveu para Calvino de Paris que esperava obter o privilégio real em breve. Depois que os teólogos parisienses declararam em 16 de Outubro que “não haviam encontrado nada que estivesse em conflito com a nossa fé católica, mas estavam de acordo com a verdade hebraica”, o privilégio foi concedido em 19 de Outubro e confirmado em 26 de Dezembro 1561. Em detalhes, afirmam que os salmos “estão traduzidos de acordo com a verdade hebraica, em rima francesa, e são tocados com boa música, como foi observado e reconhecido pelos homens, aprendidos das Escrituras Sagradas e nas línguas mencionadas acima e também na arte da música”.
Seria estranho se as melodias não fossem julgadas por Thomas Champion, organista da família real, e ele próprio um compositor dos arranjos dos salmos que eram cantados na corte. Charles IX o chamou de “nosso querido amigo”.
O manuscrito examinado começou com o Salmo 48, onde se lê C'est en sa tressaincte cite (Está em sua mui cidade santa) e continua até a última linha do salmo 150 Chante a jamais son impire (Cante para sempre em seu reino). Somente os últimos salmos que Beza foram completados recentemente, e os únicos que seriam protegidos por privilégios contra impressões ilegais, é que foram examinados pelos teólogos. É importante notar que as melodias desses salmos também foram consideradas boas pelos especialistas em música. São ao todo 40 salmos, todos incluídos sem alterações nas edições sucessivas. São as melodias dos Salmos 48, 49, 52,54 a 61, 75,80, 81, 83-85,87-89,92-94,96, 97, 99, 102, 105, 106, 112, 116, 135, 136, 141, 145 e 146-150.
Quem é o compositor desta importante contribuição musical? O homem que continuou o trabalho de Bourgeois se tornou alvo de severas críticas de Douen, cujo julgamento influenciou fortemente muitas gerações de músicos. Eles, sem mais delongas, fizeram suas as verba magistre (palavras do mestre). Se alguém crê em Douen, as melodias de 1562 “são na maior parte indignas de um homem de bom gusto”.
O músico que se comprometeu a definir os salmos de Bèza para cantar era claramente inferior a Bourgeois em se tratando de criatividade e talento. Para os 62 salmos, ele só conseguiu encontrar 42 melodias; além disso, deve-se dizer que apenas seis delas (61, 74, 84, 88, 89 e 92) têm um valor desigual, mas indiscutível. Exceto as melodias que indicamos, as demais são médias ou inadequadas para palavras ou até triviais, sem estilo ou ritmo, e dificilmente de se entoar. Quanto ao demais somos confortados ao dizer que o nome do músico, sem gosto e de tão pouca dedicação, em parte, merece o esquecimento em que ele se encontra.
Uma coisa que Douen viu corretamente: o compositor da música dos últimos salmos deve ser procurado em Genebra e no círculo de amizades de Beza. Quando seu livro estava prestes a ser impresso, Douen recebeu a confirmação de Henri Bordier, que chamou a atenção de Douen para as contas do Hôpital (Hospital, que era uma instituição de caridade) que mencionou duas vezes “Mestre Pierre, o precentor” que foi pago “por colocar os salmos para música”.
Entre os precedentes que têm Pierre como sobrenome, Bordier pensou em Dubuisson, precentor do St. Pierre entre 1561 e 1571, enquanto Douen sugeriu Dagues, professor da Faculdade de Rive, que morreu em 1571.
Conforme o que sabemos desses dois homens é muito improvável que eles estivessem no conduzindo algo além da instrução das crianças e a liderança dos cânticos das igrejas de Genebra. Ambos viviam em circunstâncias materiais miseráveis, o que poderia indicar a baixa estima em que eram mantidos.
Além desses dois, havia Pierre Vallette, precentor em St. Pierre (1552-1553) e professor no Collège (1553-1561). Ele foi possivelmente um bom músico, a julgar pela edição de 1556 dos salmos, em que cada nota é imediatamente precedida por seu nome de solfège. Vallette recebeu um privilégio, por inventar essa métrica de notas. No mesmo livro é impressa uma "instrução para saber o valor da nota e outros assuntos necessários". Vallette pretendeu essas instruções para "todos os crentes que desejam cantar o louvor do Senhor". Trata-se de um método elementar de solfejo, escrito de maneira bonita e clara. Foi incluído em outras edições e por outras impressoras.
Seria, no entanto, incorreto falar de uma criação musical de Vallette. O que possuímos dele parece não ser senão fruto da reflexão e experiência de um educador. Visto que ele deixou Genebra em abril de 1561, é duvidoso que tenha recebido uma quantia paga a Maistre Pierre em Junho daquele ano. No entanto, “o que é verdadeiro, nem sempre precisa ser uma probabilidade ...”.
Isso leva à ninguém menos que Pierre Davantès, de codinome Antesignanus, de Rabasteins no Bigotre, que se tornou cidadão de Genebra em 6 de Março de 1559. Davantès adquiriu uma boa reputação por suas publicações gregas e latinas. Em 24 de Maio de 1560, ele recebeu o privilégio de publicar os salmos “com um novo tipo de música” ou, como o título indica, “um método novo e mais fácil de cantar cada estrofe de salmo sem precisar se referir à primeira estrofe, como estamos acostumados a fazer na igreja”.
Davantès, de acordo com Bayle, um homem do mundo, era em seu trabalho um homem mais persistente que se poderia imaginar. Com base em uma dissertação de três volumes sobre Terentius, ele propõe uma metrificação de notas em três tons nas músicas do salmo. Ele imprimiu as notas, precedidas pelos nomes das métricas, como Vallette fizera e acrescentou um terceiro acréscimo de notas de sua própria invenção: um código inteligente, baseado em números, precedido ou seguido pelos sinais usuais, que proporcionavam a oportunidade de ler a melodia em solfège, enquanto outros sinais colocados sob eles determinavam o comprimento da nota e as demais notas.
Por meio desse terceiro procedimento foi possível anotar a melodia em todas as estrofes. Essa abreviação, no entanto, além dos problemas para as impressoras, exigia a atenção constante do cantor. Essa tentativa, que não conquistou seguidores, evidencia uma mente interessada e metódica e, ao mesmo tempo, é fruto de uma longa prática musical. Davantès também imprimiu o texto da Bíblia sem rima ao lado da versão rimada. Como hebraísta, ele estava muito interessado nos sobrescritos do salmo e eles foram incluídos no seu Saltério, por exemplo, o Salmo 5 “Ao diretor de música. Para flautas”.
Seria possível que as melodias de 1562 fossem obra de Davantès? Seria então necessário que elas evidenciassem a mesma maturidade que suas obras literárias mostraram; que elas foram escritas com a mesma diligência que ele aplicou na elaboração do seu sistema de notas. Seria inconcebível que o autor atencioso, paciente e preciso se permitisse descuidar e negligenciar ao compor melodias para o uso eclesiástico. Por outro lado, um exame cuidadoso das músicas dos salmos mostra que o acabamento delas é pelo menos tão importante quanto a invenção melódica. Primeiro, devemos examinar a unidade do estilo: isso mostra uma semelhança com a técnica de composição de Bourgeois, e torna difícil determinar a extensão exata da parte um do outro, quando a cronologia não nos oferece uma indicação.
Apesar da unidade a pesquisa evidencia diferenças sutis. Para dar à melodia um movimento mais livre, Maistre Pierre, mais cedo do que Bourgeois deixa fora das entre as linhas, quando a confusão no texto o sugere (por exemplo o Salmo 57), ou poderia imitar Bourgeois como no Salmo 99 (cf. Salmo 47).
Theodore de Bèza, em sua escolha da estrutura estrófica, determinou o comprimento e o corte das melodias. O ambitus (o escopo da melodia da nota mais baixa à nota mais alta) pertence ao território do compositor. As melodias de 1562 mostram um recorte: quatro melodias não excedem um sexto (Salmos 75, 100, 116, 141) e quatro não mais que um sétimo (61, 86, 93, 146), que ocorre apenas uma vez nas melodias de Bourgeois (129). A rima feminina na sílaba silenciosa é geralmente marcada por uma descida melódica, mas Bourgeois opta pelo movimento que costuma ascender, quando a próxima linha melódica sobe (Salmos 23, 25, 28, 30, etc.). Em 1562, cada sílaba silenciosa é acompanhada por um segundo decrescente. Este segundo só ascende quando a seguinte linha começa com uma repetição da mesma nota (Salmos 54, 56, 92, 116).
Quando Bourgeois usa um retardo sincopado numa linha com um final feminino, ele aparentemente não é sensível à aspereza - a barbara dictio, que a substituição do acento causa (por exemplo, Salmos 20, 28, 30, 31, 42 etc.). As melodias de 1562 também fazem uso de síncopes, mas elas ocorrem apenas em conexão com a rima masculina (por exemplo, Salmos 60, 61, 80, 85, 90, 105).
Outra característica das melodias de 1562 é o uso frequente de repetições de tetracord, ascendente (Salmo 55) e descendente (49, 54, 56) ou em combinação (Salmos 94, 102, 150). Não menos característica é a coincidência do hexachordum naturale com o hexachordum molle, que ocorre inesperadamente no espaço de algumas notas, o que causa, como é chamado mais tarde, um movimento cromático (Salmos 48, 59, 80, 88, 112, 148 149). Por exemplo, Salmo 88
O compositor está bem à vontade na polifonia, que aparentemente está a partir de certos fragmentos melódicos, que podem ser combinados como contraponto invertível. Um exemplo típico disso é o Salmo 99, que é o contraponto do Salmo 47 de Bourgeois. Veja também o Salmo 54, a primeira e as últimas linhas que podem ser combinadas com a quarta; e o Salmo 89, linha 5, contra 4.
Também alguns dos Salmos de 1562 são inspirados no antigo repertório: o Salmo 55 está intimamente relacionado ao hino “Lauda Sion Salvatorem”, o Salmo 58 é uma reminiscência do Credo III. O Salmo 141 é uma transcrição notável do hino “Conditor alme siderurn”, e a melodia da sequência 3 “Victimae paschali laudes” forma a base do Salmo 80. Por meio de notas - como a Biblia pauperum fez por meio de figuras - A Páscoa cristã está ligada à Páscoa judaica, uma inspiração que só pode vir a um autor que igualmente se sente à vontade na composição musical, como nas convoluções da exegese bíblica.
O que resta é uma discussão sobre as contas do Hôpital. Dos arquivos do Estado em Genèva, Arch. Hosp Hj2 o seguinte:
Parece que a conclusão do Saltério era de interesse tanto para a igreja quanto para a cidade, por que o pagamento aos cooperadores de Bèza provinha de receita pública geral? O aumento do valor pago a Maistre Pierre não está relacionado ao seu salário regular, muito menos aos subsídios incidentais em dinheiro ou em trigo, que o Conselho concedeu aos seus precursores. Poderia aqui dizer respeito a Pierre Dagues, cujo ensino e falta de zelo eram repetidos assuntos de advertência, e até mesmo de demissão. E Bèza seria o único a descobrir talentos em Dagues que permaneceram ocultos aos seus contemporâneos? Ele pagaria a ele uma quantia maior do que recebia por meio ano de trabalho a serviços prestados à cidade?
Por que essas decisões são tratadas diretamente por Bèza e pelo tesoureiro do Hôpital, sem deixar vestígios na deliberação do Conselho ou no registro do ministério dos pastores? É como se Bèza tivesse apenas obrigações pessoais e cuidasse dos assuntos por sua própria iniciativa. Ele, de fato, age por iniciativa própria, pois Bèza havia cedido os direitos autorais dos seus Salmos à diaconia, que administrava o Hôpital.
Antes de Bèza deixar Genebra rumo à Paris e Poissy, ele é reembolsado pelo que pagou a Maistre Pierre. Ele parte em 16 de Agosto. No dia 31 de Agosto, sabe-se que "Maistre Pierre Davantès, morador de Genebra, professor ..., morre de febre contínua aos 36 anos". Bèza recebeu a notícia numa carta de Calvino em 3 de Setembro.
Enquanto não encontrarmos provas irrefutáveis, a questão do sobrenome de Maistre Pierre permanecerá em aberto, embora uma série de pistas aponte para Davantès.
EDITORIAL NOTES
1. Tetrachords são as duas metades dos modos que são exatamente semelhantes na ordem dos tons e semitons. Por exemplo, os dois tetrachords no modo dórico são: D-E-F-G e A-B-C-D.
2. Um hexachord é um grupo de seis notas consecutivas que são consideradas como uma unidade. Os hexachords foram usados entre os séculos 11 ao 17 para fins de observação - não muito diferente do sistema móvel dó atualmente. Havia três hexachords: hexachordum naturale, começando em C, o hexachordum none, começando em F, e o hexachordum durum, começando em G. Seria observado que os três hexachords se sobrepuseram no intervalo, e um cantor teria que passar de um hexachord para outro. Essa mudança entre hexachords foi chamada de mutação.
3. Uma sequência é um tipo de hino que teve origem na interpolação em alguns dos elementos musicais da liturgia medieval. A sequência (de sequi = seguir) costumava seguir Gradual e Alleluia, e tipicamente era melismática: ou seja, muitas notas foram definidas para apenas uma sílaba. A melodia resultante foi subsequentemente definida para diferentes palavras de maneira silábica: uma nota por sílaba. Assim, a sequência evoluiu como um hino independente, que se tornou especialmente popular nos séculos 11 e 12.
Pierre Pidoux, “History of the Genevan Psalter – Part 2” in: Reformed Music Journal Volume 1, No. 1 January, 1989. Acessado em https://spindleworks.com/library/Pidoux/History_Genevan_Psalter.html em 12/10/2019.
Bèza contratou Gervais de la Court para copiar (caligrafia) os salmos que ele rimava e Mestre Pierre para anotar as suas músicas, para que fossem enviadas a fim de serem julgadas. Quando Beza deixou Genebra em 17 de Agosto, para se preparar e participar de um debate teológico em Poissy, levou o manuscrito. No dia 30 de Agosto, ele escreveu para Calvino de Paris que esperava obter o privilégio real em breve. Depois que os teólogos parisienses declararam em 16 de Outubro que “não haviam encontrado nada que estivesse em conflito com a nossa fé católica, mas estavam de acordo com a verdade hebraica”, o privilégio foi concedido em 19 de Outubro e confirmado em 26 de Dezembro 1561. Em detalhes, afirmam que os salmos “estão traduzidos de acordo com a verdade hebraica, em rima francesa, e são tocados com boa música, como foi observado e reconhecido pelos homens, aprendidos das Escrituras Sagradas e nas línguas mencionadas acima e também na arte da música”.
Seria estranho se as melodias não fossem julgadas por Thomas Champion, organista da família real, e ele próprio um compositor dos arranjos dos salmos que eram cantados na corte. Charles IX o chamou de “nosso querido amigo”.
O manuscrito examinado começou com o Salmo 48, onde se lê C'est en sa tressaincte cite (Está em sua mui cidade santa) e continua até a última linha do salmo 150 Chante a jamais son impire (Cante para sempre em seu reino). Somente os últimos salmos que Beza foram completados recentemente, e os únicos que seriam protegidos por privilégios contra impressões ilegais, é que foram examinados pelos teólogos. É importante notar que as melodias desses salmos também foram consideradas boas pelos especialistas em música. São ao todo 40 salmos, todos incluídos sem alterações nas edições sucessivas. São as melodias dos Salmos 48, 49, 52,54 a 61, 75,80, 81, 83-85,87-89,92-94,96, 97, 99, 102, 105, 106, 112, 116, 135, 136, 141, 145 e 146-150.
Quem é o compositor desta importante contribuição musical? O homem que continuou o trabalho de Bourgeois se tornou alvo de severas críticas de Douen, cujo julgamento influenciou fortemente muitas gerações de músicos. Eles, sem mais delongas, fizeram suas as verba magistre (palavras do mestre). Se alguém crê em Douen, as melodias de 1562 “são na maior parte indignas de um homem de bom gusto”.
O músico que se comprometeu a definir os salmos de Bèza para cantar era claramente inferior a Bourgeois em se tratando de criatividade e talento. Para os 62 salmos, ele só conseguiu encontrar 42 melodias; além disso, deve-se dizer que apenas seis delas (61, 74, 84, 88, 89 e 92) têm um valor desigual, mas indiscutível. Exceto as melodias que indicamos, as demais são médias ou inadequadas para palavras ou até triviais, sem estilo ou ritmo, e dificilmente de se entoar. Quanto ao demais somos confortados ao dizer que o nome do músico, sem gosto e de tão pouca dedicação, em parte, merece o esquecimento em que ele se encontra.
Uma coisa que Douen viu corretamente: o compositor da música dos últimos salmos deve ser procurado em Genebra e no círculo de amizades de Beza. Quando seu livro estava prestes a ser impresso, Douen recebeu a confirmação de Henri Bordier, que chamou a atenção de Douen para as contas do Hôpital (Hospital, que era uma instituição de caridade) que mencionou duas vezes “Mestre Pierre, o precentor” que foi pago “por colocar os salmos para música”.
Entre os precedentes que têm Pierre como sobrenome, Bordier pensou em Dubuisson, precentor do St. Pierre entre 1561 e 1571, enquanto Douen sugeriu Dagues, professor da Faculdade de Rive, que morreu em 1571.
Conforme o que sabemos desses dois homens é muito improvável que eles estivessem no conduzindo algo além da instrução das crianças e a liderança dos cânticos das igrejas de Genebra. Ambos viviam em circunstâncias materiais miseráveis, o que poderia indicar a baixa estima em que eram mantidos.
Além desses dois, havia Pierre Vallette, precentor em St. Pierre (1552-1553) e professor no Collège (1553-1561). Ele foi possivelmente um bom músico, a julgar pela edição de 1556 dos salmos, em que cada nota é imediatamente precedida por seu nome de solfège. Vallette recebeu um privilégio, por inventar essa métrica de notas. No mesmo livro é impressa uma "instrução para saber o valor da nota e outros assuntos necessários". Vallette pretendeu essas instruções para "todos os crentes que desejam cantar o louvor do Senhor". Trata-se de um método elementar de solfejo, escrito de maneira bonita e clara. Foi incluído em outras edições e por outras impressoras.
Seria, no entanto, incorreto falar de uma criação musical de Vallette. O que possuímos dele parece não ser senão fruto da reflexão e experiência de um educador. Visto que ele deixou Genebra em abril de 1561, é duvidoso que tenha recebido uma quantia paga a Maistre Pierre em Junho daquele ano. No entanto, “o que é verdadeiro, nem sempre precisa ser uma probabilidade ...”.
Isso leva à ninguém menos que Pierre Davantès, de codinome Antesignanus, de Rabasteins no Bigotre, que se tornou cidadão de Genebra em 6 de Março de 1559. Davantès adquiriu uma boa reputação por suas publicações gregas e latinas. Em 24 de Maio de 1560, ele recebeu o privilégio de publicar os salmos “com um novo tipo de música” ou, como o título indica, “um método novo e mais fácil de cantar cada estrofe de salmo sem precisar se referir à primeira estrofe, como estamos acostumados a fazer na igreja”.
