Por J. V. Fesko, John R. Muether & D. Blair Smith
1. A Assembleia de Westminster não foi uma reunião
presbiteriana.
Embora a Confissão de Fé de Westminster tenha se tornado um padrão doutrinário nas
igrejas presbiterianas, os teólogos puritanos nomeados pelo “Longo Parlamento”
formavam um conselho composto por anglicanos, independentes e presbiterianos,
que produziu os Padrões de Westminster. Os 121 comissários representavam todos
os condados da Inglaterra e do País de Gales, bem como as universidades de
Oxford e Cambridge. A nomeação posterior de seis comissários escoceses pode ter
favorecido uma orientação presbiteriana, mas a influência deles foi limitada,
visto que atuavam apenas como conselheiros sem direito a voto.
2. A Assembleia de Westminster não obteve êxito na tarefa que lhe foi atribuída.
Originalmente convocada com o objetivo de “defender e
esclarecer a doutrina da Igreja da Inglaterra, livrando-a de todas as calúnias
e difamações falsas”, a Assembleia de Westminster fracassou em sua missão
quando a monarquia foi restaurada na Inglaterra e o Ato de Uniformidade
reconduziu a nação ao sistema anglicano oficial. Contudo, a influência
internacional — não prevista — da Confissão de Fé e dos Catecismos de
Westminster ao longo de quase quatro séculos estabeleceu o presbiterianismo
confessional em todos os continentes habitados. Além dos presbiterianos, o
documento moldou igrejas anglicanas, batistas e congregacionais. Na Inglaterra,
adaptações da Confissão foram produzidas pelos independentes (a Declaração de
Savoy em 1658) e pelos batistas particulares (a Segunda Confissão de Londres de 1689). Nas colônias americanas, o documento foi adotado de forma semelhante,
com modificações, por congregacionalistas e batistas.
3. A Confissão de Fé de Westminster é, ao mesmo tempo, ortodoxa e clássica, embora expresse ênfases reformadas.
A Confissão de Fé de Westminster não se afasta dos credos antigos da igreja cristã. Por exemplo, no capítulo 8 - “De Cristo, o Mediador”, observa-se que a Confissão acolhe e rearticula a cristologia clássica, tal como expressa na Definição de Calcedônia. Ao mesmo tempo, notam-se elementos reformados incorporados a essa cristologia clássica; um exemplo disso encontra-se no terceiro parágrafo, que enfatiza que Cristo foi santificado e ungido com o Espírito Santo para exercer o seu ofício de mediador. Portanto, a Confissão é ortodoxa e clássica, ao mesmo tempo em que expressa ênfases reformadas.
4. A Confissão de Fé de Westminster segue o modelo do Credo
Apostólico.
Embora a Confissão não mencione explicitamente o Credo
Apostólico, ela o segue de maneira ainda mais próxima do que os seus
predecessores confessionais. O quadro a seguir ilustra esse modelo:
|
O Credo Apostólico |
A Confissão de Fé de
Westminster |
|
Deus o Pai |
Escritura (1) Trindade (2) |
|
O Criador do céu e da
terra |
Decreto eterno (3) Criação (4) Providência (5) Queda (6) |
|
E em Jesus Cristo, seu
único Filho |
O pacto de Deus (7) Cristo, o Mediador (8) |
|
Creio no Espírito Santo |
Livre-arbítrio (9) Chamado eficaz (10) Justificação (11) Adoção (12) Santificação (13) Fé salvadora (14) Arrependimento (15) Boas obras (16) Perseverança, Certeza
(17-18) Lei de Deus (19) |
|
[não abordado no Credo
dos Apóstolos] |
Liberdade cristã (20) Adoração (21) Juramentos (22) Magistrado (23) Casamento (24) |
|
A santa Igreja universal |
A Igreja (25) |
|
A comunhão dos santos |
A comunhão dos santos (26) |
|
[não abordado no Credo
dos Apóstolos] |
Sacramentos (27) Batismo (28) Ceia (29) Censuras (30) Concílios da Igreja (31) |
|
A ressurreição do corpo |
Ressurreição (32) |
|
A vida eterna |
Juízo final (33) |
5. O teólogo mais citado na Assembleia de Westminster foi
Theodore Beza, seguido por Agostinho e Calvino.
