02 novembro 2026

10 coisas que você deve saber sobre a Confissão de Fé de Westminster

 Por J. V. Fesko, John R. Muether & D. Blair Smith

 

1. A Assembleia de Westminster não foi uma reunião presbiteriana.

Embora a Confissão de Fé de Westminster tenha se tornado um padrão doutrinário nas igrejas presbiterianas, os teólogos puritanos nomeados pelo “Longo Parlamento” formavam um conselho composto por anglicanos, independentes e presbiterianos, que produziu os Padrões de Westminster. Os 121 comissários representavam todos os condados da Inglaterra e do País de Gales, bem como as universidades de Oxford e Cambridge. A nomeação posterior de seis comissários escoceses pode ter favorecido uma orientação presbiteriana, mas a influência deles foi limitada, visto que atuavam apenas como conselheiros sem direito a voto.

2. A Assembleia de Westminster não obteve êxito na tarefa que lhe foi atribuída.

Originalmente convocada com o objetivo de “defender e esclarecer a doutrina da Igreja da Inglaterra, livrando-a de todas as calúnias e difamações falsas”, a Assembleia de Westminster fracassou em sua missão quando a monarquia foi restaurada na Inglaterra e o Ato de Uniformidade reconduziu a nação ao sistema anglicano oficial. Contudo, a influência internacional — não prevista — da Confissão de Fé e dos Catecismos de Westminster ao longo de quase quatro séculos estabeleceu o presbiterianismo confessional em todos os continentes habitados. Além dos presbiterianos, o documento moldou igrejas anglicanas, batistas e congregacionais. Na Inglaterra, adaptações da Confissão foram produzidas pelos independentes (a Declaração de Savoy em 1658) e pelos batistas particulares (a Segunda Confissão de Londres de 1689). Nas colônias americanas, o documento foi adotado de forma semelhante, com modificações, por congregacionalistas e batistas.

3. A Confissão de Fé de Westminster é, ao mesmo tempo, ortodoxa e clássica, embora expresse ênfases reformadas.

A Confissão de Fé de Westminster não se afasta dos credos antigos da igreja cristã. Por exemplo, no capítulo 8 - “De Cristo, o Mediador”, observa-se que a Confissão acolhe e rearticula a cristologia clássica, tal como expressa na Definição de Calcedônia. Ao mesmo tempo, notam-se elementos reformados incorporados a essa cristologia clássica; um exemplo disso encontra-se no terceiro parágrafo, que enfatiza que Cristo foi santificado e ungido com o Espírito Santo para exercer o seu ofício de mediador. Portanto, a Confissão é ortodoxa e clássica, ao mesmo tempo em que expressa ênfases reformadas.

4. A Confissão de Fé de Westminster segue o modelo do Credo Apostólico.

Embora a Confissão não mencione explicitamente o Credo Apostólico, ela o segue de maneira ainda mais próxima do que os seus predecessores confessionais. O quadro a seguir ilustra esse modelo:

 

O Credo Apostólico

A Confissão de Fé de Westminster

Deus o Pai

Escritura (1)

Trindade (2)

O Criador do céu e da terra

Decreto eterno (3)

Criação (4)

Providência (5)

Queda (6)

E em Jesus Cristo, seu único Filho

O pacto de Deus (7)

Cristo, o Mediador (8)

Creio no Espírito Santo

Livre-arbítrio (9)

Chamado eficaz (10)

Justificação (11)

Adoção (12)

Santificação (13)

Fé salvadora (14)

Arrependimento (15)

Boas obras (16)

Perseverança, Certeza (17-18)

Lei de Deus (19)

[não abordado no Credo dos Apóstolos]

Liberdade cristã (20)

Adoração (21)

Juramentos (22)

Magistrado (23)

Casamento (24)

A santa Igreja universal

A Igreja (25)

A comunhão dos santos

A comunhão dos santos (26)

[não abordado no Credo dos Apóstolos]

Sacramentos (27)

Batismo (28)

Ceia (29)

Censuras (30)

Concílios da Igreja (31)

A ressurreição do corpo

Ressurreição (32)

A vida eterna

Juízo final (33)

 

5. O teólogo mais citado na Assembleia de Westminster foi Theodore Beza, seguido por Agostinho e Calvino.

Os dez teólogos mais citados foram os seguintes:

Téologo

Número de citações

Theodore de Bèza

29

Agostinho

25

João Calvino

25

João Crisóstomo

16

Cipriano

12

Martinho Lutero

12

Thomas Cartwright

12

John Cameron

11

John Cotton

11

Tertuliano

10

6. A expectativa da vinda iminente de Cristo não impediu os teólogos de Westminster de realizarem o seu trabalho.

Alguns dos teólogos de Westminster, como Thomas Goodwin, acreditavam que Cristo retornaria em 1666 — cerca de vinte anos após o início das reuniões da assembleia. Ainda assim, eles se dedicaram à elaboração de uma confissão e de catecismos voltados para a reforma das igrejas.

7. O capítulo mais extenso da Confissão é o primeiro: “Das Sagradas Escrituras”.

Este capítulo inicial compreende quase mil palavras, distribuídas em dez parágrafos. Há razões importantes para isso, incluindo a necessidade de definir a extensão do cânon, a autoridade das Escrituras em relação à tradição, e a interpretação correta das Escrituras à luz dos debates surgidos a partir da Reforma. B. B. Warfield, sem dúvida, considerou apropriada a extensão desse capítulo, ao escrever:

“Certamente, em todo o conjunto da literatura confessional, não existe uma exposição doutrinária mais nobremente concebida ou mais habilmente elaborada do que o primeiro capítulo, sobre as Sagradas Escrituras — o qual os teólogos de Westminster colocaram no início de sua Confissão, estabelecendo-o como fundamento de todo o seu sistema doutrinário. Ele tem despertado a sincera admiração de todos os leitores competentes.”

8. O capítulo mais curto da Confissão é o capítulo 12 - “A Adoção”.

Contudo, sua brevidade — 100 palavras em um único parágrafo — não reflete falta de importância (nem a brevidade de qualquer outro capítulo). Vale ressaltar que a Confissão de Fé de Westminster é o primeiro documento confessional a incluir um capítulo sobre a adoção.

9. O plano original da Assembleia era redigir um único catecismo para complementar o ensino da Confissão de Fé.

Como a elaboração desse documento se mostrou um desafio para os teólogos, decidiu-se, em vez disso, escrever dois catecismos para sintetizar o ensino reformado, atendendo a públicos e propósitos distintos. O Breve Catecismo, voltado para crianças e pessoas com “capacidade mais limitada”, apresenta-se de forma concisa, facilitando a memorização. O Catecismo Maior, destinado a ministros e professores, é mais abrangente e detalhado, concentrando-se, em especial, na igreja como corpo.

10. A rigor, e com poucas exceções, nenhuma denominação presbiteriana norte-americana contemporânea adota a Confissão de Fé de Westminster, em sua forma original, como seu padrão doutrinário.

Os presbíteros e diáconos da PCA (Presbyterian Church in America), por exemplo, subscrevem a Confissão de Fé e os Catecismos da própria Presbyterian Church in America. Essa terminologia, utilizada de maneira semelhante pela Orthodox Presbyterian Church e pela Associate Reformed Presbyterian Church, reflete o fato de que os presbiterianos norte-americanos introduziram emendas aos Padrões de Westminster em diversos pontos, adaptando-os ao contexto no qual foram chamados a testemunhar.


O texto original AQUI

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