Davantès, de acordo com Bayle, um homem do mundo, era em seu trabalho um homem mais persistente que se poderia imaginar. Com base em uma dissertação de três volumes sobre Terentius, ele propõe uma metrificação de notas em três tons nas músicas do salmo. Ele imprimiu as notas, precedidas pelos nomes das métricas, como Vallette fizera e acrescentou um terceiro acréscimo de notas de sua própria invenção: um código inteligente, baseado em números, precedido ou seguido pelos sinais usuais, que proporcionavam a oportunidade de ler a melodia em solfège, enquanto outros sinais colocados sob eles determinavam o comprimento da nota e as demais notas.
Por meio desse terceiro procedimento foi possível anotar a melodia em todas as estrofes. Essa abreviação, no entanto, além dos problemas para as impressoras, exigia a atenção constante do cantor. Essa tentativa, que não conquistou seguidores, evidencia uma mente interessada e metódica e, ao mesmo tempo, é fruto de uma longa prática musical. Davantès também imprimiu o texto da Bíblia sem rima ao lado da versão rimada. Como hebraísta, ele estava muito interessado nos sobrescritos do salmo e eles foram incluídos no seu Saltério, por exemplo, o Salmo 5 “Ao diretor de música. Para flautas”.
Seria possível que as melodias de 1562 fossem obra de Davantès? Seria então necessário que elas evidenciassem a mesma maturidade que suas obras literárias mostraram; que elas foram escritas com a mesma diligência que ele aplicou na elaboração do seu sistema de notas. Seria inconcebível que o autor atencioso, paciente e preciso se permitisse descuidar e negligenciar ao compor melodias para o uso eclesiástico. Por outro lado, um exame cuidadoso das músicas dos salmos mostra que o acabamento delas é pelo menos tão importante quanto a invenção melódica. Primeiro, devemos examinar a unidade do estilo: isso mostra uma semelhança com a técnica de composição de Bourgeois, e torna difícil determinar a extensão exata da parte um do outro, quando a cronologia não nos oferece uma indicação.
Apesar da unidade a pesquisa evidencia diferenças sutis. Para dar à melodia um movimento mais livre, Maistre Pierre, mais cedo do que Bourgeois deixa fora das entre as linhas, quando a confusão no texto o sugere (por exemplo o Salmo 57), ou poderia imitar Bourgeois como no Salmo 99 (cf. Salmo 47).
Theodore de Bèza, em sua escolha da estrutura estrófica, determinou o comprimento e o corte das melodias. O ambitus (o escopo da melodia da nota mais baixa à nota mais alta) pertence ao território do compositor. As melodias de 1562 mostram um recorte: quatro melodias não excedem um sexto (Salmos 75, 100, 116, 141) e quatro não mais que um sétimo (61, 86, 93, 146), que ocorre apenas uma vez nas melodias de Bourgeois (129). A rima feminina na sílaba silenciosa é geralmente marcada por uma descida melódica, mas Bourgeois opta pelo movimento que costuma ascender, quando a próxima linha melódica sobe (Salmos 23, 25, 28, 30, etc.). Em 1562, cada sílaba silenciosa é acompanhada por um segundo decrescente. Este segundo só ascende quando a seguinte linha começa com uma repetição da mesma nota (Salmos 54, 56, 92, 116).
Quando Bourgeois usa um retardo sincopado numa linha com um final feminino, ele aparentemente não é sensível à aspereza - a barbara dictio, que a substituição do acento causa (por exemplo, Salmos 20, 28, 30, 31, 42 etc.). As melodias de 1562 também fazem uso de síncopes, mas elas ocorrem apenas em conexão com a rima masculina (por exemplo, Salmos 60, 61, 80, 85, 90, 105).
Outra característica das melodias de 1562 é o uso frequente de repetições de tetracord, ascendente (Salmo 55) e descendente (49, 54, 56) ou em combinação (Salmos 94, 102, 150). Não menos característica é a coincidência do hexachordum naturale com o hexachordum molle, que ocorre inesperadamente no espaço de algumas notas, o que causa, como é chamado mais tarde, um movimento cromático (Salmos 48, 59, 80, 88, 112, 148 149). Por exemplo, Salmo 88
linha 3: b b flat
par - vien - ne ce dont je to pri - e
ou no Salmo 112 a linha 2/3:
b b flat et s'a don - ne Du tout
O compositor está bem à vontade na polifonia, que aparentemente está a partir de certos fragmentos melódicos, que podem ser combinados como contraponto invertível. Um exemplo típico disso é o Salmo 99, que é o contraponto do Salmo 47 de Bourgeois. Veja também o Salmo 54, a primeira e as últimas linhas que podem ser combinadas com a quarta; e o Salmo 89, linha 5, contra 4.
Também alguns dos Salmos de 1562 são inspirados no antigo repertório: o Salmo 55 está intimamente relacionado ao hino “Lauda Sion Salvatorem”, o Salmo 58 é uma reminiscência do Credo III. O Salmo 141 é uma transcrição notável do hino “Conditor alme siderurn”, e a melodia da sequência 3 “Victimae paschali laudes” forma a base do Salmo 80. Por meio de notas - como a Biblia pauperum fez por meio de figuras - A Páscoa cristã está ligada à Páscoa judaica, uma inspiração que só pode vir a um autor que igualmente se sente à vontade na composição musical, como nas convoluções da exegese bíblica.
O que resta é uma discussão sobre as contas do Hôpital. Dos arquivos do Estado em Genèva, Arch. Hosp Hj2 o seguinte:
Fol. 58. Despesas extras referentes ao mês de junho de 1561 ao Sr. De La Court pela cópia dos Salmos do Sr. De Bèza para enviá-los aos tribunais: 12 fl. 6 st.; para si pela cópia do privilégio dos referidos Salmos: 8 st.
Fol. 58. de volta. A Maistre Pierre por colocar música nos Salmos: 10 fl.
Fol. 59 frente. Despesas extras com os pobres no mês de Julho de 1561. Pagamento ao Sr. De Bèza pelo que deu ao precentor Maistre Pierre por colocar música nos Salmos, além dos ganhos acima mencionados 20 fl., 5 st.
Parece que a conclusão do Saltério era de interesse tanto para a igreja quanto para a cidade, por que o pagamento aos cooperadores de Bèza provinha de receita pública geral? O aumento do valor pago a Maistre Pierre não está relacionado ao seu salário regular, muito menos aos subsídios incidentais em dinheiro ou em trigo, que o Conselho concedeu aos seus precursores. Poderia aqui dizer respeito a Pierre Dagues, cujo ensino e falta de zelo eram repetidos assuntos de advertência, e até mesmo de demissão. E Bèza seria o único a descobrir talentos em Dagues que permaneceram ocultos aos seus contemporâneos? Ele pagaria a ele uma quantia maior do que recebia por meio ano de trabalho a serviços prestados à cidade?
Por que essas decisões são tratadas diretamente por Bèza e pelo tesoureiro do Hôpital, sem deixar vestígios na deliberação do Conselho ou no registro do ministério dos pastores? É como se Bèza tivesse apenas obrigações pessoais e cuidasse dos assuntos por sua própria iniciativa. Ele, de fato, age por iniciativa própria, pois Bèza havia cedido os direitos autorais dos seus Salmos à diaconia, que administrava o Hôpital.
Antes de Bèza deixar Genebra rumo à Paris e Poissy, ele é reembolsado pelo que pagou a Maistre Pierre. Ele parte em 16 de Agosto. No dia 31 de Agosto, sabe-se que "Maistre Pierre Davantès, morador de Genebra, professor ..., morre de febre contínua aos 36 anos". Bèza recebeu a notícia numa carta de Calvino em 3 de Setembro.
Enquanto não encontrarmos provas irrefutáveis, a questão do sobrenome de Maistre Pierre permanecerá em aberto, embora uma série de pistas aponte para Davantès.
EDITORIAL NOTES
1. Tetrachords são as duas metades dos modos que são exatamente semelhantes na ordem dos tons e semitons. Por exemplo, os dois tetrachords no modo dórico são: D-E-F-G e A-B-C-D.
2. Um hexachord é um grupo de seis notas consecutivas que são consideradas como uma unidade. Os hexachords foram usados entre os séculos 11 ao 17 para fins de observação - não muito diferente do sistema móvel dó atualmente. Havia três hexachords: hexachordum naturale, começando em C, o hexachordum none, começando em F, e o hexachordum durum, começando em G. Seria observado que os três hexachords se sobrepuseram no intervalo, e um cantor teria que passar de um hexachord para outro. Essa mudança entre hexachords foi chamada de mutação.
3. Uma sequência é um tipo de hino que teve origem na interpolação em alguns dos elementos musicais da liturgia medieval. A sequência (de sequi = seguir) costumava seguir Gradual e Alleluia, e tipicamente era melismática: ou seja, muitas notas foram definidas para apenas uma sílaba. A melodia resultante foi subsequentemente definida para diferentes palavras de maneira silábica: uma nota por sílaba. Assim, a sequência evoluiu como um hino independente, que se tornou especialmente popular nos séculos 11 e 12.
Pierre Pidoux, “History of the Genevan Psalter – Part 2” in: Reformed Music Journal Volume 1, No. 1 January, 1989. Acessado em https://spindleworks.com/library/Pidoux/History_Genevan_Psalter.html em 12/10/2019.
28 outubro 2019
1Pe 3.19 ensina que Jesus pregou no inferno?
Por Guy Waters
Certa vez Pedro escreveu a respeito das cartas de Paulo: “como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender [...]” (2Pe 3.16). Podemos dizer o mesmo das cartas de Pedro! Aqui há uma afirmação que há muito tempo deixa os leitores confusos.
Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;
Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água. (1Pe 3.18-20).
No verso 18, Pedro está falando da morte e ressurreição de Cristo. Jesus foi morto “na carne” – isto é, ele morreu como um ser humano. E ele foi ressuscitado, “vivificado pelo Espírito”. Mas o que é “Espírito” aqui? Alguns intérpretes entendem que isso significa a alma humana de Jesus. Outros dizem que é o local onde o Jesus ressurreto vive agora. Mas a relação entre a ressurreição de Jesus com o “Espírito” indica que Pedro está se referindo ao Espírito Santo (ver Rm 8.4-11). Jesus, diz Pedro, foi ressuscitado pelo poder do Espírito.
Pregando aos espíritos em prisão
Se, no verso 18, Pedro está dizendo que Jesus ressuscitou dentre os mortos pelo poder do Espírito Santo, então ele está dizendo no início do verso 19 que “no [Espírito], [Jesus] foi, e pregou aos espíritos em prisão”. Muitos intérpretes assumiram Pedro dizer que, entre a morte e a ressurreição de Jesus (ou depois dela), Jesus empreendeu uma campanha de pregação.
Quem se diz ser o objeto da pregação de Jesus? Os “espíritos em prisão” que “noutro tempo foram rebeldes”. Mas quem são esses “espíritos”? De acordo com alguns, são as almas dos crentes do Antigo Testamento, os quais Jesus libertou do cativeiro e trouxe com ele para o céu. A mensagem pregada por Jesus, sua morte e ressurreição, é, portanto, uma boa nova para eles.
Outros assumiram que esses “espíritos” são almas condenadas que rejeitaram a pregação de Noé milênios antes. Para esses, Jesus está confirmando a condenação pela proclamação de sua vitória sobre eles e sobre todos os seus inimigos em sua morte e ressurreição. (Alguns intérpretes ainda têm visto Jesus oferecendo uma oportunidade por fé e arrependimento após a morte a esses “espíritos em prisão”).
O que fez Jesus?
Essas interpretações têm pelo menos uma coisa em comum. Elas veem Jesus fazendo algo – localmente, se não físico – depois de sua morte e sepultamento, mas antes de sua ascensão e assento no céu. Um problema com essas interpretações, porém, é elas afirmarem uma ação de Jesus que não se encontra em nenhum outro lugar nas Escrituras. Devemos ser cautelosos em avançar com tal alegação sem um testemunho bíblico mais claro.
Outro problema com essas interpretações deriva da descrição de Pedro a respeito desses “espíritos”, como aqueles que “noutro tempo foram rebeldes”... “nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca” (verso 20). Por que Jesus libertaria apenas alguns santos do Antigo Testamento do cativeiro? (E por que Pedro descreveria os santos do Antigo Testamento dessa forma?) Ou, por que Jesus proclamaria condenação a somente uma única geração de almas no inferno, e não a outras? Cada uma dessas interpretações também traz suas próprias dificuldades. Não há um testemunho claro nas Escrituras de que os crentes do Antigo Testamento, quando morriam, ficavam confinados no limbus patrum (“o limbo dos pais”) até o momento em que Cristo os libertaria em sua ressurreição.
Os ensinamentos de Jesus na parábola do rico e Lázaro apontam para uma direção contrária. Quando morriam, as almas dos crentes do Antigo Testamento entravam diretamente na presença de Deus (Lucas 16.22). Não há nenhum motivo claro do porque Jesus passaria pelo inferno para proclamar sua vitória a qualquer alma humana condenada. E certamente não há mandado bíblico para uma oferta de salvação para aqueles que já morreram. O juízo final, afinal de contas, levará em conta apenas o que foi feito nesta vida, e não o que foi feito no além (1Pe 1.17; 2Co 5.10; Hb 9.27).
Outros ainda consideram esses “espíritos” como anjos maus, sobre os quais Cristo triunfou em sua ressurreição. Dizem que Jesus anuncia sua conquista da ressurreição sobre os poderes e autoridades espirituais, que estão presos em cativeiro infernal. Essa visão pode envolver uma proclamação de vitória no inferno, mas não necessariamente. Embora seja verdade que a ressurreição de Jesus declarou vitória sobre seus inimigos espirituais e demoníacos (verso 22), é discutível dizer que Pedro tinha essa vitória em mente no verso 19. Pedro parece entender os espíritos do verso 19 como seres humanos quando ele diz que foram rebeldes “nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca” (verso 20).
Melhor interpretação
Existe outra maneira de interpretar as palavras de Pedro, evitando essas dificuldades e considerando o contexto desses versos no argumento de Pedro. A pregação do verso 19 não é feita pelo Jesus ressurreto. É Jesus quem prega, claro, mas ele prega no Espírito Santo. O momento desta proclamação não é a janela entre a morte e a ascensão de Jesus. É durante a vida de Noé.
Então, o que Pedro está querendo dizer? Ele está dizendo que Noé, no andamento da construção da arca, prestou testemunho do julgamento vindouro de Deus. Ele era o “pregoeiro da justiça”, como o próprio Pedro diz em sua segunda carta (2Pe 2.5). Noé pregou no poder do Espírito Santo, o Espírito que Pedro chamou anteriormente de “o Espírito de Cristo” (1Pe 1.10). Mas os homens e mulheres da geração de Noé, não obstante a “longanimidade de Deus” em adiar o julgamento, desprezaram a proclamação. Por causa de sua rebeldia anterior, estão agora “em prisão”. Ou seja, suas almas, após a morte, foram justamente condenadas ao inferno para serem castigadas pelos seus pecados.
Esteja pronto para prestar contas
Essas palavras produziriam um tremendo encorajamento aos primeiros leitores de Pedro. Muitos deles eram gentios, que foram redimidos de uma vida indigna e perversa (1Pe 1.18; compare 4.3-4; cf. Ef 2.12). Esses crentes estavam sendo perseguidos por sua fé, uma realidade explicitamente abordada em 1Pe 3.8-17. Não obstante essa perseguição, eles sempre deveriam estar “sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15-16).
Como os crentes podem fazer esse duro trabalho? Em 1Pe 3.18-20, Pedro novamente nos aponta a morte e a ressurreição de Cristo pelos pecadores. Os crentes de hoje, assim como Noé em seu tempo, são chamados a testemunhar a esperança do evangelho diante de um mundo que, na incredulidade, nos ridiculariza e nos despreza. Nós fazemos isso pelo poder do Espírito Santo – o Espírito de Cristo em ação no ministério de proclamação de Noé, e o Espírito pelo qual Cristo ressuscitou dentre os mortos. Nossa tarefa não é fácil. O Cristo ressurreto conquistou a vitória (1Pe 3.21-22). Não devemos temer nem desanimar (1Pe 3.14). Em vez disso, devemos “santificar ao Senhor Deus em nossos corações”, falando aos outros sobre ele (1Pe 3.15).
Como é bom saber que nosso Senhor conquistou a vitória! Que bom saber que nosso Salvador conquistou a vitória! Pedro nos lembra que não devemos viver tendo em vista o que nossos sentidos nos dizem, mas pelo que sabemos ser verdade pela fé. Jesus está no seu trono e age entre nós pelo seu Espírito. Sejamos fiéis e o sirvamos em nossa geração.
Tradução de Daniel Tanure
Revisado por Ewerton B. Tokashiki
Certa vez Pedro escreveu a respeito das cartas de Paulo: “como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender [...]” (2Pe 3.16). Podemos dizer o mesmo das cartas de Pedro! Aqui há uma afirmação que há muito tempo deixa os leitores confusos.
Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;
Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água. (1Pe 3.18-20).
No verso 18, Pedro está falando da morte e ressurreição de Cristo. Jesus foi morto “na carne” – isto é, ele morreu como um ser humano. E ele foi ressuscitado, “vivificado pelo Espírito”. Mas o que é “Espírito” aqui? Alguns intérpretes entendem que isso significa a alma humana de Jesus. Outros dizem que é o local onde o Jesus ressurreto vive agora. Mas a relação entre a ressurreição de Jesus com o “Espírito” indica que Pedro está se referindo ao Espírito Santo (ver Rm 8.4-11). Jesus, diz Pedro, foi ressuscitado pelo poder do Espírito.
Pregando aos espíritos em prisão
Se, no verso 18, Pedro está dizendo que Jesus ressuscitou dentre os mortos pelo poder do Espírito Santo, então ele está dizendo no início do verso 19 que “no [Espírito], [Jesus] foi, e pregou aos espíritos em prisão”. Muitos intérpretes assumiram Pedro dizer que, entre a morte e a ressurreição de Jesus (ou depois dela), Jesus empreendeu uma campanha de pregação.
Quem se diz ser o objeto da pregação de Jesus? Os “espíritos em prisão” que “noutro tempo foram rebeldes”. Mas quem são esses “espíritos”? De acordo com alguns, são as almas dos crentes do Antigo Testamento, os quais Jesus libertou do cativeiro e trouxe com ele para o céu. A mensagem pregada por Jesus, sua morte e ressurreição, é, portanto, uma boa nova para eles.
Outros assumiram que esses “espíritos” são almas condenadas que rejeitaram a pregação de Noé milênios antes. Para esses, Jesus está confirmando a condenação pela proclamação de sua vitória sobre eles e sobre todos os seus inimigos em sua morte e ressurreição. (Alguns intérpretes ainda têm visto Jesus oferecendo uma oportunidade por fé e arrependimento após a morte a esses “espíritos em prisão”).
O que fez Jesus?
Essas interpretações têm pelo menos uma coisa em comum. Elas veem Jesus fazendo algo – localmente, se não físico – depois de sua morte e sepultamento, mas antes de sua ascensão e assento no céu. Um problema com essas interpretações, porém, é elas afirmarem uma ação de Jesus que não se encontra em nenhum outro lugar nas Escrituras. Devemos ser cautelosos em avançar com tal alegação sem um testemunho bíblico mais claro.