Os dez teólogos mais citados foram os seguintes:
|
Téologo |
Número de citações |
|
Theodore de Bèza |
29 |
|
Agostinho |
25 |
|
João Calvino |
25 |
|
João Crisóstomo |
16 |
|
Cipriano |
12 |
|
Martinho Lutero |
12 |
|
Thomas Cartwright |
12 |
|
John Cameron |
11 |
|
John Cotton |
11 |
|
Tertuliano |
10 |
6. A expectativa da vinda iminente de Cristo não impediu os teólogos de Westminster de realizarem o seu trabalho.
Alguns dos teólogos de Westminster, como Thomas Goodwin, acreditavam que Cristo retornaria em 1666 — cerca de vinte anos após o início das reuniões da assembleia. Ainda assim, eles se dedicaram à elaboração de uma confissão e de catecismos voltados para a reforma das igrejas.
7. O capítulo mais extenso da Confissão é o primeiro: “Das
Sagradas Escrituras”.
Este capítulo inicial compreende quase mil palavras, distribuídas em dez parágrafos. Há razões importantes para isso, incluindo a necessidade de definir a extensão do cânon, a autoridade das Escrituras em relação à tradição, e a interpretação correta das Escrituras à luz dos debates surgidos a partir da Reforma. B. B. Warfield, sem dúvida, considerou apropriada a extensão desse capítulo, ao escrever:
“Certamente, em todo o conjunto da literatura confessional, não existe uma exposição doutrinária mais nobremente concebida ou mais habilmente elaborada do que o primeiro capítulo, sobre as Sagradas Escrituras — o qual os teólogos de Westminster colocaram no início de sua Confissão, estabelecendo-o como fundamento de todo o seu sistema doutrinário. Ele tem despertado a sincera admiração de todos os leitores competentes.”
8. O capítulo mais curto da Confissão é o capítulo 12 - “A Adoção”.
Contudo, sua brevidade — 100 palavras em um único parágrafo — não reflete falta de importância (nem a brevidade de qualquer outro capítulo). Vale ressaltar que a Confissão de Fé de Westminster é o primeiro documento confessional a incluir um capítulo sobre a adoção.
9. O plano original da Assembleia era redigir um único
catecismo para complementar o ensino da Confissão de Fé.
Como a elaboração desse documento se mostrou um desafio para os teólogos, decidiu-se, em vez disso, escrever dois catecismos para sintetizar o ensino reformado, atendendo a públicos e propósitos distintos. O Breve Catecismo, voltado para crianças e pessoas com “capacidade mais limitada”, apresenta-se de forma concisa, facilitando a memorização. O Catecismo Maior, destinado a ministros e professores, é mais abrangente e detalhado, concentrando-se, em especial, na igreja como corpo.
10. A rigor, e com poucas exceções, nenhuma denominação
presbiteriana norte-americana contemporânea adota a Confissão de Fé de
Westminster, em sua forma original, como seu padrão doutrinário.
Os presbíteros e diáconos da PCA (Presbyterian Church in
America), por exemplo, subscrevem a Confissão de Fé e os Catecismos da própria
Presbyterian Church in America. Essa terminologia, utilizada de maneira
semelhante pela Orthodox Presbyterian Church e pela Associate Reformed
Presbyterian Church, reflete o fato de que os presbiterianos norte-americanos
introduziram emendas aos Padrões de Westminster em diversos pontos,
adaptando-os ao contexto no qual foram chamados a testemunhar.
O texto original AQUI