Outro problema com essas interpretações deriva da descrição de Pedro a respeito desses “espíritos”, como aqueles que “noutro tempo foram rebeldes”... “nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca” (verso 20). Por que Jesus libertaria apenas alguns santos do Antigo Testamento do cativeiro? (E por que Pedro descreveria os santos do Antigo Testamento dessa forma?) Ou, por que Jesus proclamaria condenação a somente uma única geração de almas no inferno, e não a outras? Cada uma dessas interpretações também traz suas próprias dificuldades. Não há um testemunho claro nas Escrituras de que os crentes do Antigo Testamento, quando morriam, ficavam confinados no limbus patrum (“o limbo dos pais”) até o momento em que Cristo os libertaria em sua ressurreição.
Os ensinamentos de Jesus na parábola do rico e Lázaro apontam para uma direção contrária. Quando morriam, as almas dos crentes do Antigo Testamento entravam diretamente na presença de Deus (Lucas 16.22). Não há nenhum motivo claro do porque Jesus passaria pelo inferno para proclamar sua vitória a qualquer alma humana condenada. E certamente não há mandado bíblico para uma oferta de salvação para aqueles que já morreram. O juízo final, afinal de contas, levará em conta apenas o que foi feito nesta vida, e não o que foi feito no além (1Pe 1.17; 2Co 5.10; Hb 9.27).
Outros ainda consideram esses “espíritos” como anjos maus, sobre os quais Cristo triunfou em sua ressurreição. Dizem que Jesus anuncia sua conquista da ressurreição sobre os poderes e autoridades espirituais, que estão presos em cativeiro infernal. Essa visão pode envolver uma proclamação de vitória no inferno, mas não necessariamente. Embora seja verdade que a ressurreição de Jesus declarou vitória sobre seus inimigos espirituais e demoníacos (verso 22), é discutível dizer que Pedro tinha essa vitória em mente no verso 19. Pedro parece entender os espíritos do verso 19 como seres humanos quando ele diz que foram rebeldes “nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca” (verso 20).
Melhor interpretação
Existe outra maneira de interpretar as palavras de Pedro, evitando essas dificuldades e considerando o contexto desses versos no argumento de Pedro. A pregação do verso 19 não é feita pelo Jesus ressurreto. É Jesus quem prega, claro, mas ele prega no Espírito Santo. O momento desta proclamação não é a janela entre a morte e a ascensão de Jesus. É durante a vida de Noé.
Então, o que Pedro está querendo dizer? Ele está dizendo que Noé, no andamento da construção da arca, prestou testemunho do julgamento vindouro de Deus. Ele era o “pregoeiro da justiça”, como o próprio Pedro diz em sua segunda carta (2Pe 2.5). Noé pregou no poder do Espírito Santo, o Espírito que Pedro chamou anteriormente de “o Espírito de Cristo” (1Pe 1.10). Mas os homens e mulheres da geração de Noé, não obstante a “longanimidade de Deus” em adiar o julgamento, desprezaram a proclamação. Por causa de sua rebeldia anterior, estão agora “em prisão”. Ou seja, suas almas, após a morte, foram justamente condenadas ao inferno para serem castigadas pelos seus pecados.
Esteja pronto para prestar contas
Essas palavras produziriam um tremendo encorajamento aos primeiros leitores de Pedro. Muitos deles eram gentios, que foram redimidos de uma vida indigna e perversa (1Pe 1.18; compare 4.3-4; cf. Ef 2.12). Esses crentes estavam sendo perseguidos por sua fé, uma realidade explicitamente abordada em 1Pe 3.8-17. Não obstante essa perseguição, eles sempre deveriam estar “sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15-16).
Como os crentes podem fazer esse duro trabalho? Em 1Pe 3.18-20, Pedro novamente nos aponta a morte e a ressurreição de Cristo pelos pecadores. Os crentes de hoje, assim como Noé em seu tempo, são chamados a testemunhar a esperança do evangelho diante de um mundo que, na incredulidade, nos ridiculariza e nos despreza. Nós fazemos isso pelo poder do Espírito Santo – o Espírito de Cristo em ação no ministério de proclamação de Noé, e o Espírito pelo qual Cristo ressuscitou dentre os mortos. Nossa tarefa não é fácil. O Cristo ressurreto conquistou a vitória (1Pe 3.21-22). Não devemos temer nem desanimar (1Pe 3.14). Em vez disso, devemos “santificar ao Senhor Deus em nossos corações”, falando aos outros sobre ele (1Pe 3.15).
Como é bom saber que nosso Senhor conquistou a vitória! Que bom saber que nosso Salvador conquistou a vitória! Pedro nos lembra que não devemos viver tendo em vista o que nossos sentidos nos dizem, mas pelo que sabemos ser verdade pela fé. Jesus está no seu trono e age entre nós pelo seu Espírito. Sejamos fiéis e o sirvamos em nossa geração.
Tradução de Daniel Tanure
Revisado por Ewerton B. Tokashiki
19 outubro 2019
A História do Saltério de Genebra - Parte 2
Dr. Pierre Pidoux
Guillaume Franc é o único precentor de Genebra mencionado como ensinando as crianças “a cantar os salmos de Davi na igreja” naquela época. Como compositor de muitas melodias para a Coleção de Lausanne de 1565, parece provável que deveríamos atribuir a ele as novas melodias de La Forme des Prières. O fato de terem sido mantidas tantas melodias do repertório de 1543 atesta os talentos de seu compositor. No final do outono de 1542, Clement Marot, que foi perseguido na França, fugiu para Genebra, onde ficou por um ano. A prova de que Marot, Franc e Calvino se conheceram e cooperaram no projeto de um Saltério pode ser concluída pelos seguintes fatos:
Fizeram-se melhorias no texto dos primeiros trinta salmos, algumas revisões importantes foram feitas nas melodias recém-publicadas, Guillaume Franc recebeu um contrato oficial com um aumento considerável nos salários e, finalmente, a publicação de um novo Saltério em 1543, contendo CINQUANTE PSAUMES (Cinquenta Salmos), em que 20 deles eram novos. Todos os 50 até então eram de Marot e cada um tinha a sua própria melodia.
A carta de Calvino anexa, escrita em 1542, era duas vezes maior do que o Saltério. Ele expõe extensivamente acerca do valor e da função dos cânticos no culto. Outra carta datada em 10 de Junho de 1543, em Genebra, por algum tempo foi publicada nas reedições do Saltério de Genebra.
Desta coleção somente a edição do texto foi preservada. Ela foi impressa em Genebra por Jean Gerard. A edição musical [ainda] não foi encontrada. O conteúdo, no entanto, é conhecido pelas reimpressões dos irmãos Beringen em Lyon, em 1548 e 1549. Desde 1543, o canto pelos fiéis reunidos (e não somente pelas crianças) era a regra. Num programa de canto todos os 50 Salmos foram divididos em dezessete semanas.
Durante os cultos de Domingo e os cultos de oração na quarta-feira, todos os Salmos em sua totalidade eram cantados por vez, cada salmo em sua própria melodia. O ministro teria que manter esse cronograma. Esse foi um motivo a mais para que as editoras reproduzissem os livros de salmos a fim de prontamente vendê-los.
Das novas melodias de 1543 que provavelmente foram compostas por Guillaume Franc, encontramos dezesseis salmos na edição de 1562, na sua forma original ou ligeiramente melhorados. Dentre eles estavam os salmos 18, 23, 32, 33, 37, 43, 50, 72, 79, 86, 91, 107, 118, 128, 138, a melodia dos Dez Mandamentos e o Cântico de Simeão. A probabilidade ainda não é provada; portanto, devemos deixar em aberto o problema de atribuição dessas melodias a Franc.
O que aconteceu com os salmos de Calvino quando eles apareceram em La Forme des Prières? Todos foram substituídos por versos escritos por Marot. Isso só poderia ser feito por incentivo de Calvino e, certamente, com a permissão do reformador. Certas semelhanças na versificação só podem ser coincidentes.
Para provar que Marot tinha em mente a metrificação de Calvino, a primeira linha do Salmo 91, cuja forma é a mesma nos dois rimados, é frequentemente apresentada. Desde a publicação do monumental livro Clement Marot et le Psautier Huguenot (Paris, 1878-1879) por Orentin Douen, tornou-se habitual retratar Marot como o “homem gracioso do mundo” como vítima de Calvino, o “recluso sombrio”. Nada disso aparece nos documentos contemporâneos. O fato de Calvino permanecer entre Marot e o Conselho, do qual ele pediu “que lhe produzisse algo de bom”, em troca de que Marot “se esforçasse com todo a sua competência para completar os salmos de Davi”, mostra implicitamente os elogios aos talentos de Marot e o seu consentimento. O Conselho respondeu: “que ele tivesse paciência”. Isso mostra apenas que a cidade estava em apuros financeiros, e não que houvesse alguma animosidade em relação ao poeta. É significativo que Calvino tenha decidido confiar todos os 150 salmos a Marot.
Marot deixa Genebra no final de 1545. E também Guillaume Franc em seguida, porque ele não poderia viver com seu escasso salário. Nesse momento, encontramos pela primeira vez o nome LOYS BOURGEOY, DE PARIS, CHANTRES (Louis Bourgeois, de Paris, precentor). O cargo ocupado anteriormente por Franc é assumido pelos recém-chegados Guillaume Fabri e Loys Bourgeois para que “ensinem as crianças como cantar os salmos na igreja”. Vendo que o trabalho de Fabri não era satisfatório, Bourgeois “que era mais adequado que ele” tornou-se responsável por esta tarefa a partir de 3 de Agosto.
Ele cumpriu o seu dever com habilidade e regularidade a partir dessa data, o que pode ser concluído a partir da ausência de queixas nos registros do Conselho. Durante seus anos em Genebra, Bourgeois compôs estruturas dos salmos para amadores. Eles foram publicados em Lyon pelos irmãos Beringen (1547) que estavam equipados para fazer essa impressão, e não como se argumentou, para escapar do anátema de Calvino! Bourgeois projetou para os seus alunos uma cartilha musical intitulada Le droict chemin de musique (O caminho certo para a música, de 1550).
Com a chegada de Theodore de Beza, em outubro de 1548, inicia uma nova fase na conclusão do Saltério. Embora não saibamos a data exata, a oração fúnebre de Caspar Laurent deixa claro que a data acima está correta. Por acaso, diz-se, Calvino descobriu uma rima do Salmo 16 na mesa de Beza - o primeiro salmo que Marot que ainda não tinha terminado o arranjo. O próprio Beza confirma a tarefa que Calvino o designou: “Por insistência do grande Mestre João Calvino, concluí a rima do salmo em versos franceses iniciada por Clement Marot, príncipe indiscutível dos poetas franceses de sua época”. As primeiras informações sobre datas que podemos encontrar no prefácio de Abraham Sacrifiant (O sacrifício de Abraão), fixado em 1 de Outubro de 1550, em que Beza anuncia que após seu drama “espera continuar com a rima dos salmos que no momento estou trabalhando”.
Desconhecemos o quão rápido ou lento Beza trabalhou. O que sabemos é que Calvino ficou impaciente e insistiu que os salmos lhe fossem enviados, de modo que pudessem ser tocados. No que diz respeito a Bourgeois, ele pediu ao Conselho “um pouco de trigo para melhorar o canto do salmo”. Podemos ler entre as linhas da vaga reação do secretário do concílio que o pedido dizia respeito à criação de novas melodias para cada salmo. Pois havia 34 salmos, com um número igual de novos padrões que Beza acrescenta aos 49 de Marot. A nova coleção é publicada por Jean Crispin no Outono de 1551, com o título PSEAUMES OCTANTE TROIS (Oitenta e Três Salmos).
A expansão do repertório dividida em 25 semanas (em vez de 17) torna inúteis as coleções anteriores. Com o (silencioso) acordo do Conselho e a bênção dos ministros (?), Bourgeois aproveita a oportunidade para corrigir erros de impressão e alterar certas frases melódicas para facilitar o canto e impedir que a congregação os entoasse erroneamente. Ele traz mais unidade às notas musicais mantendo apenas dois valores de notas com seus respectivos descansos e ainda fez pequenas melhorias no layout. Por fim, ele não conseguiu resistir à tentação de substituir algumas das melodias nas quais os salmos de Marot eram definidas por novas de seu próprio projeto. Assim que os 83 saíram da editora comunicou as alterações ao Conselho.
Isso ficou mais fácil pois Bougeois faz um relato detalhado das mudanças da melodia em seu “Aviso” (Advertência), que assinou e adicionou ao final do Saltério sem consultar as autoridades civis. Isso explica a sentença de 24 horas de prisão que lhe foi dada pelo Conselho e a proposta de Calvino de uma mera repreensão pelo Conselho, quando Calvino intercedeu à favor de Bourgeois. Que o trabalho de Bourgeois - tanto as revisões, melhorias e as novas composições - foi realizado com a permissão de Calvino e seus colegas, pode ser concluído pela ausência de advertências no registro da igreja, mas principalmente pela inclusão das mudanças de Bourgeois nas edições seguintes. Nós os encontramos novamente inalterados no Saltério de 1562.
O Conselho ficou irritado com as mudanças feitas nas melodias que acompanhavam os salmos de Marot. No entanto, não criticaram as novas melodias que ele escreveu para os salmos de Beza. Não foi surpreendente, nem ofensivo ao Conselho, que seu precentor em sua composição se inspirasse por “alguns hinos que anteriormente usamos mal, isso não deve perturbá-los, pois o som dos sinos e outras coisas que antes eram usadas incorretamente, mas que foram corrigidas”. De fato, as melodias do repertório romano podem ser encontradas nos salmos 17, 20, 31, 39, 121, 124 e 129. Um maior conhecimento do canto gregoriano, talvez, nos daria a oportunidade de aumentar esse número.
Dez anos se passariam entre os 83 salmos e a conclusão do Saltério. Antes que qualquer pensamento seja dado à conclusão dos demais 67 salmos, os 83 deveriam se tornar familiares da igreja. A rima dos salmos prosseguiria num ritmo mais lento. Nas reedições (em especial a de 1554) a editora acrescentou "seis salmos recentemente traduzidos" e um sétimo foi adicionado em 1557. Esses textos impressos após os 83 salmos não tinham melodia própria, nem música com notas.
Beza recorre, pela primeira vez, a uma forma estrófica usada anteriormente e remete o leitor à melodia correspondente. Consequentemente, dois salmos, às vezes mais, eram cantados com a mesma melodia. Um exame da coleção de 1562 mostra que toda uma série de salmos semelhantes eram executados da mesma maneira, e assim, eram cantados por uma melodia de outro salmo: por exemplo, os salmos 62 a 71, 76-78, 82, 95, 98, 100 108, 109, 111, 117, 139, 140, 142 e 144; contando ao todo uns 25 salmos.
Beza não fantasiava construir novas formas de estrofes, nem temia sobrecarregar a escola e os fiéis com muitas melodias novas? A explicação dessa mudança fundamental poderia ser o resultado da partida dos Bourgeois. Em 21 de Março de 1551, o salário de Bourgeois, juntamente com o da maioria das autoridades cívicas, foi reduzido pela metade devido as condições financeiras de Genebra. Ao contrário do que foi escrito, esta medida, que afetou o precentor, não teve nenhuma conexão com o “Anúncio” de 15 de Dezembro daquele ano.
Bourgeois deixou Genebra em 1552, por falta de dinheiro, para nunca mais voltar. Beza teria que continuar sem a cooperação de um compositor que tivesse o entendimento real para fornecer a cada salmo uma melodia adequada. Embora o trabalho de rimas tivesse estagnado, o mesmo não pode ser dito das impressoras de Genebra. As editoras competiam habilmente por clientes e licenças. Em 1539, o Conselho concedeu ao precentor Pierre Callette uma licença por três anos para imprimir música da maneira que ele havia inventado. Esta foi a licença que Callette entregou no dia seguinte a Jean Bonnefoy, Michel Blanchier e Etienne Coret e todos os impressores de Genebra.
Pierre Davantes conhecido pelo apelido de Antesignamus, em 1560, obteve uma licença de três anos para um “novo tipo de impressão musical”. Em 19 de Junho, Antoine Reboul e Emery Bernhardt tiveram a autorização para imprimir os salmos “com um novo tipo de impressão musical”. No dia 24 de junho “Jean Rivery solicitou permissão para imprimir os salmos com os nomes das notas e escalas no início”.
Em 24 de março do mesmo ano foi negado um pedido de Jean Rivery com data de 12 de Novembro, no qual ele solicitou imprimir os salmos “com anotações no texto não rimado e com uma oração no final de cada salmo”. O motive foi apenas porque “o sr. Beza terá o Saltério Francês completo impresso”.
A partir desse momento os eventos ocorrem em rápida sucessão. Em 30 de junho de 1561, os diáconos que eram “encarregados do cuidado dos estrangeiros necessitados, solicitam ao conselho que lhes deem a licença para imprimir os salmos pelos quais Beza lhes concedeu os direitos autorais. Por recomendação de Calvino, eles recebem a licença em 8 de Julho, por um período de dez anos, e assim, Calvino completou o Saltério dois anos antes de sua morte. O empreendimento que ele havia iniciado demorou 22 anos para ser concluído.
Pierre Pidoux, “History of the Genevan Psalter – Part 2” in: Reformed Music Journal Volume 1, No. 1 January, 1989. Acessado em https://spindleworks.com/library/Pidoux/History_Genevan_Psalter.html em 12/10/2019.
Guillaume Franc é o único precentor de Genebra mencionado como ensinando as crianças “a cantar os salmos de Davi na igreja” naquela época. Como compositor de muitas melodias para a Coleção de Lausanne de 1565, parece provável que deveríamos atribuir a ele as novas melodias de La Forme des Prières. O fato de terem sido mantidas tantas melodias do repertório de 1543 atesta os talentos de seu compositor. No final do outono de 1542, Clement Marot, que foi perseguido na França, fugiu para Genebra, onde ficou por um ano. A prova de que Marot, Franc e Calvino se conheceram e cooperaram no projeto de um Saltério pode ser concluída pelos seguintes fatos:
Fizeram-se melhorias no texto dos primeiros trinta salmos, algumas revisões importantes foram feitas nas melodias recém-publicadas, Guillaume Franc recebeu um contrato oficial com um aumento considerável nos salários e, finalmente, a publicação de um novo Saltério em 1543, contendo CINQUANTE PSAUMES (Cinquenta Salmos), em que 20 deles eram novos. Todos os 50 até então eram de Marot e cada um tinha a sua própria melodia.
A carta de Calvino anexa, escrita em 1542, era duas vezes maior do que o Saltério. Ele expõe extensivamente acerca do valor e da função dos cânticos no culto. Outra carta datada em 10 de Junho de 1543, em Genebra, por algum tempo foi publicada nas reedições do Saltério de Genebra.
Desta coleção somente a edição do texto foi preservada. Ela foi impressa em Genebra por Jean Gerard. A edição musical [ainda] não foi encontrada. O conteúdo, no entanto, é conhecido pelas reimpressões dos irmãos Beringen em Lyon, em 1548 e 1549. Desde 1543, o canto pelos fiéis reunidos (e não somente pelas crianças) era a regra. Num programa de canto todos os 50 Salmos foram divididos em dezessete semanas.
Durante os cultos de Domingo e os cultos de oração na quarta-feira, todos os Salmos em sua totalidade eram cantados por vez, cada salmo em sua própria melodia. O ministro teria que manter esse cronograma. Esse foi um motivo a mais para que as editoras reproduzissem os livros de salmos a fim de prontamente vendê-los.
Das novas melodias de 1543 que provavelmente foram compostas por Guillaume Franc, encontramos dezesseis salmos na edição de 1562, na sua forma original ou ligeiramente melhorados. Dentre eles estavam os salmos 18, 23, 32, 33, 37, 43, 50, 72, 79, 86, 91, 107, 118, 128, 138, a melodia dos Dez Mandamentos e o Cântico de Simeão. A probabilidade ainda não é provada; portanto, devemos deixar em aberto o problema de atribuição dessas melodias a Franc.
O que aconteceu com os salmos de Calvino quando eles apareceram em La Forme des Prières? Todos foram substituídos por versos escritos por Marot. Isso só poderia ser feito por incentivo de Calvino e, certamente, com a permissão do reformador. Certas semelhanças na versificação só podem ser coincidentes.
Para provar que Marot tinha em mente a metrificação de Calvino, a primeira linha do Salmo 91, cuja forma é a mesma nos dois rimados, é frequentemente apresentada. Desde a publicação do monumental livro Clement Marot et le Psautier Huguenot (Paris, 1878-1879) por Orentin Douen, tornou-se habitual retratar Marot como o “homem gracioso do mundo” como vítima de Calvino, o “recluso sombrio”. Nada disso aparece nos documentos contemporâneos. O fato de Calvino permanecer entre Marot e o Conselho, do qual ele pediu “que lhe produzisse algo de bom”, em troca de que Marot “se esforçasse com todo a sua competência para completar os salmos de Davi”, mostra implicitamente os elogios aos talentos de Marot e o seu consentimento. O Conselho respondeu: “que ele tivesse paciência”. Isso mostra apenas que a cidade estava em apuros financeiros, e não que houvesse alguma animosidade em relação ao poeta. É significativo que Calvino tenha decidido confiar todos os 150 salmos a Marot.
Marot deixa Genebra no final de 1545. E também Guillaume Franc em seguida, porque ele não poderia viver com seu escasso salário. Nesse momento, encontramos pela primeira vez o nome LOYS BOURGEOY, DE PARIS, CHANTRES (Louis Bourgeois, de Paris, precentor). O cargo ocupado anteriormente por Franc é assumido pelos recém-chegados Guillaume Fabri e Loys Bourgeois para que “ensinem as crianças como cantar os salmos na igreja”. Vendo que o trabalho de Fabri não era satisfatório, Bourgeois “que era mais adequado que ele” tornou-se responsável por esta tarefa a partir de 3 de Agosto.
Ele cumpriu o seu dever com habilidade e regularidade a partir dessa data, o que pode ser concluído a partir da ausência de queixas nos registros do Conselho. Durante seus anos em Genebra, Bourgeois compôs estruturas dos salmos para amadores. Eles foram publicados em Lyon pelos irmãos Beringen (1547) que estavam equipados para fazer essa impressão, e não como se argumentou, para escapar do anátema de Calvino! Bourgeois projetou para os seus alunos uma cartilha musical intitulada Le droict chemin de musique (O caminho certo para a música, de 1550).
Com a chegada de Theodore de Beza, em outubro de 1548, inicia uma nova fase na conclusão do Saltério. Embora não saibamos a data exata, a oração fúnebre de Caspar Laurent deixa claro que a data acima está correta. Por acaso, diz-se, Calvino descobriu uma rima do Salmo 16 na mesa de Beza - o primeiro salmo que Marot que ainda não tinha terminado o arranjo. O próprio Beza confirma a tarefa que Calvino o designou: “Por insistência do grande Mestre João Calvino, concluí a rima do salmo em versos franceses iniciada por Clement Marot, príncipe indiscutível dos poetas franceses de sua época”. As primeiras informações sobre datas que podemos encontrar no prefácio de Abraham Sacrifiant (O sacrifício de Abraão), fixado em 1 de Outubro de 1550, em que Beza anuncia que após seu drama “espera continuar com a rima dos salmos que no momento estou trabalhando”.
Desconhecemos o quão rápido ou lento Beza trabalhou. O que sabemos é que Calvino ficou impaciente e insistiu que os salmos lhe fossem enviados, de modo que pudessem ser tocados. No que diz respeito a Bourgeois, ele pediu ao Conselho “um pouco de trigo para melhorar o canto do salmo”. Podemos ler entre as linhas da vaga reação do secretário do concílio que o pedido dizia respeito à criação de novas melodias para cada salmo. Pois havia 34 salmos, com um número igual de novos padrões que Beza acrescenta aos 49 de Marot. A nova coleção é publicada por Jean Crispin no Outono de 1551, com o título PSEAUMES OCTANTE TROIS (Oitenta e Três Salmos).
A expansão do repertório dividida em 25 semanas (em vez de 17) torna inúteis as coleções anteriores. Com o (silencioso) acordo do Conselho e a bênção dos ministros (?), Bourgeois aproveita a oportunidade para corrigir erros de impressão e alterar certas frases melódicas para facilitar o canto e impedir que a congregação os entoasse erroneamente. Ele traz mais unidade às notas musicais mantendo apenas dois valores de notas com seus respectivos descansos e ainda fez pequenas melhorias no layout. Por fim, ele não conseguiu resistir à tentação de substituir algumas das melodias nas quais os salmos de Marot eram definidas por novas de seu próprio projeto. Assim que os 83 saíram da editora comunicou as alterações ao Conselho.
Isso ficou mais fácil pois Bougeois faz um relato detalhado das mudanças da melodia em seu “Aviso” (Advertência), que assinou e adicionou ao final do Saltério sem consultar as autoridades civis. Isso explica a sentença de 24 horas de prisão que lhe foi dada pelo Conselho e a proposta de Calvino de uma mera repreensão pelo Conselho, quando Calvino intercedeu à favor de Bourgeois. Que o trabalho de Bourgeois - tanto as revisões, melhorias e as novas composições - foi realizado com a permissão de Calvino e seus colegas, pode ser concluído pela ausência de advertências no registro da igreja, mas principalmente pela inclusão das mudanças de Bourgeois nas edições seguintes. Nós os encontramos novamente inalterados no Saltério de 1562.
O Conselho ficou irritado com as mudanças feitas nas melodias que acompanhavam os salmos de Marot. No entanto, não criticaram as novas melodias que ele escreveu para os salmos de Beza. Não foi surpreendente, nem ofensivo ao Conselho, que seu precentor em sua composição se inspirasse por “alguns hinos que anteriormente usamos mal, isso não deve perturbá-los, pois o som dos sinos e outras coisas que antes eram usadas incorretamente, mas que foram corrigidas”. De fato, as melodias do repertório romano podem ser encontradas nos salmos 17, 20, 31, 39, 121, 124 e 129. Um maior conhecimento do canto gregoriano, talvez, nos daria a oportunidade de aumentar esse número.
Dez anos se passariam entre os 83 salmos e a conclusão do Saltério. Antes que qualquer pensamento seja dado à conclusão dos demais 67 salmos, os 83 deveriam se tornar familiares da igreja. A rima dos salmos prosseguiria num ritmo mais lento. Nas reedições (em especial a de 1554) a editora acrescentou "seis salmos recentemente traduzidos" e um sétimo foi adicionado em 1557. Esses textos impressos após os 83 salmos não tinham melodia própria, nem música com notas.
Beza recorre, pela primeira vez, a uma forma estrófica usada anteriormente e remete o leitor à melodia correspondente. Consequentemente, dois salmos, às vezes mais, eram cantados com a mesma melodia. Um exame da coleção de 1562 mostra que toda uma série de salmos semelhantes eram executados da mesma maneira, e assim, eram cantados por uma melodia de outro salmo: por exemplo, os salmos 62 a 71, 76-78, 82, 95, 98, 100 108, 109, 111, 117, 139, 140, 142 e 144; contando ao todo uns 25 salmos.
Beza não fantasiava construir novas formas de estrofes, nem temia sobrecarregar a escola e os fiéis com muitas melodias novas? A explicação dessa mudança fundamental poderia ser o resultado da partida dos Bourgeois. Em 21 de Março de 1551, o salário de Bourgeois, juntamente com o da maioria das autoridades cívicas, foi reduzido pela metade devido as condições financeiras de Genebra. Ao contrário do que foi escrito, esta medida, que afetou o precentor, não teve nenhuma conexão com o “Anúncio” de 15 de Dezembro daquele ano.
Bourgeois deixou Genebra em 1552, por falta de dinheiro, para nunca mais voltar. Beza teria que continuar sem a cooperação de um compositor que tivesse o entendimento real para fornecer a cada salmo uma melodia adequada. Embora o trabalho de rimas tivesse estagnado, o mesmo não pode ser dito das impressoras de Genebra. As editoras competiam habilmente por clientes e licenças. Em 1539, o Conselho concedeu ao precentor Pierre Callette uma licença por três anos para imprimir música da maneira que ele havia inventado. Esta foi a licença que Callette entregou no dia seguinte a Jean Bonnefoy, Michel Blanchier e Etienne Coret e todos os impressores de Genebra.
Pierre Davantes conhecido pelo apelido de Antesignamus, em 1560, obteve uma licença de três anos para um “novo tipo de impressão musical”. Em 19 de Junho, Antoine Reboul e Emery Bernhardt tiveram a autorização para imprimir os salmos “com um novo tipo de impressão musical”. No dia 24 de junho “Jean Rivery solicitou permissão para imprimir os salmos com os nomes das notas e escalas no início”.
Em 24 de março do mesmo ano foi negado um pedido de Jean Rivery com data de 12 de Novembro, no qual ele solicitou imprimir os salmos “com anotações no texto não rimado e com uma oração no final de cada salmo”. O motive foi apenas porque “o sr. Beza terá o Saltério Francês completo impresso”.
A partir desse momento os eventos ocorrem em rápida sucessão. Em 30 de junho de 1561, os diáconos que eram “encarregados do cuidado dos estrangeiros necessitados, solicitam ao conselho que lhes deem a licença para imprimir os salmos pelos quais Beza lhes concedeu os direitos autorais. Por recomendação de Calvino, eles recebem a licença em 8 de Julho, por um período de dez anos, e assim, Calvino completou o Saltério dois anos antes de sua morte. O empreendimento que ele havia iniciado demorou 22 anos para ser concluído.
Pierre Pidoux, “History of the Genevan Psalter – Part 2” in: Reformed Music Journal Volume 1, No. 1 January, 1989. Acessado em https://spindleworks.com/library/Pidoux/History_Genevan_Psalter.html em 12/10/2019.
12 outubro 2019
A História do Saltério de Genebra - Parte 1
Dr. Pierre Pidoux
Ao entrar numa catedral um turista é frequentemente afetado pela harmonia inerente de toda a estrutura. Uma harmonia que resulta de um design bem definido e proporções bem-sucedidas. A princípio, ele não teria consciência de que o edifício era obra de várias gerações de arquitetos e pedreiros. A sua atenção aos detalhes, é evidência de um desenvolvimento do gosto ou técnicas de gerações sucessivas, que só viriam mais tarde.
É o mesmo caso do Saltério Francês que em sua forma completa foi publicado em 1562. À primeira vista parece que possui uma construção uniforme, um salmo parece é semelhante ao outro. Pode-se pensar facilmente que as palavras e a música foram reunidas ao mesmo tempo. A unidade é tão forte que se as iniciais do autor não fossem dadas, seria impossível dizer quem era o responsável por cada versificação. O mesmo pode ser dito das melodias: todas parecem iguais, mas sua origem é velada no anonimato.
É de fato uma unidade: o Saltério de Genebra contém apenas versificações que permanecem fiéis ao texto da prosa bíblica. Não encontramos nele comentários, paráfrases nem meditações inspiradas em qualquer estrofe. Também não encontramos tentativas de atualizá-lo, como pode ser encontrado nos hinos alemães do mesmo período. No Saltério que buscava a maior fidelidade possível à “verdade hebraica”, esses elementos criariam a impressão de adições puramente humanas, que abririam a porta para invenções perigosas.
A fidelidade ao texto da Bíblia é, no entanto, uma fidelidade de segundo grau. Nem Marot, ou Beza, rimaram os Salmos do texto hebraico. Ambos usaram uma tradução francesa, que, embora não seja diretamente traduzida do idioma hebraico, refere-se à verdade expressa no texto hebraico. De fato, quando Marot rimou o primeiro salmo, ele indicou qual era uma de suas fontes, talvez fosse a fonte mais importante para uma série de suas rimas. Seguindo a tradução bíblica do Olivitan de 1535, ele usou o termo “o Eterno” para o santo tetragrama (as quatro consoantes JHWH com as quais o nome de Deus ocorre em hebraico). Beza seguiu passo a passo a tradução genebrina revisada por Loys Bude.
Para cantar os Salmos era necessário dividir o material em estrofes recorrentes regularmente, compostas de linhas curtas com seu esquema de rimas tirânicas. Apesar desse formato, o substrato bíblico, no entanto, é diretamente discernível. Acontece mesmo que os textos em prosa são citados literalmente nas versificações. Unidade não é o mesmo que uniformidade.
A variedade de termos, nos quais o texto bíblico foi formado, é surpreendentemente grande. Os 150 salmos foram fixados em 124 melodias, que diferem bastante uma para outra. Isso ocorre porque as múltiplas formas de estrofe e as várias estruturas de versos exigem suas próprias melodias. O número e o comprimento das linhas do verso variam, assim como as palavras da rima e as fórmulas rítmicas.
Se apenas um desses dados fosse diferente, seria impossível usar a mesma melodia. Parece que se buscou essa variedade de formas propositalmente. Não é algo que se pode atribuir ao acaso. Tudo aponta para o fato de que um esforço consciente foi feito para facilitar o aprendizado rigoroso do texto conectado e a melodia pelos fiéis.
Calvino é acusado de promover uma profunda raiz de inimizade em relação a todas as criações artísticas, mas é preciso reconhecer que ele teve uma influência decisiva na realização do Saltério de Genebra. Desde a pequena coleção publicada em Estrasburgo, em 1539, passando por todas as fases de Genebra 1542, 1543, 1551, até sua conclusão (em 1562), Calvino esteve pessoalmente ocupado com ela, como iniciador e defensor dos interesses dos poetas e músicos.
O texto mais antigo sobre o canto dos salmos "com o sermão" data de 1537. Os ministros pediram ao Conselho permissão para esta novidade. O texto e o estilo só podem ser escritos por Calvino. Ele disse que os salmos “podem nos despertar para elevar nossos corações a Deus e nos levar a um ardor tanto para invocar quanto para exaltar louvando a glória de Seu nome ... O caminho a seguir para isso nos pareceu bom: pois, se algumas crianças, a quem ensinamos uma música simples da igreja, cantam em voz alta e distinta, de modo que as pessoas ouçam atentamente, seguindo com o coração o que é cantado pela boca, até que pouco a pouco elas se acostumem a cantar em uníssono uma música. Mas para evitar toda confusão, seria necessário que você não permita que alguém por sua insolência mantenha a santa congregação em escárnio, prestes a perturbar a ordem que será estabelecida por isso”.
Visto que os ministros pediram ao Conselho de Genebra que mantivesse a ordem, o estágio de planejamento aparentemente havia passado e uma rápida compreensão do canto foi antecipada. As circunstâncias políticas e as divergências sobre a administração da disciplina eclesiástica causaram, no entanto, tumulto na cidade, resultando na expulsão de Farel e Calvino.
Em 8 de setembro de 1538, Calvino prega seu primeiro sermão aos refugiados franceses em Estrasburgo. Alguns meses depois, ele publica para eles: AULCUN PSEALMES ET CANTIQUES MYS EN CHANT (Alguns salmos e hinos rimados a serem cantados).
A questão de como Calvino entrou em contato com as treze versões rimadas dos salmos de Clement Marot permanece sem resposta. É certo que essa foi a primeira vez que as metrificações de Marot foram publicadas com notada melodia. De onde vieram essas melodias? Dois deles, o salmo 51 e 114, mostram semelhanças com as melodias dos salmos alemães de Estrasburgo. Para os outros onze, no entanto, até onde sabemos, não existem fontes anteriores. Foram possivelmente compostas, em especial, para o texto, de acordo com as peculiaridades dos rimas de Marot. Essas melodias originais, ligeiramente revisadas, estão incluídas no Saltério de 1562. São as melodias dos salmos 1, 2, 15, 103, 114, 130, 137 e 143, voltarei a eles mais tarde.
Para expandir um repertório de músicas de qualidade, Calvino começou a rimar o próprio Salmos. O Aulcuns Pseaulmes contém os Salmos 25, 36, 46, 91, 113, 138 além do Cântico de Simeão, os Dez Mandamentos e o Credo. Embora fosse necessário compor melodias para os já existentes Salmos de Marot, o inverso foi o caso de Calvino. O seu ponto de partida foram as músicas do Salmo de Estrasburgo, que ele escolheu “porque o agradavam mais”. Ele formou seus textos de acordo com o corte musical dessas melodias. A rima masculina amontoada que ele usa foi severamente criticada e considerada por muitos como sendo insignificante. No entanto, é convenientemente esquecido que os salmos alemães continham muitas linhas iâmbicas de sílabas, com ênfase na última.
Os salmos de Calvino continuaram a ser usados em Estrasburgo até meados do século XVI. Eles foram apenas parte das melodias do Saltério de Genebra por um curto período de tempo, com exceção da melodia do Salmo 36, que Calvino tinha particular apreço. Na melodia de Greiter para o Salmo 119, Calvino rimava com o Salmo 36:
O mesmo salmo é retomado por Marot, que seguiu um similar modelo literário e usa a mesma melodia:
Esta melodia encontramos no Saltério de 1562. Beza leva nele a melodia para sua versificação do salmo 68. Nessa forma, o salmo é considerado um dos salmos mais populares e característicos de todo o Saltério. O Que Dieu se montre seulement é o mais típico do estilo musical de Estrasburgo. Com suas 92 notas, é a melodia mais longa do Saltério de Genebra.
Em setembro de 1541, Calvino foi chamado de volta a Genebra, e no ano seguinte foi publicada outra coleção de salmos intitulada: LA FORME DES PRIERES ET CHANTZ ECCLESIASTIQUES (A Forma de Orações e Canções Eclesiásticas). O livro abre com uma carta não assinada aos leitores. Certamente que Calvino é o seu autor. Sete oitavos falam sobre a ordem do culto e a administração dos sacramentos. Os últimos parágrafos tratam do dos cânticos. Além dos 13 Salmos de Marot, 5 de Calvino, mais o Cântico de Simeão e os Dez Mandamentos retirados de “Aulcuns Pseaulms”, os "Cânticos eclesiásticos" continham 17 novos textos de Marot com música. Dessas melodias, as dos Salmos 4, 5, 6, 7, 8, 13, 14, 19, 22, 24, 38, 104 e 115 foram mantidas em edições sucessivas.
Quem foi o compositor dessas músicas? Pouco antes do retorno de Calvino a Genebra, um músico parisiense de nome Guillaurne Franc, chegou à cidade. Ele recebeu permissão para abrir uma “escola de música”. A intenção de Franc era ensinar as músicas do salmo às crianças. As Ordonnance Ecclesiatiques [Ordenanças Eclesiásticas] de Novembro de 1541, que acabavam de ser formuladas, continham um artigo muito semelhante à decisão de 1537. Ela declarava que: “É desejável introduzir cânticos eclesiásticos, a fim de melhor incitar o povo à oração e ao louvor a Deus. Para começar as crianças devem ser ensinadas e, no decorrer do tempo, toda a igreja será capaz de seguir”.
Pierre Pidoux, “History of the Genevan Psalter – Part 1” in: Reformed Music Journal Volume 1, No. 1 January, 1989. Acessado em https://spindleworks.com/library/Pidoux/History_Genevan_Psalter.html em 12/10/2019.
Ao entrar numa catedral um turista é frequentemente afetado pela harmonia inerente de toda a estrutura. Uma harmonia que resulta de um design bem definido e proporções bem-sucedidas. A princípio, ele não teria consciência de que o edifício era obra de várias gerações de arquitetos e pedreiros. A sua atenção aos detalhes, é evidência de um desenvolvimento do gosto ou técnicas de gerações sucessivas, que só viriam mais tarde.
É o mesmo caso do Saltério Francês que em sua forma completa foi publicado em 1562. À primeira vista parece que possui uma construção uniforme, um salmo parece é semelhante ao outro. Pode-se pensar facilmente que as palavras e a música foram reunidas ao mesmo tempo. A unidade é tão forte que se as iniciais do autor não fossem dadas, seria impossível dizer quem era o responsável por cada versificação. O mesmo pode ser dito das melodias: todas parecem iguais, mas sua origem é velada no anonimato.
É de fato uma unidade: o Saltério de Genebra contém apenas versificações que permanecem fiéis ao texto da prosa bíblica. Não encontramos nele comentários, paráfrases nem meditações inspiradas em qualquer estrofe. Também não encontramos tentativas de atualizá-lo, como pode ser encontrado nos hinos alemães do mesmo período. No Saltério que buscava a maior fidelidade possível à “verdade hebraica”, esses elementos criariam a impressão de adições puramente humanas, que abririam a porta para invenções perigosas.
A fidelidade ao texto da Bíblia é, no entanto, uma fidelidade de segundo grau. Nem Marot, ou Beza, rimaram os Salmos do texto hebraico. Ambos usaram uma tradução francesa, que, embora não seja diretamente traduzida do idioma hebraico, refere-se à verdade expressa no texto hebraico. De fato, quando Marot rimou o primeiro salmo, ele indicou qual era uma de suas fontes, talvez fosse a fonte mais importante para uma série de suas rimas. Seguindo a tradução bíblica do Olivitan de 1535, ele usou o termo “o Eterno” para o santo tetragrama (as quatro consoantes JHWH com as quais o nome de Deus ocorre em hebraico). Beza seguiu passo a passo a tradução genebrina revisada por Loys Bude.
Para cantar os Salmos era necessário dividir o material em estrofes recorrentes regularmente, compostas de linhas curtas com seu esquema de rimas tirânicas. Apesar desse formato, o substrato bíblico, no entanto, é diretamente discernível. Acontece mesmo que os textos em prosa são citados literalmente nas versificações. Unidade não é o mesmo que uniformidade.
A variedade de termos, nos quais o texto bíblico foi formado, é surpreendentemente grande. Os 150 salmos foram fixados em 124 melodias, que diferem bastante uma para outra. Isso ocorre porque as múltiplas formas de estrofe e as várias estruturas de versos exigem suas próprias melodias. O número e o comprimento das linhas do verso variam, assim como as palavras da rima e as fórmulas rítmicas.
Se apenas um desses dados fosse diferente, seria impossível usar a mesma melodia. Parece que se buscou essa variedade de formas propositalmente. Não é algo que se pode atribuir ao acaso. Tudo aponta para o fato de que um esforço consciente foi feito para facilitar o aprendizado rigoroso do texto conectado e a melodia pelos fiéis.
Calvino é acusado de promover uma profunda raiz de inimizade em relação a todas as criações artísticas, mas é preciso reconhecer que ele teve uma influência decisiva na realização do Saltério de Genebra. Desde a pequena coleção publicada em Estrasburgo, em 1539, passando por todas as fases de Genebra 1542, 1543, 1551, até sua conclusão (em 1562), Calvino esteve pessoalmente ocupado com ela, como iniciador e defensor dos interesses dos poetas e músicos.
O texto mais antigo sobre o canto dos salmos "com o sermão" data de 1537. Os ministros pediram ao Conselho permissão para esta novidade. O texto e o estilo só podem ser escritos por Calvino. Ele disse que os salmos “podem nos despertar para elevar nossos corações a Deus e nos levar a um ardor tanto para invocar quanto para exaltar louvando a glória de Seu nome ... O caminho a seguir para isso nos pareceu bom: pois, se algumas crianças, a quem ensinamos uma música simples da igreja, cantam em voz alta e distinta, de modo que as pessoas ouçam atentamente, seguindo com o coração o que é cantado pela boca, até que pouco a pouco elas se acostumem a cantar em uníssono uma música. Mas para evitar toda confusão, seria necessário que você não permita que alguém por sua insolência mantenha a santa congregação em escárnio, prestes a perturbar a ordem que será estabelecida por isso”.
Visto que os ministros pediram ao Conselho de Genebra que mantivesse a ordem, o estágio de planejamento aparentemente havia passado e uma rápida compreensão do canto foi antecipada. As circunstâncias políticas e as divergências sobre a administração da disciplina eclesiástica causaram, no entanto, tumulto na cidade, resultando na expulsão de Farel e Calvino.
Em 8 de setembro de 1538, Calvino prega seu primeiro sermão aos refugiados franceses em Estrasburgo. Alguns meses depois, ele publica para eles: AULCUN PSEALMES ET CANTIQUES MYS EN CHANT (Alguns salmos e hinos rimados a serem cantados).
A questão de como Calvino entrou em contato com as treze versões rimadas dos salmos de Clement Marot permanece sem resposta. É certo que essa foi a primeira vez que as metrificações de Marot foram publicadas com notada melodia. De onde vieram essas melodias? Dois deles, o salmo 51 e 114, mostram semelhanças com as melodias dos salmos alemães de Estrasburgo. Para os outros onze, no entanto, até onde sabemos, não existem fontes anteriores. Foram possivelmente compostas, em especial, para o texto, de acordo com as peculiaridades dos rimas de Marot. Essas melodias originais, ligeiramente revisadas, estão incluídas no Saltério de 1562. São as melodias dos salmos 1, 2, 15, 103, 114, 130, 137 e 143, voltarei a eles mais tarde.
Para expandir um repertório de músicas de qualidade, Calvino começou a rimar o próprio Salmos. O Aulcuns Pseaulmes contém os Salmos 25, 36, 46, 91, 113, 138 além do Cântico de Simeão, os Dez Mandamentos e o Credo. Embora fosse necessário compor melodias para os já existentes Salmos de Marot, o inverso foi o caso de Calvino. O seu ponto de partida foram as músicas do Salmo de Estrasburgo, que ele escolheu “porque o agradavam mais”. Ele formou seus textos de acordo com o corte musical dessas melodias. A rima masculina amontoada que ele usa foi severamente criticada e considerada por muitos como sendo insignificante. No entanto, é convenientemente esquecido que os salmos alemães continham muitas linhas iâmbicas de sílabas, com ênfase na última.
Os salmos de Calvino continuaram a ser usados em Estrasburgo até meados do século XVI. Eles foram apenas parte das melodias do Saltério de Genebra por um curto período de tempo, com exceção da melodia do Salmo 36, que Calvino tinha particular apreço. Na melodia de Greiter para o Salmo 119, Calvino rimava com o Salmo 36:
En moi le secret pensement
Du maling parle clairement
C'est qu' a Dieu it ne pense:
Car it se corn plaist en ses faictz
Tant que haine sur ses mes faictz
Et jugement avance etc.
O mesmo salmo é retomado por Marot, que seguiu um similar modelo literário e usa a mesma melodia:
Du maling les faits vicieux
Me disent que devant ses yeux
N'a point de Dieu la crainte:
Car tant se plaist en son erreur
Que L'avoir en haine en horreur
C'est bien force et constrainte etc.
Esta melodia encontramos no Saltério de 1562. Beza leva nele a melodia para sua versificação do salmo 68. Nessa forma, o salmo é considerado um dos salmos mais populares e característicos de todo o Saltério. O Que Dieu se montre seulement é o mais típico do estilo musical de Estrasburgo. Com suas 92 notas, é a melodia mais longa do Saltério de Genebra.
Em setembro de 1541, Calvino foi chamado de volta a Genebra, e no ano seguinte foi publicada outra coleção de salmos intitulada: LA FORME DES PRIERES ET CHANTZ ECCLESIASTIQUES (A Forma de Orações e Canções Eclesiásticas). O livro abre com uma carta não assinada aos leitores. Certamente que Calvino é o seu autor. Sete oitavos falam sobre a ordem do culto e a administração dos sacramentos. Os últimos parágrafos tratam do dos cânticos. Além dos 13 Salmos de Marot, 5 de Calvino, mais o Cântico de Simeão e os Dez Mandamentos retirados de “Aulcuns Pseaulms”, os "Cânticos eclesiásticos" continham 17 novos textos de Marot com música. Dessas melodias, as dos Salmos 4, 5, 6, 7, 8, 13, 14, 19, 22, 24, 38, 104 e 115 foram mantidas em edições sucessivas.
Quem foi o compositor dessas músicas? Pouco antes do retorno de Calvino a Genebra, um músico parisiense de nome Guillaurne Franc, chegou à cidade. Ele recebeu permissão para abrir uma “escola de música”. A intenção de Franc era ensinar as músicas do salmo às crianças. As Ordonnance Ecclesiatiques [Ordenanças Eclesiásticas] de Novembro de 1541, que acabavam de ser formuladas, continham um artigo muito semelhante à decisão de 1537. Ela declarava que: “É desejável introduzir cânticos eclesiásticos, a fim de melhor incitar o povo à oração e ao louvor a Deus. Para começar as crianças devem ser ensinadas e, no decorrer do tempo, toda a igreja será capaz de seguir”.
Pierre Pidoux, “History of the Genevan Psalter – Part 1” in: Reformed Music Journal Volume 1, No. 1 January, 1989. Acessado em https://spindleworks.com/library/Pidoux/History_Genevan_Psalter.html em 12/10/2019.
27 setembro 2019
Paul Tillich era um cristão?
Por Ewerton B. Tokashiki
Eu li os livros de Paul Tillich. Li quando era estudante de teologia e, posteriormente, como professor de Teologia. Debrucei-me sobre seus escritos, bem como textos que avaliam o seu pensamento. As minhas leituras levaram-me à conclusão de que Tillich era um homem inteligente, original, e nada ortodoxo; embora, avalio paradoxalmente a sua teologia como obscura e irracional.
Os apreciadores de Tillich, em geral, desconhecem as imoralidades que persistiram durante toda a sua vida docente. Lecionei Teologia Contemporânea no primeiro Semestre de 2009 na Faculdade Metodista de Porto Velho, uma extensão da UMSP, e em conversa com os alunos pude denunciar Tillich, tão amado e lido ali [mencione-se a Sociedade Tillich de Estudos Teológicos]. E, pelo menos em Porto Velho alguns dos professores com quem comentei estes problemas de imoralidade, nenhum deles tinha sequer ouvido falar de sua vida dissoluta.
Relevante e também ignorada pelos teólogos brasileiros, apreciadores de Tillich, é a descrição sincretista de sua esposa Hannah Tillich quando o seu marido estava em seu leito de enfermidade. Ela diz
Em outro lugar ela comenta sobre os momentos antecedentes à morte de Tillich. Conclui que
Estas citações podem ser encontradas no livro Stanley Gundry, Teologia Contemporânea, Ed. Mundo Cristão, 1987, p. 104].
Este é Paul Tillich: um sincretista pagão que usou uma terminologia bíblico-teológico cristã para falar de sua filosofia da correlação. Não era um cristão, a não ser em sua tradição antecedente, que foi desprezada e reinterpretada à luz do paganismo até o seu último momento de vida.
Eu li os livros de Paul Tillich. Li quando era estudante de teologia e, posteriormente, como professor de Teologia. Debrucei-me sobre seus escritos, bem como textos que avaliam o seu pensamento. As minhas leituras levaram-me à conclusão de que Tillich era um homem inteligente, original, e nada ortodoxo; embora, avalio paradoxalmente a sua teologia como obscura e irracional.
Os apreciadores de Tillich, em geral, desconhecem as imoralidades que persistiram durante toda a sua vida docente. Lecionei Teologia Contemporânea no primeiro Semestre de 2009 na Faculdade Metodista de Porto Velho, uma extensão da UMSP, e em conversa com os alunos pude denunciar Tillich, tão amado e lido ali [mencione-se a Sociedade Tillich de Estudos Teológicos]. E, pelo menos em Porto Velho alguns dos professores com quem comentei estes problemas de imoralidade, nenhum deles tinha sequer ouvido falar de sua vida dissoluta.
Relevante e também ignorada pelos teólogos brasileiros, apreciadores de Tillich, é a descrição sincretista de sua esposa Hannah Tillich quando o seu marido estava em seu leito de enfermidade. Ela diz
queria saber o que acontece ao seu próprio-eu centralizado após a morte; não haveria lembrança alguma da sua pessoa como pessoa. Procurei dizer-lhe que as imagens dos seus pensamentos estariam ali, que seus pensamentos, tendo mudado a substância do nosso cosmos, entrariam no círculo dos poderes espirituais, que criou as imagens do mundo. Falou acerca do Livro dos Mortos de Tibete. "Vai atrás da luz clara", eu disse, "a luz clara o guiará, e não qualquer imortalidade egocêntrica." Falávamos acerca dos poderes do Buda que têm a mesma união espiritual - se você olhar através de um cristal com muitas facetas, parece-lhe que vê muitas imagens do Buda, mas se você passar sem o cristal, há um só espírito do Buda, e, à medida que você é espírito, será juntado a ele. [Hannah Tillich, From Time to Time, 1973, p. 222].
Em outro lugar ela comenta sobre os momentos antecedentes à morte de Tillich. Conclui que
nada tinha trazido para o hospital desde que ficara doente, a não ser as Bíblias dele - um NT grego pequeno, uma Bíblia alemã, que tinha sido dele desde o primeiro ano de sua vida, e uma versão em inglês. Eu tinha esperado que pudesse ler a ele trechos da Bíblia quando se tornasse inquieto, se assim fosse a vontade dele, mas somente tocara na versão grega com sua mão frágil. Não quis ver as demais Bíblias, nem ouvir leituras bíblicas. Fiquei contente. Pertencia ao mundo, ao cosmos, e não a um só livro [Hannah Tillich, From Time to Time, 1973, p. 224].
Estas citações podem ser encontradas no livro Stanley Gundry, Teologia Contemporânea, Ed. Mundo Cristão, 1987, p. 104].
Este é Paul Tillich: um sincretista pagão que usou uma terminologia bíblico-teológico cristã para falar de sua filosofia da correlação. Não era um cristão, a não ser em sua tradição antecedente, que foi desprezada e reinterpretada à luz do paganismo até o seu último momento de vida.
21 setembro 2019
PROGRAMA DE TREINAMENTO PARA OFICIAIS DA IGREJA - modelo 2
Por Rev. Ewerton B. Tokashiki
A escolha de oficiais ocorrerá:
1. O planejamento do cronograma
2. O conteúdo do estudo
3. O processo de treinamento
4. O exame do Conselho
5. A eleição da Assembleia Extraordinária
6. A ordenação dos oficiais
I. PROGRAMA DO TREINAMENTO
1. Definição quanto ao número de vagas
2. Agendamento das datas para o treinamento/leituras
3. Estudos na EBD – Classe Conjunta [sobre os ofícios]
4. Distribuir para a igreja textos sobre qualificações dos ofícios
5. Distribuir para a igreja “A indicação de candidatos a oficialato”
6. Limite de data para indicação de nomes [documento preenchido e assinado]
7. Realização dos cursos em formato de módulos.
a. Curso sobre Identidade Presbiteriana [1 aula]
b. Curso sobre os ofícios [3 aulas]
c. Curso sobre Padrões de Westminster [2 aulas]
d. Curso sobre Manual Presbiteriano [1 aula]
8. Os aspirantes deverão entregar ao Conselho:
a. Uma declaração de leitura dos textos exigidos.
b. Declaração de subscrição confessional.
9. Exame pelo Conselho dos aspirantes.
10. Realização da Assembleia Extraordinária para eleição de oficiais.
11. Participação da Reunião do Conselho para registro em ata e assinatura do “Livro de Registro de Eleição e Subscrição Confessional” [Obs.* fazer levantamento dos nomes de todos os presbíteros que serviram na IPB 1ª Teófilo Otoni].
12. Cada oficial eleito receberá um Manual Presbiteriano e os Padrões de Westminster [caso não os tenha].
II. TEXTOS DO TREINAMENTO
1. “A história do Presbiterianismo” por Alderi Matos
2. “Manual de treinamento de oficiais” por Ligon Duncan [traduzir]
3. “Como selecionar presbíteros e diáconos” por Ronald Barns
4. “A duas ordens de ofícios” por George Knight III
5. “Os deveres dos presbíteros” por Daniel R. Hyde [traduzir]
6. “Firme Fundamento - A Identidade Reformada” por Ewerton B. Tokashiki
7. “Estudo dirigido da Confissão de Fé e Catecismo Maior de Westminster” por Ewerton B. Tokashiki [John R. Hilbelink, Joseph Pipa Jr, Gary Crampton e Chad Van Dixhoorn].
8. “A subscrição confessional” por Morton H. Smith
9. “Votos quebrados” por G.I. Williamson
10. “Honestidade e honra denominacional” por William G.T. Shedd
11. “Diretrizes para as reuniões do Conselho” por Ewerton B. Tokashiki
12. “Por que deveríamos ser zelosos no exame de candidatos a membros?” por Ewerton B. Tokashiki
13. “Questionário de autoexame para os candidatos ao oficialato” por Ewerton B. Tokashiki
III. ROTEIRO DO TREINAMENTO
1. Os oficiais da Igreja de Cristo
2. As qualificações para o exercício dos ofícios
3. Os dons necessários para servir
4. A ação pastoral dos oficiais
a. A preservação das marcas de pureza da Igreja
b. A evangelização/discipulado
c. A supervisão do rebanho
d. O aconselhamento bíblico
e. A visitação dos lares
5. A ação administrativa dos oficiais
a. Os princípios de liderança
b. A reunião do Conselho e da Junta Diaconal
c. A confecção de documentos
6. A relação entre os oficiais
a. O cuidando das necessidades do pastor
b. A supervisão do seu ensino/pregação
c. A assistência da liderança pastoral
d. O trabalho coordenado dos presbíteros e diáconos
7. Tratando conflitos interno
a. Servos, não donos do rebanho
b. A prevenção pela orientação
c. A prática de Mt 18
d. A disciplina acompanhada
Nota: o curso poderá ser aberto para toda a igreja.
A escolha de oficiais ocorrerá:
1. O planejamento do cronograma
2. O conteúdo do estudo
3. O processo de treinamento
4. O exame do Conselho
5. A eleição da Assembleia Extraordinária
6. A ordenação dos oficiais
I. PROGRAMA DO TREINAMENTO
1. Definição quanto ao número de vagas
2. Agendamento das datas para o treinamento/leituras
3. Estudos na EBD – Classe Conjunta [sobre os ofícios]
4. Distribuir para a igreja textos sobre qualificações dos ofícios
5. Distribuir para a igreja “A indicação de candidatos a oficialato”
6. Limite de data para indicação de nomes [documento preenchido e assinado]
7. Realização dos cursos em formato de módulos.
a. Curso sobre Identidade Presbiteriana [1 aula]
b. Curso sobre os ofícios [3 aulas]
c. Curso sobre Padrões de Westminster [2 aulas]
d. Curso sobre Manual Presbiteriano [1 aula]
8. Os aspirantes deverão entregar ao Conselho:
a. Uma declaração de leitura dos textos exigidos.
b. Declaração de subscrição confessional.
9. Exame pelo Conselho dos aspirantes.
10. Realização da Assembleia Extraordinária para eleição de oficiais.
11. Participação da Reunião do Conselho para registro em ata e assinatura do “Livro de Registro de Eleição e Subscrição Confessional” [Obs.* fazer levantamento dos nomes de todos os presbíteros que serviram na IPB 1ª Teófilo Otoni].
12. Cada oficial eleito receberá um Manual Presbiteriano e os Padrões de Westminster [caso não os tenha].
II. TEXTOS DO TREINAMENTO
1. “A história do Presbiterianismo” por Alderi Matos
2. “Manual de treinamento de oficiais” por Ligon Duncan [traduzir]
3. “Como selecionar presbíteros e diáconos” por Ronald Barns
4. “A duas ordens de ofícios” por George Knight III
5. “Os deveres dos presbíteros” por Daniel R. Hyde [traduzir]
6. “Firme Fundamento - A Identidade Reformada” por Ewerton B. Tokashiki
7. “Estudo dirigido da Confissão de Fé e Catecismo Maior de Westminster” por Ewerton B. Tokashiki [John R. Hilbelink, Joseph Pipa Jr, Gary Crampton e Chad Van Dixhoorn].
8. “A subscrição confessional” por Morton H. Smith
9. “Votos quebrados” por G.I. Williamson
10. “Honestidade e honra denominacional” por William G.T. Shedd
11. “Diretrizes para as reuniões do Conselho” por Ewerton B. Tokashiki
12. “Por que deveríamos ser zelosos no exame de candidatos a membros?” por Ewerton B. Tokashiki
13. “Questionário de autoexame para os candidatos ao oficialato” por Ewerton B. Tokashiki
III. ROTEIRO DO TREINAMENTO
1. Os oficiais da Igreja de Cristo
2. As qualificações para o exercício dos ofícios
3. Os dons necessários para servir
4. A ação pastoral dos oficiais
a. A preservação das marcas de pureza da Igreja
b. A evangelização/discipulado
c. A supervisão do rebanho
d. O aconselhamento bíblico
e. A visitação dos lares
5. A ação administrativa dos oficiais
a. Os princípios de liderança
b. A reunião do Conselho e da Junta Diaconal
c. A confecção de documentos
6. A relação entre os oficiais
a. O cuidando das necessidades do pastor
b. A supervisão do seu ensino/pregação
c. A assistência da liderança pastoral
d. O trabalho coordenado dos presbíteros e diáconos
7. Tratando conflitos interno
a. Servos, não donos do rebanho
b. A prevenção pela orientação
c. A prática de Mt 18
d. A disciplina acompanhada
Nota: o curso poderá ser aberto para toda a igreja.
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Presbítero,
Treinamento
PROGRAMA DE TREINAMENTO PARA OFICIAIS DA IGREJA - modelo 1
Por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Ementa: objetiva o treinamento de homens para ocuparem e exercerem os ofícios de presbíteros e diáconos da IPB. O curso terá duração de 1 ano, constituindo-se de instrução teórica e prática. Quanto à instrução teórica os aspirantes terão leituras direcionadas e participação em módulos. O treinamento prático do curso abrangerá o exercício de discipulado, docência na EBD, habilidade em pregação, acompanhamento em visitações e atividades pastorais.
Temas dos módulos:
Os módulos terão a periodicidade mensal. Eles serão oferecidos conforme a agenda da igreja local. Cada módulo será realizado com aulas expositivas, leitura de literatura selecionada, atividades extraclasses e avaliação final.
1. Curso de Discipulador
2. Curso de Identidade Reformada
3. Curso dos Padrões de Westminster
4. Curso de Hermenêutica
5. Curso de Homilética
6. Curso de Professores de EBD
7. Curso de Oficial Eclesiástico
8. Curso de Visitação e Cuidado Pastoral
9. Curso de Constituição da IPB
Público alvo: O curso visa instruir, treinar e capacitar para servir a igreja local. Por isso, qualquer membro [homens e mulheres] poderão participar do curso a fim de compreenderem, e melhor servirem nos diferentes ministérios da igreja local. Entretanto, os aspirantes ao oficialato deverão participar do curso como exigência para a ordenação.
1. MÓDULO DE DISCIPULADOR
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. O que é discipulado?
2. Princípios do discipulado bíblico.
3. Como discipular? [discipulado básico e avançado].
4. O que ensinar? [discipulado básico e avançado].
5. A prática do discipulado.
2. MÓDULO DE IDENTIDADE REFORMADA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. O sistema de governo presbiteriano.
2. A nossa herança confessional.
3. Calvinismo: Deus é soberano sobre tudo.
4. O cessacionismo: a única regra de fé e prática.
5. A teologia do pacto.
6. O princípio regulador do culto.
3. MÓDULO DOS PADRÕES DE WESTMINSTER
Ementa: o curso terá duração de 2 semanas.
P.S.* O Breve Catecismo de Westminster será usado com a finalidade de memorização das definições teológicas. Adotaremos em nosso curso o Catecismo Maior de Westminster, seguindo a proposta dos teólogos da Assembleia de Westminster, que visava o treinamento de oficiais e adultos.
Aulas:
1. A história da Assembleia de Westminster
2. A estrutura do Catecismo Maior de Westminster [e do BCW]
3. A teologia do Catecismo Maior de Westminster – aula 1
4. A teologia do Catecismo Maior de Westminster – aula 2
5. A ética do Catecismo Maior de Westminster
6. A estrutura da Confissão de Fé de Westminster
7. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 1
8. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 2
9. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 3
10. A prática da subscrição integral
4. MÓDULO DE HERMENÊUTICA BÁSICA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A história da interpretação da Bíblia.
2. Quem determina o significado?
3. O que significa este texto? – análise gramatical.
4. Descobrindo o contexto, cultura e HGAB.
5. Estudando com ferramentas exegéticas.
5. MÓDULO DE HOMILÉTICA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A autoridade do pregador.
2. A pregação expositiva
3. A escolha do texto / programa de pregação em série.
4. A estrutura do sermão.
5. A entrega do sermão.
6. MÓDULO DE PROFESSORES DE EBD
Ementa: o curso terá duração de 1 semana.
Aulas:
1. O que é educação cristã?
2. A autoridade do professor
3. O preparo das aulas.
4. O material de apoio para pesquisa.
5. A interação professor e alunos.
7. MÓDULO DE OFICIAL ECLESIÁSTICO
Ementa: duração de 2 semanas.
Aulas:
1. A origem e natureza dos presbíteros.
2. A função na igreja local dos presbíteros.
3. A função conciliar dos presbíteros.
4. A origem e natureza dos diáconos.
5. A função dos diáconos.
6. A qualificação dos oficiais.
7. Os perigos do oficialato.
8. A doutrina da ordenação.
9. O treinamento administrativo.
10. O treinamento de liderança.
8. MÓDULO DE VISITAÇÃO E CUIDADO PASTORAL
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A importância da visitação
2. Objetivo da visitação
3. O que fazer na visitação.
4. Tipos diferentes de visitação.
5. O cuidado pastoral.
9. MÓDULO DE CONSTITUIÇÃO DA IPB
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A Constituição da IPB.
2. O Código de Disciplina da IPB.
3. Os Princípios de Liturgia da IPB.
4. As decisões e recursos conciliares.
5. A confecção de documentos.
Ementa: objetiva o treinamento de homens para ocuparem e exercerem os ofícios de presbíteros e diáconos da IPB. O curso terá duração de 1 ano, constituindo-se de instrução teórica e prática. Quanto à instrução teórica os aspirantes terão leituras direcionadas e participação em módulos. O treinamento prático do curso abrangerá o exercício de discipulado, docência na EBD, habilidade em pregação, acompanhamento em visitações e atividades pastorais.
Temas dos módulos:
Os módulos terão a periodicidade mensal. Eles serão oferecidos conforme a agenda da igreja local. Cada módulo será realizado com aulas expositivas, leitura de literatura selecionada, atividades extraclasses e avaliação final.
1. Curso de Discipulador
2. Curso de Identidade Reformada
3. Curso dos Padrões de Westminster
4. Curso de Hermenêutica
5. Curso de Homilética
6. Curso de Professores de EBD
7. Curso de Oficial Eclesiástico
8. Curso de Visitação e Cuidado Pastoral
9. Curso de Constituição da IPB
Público alvo: O curso visa instruir, treinar e capacitar para servir a igreja local. Por isso, qualquer membro [homens e mulheres] poderão participar do curso a fim de compreenderem, e melhor servirem nos diferentes ministérios da igreja local. Entretanto, os aspirantes ao oficialato deverão participar do curso como exigência para a ordenação.
1. MÓDULO DE DISCIPULADOR
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. O que é discipulado?
2. Princípios do discipulado bíblico.
3. Como discipular? [discipulado básico e avançado].
4. O que ensinar? [discipulado básico e avançado].
5. A prática do discipulado.
2. MÓDULO DE IDENTIDADE REFORMADA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. O sistema de governo presbiteriano.
2. A nossa herança confessional.
3. Calvinismo: Deus é soberano sobre tudo.
4. O cessacionismo: a única regra de fé e prática.
5. A teologia do pacto.
6. O princípio regulador do culto.
3. MÓDULO DOS PADRÕES DE WESTMINSTER
Ementa: o curso terá duração de 2 semanas.
P.S.* O Breve Catecismo de Westminster será usado com a finalidade de memorização das definições teológicas. Adotaremos em nosso curso o Catecismo Maior de Westminster, seguindo a proposta dos teólogos da Assembleia de Westminster, que visava o treinamento de oficiais e adultos.
Aulas:
1. A história da Assembleia de Westminster
2. A estrutura do Catecismo Maior de Westminster [e do BCW]
3. A teologia do Catecismo Maior de Westminster – aula 1
4. A teologia do Catecismo Maior de Westminster – aula 2
5. A ética do Catecismo Maior de Westminster
6. A estrutura da Confissão de Fé de Westminster
7. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 1
8. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 2
9. A teologia da Confissão de Fé de Westminster – aula 3
10. A prática da subscrição integral
4. MÓDULO DE HERMENÊUTICA BÁSICA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A história da interpretação da Bíblia.
2. Quem determina o significado?
3. O que significa este texto? – análise gramatical.
4. Descobrindo o contexto, cultura e HGAB.
5. Estudando com ferramentas exegéticas.
5. MÓDULO DE HOMILÉTICA
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A autoridade do pregador.
2. A pregação expositiva
3. A escolha do texto / programa de pregação em série.
4. A estrutura do sermão.
5. A entrega do sermão.
6. MÓDULO DE PROFESSORES DE EBD
Ementa: o curso terá duração de 1 semana.
Aulas:
1. O que é educação cristã?
2. A autoridade do professor
3. O preparo das aulas.
4. O material de apoio para pesquisa.
5. A interação professor e alunos.
7. MÓDULO DE OFICIAL ECLESIÁSTICO
Ementa: duração de 2 semanas.
Aulas:
1. A origem e natureza dos presbíteros.
2. A função na igreja local dos presbíteros.
3. A função conciliar dos presbíteros.
4. A origem e natureza dos diáconos.
5. A função dos diáconos.
6. A qualificação dos oficiais.
7. Os perigos do oficialato.
8. A doutrina da ordenação.
9. O treinamento administrativo.
10. O treinamento de liderança.
8. MÓDULO DE VISITAÇÃO E CUIDADO PASTORAL
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A importância da visitação
2. Objetivo da visitação
3. O que fazer na visitação.
4. Tipos diferentes de visitação.
5. O cuidado pastoral.
9. MÓDULO DE CONSTITUIÇÃO DA IPB
Ementa: duração de 1 semana.
Aulas:
1. A Constituição da IPB.
2. O Código de Disciplina da IPB.
3. Os Princípios de Liturgia da IPB.
4. As decisões e recursos conciliares.
5. A confecção de documentos.
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12 agosto 2019
A Companhia de Pastores de Calvino - resenha
por Michael Horton[1]
Com muitos outros, tenho antecipado a publicação de Calvin’s Company of Pastors: Pastoral Care and the Emerging Reformed Church, 1536–1609 de Scott Manetsch. Não é bem o que eu esperava, ou seja, uma atualização mais completa para The Register of the Company of Pastors of Geneva in the Time of Calvin (1966) de Phillip Hugues. Nós precisávamos de algo assim, que fosse uma publicação de nicho que pareceria muito com uma avaliação para uma audiência geral. No entanto, o livro de Manetsch é isso e muito mais.
Repleta de novos estudos (incluindo a análise de registros nunca examinados de perto), Calvin’s Company of Pastors[2] é uma leitura fascinante. Enquanto muitos estudos se inclinam para a história intelectual, Manetsch segue o rastro de historiadores sociais mais recentes (e obscuros). A sua análise engloba fatores sociais mais amplos, e ele tira conclusões com base em fontes frequentemente omitidas de outros relatos. Como um bom sermão, o enorme peso da pesquisa em primeira mão está por trás, e não a frente da história.
Respaldado com as notas de rodapé e tabelas é uma narrativa vívida que nos esboça um notável ministério de uma equipe de pastores, presbíteros e diáconos. Apesar do título, Manetsch, professor de história da igreja e da história do pensamento cristão na Trinity Evangelical Divinity School, nas proximidades de Chicago, mostra que Calvino era apenas o moderador de uma Companhia de Pastores que resistia a qualquer culto à personalidade.
Definindo o Contexto
Manetsch define o contexto observando que a reforma inicial da igreja genebrina reduziu os clérigos da cidade (incluindo monges e freiras) de 500 para 15, transformando o convento e dois mosteiros em um hospital público e escola. Ele observa que as Ordenanças Eclesiásticas, elaboradas por Calvino em 1541, estabeleceram uma rotatividade de ministros em todas as igrejas para evitar a impressão de que os ministros eram pregadores, não pastores.
Poucas figuras históricas sofreram mais em termos de rumores do que por fatos. Há muito é observado por especialistas (católicos romanos e protestantes) que Calvino estava longe do aiatolá que normalmente encontra no parágrafo dedicado a ele nos livros didáticos do ensino médio. Manetsch dissipa esses rumores com muita atenção às fontes primárias.
Nesse sentido, Manetsch também avalia os registros da igreja (ou registro) em detalhes notáveis. O exame de casos disciplinares por si só torna este livro útil para qualquer pessoa interessada num retrato preciso de uma prática muito mal compreendida.
Ao contrário das caricaturas de um regime repressivo, os registros mostram uma preocupação primariamente “em educar os ignorantes, defender os fracos e intermediar conflitos interpessoais”. Calvino e outros repetidamente afirmaram que o consistório não podia administrar punições legais ou temporais (isto é, aqueles que não têm “a espada espiritual da Palavra de Deus” e que “as correções nada mais são do que remédios para trazer os pecadores de volta ao nosso Senhor.” Calvino advertiu contra a disciplina que se degenera em “carnificina espiritual”, e foi especialmente crítico do rigor indevido tanto pelos católicos romanos como da disciplina anabatista.
Muitas das questões envolviam assegurar que os paroquianos conhecessem a fé cristã o suficiente para receber a Comunhão. Não se pode receber o sacramento enquanto se crê em crenças e práticas católicas romanas ou anabatistas; a maioria dos casos, entretanto, estava na categoria de aconselhamento, admoestação e instrução, em vez de censura séria (muito menos excomunhão). Dentro destes parâmetros, a excomunhão seria rara. Além disso, essas questões tinham que permanecer privadas; a maledicência também poderia provocar uma carta do consistório.
Deve-se notar que nenhum ministro ou presbítero - nem mesmo Calvino - poderia exercer disciplina individualmente. Todas as ações eram as do Consistório - ministros e presbíteros - como um corpo em comum consenso. Manetsch até relaciona casos de ministros sendo examinados e removidos do cargo. E apesar do estereótipo, ele relata que os pecados sexuais foram responsáveis por “apenas cerca de 13% de todas as suspensões” da Comunhão. Em alguns casos, o Consistório solicitou ao Conselho Menor que fornecesse emprego remunerado para as jovens mulheres e “defendia a causa de órfãos desamparados, trabalhadores pobres, prisioneiros maltratados, refugiados desprezados e desajustados sociais”.
O mesmo rigor em sua pesquisa é evidente ao relacionar o desenvolvimento da academia (que Lambert Daneau chamou de “um dos mercados mais ricos para o comércio intelectual do mundo”) e a composição de pastores, professores e estudantes atraídos para Genebra. Embora tirada principalmente das “classes urbanas da Europa francófona, assim como da nobreza francesa”, muitos outros vieram da Itália, Espanha, Inglaterra, Polônia e além. Ele também aponta o notável foco e energia da Companhia de Pastores para missões - incluindo a primeira missão protestante para o Novo Mundo (no Brasil).
Explorando o ministério da Palavra e Sacramentos em Genebra, Manetsch revela a relativa ausência de pregação na cidade antes da Reforma. Como na maioria dos lugares, os sermões eram raros, exceto pela aparição ocasional de um pregador itinerante.
Ao contrário da impressão geral, Calvino não era o único pastor da igreja de St. Pierre, a principal paróquia da cidade, mas compartilhava da rotação com os outros. Os sermões eram frequentes (vários no Domingo e outros no decorrer da semana; Calvino pregava de 18 a 20 vezes por mês). No entanto, Calvino e a Companhia limitaram os cultos a não mais do que uma hora. Além dos cultos de oração de Quarta-feira, havia estudos semanais sobre passagens bíblicas, em que os paroquianos tinham um papel ativo nas discussões.
Pontos Marcantes
Um dos pontos marcantes de Manetsch, particularmente em vista da prática contemporânea, diz respeito à redefinição do ministério pastoral. Primeiro, houve um esforço determinado para evitar um culto à personalidade: “Calvino, o pregador, quase nunca fala de seus assuntos pessoais”. É o ministério de Cristo, não o próprio ministro, que deve estar à frente e no centro do povo de Deus. Segundo, Manetsch observa: “O pregador não era o proprietário de um púlpito ou o comandante de sua congregação: foi Cristo quem presidiu a sua igreja por meio da Palavra”.
De fato, cada um se submeteria à decisão da maioria. Manetsch aponta a comparação de Calvino acerca dos ministros aos “amigos do noivo” que têm o privilégio de “exercer autoridade sobre a igreja para representar a pessoa do Filho de Deus”. No entanto, eles devem observar a diferença entre “eles mesmos e o que pertence ao Esposo” e não “ficar no caminho de Cristo tendo somente o domínio em sua igreja ou governando-o somente por sua Palavra.” Calvino continuou: “Aqueles que ganham a igreja para si mesmos, em vez de para Cristo, violam a casamento que eles deveriam honrar”.
De fato, o caráter fraterno dos ministros torna-se uma característica recorrente no estudo de Manetsch. “Quanto menos discussões de doutrina tivermos juntos, maior o perigo de opiniões perniciosas”, observou Calvino. “A solidão leva a um grande abuso.” Consequentemente, havia amplas oportunidades de avaliação pelos pares a portas fechadas entre os pastores, variando de avaliações de sermões a discussões doutrinárias e ao manejo dos assuntos da igreja.
Existem alguns problemas com a Companhia de Pastores de Calvino que poderiam ser levantados. Manetsch apresenta uma pesquisa útil sobre o culto de adoração em Genebra, mas alguns elementos da liturgia que Calvino elaborou não estão inclusos. Os leitores também podem achar um tanto confuso que “Reformado” seja “reformado” (em minúsculas), mesmo que as referências às tradições católicas romana, luteranas e anabatistas sejam todas em maiúsculas. Embora provavelmente não intencional, isso pode minar o ponto abundantemente apoiado em todo o trabalho de que Calvino era membro e contribuiu para uma tradição maior do que ele. No entanto, isso não diminui a utilidade de um estudo que reúna essa amplitude de pesquisa em um único volume.
NOTAS:
[1] O artigo foi publicado em 25 de Fevereiro de 2013. Acessado em 24 de Maio de 2019.
[2] O livro pode ser adquirido AQUI.
Com muitos outros, tenho antecipado a publicação de Calvin’s Company of Pastors: Pastoral Care and the Emerging Reformed Church, 1536–1609 de Scott Manetsch. Não é bem o que eu esperava, ou seja, uma atualização mais completa para The Register of the Company of Pastors of Geneva in the Time of Calvin (1966) de Phillip Hugues. Nós precisávamos de algo assim, que fosse uma publicação de nicho que pareceria muito com uma avaliação para uma audiência geral. No entanto, o livro de Manetsch é isso e muito mais.
Repleta de novos estudos (incluindo a análise de registros nunca examinados de perto), Calvin’s Company of Pastors[2] é uma leitura fascinante. Enquanto muitos estudos se inclinam para a história intelectual, Manetsch segue o rastro de historiadores sociais mais recentes (e obscuros). A sua análise engloba fatores sociais mais amplos, e ele tira conclusões com base em fontes frequentemente omitidas de outros relatos. Como um bom sermão, o enorme peso da pesquisa em primeira mão está por trás, e não a frente da história.
Respaldado com as notas de rodapé e tabelas é uma narrativa vívida que nos esboça um notável ministério de uma equipe de pastores, presbíteros e diáconos. Apesar do título, Manetsch, professor de história da igreja e da história do pensamento cristão na Trinity Evangelical Divinity School, nas proximidades de Chicago, mostra que Calvino era apenas o moderador de uma Companhia de Pastores que resistia a qualquer culto à personalidade.
Definindo o Contexto
Manetsch define o contexto observando que a reforma inicial da igreja genebrina reduziu os clérigos da cidade (incluindo monges e freiras) de 500 para 15, transformando o convento e dois mosteiros em um hospital público e escola. Ele observa que as Ordenanças Eclesiásticas, elaboradas por Calvino em 1541, estabeleceram uma rotatividade de ministros em todas as igrejas para evitar a impressão de que os ministros eram pregadores, não pastores.
Após seu retorno de Estrasburgo em 1541, Calvino pregou rotineiramente em St. Pierre aos Domingos e no templo da Madeleine durante a semana de trabalho. Essa prática de rotação foi projetada por Calvino para garantir que o povo de Genebra fosse edificado por uma variedade de pregadores; também afirmava a natureza colegial do ministério pastoral na cidade, e desencorajava os ministros de verem seus postos de pregação como feudos pessoais.
Poucas figuras históricas sofreram mais em termos de rumores do que por fatos. Há muito é observado por especialistas (católicos romanos e protestantes) que Calvino estava longe do aiatolá que normalmente encontra no parágrafo dedicado a ele nos livros didáticos do ensino médio. Manetsch dissipa esses rumores com muita atenção às fontes primárias.
Nesse sentido, Manetsch também avalia os registros da igreja (ou registro) em detalhes notáveis. O exame de casos disciplinares por si só torna este livro útil para qualquer pessoa interessada num retrato preciso de uma prática muito mal compreendida.
Ao contrário das caricaturas de um regime repressivo, os registros mostram uma preocupação primariamente “em educar os ignorantes, defender os fracos e intermediar conflitos interpessoais”. Calvino e outros repetidamente afirmaram que o consistório não podia administrar punições legais ou temporais (isto é, aqueles que não têm “a espada espiritual da Palavra de Deus” e que “as correções nada mais são do que remédios para trazer os pecadores de volta ao nosso Senhor.” Calvino advertiu contra a disciplina que se degenera em “carnificina espiritual”, e foi especialmente crítico do rigor indevido tanto pelos católicos romanos como da disciplina anabatista.
Muitas das questões envolviam assegurar que os paroquianos conhecessem a fé cristã o suficiente para receber a Comunhão. Não se pode receber o sacramento enquanto se crê em crenças e práticas católicas romanas ou anabatistas; a maioria dos casos, entretanto, estava na categoria de aconselhamento, admoestação e instrução, em vez de censura séria (muito menos excomunhão). Dentro destes parâmetros, a excomunhão seria rara. Além disso, essas questões tinham que permanecer privadas; a maledicência também poderia provocar uma carta do consistório.
Deve-se notar que nenhum ministro ou presbítero - nem mesmo Calvino - poderia exercer disciplina individualmente. Todas as ações eram as do Consistório - ministros e presbíteros - como um corpo em comum consenso. Manetsch até relaciona casos de ministros sendo examinados e removidos do cargo. E apesar do estereótipo, ele relata que os pecados sexuais foram responsáveis por “apenas cerca de 13% de todas as suspensões” da Comunhão. Em alguns casos, o Consistório solicitou ao Conselho Menor que fornecesse emprego remunerado para as jovens mulheres e “defendia a causa de órfãos desamparados, trabalhadores pobres, prisioneiros maltratados, refugiados desprezados e desajustados sociais”.
O mesmo rigor em sua pesquisa é evidente ao relacionar o desenvolvimento da academia (que Lambert Daneau chamou de “um dos mercados mais ricos para o comércio intelectual do mundo”) e a composição de pastores, professores e estudantes atraídos para Genebra. Embora tirada principalmente das “classes urbanas da Europa francófona, assim como da nobreza francesa”, muitos outros vieram da Itália, Espanha, Inglaterra, Polônia e além. Ele também aponta o notável foco e energia da Companhia de Pastores para missões - incluindo a primeira missão protestante para o Novo Mundo (no Brasil).
Explorando o ministério da Palavra e Sacramentos em Genebra, Manetsch revela a relativa ausência de pregação na cidade antes da Reforma. Como na maioria dos lugares, os sermões eram raros, exceto pela aparição ocasional de um pregador itinerante.
Ao contrário da impressão geral, Calvino não era o único pastor da igreja de St. Pierre, a principal paróquia da cidade, mas compartilhava da rotação com os outros. Os sermões eram frequentes (vários no Domingo e outros no decorrer da semana; Calvino pregava de 18 a 20 vezes por mês). No entanto, Calvino e a Companhia limitaram os cultos a não mais do que uma hora. Além dos cultos de oração de Quarta-feira, havia estudos semanais sobre passagens bíblicas, em que os paroquianos tinham um papel ativo nas discussões.
Pontos Marcantes
Um dos pontos marcantes de Manetsch, particularmente em vista da prática contemporânea, diz respeito à redefinição do ministério pastoral. Primeiro, houve um esforço determinado para evitar um culto à personalidade: “Calvino, o pregador, quase nunca fala de seus assuntos pessoais”. É o ministério de Cristo, não o próprio ministro, que deve estar à frente e no centro do povo de Deus. Segundo, Manetsch observa: “O pregador não era o proprietário de um púlpito ou o comandante de sua congregação: foi Cristo quem presidiu a sua igreja por meio da Palavra”.
A Companhia de Pastores foi edificada, como instituição, com base no princípio básico de que todos os ministros cristãos possuíam igual autoridade sob a Palavra para proclamar o evangelho e administrar os sacramentos. Por isso, Calvino e seus colegas rejeitaram qualquer noção de preeminência ou hierarquia de autoridade dentro da companhia pastoral. Pelo menos em teoria, os ministros do evangelho cristão eram intercambiáveis.
De fato, cada um se submeteria à decisão da maioria. Manetsch aponta a comparação de Calvino acerca dos ministros aos “amigos do noivo” que têm o privilégio de “exercer autoridade sobre a igreja para representar a pessoa do Filho de Deus”. No entanto, eles devem observar a diferença entre “eles mesmos e o que pertence ao Esposo” e não “ficar no caminho de Cristo tendo somente o domínio em sua igreja ou governando-o somente por sua Palavra.” Calvino continuou: “Aqueles que ganham a igreja para si mesmos, em vez de para Cristo, violam a casamento que eles deveriam honrar”.
De fato, o caráter fraterno dos ministros torna-se uma característica recorrente no estudo de Manetsch. “Quanto menos discussões de doutrina tivermos juntos, maior o perigo de opiniões perniciosas”, observou Calvino. “A solidão leva a um grande abuso.” Consequentemente, havia amplas oportunidades de avaliação pelos pares a portas fechadas entre os pastores, variando de avaliações de sermões a discussões doutrinárias e ao manejo dos assuntos da igreja.
Existem alguns problemas com a Companhia de Pastores de Calvino que poderiam ser levantados. Manetsch apresenta uma pesquisa útil sobre o culto de adoração em Genebra, mas alguns elementos da liturgia que Calvino elaborou não estão inclusos. Os leitores também podem achar um tanto confuso que “Reformado” seja “reformado” (em minúsculas), mesmo que as referências às tradições católicas romana, luteranas e anabatistas sejam todas em maiúsculas. Embora provavelmente não intencional, isso pode minar o ponto abundantemente apoiado em todo o trabalho de que Calvino era membro e contribuiu para uma tradição maior do que ele. No entanto, isso não diminui a utilidade de um estudo que reúna essa amplitude de pesquisa em um único volume.
NOTAS:
[1] O artigo foi publicado em 25 de Fevereiro de 2013. Acessado em 24 de Maio de 2019.
[2] O livro pode ser adquirido AQUI.
08 agosto 2019
Como se preparar espiritualmente para o exame de ordenação
Por Dr. Ryan M. McGraw[1]
Participar de um exame ministerial ou de ordenação deve ser um ato de piedade. Apegar-se a este pensamento é o melhor meio de se aproximar de um exame sem temer os homens que o examinarão. Em muitos aspectos a preparação para licenciamento e ordenação pode ser um dos melhores meios para se preparar para o pastorado. Se somos servos de Jesus Cristo, então não deveríamos nos preocupar em agradar aos homens (Gl 1.10). Ser examinado para o ministério é o primeiro ato entre muitos no ministério onde um homem enfrenta o conflito entre falar o que a sua consciência crê pela Palavra de Deus, ou dizer aos examinadores o que acha que eles desejam ouvir. A maneira como você encara os seus exames, geralmente, indica como você exercerá o seu ministério. Você deve, em espírito de oração, portar-se em seu exame de uma maneira que seja digna do ofício para o qual deseja entrar. Isso significa que você estará preparado para confessar a sua fé em Cristo e seu desejo de obedecê-lo com humildade, submissão e sinceridade, mas com ousadia.
Um exame ministerial é, acima de tudo, um teste do coração. Os seus examinadores podem discernir o que você lhes apresenta externamente, mas somente você pode sondar o seu coração e realizar seu exame como um ato de adoração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Em todas as suas laboriosas preparações para o ministério, assegure-se de guardar o seu coração diligentemente, pois são as fontes da vida (Pv 4.23). Pela bênção do Deus trino as considerações a seguir o ajudarão abordar ao seu exame como um ato de piedade.
Apêndice: John Erskine (1721–1803)
Sobre a importância do exame de ordenação
Em 1750, John Erskine pregou um sermão intitulado “Sobre as Qualificações Necessárias para os Professores do Cristianismo”. Erskine foi um influente ministro escocês que ajudou a preparar para a publicação o livro A História da Obra da Redenção de Jonathan Edwards. Ele concluiu este sermão com uma exortação aos presbitérios sobre o seu envolvimento na ordenação de homens para o ministério do Evangelho. O material de Erskine reforça o que está escrito acima, observando os exames ministeriais do ponto de vista do corpo examinador. Dividi os enormes parágrafos originais em partes menores para facilitar a leitura.[4]
NOTAS:
[1] Ryan M. McGraw é um ministro da Presbyterian Church in America, em Conway, Carolina do Sul. Ele é graduado no Greenville Presbyterian Theological Seminary e na Universidade do Estado Livre, Bloemfontein, África do Sul. Este artigo foi originalmente publicado na revista Servo Ordenado Online, em Fevereiro de 2012. http://opc.org/os.html?article_id=294&issue_id=72 .
[2] As citações bíblicas são Almeida Revista e Atualizada. O Dr Ryan usou a New King James Version.
[3] Veja o “Apêndice” abaixo.
[4] Retirado de John Brown (de Edimburgo), ed., The Christian Pastor’s Manual: A Selection of Tracts on the Duties, Difficulties, and Encouragements of the Christian Ministry (orig. pub., Edinburgh, 1826, reprint, Ligonier, PA: Soli Deo Gloria Publications, 1991), 136–140. Infelizmente este excelente volume está esgotado. No entanto, pode ser baixado na íntegra de http://www.archive.org/details/christianpastor00brow .
Participar de um exame ministerial ou de ordenação deve ser um ato de piedade. Apegar-se a este pensamento é o melhor meio de se aproximar de um exame sem temer os homens que o examinarão. Em muitos aspectos a preparação para licenciamento e ordenação pode ser um dos melhores meios para se preparar para o pastorado. Se somos servos de Jesus Cristo, então não deveríamos nos preocupar em agradar aos homens (Gl 1.10). Ser examinado para o ministério é o primeiro ato entre muitos no ministério onde um homem enfrenta o conflito entre falar o que a sua consciência crê pela Palavra de Deus, ou dizer aos examinadores o que acha que eles desejam ouvir. A maneira como você encara os seus exames, geralmente, indica como você exercerá o seu ministério. Você deve, em espírito de oração, portar-se em seu exame de uma maneira que seja digna do ofício para o qual deseja entrar. Isso significa que você estará preparado para confessar a sua fé em Cristo e seu desejo de obedecê-lo com humildade, submissão e sinceridade, mas com ousadia.
Um exame ministerial é, acima de tudo, um teste do coração. Os seus examinadores podem discernir o que você lhes apresenta externamente, mas somente você pode sondar o seu coração e realizar seu exame como um ato de adoração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Em todas as suas laboriosas preparações para o ministério, assegure-se de guardar o seu coração diligentemente, pois são as fontes da vida (Pv 4.23). Pela bênção do Deus trino as considerações a seguir o ajudarão abordar ao seu exame como um ato de piedade.
1. Considere o seu exame como um testemunho público ao Senhor Jesus Cristo e às verdades da sua Palavra. Você deve através dele confessar com a sua boca o que crê em seu coração (Rm 10.9). Isso deve tornar seu exame um ato de adoração. Isso é verdade sempre que você fala em nome do Senhor Jesus Cristo. Se o confessar diante dos homens, então ele o confessará diante de seu Pai que está no céu, mas se você o negar diante dos homens, então ele o negará diante de seu Pai no céu (Mt 10.32-33). Se você está confiante de que Cristo está satisfeito com suas respostas, então o presbitério também estará.
2. Submeta-se ao seu exame em oração e fé. O texto de Fp 4.6–7 afirma: “Não andeis ansiosos de cousa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”[2] Houve momentos em meu ministério em que orei fervorosamente por essa passagem diariamente a fim de perseverar. Este texto fornece os meios bíblicos para lidar com a ansiedade na qualidade de uma ordenança e uma promessa. Orem através de todos os seus preparativos para assegurar que seus estudos sejam conduzidos ao seu coração e vida pela obra do Espírito Santo, e não negligenciem a gratidão! Quando damos graças ao Senhor por meio das e durante as circunstâncias que nos tentam para a ansiedade, então colocamos a nossa confiança nele e confessamos a sua soberana sabedoria.
3. Avalie a causa dos seus temores. Frequentemente, precisamos refletir acerca dos nossos medos. Por que tememos um exame mais do que o fato de que podemos potencialmente fracassar no ministério, além das demais consequências desse fracasso? Isso destaca um grande perigo no ministério. Uma vez que você foi ordenado e o medo de passar ou reprovar num exame seja removido, a tentação de se tornar negligente no ofício que você recebeu de Cristo se torna mais forte. Se você negligenciar o seu conhecimento da Palavra de Deus e deixar de crescer em seu estudo de teologia, então você não “falhará” num exame, mas você deve responder a Cristo pelas magras ovelhas enfraquecidas que estão sob seus cuidados, que são incapazes de enfrentar os ataques do maligno. O medo antes de um exame é “natural”, mas lembre-se: “Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no SENHOR está seguro” (Pv 29.25). “O Senhor é meu auxílio, não temerei; o que o homem pode fazer comigo?” (Hb 13.6; Sl 118.6). O Senhor advertiu Isaías que é audácia contra Deus um dos seus mensageiros temer aos homens: “Eu sou eu mesmo aquele vos consola. Quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva” (Is 51.12).
4. Seja honesto e preserve uma consciência limpa diante de Deus e dos homens. Se você não sabe a resposta para uma pergunta, então seja honesto e diga-o. Você realmente gostaria de ficar diante de uma congregação e dizer: “assim diz o Senhor”, quando não tem certeza se ele realmente disse isso, ou não? Se assim for, então por que você desejaria fazê-lo diante de homens ordenados que estão examinando-o para o ministério? Além disso, dar uma resposta quando se está incerto ou inseguro quase sempre lhe causará problemas - especialmente num exame oral.
5. Lembre-se que o ministério é ousado. Alguns candidatos ao ministério objetam que eles não saem tão bem em exames orais como em testes escritos. Se for esse o caso, então o seu exame oral será ainda mais proveitoso para ajudar a preparar-se para o ministério. A maior parte do trabalho público de um ministro na igreja local é verbal e não escrito. Se você pretende falar em nome de Cristo no púlpito, então é bom que você aprenda a falar sem se envergonhar diante de um presbitério, ou diante duma comissão de exame. Embora muitas vezes intimidante, um presbitério (ou comissão de ordenação similar) é um ambiente relativamente amigável, enquanto que um mundo incrédulo e, às vezes, uma congregação, não o é. Imitemos os apóstolos orando por ousadia (At 4.29; Fp 1.19-20).
6. Lembre-se de que aqueles que estarão examinando você para o ministério, receberam uma incumbência sagrada do Senhor. Eles são mordomos dos mistérios de Deus (1Co 4.1). Quando eles admitem alguém em seu número através da imposição de mãos (1Tm 4.14, etc), devem ser cuidadosos para que não imponham as mãos sobre qualquer um apressadamente, para que não compartilhem dos pecados daqueles que provam serem desqualificados para o ofício (1Tm 5.22).[3] Seja humilde e respeite o encargo solene que recaiu sobre tais homens e que, se o Senhor quiser, você um dia compartilhará com eles. Seria do seu agrado que os seus examinadores ordenassem você ao ministério de maneira descuidada ou errada, por mais que eles pudessem desejar isso?
7. Olhe para o exame minucioso de ordenação como uma confirmação do seu chamado ao ministério. Lembre-se de que o Deus trino usa a sua Igreja para separar os homens para o ministério evangélico. Quando um homem tem um senso pessoal de chamado para o ofício da Igreja, e este chamado é confirmado tanto pela eleição de uma congregação local, como por um grupo de presbíteros previamente ordenados, então, e somente então, aquele homem saberá com confiança que o Espírito Santo fez dele um supervisor (At 20.28). O seu motivo para o ministério deve ser o amor ao Deus que primeiro o amou em Cristo (1Jo 4.19). O seu objetivo no ministério deve ser proclamar o amor do Pai, como é manifesto através da graça de Jesus Cristo, por meio da comunhão e consolo do Espírito Santo (Ef 2.18; 2Co 13.14). No entanto, o seu chamado para o ministério nunca será um desejo interno ou uma mera decisão individual. Facilmente nos enganamos. Os homens podem ter um invencível “senso de chamado” para o ministério em seus corações, mas a menos que a Igreja concorde que este é o caso, tanto no nível local, quanto no presbitério, a verdade é que tais homens não foram realmente "chamados" para o ministério. A simples razão para isto é que a Igreja ainda não lhe deu um chamado para trabalhar como um de seus ministros! Conheço homens que creem que são chamados para o ministério e, no entanto, praticamente ninguém na Igreja parece concordar com eles. Que você nunca se esqueça: "O que confia no seu próprio coração é insensato" (Pv 28.26). O seu exame não é formal nem supérfluo. Não há exemplo de um oficial ordinário no Novo Testamento que não foi eleito pelo povo e ordenado pela imposição das mãos de um presbitério. Um chamado para o ministério é sempre um assunto da Igreja. Se Cristo está chamando você para o ministério, então seu exame é parte de como ele está fazendo isso.
8. Lembre-se de que os seus examinadores são, em potencial, seus futuros colegas no ministério. Se eles foram devidamente chamados ao seu ofício, então o desejo deles é o bem da Igreja. Isso inclui o bem da sua alma. Você deve evitar ver esses homens como “inimigos”, mas olhe para eles como soldados companheiros no Senhor Jesus Cristo. Alguns deles são experientes veteranos de quem você muito tem a aprender. Quantas vezes os rapazes zombaram das críticas que descobriram mais tarde serem “palavras de sabedoria e instrução” (Pv 1.2)?
9. Considere que o exame de ordenação como um excelente exercício de autonegação. Quer você seja aprovado ou fracasse, o Senhor atua tanto em você quanto na Igreja por meio desse processo. Submeta-se à sua providência humildemente e, se for possível, com alegria. Um bom teste para saber se estamos nos negando é considerar se nos encontramos reclamando do processo. Alunos de teologia que se queixam de uma carga horária pesada, tornam-se candidatos que se queixam dos seus exames. Candidatos que se queixam dos seus exames, por sua vez, tornam-se ministros que se queixam das suas igrejas e presbíteros. Ministros fiéis e trabalhadores percebem rapidamente que o curso mais rigoroso de treinamento no seminário não pode ser comparado às dificuldades do pastorado. Se você se encontrar desenvolvendo um padrão pecaminoso nesta área, então negue-se, ore para que esteja contente em toda e qualquer situação em que você estiver (Fp 4.11), leia Nm 11 e continue regularmente!
10. Preparar-se para que o seu exame forneça uma base mais forte para o conhecimento bíblico e a piedade pessoal. Devemos evitar fazer uma distinção nítida entre conhecimento e piedade. Precisamos saber o que praticamos e devemos praticar o que sabemos. A verdade, como é revelada nas Escrituras, é de acordo com a piedade (Tt 1.1). Toda verdade da Escritura, incluindo - entre muitas outras - as duas naturezas de Cristo, o pacto das obras, a eficácia dos sacramentos, a lei de Deus e a Trindade, são ridicularizadas como "sutilezas" teológicas. Todavia, cada uma destas áreas tem implicações pastorais significativas. Se não vemos como a verdadeira teologia é “proveitosa para a doutrina, para a repreensão, para a correção, para a instrução na justiça” (2Tm 3.16), então, a culpa invariavelmente está mais em nós do que na Palavra do Deus trino. Pois, toda verdade teológica deve aumentar nossa comunhão pessoal com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para passar num exame da OAB, um futuro advogado deve conhecer as leis e como aplicá-las. Os mesmos padrões se aplicam à medicina e a outras disciplinas. Deveríamos esperar menos diligência e menor rigor em relação aos futuros ministros do evangelho? Estudar para um exame, frequentemente, força os homens a se unirem de forma mais abrangente do que aprenderam no seminário. Os candidatos devem usar essa rara oportunidade para orar essas verdades de maneira mais completa em seus corações e vidas. Preparar-se para o seu exame obriga-os a rever o seu conhecimento, mas deixe-o servir como uma ocasião para casar o seu conhecimento com a sua piedade. Se você buscar o seu exame para o ministério como um ato de piedade, então você nunca achará a experiência estéril ou infrutífera.
Apêndice: John Erskine (1721–1803)
Sobre a importância do exame de ordenação
Em 1750, John Erskine pregou um sermão intitulado “Sobre as Qualificações Necessárias para os Professores do Cristianismo”. Erskine foi um influente ministro escocês que ajudou a preparar para a publicação o livro A História da Obra da Redenção de Jonathan Edwards. Ele concluiu este sermão com uma exortação aos presbitérios sobre o seu envolvimento na ordenação de homens para o ministério do Evangelho. O material de Erskine reforça o que está escrito acima, observando os exames ministeriais do ponto de vista do corpo examinador. Dividi os enormes parágrafos originais em partes menores para facilitar a leitura.[4]
Quão terrível é a advertência de Paulo a Timóteo a todos os que estão preocupados em ordenar alguém ao ofício pastoral! Não imponha as mãos apressadamente sobre ninguém, nem participe dos pecados de outros homens: mantenha-se puro. Como se ele tivesse dito, embora você não tenha nenhuma razão particular para suspeitar da desqualificação de um candidato para o ministério, não seja por isso que avaliará de modo leviano e superficial as qualificações dele, mas examine, com o máximo cuidado e exatidão o seu caráter moral e aptidão para ensinar; pois, por indolência e descuido você deixará de fazer essas questionamentos, por meio dos quais poderia descobrir o que está errado; ou se, através de uma ternura excessiva pelos candidatos, através de temor de homens, que em si é uma armadilha, ou através de algum outro motivo indigno, você até agora for conivente com seus vícios ou defeitos conhecidos, de modo a conceder-lhe a ordenação, por essa conduta, você participa com ele, não apenas nos pecados que ele cometeu, mas também naqueles que posteriormente cometerá, enquanto ensina ou vive malignamente; e, portanto, você responderá por todas as consequências perniciosas da sua ordenação, arruinando a sua própria alma e as almas do seu rebanho. Caso outros ministros sejam imprudentemente precipitados neste assunto, e exortem-no a concordar com eles, não retroceda com o pedido ou autoridade deles, proceda contrário ao próprio julgamento, para que você não seja condenado com a culpa deles.
No verso que antecede essa advertência, os ministros são cobrados a não preferirem um antes do outro, e a nada fazerem por parcialidade, ou seja, não decidirem uma causa a favor ou contra uma pessoa, até ouvirem o que pode ser declarado de ambos os lados; não preferirem um antes do outro, onde não parece haver razão suficiente para tal preferência; e não serem influenciados pela amizade ou preconceito, sendo favorável a um e mais severo com outro do que deveríamos ser. E, no final do capítulo, encorajando essa diligência, o apóstolo nos informa que, se prosseguirmos com a devida deliberação, não perderemos nosso esforço, mas, ordinariamente poderemos formar um juízo sobre os candidatos. Os pecados de alguns homens são antecipadamente revelados, indo adiante deles para julgamento; no entanto, há alguns homens que seus pecados só se manifestam depois. Da mesma forma, também, as boas obras de alguns são manifestas de antemão; e, por exemplo as suas boas obras, que de outro modo, não podem ser escondidas. O significado é que os pecados de alguns homens são tão hediondos e notórios que antecedem o julgamento, pouco ou nenhum discernimento é necessário para descobri-los. E os pecados de outros os seguem para o julgamento; porque, embora menos notados, eles também podem, na maioria dos casos, pela devida investigação, serem trazidos à luz. Da mesma forma, as boas obras de alguns, e sua aptidão para a ordenação, são facilmente discernidas, mesmo antes de passarem por um julgamento formal; e aquelas boas obras que não são manifestas de antemão, mas que, pela modéstia ou pela obscura situação de quem as pratica, são pouco observadas, podendo muitas vezes, por uma busca diligente serem descobertas.
Desta notável passagem ... Grotius observa, que não devemos apenas perguntar se um candidato à ordenação é inocente de crimes atrozes, mas se a sua conduta é muito boa, vendo que as ações piedosas do eminente piedoso, raramente, são escondidas. E, de acordo com isso, Paulo exige, não apenas que um bispo seja irrepreensível, mas que tenha um bom testemunho dos de fora, para que ele não caia no opróbrio; de modo que o livramento de escândalos grosseiros, sem evidências positivas de uma disposição piedosa, não é garantia suficiente para que ordenemos alguém. É criminoso impor as mãos sobre um candidato, se não tivermos base positiva para esperar que ele pregue com proveito; e é igualmente criminoso fazê-lo, se não tivermos base positiva para esperar que seja um exemplo para os outros em palavra, conversação, caridade, espírito, fé e em pureza; pois a última qualificação é realmente uma parte do dever do ministro, e realmente um meio de ser usado para salvar almas, como o primeiro. As coisas, diz Paulo a Timóteo, de que ouviste de mim entre muitas testemunhas, o mesmo comprometa-se com os homens fiéis, que também ensinarão aos outros. Devemos ter provas verificáveis de sua fidelidade, bem como da sua capacidade de ensinar. Até mesmo os diáconos são primeiramente provados e somente depois, autorizados a ocuparem o ofício de diácono. É óbvio, então, que os ministros, cujo ofício é muito mais honroso e importante, não sejam autorizados a exercê-lo, até que a sua aptidão para isso seja devidamente provada.
Se alguém alegar que não haveria um número suficiente de ministros para todas as nossas igrejas, caso ordenássemos com tamanha cautela, eu respondo, é melhor arriscar nesse inconveniente do que quebrar uma lei expressa de Cristo, fazendo-nos menos exigentes na ordenação. Vamos nos importar com nosso dever e deixar os eventos para a providência. A rigidez nas admissões pode, de fato, desencorajar os que preferem morrer de fome ou envenenamento, do que alimentar as almas de seus rebanhos. Mas desencorajar tal coisa é altamente louvável: e um pequeno número de pastores capazes e fiéis, é mais desejável que uma multidão de inexperientes, ignorantes, noviços iletrados, incapazes de explicar ou defender a religião de Jesus; ou de educados que se apostatam do evangelho para a filosofia, que consideram o seu tempo mais útil e agradavelmente gasto no estudo de livros de ciência, do que em estudar as suas Bíblias; ou de mercenários contratados, de uma disposição tão mesquinha e sórdida quanto aquele que, conforme lemos em 1Sm 2.36, se subordinou para ser um sumo-sacerdote por um pedaço de prata e uma porção de pão, dizendo: “Põe-me, peço-te, como um dos ofícios dos sacerdotes, para que eu coma um pedaço de pão”.
Que Deus, em sua misericórdia, impeça que homens tão baixos e infelizes entrem na função sagrada! Que um ministério fiel, capaz e bem-sucedido seja a bênção da nossa terra! Que o glorioso cabeça da Igreja designe todas as moradas do monte Sião, e todas as suas igrejas, pastores segundo o seu próprio coração, para alimentar o seu povo com conhecimento e entendimento! E que ele, cujas palavras são operantes, diga à toda nossa igreja, e em particular a esta região: “Este é meu descanso para sempre; aqui habitarei; porque eu desejei isto. Abençoarei abundantemente a sua provisão; satisfarei com pão aos seus pobres. Também vestirei os seus sacerdotes com justiça, e os seus santos gritarão de alegria. Eu ordenei uma lâmpada para o meu ungido. Revestirei com vergonha os seus inimigos; mas sobre si a sua coroa florescerá.”
NOTAS:
[1] Ryan M. McGraw é um ministro da Presbyterian Church in America, em Conway, Carolina do Sul. Ele é graduado no Greenville Presbyterian Theological Seminary e na Universidade do Estado Livre, Bloemfontein, África do Sul. Este artigo foi originalmente publicado na revista Servo Ordenado Online, em Fevereiro de 2012. http://opc.org/os.html?article_id=294&issue_id=72 .
[2] As citações bíblicas são Almeida Revista e Atualizada. O Dr Ryan usou a New King James Version.
[3] Veja o “Apêndice” abaixo.
[4] Retirado de John Brown (de Edimburgo), ed., The Christian Pastor’s Manual: A Selection of Tracts on the Duties, Difficulties, and Encouragements of the Christian Ministry (orig. pub., Edinburgh, 1826, reprint, Ligonier, PA: Soli Deo Gloria Publications, 1991), 136–140. Infelizmente este excelente volume está esgotado. No entanto, pode ser baixado na íntegra de http://www.archive.org/details/christianpastor00brow .
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29 julho 2019
Estudos da história e teologia do movimento Anabatista no século XVI
por Ewerton B. Tokashiki
O estudo do movimento Anabatista no século XVI ainda é uma aérea de pesquisa pouco explorada no Brasil. O que existe são alguns capítulos de livros de História da Igreja ou História da Teologia. Infelizmente a pesquisa ad fontes é menos favorecida ainda. Listo abaixo uma bibliografia básica para quem se interessa nos estudos da história e teologia anabatista do século XVI.
1. Anthony Arthur, The Tailor-King The Rise and Fall of the Anabaptist Kingdom of Münster (New York, St. Martin’s Press, 2011).
2. C. Arnold Snyder & Linda A. Huebert Hecht, eds., Profiles of Anabaptist Women Sixteenth-Century Reforming Pioneers (Waterloo, Wilfrid Laurier University Press, 1996).
3. E. J. Furcha, ed., The Essential Carlstadt - Fifteen tracts by Andreas Bodenstein [Carlstadt] from Karlstadt (Waterloo, Herald Press, 1995).
4. Gary K. Waite, ed., David Joris and Dutch Anabaptism 1524-1543 (Waterloo, Wilfrid Laurier University Press, 1990).
5. Gary K. Waite, Eradicating the Devil’s Minions: Anabaptists and Witches in Reformation Europe, 1525–1600 (Toronto, University of Toronto Press, 2007).
6. George H. Williams, ed., Spiritual and Anabaptist Writers (Louisville, Published by Westminster John Knox Press, 2006).
7. J.C. Wenger, ed., The Complete Works of Menno Simons, c. 1496-1561 (Scottdale, Herald Press, 1986).
8. John D. Roth & James M. Stayer, eds., A Companion to Anabaptism and Spiritualism, 1521-1700 (Leiden, Koninklijke Brill NV, 2007).
9. John J. Friesen, ed., Peter Riedemann's Hutterite Confession of Faith (Waterloo, Herald Press, 1998).
10. John S. Oyer, Lutheran Reformers Against Anabaptists - Luther, Melanchthon and Menius and the Anabaptists of Central Germany (The Hague, Martinus Nijhoff, 1964).
11. Kat Hill, Baptism, Brotherhood, and Belief in Reformation Germany Anabaptism and Lutheranism, 1525–1585 (Oxford, Oxford University Press, 2015).
12. Marc Lienhard, ed., The Origins and Characteristics of Anabaptism / Les Debuts et les Caracteristiques de L'anabaptisme (The Hague, Martinus Nijhoff, 1977).
13. Peter Riedemann, Love is Like Fire – The Confession of na Anabaptist Prisoner (Robertsbridge, The Brudenhof Foundation, Inc., 2002).
14. William R. McGrath, Los anabaptistas (Farmington, Publicadora Lámpara y Luz, 2004).
15. Tom Scott, Thomas Müntzer - Theology and Revolution in the German Reformation (Nre York, St. Martin's Press, 1989).
P.S.* detenho todas essas obras.
O estudo do movimento Anabatista no século XVI ainda é uma aérea de pesquisa pouco explorada no Brasil. O que existe são alguns capítulos de livros de História da Igreja ou História da Teologia. Infelizmente a pesquisa ad fontes é menos favorecida ainda. Listo abaixo uma bibliografia básica para quem se interessa nos estudos da história e teologia anabatista do século XVI.
1. Anthony Arthur, The Tailor-King The Rise and Fall of the Anabaptist Kingdom of Münster (New York, St. Martin’s Press, 2011).
2. C. Arnold Snyder & Linda A. Huebert Hecht, eds., Profiles of Anabaptist Women Sixteenth-Century Reforming Pioneers (Waterloo, Wilfrid Laurier University Press, 1996).
3. E. J. Furcha, ed., The Essential Carlstadt - Fifteen tracts by Andreas Bodenstein [Carlstadt] from Karlstadt (Waterloo, Herald Press, 1995).
4. Gary K. Waite, ed., David Joris and Dutch Anabaptism 1524-1543 (Waterloo, Wilfrid Laurier University Press, 1990).
5. Gary K. Waite, Eradicating the Devil’s Minions: Anabaptists and Witches in Reformation Europe, 1525–1600 (Toronto, University of Toronto Press, 2007).
6. George H. Williams, ed., Spiritual and Anabaptist Writers (Louisville, Published by Westminster John Knox Press, 2006).
7. J.C. Wenger, ed., The Complete Works of Menno Simons, c. 1496-1561 (Scottdale, Herald Press, 1986).
8. John D. Roth & James M. Stayer, eds., A Companion to Anabaptism and Spiritualism, 1521-1700 (Leiden, Koninklijke Brill NV, 2007).
9. John J. Friesen, ed., Peter Riedemann's Hutterite Confession of Faith (Waterloo, Herald Press, 1998).
10. John S. Oyer, Lutheran Reformers Against Anabaptists - Luther, Melanchthon and Menius and the Anabaptists of Central Germany (The Hague, Martinus Nijhoff, 1964).
11. Kat Hill, Baptism, Brotherhood, and Belief in Reformation Germany Anabaptism and Lutheranism, 1525–1585 (Oxford, Oxford University Press, 2015).
12. Marc Lienhard, ed., The Origins and Characteristics of Anabaptism / Les Debuts et les Caracteristiques de L'anabaptisme (The Hague, Martinus Nijhoff, 1977).
13. Peter Riedemann, Love is Like Fire – The Confession of na Anabaptist Prisoner (Robertsbridge, The Brudenhof Foundation, Inc., 2002).
14. William R. McGrath, Los anabaptistas (Farmington, Publicadora Lámpara y Luz, 2004).
15. Tom Scott, Thomas Müntzer - Theology and Revolution in the German Reformation (Nre York, St. Martin's Press, 1989).
P.S.* detenho todas essas obras.
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